Autor: Dr. Remo Furtado

  • 9 sinais de que o uso de anabolizantes se tornou uma emergência médica

    9 sinais de que o uso de anabolizantes se tornou uma emergência médica

    Não é uma novidade que o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes pode causar problemas sérios para a saúde física e mental, incluindo problemas cardiovasculares, hepáticos e psiquiátricos. Por isso, o Brasil proíbe a prescrição e comercialização com finalidades estéticas, de ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo.

    Os anabolizantes atuam profundamente no sistema endócrino, desregulando a produção natural de hormônios e sobrecarregando órgãos vitais como o coração, o fígado e os rins.

    Além dos danos físicos visíveis, como acne severa e queda de cabelo, o uso das substâncias interfere diretamente no sistema nervoso central, podendo desencadear quadros de dependência, depressão profunda e comportamentos agressivos.

    Como saber se o uso de anabolizantes se tornou uma emergência médica?

    O excesso de hormônio no organismo pode desencadear uma série de sintomas, como aponta o cardiologista Remo Furtado e a Associação Médica Brasileira.

    1. Dor ou pressão no peito

    A dor no peito é um dos sinais mais graves do excesso de anabolizantes. Segundo Remo, o uso causa o espessamento das paredes do coração e torna o sangue mais viscoso, dificultando a circulação e aumentando o risco de coágulos, podendo causar um infarto.

    Se você sentir uma sensação de aperto, queimação ou peso que irradia para os braços ou mandíbula, procure socorro imediato.

    2. Pressão alta com dor de cabeça intensa

    Um aumento importante da pressão arterial pode causar dor de cabeça forte, visão turva e sensação de mal-estar. Os anabolizantes pode desregular a pressão e aumentar o risco de complicações como o AVC, especialmente quando utilizados em doses elevadas.

    3. Arritmias ou palpitações fortes

    O comprometimento elétrico do coração pode se manifestar através de batimentos descompassados ou acelerados sem motivo aparente. As palpitações indicam que o músculo cardíaco, impactado pelo uso de hormônios sintéticos, pode estar com dificuldade para manter um ritmo estável.

    As arritmias graves podem evoluir para paradas cardiorrespiratórias, precisando de monitoramento médico urgente para estabilizar a frequência cardíaca.

    4. Icterícia (pele e olhos amarelados)

    O fígado, sobrecarregado pelo processamento dos esteroides (especialmente os de via oral), pode perder a capacidade de filtrar toxinas e metabolizar a bilirrubina. Como consequência, ocorre o acúmulo da substância no sangue, o que causa a coloração amarelada da pele e dos olhos.

    5. Urina escura ou fezes brancas

    A presença de urina muito escura, semelhante à cor de refrigerante tipo cola, ou fezes claras pode indicar alteração no funcionamento do fígado ou dos rins.

    Os sinais mostram que o organismo não está conseguindo eliminar resíduos de forma adequada, o que pode evoluir para quadros graves se não for tratado adequadamente.

    6. Dor abdominal aguda e constante

    Os anabolizantes, especialmente os de uso oral, são altamente hepatotóxicos e podem causar complicações que resultam em dor intensa na região do abdômen superior, como inflamação no fígado, lesões hepáticas ou até o desenvolvimento de alterações mais graves, como tumores.

    7. Inchaço súbito e generalizado (edema)

    O acúmulo rápido de líquidos, perceptível pelo inchaço acentuado nas pernas, tornozelos, mãos ou no rosto, é um indicativo de que os rins ou o coração não estão mais conseguindo bombear e filtrar os fluidos corporais.

    8. Psicose e os episódios de fúria descontrolada

    Os esteroides interferem no controle dos impulsos e na percepção da realidade, podendo levar ao fenômeno conhecido como roid rage. O resultado pode ser um quadro de agressividade intensa ou episódios psicóticos, nos quais a pessoa perde o contato com a realidade e pode colocar em risco a própria vida e a de outras pessoas.

    9. Sintomas depressivos

    O surgimento de alterações no humor, como tristeza intensa, falta de energia, desânimo constante ou pensamentos negativos, podem acontecer especialmente com a interrupção dos anabolizantes. As substâncias afetam diretamente o funcionamento do cérebro, alterando substâncias relacionadas ao bem-estar, como serotonina e dopamina.

    O que fazer ao chegar no pronto-socorro?

    Se você chegar ao pronto-socorro com sinais de complicação por uso de anabolizantes, é importante oferecer o máximo de informações possíveis para a equipe médica:

    • Informe o uso de anabolizantes logo no atendimento, mesmo que não tenha sido recente;
    • Diga quais substâncias foram usadas, se souber o nome, a forma de uso (oral ou injetável) e as doses;
    • Explique há quanto tempo está usando e se houve aumento recente da dose;
    • Relate todos os sintomas, mesmo os que parecem leves;
    • Leve embalagens ou fotos dos produtos, se possível.

    Além dos esteroides, relate o uso de qualquer outra substância associada, como termogênicos, diuréticos, suplementos pré-treino ou medicamentos de terapia pós-ciclo (TPC), pois as interações medicamentosas podem agravar o risco de colapso renal ou cardíaco.

    Os danos dos anabolizantes são reversíveis?

    Segundo Remo, os danos causados pelos anabolizantes podem ser reversíveis em alguns casos, quando o uso é interrompido, mas não é o caso para todas as pessoas. Isso varia conforme o tempo de uso, a dose, o tipo de substância e a resposta de cada organismo.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. O que são esteroides anabolizantes?

    São substâncias sintéticas criadas para imitar a testosterona. Elas estimulam o crescimento celular e a síntese de proteínas, resultando no aumento da massa muscular e da força física.

    2. Como os anabolizantes atuam no corpo?

    Eles se ligam a receptores nas células musculares, sinalizando ao organismo para acelerar a construção de fibras e a retenção de nitrogênio, o que agiliza a recuperação e o ganho de volume.

    3. Para que servem os anabolizantes?

    São indicados estritamente para tratar deficiências hormonais (hipogonadismo), atraso na puberdade, anemias graves e perda de massa muscular causada por doenças como câncer ou HIV.

    4. Quais os principais efeitos colaterais dos anabolizantes em homens?

    Os mais comuns incluem a redução dos testículos, queda acentuada na produção de espermatozoides (infertilidade), crescimento das mamas (ginecomastia) e calvície precoce.

    5. Quais os principais efeitos colaterais dos anabolizantes em mulheres?

    Ocorre um processo de virilização, caracterizado pelo engrossamento da voz, crescimento de pelos no rosto, irregularidade no ciclo menstrual e aumento irreversível do clitóris.

    6. Como identificar o uso de anabolizantes no sangue?

    Através de exames que mostram testosterona total muito acima do limite, enquanto os hormônios LH e FSH (responsáveis por estimular a produção natural) aparecem zerados ou suprimidos.

    7. É seguro comprar anabolizantes pela internet?

    Não. Produtos de venda online clandestina costumam vir de laboratórios sem higiene, podendo conter impurezas, bactérias, metais pesados ou substâncias diferentes das anunciadas no rótulo.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Esteroides anabolizantes: o que são, como funcionam e efeitos colaterais

    Esteroides anabolizantes: o que são, como funcionam e efeitos colaterais

    O ganho rápido de massa muscular, o aumento da força e a melhora da performance são alguns dos principais efeitos dos esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), substâncias sintéticas que atuam no organismo imitando a ação da testosterona, o principal hormônio masculino.

    Elas são indicadas em situações médicas específicas, como no tratamento de deficiência de testosterona, perda de massa muscular associada a doenças crônicas e algumas condições que afetam o desenvolvimento hormonal. O uso é feito sob prescrição, com doses controladas para restaurar as funções fisiológicas sem ultrapassar os níveis hormonais saudáveis.

    Quando não há indicação médica, o uso recreativo e para fins estéticos dos anabolizantes é proibido no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ele pode comprometer severamente o equilíbrio hormonal, causando danos que vão desde problemas dermatológicos até complicações cardiovasculares.

    O que são os esteroides anabolizantes?

    Os esteroides anabolizantes são substâncias sintéticas criadas em laboratório para imitar a função da testosterona, o principal hormônio sexual masculino, de acordo com o cardiologista Remo Furtado.

    Eles atuam no organismo ao se ligarem a receptores nas células, enviando sinais para aumentar a produção de proteínas. Com isso, o corpo passa a construir mais fibras musculares, reter mais nitrogênio e se recuperar mais rápido após o esforço físico, o que leva a um aumento acelerado de força e de volume muscular.

    Para que servem os anabolizantes?

    Os esteroides anabolizantes servem para promover o crescimento celular e a síntese proteica, sendo utilizados para restaurar níveis hormonais ou reverter a perda de tecido muscular e ósseo em pacientes debilitados. As principais indicações incluem:

    • Hipogonadismo: tratamento de homens com deficiência na produção de testosterona, ajudando a restabelecer níveis hormonais adequados e aliviar sintomas como fadiga e perda de massa muscular;
    • Puberdade tardia: estimulação do desenvolvimento em adolescentes com atraso hormonal importante, promovendo o aparecimento das características sexuais secundárias;
    • Sarcopenia e catabolismo: auxílio na recuperação da massa muscular perdida em doenças crônicas, como AIDS e câncer, ou após grandes cirurgias e queimaduras;
    • Anemias graves: estímulo à produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea, embora esse uso seja menos comum atualmente devido a alternativas mais modernas;
    • Angioedema hereditário: prevenção de episódios de inchaço subcutâneo em pessoas com condições genéticas específicas.

    Em todos os casos, o uso deve ser feito com indicação e acompanhamento médico, com doses ajustadas de acordo com a necessidade de cada paciente.

    Como são administrados?

    Os esteroides anabolizantes podem ser administrados por via oral, por meio de comprimidos, por via intramuscular, com aplicações injetáveis, ou por via transdérmica, na forma de géis ou adesivos aplicados na pele.

    Esteroides anabolizantes para uso estético

    Apesar de proibido no Brasil pelo CFM, o uso de anabolizantes para uso estético se tornou cada vez mais comum nas academias de musculação e luta. Segundo Remo, tanto homens quanto mulheres utilizam as substâncias para aumentar a massa muscular e melhorar o desempenho físico, especialmente em atividades que exigem força.

    Ao contrário do uso médico, as doses usadas para fins estéticos costumam ser muito mais altas do que o normal, o que desregula o organismo e provoca desequilíbrios hormonais. Os esteroides anabolizantes estão diretamente associados a graves riscos para a saúde física e mental, inclusive aumentando o risco de doenças cardiovasculares e hepáticas.

    Eles também não contam com controle sanitário, o que aumenta o risco de uso de produtos de origem duvidosa. Muitas das substâncias podem estar adulteradas, com doses diferentes das informadas no rótulo ou até contaminadas, o que eleva ainda mais os riscos à saúde.

    Efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes

    Os efeitos colaterais dos esteroides anabolizantes acontecem especialmente quando a utilização é indiscriminada, porque normalmente as doses superam a capacidade do corpo de processar hormônios.

    Quando o organismo recebe uma carga excessiva de testosterona sintética, ele tenta compensar desregulando o sistema endócrino e sobrecarregando órgãos vitais, podendo causar:

    • Aumento da pressão arterial (hipertensão): sobrecarga contínua do sistema cardiovascular, elevando consideravelmente o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Hipertrofia cardíaca: crescimento anormal do coração, o que compromete o funcionamento do órgão a longo prazo e pode evoluir para insuficiência cardíaca;
    • Tumores hepáticos: o uso prolongado eleva o risco de lesões graves no fígado, podendo favorecer o desenvolvimento de câncer;
    • Hepatite medicamentosa: inflamação hepática severa causada pelas substâncias, gerando dor abdominal, mal-estar e alterações em exames de sangue;
    • Trombose: formação de coágulos nos vasos sanguíneos que podem obstruir a circulação e causar complicações fatais;
    • Acne severa: aumento acentuado da oleosidade da pele, provocando o surgimento de espinhas inflamadas, especialmente no rosto, peito e costas;
    • Olhos amarelados (Icterícia): sintoma que indica a dificuldade do fígado em metabolizar substâncias e eliminar toxinas do organismo;
    • Alteração do perfil lipídico: redução do colesterol HDL (o “bom” colesterol) e aumento do LDL, facilitando o acúmulo de placas de gordura nas artérias.

    Os danos também podem variar de acordo com o gênero, já que os efeitos hormonais se manifestam de formas diferentes em homens e mulheres. Em alguns casos, eles são irreversíveis.

    Efeitos colaterais em homens

    O uso excessivo de anabolizantes nos homens reduz a produção natural de testosterona pelo próprio corpo, podendo causar:

    • Ginecomastia: o excesso de hormônio pode ser convertido em estrogênio, estimulando o crescimento indesejado de tecido mamário;
    • Infertibilidade: a queda drástica na produção de espermatozoides pode levar à esterilidade temporária ou permanente;
    • Atrofia testicular: a suspensão da função glandular causa a redução física do tamanho dos testículos;
    • Disfunção erétil: a desregulação hormonal compromete a libido e dificulta a manutenção da ereção.

    Efeitos colaterais em mulheres

    Como o organismo feminino possui níveis naturalmente baixos de testosterona, a introdução de altas doses de anabolizantes provoca a virilização, um processo de masculinização em que as alterações são, em muitos casos, irreversíveis:

    • Alterações na voz, que pode ficar mais grave de forma permanente;
    • Aumento de pelos em regiões como rosto e tórax;
    • Crescimento do clitóris;
    • Irregularidades no ciclo menstrual e redução do volume das mamas.

    Efeitos psicológicos dos anabolizantes

    O uso de esteroides anabolizantes interfere diretamente no sistema nervoso, provocando oscilações mentais tanto durante o ciclo quanto no período de interrupção. A Associação Médica Brasileira (AMB) aponta alguns dos principais efeitos psicológicos:

    • Aumento súbito da irritabilidade e propensão a comportamentos violentos, fenômeno frequentemente chamado de “fúria do esteroide”;
    • Mania, em que há episódios de autoconfiança desmedida, impulsividade e percepção distorcida da própria capacidade;
    • Dismorfia muscular, em que a pessoa apresenta uma preocupação patológica com o corpo, nunca se sentindo suficientemente forte ou musculoso;
    • Em situações graves, a pessoa pode apresentar delírios ou perda de conexão com a realidade.

    Em casos de abstinência, como o corpo se acostuma com o uso contínuo de altas doses, a interrupção pode provocar uma síndrome de retirada, que causa depressão, cansaço intenso e desânimo persistente.

    Além do impacto emocional, a pessoa pode enfrentar insônia severa, perda de apetite e um desejo compulsivo (conhecido como craving) de retomar o uso para aliviar o mal-estar físico e psicológico.

    Anabolizantes podem causar dependência?

    O uso prolongado de esteroides, especialmente em dosagens altas, pode provocar alterações cerebrais e comportamentais que resultam em dependência física e psicológica. Diferente do que acontece com o uso de drogas recreativas, a dependência está associada especialmente à imagem corporal e necessidade de manter os efeitos no corpo.

    Segundo a AMB, cerca de 30% dos usuários desenvolvem um padrão de consumo dependente, mesmo sabendo dos riscos cardíacos, hepáticos e nas complicações na vida pessoal e profissional.

    Importante: a interrupção do uso em usuários crônicos deve ser feita com acompanhamento médico e, muitas vezes, psicológico.

    Como detectar o uso de anabolizantes?

    O uso de anabolizantes pode ser identificado por meio de exames laboratoriais que mostram alterações hormonais e metabólicas no organismo, como:

    • Dosagem de testosterona total e livre, que pode estar muito elevada ou suprimida após o uso;
    • LH e FSH, hormônios que costumam ficar baixos quando há uso de testosterona externa;
    • Perfil lipídico, com aumento do LDL (colesterol ruim) e redução do HDL (colesterol bom);
    • Enzimas hepáticas (TGO e TGP), que podem indicar sobrecarga no fígado;
    • Hemograma, que pode mostrar aumento de glóbulos vermelhos;
    • SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), normalmente alterada;
    • Estradiol, que pode estar elevado devido à conversão da testosterona.

    Na prática esportiva, é possível identificar o uso de anabolizantes através do exame antidoping (ou toxicológico específico), capaz de detectar não apenas a substância original, mas também os metabólitos, que são os rastros deixados no organismo após o processamento da droga.

    Os testes utilizam tecnologias avançadas, como a espectrometria de massas, para separar e identificar cada molécula presente na amostra.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar atendimento médico nas seguintes situações:

    • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
    • Inchaço nas pernas ou aumento da pressão arterial;
    • Dor abdominal intensa ou pele e olhos amarelados (sinais de problema no fígado);
    • Alterações de humor importantes, como agressividade, ansiedade ou depressão;
    • Aparecimento de nódulos ou dor nas mamas (em homens);
    • Ausência de menstruação ou sinais de masculinização nas mulheres;
    • Redução do tamanho dos testículos ou infertilidade;
    • Acne severa ou lesões na pele que pioram rapidamente;
    • Sinais de infecção no local da aplicação, como dor, vermelhidão, inchaço ou presença de pus.

    Em caso de uso recente ou suspeita de efeitos colaterais, também é importante buscar avaliação médica para orientação e acompanhamento adequado.

    Confira: Anabolizantes fazem mal? Conheça os efeitos colaterais no corpo masculino e feminino

    Perguntas frequentes

    1. Quem toma anabolizante pode doar sangue?

    Não imediatamente. O uso de anabolizantes injetáveis sem prescrição médica gera um impedimento temporário (geralmente de 6 a 12 meses após a última dose) devido ao risco de contaminação por agulhas e à presença da substância no sangue, que pode prejudicar o receptor.

    2. O que são anabolizantes naturais?

    O termo é usado comercialmente para suplementos (como o tribulus terrestris ou maca peruana) que prometem estimular a produção natural de testosterona do corpo, sem conter hormônios sintéticos. Os efeitos são muito mais leves e não comparáveis aos esteroides.

    3. O uso de anabolizantes é crime?

    No Brasil, a venda e exposição à venda de anabolizantes sem receita médica é crime previsto no Código Penal, com penas de reclusão.

    4. Qual a diferença entre anabolizante oral e injetável?

    Os orais (comprimidos) passam primeiro pelo fígado, sendo normalmente mais tóxicos para o órgão quando o uso é indiscriminado. Os injetáveis caem direto na corrente sanguínea, mas apresentam riscos de infecções, abscessos no local da aplicação e transmissão de doenças por agulhas.

    5. Por que quem usa anabolizante fica com o rosto inchado?

    Isso ocorre devido à retenção de sódio e líquidos causada pelos hormônios, além de possíveis alterações nas glândulas adrenais, conferindo um aspecto arredondado e inflado à face.

    6. Existe dose segura para fins estéticos?

    Não. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), não existe evidência científica de uma dose segura para fins estéticos ou de performance esportiva. Os riscos à saúde superam qualquer benefício visual temporário.

    Leia também: Por que as infecções virais aumentam o risco de infarto? Cardiologista explica

  • Anabolizantes fazem mal? Conheça os efeitos colaterais no corpo masculino e feminino

    Anabolizantes fazem mal? Conheça os efeitos colaterais no corpo masculino e feminino

    Cada dia mais comuns nas academias de musculação e luta, os esteroides anabolizantes são substâncias sintéticas que imitam a ação de hormônios naturais do corpo, principalmente a testosterona.

    Originalmente prescritos para reposição de hormônios em organismos que não os produzem adequadamente, eles são buscados para aumentar a massa muscular e melhorar o desempenho físico, especialmente em atividades que exigem força, de acordo com o cardiologista Remo Furtado.

    No entanto, quando utilizados sem indicação e para fins estéticos, os esteroides anabolizantes provocam um desequilíbrio hormonal profundo, afetando desde o funcionamento do coração e do fígado até a saúde mental e o sistema reprodutor. Vamos entender mais, a seguir.

    O que são e para que servem os anabolizantes?

    Os esteroides anabolizantes, tecnicamente chamados de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), são substâncias sintéticas fabricadas em laboratório para imitar as funções da testosterona, o principal hormônio sexual masculino. Segundo Remo, ele atua desde o desenvolvimento dos caracteres sexuais até a construção de massa muscular.

    Eles podem ser indicados por profissionais de saúde em situações específicas, como no tratamento do hipogonadismo, quando o corpo não produz testosterona suficiente, na perda grave de massa muscular causada por doenças, em alguns tipos de anemia e em casos de atraso no desenvolvimento hormonal.

    Por serem hormônios potentes que agem em quase todos os órgãos, o uso para fins estéticos é proibido no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Sem indicação médica, as substâncias desregulam o sistema endócrino e podem causar danos severos e, muitas vezes, irreversíveis ao corpo.

    Quais os efeitos colaterais dos anabolizantes?

    O uso de esteroides anabolizantes, especialmente sem acompanhamento médico, traz uma série de efeitos colaterais graves. Ele sobrecarrega órgãos vitais e o sistema metabólico, podendo causar:

    • Hipertrofia cardíaca: aumento do tamanho do coração, que pode comprometer o funcionamento do órgão ao longo do tempo e evoluir para insuficiência cardíaca;
    • Aumento da pressão arterial (hipertensão): sobrecarga constante no sistema cardiovascular, elevando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Alteração do perfil lipídico: redução do colesterol HDL (considerado protetor) e aumento do LDL, o que favorece o acúmulo de placas nas artérias;
    • Trombose: formação de coágulos nos vasos sanguíneos, que podem obstruir a circulação e causar complicações graves;
    • Hepatite medicamentosa: inflamação do fígado causada pelo uso das substâncias, podendo gerar dor, mal-estar e alterações nos exames;
    • Tumores hepáticos: o uso prolongado pode aumentar o risco de lesões no fígado e favorecer o desenvolvimento de câncer;
    • Olhos amarelados: sinal de icterícia, que indica dificuldade do fígado em metabolizar substâncias e eliminar toxinas;
    • Acne severa: aumento intenso da oleosidade da pele, com surgimento de espinhas inflamadas, principalmente no rosto, costas e peito.

    O uso contínuo dos esteroides, ainda mais em altas doses, pode levar a alterações cerebrais e comportamentais que causam dependência física e psicológica das substâncias. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), cerca de 30% dos usuários continuam usando mesmo diante de efeitos graves na saúde e na vida pessoal.

    Efeitos colaterais em homens

    Nos homens, o excesso de testosterona sintética causa um efeito rebote: o corpo entende que já existe hormônio demais e interrompe a produção natural pelos testículos, podendo causar:

    • Ginecomastia: o excesso de testosterona pode ser convertido em estrogênio, causando crescimento de tecido mamário;
    • Atrofia testicular: como os testículos param de funcionar adequadamente, ocorre redução do tamanho;
    • Infertilidade: a produção de espermatozoides diminui, podendo levar à esterilidade;
    • Disfunção erétil: o desequilíbrio hormonal pode dificultar a ereção e reduzir a libido.

    Efeitos colaterais em mulheres

    O corpo feminino possui níveis naturalmente baixos de testosterona. A introdução de doses altas de anabolizantes causa a virilização, um processo de masculinização que muitas vezes é irreversível:

    • Voz mais grossa, devido a espessamento das cordas vocais;
    • Surgimento de pelos em locais tipicamente masculinos, como rosto e peito;
    • Crescimento físico do órgão genital (clitoromegalia);
    • Interrupção da menstruação e a atrofia dos seios.

    Os anabolizantes podem afetar a saúde mental?

    As substâncias dos anabolizantes atuam no sistema nervoso central e podem causar alterações tanto durante o período de uso quanto na fase de interrupção (abstinência). De acordo com as diretrizes da Associação Médica Brasileira, os principais impactos na saúde mental incluem:

    • Irritabilidade e agressividade: conhecida popularmente como “fúria do esteroide” (roid rage), pode levar a episódios de fúria descontrolada e comportamentos violentos;
    • Mania e hipomania: a pessoa pode apresentar estados de euforia excessiva, autoconfiança exagerada e impulsos autodestrutivos;
    • Psicose: em alguns casos, podem ocorrer sintomas psicóticos e perda de contato com a realidade;
    • Dismorfia muscular: frequentemente associada ao uso de longo prazo, onde a pessoa apresenta uma preocupação patológica com o corpo, nunca se sentindo suficientemente forte ou musculoso.

    Quando o uso é interrompido, o corpo sofre um choque devido à queda brusca dos níveis hormonais e à neuroadaptação do centro de recompensa cerebral. Como resultado, a pessoa pode apresentar depressão grave, sensação de cansaço extremo, insônia e desejo incontrolável (craving) para voltar a usar o anabolizante.

    Existe dose segura para anabolizantes para fins estéticos?

    Não existe uma dose segura de anabolizantes quando o uso é voltado para estética. De acordo com a Associação Médica Brasileira, mesmo quantidades consideradas “comuns” podem trazer riscos sérios à saúde e aumentar o risco de morte precoce, principalmente por problemas cardiovasculares.

    O uso considerado seguro na medicina é restrito a situações específicas, como no tratamento de hipogonadismo, câncer de mama, osteoporose e perda de massa muscular causada por doenças. Ainda assim, sempre com prescrição e acompanhamento médico rigoroso.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Se você ou alguém que você conhece utiliza anabolizante e apresenta os sinais abaixo, procure um pronto-socorro imediatamente:

    • Dor ou pressão no peito;
    • Falta de ar e cansaço excessivo;
    • Palpitações ou batimentos irregulares;
    • Dores de cabeça fortes e constantes;
    • Pele ou olhos amarelados (icterícia);
    • Urina escura ou fezes claras;
    • Dor abdominal intensa;
    • Ideação suicida ou depressão profunda;
    • Episódios de fúria ou impulsos violentos sem motivo aparente;
    • Euforia excessiva seguida de comportamentos autodestrutivos;
    • Alucinações ou delírios.

    Ao procurar atendimento médico, é importante informar à equipe de saúde quais substâncias foram usadas, em que doses e por quanto tempo. Isso ajuda a conduzir o tratamento da forma correta, especialmente em casos de intoxicação ou sintomas de abstinência.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes

    1. Por que os anabolizantes causam agressividade?

    As doses elevadas afetam o sistema nervoso central, podendo causar irritabilidade, impulsos autodestrutivos e episódios de fúria (conhecidos como roid rage)

    2. Adolescentes podem usar anabolizantes?

    O uso nessa fase é extremamente perigoso, pois pode causar o fechamento prematuro das epífises ósseas, interrompendo o crescimento e resultando em baixa estatura definitiva

    3. O que é o padrão “stacking” (empilhamento)?

    É a prática de utilizar cinco ou mais tipos diferentes de anabolizantes simultaneamente para tentar potencializar os resultados, o que aumenta drasticamente a toxicidade

    4. Anabolizantes podem causar queda de cabelo?

    Sim, eles aceleram a calvície em homens geneticamente predispostos e causam queda de cabelo em mulheres.

    5. Existe risco de contrair infecções?

    Sim, o uso de substâncias injetáveis sem assepsia adequada ou o compartilhamento de agulhas aumenta o risco de infecções locais e doenças como HIV e hepatites.

    6. Como tratar a dependência de anabolizantes?

    O tratamento envolve acompanhamento médico para restaurar a função hormonal (tratar o hipogonadismo), terapia cognitivo-comportamental e suporte para lidar com sintomas de depressão e ansiedade.

    Leia também: Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica