Autor: Dr. Marcelo Bellini Dalio

  • Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

    Você já ouviu falar em trombose do viajante? Antigamente conhecida como síndrome da classe econômica, ela acontece pela formação de coágulos sanguíneos nas pernas ou coxas durante viagens de longa duração — em especial em aviões.

    A condição, conhecida como trombose venosa profunda (TVP), costuma estar relacionada a fatores individuais, como obesidade, idade avançada, gravidez, uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal. Normalmente, você só vai sentir os sintomas depois da viagem, como inchaço súbito, dor e rigidez nas pernas.

    O maior risco associado à trombose do viajante é que, em alguns casos, o trombo pode se desprender da veia e viajar até os pulmões, causando uma complicação grave e potencialmente fatal, conhecida como embolia pulmonar.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para esclarecer as principais dúvidas sobre a condição, incluindo como ela se manifesta, quando procurar atendimento e medidas de prevenção. Confira!

    Afinal, o que é trombose venosa profunda?

    A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição causada pela formação de coágulos sanguíneos (trombos) no interior das veias profundas, normalmente nas pernas, que podem obstruir o fluxo normal do sangue e causar dor, inchaço e sensação de peso no membro afetado.

    Durante uma viagem longa, o corpo passa muito tempo parado, de modo que a falta de movimento faz com que o sangue tenha mais dificuldade para retornar das pernas ao coração. Como resultado, ele pode se acumular nas veias — e, com o tempo, formar um coágulo.

    O problema ganhou o apelido de “trombose do viajante” justamente por ser comum em pessoas que passam muitas horas sentadas, especialmente em aviões. As poltronas apertadas, o ar seco e o baixo nível de oxigênio na cabine agravam a situação, aumentando a viscosidade do sangue e favorecendo a formação de trombos.

    Vale lembrar que a trombose não é exclusiva dos voos — longos trajetos de carro ou ônibus também podem favorecer o problema. Segundo Marcelo, em viagens terrestres é possível fazer pausas e se movimentar, o que reduz o risco; já em viagens aéreas longas, isso é mais difícil.

    Por que as viagens longas aumentam o risco de trombose?

    As viagens longas aumentam o risco porque o corpo fica parado por muito tempo, com as pernas dobradas e pouca movimentação. A imobilidade prolongada dificulta a circulação do sangue, favorecendo o acúmulo nas veias e a formação de trombos.

    No avião, há agravantes como:

    • Baixa umidade da cabine (favorece desidratação);
    • Pressão atmosférica reduzida (altera a fisiologia);
    • Pouco espaço, dificultando mexer panturrilhas e tornozelos.

    Quem está mais vulnerável à trombose do viajante?

    Condições que aumentam significativamente o risco:

    • História prévia de trombose ou embolia pulmonar;
    • Cirurgias recentes (especialmente ortopédicas e abdominais);
    • Câncer e tratamentos oncológicos;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais ou terapia de reposição hormonal;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Obesidade e sedentarismo;
    • Tabagismo;
    • Idade acima de 60 anos.

    Ainda assim, qualquer pessoa pode desenvolver o problema se permanecer tempo demais sem se movimentar.

    Quais os sintomas de trombose venosa?

    De acordo com Marcelo, os sintomas geralmente aparecem após o desembarque e podem piorar nas horas seguintes:

    • Inchaço súbito em uma perna (panturrilha ou coxa);
    • Dor ou sensibilidade na perna, pior ao caminhar ou ficar em pé;
    • Calor local e vermelhidão;
    • Rigidez ou sensação de peso nas pernas.

    Os sinais surgem porque o coágulo impede a passagem do sangue, causando inflamação e acúmulo de líquido.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o perigo aumenta quando o trombo se desprende e migra para os pulmões, provocando embolia pulmonar. Nesses casos, pode haver falta de ar, dor no peito, tosse com sangue, tontura e desmaios. Qualquer sinal diferente após uma longa viagem merece avaliação médica.

    Quando saber que é hora de procurar atendimento médico?

    Procure um profissional de saúde se, nas horas ou dias após a viagem, você apresentar:

    • Inchaço em apenas uma perna;
    • Dor persistente na panturrilha;
    • Sensação de calor, vermelhidão ou endurecimento local;
    • Dificuldade para andar por dor ou peso na perna.

    O médico poderá solicitar ultrassonografia com doppler venoso para detectar coágulos e avaliar o fluxo sanguíneo. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de complicações (embolia pulmonar, progressão do trombo ou síndrome pós-trombótica).

    Após viagens longas, os sintomas podem surgir entre 24 e 72 horas (ou mais). Sinais sutis que evoluem merecem atenção, especialmente em quem tem fatores de risco.

    Qual a relação entre trombose e embolia pulmonar?

    A TVP ocorre quando se forma um coágulo nas veias (geralmente das pernas). Se o coágulo se desprende e viaja até os pulmões, pode bloquear uma artéria pulmonar, causando uma embolia pulmonar — condição potencialmente grave, com falta de ar, dor torácica e taquicardia. Tratar a trombose precocemente reduz o risco de embolia.

    Como é feito o tratamento de trombose venosa profunda?

    O objetivo é impedir o aumento do coágulo e evitar que ele se desprenda:

    • Anticoagulantes (orais ou injetáveis): reduzem a coagulação, previnem novos trombos e permitem que o organismo dissolva o existente. A duração depende da gravidade e do risco de recorrência;
    • Internação e procedimentos (em casos graves): trombólise, trombectomia ou filtro de veia cava;
    • Meias de compressão graduada: aliviam dor e inchaço e ajudam a prevenir síndrome pós-trombótica (sempre com orientação médica).

    É seguro usar anticoagulantes antes de viajar?

    Não. O uso preventivo de anticoagulantes sem prescrição não é indicado, pois aumenta o risco de sangramentos. A prevenção deve focar movimentação e hidratação, nunca automedicação.

    Como evitar a trombose venosa durante uma viagem longa?

    Dicas da SBACV e do cirurgião vascular Marcelo Dalio:

    • Movimente-se a cada ~2 horas: levante, ande, estique as pernas; sentado, gire os tornozelos e flexione os pés;
    • Use roupas confortáveis e evite peças apertadas;
    • Meias de compressão (média compressão) se prescritas, especialmente para quem tem varizes, histórico familiar ou TVP prévia;
    • Hidrate-se: beba água antes, durante e após a viagem; evite álcool e excesso de cafeína;
    • Evite álcool e sedativos (podem aumentar imobilidade e desidratação);
    • Prefira assentos no corredor para facilitar levantar e se movimentar.

    Pessoas com histórico de trombose, doenças cardíacas, câncer, varizes ou gravidez devem conversar com o médico antes de viagens longas para medidas personalizadas.

    Confira: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes sobre trombose do viajante

    1. Qual a diferença entre trombose venosa e trombose arterial?

    A trombose venosa ocorre nas veias (retorno do sangue ao coração), gerando inchaço, dor e calor local. A trombose arterial ocorre nas artérias (envio de sangue oxigenado aos tecidos) e é mais rara, porém grave, podendo causar infarto, AVC ou isquemia de membros.

    2. A trombose tem cura?

    Sim, com diagnóstico precoce e anticoagulação adequada. O tratamento costuma durar de 3 a 6 meses (ou mais, conforme o caso). Acompanhamento médico e prevenção reduzem recidivas.

    3. A trombose pode voltar depois do tratamento?

    Sim. Quem já teve TVP tem risco maior de novos episódios. Meias elásticas, controle de peso, hidratação e atividade física ajudam a reduzir a recorrência.

    4. Como é feito o diagnóstico da trombose?

    É clínico e confirmado por imagem. O principal exame é a ultrassonografia com doppler venoso. Em casos complexos, podem ser solicitados exames laboratoriais e tomografia.

    5. A trombose pode acontecer em qualquer parte do corpo?

    É mais comum nas veias profundas das pernas, mas pode ocorrer em braços, abdômen, cérebro e coração. Sintomas persistentes e atípicos devem ser investigados.

    6. Existe relação entre trombose e obesidade?

    Sim. A obesidade aumenta a pressão nas veias das pernas, dificulta o retorno venoso e altera fatores de coagulação. Manter peso saudável, praticar exercícios e ajustar a alimentação reduz o risco e melhora a saúde cardiovascular.

    Leia também: Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

  • Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Com a correria do dia a dia, muitas pessoas chegam em casa à noite com o mesmo incômodo: uma sensação de pernas pesadas, inchadas e cansadas, às vezes com formigamento. Apesar de comum, ela pode ser causada por uma série de fatores — desde má circulação até hábitos do cotidiano.

    Conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio para apontar as principais causas, como reduzir o peso nas pernas e evitar que o desconforto se torne rotina.

    O que pode causar as pernas pesadas?

    A sensação de pernas pesadas pode ser causada por uma série de fatores, como:

    • Varizes: são veias dilatadas e tortuosas que dificultam o retorno do sangue das pernas para o coração. É a causa mais frequente na população;
    • Insuficiência cardíaca: o coração não consegue bombear o sangue de forma adequada, provocando inchaço nas pernas, geralmente acompanhado de falta de ar;
    • Problemas renais: os rins não filtram corretamente, causando retenção de líquidos, com inchaço em duas pernas e até no rosto pela manhã;
    • Doenças do fígado: o mau funcionamento do fígado pode levar ao acúmulo de líquidos e inchaço;
    • Doenças reumatológicas: inflamações crônicas que afetam articulações e tecidos também podem causar inchaço e peso nas pernas;
    • Estilo de vida: ficar longos períodos sentado ou em pé, usar salto alto com frequência, sobrepeso, má alimentação e sedentarismo são fatores que favorecem a sensação de pernas cansadas.

    Como aliviar a sensação de peso nas pernas?

    Pernas acima do coração

    Uma das recomendações mais eficazes é colocar as pernas acima do nível do coração. Segundo Marcelo, não adianta apenas apoiar os pés em um puff: o ideal é deitar-se no sofá e apoiar as pernas no braço ou em almofadas, de forma que fiquem inclinadas para cima. A posição cria uma espécie de “via de drenagem” — facilitando o retorno do sangue e reduzindo o inchaço.

    Você pode incluir esse hábito na sua rotina ao chegar do trabalho ou antes de dormir. Cerca de 15 a 20 minutos já ajudam a sentir alívio.

    Movimentar a panturrilha

    A panturrilha desempenha um papel importante na circulação, pois contribui para impulsionar o sangue em direção ao coração. Quando a musculatura permanece sem movimento por longos períodos, a circulação fica prejudicada e o sangue acaba se acumulando nos membros inferiores — o que favorece o surgimento da sensação de peso e inchaço.

    Para ativar a circulação, é importante movimentar a panturrilha:

    • Fazer exercícios de flexão e extensão dos tornozelos (como se estivesse usando uma antiga máquina de costura);
    • Subir na ponta dos pés e descer devagar, repetindo várias vezes;
    • Alongar as pernas após longos períodos sentado.

    Os movimentos simples podem ser feitos em casa ou no trabalho, e ajudam a reduzir a sensação de peso.

    Evitar calor excessivo

    O calor pode piorar bastante a sensação de pernas pesadas, já que as altas temperaturas provocam dilatação das veias. Com isso, o sangue circula mais lentamente, aumentando o inchaço e a sensação de cansaço nas pernas.

    Por isso, segundo Marcelo, banhos muito quentes podem intensificar o problema, assim como ambientes abafados e verões intensos. O ideal é optar por duchas mornas ou frias, que ajudam a refrescar e estimular a circulação.

    Outra dica é evitar longas exposições ao sol sem hidratação adequada. Sempre que possível, mantenha as pernas frescas e hidratadas.

    Massagem e cremes

    A massagem nas pernas pode proporcionar alívio imediato, já que estimula a circulação sanguínea e linfática. Você pode fazer movimentos suaves de baixo para cima, ajudando o sangue a retornar ao coração. Existem também cremes refrescantes com ativos como mentol e cânfora que potencializam a sensação de leveza.

    Além de relaxar, a massagem pode ser um momento de autocuidado ao final do dia. No entanto, em situações como insuficiência cardíaca ou varizes, ela funciona apenas como forma de aliviar os sintomas, sem resolver a causa do problema. Nesses casos, procure a ajuda de um médico.

    Drenagem linfática

    A drenagem linfática é uma técnica de massagem que ajuda a reduzir o inchaço e melhorar a circulação. No entanto, Marcelo Dalio faz uma observação importante: ela é um movimento passivo, ou seja, depende de um profissional estimular a drenagem.

    Por isso, para pessoas ativas, a melhor opção continua sendo o exercício físico, que fortalece a panturrilha e melhora o retorno venoso. A drenagem é mais indicada para quem tem limitações de movimento, como idosos ou pessoas com restrições de saúde.

    Se você optar pelo procedimento, busque sempre um profissional qualificado para garantir que a técnica seja feita de forma segura e eficaz.

    Quando procurar atendimento médico?

    A sensação de pernas pesadas costuma ser uma consequência da rotina, mas em alguns casos, pode indicar problemas mais sérios. É importante procurar atendimento médico se você apresentar:

    • Inchaço persistente em uma ou ambas as pernas;
    • Dor intensa ou que não melhora com repouso;
    • Vermelhidão, calor local ou presença de feridas;
    • Falta de ar associada ao inchaço;
    • Sintomas que pioram com frequência.

