Autor: Dr. Giovanni Henrique Pinto

  • Prolapso da válvula mitral: sinais de alerta, exames e  tratamento

    Prolapso da válvula mitral: sinais de alerta, exames e tratamento

    O prolapso da válvula mitral (PVM) é uma alteração cardíaca relativamente comum, mas ainda cercada de dúvidas. O diagnóstico passou por mudanças ao longo dos anos — e muitas pessoas que antes eram consideradas portadoras não se enquadram mais nos critérios atuais.

    Isso levanta questionamentos: quando a condição exige atenção, quais sinais merecem acompanhamento e em que momento ela pode representar risco? Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para esclarecer o quadro e tirar as principais dúvidas sobre o prolapso da válvula mitral.

    O que é prolapso da válvula mitral?

    A válvula mitral é uma das quatro válvulas do coração e atua como uma “porta” que impede o sangue de retornar do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante a contração cardíaca.

    No prolapso da válvula mitral, essa válvula não se fecha completamente: suas cúspides (abas que controlam o fluxo sanguíneo) tornam-se frouxas e podem se projetar para dentro do átrio, permitindo refluxo de sangue.

    Nem todo prolapso causa sintomas, o que pode dificultar o diagnóstico. “Na maioria das pessoas, o prolapso é assintomático e descoberto por acaso em exames de rotina. Em alguns casos, pode causar palpitações, dor no peito ou sensação de ansiedade”, explica Giovanni.

    O que mudou no diagnóstico de prolapso mitral

    Nas últimas décadas, pesquisas mostraram que os critérios antigos para diagnóstico eram pouco específicos, o que levou a muitos diagnósticos em pessoas com válvulas consideradas normais pelos parâmetros atuais.

    Com critérios mais precisos, estima-se que apenas 2 a 3% da população tenha prolapso mitral significativo — antes, o número chegava a 10% ou mais. Os avanços incluem:

    • Uso de ecocardiograma em 3D, que fornece imagens detalhadas e reduz diagnósticos exagerados;
    • Definição mais rigorosa do limite de deslocamento da válvula para considerar o diagnóstico;
    • Medição da quantidade de sangue que reflui, determinando se há comprometimento funcional;
    • Revisão de diagnósticos antigos, pois muitos casos antes considerados prolapsos não se confirmam em exames modernos.

    Sintomas de prolapso da válvula mitral

    O prolapso mitral costuma ser silencioso e muitas vezes descoberto por acaso. Quando causa sintomas, os mais comuns são:

    • Palpitações: sensação de batimento cardíaco acelerado ou irregular;
    • Dor no peito: geralmente leve ou inespecífica;
    • Ansiedade ou sensação de “coração acelerado”;
    • Falta de ar ao esforço ou cansaço fácil.

    “Em casos mais avançados, sinais de insuficiência cardíaca, como inchaço nas pernas, podem aparecer”, alerta Giovanni. Nesses casos, o coração perde eficiência no bombeamento do sangue, tornando o quadro mais grave.

    Como identificar: exames clínicos e de imagem

    O diagnóstico costuma começar com o exame físico. O médico pode ouvir um “click” mesossistólico — som curto característico do prolapso — e, se houver refluxo, um sopro cardíaco.

    “O primeiro indício pode ser o sopro ouvido no estetoscópio. O exame que confirma é o ecocardiograma, que mostra a movimentação da válvula”, detalha Giovanni.

    Exames que ajudam no diagnóstico incluem:

    • Ausculta cardíaca: identificação de click e sopro característicos;
    • Ecocardiograma transtorácico: principal exame para visualizar a válvula e o refluxo;
    • Ecocardiograma transesofágico: usado quando são necessárias imagens mais detalhadas;
    • Holter ou monitor cardíaco: útil se houver palpitações ou suspeita de arritmias.

    O diagnóstico combina achados clínicos e de imagem, que permitem avaliar a gravidade e a função da válvula mitral.

    Complicações possíveis: quando o benigno pode se tornar grave

    “Na maioria dos casos, o prolapso da válvula mitral é benigno. Mas, em alguns pacientes, pode levar à insuficiência mitral importante, arritmias e, raramente, endocardite (infecção da válvula)”, ressalta Giovanni.

    Em certas situações, o prolapso pode evoluir para:

    • Regurgitação mitral: refluxo intenso de sangue para o átrio esquerdo, aumentando a sobrecarga cardíaca;
    • Arritmias ventriculares ou atriais: que podem causar palpitações intensas ou desmaios;
    • Endocardite infecciosa: risco aumentado em casos de refluxo importante;
    • Insuficiência cardíaca: quando o coração perde eficiência no bombeamento.

    Essas complicações são mais prováveis em pacientes com comprometimento significativo da válvula ou refluxo importante, o que torna o acompanhamento regular fundamental.

    Tratamento de prolapso da válvula mitral: quando precisa de cirurgia?

    O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do grau de comprometimento da válvula. Segundo Giovanni, o tratamento medicamentoso é indicado em casos com palpitações ou arritmias leves.

    “A cirurgia é recomendada apenas quando há insuficiência mitral significativa, com refluxo importante e risco para o coração”, explica o especialista.

    • Medicamentos: betabloqueadores e, às vezes, antiarrítmicos para aliviar sintomas;
    • Cirurgia ou reparo valvar: indicada em refluxo grave ou disfunção ventricular.

    O objetivo é aliviar sintomas e prevenir complicações, ajustando o tratamento conforme a gravidade. Em muitos casos, o acompanhamento periódico é suficiente, mas se houver progressão da insuficiência mitral, a cirurgia pode ser necessária para preservar a função cardíaca.

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    Vida normal é possível? Prognóstico e acompanhamento

    Sim. A maioria das pessoas com prolapso da válvula mitral leva uma vida normal, podendo praticar exercícios, trabalhar e viajar — desde que mantenha acompanhamento médico regular.

    Alguns pacientes precisam de monitoramento mais próximo, especialmente se:

    • Tiverem regurgitação moderada ou grave;
    • Apresentarem arritmias confirmadas em exames;
    • Tiverem histórico familiar de degeneração valvar.

    “O prolapso pode evoluir e aumentar o refluxo de sangue, exigindo tratamento. Por isso, mesmo em pacientes assintomáticos, o acompanhamento com ecocardiograma é essencial”, conclui Giovanni.

    Perguntas e respostas sobre prolapso da válvula mitral

    1. O que é o prolapso da válvula mitral?

    É uma alteração em que a válvula mitral, responsável por controlar o fluxo de sangue entre o ventrículo e o átrio esquerdo, não se fecha adequadamente, permitindo o refluxo sanguíneo.

    2. O diagnóstico mudou nos últimos anos?

    Sim. Antes, critérios menos específicos geravam diagnósticos em excesso. Hoje, com ecocardiogramas modernos e parâmetros mais rigorosos, apenas 2 a 3% da população é diagnosticada com prolapso significativo.

    3. Quais são os sintomas mais comuns?

    A maioria é assintomática. Quando presentes, os sintomas incluem palpitações, dor no peito, ansiedade, falta de ar e fadiga. Casos avançados podem causar inchaço nas pernas por insuficiência cardíaca.

    4. Como é feito o diagnóstico?

    O médico pode ouvir um sopro ou “click” característico. O exame confirmatório é o ecocardiograma, que avalia a movimentação da válvula e o grau de refluxo. O Holter pode ser usado para investigar arritmias.

    5. O prolapso da válvula mitral sempre é benigno?

    Na maioria dos casos, sim. Contudo, pode evoluir para complicações como regurgitação mitral grave, arritmias ou, raramente, endocardite. O acompanhamento médico é fundamental.

    6. Quando é necessário tratar?

    Em sintomas leves, o tratamento pode envolver betabloqueadores. A cirurgia é indicada apenas em casos de insuficiência mitral significativa, quando há risco para o coração.

    7. Quem tem prolapso da válvula mitral pode levar vida normal?

    Sim. A maioria dos pacientes leva vida plena, podendo praticar exercícios e atividades cotidianas, desde que realize consultas regulares e ecocardiogramas de controle.

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  • Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto 

    Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto 

    A expressão “coração partido” sempre foi associada a tristezas profundas, mas a medicina transformou essa metáfora em uma realidade clínica. Descoberta no Japão nos anos 1990, a síndrome do coração partido — nome popular da cardiomiopatia de Takotsubo — é uma condição em que o coração enfraquece temporariamente após um evento de estresse físico ou emocional intenso.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto explica: “O nome ‘coração partido’ surgiu porque costuma aparecer após fortes emoções. O coração fica momentaneamente enfraquecido e assume, nos exames de imagem, um formato parecido ao vaso japonês takotsubo, usado para pescar polvos”.

    Embora seja reversível na maioria dos casos, o quadro pode simular um infarto e gerar complicações graves, o que torna o diagnóstico rápido essencial.

    O que pode causar a síndrome do coração partido?

    O gatilho mais comum é uma descarga repentina de hormônios do estresse, como a adrenalina, que afetam o funcionamento do músculo cardíaco. Geralmente, surge após situações marcantes, como:

    • Perda de um ente querido;
    • Brigas ou separações;
    • Acidentes ou cirurgias;
    • Notícias impactantes;
    • Estresse prolongado ou sustos intensos.

    A síndrome do coração partido pode ocorrer mesmo em pessoas sem histórico prévio de doença cardíaca. No entanto, fatores como ser do sexo feminino (especialmente após a menopausa), ter idade mais avançada e histórico de estresse intenso aumentam a predisposição.

    Sintomas da síndrome do coração partido

    Os sinais clínicos são muito semelhantes aos de um infarto, o que explica a dificuldade no diagnóstico inicial.

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Mal-estar súbito;
    • Palpitações;
    • Em alguns casos, desmaio.

    Esses sintomas devem sempre ser avaliados em pronto-socorro, pois não é possível diferenciar a síndrome do coração partido de um infarto apenas pela percepção do paciente.

    Diferença entre síndrome do coração partido e infarto

    O desafio dos médicos está justamente em distinguir a síndrome do coração partido do infarto agudo do miocárdio. Giovanni esclarece: “Os sintomas são muito parecidos com os do infarto”.

    Segundo ele, a diferença é feita por exames: “Tanto o eletrocardiograma quanto os exames de sangue podem se alterar de forma semelhante, mas no cateterismo não há entupimento de artérias. E na ventriculografia e no ecocardiograma encontram-se as alterações características na contração do coração que formam a imagem do Takotsubo”.

    Ou seja, enquanto o infarto ocorre pelo bloqueio súbito de uma artéria coronária, na cardiomiopatia de Takotsubo não há obstrução. O coração apresenta uma alteração transitória da contratilidade, assumindo um formato típico comparado ao vaso japonês que inspirou o nome.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome do coração partido?

    O diagnóstico exige uma combinação de exames. O primeiro passo é descartar um infarto, já que os sintomas são praticamente idênticos. Entre os exames utilizados estão:

    • Eletrocardiograma (ECG): pode mostrar alterações semelhantes às do infarto;
    • Exames de sangue: podem apresentar elevação moderada da troponina, proteína liberada quando há lesão no músculo cardíaco;
    • Ecocardiograma: mostra as alterações típicas na contração do coração;
    • Cateterismo cardíaco: confirma a ausência de obstrução nas artérias coronárias.

    Em geral, um exame isolado não é suficiente. O ECG e a troponina levantam a suspeita de infarto, o cateterismo mostra que as artérias estão livres e o ecocardiograma revela o padrão característico do Takotsubo. Essa integração é fundamental para garantir o diagnóstico correto e o tratamento adequado.

    Tratamento da síndrome do coração partido: o coração pode voltar ao normal?

    A boa notícia é que, na maioria dos pacientes, a síndrome do coração partido é reversível. “O tratamento costuma ser de suporte clínico, com medicações para ajudar na recuperação da função cardíaca. Na maioria dos casos, o coração volta ao normal em semanas ou meses”, explica Giovanni.

    O manejo geralmente inclui medicamentos como betabloqueadores, diuréticos e, em alguns casos, anticoagulantes, sempre conforme avaliação médica. Repouso, controle dos fatores de risco e acompanhamento regular fazem parte da recuperação.

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    Existe risco de complicações graves?

    Mesmo que muitas vezes tenha evolução benigna, a síndrome do coração partido não deve ser subestimada. “Apesar de ser reversível na maioria dos casos, pode haver complicações como arritmias, insuficiência cardíaca e, em situações raras, risco de morte. Por isso, precisa de avaliação e acompanhamento médico”, alerta Giovanni.

    As complicações decorrem do enfraquecimento súbito do músculo cardíaco, que pode comprometer a capacidade de bombeamento do sangue. Essa redução temporária pode causar acúmulo de líquido nos pulmões (edema agudo de pulmão), queda da pressão arterial ou choque cardiogênico. Além disso, arritmias graves aumentam o risco de eventos fatais.

    A síndrome do coração partido pode acontecer mais de uma vez?

    Embora rara, a recorrência é possível. “Por isso é importante acompanhamento médico regular, principalmente em pessoas que já tiveram o quadro ou têm familiares próximos que já tiveram”, destaca Giovanni.

    Pacientes diagnosticados devem manter acompanhamento clínico contínuo, não apenas durante a fase aguda. O seguimento ajuda a monitorar a saúde do coração, prevenir novos episódios e oferecer suporte em situações de estresse.

    Perguntas e respostas sobre a síndrome do coração partido

    1. O que é a síndrome do coração partido?

    É uma condição chamada cardiomiopatia de Takotsubo, em que o coração enfraquece temporariamente após um evento de estresse físico ou emocional intenso.

    2. Quais situações podem desencadear o problema?

    Ela pode surgir após perdas emocionais, separações, brigas, acidentes, cirurgias, notícias impactantes ou sustos intensos.

    3. Quem pode ter a síndrome do coração partido?

    Pode ocorrer em pessoas sem doença cardíaca prévia, mas é mais comum em mulheres após a menopausa e em pessoas acima dos 60 anos.

    4. Quais são os sintomas mais comuns?

    Dor no peito, falta de ar, palpitações, mal-estar súbito e, em alguns casos, desmaio.

    5. Como diferenciar de um infarto?

    Os sintomas são parecidos, mas o cateterismo mostra que não há entupimento nas artérias. O ecocardiograma revela alterações típicas na contração do coração que formam o padrão de Takotsubo.

    6. Existe risco de complicações?

    Sim. Apesar de reversível, pode causar arritmias, insuficiência cardíaca, edema agudo de pulmão e, raramente, risco de morte.

    7. O coração pode voltar ao normal?

    Na maioria dos casos, sim. O tratamento é de suporte clínico, com medicamentos e acompanhamento médico, e a função cardíaca tende a se recuperar em semanas ou meses.

    8. A síndrome pode acontecer mais de uma vez?

    Sim, embora rara. O acompanhamento médico contínuo e o controle do estresse são fundamentais para prevenir recorrências.

    Leia mais: Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração

  • Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    Doença coronariana: o que é, como identificar os sintomas e quais os tratamentos indicados

    A doença coronariana, ou doença arterial coronariana (DAC), é uma das principais causas de morte no mundo. Seu desenvolvimento acontece quando placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam nas paredes das artérias coronárias.

    “Esse é um processo chamado aterosclerose. Com o tempo, essas placas podem endurecer e reduzir o fluxo de sangue, prejudicando a oxigenação do músculo cardíaco”, explica o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    A seguir, vamos entender o processo de desenvolvimento da doença coronariana, os fatores de risco e seus sintomas mais característicos. Acompanhe!

    O que é a doença coronariana e por que ela acontece?

    O coração depende de um suprimento constante de sangue rico em oxigênio para funcionar adequadamente. Esse papel é das artérias coronárias, que circundam o órgão como uma rede de abastecimento.

    Quando essas artérias sofrem estreitamento ou obstrução, o músculo cardíaco recebe menos oxigênio, comprometendo seu desempenho.

    Esse processo está intimamente relacionado à aterosclerose. Inicialmente, pequenas lesões nas paredes internas das artérias facilitam o depósito de colesterol LDL (“ruim”), células inflamatórias e restos celulares. Com o tempo, forma-se a chamada placa aterosclerótica.

    “Quando as placas crescem, o espaço dentro da artéria diminui, dificultando a passagem do sangue. Isso faz diminuir o fluxo sanguíneo e pode causar dor no peito (angina) durante esforços ou situações de estresse”, fala o médico.

    Mais perigoso ainda é quando a placa se rompe. Nesse caso, ocorre a formação de um coágulo (trombo) que pode bloquear a artéria de forma súbita, interrompendo totalmente o fluxo de sangue e resultando em um infarto agudo do miocárdio.

    Quais são os fatores de risco para doença coronariana?

    O desenvolvimento da doença coronariana é multifatorial. Alguns fatores são modificáveis, ou seja, podem ser controlados com mudanças de hábitos e tratamento, enquanto outros são não modificáveis, como idade e histórico familiar.

    Principais fatores de risco para doença coronariana:

    • Hipertensão arterial (pressão alta)
    • Colesterol elevado (LDL alto e HDL baixo)
    • Diabetes mellitus
    • Tabagismo
    • Obesidade e sobrepeso
    • Sedentarismo
    • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce
    • Estresse crônico
    • Envelhecimento (o risco aumenta com a idade)
    • Menopausa (nas mulheres, devido à queda de estrogênio)

    O cardiologista alerta: “Vale ressaltar que esses fatores podem atuar de forma somada, aumentando ainda mais a probabilidade de doença”.

    Sintomas da doença coronariana: como identificar sinais de comprometimento das artérias

    Na fase inicial, a doença coronariana pode ser silenciosa. Muitas pessoas só descobrem o problema durante exames de rotina ou após um evento agudo, como um infarto. Porém, alguns sinais podem indicar que as artérias já estão comprometidas.

    Entre os sintomas mais comuns estão:

    • Dor ou pressão no peito (angina), principalmente durante esforço físico ou situações de estresse
    • Falta de ar
    • Cansaço desproporcional
    • Dor irradiada para braço esquerdo, mandíbula, costas ou estômago
    • Sintomas atípicos em mulheres e diabéticos, como palpitações, náuseas, indigestão ou fadiga intensa

    Esses sintomas da doença coronariana devem sempre motivar uma investigação médica, especialmente se forem recorrentes.

    Como é feito o diagnóstico da doença coronariana?

    O diagnóstico da doença coronariana envolve uma combinação de avaliação clínica, análise de fatores de risco e exames complementares. O médico inicia com análise detalhada do paciente e exame físico, investigando sintomas, histórico familiar e hábitos de vida.

    Entre os exames mais utilizados estão:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração
    • Teste ergométrico (teste de esforço): avalia a resposta do coração durante exercício
    • Ecocardiograma de estresse: verifica alterações na função cardíaca sob esforço físico ou medicação
    • Cintilografia de perfusão miocárdica: identifica áreas do coração com menor irrigação sanguínea
    • Angiotomografia de coronárias: exame de imagem detalhado que mostra as artérias coronárias
    • Cateterismo cardíaco: exame invasivo que permite visualizar diretamente obstruções e, em alguns casos, realizar angioplastia (procedimento que desobstrui artérias entupidas com balão e stent).

    Esses exames não são, necessariamente, solicitados todos de uma vez. A escolha depende da gravidade dos sintomas, da presença de fatores de risco e da necessidade de confirmar ou descartar obstruções significativas.

    Em casos leves, muitas vezes os testes de esforço ou exames de imagem já fornecem informações suficientes. Já em situações mais graves, o cateterismo pode ser indicado para diagnóstico preciso e até intervenção imediata.

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    Prevenção e controle: mudanças de estilo de vida

    Grande parte dos fatores de risco para doença coronariana pode ser modificada. Isso significa que é possível reduzir consideravelmente as chances de desenvolver a condição ou, para quem já tem diagnóstico, controlar sua progressão.

    Medidas fundamentais incluem:

    • Alimentação saudável, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e pobre em sal, açúcar e gorduras saturada
    • Prática regular de atividade física (pelo menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico moderado, como caminhada)
    • Não fumar
    • Controle do peso corporal
    • Sono adequado
    • Controle rigoroso da pressão arterial, colesterol e glicemia
    • Redução do estresse

    O cardiologista reforça: “Esses cuidados não apenas reduzem o risco de desenvolver a doença, como também ajudam a estabilizar as placas já existentes e a evitar complicações”.

    Tratamento da doença coronariana: medicamentos e procedimentos

    O tratamento da doença coronariana é individualizado e pode envolver três pilares principais: ajustes no estilo de vida, uso de medicamentos e, em casos selecionados, procedimentos ou cirurgias.

    • Medicamentos: estatinas e outros redutores de colesterol, aspirina em baixa dose (quando indicada), betabloqueadores, bloqueadores de canais de cálcio, inibidores da ECA ou ARBs, nitratos e ranolazina
    • Procedimentos minimamente invasivos: como a angioplastia com colocação de stent, que expande a artéria com um balão e mantém o fluxo aberto com uma pequena malha metálica
    • Cirurgia de revascularização miocárdica (bypass coronariano): indicada em casos mais graves, cria novos caminhos para o sangue chegar ao coração

    Em todos os cenários, o acompanhamento regular com o cardiologista é essencial, tanto para ajustar o tratamento quanto para indicar programas de reabilitação cardíaca após cirurgias, que incluem educação, aconselhamento e treinamento físico supervisionado.

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    Perguntas e respostas sobre doença coronariana

    1. O que é a doença coronariana?

    É uma condição em que as artérias coronárias ficam estreitas ou bloqueadas devido ao acúmulo de placas de gordura e colesterol (aterosclerose). Isso reduz o fluxo de sangue e oxigênio para o coração, podendo levar à angina ou ao infarto.

    2. Quais são os principais fatores de risco?

    Hipertensão, colesterol alto, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo, histórico familiar, estresse crônico, idade avançada e menopausa nas mulheres.

    3. Quais sintomas exigem atenção?

    Dor ou pressão no peito, falta de ar, cansaço desproporcional, dor irradiada para braço, mandíbula, costas ou estômago. Mulheres e diabéticos podem apresentar sinais atípicos, como náusea, palpitações ou fadiga intensa.

    4. Como a doença é diagnosticada?

    O diagnóstico combina avaliação clínica e exames como eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma de estresse, cintilografia, angiotomografia ou cateterismo, dependendo do quadro clínico.

    5. É possível prevenir a doença coronariana?

    Sim. Alimentação equilibrada, atividade física regular, não fumar, controlar peso, pressão, colesterol e glicemia, dormir bem e reduzir o estresse são medidas fundamentais.

    6. Como é feito o tratamento?

    O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos (estatinas, aspirina, betabloqueadores, entre outros) e, em casos graves, procedimentos como angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização (bypass).

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  • Tosse persistente: quando pode ser problema no coração

    Tosse persistente: quando pode ser problema no coração

    Você sabia que a tosse é um mecanismo de defesa do organismo? Sempre que algo ameaça irritar ou bloquear as vias respiratórias, o organismo reage para proteger os pulmões e manter o ar limpo. É assim que secreções como muco, partículas de poeira, fumaça, mofo, alérgenos e até micro-organismos acabam sendo eliminados.

    Ela pode surgir em quadros simples de gripe ou resfriado, crises de rinite e alergia, bronquite, asma e até refluxo gastroesofágico. Na maior parte das vezes, não representa perigo e desaparece sozinha em poucos dias.

    O alerta surge quando o sintoma não passa. Uma tosse persistente, que continua por semanas ou até meses, precisa ser investigada para descartar condições de saúde mais sérias. Embora as causas respiratórias sejam as mais comuns, em alguns casos, ela pode estar relacionada ao funcionamento do coração, especialmente quando acompanhada de outros sintomas.

    Quando a tosse persistente pode ser cardíaca?

    Apesar de normalmente associada a doenças respiratórias, a tosse também pode ser consequência de problemas cardíacos. O cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto, do Hospital Albert Einstein, explica que o sintoma pode surgir em diferentes condições cardiovasculares, como:

    Insuficiência cardíaca

    Em quadros de insuficiência cardíaca, o coração perde a capacidade de bombear o sangue adequadamente, o que causa acúmulo de líquido nos pulmões. Isso provoca uma tosse persistente, que normalmente piora à noite ou quando a pessoa se deita.

    Em alguns casos, a manifestação é conhecida como “asma cardíaca”, justamente pela semelhança com as crises de falta de ar típicas da asma respiratória. É a causa mais frequente quando se fala em tosse de origem cardíaca.

    Valvopatias

    Doenças que afetam as válvulas do coração, como a estenose mitral, dificultam a passagem do sangue dentro do coração e podem causar tosse persistente, acompanhada de escarro rosado, em situações mais graves. É um quadro mais raro, mas que não deve ser descartado.

    Arritmias

    As alterações do ritmo cardíaco, principalmente as taquicardias, podem favorecer episódios de tosse persistente. Isso acontece porque o coração, batendo de forma acelerada ou irregular, sobrecarrega a circulação e acaba afetando também o funcionamento dos pulmões.

    Pressão alta descompensada

    Quando a pressão arterial está mal controlada, o coração precisa trabalhar mais, aumentando a pressão nos pulmões. Isso pode resultar em tosse contínua, muitas vezes acompanhada de falta de ar.

    Uso de remédios

    Além das doenças, alguns remédios usados no tratamento de condições cardiovasculares podem provocar tosse persistente como efeito colateral. É o caso dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), como captopril, enalapril e lisinopril.

    Eles podem causar tosse seca em até 20% dos pacientes. Quando isso acontece, o médico geralmente substitui o remédio por um antagonista dos receptores de angiotensina II (BRA), como losartana ou valsartana, que raramente causam o mesmo sintoma.

    Como diferenciar tosse cardíaca da respiratória?

    Identificar a origem da tosse pode ser desafiador, mas existem sinais que ajudam na diferenciação:

    • Respiratória: normalmente surge após sintomas de infecção, como febre, dor de garganta e coriza. Pode vir acompanhada de chiado no peito e catarro amarelado ou esverdeado, como em casos de pneumonia. Costuma melhorar com antibióticos ou broncodilatadores, quando indicados;
    • Cardíaca: piora ao deitar, pode acordar o paciente durante a madrugada, vem associada a falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e palpitações. O escarro pode ser espumoso ou rosado.

    Enquanto a tosse respiratória está mais ligada a infecções e inflamações, a de origem cardíaca reflete a sobrecarga do coração e dos pulmões.

    Quando a tosse deve preocupar?

    A tosse que ultrapassa oito semanas já é considerada crônica e precisa ser investigada. No entanto, segundo Giovanni Pinto, não é necessário esperar tanto tempo: se a tosse dura mais de duas semanas ou aparece acompanhada de falta de ar, dor no peito, perda de peso, febre prolongada, chiado intenso, sangue no escarro ou histórico de doenças cardíacas, é muito importante procurar atendimento médico.

    Diagnóstico da tosse persistente relacionada ao coração

    O primeiro passo do diagnóstico é a consulta clínica detalhada, em que o médico avalia o histórico do paciente e faz o exame físico. A partir daí, outros exames podem ser solicitados, de acordo com Giovanni Henrique Pinto. São eles:

    • Eletrocardiograma;
    • Raio-X de tórax;
    • Exames laboratoriais (BNP/NT-proBNP);
    • Ecocardiograma;
    • Testes de esforço ou Holter;
    • Espirometria (avaliação pulmonar).

    Existe tratamento para a tosse de origem cardíaca?

    Quando a tosse persistente tem origem cardíaca, o foco do tratamento deve ser a condição que está sobrecarregando o coração e os pulmões.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, o tratamento pode envolver o uso de diuréticos para reduzir o acúmulo de líquidos, medicamentos específicos para insuficiência cardíaca, controle do ritmo em casos de arritmia e ajustes na pressão arterial. Em situações mais complexas, pode ser necessário tratar diretamente problemas nas válvulas cardíacas.

    À medida que o coração volta a funcionar de forma mais eficiente e a pressão nos pulmões diminui, a tosse tende a regredir de forma natural.

    Perguntas frequentes sobre tosse persistente

    1. A tosse persistente cardíaca é sempre seca ou pode ter catarro?

    Inicialmente, a tosse causada por problemas no coração costuma ser seca e persistente. Isso acontece porque o acúmulo de líquido nos pulmões (uma consequência da ineficiência do coração em bombear sangue) irrita as vias aéreas, mas ainda não é suficiente para gerar muco.

    No entanto, em casos mais graves, quando a congestão pulmonar aumenta, a tosse pode se tornar produtiva, isto é, com catarro.

    2. Existe algum horário do dia em que a tosse cardíaca piora?

    Sim, a tosse de origem cardíaca normalmente piora à noite ou quando a pessoa se deita. A posição deitada, também chamada de decúbito, facilita o retorno de fluidos dos membros inferiores para a circulação, aumentando a congestão nos pulmões e, consequentemente, a tosse.

    3. Quando devo procurar um médico se minha tosse persistir?

    A tosse comum costuma ser inofensiva, mas ela não deve ser ignorada quando se torna persistente. Procure atendimento médico se:

    • O sintoma durar mais de duas semanas;
    • Estiver acompanhado de falta de ar, dor no peito ou palpitações;
    • Houver perda de peso sem explicação;
    • Aparecer sangue no escarro;
    • Tiver histórico de problemas cardíacos.

    4. A tosse de origem cardíaca pode piorar com o exercício?

    Sim, porque o exercício físico aumenta a demanda de bombeamento do coração. Em uma pessoa com insuficiência cardíaca, por exemplo, o esforço sobrecarrega o coração, eleva a pressão nas veias pulmonares e, consequentemente, promove acúmulo de líquido nos pulmões. Isso intensifica a tosse e a sensação de falta de ar.

  • Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Quem nunca ficou sem fôlego depois de subir alguns lances de escada ou correr para não perder o ônibus? A falta de ar, também conhecida como dispneia, tende a ser uma resposta natural do corpo diante de um esforço físico. Em situações como essas, o organismo simplesmente exige mais oxigênio para manter o ritmo, e logo o fôlego se recupera.

    No entanto, a falta de ar nem sempre está ligada apenas ao esforço físico. Quando surge de maneira repentina, intensa, em repouso ou durante a noite, o sintoma pode indicar problemas cardíacos que precisam de atenção imediata.

    O cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto, do Hospital Albert Einstein, detalhou como identificar quando a falta de ar pode ter origem cardíaca, quais doenças estão por trás do quadro e quando é hora de procurar ajuda médica.

    Quando a falta de ar pode estar ligada ao coração?

    Nem todo cansaço é apenas consequência de estar fora de forma. De acordo com Giovanni Henrique Pinto, alguns sinais específicos podem indicar que o problema tem origem no coração. É importante procurar avaliação médica se a falta de ar:

    • Piora com pouco esforço: dificuldade para respirar em atividades leves que antes eram fáceis, como andar um ou dois quarteirões, ou piora rápida em dias ou semanas;
    • Aparece ao deitar: necessidade de usar mais travesseiros ou acordar de madrugada com a sensação de estar sufocando;
    • Vem acompanhada de outros sintomas: dor ou pressão no peito, palpitações, tontura, desmaio, inchaço nas pernas ou ganho de peso rápido e sem explicação;
    • Surge após infecção viral ou em quem já tem problemas cardíacos: pode indicar pericardite, miocardite ou agravamento de doença pré-existente.

    Qual a diferença entre cansaço comum e o cardíaco?

    Muitas vezes, o corpo apenas sinaliza esforço. Pessoas sedentárias, acima do peso ou que carregam objetos pesados podem sentir fôlego curto sem que isso represente doença. Nesses casos, o cansaço melhora rapidamente quando a atividade acaba, não aparece em repouso e não costuma vir com outros sintomas.

    Já quando a causa é cardíaca, a falta de ar surge em esforços cada vez menores e até ao deitar-se. Tosse noturna persistente, chiado no peito, palpitações, sensação de aperto no peito, inchaço nas pernas e cansaço desproporcional ao esforço são sinais de sobrecarga do coração.

    Quais condições cardíacas podem causar falta de ar?

    De acordo com o cardiologista, existem várias condições em que a falta de ar é frequente, como:

    • Insuficiência cardíaca: coração fraco que acumula líquido e dificulta a respiração;
    • Doença das artérias coronárias: inclui angina e infarto, causados por obstruções no fluxo sanguíneo;
    • Valvopatias: mau funcionamento das válvulas cardíacas, como estenose aórtica ou insuficiência mitral;
    • Arritmias: batimentos muito rápidos, lentos ou irregulares, que reduzem o oxigênio no corpo;
    • Miocardite e pericardite: inflamações do músculo ou membrana do coração, muitas vezes após infecções;
    • Pressão alta sem controle: força excessiva sobre o coração que pode gerar falta de ar;
    • Doenças congênitas: malformações de nascença que afetam a respiração.

    Quando procurar um cardiologista?

    A orientação é procurar um especialista sempre que a falta de ar se torna frequente, piora rapidamente, aparece em repouso ou ao deitar, ou quando surge com dor no peito, palpitações, tontura ou inchaço.

    Entre os exames para investigar estão: histórico clínico, exame físico, aferição de pressão, eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia de tórax, teste ergométrico, cintilografia, tomografia de coronárias, cateterismo, Holter e MAPA.

    Falta de ar: situações que exigem atendimento imediato

    Procure uma urgência se houver:

    • Falta de ar em repouso;
    • Lábios e extremidades azuladas;
    • Dor forte no peito;
    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Inchaço com ganho de peso rápido.

    Esses sintomas podem indicar complicações graves, como infarto ou insuficiência cardíaca aguda.

    É possível tratar a falta de ar causada por problemas no coração?

    Sim. O tratamento inclui controle da pressão arterial, diuréticos para insuficiência cardíaca, remédios para arritmias, correções de valvopatias, anti-isquêmicos e até procedimentos de revascularização, conforme Giovanni Henrique Pinto.

    Reabilitação cardíaca e prática de atividade física também são fundamentais. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e prevenção de complicações.

    Perguntas frequentes sobre falta de ar e coração

    1. É normal sentir falta de ar ao subir escadas?

    Sim, especialmente para quem está fora de forma. Preocupa quando piora em poucas semanas, exige paradas frequentes ou surge em atividades leves. Se vier com dor no peito, palpitações, tontura ou inchaço, procure um médico.

    2. A falta de ar pode ser um sintoma de infarto?

    Sim. Embora a dor no peito seja o sintoma mais conhecido, a falta de ar pode indicar angina ou infarto, principalmente em mulheres, idosos e diabéticos.

    3. É normal sentir falta de ar todos os dias?

    Não. Pode estar ligada a doenças do coração, pulmões, anemia ou ansiedade. Se for frequente, procure atendimento médico.

    4. A falta de ar pode ser só ansiedade?

    Sim. Crises de ansiedade podem causar respiração acelerada e sensação de aperto no peito. Apenas um médico pode diferenciar corretamente.

    5. Em que casos a falta de ar é uma emergência médica?

    Quando surge em repouso, com lábios azulados, dor forte no peito, desmaio, confusão mental ou inchaço repentino.

    6. A idade aumenta o risco de sentir falta de ar por problemas no coração?

    Sim. O envelhecimento torna artérias e músculo cardíaco mais rígidos, aumentando o risco de insuficiência cardíaca e estenose aórtica, que podem causar falta de ar, dor no peito e desmaios.

  • Como cuidar do coração durante o tratamento do câncer 

    Como cuidar do coração durante o tratamento do câncer 

    O tratamento contra o câncer é uma batalha que envolve força, coragem e, muitas vezes, uma agenda cheia de consultas e exames. Mas existe um detalhe que não pode ficar de fora dessa rotina, que é o cuidado com o coração.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto, que faz parte do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, explica que alguns medicamentos e terapias contra o câncer podem afetar diretamente o coração. “Além disso, o próprio câncer e o estado inflamatório aumentam o risco de eventos cardiovasculares”, alerta.

    É por isso que é importante cuidar do coração durante o tratamento do câncer.

    Por que o tratamento do câncer pode afetar o coração

    O coração pode sofrer pelos efeitos colaterais de certos remédios e pela própria resposta do corpo ao câncer. Isso significa que, além de cuidar do tumor, é importante prevenir que o tratamento traga problemas para o coração.

    Tratamentos oncológicos que merecem atenção para o coração

    Algumas terapias têm maior potencial de afetar o coração, segundo o cardiologista. Veja quais são:

    • Quimioterápicos: como as antraciclinas, usadas no tratamento de vários tipos de câncer;
    • Medicamentos-alvo: como o trastuzumabe, muito utilizado no câncer de mama;
    • Imunoterapia: pode causar inflamação no músculo cardíaco;
    • Radioterapia no tórax: pode lesionar diretamente estruturas do coração, como pericárdio, artérias coronárias e músculo cardíaco.

    “Esses tratamentos podem causar danos temporários ou permanentes ao coração, por isso é importante o acompanhamento cardiológico nesses pacientes”, explica o médico.

    Principais riscos cardíacos durante o tratamento

    O cardiologista conta alguns problemas que podem surgir durante o tratamento contra um câncer:

    • Insuficiência cardíaca: geralmente pelo uso de remédios como antraciclinas e trastuzumabe;
    • Arritmias: pelo uso de remédios como platinas e taxanos;
    • Pressão alta: pelo uso de inibidores da tirosina kinase e inibidores fator de crescimento angiogênico;
    • Isquemia miocárdica: por conta do remédio 5 fluoruracila;
    • Miocardite: principalmente por conta da imunoterapia.

    Exames importantes antes, durante e depois do tratamento do câncer

    Para acompanhar a saúde do coração, o médico que acompanha a pessoa em tratamento de câncer poderá solicitar:

    • Ecocardiograma com strain
    • Eletrocardiograma
    • Biomarcadores cardíacos
    • Testes de função cardíaca

    O papel do cardio-oncologista

    Por conta de remédios para tratamento de câncer causarem danos ao coração, hoje, inclusive, existem médicos especializados em cardio-oncologia, aptos a lidar e tratar questões cardíacas em decorrência do câncer.

    Esse profissional trabalha junto com o oncologista para garantir a segurança do tratamento. “O cardio-oncologista avalia o risco cardiovascular, monitora a função cardíaca e intervém precocemente caso surjam efeitos colaterais. O objetivo é manter o tratamento oncológico com segurança cardíaca”, destaca Giovanni Henrique Pinto.

    É possível prevenir danos ao coração?

    Sim. O médico explica que ajustar doses, monitorar precocemente e usar remédios que possam proteger o coração, como betabloqueadores, IECA ou estatinas, pode reduzir o risco.

    O que o paciente pode fazer no dia a dia

    • Evitar o sedentarismo, mas sempre com orientação médica;
    • Controlar a pressão e o colesterol;
    • Ter uma alimentação equilibrada;
    • Avisar o médico sobre qualquer sintoma novo no coração;
    • Continuar o acompanhamento mesmo após o fim do tratamento.

    Perguntas frequentes sobre cuidar do coração no tratamento do câncer

    1. Todo tratamento contra o câncer afeta o coração?

    Não. Apenas alguns remédios e terapias têm mais risco de afetar o coração, mas todos devem ser monitorados.

    2. Posso continuar fazendo exercícios durante o tratamento?

    Sim, desde que com liberação médica e acompanhamento adequado.

    3. A radioterapia sempre causa problemas no coração?

    Não, mas quando feita na região do tórax, pode afetar estruturas cardíacas.

    4. É preciso continuar acompanhando o coração depois do tratamento do câncer?

    Sim. É preciso fazer acompanhamento até o médico cardiologista liberar.

    5. Remédios cardioprotetores têm efeitos colaterais?

    Podem ter, mas os benefícios muitas vezes superam os riscos, especialmente com acompanhamento médico.

    6. Cuidar do coração durante o tratamento atrapalha o combate ao câncer?

    Pelo contrário, o objetivo de cuidar do coração durante o tratamento do câncer é fazer com que ele seja feito com segurança.

  • Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    O sal é um ingrediente presente em quase todas as refeições. No entanto, quando em excesso, ele pode ser muito prejudicial à saúde. Consumir muito sal está ligado um risco maior de pressão alta, sobrecarga dos rins e aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Venha entender a fundo por que o excesso de sal pode fazer tão mal a sua saúde e aprenda a deixar a comida saborosa mesmo usando o sal em menor quantidade.

    O que é considerado excesso de sal no Brasil?

    O sal, quimicamente conhecido como cloreto de sódio (NaCl), é muito importante para funções corporais, como o equilíbrio de fluidos e a transmissão de impulsos nervosos.

    “Porém, quando ingerido em quantidade excessiva, pode trazer riscos à saúde”, alerta Giovanni Henrique Pinto, médico especialista em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    É considerado excesso de sal quando se consome mais do que 5g por dia (cerca de 2g de sódio), ou o equivalente a mais do que uma colher de chá rasa.

    O problema é que, no Brasil, o consumo médio chega a quase o dobro disso, muito por conta dos alimentos industrializados, como pães, molhos e embutidos, que escondem quantidades altas de sódio.

    Como o excesso de sal prejudica coração e rins?

    Quando consumimos muito sal, nosso corpo retém mais água para diluí-lo e manter uma concentração adequada no sangue. Isso aumenta o volume de sangue nos vasos e obriga o coração a trabalhar mais, aumentando a pressão nas paredes das artérias, a chamada pressão arterial, e isso pode provocar pressão alta.

    “Nem todo mundo é igualmente sensível ao sódio. Há uma condição chamada ‘sensibilidade ao sal’, que varia geneticamente e é mais comum em algumas populações, como idosos ou pessoas com histórico familiar de hipertensão”, explica o médico.

    Os rins também sofrem com esse excesso de sal. Como são eles que filtram o sódio do sangue, esse esforço constante para eliminar o excesso pode causar danos e prejudicar a saúde dos rins ao longo do tempo.

    4 principais riscos do consumo excessivo de sal

    De acordo com o dr. Giovanni, os principais problemas associados ao excesso de sal incluem:

    • Pressão alta: o sal (sódio) em excesso aumenta a pressão sanguínea.
    • Problemas nos rins: os rins têm dificuldade para eliminar tanto sódio, o que pode levar a danos crônicos.
    • Inchaço: o corpo retém água para equilibrar o sódio, causando inchaço.
    • Risco cardiovascular: maior probabilidade de infarto e AVC.

    6 alimentos ricos em sal que você não imagina

    Boa parte do sal que consumimos não vem do saleiro. Ele está escondido em alimentos industrializados e ultraprocessados, como:

    • Embutidos, como presunto, salame e salsicha;
    • Queijos amarelos;
    • Pães, bolachas e biscoitos;
    • Temperos prontos e molhos industrializados;
    • Salgadinhos;
    • Fast-food.

    “Nesses alimentos temos muito ingredientes ocultos, como aditivos e conservantes, que podem conter altos níveis de sódio”, destaca o médico.

    Como reduzir o sal sem perder o sabor: 4 dicas práticas

    Reduzir o sal não significa comer comida sem graça. Há várias maneiras de temperar de forma saborosa e ter uma alimentação saudável com baixo consumo de sódio:

    • Use ervas frescas ou secas como alecrim, orégano, salsinha, manjericão;
    • Adicione alho e cebola para dar mais sabor;
    • Substitua o sal por limão ou vinagre em saladas e carnes;
    • Experimente pimentas frescas ou em pó, que dão gosto e estimulam o apetite.

    “É importante estar consciente dos alimentos que você consome, ler os rótulos nutricionais, cozinhar mais em casa e usar alternativas saudáveis para temperar os alimentos. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na sua saúde a longo prazo”, diz o médico.

    Por que é tão difícil comer menos sal?

    Além do costume, o dia a dia corrido favorece o consumo de comidas prontas e industrializadas. Segundo o médico, o maior desafio é mudar o paladar e os hábitos. “As pessoas se acostumam ao sabor salgado dos alimentos e podem achar difícil adaptar-se a uma dieta com menos sal”, conta.

    Outro problema é a dificuldade de encontrar opções saudáveis e com bom preço, principalmente em grandes cidades, onde comer fora de casa se tornou rotina. Restaurantes por quilo, lanchonetes e fast-foods costumam exagerar no sal para realçar o sabor dos alimentos.

    A falta de informação também é outra questão. O cardiologista adverte que nem todos sabem como ler rótulos nutricionais ou identificar alimentos com muito sódio, assim como nem todo rótulo deixa claro o que realmente contém no produto.

    Políticas públicas e educação para reduzir o sal

    Campanhas de conscientização, leis de rotulagem e iniciativas do governo têm ajudado os consumidores a fazer escolhas melhores em relação ao sal. No Brasil, os rótulos de alimentos precisam destacar o alto teor de sódio, o que já é um grande avanço.

    “Em nosso país, a normatização da rotulagem nutricional clara e obrigatória ajuda os consumidores a identificarem alimentos com alto teor de sódio e a fazerem escolhas mais saudáveis”, comenta o especialista.

    Por fim, Giovanni acredita que se deve incentivar a indústria alimentícia a reformular os produtos para reduzir a quantidade de sal, açúcar e gordura, o que tornaria os alimentos industrializados mais saudáveis.

    Perguntas frequentes sobre excesso de sal

    1. Quanto sal posso consumir por dia?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda:

    • Adultos: máximo 5g de sal por dia (1 colher de chá)
    • Crianças: até 2g de sal por dia
    • Realidade brasileira: consumo médio de 9g/dia (80% acima do recomendado)

    2. Todo tipo de sal faz mal?

    O problema está no excesso, não no tipo. Sal rosa, marinho ou light têm sódio e devem ser usados com moderação.

    3. Como saber se um alimento tem muito sal?

    Leia os rótulos. Se tiver mais de 400 mg de sódio por porção, já é considerado alto.

    4. O que fazer para mudar o paladar?

    Reduza o sal aos poucos e use mais temperos naturais. Com o tempo, seu paladar se adapta.

    5. Comer menos sal melhora a pressão?

    Sim. Reduzir o sódio pode ajudar a controlar a pressão e diminuir o risco de problemas no coração e nos rins.