Autor: Dr. Gabriel Bordim Collaço Simomura

  • Barriga saliente mesmo magra? Pode ser diástase abdominal

    Barriga saliente mesmo magra? Pode ser diástase abdominal

    A diástase do reto abdominal é uma condição relativamente comum, especialmente após a gestação, mas que também pode ocorrer em outras situações. Muitas pessoas percebem uma barriga saliente persistente e não sabem que isso pode estar relacionado ao afastamento dos músculos abdominais.

    Embora nem sempre cause sintomas importantes, a diástase pode impactar a postura, a força do corpo e até o bem-estar no dia a dia. Entender o que é, por que acontece e como tratar ajuda a lidar melhor com a condição.

    O que é a diástase do reto abdominal

    Os músculos retos abdominais ficam na parte anterior do abdome e são unidos por uma estrutura chamada linha alba.

    Na diástase:

    • Ocorre afastamento desses músculos;
    • A distância entre eles aumenta;
    • Pode surgir uma saliência no abdome, principalmente ao fazer esforço.

    Esse afastamento pode variar de leve a mais acentuado.

    Principais causas da diástase

    A diástase geralmente está relacionada ao aumento da pressão dentro do abdome.

    Entre as principais causas estão:

    • Gestação, especialmente múltipla ou com bebês maiores;
    • Ganho de peso significativo;
    • Obesidade;
    • Esforço físico excessivo ou inadequado;
    • Enfraquecimento da musculatura abdominal.

    Durante a gravidez, o crescimento do útero e alterações hormonais favorecem essa separação.

    Quais são as consequências da diástase

    Nem todas as pessoas apresentam sintomas, mas podem ocorrer:

    • Abaulamento abdominal persistente;
    • Fraqueza na musculatura;
    • Dor lombar;
    • Alterações posturais;
    • Sensação de instabilidade no tronco.

    Em casos mais acentuados, pode haver aumento do risco de hérnias abdominais.

    Como identificar a diástase

    Alguns sinais podem levantar suspeita:

    • Abaulamento no centro do abdome ao fazer esforço;
    • Sensação de separação entre os músculos;
    • Dificuldade de contrair o abdome.

    O diagnóstico é feito por avaliação clínica e, em alguns casos, exames de imagem como ultrassonografia.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende do grau de diástase e dos sintomas.

    1. Tratamento conservador

    Na maioria dos casos, é a primeira abordagem.

    Esse tipo de tratamento envolve:

    • Exercícios específicos orientados por fisioterapeuta;
    • Reeducação postural;
    • Fortalecimento do core (músculos do tronco).

    Evitar exercícios inadequados é fundamental, pois alguns podem piorar o quadro. Por isso, é preciso ter orientação para fazer exercícios de musculação para que eles estejam adequados para a condição.

    2. Tratamento cirúrgico

    Indicado em situações mais graves.

    • Aproxima os músculos abdominais;
    • Reforça a parede abdominal.

    Em alguns casos, pode ser associado à abdominoplastia.

    A diástase pode voltar ao normal?

    Em alguns casos, especialmente após o parto, pode haver melhora espontânea.

    Quando persiste:

    • Exercícios orientados costumam trazer bons resultados;
    • Casos mais avançados podem exigir avaliação cirúrgica.

    Confira: Hérnia inguinal: o que você precisa saber

    Perguntas frequentes sobre diástase do reto abdominal

    1. Diástase é comum após a gravidez?

    Sim. É bastante frequente no pós-parto.

    2. É apenas estética?

    Não. Pode causar dor, fraqueza e alterações posturais.

    3. Exercícios ajudam?

    Sim. Exercícios específicos são uma das principais formas de tratamento.

    4. Abdominal tradicional piora?

    Pode piorar, principalmente nas fases iniciais.

    5. Quando a cirurgia é indicada?

    Quando há diástase importante ou falha do tratamento conservador.

    6. Homens podem ter diástase?

    Sim. Apesar de mais comum em mulheres, também pode ocorrer em homens.

    7. Pode causar hérnia?

    Sim. Em alguns casos, está associada a maior risco de hérnias.

    Veja mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Verme do sushi: entenda o que é anisaquíase e como se proteger

    Verme do sushi: entenda o que é anisaquíase e como se proteger

    O consumo de peixe cru, como sushi, sashimi e ceviche, se tornou cada vez mais comum. Embora esses alimentos sejam seguros quando preparados corretamente, existe um risco pouco conhecido: a anisaquíase, uma infecção causada por um parasita presente em peixes contaminados, também conhecido por “verme do sushi”.

    Apesar de nem todos os casos provocarem sintomas, algumas pessoas podem desenvolver dor abdominal intensa poucas horas após a ingestão. Entenda como essa infecção acontece e o que você pode fazer para preveni-la, especialmente se você é uma pessoa que consome peixe cru com frequência.

    O que é a anisaquíase

    A anisaquíase é uma infecção parasitária causada por larvas do gênero Anisakis.

    • Esses parasitas fazem parte do ciclo de vida de animais marinhos;
    • Podem estar presentes em peixes e lulas;
    • O ser humano se infecta ao consumir alimentos crus ou mal cozidos.

    No organismo humano, as larvas não completam seu ciclo, mas podem provocar inflamação no trato gastrointestinal.

    Como acontece a infecção

    A infecção ocorre principalmente pela ingestão de:

    • Peixe cru ou mal cozido;
    • Frutos do mar contaminados;
    • Preparações como sushi, sashimi e ceviche.

    Após serem ingeridas, as larvas podem:

    • Penetrar na mucosa do estômago ou intestino;
    • Provocar inflamação local;
    • Desencadear sintomas digestivos agudos.

    Em alguns casos, também pode ocorrer reação alérgica.

    Principais sintomas do verme do sushi

    Os sintomas costumam surgir rapidamente, geralmente poucas horas após a ingestão.

    Entre os mais comuns estão:

    • Dor abdominal intensa e súbita;
    • Náuseas e vômitos;
    • Sensação de mal-estar;
    • Distensão abdominal.

    Em alguns casos, podem ocorrer:

    • Reações alérgicas, como urticária;
    • Quadros mais raros de obstrução intestinal.

    A intensidade pode variar de leve a grave.

    A anisaquíase é uma infecção grave?

    Na maioria das vezes, é uma condição autolimitada.

    No entanto, pode exigir avaliação médica quando:

    • A dor é intensa;
    • As larvas se fixam na mucosa do trato digestivo;
    • Há inflamação importante ou complicações.

    Em situações específicas, pode ser necessária endoscopia para remover o parasita.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica.

    Exames podem ser utilizados, como:

    • Endoscopia digestiva, que pode identificar e remover a larva;
    • Exames de imagem, quando há suspeita de complicações.

    O relato de ingestão recente de peixe cru é uma informação importante.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade dos sintomas.

    As principais abordagens incluem:

    • Remoção do parasita por endoscopia, quando possível;
    • Uso de medicamentos para alívio dos sintomas;
    • Observação clínica em casos leves.

    Na maioria dos casos, não é necessário uso de antiparasitários.

    Como prevenir a anisaquíase

    A prevenção está diretamente relacionada ao preparo adequado dos alimentos.

    Entre as principais medidas estão:

    • Consumir peixe cru apenas de estabelecimentos confiáveis;
    • Garantir congelamento adequado antes do consumo;
    • Evitar peixe cru de origem desconhecida;
    • Cozinhar bem o peixe sempre que possível.

    O congelamento adequado é uma das formas mais eficazes de eliminar as larvas.

    Veja também: Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes sobre anisaquíase

    1. Todo peixe cru tem risco?

    Não necessariamente, mas existe risco se não houver preparo adequado.

    2. Congelar o peixe elimina o parasita?

    Sim. O congelamento em temperaturas adequadas pode matar as larvas.

    3. A anisaquíase é comum?

    É relativamente rara, mas pode ocorrer com o aumento do consumo de peixe cru.

    4. Quais alimentos podem transmitir?

    Principalmente peixe cru ou mal cozido, como sushi, sashimi e ceviche.

    5. Precisa tomar vermífugo?

    Na maioria dos casos, não.

    6. Pode causar alergia?

    Sim. Algumas pessoas podem apresentar reações alérgicas.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver dor intensa, vômitos persistentes ou sintomas após consumir peixe cru.

    Veja também: Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • Vou precisar de ostomia? Entenda quando ela é indicada

    Vou precisar de ostomia? Entenda quando ela é indicada

    A ostomia é um procedimento cirúrgico que pode gerar dúvidas e inseguranças, especialmente quando surge como parte do tratamento de uma doença. No entanto, em muitos casos, ela é essencial para preservar a saúde e permitir a recuperação do organismo.

    De forma simples, a ostomia cria uma nova via para eliminação de fezes ou urina quando o trajeto natural não pode ser utilizado. Abaixo você vai entender como ela funciona e em quais situações é indicada.

    O que é a ostomia

    A ostomia é uma cirurgia que cria uma comunicação entre um órgão interno e a superfície da pele.

    • Nas ostomias intestinais, permite a saída de fezes diretamente para uma bolsa coletora;
    • Nas ostomias urinárias, permite a drenagem da urina quando o sistema urinário não funciona adequadamente.

    Essa abertura é chamada de estoma e fica conectada a uma bolsa que coleta o conteúdo eliminado.

    Tipos mais comuns de ostomia

    Existem diferentes tipos de ostomia, dependendo do órgão envolvido.

    1. Colostomia

    A colostomia é feita a partir do intestino grosso.

    • Permite a eliminação das fezes pelo abdome;
    • A consistência das fezes varia conforme a região do intestino utilizada.

    2. Ileostomia

    A ileostomia é realizada a partir do intestino delgado.

    • O conteúdo eliminado tende a ser mais líquido;
    • Isso ocorre porque não passa pelo intestino grosso, onde há absorção de água.

    3. Urostomia

    A urostomia é indicada quando o sistema urinário não consegue funcionar normalmente.

    • A urina passa a ser eliminada por uma abertura no abdômen;
    • É coletada por uma bolsa externa.

    Em quais casos a ostomia é necessária

    A ostomia pode ser indicada em diferentes situações médicas.

    As principais são:

    • Câncer colorretal ou de bexiga;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn ou retocolite ulcerativa;
    • Diverticulite complicada;
    • Perfuração intestinal;
    • Traumas abdominais graves;
    • Malformações congênitas.

    Em muitos casos, o objetivo é proteger o organismo ou permitir a recuperação após uma cirurgia.

    A ostomia é permanente?

    Nem sempre.

    1. Ostomia temporária

    • Utilizada para proteger o intestino após cirurgia;
    • Permite cicatrização adequada;
    • Pode ser revertida posteriormente.

    2. Ostomia permanente

    • Indicada quando não é possível restabelecer o trajeto natural;
    • Pode ocorrer após retirada definitiva de parte do intestino ou da bexiga.

    A decisão depende da condição de base e da avaliação médica.

    Como é viver com uma ostomia

    Apesar do impacto inicial, muitas pessoas conseguem levar uma vida ativa e com qualidade.

    Com orientação adequada, é possível:

    • Aprender a cuidar da bolsa coletora;
    • Manter alimentação equilibrada;
    • Praticar atividade física;
    • Retomar atividades sociais e profissionais.

    O acompanhamento com equipe especializada, incluindo enfermeiros estomaterapeutas, é fundamental.

    Confira: 10 atitudes que ajudam a prevenir o câncer de intestino

    Perguntas frequentes sobre ostomia

    1. O que é uma bolsa de ostomia?

    É um dispositivo que coleta fezes ou urina eliminadas pelo estoma.

    2. Toda ostomia é permanente?

    Não. Muitas são temporárias e podem ser revertidas.

    3. Quem tem ostomia pode ter vida normal?

    Sim. Com cuidados adequados, é possível retomar atividades do dia a dia.

    4. A bolsa precisa ser trocada com frequência?

    Sim. A troca regular evita irritações e mantém a higiene.

    5. É possível fazer exercícios físicos?

    Na maioria dos casos, sim, após liberação médica.

    6. A alimentação muda?

    Pode haver adaptações, principalmente no início.

    7. Quem orienta os cuidados?

    Profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros especializados.

    Veja mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil