Autor: Dra. Juliana Soares

  • Demência: como reconhecer os sinais e entender os tipos mais comuns 

    Demência: como reconhecer os sinais e entender os tipos mais comuns 

    Esquecer compromissos, repetir perguntas, perder objetos e se desorientar em lugares familiares podem parecer distrações do dia a dia. No entanto, esses sinais podem indicar demência, um conjunto de síndromes que comprometem funções cerebrais como memória, linguagem, raciocínio e comportamento.

    A demência não é uma doença única, mas um grupo de condições neurológicas que afetam o funcionamento do cérebro. As mais conhecidas são Alzheimer, demência vascular, demência com corpos de Lewy e demência frontotemporal. Embora o avanço seja gradual, o diagnóstico precoce e o suporte adequado fazem grande diferença na qualidade de vida do paciente e da família.

    O que é a demência

    A demência é caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas — como memória, atenção, raciocínio, linguagem e habilidades motoras. Essas alterações interferem no desempenho profissional, social e nas tarefas simples do cotidiano, comprometendo a autonomia e a convivência social.

    Com o tempo, a perda cognitiva se agrava, e o paciente passa a depender de cuidados contínuos e apoio constante de familiares e cuidadores.

    Sintomas da demência

    Os sintomas variam de acordo com o tipo e a região do cérebro afetada, mas os sinais mais comuns incluem:

    • Perda de memória e esquecimentos frequentes;
    • Dificuldade em realizar tarefas conhecidas;
    • Problemas de raciocínio e orientação espacial;
    • Alterações de comportamento e humor;
    • Confusão mental e desorientação;
    • Agressividade ou apatia;
    • Dificuldade de linguagem e atenção.

    Esses sintomas pioram progressivamente, passando de pequenas falhas de memória a comprometimentos severos das funções básicas.

    Tipos mais comuns de demência

    Existem várias formas de demência, mas quatro tipos se destacam pela frequência e impacto clínico.

    Doença de Alzheimer

    É a forma mais comum, responsável por mais da metade dos casos. Ocorre devido ao acúmulo anormal de proteínas no cérebro, que formam placas e causam atrofia cerebral, prejudicando a comunicação entre os neurônios.

    Principais sintomas:

    • Perda de memória recente;
    • Dificuldade de orientação em tempo e espaço;
    • Alterações de linguagem;
    • Mudanças de comportamento e equilíbrio;
    • Evolução lenta e progressiva.

    Demência Vascular

    É a segunda mais frequente e ocorre devido a problemas nos vasos sanguíneos cerebrais, como AVC, que reduzem o fluxo de oxigênio no cérebro.

    Sintomas principais:

    • Início súbito após um evento vascular;
    • Alterações de memória;
    • Dificuldades de movimento, fala ou visão;
    • Alterações de humor e raciocínio.

    Fatores de risco: hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo.

    Demência com Corpos de Lewy

    Provocada pelo acúmulo de proteínas anormais (corpos de Lewy) nas células nervosas. Combina sintomas cognitivos e motores.

    Sintomas característicos:

    • Rigidez e lentidão dos movimentos (semelhante ao Parkinson);
    • Alucinações visuais vívidas (ver pessoas ou animais que não existem);
    • Oscilações no estado de atenção e alerta.

    Demência Frontotemporal

    Decorre da degeneração dos lobos frontal e temporal do cérebro, responsáveis por comportamento, linguagem e tomada de decisões.

    Sinais iniciais:

    • Mudanças de personalidade e comportamento (impulsividade, perda de crítica, isolamento);
    • Dificuldade de linguagem (repetição de palavras, fala reduzida, dificuldade para nomear objetos);
    • A memória tende a se manter preservada nas fases iniciais.

    É o tipo de demência que pode surgir mais cedo, muitas vezes antes dos 65 anos.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico exige avaliação clínica detalhada e exames complementares.

    Avaliação médica

    • Histórico dos sintomas e sua evolução;
    • Testes cognitivos (memória, atenção, nomeação e desenho de relógio);
    • Análise da capacidade de realizar atividades diárias.

    Exames complementares

    • Exames de sangue para descartar outras doenças;
    • Tomografia ou ressonância magnética para avaliar alterações cerebrais;
    • Testes neuropsicológicos para medir funções cognitivas.

    O diagnóstico precoce é essencial para definir o tratamento e planejar os cuidados de longo prazo.

    Tratamento

    Embora não exista cura, o tratamento ajuda a controlar os sintomas, retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.

    Tratamento medicamentoso

    • Medicamentos específicos para cada tipo de demência, que estabilizam as funções cognitivas;
    • Controle de doenças associadas como hipertensão, diabetes e colesterol alto.

    Terapias complementares

    • Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para estimular corpo e mente;
    • Atividades cognitivas: leitura, jogos de memória, música e artes;
    • Apoio psicológico ao paciente e à família;
    • Alimentação saudável e atividade física regular.

    O cuidado com o ambiente e o suporte emocional são fundamentais para garantir segurança e bem-estar.

    Impactos da demência

    A demência afeta não apenas o paciente, mas toda a rede de apoio familiar e social.

    • Perda progressiva da independência;
    • Sobrecarga física e emocional dos cuidadores;
    • Impactos financeiros e sociais, com necessidade de cuidados contínuos.

    O acompanhamento por uma equipe multiprofissional é essencial para oferecer suporte integral ao paciente e à família.

    Confira: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

    Perguntas frequentes sobre demência

    1. Demência e Alzheimer são a mesma coisa?

    Não. O Alzheimer é apenas um dos tipos de demência, embora seja o mais comum.

    2. A demência tem cura?

    Não, mas o tratamento pode retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.

    3. Como diferenciar esquecimento comum de demência?

    Esquecimentos ocasionais são normais. Na demência, há comprometimento das atividades diárias e confusão frequente.

    4. A demência é hereditária?

    Alguns tipos, como a demência frontotemporal, podem ter influência genética, mas a maioria dos casos não é hereditária.

    5. É possível prevenir a demência?

    Sim. Manter o cérebro ativo, controlar pressão, diabetes e colesterol, praticar exercícios e ter uma alimentação equilibrada ajudam na prevenção.

    6. Como é o tratamento da demência?

    Combina medicamentos, terapias de estimulação cognitiva, fisioterapia, acompanhamento psicológico e suporte familiar.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Procure avaliação médica sempre que houver esquecimentos frequentes, confusão, dificuldade em realizar tarefas simples ou mudanças de comportamento.

    Leia também: Demência por corpos de Lewy (DCL): o que é, como reconhecer e tratar

  • Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro 

    Endoscopia: como é o exame que vê o estômago por dentro 

    A endoscopia digestiva alta é um exame simples, mas essencial para diagnosticar e tratar doenças do aparelho digestivo. Por meio de uma microcâmera acoplada a um tubo fino e flexível, o médico visualiza em tempo real o interior do esôfago, estômago e duodeno com alta definição.

    Além de identificar condições como refluxo, gastrite, úlceras e sangramentos, o exame também pode ser terapêutico, permitindo o tratamento imediato de algumas lesões — como estancar um sangramento, remover pólipos ou dilatar áreas estreitadas.

    O que é a endoscopia digestiva alta

    É um dos principais exames da gastroenterologia. Utiliza um equipamento com sistema óptico e microcâmera para iluminar e registrar o interior do trato digestivo superior, possibilitando uma avaliação direta e detalhada do esôfago, estômago e início do intestino.

    Com os avanços tecnológicos, os aparelhos tornaram-se mais finos, precisos e confortáveis, tornando o exame mais rápido e seguro.

    Como o exame surgiu e evoluiu

    • Os primeiros endoscópios eram rígidos e desconfortáveis;
    • Atualmente, existem modelos flexíveis e finos que reduzem o desconforto;
    • As câmeras de vídeo e monitores exibem imagens em tempo real com gravação digital;
    • Equipamentos de alta resolução detectam pequenas lesões e permitem intervenções precisas.

    Essas inovações tornaram a endoscopia um exame seguro, rápido e essencial para diagnósticos precoces e tratamentos menos invasivos.

    Como se preparar para a endoscopia

    Para garantir segurança e resultados confiáveis, é importante seguir corretamente as orientações médicas de preparo.

    Jejum

    • Jejum de aproximadamente 8 horas é obrigatório;
    • Em casos de esvaziamento gástrico lento, pode ser recomendada uma dieta líquida nos dias anteriores;
    • Se o jejum total não for possível, o médico avaliará e adaptará as instruções.

    Uso de remédios

    • Confirme com o médico ou laboratório se deve interromper algum medicamento;
    • Ozempic®, Rybelsus® e Mounjaro® devem ser suspensos 21 dias antes do exame;
    • Diabéticos devem aplicar insulina após o exame;
    • Antiácidos: suspender 24 horas antes;
    • Anticoagulantes: pausar conforme orientação médica.

    Como a endoscopia digestiva alta é feita

    Realizada em hospital ou clínica especializada, com anestesia local na garganta e sedação leve na veia para conforto do paciente.

    • O paciente fica deitado de lado e monitorado com oxigênio por cateter nasal;
    • O endoscópio é introduzido pela boca até o duodeno;
    • O médico observa o trato digestivo em tempo real, podendo fazer biópsias e intervenções.

    A duração média é de 10 a 20 minutos.

    Quando a endoscopia digestiva alta é indicada

    Indicada para investigar sintomas persistentes e monitorar doenças do trato digestivo. Entre as principais indicações:

    • Queimação ou dor no estômago (dispepsia);
    • Dificuldade ou dor ao engolir;
    • Refluxo persistente que não melhora com tratamento;
    • Perda de peso sem causa aparente;
    • Anemia ou falta de apetite inexplicável;
    • Vômitos persistentes;
    • Suspeita de doença celíaca;
    • Sangramento digestivo;
    • Acompanhamento de doenças como esôfago de Barrett ou pós-cirurgia gástrica.

    Endoscopia terapêutica: quando o exame também trata

    Em muitos casos, a endoscopia é também terapêutica, permitindo tratar o problema durante o procedimento:

    • Controle de sangramentos;
    • Ligadura de varizes esofágicas;
    • Retirada de pólipos;
    • Dilatação de estenoses (áreas estreitadas);
    • Retirada de corpos estranhos;
    • Colocação de sondas ou balões intragástricos para obesidade.

    Contraindicações

    Apesar de segura, a endoscopia pode ser adiada ou contraindicada em casos como:

    • Suspeita ou confirmação de perfuração no esôfago ou estômago;
    • Recusa do paciente;
    • Doenças cardíacas ou pulmonares graves (avaliar risco);
    • Gestantes no primeiro trimestre, apenas se indispensável.

    Possíveis complicações

    As complicações são raras (menos de 1%), e as mais comuns incluem:

    • Dor leve na garganta;
    • Desconforto no peito por poucas horas;
    • Reações leves à sedação;
    • Pequeno sangramento após biópsia;
    • Perfuração do tubo digestivo (muito rara);
    • Infecção (extremamente rara).

    Recuperação após o exame

    • O paciente fica em observação até despertar totalmente;
    • Deve ir acompanhado para casa;
    • Evitar dirigir ou operar máquinas por 24 horas;
    • Não consumir bebidas alcoólicas;
    • Retomar alimentação leve conforme orientação médica.

    Normalmente é possível retornar às atividades no dia seguinte.

    Veja mais: Exames de rotina para prevenir câncer: conheça os principais

    Perguntas frequentes sobre endoscopia digestiva alta

    1. A endoscopia dói?

    Não. O exame é feito com sedação leve e anestesia local, garantindo conforto e ausência de dor.

    2. Quanto tempo dura a endoscopia?

    De 10 a 20 minutos, variando conforme a necessidade de biópsias ou tratamentos.

    3. É preciso fazer jejum?

    Sim. Normalmente o jejum é de 8 horas, mas pode mudar conforme orientação médica.

    4. Posso tomar meus remédios antes do exame?

    Depende do medicamento. Consulte o médico sobre o uso de insulina, anticoagulantes e antiácidos.

    5. Posso dirigir depois da endoscopia?

    Não. Devido à sedação, é obrigatório ter acompanhante e evitar dirigir por 24 horas.

    6. Quando devo repetir a endoscopia?

    Somente sob orientação médica, especialmente em casos de doenças crônicas ou novos sintomas digestivos.

    7. Quais doenças a endoscopia ajuda a diagnosticar?

    Refluxo gastroesofágico, gastrite, úlceras, doença celíaca, esôfago de Barrett e outras alterações do trato digestivo.

    Leia também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

  • Quando o corpo produz muco demais: entenda a fibrose cística 

    Quando o corpo produz muco demais: entenda a fibrose cística 

    A fibrose cística (FC) é uma doença genética rara que afeta principalmente pulmões e sistema digestivo. Ela aparece quando a criança herda do pai e da mãe mutações no gene CFTR, responsável por regular a passagem de sal e água nas células.

    Quando esse gene não funciona corretamente, o organismo produz um muco espesso e pegajoso que obstrui brônquios, pâncreas e outros órgãos. Isso leva a tosse persistente, infecções pulmonares, dificuldade para ganhar peso e problemas de digestão. Embora não tenha cura, os avanços terapêuticos vêm melhorando a qualidade e a expectativa de vida das pessoas com a doença.

    O que é a fibrose cística

    A FC é uma doença genética, crônica e hereditária. Resulta de mutações no gene CFTR (cromossomo 7) que prejudicam a proteína reguladora do transporte de sal e água nas células.

    Como consequência, forma-se muco espesso que bloqueia vias respiratórias e digestivas, afetando pulmões, pâncreas, fígado e outros órgãos.

    Quem pode ter fibrose cística

    • Condição rara, possível em qualquer grupo étnico (inclui populações miscigenadas como a brasileira);
    • Afeta homens e mulheres na mesma proporção;
    • Costuma ser detectada na infância, pela triagem neonatal (teste do pezinho).

    Sintomas e manifestações clínicas

    • Pele e suor salgados;
    • Tosse persistente com catarro;
    • Chiado e falta de ar;
    • Sinusites e pólipos nasais;
    • Infecções pulmonares frequentes;
    • Distúrbios digestivos (dor abdominal, diarreia, obstrução intestinal);
    • Crescimento abaixo do esperado;
    • Dedos em “baqueta de tambor” (hipocratismo digital).

    Problemas respiratórios

    O muco espesso dificulta a ventilação e favorece bactérias como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Com o tempo, podem ocorrer bronquiectasias, deformidades torácicas e queda progressiva da função pulmonar.

    Problemas digestivos e nutricionais

    • Recém-nascidos: atraso na eliminação do mecônio e icterícia prolongada;
    • Crianças/adultos: obstruções intestinais, refluxo, diarreia crônica, prolapso retal;
    • Fígado: doença hepática crônica, esteatose e obstruções biliares;
    • Insuficiência pancreática em maioria dos pacientes (má digestão/absorção);
    • Deficiências nutricionais e baixo ganho de peso;
    • Maior risco de diabetes relacionado à FC, especialmente após a adolescência.

    Outros sintomas importantes

    • Osteopenia/osteoporose e risco de fraturas;
    • Infertilidade masculina (azoospermia por ausência dos deferentes);
    • Dificuldade para engravidar em mulheres (alteração do muco cervical).

    Diagnóstico da fibrose cística

    O diagnóstico precoce é essencial para iniciar o tratamento rapidamente.

    Teste do pezinho

    Triagem neonatal que identifica a maioria dos casos. Resultados positivos requerem confirmação com novo teste ou teste do suor.

    Teste do suor

    Padrão-ouro. Mede o cloro no suor> 60 mmol/L confirma FC.

    Teste genético

    Identifica mutações no CFTR e confirma a forma hereditária.

    Tratamento e cuidados

    Não há cura, mas terapias reduzem sintomas, previnem infecções e prolongam a vida. O cuidado é multidisciplinar (medicina, fisioterapia, nutrição, enfermagem, psicologia).

    Limpeza das vias respiratórias

    • Fisioterapia respiratória diária (técnicas de desobstrução);
    • Máscaras de pressão expiratória e coletes vibratórios;
    • Atividade física regular (natação, caminhada, ciclismo).

    Remédios

    • Nebulizações com soro hipertônico e fluidificantes de muco;
    • Antibióticos para infecções pulmonares;
    • Anti-inflamatórios/corticoides quando indicados;
    • Moduladores de CFTR (disponíveis em alguns países) para melhorar a função da proteína.

    Suporte nutricional

    • Dieta hipercalórica e hiperproteica;
    • Suplementação de vitaminas A, D, E e K;
    • Enzimas pancreáticas em cápsulas para digestão;
    • Tratamento do diabetes, quando necessário.

    Transplante pulmonar

    Indicado em casos avançados, com comprometimento respiratório grave.

    Prognóstico e qualidade de vida

    Com diagnóstico precoce e tratamento contínuo, pessoas com FC podem ter vida ativa, estudar, trabalhar e praticar esportes. Suporte emocional e acompanhamento regular ajudam a lidar com os desafios de uma doença crônica.

    Leia mais: Pneumonia em crianças: o que causa, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre fibrose cística

    1. O que causa a fibrose cística?

    Mutações no gene CFTR que alteram o transporte de sal/água e tornam o muco mais espesso.

    2. A fibrose cística tem cura?

    Não. Porém, o tratamento contínuo melhora sintomas, reduz infecções e aumenta a expectativa de vida.

    3. Como é feito o diagnóstico?

    Pelo teste do pezinho, teste do suor e, quando necessário, teste genético.

    4. Quais são os primeiros sinais?

    Tosse persistente, infecções respiratórias de repetição, baixo ganho de peso e suor salgado.

    5. Pessoas com FC podem ter filhos?

    Homens geralmente são inférteis; mulheres podem engravidar com acompanhamento especializado.

    6. A doença é contagiosa?

    Não. É uma condição genética e hereditária, não transmitida por contato.

    7. Como melhorar a qualidade de vida?

    Seguir o tratamento, praticar exercícios, manter alimentação adequada e prevenir infecções respiratórias.

    Leia também: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido

  • Rubéola: sintomas, prevenção e por que a vacina é tão importante 

    Rubéola: sintomas, prevenção e por que a vacina é tão importante 

    Embora hoje seja considerada rara graças à vacinação, a rubéola ainda merece atenção — sobretudo entre mulheres em idade fértil e gestantes. Causada por um vírus de fácil transmissão, costuma se manifestar com febre baixa e manchas vermelhas na pele, lembrando um resfriado leve. Na maioria das vezes, a recuperação é rápida e sem complicações.

    O alerta maior é para a infecção durante a gravidez: o vírus pode atravessar a placenta e causar malformações graves no feto (Síndrome da Rubéola Congênita — SRC). Por isso, a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção, protegendo gestantes e bebês.

    O que é rubéola

    A rubéola (também chamada de “sarampo alemão”) é uma doença viral aguda e contagiosa, do grupo das doenças exantemáticas (com manchas avermelhadas na pele). Em crianças, tende a ser leve e autolimitada; já na gestação pode provocar complicações graves ao feto, como malformações, abortamento ou natimorto — motivo pelo qual a prevenção por vacina é essencial.

    Período de incubação e contágio

    • Incubação: geralmente 17 dias (variando de 12 a 23 dias).
    • Transmissibilidade: de 5 a 7 dias antes e depois do surgimento das manchas.

    Isso significa que a pessoa pode transmitir o vírus antes de ter sintomas, facilitando a disseminação.

    Como ocorre a transmissão

    Causada pelo Rubivirus, a rubéola é transmitida por secreções respiratórias (saliva, gotículas ao tossir, falar ou respirar). O contágio ocorre de cerca de 5 dias antes até 7 dias depois do aparecimento das manchas — com pico entre 2 dias antes e 2 dias depois do exantema.

    Principais sintomas da rubéola

    Os sintomas costumam ser leves e ocorrem em duas fases:

    1. Fase prodrômica (antes das manchas)

    • Febre baixa e mal-estar;
    • Linfonodos aumentados (atrás da orelha, nuca e pescoço);
    • Dor de cabeça, coriza e dor de garganta.

    2. Fase exantemática (com manchas)

    • Exantema maculopapular rubeoliforme: manchas avermelhadas que surgem na face e pescoço e se espalham para tronco e membros; duram 3 a 5 dias, desaparecendo sem descamação;
    • Manchas rosadas puntiformes no céu da boca.

    Diagnóstico da rubéola

    É clínico e laboratorial, para diferenciar de outras doenças exantemáticas:

    • Sorologia (IgM e IgG): indica infecção recente ou imunidade prévia;
    • PCR para rubéola: em secreções de orofaringe/nasal ou urina.

    Tratamento da rubéola

    Não há antiviral específico. O manejo é sintomático:

    • Repouso e hidratação adequada;
    • Antitérmicos/analgésicos leves (ex.: paracetamol);
    • Anti-inflamatórios (apenas com prescrição) para dores articulares.

    Prevenção: a importância da vacina

    A tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é segura e disponível no SUS.

    • 12 meses: 1ª dose;
    • 15 meses: 2ª dose;
    • Adolescentes e adultos até 29 anos: duas doses;
    • 30 a 59 anos: uma dose;
    • Profissionais de saúde: duas doses, independentemente da idade.

    Gestantes não devem ser vacinadas durante a gravidez; a imunização deve ocorrer antes da gestação ou logo após o parto.

    Cuidados e prevenção da transmissão

    • Lavar as mãos com frequência e evitar contato próximo com doentes;
    • Cobrir boca e nariz ao tossir/espirrar;
    • Manter ambientes ventilados;
    • Em suspeita de rubéola, evitar locais públicos até liberação médica.

    Por que a rubéola é perigosa na gravidez

    Na gestação — especialmente no 1º trimestre — o vírus pode atravessar a placenta e causar a Síndrome da Rubéola Congênita (SRC), com possíveis:

    • Surdez (mais comum);
    • Defeitos cardíacos (PCA, estenose pulmonar, defeitos do septo);
    • Lesões oculares (catarata, retinopatia, microftalmia, coriorretinite);
    • Alterações neurológicas (microcefalia, atraso do desenvolvimento, distúrbios de comportamento);
    • Problemas hematológicos (anemia, petéquias);
    • Baixo peso ao nascer, hepatoesplenomegalia;
    • Alterações endócrinas (diabetes tipo 1, doenças da tireoide).

    No pré-natal, a triagem sorológica é obrigatória e pode ser repetida. Se houver suspeita de infecção fetal, exames complementares (sangue/líquido amniótico) podem ser indicados. O acompanhamento é individualizado.

    Confira: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Cuidados depois do nascimento

    Recém-nascidos com rubéola congênita devem permanecer em isolamento e seguimento regular: podem eliminar o vírus por até 1 ano e são contagiosos nesse período.

    Perguntas frequentes sobre rubéola

    1. O que é a rubéola?

    É uma doença viral contagiosa com manchas avermelhadas na pele e evolução geralmente leve — exceto em gestantes.

    2. Como a rubéola é transmitida?

    Por gotículas respiratórias (saliva, espirros, tosse), principalmente nos dias próximos ao aparecimento das manchas.

    3. Quais são os primeiros sintomas?

    Febre baixa, mal-estar, ínguas atrás da orelha/nuca/pescoço e, depois, manchas vermelhas no corpo.

    4. A rubéola tem tratamento?

    Não há antiviral específico. O tratamento é de suporte (repouso, hidratação e medicamentos leves para febre/dor).

    5. Como prevenir?

    Com a vacina tríplice viral, disponível gratuitamente no SUS.

    6. Por que é perigosa na gravidez?

    Pelo risco de Síndrome da Rubéola Congênita, com malformações, surdez, defeitos cardíacos e outras complicações graves.

    7. Gestantes podem tomar a vacina?

    Não durante a gestação. A imunização deve ocorrer antes de engravidar ou após o parto, conforme orientação médica.

    Leia mais: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

  • Forame Oval Patente: a pequena abertura no coração que pode causar AVC

    Forame Oval Patente: a pequena abertura no coração que pode causar AVC

    Durante a gestação, o bebê recebe oxigênio através do sangue da mãe, via placenta — e não pelos pulmões. Para que essa circulação funcione bem, existe uma pequena abertura natural no coração fetal chamada forame oval, que liga as duas câmaras superiores do coração (os átrios).

    Depois do nascimento, essa abertura normalmente se fecha sozinha. No entanto, em até 25% das pessoas, ela permanece aberta ao longo da vida — condição conhecida como forame oval patente. Na maioria dos casos, isso não traz problemas e a pessoa vive sem sintomas.

    Em algumas situações específicas, no entanto, o forame oval patente pode estar relacionado a um tipo de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico.

    O que é o forame oval patente

    O forame oval patente é uma pequena comunicação entre os átrios direito e esquerdo do coração que, em algumas pessoas, não se fecha completamente após o nascimento. Geralmente, quem tem essa condição não apresenta sintomas e não precisa de tratamento.

    Em casos específicos — especialmente quando há histórico de AVC sem causa aparente — o forame oval patente pode ter papel importante e precisa ser investigado.

    Qual é a relação entre o forame oval patente e o AVC?

    Em algumas pessoas, o forame oval patente pode funcionar como uma “porta” para a passagem de pequenos coágulos no sangue.

    Normalmente, esses coágulos seriam filtrados pelos pulmões antes de chegar ao cérebro. Porém, quando o forame oval permanece aberto, o coágulo pode passar diretamente do lado direito para o esquerdo do coração e seguir até o cérebro, provocando um AVC isquêmico.

    Quando ocorre um AVC sem causa aparente, mesmo após exames detalhados, ele é chamado de AVC criptogênico — e o forame oval patente pode estar entre os fatores envolvidos.

    Quem tem mais risco

    O forame oval patente costuma ser identificado com mais frequência em pessoas jovens (entre 25 e 45 anos) que tiveram um AVC sem causa definida. O risco aumenta quando:

    • O forame oval patente é grande ou tem alta condutância (a passagem de sangue entre os átrios é significativa);
    • Há alterações no septo, a parede que separa os átrios;
    • Existem outros fatores de coagulação associados.

    Mesmo assim, é importante lembrar que nem todo AVC em quem tem forame oval patente é causado por ele. Muitas vezes, o achado é apenas uma coincidência.

    Como o forame oval patente é diagnosticado

    O principal exame é o ecocardiograma com microbolhas — um tipo de ultrassom do coração em que se injetam microbolhas na veia para observar se elas passam de um lado para o outro do órgão.

    O exame pode ser feito de duas formas:

    • Ecocardiograma transtorácico: realizado pelo tórax;
    • Ecocardiograma transesofágico: feito com uma sonda pelo esôfago, oferecendo imagens mais detalhadas.

    Outro exame útil é o ultrassom transcraniano com microbolhas, que permite observar o fluxo sanguíneo no cérebro e confirmar a passagem anormal das microbolhas — sinal de forame oval patente.

    Outros exames complementares podem ser necessários, como:

    • Ressonância magnética ou tomografia do cérebro;
    • Monitoramento cardíaco para descartar arritmias;
    • Exames de sangue para avaliar coagulação e identificar possíveis trombofilias (condições que favorecem a formação de coágulos).

    Tratamento do forame oval patente

    As opções variam conforme o caso e a avaliação médica. Veja as principais abordagens:

    1. Tratamento com remédios

    • Antiplaquetários: ajudam a reduzir a chance de novos coágulos;
    • Anticoagulantes: indicados em casos específicos, sempre sob acompanhamento médico.

    2. Fechamento do forame oval patente com dispositivo

    É um procedimento feito por cateterismo cardíaco, sem necessidade de cirurgia aberta. Um pequeno dispositivo semelhante a um tampão é colocado no forame para fechá-lo e impedir a passagem de coágulos.

    Esse tipo de tratamento é geralmente indicado para:

    • Pessoas com menos de 60 anos;
    • Casos de AVC criptogênico;
    • Forame oval patente considerado de alto risco;
    • Pacientes em bom estado de saúde geral.

    3. Acompanhamento médico

    Nem todo forame oval patente precisa ser fechado. Em muitos casos, o médico opta apenas por tratamento medicamentoso e acompanhamento periódico. Mesmo após o fechamento, é importante manter o seguimento com cardiologista e neurologista, especialmente nos primeiros meses.

    Pontos importantes

    • O fechamento pode reduzir o risco de novos AVCs em pessoas selecionadas, mas também traz riscos, como arritmias e complicações do cateterismo;
    • A decisão sobre o tratamento deve ser individualizada e tomada por uma equipe multidisciplinar (cardiologista, neurologista e hematologista);
    • O acompanhamento médico regular é essencial para avaliar riscos e benefícios de cada abordagem.

    Confira: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

    Perguntas frequentes sobre forame oval patente

    1. O que é o forame oval patente?

    É uma pequena abertura entre os átrios do coração que, em algumas pessoas, não se fecha completamente após o nascimento.

    2. Ter forame oval patente é perigoso?

    Na maioria das pessoas, não. A condição costuma ser benigna e não requer tratamento.

    3. Qual a relação entre forame oval patente e AVC?

    Em casos raros, o forame oval patente pode permitir que pequenos coágulos passem do coração para o cérebro, provocando um AVC isquêmico.

    4. Todo mundo com forame oval patente precisa fechar essa abertura?

    Não. O fechamento é indicado apenas em casos específicos, após avaliação de uma equipe médica.

    5. Como saber se eu tenho forame oval patente?

    O diagnóstico é feito por meio do ecocardiograma com microbolhas, um exame simples e seguro.

    6. O fechamento do forame oval patente elimina totalmente o risco de AVC?

    Não, mas reduz o risco em pessoas selecionadas. O acompanhamento médico continua sendo indispensável.

    7. O forame oval patente tem cura?

    Sim. Quando o fechamento é indicado e realizado, o forame é corrigido permanentemente, impedindo a passagem anormal de coágulos.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

  • Vitamina B3: o que essa vitamina faz pelo seu corpo 

    Vitamina B3: o que essa vitamina faz pelo seu corpo 

    A vitamina B3, também conhecida como niacina, é bem importante para o organismo. Ela participa da produção de energia, ajuda a manter o sistema nervoso funcionando bem, colabora na regeneração da pele e ainda pode contribuir para equilibrar os níveis de colesterol.

    Presente em alimentos do dia a dia, quando falta vitamina B3, o organismo sente: surgem cansaço, feridas na pele, alterações de humor e até sintomas neurológicos. Por outro lado, manter um bom aporte dessa vitamina é uma forma simples de cuidar da energia, da mente e até da aparência. Venha entender mais.

    O que é a vitamina B3

    A vitamina B3, também chamada de niacina, faz parte do grupo das vitaminas do complexo B e é solúvel em água. No corpo, ela participa da produção de energia, ajuda em reações que regulam o metabolismo de gorduras e colesterol, na reparação das células e ainda é importante para ajudar na proteção contra os radicais livres, que aceleram o envelhecimento celular.

    Por ser solúvel em água, o excesso de niacina é eliminado pela urina, o que torna importante obtê-la regularmente por meio da alimentação.

    Para que serve a vitamina B3

    A niacina realiza várias funções no organismo:

    • Produção de energia: participa do metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas;
    • Saúde da pele e mucosas: auxilia na regeneração celular e protege a pele;
    • Função cerebral e nervosa: contribui para o funcionamento do sistema nervoso;
    • Lipídeos sanguíneos: em doses terapêuticas, pode elevar o HDL (“bom”) e reduzir triglicérides;
    • Ação antioxidante: ajuda no combate ao estresse oxidativo;
    • Suporte hormonal: participa de reações ligadas ao metabolismo energético necessário à síntese de hormônios esteroides.

    Sintomas de deficiência

    Quando não há ingestão suficiente de niacina, pode surgir a pelagra, caracterizada por:

    • Dermatite: lesões cutâneas nas áreas expostas ao sol;
    • Diarreia;
    • Demência (comprometimento cognitivo);
    • Morte, em casos extremos não tratados.

    Outros sinais possíveis incluem:

    • Cansaço e fraqueza;
    • Perda de apetite;
    • Lesões na boca ou na língua;
    • Transtornos digestivos.

    Onde encontrar vitamina B3 (niacina)

    A niacina está presente em muitos alimentos. Boas fontes incluem:

    • Origem animal: carnes magras, frango, fígado, peixes;
    • Cereais integrais;
    • Leguminosas: feijão, lentilha;
    • Sementes e oleaginosas;
    • Levedo de cerveja;
    • Produtos enriquecidos/fortificados.

    Quanto consumir por dia

    As recomendações variam conforme idade, sexo e condição (gestantes, lactantes). Em adultos saudáveis, uma referência comum é 14 a 16 mg NE (Niacina Equivalente) por dia. Como a vitamina não é armazenada de forma significativa, o consumo regular é importante.

    Suplementação: quando é indicada

    A suplementação pode ser considerada em situações como:

    • Dietas restritas ou com baixa ingestão de proteína;
    • Condições que prejudicam a absorção intestinal;
    • Tratamento de dislipidemias, sob orientação médica e em doses específicas;
    • Deficiências documentadas.

    Lembre-se: doses altas de niacina podem causar rubor, coceira e até impacto hepático — por isso, sempre use sob supervisão profissional.

    Cuidados e curiosidades

    • Em doses terapêuticas (para colesterol), a niacina pode provocar rubor e calor facial como efeito colateral;
    • Nas doses alimentares, é considerada segura e o excesso é eliminado pela urina;
    • É relativamente resistente ao calor e às preparações culinárias comuns.

    Leia também: Vitamina E: importante para proteger células e muito mais

    Perguntas frequentes sobre vitamina B3

    1. Niacina e vitamina B3 são a mesma coisa?

    Sim. Niacina é o nome técnico mais usado; vitamina B3 é o termo comum.

    2. Tomar niacina ajuda no colesterol “bom”?

    Em doses terapêuticas, pode elevar o HDL e reduzir triglicérides, mas deve ser feita apenas com orientação médica.

    3. A deficiência de niacina é frequente?

    É rara em países com boa disponibilidade de alimentos, mas pode ocorrer em dietas restritas ou em casos de má absorção.

    4. Niacina pode causar efeito indesejado?

    Sim. Doses elevadas podem causar rubor, coceira e desconforto gástrico, além de possíveis efeitos hepáticos.

    5. Vegetarianos conseguem niacina suficiente?

    Sim, desde que incluam boas fontes vegetais (leguminosas, grãos integrais), sementes/oleaginosas e alimentos fortificados.

    6. Niacina ajuda em fadiga ou cansaço?

    Contribui para o metabolismo de energia, mas fadiga persistente deve ser investigada por outras causas médicas.

    7. Posso tomar suplemento de vitamina B3 junto com outras vitaminas do complexo B?

    Sim. Muitos suplementos combinam vitaminas do complexo B. Contudo, doses altas de niacina isolada devem ser acompanhadas por profissional de saúde.

    Leia mais: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

  • Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Aliado ao acompanhamento médico, o controle da pressão alta envolve diversas mudanças consistentes no estilo de vida. A alimentação é uma das principais, já que os alimentos têm impacto direto sobre a circulação, o funcionamento do coração e o equilíbrio dos minerais no corpo — em especial, o potássio.

    O mineral, que está presente em grande concentração dentro das células, atua na regulação da pressão arterial ao equilibrar os efeitos do sódio, sendo especialmente importante na dieta de quem convive com a hipertensão. Mas afinal, onde podemos encontrá-lo? Entenda mais, a seguir.

    O que é pressão alta e por que ela é perigosa?

    A pressão alta é uma condição crônica em que os níveis de pressão do sangue nas artérias ficam acima do normal — iguais ou maiores que 140/90 mmHg (14 por 9). Isso significa que o sangue está circulando com mais força do que deveria, o que faz o coração trabalhar mais para bombear o sangue.

    Com o tempo, o esforço constante pode causar danos ao coração, rins, cérebro e olhos, aumentando o risco de AVC, infarto do miocárdio, insuficiência renal e aneurisma arterial.

    O problema é que, na maioria dos casos, a hipertensão não apresenta sintomas e, quando eles surgem, costumam ser inespecíficos — como dor de cabeça, tontura e falta de ar —, o que atrasa o diagnóstico.

    Qual a relação entre potássio e pressão alta?

    O potássio é um mineral essencial encontrado em praticamente todas as células do corpo. Ele participa de funções vitais como o equilíbrio de líquidos, o funcionamento dos músculos e a condução dos impulsos elétricos que fazem o coração bater.

    No caso da pressão alta, a cardiologista Juliana Soares explica que, em uma interação conjunta com o sódio, o potássio atua no equilíbrio da quantidade de líquidos no corpo, influenciando o volume de sangue e, consequentemente, o controle da pressão arterial.

    Além disso, o potássio atua diretamente no relaxamento das paredes dos vasos sanguíneos — processo chamado de vasodilatação —, que melhora o fluxo do sangue e contribui para a redução da pressão arterial.

    Assim, uma dieta rica em alimentos com potássio pode ajudar a manter a pressão sob controle e proteger a saúde do coração. O consumo frequente de frutas, verduras, legumes e leguminosas contribui para níveis adequados do mineral no organismo, promovendo o relaxamento dos vasos e auxiliando na eliminação do excesso de sódio.

    Potássio e sódio precisam estar em equilíbrio

    O bom funcionamento do organismo e a manutenção da pressão arterial dependem, em grande parte, do equilíbrio entre o sódio e o potássio — dois minerais que atuam de forma complementar.

    O sódio é importante para a regulação dos líquidos dentro e fora das células, a transmissão dos impulsos nervosos e a contração muscular, além de manter o volume sanguíneo. No entanto, quando consumido em excesso, ele provoca acúmulo de líquidos, aumentando o volume circulante e a pressão dentro das artérias.

    O potássio, por outro lado, atua de forma inversa, ajudando o corpo a eliminar o excesso de sódio pela urina e reduzindo a retenção de líquidos. Quando os dois estão em quantidades adequadas, o corpo mantém o equilíbrio ideal entre os líquidos, garantindo que o sangue circule com fluidez e sem sobrecarregar o coração.

    Esse equilíbrio também é essencial para o funcionamento dos músculos e dos nervos, já que a comunicação entre as células depende da troca controlada de sódio e potássio.

    Alimentos ricos em potássio que ajudam a controlar a pressão alta

    Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada é suficiente para atender às necessidades diárias de potássio, de acordo com Juliana. Entre as principais fontes do mineral estão:

    • Frutas: banana (principal fonte popular, com cerca de 450 mg por unidade média), abacate, goiaba, laranja e suco natural de laranja, melão, melancia, damasco, kiwi, manga e suco de ameixa;
    • Verduras e legumes: batata e batata-doce cozidas, espinafre, acelga, beterraba e folhas de beterraba, abóbora, feijão, ervilha, lentilha, inhame, cará e quiabo;
    • Laticínios e proteínas: leite, iogurte natural, kefir, peixes (truta, atum, salmão), frango, carne magra, feijão, grão-de-bico e tempeh (soja fermentada).

    Quanto de potássio é necessário por dia?

    A quantidade ideal de potássio varia conforme a idade, o peso e o estado de saúde de cada pessoa, mas o recomendado é ingerir cerca de 4,7 g por dia, especialmente para quem tem hipertensão arterial.

    Em geral, uma dieta variada, rica em frutas, verduras e leguminosas, é suficiente para alcançar esse valor. Não é necessário o uso de suplementos, a menos que haja indicação médica específica — por exemplo, em casos de perda excessiva de potássio por diarreia, vômitos ou uso de certos medicamentos diuréticos.

    O que acontece no corpo quando há falta de potássio?

    Como o potássio é essencial para o funcionamento dos tecidos do corpo, a deficiência do mineral — chamada de hipocalemia — pode afetar diversas funções. O coração, os músculos e o sistema nervoso são os mais prejudicados, pois dependem diretamente do equilíbrio desse mineral.

    De acordo com Juliana, quando o potássio está em níveis baixos, podem surgir sintomas como:

    • Batimentos cardíacos irregulares (arritmia);
    • Palpitações;
    • Fraqueza muscular;
    • Câimbras;
    • Espasmos musculares.

    Em casos mais graves, a hipocalemia pode causar paralisia muscular, dor abdominal, constipação intestinal e sensação de cansaço constante.

    E em excesso, potássio faz mal?

    Em excesso, o potássio também pode representar riscos à saúde. A hipercalemia, como é conhecido o aumento exagerado do mineral no sangue, pode causar irregularidade nos batimentos cardíacos, fraqueza e, em casos graves, parada cardíaca.

    O quadro geralmente ocorre em pessoas que fazem uso de medicamentos que interferem na excreção do potássio, como alguns diuréticos, ou que têm doenças renais, já que os rins são responsáveis por eliminar o excesso do mineral.

    Pode usar sal sem sódio tomando poupador de potássio?

    Os poupadores de potássio são diuréticos usados para eliminar o excesso de líquido e sódio do corpo sem reduzir os níveis de potássio. Eles são indicados para tratar hipertensão e insuficiência cardíaca, entre outras condições.

    Segundo Juliana, quem faz uso desse tipo de medicamento não deve consumir sal sem sódio (como o sal light), pois ele contém alta concentração de potássio — e a combinação pode causar hipercalemia.

    Além disso, os sais sem sódio podem ser perigosos para quem tem doença renal, já que o organismo tem dificuldade em eliminar o excesso do mineral, o que pode levar ao acúmulo no sangue e complicações cardíacas.

    Confira: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Perguntas frequentes sobre potássio e pressão arterial

    1. É melhor consumir potássio por meio de suplementos ou alimentos?

    Na maioria dos casos, o ideal é obter potássio por meio da alimentação. Os alimentos naturais contêm quantidades equilibradas do mineral, além de fibras, vitaminas e antioxidantes que auxiliam na absorção e aproveitamento pelo corpo. A suplementação deve ser feita apenas com orientação médica, pois o excesso pode causar hipercalemia — condição perigosa que afeta o coração.

    2. Quem tem problema nos rins pode consumir potássio normalmente?

    Pessoas com doença renal crônica precisam ter muito cuidado com o consumo de potássio, pois seus rins não conseguem eliminar o excesso adequadamente. Isso pode levar à hipercalemia, condição grave que afeta o coração. Nesses casos, é essencial seguir uma dieta controlada por um médico ou nutricionista, ajustando o consumo conforme os exames laboratoriais.

    3. Existe relação entre potássio e frequência cardíaca?

    Sim. O potássio é fundamental para a transmissão dos impulsos elétricos que coordenam os batimentos do coração. Quando há desequilíbrio — por falta ou excesso —, o coração pode bater de forma irregular, causando arritmias, palpitações e, em casos graves, parada cardíaca.

    4. Como saber se meu consumo de potássio está adequado?

    A melhor forma de avaliar o consumo de potássio é por meio de consulta médica e exames laboratoriais. O exame de sangue que mede o nível de potássio sérico é o principal indicador, e os resultados devem ser interpretados pelo profissional de saúde.

    5. O que causa pressão alta?

    De acordo com o Ministério da Saúde, a pressão alta é herdada dos pais em cerca de 90% dos casos. No entanto, fatores como excesso de sal, sobrepeso, sedentarismo, estresse, tabagismo e consumo exagerado de álcool são determinantes. Algumas doenças, como o diabetes e os distúrbios renais, também podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão.

    6. Como faço para medir a pressão em casa?

    Para medir a pressão em casa, use um aparelho digital validado (de braço, preferencialmente) e siga estas orientações:

    • Sente-se em ambiente calmo e repouse por pelo menos cinco minutos;
    • Mantenha os pés apoiados no chão e o braço na altura do coração;
    • Evite conversar, cruzar as pernas ou medir logo após comer, beber café ou fazer esforço físico;
    • Realize duas ou três medições com um minuto de intervalo entre elas e anote os valores para mostrar ao médico.

    O ideal é medir a pressão sempre nos mesmos horários, como pela manhã (antes do café e da medicação) e à noite (antes de dormir, após alguns minutos de repouso e em ambiente tranquilo).

    Confira: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

  • Vitamina B2: o que é, para que serve e onde encontrar 

    Vitamina B2: o que é, para que serve e onde encontrar 

    Pouco lembrada fora dos livros de biologia, a vitamina B2, também conhecida como riboflavina, é uma daquelas vitaminas muito importantes para o funcionamento do corpo. Ela age em processos fundamentais, como a produção de energia, o metabolismo das gorduras e proteínas e na proteção das células contra o estresse oxidativo.

    A deficiência de vitamina B2 é rara, mas quando acontece pode causar incômodos que vão de lábios rachados a sensação de cansaço constante. Já o consumo adequado favorece pele, olhos e sistema nervoso mais saudáveis. Entender onde encontrá-la e por que ela é tão importante é o primeiro passo para manter o equilíbrio do organismo.

    O que é a vitamina B2

    A vitamina B2, também chamada de riboflavina, faz parte do complexo B e tem papel essencial na produção de energia. Ela ajuda o corpo a transformar carboidratos, proteínas e gorduras em combustível — tudo aquilo que mantém você acordado, ativo e com o metabolismo funcionando bem.

    Por ser hidrossolúvel (dissolve-se em água), a B2 não fica estocada no organismo. O corpo usa o que precisa e elimina o excesso pela urina. Por isso, é importante garantir a quantidade correta da vitamina diariamente pela alimentação.

    Para que serve a vitamina B2

    A riboflavina participa de diversas funções importantes, muitas ligadas à energia e à proteção das células:

    • Produz energia: participa da quebra dos alimentos e da conversão em combustível para as células;
    • Protege as células: tem ação antioxidante, combatendo radicais livres e o envelhecimento precoce;
    • Cuida da pele, olhos e boca: contribui para a saúde da pele, das mucosas (lábios e língua) e da visão;
    • Dá suporte a outras vitaminas: auxilia na ativação de outras vitaminas do complexo B e do ferro;
    • Auxilia no crescimento e regeneração: é importante na formação de tecidos novos.

    Sem vitamina B2, o corpo até tenta funcionar, mas é como um carro com o tanque na reserva.

    Sintomas de deficiência

    Quando a vitamina B2 está em falta, o corpo costuma dar sinais específicos:

    • Rachaduras nos cantos da boca;
    • Língua vermelha e dolorida;
    • Pele seca e descamando;
    • Irritação nos olhos e sensibilidade à luz;
    • Fadiga e cansaço fácil;
    • Em casos mais graves, anemia e problemas de visão.

    Essa deficiência tem até nome: ariboflavinose, que em geral vem acompanhada de falta de outras vitaminas do complexo B.

    Fontes de vitamina B2 (riboflavina)

    A vitamina B2 está presente em diversos alimentos, muitos deles fáceis de incluir no dia a dia.

    Fontes de origem animal

    • Fígado e outras vísceras;
    • Leite, queijos e iogurte;
    • Ovos;
    • Peixes como salmão e truta;
    • Carnes em geral.

    Fontes de origem vegetal

    • Verduras verde-escuras (espinafre, couve, agrião);
    • Leguminosas (soja, ervilha, lentilha);
    • Cogumelos;
    • Amêndoas e sementes de girassol;
    • Cereais integrais e levedo de cerveja.

    Quanto consumir por dia

    A necessidade diária de vitamina B2 depende da idade e da fase da vida. Em geral, adultos precisam de 1,1 a 1,3 mg/dia, podendo aumentar em gestantes e lactantes.

    Como o corpo não armazena riboflavina, o ideal é consumir um pouco todos os dias — pela comida ou, em casos especiais, por suplementos. Em geral, uma alimentação equilibrada já supre a necessidade diária.

    Quando a suplementação é indicada

    Nem todo mundo precisa de suplemento de B2, mas ele pode ser indicado quando há:

    • Dietas muito restritas;
    • Doenças intestinais que dificultam a absorção;
    • Gravidez, lactação ou crescimento acelerado;
    • Uso de medicamentos que aumentam a eliminação da vitamina.

    Mesmo sendo uma vitamina segura, não se automedique. Converse com um médico ou nutricionista para avaliar a real necessidade.

    Leia mais: Vitamina B12: o que é, para que serve e como identificar carência ou excesso

    Perguntas frequentes sobre vitamina B2

    1. O que é vitamina B2 e para que serve?

    É uma vitamina do complexo B que ajuda o corpo a produzir energia, proteger as células e manter pele, olhos e boca saudáveis.

    2. Onde encontrar vitamina B2?

    Principalmente em carnes, leite, ovos, verduras verde-escuras, amêndoas, cogumelos e cereais integrais.

    3. O que acontece se eu tiver deficiência de B2?

    Podem surgir rachaduras nos lábios, inflamação na língua, irritação nos olhos e cansaço.

    4. Vegetarianos precisam se preocupar?

    Sim, mas é possível atingir as necessidades com boas fontes vegetais (leguminosas e vegetais verde-escuros) e alimentos fortificados.

    5. Posso tomar suplementos de B2 por conta própria?

    O ideal é não. Suplementar sem necessidade não traz benefício. Sempre consulte um profissional de saúde.

    6. Por que o xixi fica amarelo quando tomo vitamina B?

    Porque a B2 tem essa coloração e pigmenta a urina. É normal.

    Confira: O que acontece no corpo quando falta vitamina A

  • Pancreatite aguda: quando o pâncreas inflama e exige atenção imediata

    Pancreatite aguda: quando o pâncreas inflama e exige atenção imediata

    A dor começa de repente, geralmente forte, na parte superior do abdome. Muitas vezes, irradia para as costas e vem acompanhada de enjoo e vômitos. Esses podem ser os primeiros sinais de uma pancreatite aguda, uma inflamação no pâncreas que exige atendimento médico imediato.

    Apesar de parecer um problema raro, a doença é mais comum do que se imagina e pode ter causas simples, como o consumo de álcool em excesso ou pedras na vesícula. Quando identificada logo no início, costuma ter boa recuperação. Mas se o diagnóstico demora, pode evoluir para quadros graves e até colocar a vida em risco.

    O que é pancreatite aguda

    A pancreatite aguda é uma inflamação repentina do pâncreas, uma glândula que fica atrás do estômago e tem duas funções essenciais: produzir enzimas que ajudam na digestão e hormônios como a insulina, que controlam o açúcar no sangue.

    Quando o pâncreas inflama, ele pode afetar outros órgãos e causar sintomas intensos. A doença pode surgir de forma leve e se resolver em poucos dias com repouso e tratamento, mas pode evoluir para quadros graves, que exigem internação em UTI e, em alguns casos, cirurgia.

    Causas mais comuns da pancreatite aguda

    A inflamação pode ter várias origens, mas as causas mais frequentes são:

    • Pedras na vesícula: quando pequenos cálculos saem da vesícula e bloqueiam o canal por onde passam as enzimas do pâncreas;
    • Consumo excessivo de álcool: muito comum em homens jovens, o álcool pode agredir as células pancreáticas;
    • Triglicérides muito altos: quando os níveis passam de 1.000 mg/dL, aumentam o risco de inflamação;
    • Certos medicamentos: alguns remédios podem causar irritação no pâncreas como efeito colateral;
    • Cálcio elevado no sangue: em casos raros, o excesso de cálcio pode causar depósitos no pâncreas;
    • Infecções virais ou bacterianas;
    • Exames endoscópicos (como a CPRE): usados para examinar a bile e o pâncreas, podem causar pancreatite em até 7% dos casos;
    • Tumores, especialmente em pessoas com mais de 40 anos;
    • Doenças autoimunes: quando o sistema de defesa do corpo ataca as células do pâncreas.

    Como acontece a inflamação

    Em condições normais, o pâncreas produz enzimas digestivas que só são ativadas quando chegam ao intestino. Na pancreatite, essas enzimas se ativam dentro do próprio pâncreas, o que faz com que o órgão comece a se “auto-digerir”.

    Essa agressão provoca dor e inflamação local e, em casos mais graves, as substâncias inflamatórias podem se espalhar pelo corpo e atingir outros órgãos como pulmões, rins e coração, o que torna o quadro mais perigoso.

    Sintomas da pancreatite aguda

    Os sintomas costumam aparecer de forma repentina e podem variar em intensidade:

    • Dor forte na parte superior do abdome, que pode irradiar para as costas;
    • Náuseas e vômitos;
    • Abdome inchado e sensível;
    • Febre e fraqueza;
    • Em casos graves: queda de pressão, falta de ar, confusão mental e pele amarelada (icterícia).

    A dor costuma melhorar um pouco quando a pessoa se inclina para frente. Mesmo assim, é um sinal de alerta que precisa de avaliação médica imediata.

    Como é feito o diagnóstico

    O médico faz uma avaliação completa que inclui:

    • Histórico clínico e exame físico, em que o especialista observa o abdome e outros sinais no corpo;
    • Exames de sangue, como amilase e lipase, que ficam muito elevadas na pancreatite;
    • Exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, que ajudam a confirmar a inflamação e identificar a causa;
    • Outros exames específicos, quando é necessário descobrir o que provocou a doença.

    Pancreatite leve ou grave: qual a diferença?

    • Forma leve: representa cerca de 85% dos casos. Melhora com repouso, hidratação e analgésicos em até 7 dias. O risco de morte é baixo (em torno de 3%).
    • Forma grave: é mais rara, mas pode causar complicações como insuficiência pulmonar, falência dos rins, necrose do pâncreas ou infecções graves. Esses casos precisam de internação e acompanhamento intensivo.

    Tratamento da pancreatite aguda

    O tratamento depende da gravidade do quadro e deve ser feito sempre em ambiente hospitalar.

    As medidas mais comuns incluem:

    • Repouso e observação médica, com internação em enfermaria ou UTI, conforme a necessidade;
    • Hidratação intensa na veia, principalmente nas primeiras horas;
    • Controle da dor, com analgésicos potentes;
    • Jejum temporário, para “descansar” o pâncreas até a melhora;
    • Antibióticos, apenas se houver infecção confirmada.

    Além disso, o tratamento precisa corrigir a causa do problema, que pode incluir:

    • Retirada da vesícula, quando há pedras;
    • Parar o consumo de álcool;
    • Controlar triglicérides e colesterol;
    • Ajustar medicamentos que possam estar relacionados.

    Em alguns casos, podem ser necessários procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos para retirar cálculos, drenar líquidos ou tratar complicações.

    Quando procurar ajuda médica

    Qualquer dor abdominal forte e persistente deve ser avaliada o quanto antes. Procurar atendimento rápido aumenta muito as chances de recuperação completa e evita complicações graves.

    Leia também: Dor abdominal: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum?

    Perguntas frequentes sobre pancreatite aguda

    1. A pancreatite aguda tem cura?

    Sim. Na maioria dos casos, com diagnóstico rápido e tratamento adequado, a recuperação é total.

    2. Beber álcool uma vez ou outra pode causar pancreatite?

    O risco é maior em quem consome bebidas alcoólicas com frequência e em grande quantidade, mas até pequenas doses podem causar crises em pessoas predispostas.

    3. Pedras na vesícula sempre causam pancreatite?

    Não. Mas quando uma pedra bloqueia o canal do pâncreas, pode sim desencadear a inflamação. Por isso, muitas vezes é recomendada a retirada da vesícula.

    4. A pancreatite pode voltar?

    Sim. Quando a causa (como o álcool ou as pedras) não é tratada, a doença pode recidivar, ou seja, reaparecer.

    5. O que comer depois de uma crise de pancreatite?

    Depois da melhora, a alimentação deve ser leve e com pouca gordura. Evite bebidas alcoólicas e frituras, e siga sempre a orientação do médico ou nutricionista.

    6. Quem tem pancreatite aguda pode morrer?

    Nos casos leves, o risco é muito baixo. Mas nas formas graves, especialmente com infecções ou falência de órgãos, a doença pode ser fatal — daí a importância do tratamento imediato.

    7. Pancreatite e câncer de pâncreas são a mesma coisa?

    Não. A pancreatite é uma inflamação, enquanto o câncer é um tumor. Porém, em pessoas acima de 40 anos, a pancreatite sem causa aparente pode ser um sinal precoce de tumor e deve ser investigada.

    Leia mais: Doenças da vesícula biliar: quando os cálculos viram problema

  • Catapora: tudo o que você precisa saber sobre sintomas e prevenção

    Catapora: tudo o que você precisa saber sobre sintomas e prevenção

    A catapora é uma daquelas doenças que quase todo mundo já ouviu falar e muitos já tiveram na infância. Causada por um vírus altamente contagioso, ela provoca febre, cansaço e pequenas bolhas que se espalham pelo corpo, causando coceira e desconforto. Apesar de parecer simples, a infecção pode trazer complicações em alguns casos.

    Embora a maioria das crianças se recupere sem grandes problemas, a catapora pode ser perigosa para adultos, gestantes e pessoas com imunidade baixa. Por isso, saber como identificar os primeiros sinais e entender a importância da vacinação é fundamental para evitar complicações e interromper a transmissão do vírus.

    O que é catapora

    A catapora, também conhecida como varicela, é uma infecção causada por um vírus chamado Varicela-Zóster, do grupo dos herpesvírus. Ela faz parte das chamadas doenças exantemáticas, que são aquelas que causam manchas e bolhas na pele, como o sarampo e a rubéola.

    Embora a catapora seja mais comum em crianças, ela pode afetar pessoas de qualquer idade. Na maioria dos casos, é uma doença leve e passageira, mas em adultos, gestantes ou pessoas com baixa imunidade, pode ser mais grave e exigir acompanhamento médico.

    Como se pega catapora

    A catapora é muito contagiosa e pode ser transmitida de várias formas:

    • Pelo ar, ao falar, tossir ou espirrar;
    • Pelo contato direto com as bolhas da pele;
    • Por objetos contaminados, como roupas, toalhas ou lençóis;
    • Durante a gravidez, da mãe para o bebê, no útero ou no parto.

    O vírus pode demorar de 10 a 21 dias para causar os primeiros sintomas. A pessoa transmite a doença um ou dois dias antes das manchas aparecerem e continua transmitindo até que todas as bolhas sequem e formem crostas, o que leva de 7 a 10 dias.

    Sintomas da catapora

    Os sintomas geralmente começam leves, com febre, mal-estar, dor de cabeça e falta de apetite. Em seguida, aparecem as lesões na pele, que passam por várias fases:

    • Manchas vermelhas, pequenas e espalhadas;
    • Bolhas com líquido, que causam coceira intensa;
    • Feridinhas com pus;
    • Crostas, que se formam quando as bolhas secam.

    As manchas surgem primeiro no rosto, no tronco e no couro cabeludo, e depois se espalham. Elas aparecem em diferentes estágios, o que dá à catapora o aspecto “misto”, com manchas, bolhas e crostas ao mesmo tempo.

    Após cerca de uma semana, as crostas caem e deixam manchas claras temporárias, que não costumam deixar cicatriz, a não ser se houver infecção ao coçar.

    Quem deve ter cuidado especial

    A catapora costuma ser leve em crianças saudáveis, mas pode ser mais perigosa para:

    • Gestantes, pois o vírus pode causar complicações para a mãe e o bebê;
    • Recém-nascidos, se a mãe tiver catapora próximo ao parto;
    • Prematuros;
    • Pessoas com imunidade baixa, como quem faz quimioterapia, transplantados ou portadores de HIV;
    • Adultos, que tendem a ter sintomas mais intensos e risco de pneumonia.

    Complicações possíveis

    Mesmo sendo uma doença geralmente benigna, a catapora pode causar complicações, como:

    • Infecções de pele, quando as feridas infeccionam ao coçar;
    • Pneumonia, especialmente em adultos e pessoas imunodeprimidas;
    • Meningite ou encefalite, inflamações raras, mas graves no cérebro;
    • Manifestações hemorrágicas, em casos muito graves;
    • Síndrome de Reye, que pode afetar o fígado e o cérebro — principalmente se a pessoa usar ácido acetilsalicílico durante a doença;
    • Problemas na gravidez, como malformações, aborto ou varicela congênita no bebê.

    Como é feito o diagnóstico

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, ou seja, o médico identifica a doença pelo aspecto das lesões e pela história do paciente sem precisar de exames. Em situações graves ou duvidosas, podem ser feitos exames de sangue ou testes específicos para confirmar o vírus.

    Tratamento da catapora

    Não existe um remédio que elimine o vírus, então o tratamento é feito para aliviar os sintomas:

    • Repouso e boa hidratação;
    • Antitérmicos e analgésicos, exceto o ácido acetilsalicílico, que é proibido;
    • Antialérgicos para diminuir a coceira;
    • Banhos mornos e roupas leves;
    • Manter as unhas curtas e evitar coçar, para não infectar as feridas.

    Na maioria dos casos, a recuperação é completa em poucos dias. Em situações mais graves, como em gestantes, adultos ou pessoas com imunidade baixa, o médico pode indicar o uso de antivirais (como o aciclovir).

    Isolamento e prevenção

    Quem está com catapora deve ficar em casa até que todas as feridas estejam secas, pois ainda pode transmitir o vírus. Roupas, toalhas e lençóis devem ser lavados separadamente e não compartilhados.

    Em hospitais, recomenda-se isolamento respiratório e de contato para evitar a transmissão.

    Vacinação: a melhor forma de prevenção

    A vacina contra catapora é a forma mais eficaz de se proteger.

    • Está disponível na rede pública, com a vacina tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela);
    • Também pode ser feita em clínicas particulares;
    • Em situações de exposição (como surtos em escolas ou hospitais), pode ser indicada a vacinação de emergência.

    Pessoas com risco elevado, como gestantes suscetíveis, recém-nascidos e imunodeprimidos, podem receber a imunoglobulina específica (VZIG) até 96 horas após o contato com o vírus, para tentar evitar a infecção.

    Catapora e imunidade futura

    Quem teve catapora normalmente fica imune pelo resto da vida. O vírus, porém, permanece “adormecido” no corpo e pode se reativar anos depois, causando o herpes-zóster, conhecido popularmente como “cobreiro”.

    Leia mais: Pneumonia em crianças: o que causa, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre catapora

    1. Catapora e varicela são a mesma coisa?

    Sim. “Catapora” é o nome popular da varicela, causada pelo mesmo vírus.

    2. Quanto tempo dura a catapora?

    Geralmente, entre 7 e 10 dias, até que todas as bolhas sequem e formem crostas.

    3. Quem já teve catapora pode pegar de novo?

    Não. A pessoa normalmente fica imune para o resto da vida.

    4. A catapora pode deixar cicatrizes?

    Só se a pessoa coçar as feridas e causar infecção na pele.

    5. A catapora pode ser perigosa em adultos?

    Sim. Nos adultos, os sintomas costumam ser mais fortes e há maior risco de pneumonia e complicações graves.

    6. É preciso tomar vacina mesmo já tendo tido catapora?

    Não. Quem já teve a doença não precisa se vacinar, pois já tem imunidade natural.

    7. Posso tomar vacina se tiver tido contato com alguém doente?

    Sim. A vacina pode proteger mesmo após o contato, se aplicada em até 3 a 5 dias depois da exposição.

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