    Dependendo do quadro, pode ser necessário o uso de meias de compressão, medicamentos ou até procedimentos específicos. Apenas um médico pode indicar o tratamento mais adequado, por isso, não se automedique!

    Veja também: Pés inchados no fim do dia podem indicar problema no coração, mas há outras causas

    Perguntas frequentes sobre pernas pesadas

    1. O que são varizes?

    As varizes são veias dilatadas e tortuosas que perdem a capacidade de levar o sangue das pernas de volta ao coração — de modo que o acúmulo provoca sensação de peso, dor, inchaço e até cãibras noturnas.

    Além do incômodo estético, as varizes são um problema de saúde que pode evoluir para complicações, como trombose e úlceras venosas. O tratamento varia desde o uso de meias de compressão e medicamentos até procedimentos como laser ou cirurgia, dependendo da gravidade.

    2. Uso de salto alto pode causar pernas pesadas?

    Pode sim. O salto alto reduz o movimento natural da panturrilha, prejudicando o retorno do sangue das pernas para o coração, o que favorece o inchaço e a sensação de peso. Para prevenir o problema, é importante alternar os tipos de calçados, optar por sapatos mais confortáveis no dia a dia e dar pausas no uso do salto sempre que possível.

    3. Pernas pesadas podem ser sinal de problemas no coração?

    Podem, sim. Problemas como a insuficiência cardíaca podem provocar acúmulo de líquidos nas pernas, normalmente acompanhado de falta de ar e limitação para atividades físicas.

    Quando o coração não consegue bombear o sangue de forma eficiente, o líquido se acumula nos membros inferiores. Nesse caso, não adianta apenas elevar as pernas: é fundamental procurar um cardiologista para uma avaliação completa.

    4. Quem fica muito tempo sentado pode sentir as pernas pesadas?

    Sim, ficar sentado por muitas horas diminui a movimentação da panturrilha, que é fundamental para bombear o sangue de volta ao coração. Isso favorece o acúmulo de sangue e líquidos nas pernas, gerando peso e inchaço.

    5. O uso de remédios pode causar pernas pesadas?

    Alguns medicamentos, como anticoncepcionais hormonais, corticoides e certos anti-hipertensivos, favorecem a retenção de líquidos e dificultam a circulação venosa. Se você percebeu que os sintomas começaram após o uso de algum remédio, converse com o médico. Nunca interrompa o tratamento por conta própria, mas é possível avaliar alternativas mais adequadas.

    6. Existe alguma posição ideal para dormir e evitar pernas pesadas?

    Dormir de barriga para cima com as pernas levemente elevadas pode ajudar bastante. Colocar um travesseiro ou almofada sob os pés estimula o retorno venoso durante a noite. Ah, e evite dormir de bruços, pois a posição comprime vasos e articulações, atrapalhando a circulação.

    Confira: Varizes: o que são e como tratar

  • Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    A dor nas pernas é um dos incômodos mais frequentes do dia a dia, especialmente na rotina de pessoas que passam muito tempo em pé ou sentadas. Ela pode ser causada por uma série de fatores, variando desde uma sensação de peso, que aparece no fim do dia, até dores intensas que atrapalham atividades simples.

    No entanto, quando a dor vem acompanhada de sinais típicos de varizes, como inchaço, sensação de peso e veias azuladas saltadas, é um sinal de alerta de alterações na circulação venosa. As varizes, além da estética, podem trazer desconfortos significativos e até indicar complicações vasculares mais graves.

    Mas afinal, como saber quando a dor nas pernas é sinal de varizes? Para esclarecer as principais dúvidas sobre essa relação, conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Confira!

    Afinal, como surgem as varizes?

    As varizes aparecem quando há falhas no retorno do sangue das pernas para o coração. Enquanto as artérias enviam o sangue para todo o corpo, o caminho de volta acontece pelas veias, que dependem da contração da musculatura, principalmente da panturrilha, e de pequenas válvulas internas que direcionam o fluxo para cima.

    Quando o mecanismo não funciona de forma eficiente, o sangue se acumula nos membros inferiores, provocando inchaço, peso e cansaço. Com o tempo, a sobrecarga favorece a dilatação dos vasos e o aparecimento das varizes, como explica Marcelo.

    Qual a relação entre varizes e dor nas pernas?

    A dor causada pelas varizes costuma ser descrita como um peso ou um cansaço nas pernas. Ela aparece, na maioria das vezes, nas duas pernas e tende a piorar ao final da tarde ou no fim do dia, especialmente depois de longos períodos em pé.

    Marcelo explica que situações comuns, como passar horas em um show, numa balada ou em trabalhos que exigem permanecer em pé (como segurança, limpeza ou comércio) favorecem o aparecimento do desconforto. Mas, quando a pessoa deita e eleva os pés, os sintomas costumam melhorar — justamente porque o sangue consegue fluir com mais facilidade.

    Além da dor, outros sintomas podem estar relacionados a varizes, como:

    • Inchaço nos tornozelos e pés;
    • Sensação de calor na região das veias;
    • Coceira na pele sobre as varizes;
    • Escurecimento da pele em estágios mais avançados.

    Dor nas pernas: o que mais pode ser?

    A dor nas pernas pode ser causada por uma série de fatores, desde causas simples e temporárias até condições que exigem avaliação médica, como:

    • Esforço físico: excesso de exercícios ou ficar muito tempo em pé pode gerar dor muscular e cansaço;
    • Problemas ortopédicos: alterações nos pés, quadris ou coluna podem sobrecarregar as pernas e provocar dor;
    • Lesões musculares: distensões, câimbras ou inflamações (como tendinite) provocam dor localizada;
    • Doenças articulares: artrite e artrose afetam joelhos e quadris, irradiando dor para as pernas;
    • Compressão nervosa: hérnia de disco ou ciático inflamado podem causar uma dor que desce pela perna;
    • Condições circulatórias graves: trombose venosa profunda, por exemplo, exige atenção médica imediata;
    • Outros fatores: obesidade, gravidez, uso de salto alto constante, sedentarismo e até alguns medicamentos podem contribuir para a dor.

    Se a dor nas pernas aparece com frequência e já começa a atrapalhar o dia a dia, o recomendado é procurar atendimento médico. Apenas um especialista pode investigar a causa, pedir exames se necessário e indicar o tratamento mais adequado.

    Como identificar as varizes?

    Não é difícil identificar as varizes, já que elas costumam ser visíveis sob a pele, formando veias azuladas, arroxeadas ou esverdeadas, dilatadas e tortuosas. No entanto, nem sempre os sinais externos aparecem logo de início. Em fases mais precoces, os sintomas podem se manifestar apenas como dor, inchaço e sensação de peso.

    Alguns sinais importantes para identificar incluem:

    • Veias aparentes: salientes, dilatadas e em formato irregular;
    • Sensação de peso: especialmente no fim do dia ou após longos períodos em pé;
    • Inchaço nos tornozelos: que pode piorar com o calor;
    • Alterações na pele: manchas, escurecimento ou descamação na região das pernas;
    • Câimbras noturnas: são comuns em pessoas com insuficiência venosa.

    Vale lembrar que existem também os vasinhos, que são menores, finos e superficiais. Eles costumam causar menos dor, mas podem ser um sinal inicial de insuficiência venosa. “Começa com um vasinho, depois eles vão se multiplicando, proliferando, e aí podem surgir sintomas”, explica Marcelo.

    O diagnóstico definitivo deve ser feito por um médico angiologista ou cirurgião vascular, geralmente com o auxílio do exame de ultrassonografia Doppler, que avalia o fluxo sanguíneo e confirma a presença de refluxo venoso.

    Quando procurar atendimento médico?

    É importante procurar um angiologista ou cirurgião vascular assim que surgirem os primeiros sinais de varizes ou qualquer sintoma relacionado, como:

    • Veias salientes e tortuosas;
    • Dor ou sensação de peso nas pernas;
    • Inchaço frequente ao final do dia;
    • Cãibras noturnas;
    • Formigamento;
    • Coceira;
    • Alterações na textura da pele ou até o aparecimento de manchas escuras na região das pernas e tornozelos.

    As varizes, de acordo com Marcelo, nunca são um problema apenas estético e o ideal é não esperar o problema agravar para procurar ajuda médica. Quanto antes o tratamento for iniciado, menores as chances de complicações, como úlceras varicosas, sangramentos ou trombose venosa.

    Leia mais: Pés inchados no fim do dia podem indicar problema no coração, mas há outras causas

    Perguntas frequentes sobre varizes e dor nas pernas

    1. As varizes sempre causam dor nas pernas?

    Nem sempre. Na verdade, muitas pessoas têm varizes bem visíveis e nunca sentem dor, enquanto outras podem sentir desconforto mesmo em casos leves. A dor típica das varizes costuma ser descrita como peso, queimação ou cansaço, principalmente no fim do dia ou após ficar muito tempo em pé.

    Isso acontece porque as veias não conseguem bombear o sangue de volta ao coração de forma eficiente, causando acúmulo de sangue e aumento da pressão dentro delas.

    2. Relaxante muscular serve para dor nas pernas?

    O relaxante muscular pode aliviar a dor nas pernas se ela for causada por tensão ou espasmos musculares, como depois de muito esforço físico, má postura ou câimbras. Nesses casos, o remédio pode trazer alívio temporário, porque age diminuindo a contração involuntária dos músculos.

    Quando a dor está associada a problemas de circulação, como varizes, insuficiência venosa ou até trombose, o relaxante muscular não resolve. Na verdade, ele pode até mascarar o sintoma, atrasando o diagnóstico. Por isso, não utilize nenhum medicamento sem orientação médica.

    3. Sentir câimbras frequentes à noite pode ser sinal de varizes?

    Pode ser. As câimbras noturnas são comuns em quem tem insuficiência venosa, já que a má circulação prejudica a oxigenação dos músculos. Isso deixa a musculatura mais sensível e propensa a contrações involuntárias.

    No entanto, as câimbras também podem estar ligadas à falta de magnésio, potássio, desidratação ou uso de certos remédios. Se elas vierem acompanhadas de varizes visíveis, inchaço ou dor, vale procurar orientação de um médico.

    4. As varizes podem provocar feridas dolorosas nas pernas?

    Sim, quando a insuficiência venosa não é tratada, a pressão dentro das veias e o acúmulo de líquido nos tecidos prejudicam a oxigenação da pele. Isso pode levar à formação de úlceras varicosas, feridas abertas, dolorosas e de difícil cicatrização, geralmente localizadas nos tornozelos. Elas exigem tratamento médico especializado.

    5. Tenho varizes e dor nas pernas, posso fazer exercícios físicos?

    Sim, e é até recomendado. A prática regular de atividade física ajuda a melhorar a circulação sanguínea, fortalece a musculatura da panturrilha e reduz os sintomas de peso, dor e inchaço nas pernas.

    Atividades como caminhada, bicicleta ergométrica, pilates, yoga são algumas das mais recomendadas, porque estimulam a circulação sem sobrecarregar as veias.

    Saiba mais: Varizes: o que são e como tratar

  • Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Você sabia que as varizes não são apenas um problema estético? Na verdade, a presença de veias dilatadas e tortuosas indica alterações na circulação venosa e pode causar sintomas como dor, inchaço e até feridas em casos mais graves.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, as varizes afetam cerca de 38% da população adulta, presentes em 30% dos homens e 45% das mulheres. Isso significa que quase quatro em cada dez pessoas convivem com algum grau de insuficiência venosa, muitas vezes sem sequer saber que se trata de uma condição de saúde.

    O problema pode começar com uma sensação de peso nas pernas ao fim do dia, mas evoluir para limitações maiores se não houver acompanhamento médico. Por isso, entender como elas se desenvolvem e as maneiras de tratar é fundamental para evitar complicações e preservar a qualidade de vida.

    O que são varizes?

    As varizes são veias dilatadas e tortuosas, normalmente localizadas nas pernas, que aparecem devido a problemas na circulação do sangue de volta ao coração.

    Enquanto as artérias levam o sangue do coração para o corpo, as veias fazem o caminho de volta. Nesse retorno, o movimento acontece com a ajuda da contração da musculatura das pernas e de válvulas dentro das veias, que funcionam para manter o sangue na direção correta.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Dalio, quando essas válvulas não atuam adequadamente, o sangue tende a se acumular nas pernas, causando inchaço, sensação de peso e cansaço. Com o tempo, o processo leva à dilatação dos vasos, conhecida como varizes.

    Causas das varizes

    O surgimento das varizes resulta na combinação de predisposição genética com fatores ambientais e de estilo de vida. Entre as principais causas, é possível citar:

    • Genética: pessoas com histórico familiar têm maior risco de desenvolver varizes;
    • Idade: com o passar dos anos, as veias perdem elasticidade e as válvulas se tornam menos eficientes;
    • Gravidez: cada gestação aumenta a pressão sobre as veias e pode acelerar o aparecimento das varizes;
    • Sedentarismo: falta de atividade física reduz a ação da musculatura da panturrilha, que ajuda no retorno venoso;
    • Permanecer muito tempo em pé ou sentado: profissões como professores, seguranças e atendentes de loja favorecem a sobrecarga nas veias;
    • Sobrepeso e obesidade: o excesso de peso aumenta a pressão nas pernas, sobrecarregando as veias e dificultando o retorno do sangue ao coração, o que favorece o surgimento das varizes.

    É importante lembrar que cada pessoa reage de forma diferente: alguém com pouca predisposição genética pode desenvolver varizes por estilo de vida, enquanto outra com forte predisposição pode manifestá-las mesmo tendo hábitos saudáveis.

    Como identificar as varizes?

    Nem sempre as varizes causam sintomas além da aparência de veias salientes e tortuosas, mas em algumas pessoas, é possível observar:

    • Sensação de peso, dor ou cansaço nas pernas, principalmente no fim do dia;
    • Inchaço nos tornozelos e pés;
    • Coceira e desconforto local;
    • Câimbras e sensação de pernas inquietas;
    • Escurecimento da pele em torno das varizes em casos mais avançados.

    Segundo Marcelo, a dor típica das varizes costuma ser em peso e aparece mais no fim da tarde, após longos períodos em pé ou sentado. Quando a pessoa coloca as pernas para cima, o alívio costuma ser imediato.

    Qual a diferença entre varizes e vasos?

    É bastante comum que varizes sejam confundidas com os chamados vasinhos, mas existem diferenças significativas entre as duas condições.

    • Vasos (ou telangiectasias): são veias bem finas, visíveis na pele como linhas finas avermelhadas ou arroxeadas, e costumam ter impacto mais estético do que clínico;
    • Varizes: são veias maiores, com 4 a 5 mm de diâmetro, localizadas abaixo da pele, no tecido gorduroso. Podem causar dor, peso, inchaço e complicações.

    Segundo Marcelo, ambos fazem parte do mesmo problema: um acúmulo de sangue venoso nas pernas, e o que muda é a profundidade e o tamanho do vaso afetado.

    Apesar disso, o especialista lembra que o problema pode evoluir com o tempo. “Começa com um vasinho, depois eles vão se multiplicando, proliferando, e aí podem surgir sintomas”, explica.

    Como é feito o diagnóstico de varizes?

    O diagnóstico das varizes é clínico, de modo que o médico conversa com o paciente, avalia os sintomas e examina as pernas em pé, quando os sinais ficam mais evidentes.

    Depois, o especialista pode solicitar a realização de exames, como o ultrassom doppler venoso, que avalia o fluxo de sangue, identifica refluxos e mede o tamanho das veias. Ele é fundamental para definir se existe comprometimento de veias maiores, como a safena, e se há necessidade de tratamento cirúrgico ou procedimentos minimamente invasivos.

    Como funciona o tratamento de varizes?

    O tratamento das varizes depende do grau do problema e das queixas do paciente. Em casos mais leves, o médico pode indicar apenas medidas clínicas que ajudam a melhorar a circulação e aliviar sintomas como dor, peso e inchaço nas pernas. Elas não eliminam as varizes, mas trazem mais conforto ao dia a dia:

    • Praticar exercícios físicos (como caminhada, corrida leve, natação, bicicleta), que estimulam a musculatura da perna e favorecem o retorno venoso;
    • Elevar as pernas ao final do dia, facilitando a drenagem do sangue de volta ao coração;
    • Usar meias elásticas de compressão graduada, que apertam mais na região do tornozelo e aliviam o peso nas pernas;
    • Manter o peso saudável, reduzindo a sobrecarga sobre as veias;
    • Evitar permanecer longos períodos em pé ou sentado sem movimentar as pernas;
    • Utilizar medicamentos e cremes específicos, que podem aliviar sintomas de cansaço, inchaço e dor (mas não eliminam as varizes).

    Quando a cirurgia é necessária (e como é feita)?

    A indicação de cirurgia ou procedimento depende do contexto, de acordo com Marcelo: queixas do paciente, intensidade dos sintomas, tamanho e localização das varizes. Hoje existem técnicas modernas e variadas, que vão desde a aplicação em consultório até cirurgias minimamente invasivas.

    Para vasinhos (menos de 1 mm), o tratamento mais utilizado é a escleroterapia, que consiste na aplicação de uma substância dentro do vaso para que ele deixe de funcionar. Outra alternativa é o laser transdérmico, que atua através da pele e ajuda a eliminar os vasos mais superficiais.

    Para veias de 4–5 mm abaixo da pele, pode ser indicada a cirurgia convencional, realizada por meio de pequenos cortes para retirar a veia, ou o laser endovenoso, em que um cateter é introduzido na veia e emite energia térmica para inutilizá-la.

    Em casos mais avançados, com manchas na pele ou quando a cirurgia não é possível, pode ser feita a escleroterapia com espuma. O procedimento é realizado em consultório, com auxílio do ultrassom, e a espuma faz a veia perder a função, sendo depois absorvida pelo corpo. É uma alternativa menos invasiva, recomendada sobretudo para idosos ou pessoas com outras doenças.

    Segundo Marcelo, as técnicas não prejudicam a circulação, pois o sangue passa a ser direcionado para as veias saudáveis, melhorando o funcionamento do sistema venoso como um todo.

    É possível prevenir as varizes?

    Não é possível evitar totalmente o aparecimento das varizes, especialmente em quem tem forte predisposição genética. Mas algumas medidas ajudam a retardar e reduzir os sintomas, como:

    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o peso saudável;
    • Evitar ficar longos períodos em pé ou sentado sem se movimentar;
    • Colocar as pernas para cima alguns minutos por dia;
    • Usar meias elásticas de compressão em situações de risco (longos voos, dias de trabalho em pé);
    • Evitar banhos muito quentes e exposição prolongada ao calor.

    Segundo Marcelo, o ideal é não esperar o problema agravar para procurar ajuda médica. Quanto antes o tratamento for iniciado, menores as chances de complicações, como úlceras e tromboses.

    Confira: Exercícios para fortalecer a coluna: o guia completo para proteger sua postura e prevenir dores

    Perguntas frequentes sobre varizes

    1. Qual a melhor meia de compressão para varizes?

    A melhor meia de compressão para varizes é aquela escolhida de acordo com o grau da doença, a intensidade dos sintomas e as necessidades individuais de cada paciente.

    Existem diferentes modelos, que variam tanto na altura quanto na força de compressão, e apenas um médico vascular pode indicar qual é a mais adequada para cada caso.

    2. Quem tem varizes sempre precisa operar?

    Nem sempre, pois o tratamento das varizes depende da gravidade do caso. Em situações leves, é possível controlar os sintomas com medidas clínicas, como praticar exercícios físicos regularmente, manter o peso adequado, adotar pausas para elevar as pernas ao longo do dia e usar meias elásticas de compressão.

    A cirurgia ou os procedimentos minimamente invasivos só são indicados quando as varizes causam dor intensa, complicações (como manchas na pele, úlceras ou sangramentos), ou quando o impacto estético é significativo para o paciente.

    Mesmo nesses casos, existem diferentes técnicas modernas, desde a escleroterapia até o laser endovenoso, que tornam o tratamento mais seguro e eficaz.

    3. Tenho varizes, posso usar salto alto?

    Sim, é possível usar salto alto, mas com moderação! O uso frequente de calçados altos pode dificultar o movimento natural da panturrilha, de modo que a circulação venosa fica mais lenta e os sintomas das varizes, como peso e inchaço, podem piorar.

    Por isso, quem tem varizes pode usar salto em ocasiões específicas, mas é recomendável alternar com sapatos mais confortáveis, de salto baixo ou médio, e sempre incluir atividade física na rotina para fortalecer a musculatura das pernas.

    4. Banhos quentes podem piorar as varizes?

    Sim, a água muito quente provoca dilatação dos vasos sanguíneos, o que aumenta a sensação de peso, inchaço e desconforto nas pernas. Além disso, a exposição frequente ao calor, como em dias quentes ou em ambientes como saunas, também pode agravar sintomas.

    O ideal, nesses casos, é optar por banhos mornos ou frios, que ajudam a manter a circulação mais equilibrada e proporcionam alívio imediato para o desconforto.

    5. O que é úlcera varicosa?

    A úlcera varicosa é uma ferida crônica que surge normalmente próxima ao tornozelo, causada pela insuficiência venosa prolongada.

    Quando o sangue não circula corretamente, ele se acumula nas pernas, aumentando a pressão e prejudicando a oxigenação dos tecidos — e isso faz com que a pele fique mais frágil, escura e, com o tempo, possa abrir uma ferida.

    Ela é considerada uma complicação grave das varizes e exige acompanhamento médico especializado, pois a cicatrização pode ser lenta e há risco de infecções. O tratamento inclui curativos adequados, uso de meias de compressão, controle dos sintomas e, em alguns casos, procedimentos para tratar a circulação venosa.

    6. O que posso fazer em casa para aliviar as pernas pesadas?

    Elevar as pernas acima do nível do coração, praticar exercícios que movimentem a panturrilha (como ficar na ponta dos pés), usar meias de compressão e evitar longos períodos em pé ou sentado. Medidas como massagens e drenagem linfática também podem ajudar, mas o exercício ativo é sempre a medida mais eficaz.

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