Autor: Dr. Giovanni Henrique Pinto

  • Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    Check-up cardíaco: quais exames fazer e com que frequência

    O coração trabalha 24 horas por dia, sem pausa para descanso. E, assim como um carro que precisa de revisão para não quebrar no meio da estrada, o coração também merece atenção preventiva. É aí que entra o check-up cardíaco, um conjunto de exames que ajuda a identificar riscos e prevenir problemas antes que eles apareçam.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, explica que a partir dos 40 anos mesmo quem não tem fatores de risco já deve começar a avaliação.

    “Mas se houver histórico familiar de doenças cardíacas, diabetes, hipertensão ou colesterol alto, o check-up deve começar antes, por volta dos 30 ou 35 anos”, recomenda.

    Quando começar o check-up do coração

    Se você tem um histórico familiar de infarto ou AVC, a recomendação é antecipar o check-up cardíaco.

    “Se um parente de primeiro grau teve infarto ou AVC antes dos 55 anos, no caso de homens, ou 65 anos, para mulheres, é indicado iniciar a avaliação 10 anos antes da idade em que o evento ocorreu”, orienta Giovanni.

    Exames básicos que fazem parte do check-up cardíaco

    Segundo o cardiologista, todo check-up começa com exames essenciais:

    • Eletrocardiograma: exame que registra a atividade elétrica do coração e ajuda a detectar arritmias.
    • Dosagem de colesterol e glicemia: exame que mede as gorduras e o açúcar no sangue, fatores ligados a doenças cardíacas.
    • Avaliação da pressão arterial: verifica se a pessoa tem pressão alta, um dos maiores problemas para o coração.

    Exames complementares que podem ser solicitados no check-up cardíaco

    Dependendo do perfil e histórico da pessoa, o médico pode pedir outros exames do coração para avaliar pontos específicos. Alguns deles são:

    • Ecocardiograma: ultrassom que mostra o funcionamento do coração.
    • Teste ergométrico: é o famoso teste da esteira, que avalia o desempenho do coração sob esforço intenso.
    • MAPA ou Holter: monitoram a pressão arterial ou o ritmo cardíaco por 24 horas.
    • Cintilografia miocárdica ou angiotomografia coronariana: em casos selecionados, para avaliar fluxo sanguíneo e artérias do coração.

    Esses são exames para prevenir infarto e outros problemas cardiovasculares.

    Homens e mulheres: exames iguais, mas atenção diferente

    De maneira geral, os homens e as mulheres fazem os mesmos exames do coração. “No entanto, mulheres podem apresentar sintomas atípicos de doenças cardíacas e, por isso, a avaliação pode incluir exames mais específicos”, diz o médico.

    “A menopausa também é um fator de risco e devemos estar atentos a esse período de vida das mulheres”, alerta o cardiologista. Nessas situações, o médico pode recomendar exames extras.

    Com que frequência repetir os exames

    A resposta depende do risco cardiovascular de cada um. A partir do primeiro check-up cardíaco, o médico saberá dizer quando deve ser feito o próximo.

    • Baixo risco, sem outros fatores de risco: a cada 2 a 3 anos.
    • Risco moderado: anualmente.
    • Alto risco ou portadores de doenças cardiovasculares: anual ou até semestral, conforme orientação médica.

    Check-up cardiológico detecta risco de infarto?

    Sim, o check-up cardíaco consegue detectar risco de infarto, conta o cardiologista.

    “Por meio da análise dos fatores de risco e exames, é possível estimar a chance de eventos cardiovasculares e adotar medidas preventivas”, afirma o médico.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto conta que exames como escore de cálcio e teste ergométrico podem identificar placas nas artérias ou isquemia silenciosa, que é quando o coração sofre falta de sangue sem causar sintomas.

    Sintomas que merecem atenção fora da rotina

    Apesar de fazer o check-up regularmente, não espere a data do próximo exame cardiológico para procurar ajuda se sentir:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar ao se esforçar;
    • Tontura ou desmaios;
    • Palpitações;
    • Inchaço nas pernas.

    Esses são sinais que você deve procurar um médico imediatamente para investigar o que está acontecendo.

    Check-up cardiológico normal significa risco zero?

    Infelizmente, não. “O risco cardiovascular pode mudar com alterações nos hábitos, peso, pressão e colesterol. Por isso, mesmo com exames normais, é fundamental manter hábitos saudáveis e reavaliar periodicamente”, reforça o Dr. Giovanni.

    Veja também: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

    Perguntas frequentes sobre check-up cardíaco

    1. Check-up cardíaco dói?

    Não. Os exames são simples e não invasivos na maioria dos casos.

    2. Preciso fazer jejum para o check-up?

    Para exames de sangue, sim, geralmente de 8 a 12 horas.

    3. Posso fazer check-up grávida?

    Alguns exames são seguros, mas é preciso informar o médico para adaptar a avaliação.

    4. Quanto custa um check-up cardíaco?

    O valor varia conforme a quantidade de exames solicitados e o local. Os planos de saúde também cobrem os exames que constam no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

    5. Atletas também precisam fazer check-up?

    Sim. A avaliação ajuda a garantir que o coração está preparado para esforços intensos.

    6. Quem nunca teve sintomas precisa fazer?

    Sim. O objetivo é prevenir e identificar riscos antes dos sintomas aparecerem e manter a saúde do coração.

    7. Existe idade máxima para fazer check-up?

    Não. A avaliação é importante em qualquer fase da vida.

    8. O check-up substitui hábitos saudáveis?

    De forma alguma. Ele complementa a prevenção, para que os médicos consigam intervir precocemente caso necessário, mas não dispensa alimentação equilibrada, exercícios e controle do estresse.

    Confira: Como organizar um check-up médico anual? Veja algumas dicas que podem te ajudar

  • Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Você já ouviu falar no termo coração de atleta? Quando uma pessoa se exercita com regularidade, o coração passa por mudanças estruturais e funcionais que tornam o funcionamento mais eficiente e adaptado ao esforço.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as mudanças fazem parte de uma resposta natural do organismo. Um coração adaptado ao exercício consegue bombear mais sangue a cada batimento e, ao mesmo tempo, trabalhar com uma frequência mais baixa, reduzindo o esforço necessário para manter o corpo em funcionamento.

    O especialista esclarece que as mudanças são visíveis em exames como ecocardiograma e eletrocardiograma, mas é importante que médicos e atletas saibam reconhecê-las para não confundi-las com doenças cardíacas. Afinal, o que é uma adaptação de alta performance para um maratonista pode ser um sinal de alerta para uma pessoa sedentária.

    O que acontece com o coração de quem treina pesado?

    Quando você treina com intensidade e regularidade, o coração (que é, essencialmente, um músculo) passa por um remodelamento cardíaco fisiológico. Segundo Giovanni, as mudanças variam conforme o tipo de exercício, mas algumas adaptações são comuns em quem mantém uma rotina de treinos:

    • Câmaras do coração maiores: o ventrículo esquerdo, que bombeia o sangue para o corpo, pode aumentar de tamanho. Isso permite que mais sangue seja enviado a cada batimento, algo muito comum em esportes de resistência, como corrida, natação e ciclismo;
    • Paredes do coração mais fortes: em atividades de força, como musculação e lutas, as paredes do coração podem ficar um pouco mais espessas. Isso acontece como resposta ao esforço e ao aumento da pressão durante o exercício;
    • Mais sangue a cada batimento: o coração treinado consegue bombear uma quantidade maior de sangue em cada contração. Com isso, ele não precisa bater tantas vezes para dar conta das necessidades do corpo;
    • Melhor relaxamento do coração: entre um batimento e outro, o coração consegue relaxar e se encher de sangue com mais facilidade, o que melhora ainda mais o funcionamento.

    Em pessoas com coração de atleta, também é possível observar a redução da frequência cardíaca em repouso, ou bradicardia sinusal, com frequências entre 40 e 60 batimentos por minuto, ou até abaixo disso em atletas de elite.

    Isso é consequência direta do maior volume sistólico: o coração não precisa bater com tanta frequência para cumprir sua função, segundo Giovanni.

    “Mas existe um ponto importante: a bradicardia só é saudável quando assintomática. Se a pessoa apresenta tontura, fadiga, síncope ou intolerância ao exercício com frequências baixas, é necessária avaliação médica, pois pode haver uma bradicardia patológica associada”, complementa o cardiologista.

    Coração de atleta é considerado saudável?

    Na maioria dos casos, sim. Giovanni explica que as modificações do coração do atleta estão associadas a menor risco cardiovascular, maior longevidade e melhor qualidade de vida.

    “Atletas e pessoas fisicamente ativas têm, em média, menor incidência de hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca e morte súbita do que sedentários. Isso está diretamente relacionado às adaptações positivas que o exercício regular promove no coração e em todo o sistema cardiovascular” explica o cardiologista.

    Vale destacar que as pessoas ativas também podem desenvolver doenças cardíacas, e alguns problemas que estavam silenciosos podem aparecer justamente durante exercícios mais intensos. Por isso a importância do acompanhamento com um cardiologista, principalmente para quem treina com frequência ou em alta intensidade.

    Como diferenciar o coração de atleta de uma doença cardíaca?

    É preciso fazer uma avaliação cuidadosa para diferenciar o que é uma adaptação saudável do que pode indicar um problema, já que algumas alterações vistas nos exames de atletas podem parecer, à primeira vista, iguais às de doenças cardíacas mais sérias.

    Segundo o Giovanni, alguns pontos ajudam nessa distinção:

    • História clínica e familiar: o médico avalia se existem casos de doenças cardíacas na família. Sintomas como desmaio durante o exercício, palpitações fortes ou dor no peito são um sinal de alerta;
    • Resposta ao tempo sem treino: quando a mudança no coração é apenas uma adaptação ao exercício, ela costuma diminuir ou até desaparecer após um período sem treinar, normalmente entre 3 e 6 meses. Isso não acontece em doenças cardíacas;
    • Exames complementares: podem ser necessários exames mais detalhados, como ressonância cardíaca, teste de esforço, Holter ou outros, para confirmar o diagnóstico.

    “Isso reforça que a avaliação de atletas de alto rendimento deve ser feita por cardiologistas com experiência em medicina esportiva”, diz Giovanni.

    Existe risco em treinar demais?

    A atividade física regular contribui com vários benefícios para o coração, mas existe um limite entre o que é uma adaptação saudável e o que pode virar sobrecarga. Isso vale principalmente para quem pratica esportes de resistência por muitos anos, com treinos muito intensos.

    Segundo Giovanni, a saúde do coração não melhora sem parar conforme você aumenta o treino. Para a maioria das pessoas, a recomendação de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada já é suficiente para fortalecer o músculo cardíaco, melhorar a circulação e prevenir doenças cardiovasculares.

    Treinar muito além disso pode até melhorar o desempenho, mas não significa, necessariamente, mais saúde.

    Riscos do treinamento extremo (ultra-endurance)

    Pessoas que treinam por muitos anos com volumes e intensidades muito altos, como maratonistas e triatletas, podem apresentar algumas alterações no coração:

    • Fibrilação atrial: aumento na incidência de arritmias cardíacas devido ao estresse crônico nas câmaras superiores do coração (átrios);
    • Fibrose miocárdica: pequenas cicatrizes no tecido do coração resultantes de anos de inflamação e esforço extremo;
    • Calcificação de artérias: em alguns casos, atletas de elite podem apresentar maior acúmulo de cálcio nas coronárias do que pessoas moderadamente ativas.

    Para quem treina em alta intensidade, o acompanhamento cardiológico regular é necessário para garantir que o coração está apenas se adaptando ao esforço, e não sofrendo uma sobrecarga que possa comprometer a saúde a longo prazo.

    Como o exercício transforma o coração sedentário (em qualquer idade)?

    O coração humano é extremamente responsivo à prática de atividades físicas, independentemente da idade em que se começa. Quando você começa uma rotina regular de treinos, nas primeiras semanas, já é possível observar reduções na frequência cardíaca de repouso, melhora da capacidade aeróbica e redução da pressão arterial.

    “Com meses a anos de treinamento progressivo, é possível observar adaptações estruturais no coração, como aumento do volume das câmaras e melhora da função diastólica, semelhantes (em menor grau) às observadas em atletas”, explica Giovanni.

    Segundo estudos, o exercício físico pode reverter danos do sedentarismo no coração. Mesmo em idades mais avançadas, o treino de endurance com supervisão médica atua diretamente contra o enrijecimento cardíaco, melhorando a performance do órgão e a longevidade.

    “Portanto, nunca é tarde para começar. O coração de quem começa a se exercitar hoje não será idêntico ao de um atleta que treina há décadas — mas será significativamente mais saudável do que o de quem permanece sedentário. E isso tem impacto direto na qualidade e na expectativa de vida”, finaliza o cardiologista.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Por que atletas têm batimentos cardíacos baixos?

    Como o coração de atleta ejeta um volume maior de sangue a cada batida, ele não precisa bater tantas vezes para manter o corpo funcionando em repouso.

    2. Qual é a frequência cardíaca de repouso normal para um atleta?

    Normalmente entre 40 e 60 bpm, mas atletas de elite de alto rendimento podem chegar a registrar entre 30 e 40 bpm.

    3. O que é hipertrofia ventricular esquerda fisiológica?

    É o espessamento das paredes do ventrículo esquerdo como resposta natural ao treino de força ou resistência, sem causar prejuízos à saúde.

    4. Qual o melhor exame para avaliar o coração de quem treina?

    O ecocardiograma e o eletrocardiograma (ECG) são os principais, mas o teste ergométrico ajuda a ver como o coração reage ao esforço.

    5. O que é o volume sistólico e por que ele aumenta no atleta?

    É a quantidade de sangue que o coração expulsa em cada batida. No atleta, o ventrículo se dilata e se torna mais elástico, permitindo que ele se encha mais e bombeie um volume maior de sangue a cada pulsação.

    6. Existe diferença entre o coração de quem faz crossfit e quem corre?

    Sim. As práticas de força (como crossfit ou musculação) tendem a promover mais o espessamento das paredes cardíacas. Já esportes de endurance (corrida, ciclismo) promovem mais a dilatação das câmaras para lidar com o volume de sangue.

    7. Por que é importante o histórico familiar na avaliação do atleta?

    Muitas doenças que causam morte súbita em esportistas são genéticas e silenciosas. Saber se houve casos de desmaios ou mortes precoces na família é crucial para garantir a segurança de quem treina em alta intensidade.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Treino na gravidez: por que é importante monitorar a frequência cardíaca? 

    Treino na gravidez: por que é importante monitorar a frequência cardíaca? 

    O aumento do volume sanguíneo, a dilatação dos vasos periféricos e o aumento da quantidade de sangue bombeado por minuto são algumas das principais alterações que acontecem durante a gravidez, o que faz com que o sistema cardiovascular da mulher trabalhe de forma mais intensa ao longo de toda a gestação.

    Por isso, quando a gestante tem uma rotina regular de treinos, é importante uma atenção especialmente na frequência cardíaca. “Uma frequência cardíaca elevada por tempo prolongado pode comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário — ou seja, o sangue que chega até o bebê”, explica o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    Além disso, em casos de gestantes com condições de risco, como cardiopatias ou hipertensão, o especialista esclarece que o exercício sem monitoramento pode desencadear eventos mais graves. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a gravidez muda a frequência cardíaca?

    Desde o primeiro trimestre, Giovanni explica que a frequência cardíaca de repouso tende a aumentar de forma progressiva, podendo ficar entre 10 e 20 batimentos por minuto acima do habitual. O coração precisa bombear mais sangue de forma contínua, tanto para o organismo materno quanto para a placenta e o bebê.

    Por consequência, a gestante passa a atingir frequências mais altas com esforços menores do que antes da gravidez. “Em outras palavras, um exercício que antes parecia leve pode se tornar moderado ou até intenso durante a gestação — mesmo que a sensação subjetiva de esforço ainda não seja tão grande”, complementa o cardiologista.

    Por isso, é necessário ajustar os parâmetros de intensidade ao longo da gravidez, em vez de simplesmente manter a mesma rotina de antes de engravidar.

    Qual a frequência cardíaca ideal para gestantes durante o treino?

    Não existe uma única frequência cardíaca ideal que sirva para todas as gestantes durante o treino, uma vez que a resposta do coração varia de acordo com a idade, o nível de condicionamento físico, o estágio da gestação e até a presença de alguma condição clínica.

    Segundo Giovanni, a orientação mais atual envolve observar como a gestante se sente durante o exercício. As ferramentas como a percepção de esforço (Escala de Borg) e o “teste da fala” (conseguir conversar enquanto se exercita) ajudam a entender se a intensidade está adequada.

    A frequência cardíaca continua sendo um parâmetro útil, especialmente quando associada à avaliação médica prévia e ao acompanhamento profissional.

    “Gestantes sem complicações e com boa aptidão cardiovascular podem tolerar esforços moderados a intensos, enquanto outras precisam de restrições mais rígidas”, aponta o cardiologista.

    Smartwatches são confiáveis para monitorar a frequência cardíaca?

    Os dispositivos vestíveis, como smartwatches e monitores de frequência cardíaca, podem ajudar a gestante a ter mais consciência sobre a intensidade do exercício. Mas, apesar de práticos e acessíveis, eles não devem substituir a avaliação médica.

    “Esses dispositivos mostram o que está acontecendo, mas não conseguem avaliar se aquela frequência é segura para uma gestante específica. Por exemplo, uma frequência de 160 bpm pode ser adequada para uma gestante com bom condicionamento e acompanhamento adequado, mas pode não ser segura para outra com algum risco cardiovascular”, detalha Giovanni.

    Portanto, o cardiologista orienta que a gestante tenha uma avaliação cardiológica antes de iniciar ou manter um programa de exercícios. Os dispositivos podem ser usados como auxílio, não como única referência de segurança.

    Como ajustar a intensidade do exercício conforme o trimestre da gestação?

    A intensidade do exercício na gestação precisa ser ajustado conforme as mudanças do corpo e como a gestante se sente em cada fase:

    • Primeiro trimestre: as principais preocupações são o risco de aumento excessivo da temperatura corporal e os enjoos e a fadiga frequentes. Giovanni aponta que exercícios moderados costumam ser bem tolerados, mas é importante evitar ambientes muito quentes e manter uma boa hidratação;
    • Segundo trimestre: muitas mulheres se sentem com mais energia, e esse costuma ser o período mais confortável para se exercitar. Ainda assim, é importante evitar exercícios deitada de costas por muito tempo, pois o útero pode comprimir um vaso importante e prejudicar a circulação;
    • Terceiro trimestre: o crescimento da barriga muda o equilíbrio do corpo e aumenta o risco de quedas. Também pode surgir mais falta de ar, já que o útero pressiona o diafragma. Por isso, atividades de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica e yoga para gestantes, costumam ser as mais indicadas.

    “Em todas as fases, a avaliação médica prévia e o acompanhamento de um profissional de educação física são fundamentais”, complementa Giovanni.

    Como se exercitar com segurança na gravidez?

    A primeira orientação para gestantes que planejam manter uma rotina de treinos é procurar a orientação de um médico. Como cada mulher apresenta um nível de condicionamento e história clínica diferente, a avaliação individual consegue definir o que é seguro em cada caso.

    Mas, de maneira geral, Giovanni aponta alguns cuidados:

    • Prefira exercícios de intensidade moderada, como caminhada, natação, hidroginástica, bicicleta estacionária e pilates gestacional;
    • Evite atividades com risco de impacto abdominal, quedas ou contato físico;
    • Não se exercite em ambientes muito quentes ou úmidos, e mantenha-se bem hidratada;
    • Respeite os sinais do próprio corpo: dor, sangramento, falta de ar excessiva, tontura ou contrações são sinais para interromper imediatamente o exercício e buscar avaliação médica;
    • Evite longas permanências deitada de costas (decúbito dorsal) a partir do segundo trimestre;
    • Exercitar-se com regularidade é mais benéfico do que sessões esporádicas e intensas.

    “A gestação não é um período de inatividade — ao contrário, exercícios regulares e adequados trazem benefícios comprovados para a mãe e para o bebê. O segredo está na individualização e no acompanhamento profissional”, finaliza o cardiologista.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É perigoso o coração bater rápido demais durante o treino gestacional?

    Sim, se ultrapassar os limites de segurança por muito tempo. Batimentos excessivos podem reduzir temporariamente o fluxo de oxigênio para o bebê e causar hipertermia (aumento da temperatura corporal) na mãe.

    2. Posso fazer exercícios de alta intensidade se eu já era atleta?

    Sim, mas sob supervisão rigorosa. Atletas podem manter intensidades maiores, porém o monitoramento da frequência cardíaca e da temperatura deve ser constante para evitar o estresse fetal.

    3. O que é o “teste da fala” no exercício para gestantes?

    É uma forma prática de medir a intensidade: se a gestante consegue conversar enquanto se exercita, a frequência cardíaca está em uma zona segura. Se ficar ofegante demais para falar, deve reduzir o ritmo.

    4. Como o monitoramento cardíaco ajuda a evitar a pré-eclâmpsia?

    O monitoramento ajuda a controlar o esforço cardiovascular, evitando picos de pressão arterial e garantindo que o exercício atue de forma benéfica na saúde dos vasos sanguíneos.

    5. O que fazer se a frequência cardíaca subir muito rápido no início do treino?

    Pare ou reduza a intensidade imediatamente. Isso pode ser sinal de desidratação, cansaço acumulado ou necessidade de um aquecimento mais longo e gradual.

    6. Quando os batimentos indicam que devo procurar um médico?

    Se após interromper o exercício a frequência cardíaca demorar muito a baixar ou se você sentir arritmia (batimentos irregulares), dor no peito ou tontura extrema.

    7. É seguro treinar em dias muito quentes?

    Não é recomendado, pois o calor ambiente somado ao esforço físico eleva a frequência cardíaca e a temperatura interna, o que é arriscado para o desenvolvimento do bebê.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Frequência cardíaca durante o treino: por que é importante monitorar e como calcular

    Frequência cardíaca durante o treino: por que é importante monitorar e como calcular

    Se você já usou um smartwatch durante o treino, provavelmente já viu aquele número piscando na tela, indicando os batimentos por minuto do seu coração. Mas você sabe o que fazer com a informação?

    A frequência cardíaca é um dos indicadores mais úteis para entender como o corpo está respondendo ao esforço físico. Ela mostra, em tempo real, o quanto o coração está trabalhando para enviar oxigênio e nutrientes aos músculos durante o exercício.

    Quanto mais intensa é a atividade, maior tende a ser o número de batimentos por minuto. Por isso, acompanhar a frequência cardíaca ajuda a ajustar o ritmo do treino, evitando tanto uma intensidade insuficiente quanto uma sobrecarga excessiva, além de indicar se o exercício está dentro de uma faixa adequada para o objetivo desejado.

    Para que os números realmente façam diferença, no entanto, é importante entender o que eles significam e como utilizá-los na prática. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que monitorar os batimentos durante o treino é tão importante?

    O coração funciona como uma bomba que ajusta o seu ritmo conforme a demanda do corpo.

    “Durante o exercício, os músculos precisam de mais oxigênio — e o coração responde acelerando os batimentos para entregar mais sangue oxigenado. Quanto maior a intensidade do esforço, maior a frequência cardíaca”, explica o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    O monitoramento da frequência cardíaca durante o treino ajuda a entender se a intensidade da atividade está adequada para o objetivo, seja melhorar o condicionamento físico, favorecer a queima de gordura ou manter um treino seguro, sem sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    Para pessoas que convivem com doenças cardíacas, hipertensão ou diabetes, o acompanhamento não é apenas útil, mas pode ser uma parte importante do controle da saúde.

    Como calcular a sua frequência cardíaca máxima?

    A frequência cardíaca máxima, conhecida como FCmáx, corresponde ao limite teórico de batimentos por minuto que o coração pode atingir durante um esforço máximo. Segundo Giovanni, é um valor de referência usado para definir as zonas de treinamento, e não de um objetivo que deve ser alcançado durante o exercício.

    A fórmula mais utilizada é simples:

    FCmáx = 220 − idade

    Vale apontar que a fórmula representa apenas uma estimativa populacional, e não uma medida individual exata. Existe uma variação natural entre pessoas da mesma idade.

    Giovanni explica que fórmulas mais recentes, como a proposta por Tanaka (FCmáx = 208 − 0,7 × idade), são consideradas ligeiramente mais precisas em adultos. Ainda assim, na prática clínica e esportiva, a fórmula tradicional continua sendo amplamente utilizada devido à simplicidade.

    A forma mais precisa de determinar a frequência cardíaca máxima real é por meio de um teste ergométrico, realizado sob supervisão médica.

    Relógios e aplicativos são confiáveis para medir a frequência?

    O uso de relógios inteligentes e aplicativos tornou o monitoramento da frequência cardíaca muito mais acessível, mas a precisão das medições pode variar conforme a tecnologia utilizada.

    • Os monitores com cinta torácica captam diretamente o sinal elétrico do coração e apresentam alta precisão, próxima da obtida em exames como o eletrocardiograma para fins de treino;
    • Já os smartwatches com sensores ópticos de pulso, que estimam a frequência cardíaca a partir do fluxo sanguíneo na pele, costumam ser bastante práticos e relativamente precisos em repouso e em exercícios de baixa a moderada intensidade.

    Em atividades de alta intensidade, porém, Giovanni esclarece que movimentos bruscos ou suor excessivo podem reduzir a precisão das leituras.

    “Para quem treina por saúde geral, os smartwatches são ferramentas úteis e práticas. Para atletas que precisam de dados precisos para periodização, ou para pacientes cardíacos que monitoram frequência por indicação médica, a cinta torácica ou o teste supervisionado são mais confiáveis”, complementa o cardiologista.

    Zonas de treinamento cardíaco: como elas funcionam?

    As zonas de treinamento cardíaco são faixas de batimentos por minuto usadas para medir a intensidade do exercício. Cada zona representa um nível diferente de esforço do corpo durante a atividade física:

    • Zona 1 (50–60% da FCmáx): intensidade muito leve, voltada para recuperação ativa e manutenção da saúde geral;
    • Zona 2 (60–70% da FCmáx): intensidade leve, associada à melhora da capacidade aeróbica e à utilização de gordura como fonte de energia;
    • Zona 3 (70–80% da FCmáx): intensidade moderada, voltada para o condicionamento cardiovascular;
    • Zona 4 (80–90% da FCmáx): intensidade alta, associada ao aumento do desempenho e da resistência;
    • Zona 5 (90–100% da FCmáx): esforço máximo, que só pode ser mantido por períodos curtos.

    Para a maioria das pessoas que praticam atividade física com foco na saúde, as zonas 2 e 3 costumam ser as mais indicadas, pois oferecem um equilíbrio entre eficiência, segurança e sustentabilidade.

    Treinar sempre na frequência mais alta é melhor para o coração?

    A resposta é não. Na prática, o coração responde melhor a estímulos variados do que a um esforço constante em alta intensidade.

    Quando o exercício é realizado frequentemente em níveis muito altos de frequência cardíaca, o organismo entra em um estado de estresse fisiológico contínuo.

    O coração precisa trabalhar mais para manter o fluxo de sangue e oxigênio para os músculos, enquanto outros sistemas do corpo também são exigidos, como o sistema respiratório e o sistema hormonal.

    Com o tempo, a ausência de períodos adequados de recuperação pode levar a:

    • Síndrome do overtraining (supertreinamento): ocorre quando o corpo recebe cargas de treino elevadas sem tempo suficiente para recuperação, causando fadiga persistente, dificuldade de recuperação e queda de desempenho;
    • Arritmias em atletas com alto volume de treino: a sobrecarga repetida sobre o coração, especialmente em treinos muito intensos e frequentes, pode favorecer alterações no ritmo cardíaco em alguns atletas;
    • Aumento do risco de lesões musculoesqueléticas: músculos, tendões e articulações precisam de tempo para se recuperar. Sem descanso adequado, o risco de distensões e lesões por sobrecarga aumenta;
    • Queda do desempenho a longo prazo: o excesso de intensidade sem recuperação suficiente pode comprometer as adaptações do organismo e levar à redução progressiva do desempenho físico.

    “Pesquisas em cardiologia esportiva mostram que a maioria dos atletas de alto rendimento passa cerca de 80% do tempo de treino em baixa intensidade (zonas 1 e 2), com apenas 20% em alta intensidade. Esse modelo, conhecido como treinamento polarizado, tem base científica sólida e é recomendado tanto para desempenho quanto para saúde cardiovascular”, explica Giovanni.

    Pessoas com hipertensão ou doenças cardíacas devem seguir limites diferentes?

    Para pessoas com hipertensão ou doenças cardíacas, o exercício físico continua sendo muito recomendado, mas a intensidade do exercício precisa ser adequada à condição de cada pessoa.

    Em situações como insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana ou histórico de infarto, a prática de exercício costuma ser orientada dentro de programas de reabilitação cardíaca, nos quais a intensidade do esforço é monitorada de forma controlada.

    Já no caso de pessoas que utilizam betabloqueadores, Giovanni explica que as fórmulas tradicionais usadas para estimar a frequência cardíaca máxima podem não refletir corretamente os limites seguros de treino.

    Isso porque os remédios, frequentemente prescritos para hipertensão e arritmias, reduzem a frequência cardíaca em repouso e durante o esforço. Logo, o número de batimentos por minuto deixa de refletir com precisão a intensidade real do exercício.

    “A recomendação para qualquer pessoa com doença cardiovascular conhecida é: consultar o médico antes de iniciar ou intensificar um programa de exercícios e, idealmente, realizar um teste ergométrico para determinar os limites seguros individuais”, orienta o cardiologista.

    Como saber se a frequência cardíaca está excessiva ou perigosa durante o treino?

    Além dos números do relógio ou monitor cardíaco, alguns sintomas indicam que a intensidade pode estar excessiva, como:

    • Dor ou pressão no peito;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço;
    • Palpitações irregulares;
    • Náusea durante o exercício.

    Se qualquer um desses sinais aparecer, o treino deve ser interrompido e pode ser necessária avaliação médica.

    Além dos sinais, Giovanni aponta dois métodos que ajudam a avaliar a intensidade do exercício:

    • Teste da conversa (Talk Test): se durante o exercício você consegue falar frases completas, a intensidade provavelmente está moderada. Se consegue dizer apenas palavras curtas, o esforço já está alto. Se não consegue falar, o exercício está próximo do limite;
    • Escala de Borg (percepção de esforço): mede o cansaço em uma escala de 6 a 20, ou de 0 a 10 na versão simplificada. Para treinos voltados à saúde, o ideal costuma ficar entre 12 e 14, o que corresponde a um esforço moderado.

    Existe uma frequência cardíaca ideal diferente para iniciantes e atletas?

    As fórmulas para calcular a frequência cardíaca máxima são as mesmas, mas o coração de uma pessoa treinada responde de forma diferente ao esforço.

    Com o treino regular, Giovanni explica que o coração se torna mais eficiente: a cada batimento ele bombeia mais sangue, o que reduz a frequência cardíaca em repouso e durante atividades leves. Por isso, atletas de resistência podem apresentar batimentos de repouso bastante baixos.

    Na prática, a intensidade do treino deve respeitar o nível de condicionamento:

    • Iniciantes: devem começar nas zonas 1 e 2 (50–70% da FCmáx), priorizando adaptação e criação de rotina;
    • Intermediários e avançados: podem incluir treinos mais frequentes nas zonas 3 e 4;
    • Atletas: alternam períodos de baixa intensidade com sessões mais intensas, dentro de uma programação estruturada.

    “A regra universal, independentemente do nível: progredir gradualmente, respeitar a recuperação e escutar o corpo”, finaliza o cardiologista.

    Leia mais: O que o cardiologista observa no seu exame de sangue

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece se eu treinar acima da minha frequência cardíaca máxima?

    Treinar no limite extremo (zona 5) por muito tempo causa fadiga muscular precoce, acúmulo de ácido lático e, em casos graves, arritmias ou sobrecarga cardíaca. O corpo não sustenta essa intensidade por muito tempo.

    2. O cálculo para homens e mulheres é o mesmo?

    Nas fórmulas genéricas sim, mas estudos sugerem que o coração feminino tende a bater um pouco mais rápido. Algumas fórmulas específicas para mulheres, como a de Gulati (206 – (0,88 x idade)), são usadas por especialistas para maior precisão.

    3. Por que minha frequência sobe muito rápido no calor?

    O coração precisa bombear sangue não só para os músculos, mas também para a pele para resfriar o corpo. Isso aumenta o esforço cardíaco, elevando os batimentos mesmo que a carga do exercício seja a mesma.

    4. Café e suplementos pré-treino alteram a frequência cardíaca?

    Sim, os estimulantes como a cafeína aumentam a FC basal e a resposta ao exercício. Se você consome esses produtos, deve ter cuidado redobrado para não ultrapassar seus limites de segurança.

    5. Quando devo me preocupar com os batimentos no treino?

    Se a FC demorar muito para baixar após o exercício (recuperação lenta) ou se você sentir palpitações, dor no peito e tontura mesmo estando dentro da sua zona alvo. Nesses casos, procure um cardiologista.

    6. Existe diferença na frequência cardíaca entre natação, ciclismo e corrida?

    Sim. Na natação, a FC costuma ser 10 a 15 batimentos menor devido à posição horizontal (facilita o retorno venoso) e ao resfriamento da água. No ciclismo, a FC também tende a ser menor que na corrida, pois não há o impacto e o peso do corpo é sustentado pela bike.

    Confira: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Pode treinar com gripe? Saiba quanto tempo você deve esperar antes de voltar

    Pode treinar com gripe? Saiba quanto tempo você deve esperar antes de voltar

    Você começou a semana com o nariz escorrendo, a garganta arranhando e aquela sensação de corpo pesado, mas o aplicativo de treino continua enviando notificações, lembrando que está na hora de se exercitar. Na dúvida, é comum se perguntar se vale a pena treinar ou se é melhor deixar o corpo descansar.

    Quando surgem sintomas de resfriado ou gripe, o organismo já está trabalhando para combater uma infecção. Durante o exercício físico, o corpo também precisa de energia e de esforço do sistema cardiovascular e respiratório. Por isso, em alguns casos, pode ser arriscado treinar durante a infecção.

    Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para entender quando o exercício pode (e quando definitivamente não pode) continuar durante um quadro de infecção viral, quais os riscos e como voltar aos treinos sem colocar a saúde em risco.

    É seguro treinar com gripe?

    Depende dos sintomas e da intensidade da gripe. Em muitas situações, o treino pode até ser mantido, mas com algumas adaptações para não sobrecarregar o organismo. Em outras, o melhor caminho realmente é descansar.

    “De forma geral, sintomas leves localizados na parte superior do corpo, como nariz escorrendo, leve congestão nasal ou dor de garganta sem febre, costumam ser tolerados com exercícios de baixa a moderada intensidade. Já sintomas que comprometem o corpo como um todo pedem repouso obrigatório”, explica Giovanni.

    Uma forma de avaliar a situação é observar onde estão os sintomas, a partir da regra do pescoço, que é usada para decidir se é seguro ou não praticar exercício físico quando surgem sintomas de resfriado ou gripe leve.

    Quando os sintomas ficam acima do pescoço

    Se os sintomas aparecem apenas acima do pescoço, em geral o exercício leve costuma ser considerado seguro. Os sinais mais comuns são:

    • Nariz entupido ou escorrendo;
    • Espirros;
    • Garganta arranhando;
    • Congestão nasal leve.

    Nesses casos, atividades leves, como caminhada, alongamento, yoga ou um treino moderado, costumam ser bem toleradas. Ainda assim, o ideal é reduzir a intensidade e observar a reação do corpo. Se você sentir o mal-estar piorar durante o exercício, o melhor é parar.

    Quando os sintomas ficam abaixo do pescoço

    Se os sintomas aparecem no corpo inteiro ou abaixo do pescoço, o mais indicado é evitar o treino. Os sinais de alerta são:

    • Febre;
    • Dores no corpo;
    • Tosse intensa;
    • Fadiga ou cansaço forte;
    • Dor no peito;
    • Calafrios.

    A regra do pescoço não é um diagnóstico médico, mas funciona como um guia prático para avaliar o próprio estado físico. Ela ajuda a separar os casos mais leves, em que uma atividade moderada pode ser possível, dos quadros mais sérios, que pedem descanso.

    Quais os riscos de treinar com uma infecção viral?

    Durante uma gripe ou resfriado, o organismo já está mobilizando energia para combater o vírus. Quando você adiciona um treino intenso na rotina, o esforço físico pode aumentar ainda mais a sobrecarga sobre o corpo.

    Sobrecarga no coração

    Segundo Giovanni, a febre, por si só, já eleva a frequência cardíaca e aumenta a demanda de oxigênio pelo coração. De forma geral, a cada aumento de cerca de 1 °C na temperatura corporal, a frequência cardíaca pode subir entre 10 e 15 batimentos por minuto.

    Quando você pratica exercícios físicos em estado febril, a sobrecarga sobre o organismo aumenta. O coração precisa bombear sangue para os músculos em atividade e, ao mesmo tempo, lidar com a temperatura corporal elevada, com a desidratação mais rápida e com o esforço do sistema imunológico para combater a infecção.

    Como consequência, o cardiologista explica que podem surgir arritmias cardíacas, queda brusca da pressão arterial, tontura, desmaio ou, em situações mais graves, lesões no músculo cardíaco.

    Desidratação e piora dos sintomas

    As infecções virais frequentemente vêm acompanhadas de febre, sudorese e perda de líquidos. O exercício físico também aumenta a transpiração. Quando as duas situações acontecem juntas, o risco de desidratação cresce, o que pode agravar o mal-estar, causar queda de pressão e prolongar a recuperação.

    O esforço físico também pode intensificar sintomas como a fadiga, as dores no corpo e a sensação de exaustão, atrasando o processo de recuperação.

    Inflamação no coração (miocardite)

    Alguns vírus respiratórios, como o vírus influenza, podem provocar uma inflamação do músculo cardíaco chamada miocardite. A condição surge quando a resposta inflamatória do organismo, ao combater o vírus, acaba afetando também o coração.

    Giovanni aponta que o quadro é leve e passa despercebido na maioria das vezes. Mas, em algumas pessoas, principalmente em jovens e atletas, pode causar sintomas como:

    • Palpitações e arritmias;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Queda abrupta do desempenho físico;

    Em situações raras, a miocardite pode evoluir para insuficiência cardíaca ou até morte súbita associada ao esforço físico.

    “Continuar treinando durante uma infecção viral, mesmo sem saber que há miocardite, pode acelerar a progressão da inflamação e aumentar o risco de complicações graves. Estudos em atletas mostram que a miocardite é uma das principais causas de morte súbita relacionada ao esporte”, esclarece o cardiologista.

    Quando parar o treino imediatamente?

    Independentemente da presença de gripe ou resfriado, alguns sintomas durante a prática de exercício físico indicam que a atividade deve ser interrompida imediatamente, como:

    • Dor ou sensação de pressão no peito;
    • Falta de ar desproporcional ao nível do esforço;
    • Palpitações intensas ou batimentos cardíacos irregulares;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente;
    • Cansaço extremo e incomum;
    • Febre durante ou após o treino.

    Se você apresentar os sintomas durante um quadro de infecção viral, ou mesmo nos dias seguintes à recuperação, o mais indicado é procurar avaliação médica.

    Quanto tempo esperar antes de voltar a treinar?

    A recomendação geral, com base nas diretrizes da cardiologia esportiva, varia conforme a intensidade dos sintomas, como explica Giovanni:

    • Sintomas leves, sem febre: aguardar de 24 a 48 horas após a resolução completa dos sintomas antes de retomar os exercícios moderados;
    • Gripe com febre ou sintomas sistêmicos: aguardar pelo menos 7 dias após a resolução completa da febre e dos sintomas;
    • Suspeita de miocardite ou complicações: realizar uma avaliação médica com eletrocardiograma e, eventualmente, um ecocardiograma antes de qualquer retorno.

    Para quem tem doenças cardíacas pré-existentes, hipertensão ou diabetes, o retorno deve sempre ser acompanhado por um profissional de saúde.

    Como retomar os exercícios de forma gradual e segura?

    Após uma gripe, o organismo ainda está em fase de recuperação mesmo quando os sintomas desaparecem. Por isso, Giovanni orienta a seguinte estratégia:

    • Dias 1 e 2: caminhada leve por 20 a 30 minutos, sem esforço;
    • Dias 3 e 4: atividade aeróbica de baixa intensidade, como uma corrida leve ou um ciclismo tranquilo;
    • Dias 5 e 6: intensidade moderada, se o corpo responder bem;
    • A partir do dia 7: retorno progressivo à intensidade habitual.

    Uma boa referência: se após 10 minutos de atividade leve você já se sentir significativamente cansado, o corpo ainda precisa de mais tempo para se recuperar.

    “Durante esse retorno, preste atenção ao seu corpo. Cansaço excessivo, falta de ar ou palpitações são sinais de que o organismo ainda não está pronto. Não force”, finaliza o cardiologista.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes

    1. O treino pesado pode piorar uma dor de garganta?

    Sim. O exercício intenso causa um estresse temporário no sistema imune, a chamada “janela aberta”. Isso pode fazer com que uma irritação leve na garganta evolua para uma infecção bacteriana mais séria.

    2. Posso fazer musculação, mas evitar o cardio enquanto estou me recuperando?

    A musculação de alta intensidade também exige muito do sistema cardiovascular e do sistema nervoso central. Se optar por treinar, escolha cargas leves e descansos mais longos entre as séries.

    3. O uso de suplementos como whey e creatina deve ser mantido durante a gripe?

    Pode ser mantido, mas o foco principal deve ser a hidratação e a ingestão de micronutrientes (frutas e vegetais). Se não estiver conseguindo comer bem, o Whey pode ajudar a manter o aporte proteico.

    4. Tomar remédios para gripe me libera para treinar?

    Não. Os remédios antigripais apenas mascaram os sintomas (como dor e febre), mas a infecção viral continua presente no seu organismo. O risco cardíaco permanece o mesmo, mesmo que você se sinta melhor sob efeito do remédio.

    5. O que acontece com o meu VO2 máx (capacidade aeróbica) se eu parar de treinar por causa de uma gripe?

    Haverá uma queda leve na capacidade cardiovascular após 7 a 10 dias de inatividade, mas nada que não seja recuperado rapidamente nas primeiras duas semanas de volta aos treinos.

    6. É melhor treinar em casa para não infectar os outros ou nem treinar?

    Se você tem sintomas sistêmicos (abaixo do pescoço), não deve treinar nem em casa. O repouso é para o seu coração e sistema imune, não apenas para evitar o contágio alheio.

    7. O uso de pré-treinos com cafeína é perigoso durante a gripe?

    Sim, pois a cafeína aumenta a frequência cardíaca e esconde a fadiga real, o que potencializa o risco de arritmias em um coração já estressado pelo vírus.

    Confira: Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

  • Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Você já ouviu falar em infecções hospitalares? Também chamadas de IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde), elas surgem durante a internação ou como consequência direta dos cuidados recebidos em hospitais, clínicas, pronto-socorros ou outros serviços de saúde.

    Basicamente, elas não estavam presentes no momento da admissão da pessoa e podem surgir tanto durante o período de internação quanto dias após a alta.

    No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que entre 5% e 14% dos pacientes internados desenvolvem algum tipo de infecção hospitalar — sendo um dos principais desafios de segurança do sistema de saúde.

    Afinal, o que é infecção hospitalar e como surge?

    As infecções hospitalares são infecções que surgem durante a internação ou após a realização de cuidados em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.

    Elas surgem quando microrganismos, como bactérias, vírus ou fungos, entram no organismo por portas de entrada criadas durante o tratamento, como cateteres, sondas, drenos, feridas cirúrgicas ou aparelhos de respiração.

    O risco aumenta porque muitos pacientes estão com a imunidade mais baixa e porque o hospital concentra microrganismos mais resistentes, que podem se espalhar pelo contato com mãos, equipamentos e superfícies.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, elas permanecem um desafio devido à complexidade dos pacientes, uso de dispositivos invasivos e aumento da resistência bacteriana.

    Quem tem mais risco de ter uma infecção hospitalar?

    Por terem o sistema imunológico mais frágil ou por necessitarem de cuidados mais intensivos, algumas pessoas apresentam um risco maior de desenvolver infecções hospitalares, sendo elas:

    • Idosos;
    • Recém-nascidos, especialmente prematuros;
    • Pessoas com imunidade baixa ou em uso de medicamentos imunossupressores;
    • Pessoas com diabetes;
    • Pacientes com doenças crônicas;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

    Nesses grupos, a atenção à prevenção e à identificação precoce de sinais de infecção precisa ser ainda maior.

    Quais tipos de infecção hospitalar são mais comuns?

    As infecções mais comuns normalmente estão associadas ao uso de dispositivos invasivos e a procedimentos realizados durante a internação. Giovanni aponta os principais:

    • Infecção urinária associada ao uso de cateter, comum em pacientes que utilizam sonda vesical por vários dias;
    • Pneumonia associada à ventilação mecânica, que pode ocorrer em pacientes que precisam de aparelhos para ajudar na respiração;
    • Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso, quando bactérias entram na circulação por meio de cateteres;
    • Infecção de sítio cirúrgico, que surge após cirurgias e pode atingir a pele, os tecidos mais profundos ou órgãos operados.

    “Cateteres, ventilação mecânica, drenos e cirurgias aumentam portas de entrada, e quanto maior o tempo de internação, maior a chance de colonização por microrganismos hospitalares e exposições repetidas”, explica o cardiologista.

    O uso excessivo ou mal indicado de antibióticos também contribui para infecções mais difíceis de tratar, pois favorece a seleção de bactérias resistentes e aumenta o risco de eventos como a infecção por Clostridioides difficile, o que torna o tratamento mais longo e complexo.

    Como as infecções hospitalares se espalham no ambiente de saúde

    As infecções hospitalares se espalham principalmente pelo contato, e algumas das formas mais comuns de transmissão incluem mãos não higienizadas, equipamentos compartilhados entre pacientes e superfícies contaminadas.

    Os microrganismos presentes em um paciente podem passar para outro quando não há limpeza adequada das mãos ou dos materiais utilizados.

    Além disso, procedimentos invasivos, como uso de cateteres, sondas, drenos e aparelhos de respiração, criam portas de entrada para bactérias, vírus e fungos.

    Para completar, o ambiente hospitalar também concentra microrganismos mais resistentes, que conseguem sobreviver por mais tempo em superfícies e se espalhar com facilidade se os protocolos de higiene não forem seguidos corretamente.

    Como evitar as infecções hospitalares?

    Os cuidados para prevenir as infecções envolve tanto os profissionais de saúde quanto os familiares. Algumas medidas simples, quando seguidas corretamente, reduzem de forma significativa o risco de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.

    Entre alguns dos cuidados, estão:

    • Higiene adequada das mãos, com água e sabonete ou álcool em gel, antes e depois do contato com o paciente;
    • Uso correto de equipamentos de proteção, como luvas, aventais e máscaras, conforme orientação da equipe de saúde;
    • Cuidados rigorosos com cateteres, sondas, drenos e curativos, evitando manipulação desnecessária;
    • Avaliação diária da necessidade de dispositivos invasivos, retirando-os o mais cedo possível;
    • Uso responsável de antibióticos, apenas quando indicados e pelo tempo correto;
    • Limpeza e desinfecção adequadas de superfícies e equipamentos;
    • Participação do paciente e da família, mantendo as mãos higienizadas e seguindo as orientações recebidas.

    “Muitos microrganismos se espalham por mãos não higienizadas e por uso inadequado de equipamentos entre pacientes. Campanhas e auditorias de adesão fazem parte do núcleo de prevenção em serviços de saúde”, esclarece Giovanni.

    O que pacientes devem observar durante a internação?

    Durante a internação, o paciente pode ajudar na prevenção de infecções hospitalares observando sinais simples e seguindo orientações da equipe de saúde, como manter as mãos limpas, antes das refeições e após usar o banheiro.

    Caso perceba dor, vermelhidão, secreção, febre ou qualquer mudança no próprio estado de saúde, o paciente deve avisar a equipe imediatamente.

    Pós-alta hospitalar: como identificar uma infecção?

    Algumas infecções hospitalares podem se manifestar somente após a alta. Por isso, é importante ficar atento a sinais e sintomas que merecem avaliação médica, como:

    Sinais gerais

    • Febre persistente;
    • Calafrios;
    • Mal-estar intenso ou cansaço fora do habitual.

    Alterações na ferida cirúrgica

    • Vermelhidão progressiva ao redor do corte;
    • Dor intensa ou aumento da sensibilidade;
    • Calor local;
    • Presença de secreção ou pus;
    • Abertura dos pontos.

    Sinais urinários, especialmente após uso de sonda

    • Ardor ao urinar;
    • Urgência urinária;
    • Dor lombar;
    • Febre.

    Sinais respiratórios

    • Falta de ar;
    • Tosse com secreção;
    • Febre após internação recente/

    Alterações intestinais

    Diarreia intensa ou persistente após uso de antibióticos ou internação prolongada, podendo indicar infecção por Clostridioides difficile

    Na presença de qualquer um dos sinais, procure atendimento médico o quanto antes. As infecções exigem acompanhamento cuidadoso, pois podem se agravar rapidamente se não forem identificadas e tratadas de forma adequada.

    Infecções hospitalares têm tratamento?

    As infecções hospitalares podem ser tratadas, mas o tipo de tratamento varia conforme a infecção, o microrganismo responsável e o estado de saúde do paciente.

    Em muitos casos, são usados antibióticos, antivirais ou antifúngicos, escolhidos após exames que identificam qual germe está causando a infecção.

    Quando a infecção envolve bactérias resistentes, o tratamento costuma ser mais demorado, pode exigir medicamentos mais fortes e, em alguns casos, um período maior de internação.

    Por isso, a prevenção continua sendo a melhor maneira de evitar complicações, reduzir o tempo no hospital e proteger a saúde do paciente.

    Confira: Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

    Perguntas frequentes

    1. O que é uma “superbactéria”?

    São bactérias que, de tanto serem expostas a antibióticos em ambiente hospitalar, sofreram mutações e se tornaram resistentes à maioria dos remédios comuns. Elas não são necessariamente “mais agressivas”, mas são muito mais difíceis de tratar.

    2. O ar-condicionado do hospital transmite infecção?

    Os hospitais possuem filtros especiais (HEPA) que limpam o ar em áreas críticas como centros cirúrgicos. O risco maior não está no ar, mas no contato físico e em objetos compartilhados.

    3. O que é “infecção de sítio cirúrgico”?

    É a infecção que acontece exatamente onde foi feita a cirurgia. Ela pode ser superficial (na pele) ou profunda (atingindo órgãos). É uma das causas mais comuns de reidratação hospitalar após a alta.

    4. O que fazer se eu suspeitar que peguei uma infecção no hospital?

    Não tente se automedicar com antibióticos que sobraram de outras vezes. Entre em contato imediato com o médico que fez o procedimento ou procure o pronto-socorro da mesma instituição onde você foi atendido.

    5. Por que os médicos pedem para tirar o esmalte antes de uma cirurgia?

    O esmalte (principalmente os escuros) impede que o aparelho de oximetria meça corretamente o oxigênio no sangue. Além disso, as unhas naturais ajudam o médico a perceber rapidamente sinais de má circulação ou infecção.

    6. Posso pegar uma infecção hospitalar em um exame simples?

    É raro, mas pode acontecer. Qualquer procedimento que envolva furos, cortes ou introdução de aparelhos no corpo pode abrir caminho para bactérias se os protocolos de higiene não forem seguidos à risca.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

  • Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Aumento da frequência das evacuações, fezes mais líquidas e dor ou desconforto abdominal são alguns dos principais sintomas da diarreia, que pode surgir de forma repentina ou se desenvolver ao longo de alguns dias, dependendo do que está causando o problema.

    Normalmente, o quadro é passageiro e melhora espontaneamente em poucos dias, mas quando dura 14 dias ou mais, ele é considerado persistente.

    “Quando [a diarreia] se prolonga por semanas, aumenta a chance de desidratação, perda de peso e de haver uma causa que precisa de investigação”, explica o cardiologista e clínico geral Giovanni Henrique Pinto.

    O que pode ser a diarreia constante?

    Quando a diarreia persiste por vários dias, ela pode estar relacionada a diferentes fatores, como aponta Giovanni:

    • Gastroenterites virais ou bacterianas, especialmente quando não tratadas adequadamente;
    • Parasitoses intestinais, mais comuns em locais com saneamento inadequado;
    • Uso de medicamentos, como antibióticos, metformina, suplementos de magnésio e laxantes;
    • Infecção por Clostridioides difficile, geralmente após uso recente de antibióticos ou período de internação hospitalar;
    • Intolerâncias alimentares, como lactose ou frutose;
    • Síndrome do intestino irritável, principalmente nas formas com predomínio de diarreia;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

    Quais os riscos da diarreia constante?

    A desidratação é o principal risco da diarreia constante e acontece porque o corpo perde muita água e sais minerais pelas fezes. Quando o organismo não consegue repor rapidamente essas perdas, Giovanni explica que podem surgir queda da pressão arterial, tontura, fraqueza e até lesão renal aguda.

    Em pessoas idosas, o perigo é maior porque o organismo tem menos capacidade de se adaptar à perda de líquidos. Além disso, a sensação de sede costuma ser menor, o que facilita a desidratação, mesmo quando a diarreia parece leve.

    No caso de pessoas com problemas no coração, como insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias, a perda de líquidos reduz a quantidade de sangue circulando no corpo.

    Nesses casos, a diarreia persistente pode agravar sintomas, alterar o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Se você apresentar os seguintes sinais, procure atendimento médico imediatamente, pois a diarreia pode estar associada a um quadro mais grave e precisa de avaliação.

    • Presença de sangue nas fezes;
    • Fezes muito escuras ou com aspecto de borra de café;
    • Febre alta ou persistente;
    • Dor abdominal intensa ou que piora com o tempo;
    • Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina, fraqueza intensa e tontura ou confusão mental;
    • Episódios de desmaio;
    • Piora do estado geral.

    A atenção deve ser redobrada quando os sintomas surgem em idosos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com o sistema imunológico comprometido, pois o risco de complicações é maior.

    O que tomar para diarreia constante?

    Em adultos saudáveis, sem febre e sem presença de sangue nas fezes, alguns medicamentos antidiarreicos podem ser usados por curto período. Mesmo assim, o uso deve ser cauteloso, pois nem toda diarreia deve ser interrompida com remédios.

    Quando há suspeita de infecção mais grave, o uso dos medicamentos deve ser evitado, já que podem mascarar sintomas importantes e aumentar o risco de complicações. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável.

    Como é feita a investigação da causa?

    Para investigar a causa da diarreia constante, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, para entender a duração da diarreia, a frequência das evacuações, a presença de sintomas associados — além de hábitos alimentares, uso de medicamentos, viagens recentes e histórico de doenças intestinais.

    Também podem ser solicitados alguns exames específicos, como:

    • Exames de fezes: pesquisa de parasitas, bactérias, vírus, presença de muco, sangue ou sinais de inflamação;
    • Exames de sangue: avaliação de infecção, inflamação, anemia, desidratação e alterações de sais minerais;
    • Testes para intolerâncias alimentares: como lactose ou frutose, ou dieta de exclusão orientada;
    • Colonoscopia: indicada quando a diarreia é persistente ou há sinais de alerta, permitindo avaliar inflamações, lesões e doenças intestinais;
    • Outros exames de imagem ou endoscópicos: solicitados em situações específicas, conforme a suspeita clínica.

    Diarreia constante tem tratamento?

    O tratamento da diarreia constante depende da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em todos os casos, a reposição de líquidos e sais minerais é sempre necessária para prevenir a desidratação.

    Em casos de infecções, o tratamento varia de acordo com o agente causador. Infecções bacterianas ou parasitárias podem exigir o uso de medicamentos específicos, enquanto infecções virais costumam melhorar com medidas de suporte, como hidratação e alimentação adequada.

    Quando a diarreia está relacionada a intolerâncias alimentares, o principal cuidado é ajustar a dieta, com retirada temporária ou definitiva do alimento responsável.

    Já em doenças inflamatórias intestinais, o tratamento envolve acompanhamento médico contínuo e uso de remédios próprios para controle da inflamação.

    O uso de medicamentos para reduzir a diarreia pode ser indicado em situações selecionadas e por curto período, sempre com orientação profissional.

    Cuidados com a diarreia constante para evitar complicações

    Enquanto o quadro de diarreia constante não melhora, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger o organismo, reduzir complicações e favorecer a recuperação, especialmente em pessoas mais vulneráveis. Alguns deles incluem:

    • Hidratação com sais minerais: dar preferência ao soro de reidratação oral, que repõe água e sais minerais de forma correta e funciona melhor do que beber apenas água;
    • Alimentação leve: escolher alimentos simples, como arroz, batata, banana e sopas, evitando álcool, comidas gordurosas e produtos industrializados;
    • Atenção aos sinais do corpo: observar se a urina diminuiu e se surgem tontura ou fraqueza;
    • Mais cuidado com grupos de risco: idosos e pessoas com problemas no coração precisam de acompanhamento mais próximo.

    Quem faz uso de diuréticos ou medicamentos para pressão arterial não deve ajustar doses por conta própria em caso de desidratação. Nesses casos, a orientação médica é importante para evitar queda de pressão ou sobrecarga nos rins.

    O que evitar se estiver com diarreia?

    Durante a diarreia, o intestino fica mais sensível e qualquer alimento inadequado pode piorar os sintomas, como:

    • Alimentos gordurosos ou frituras;
    • Leite e derivados;
    • Doces, açúcar e adoçantes artificiais;
    • Bebidas com cafeína, como café, chá preto e energéticos;
    • Álcool;
    • Alimentos muito condimentados ou apimentados;
    • Carnes processadas, como embutidos e fritos;
    • Vegetais crus e alimentos ricos em fibras insolúveis;
    • Refrigerantes e sucos industrializados;
    • Suplementos e laxantes.

    Assim que os sintomas melhorarem, a alimentação pode ser retomada de forma gradual, começando por alimentos leves e de fácil digestão.

    Veja também: Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite

    Perguntas frequentes

    1. Quando a diarreia passa a ser considerada “constante”?

    A diarreia é classificada como constante quando a alteração do hábito intestinal (fezes amolecidas ou líquidas) persiste por mais de 4 semanas.

    2. Por que sinto cólicas fortes junto com a diarreia?

    As cólicas são contrações musculares do intestino tentando expelir o conteúdo rapidamente. Se forem constantes, podem indicar inflamação ou sensibilidade exacerbada do órgão.

    3. É normal ter gases excessivos com a diarreia?

    Muitas vezes sim, especialmente se a causa for má absorção de carboidratos ou fermentação bacteriana excessiva no intestino (como no SIBO).

    4. Posso tomar remédios para “trancar” o intestino por conta própria?

    Não é recomendado. Se a diarreia for causada por uma infecção ou bactéria, segurar o fluxo pode piorar o quadro. O uso de medicamentos deve ser orientado por um médico.

    5. Qual especialista devo procurar?

    O gastroenterologista é o médico especialista indicado para investigar e tratar qualquer alteração intestinal que dure mais de um mês.

    6. O que é a esteatorreia (fezes gordurosas)?

    É um tipo de diarreia onde as fezes são volumosas, pálidas, têm odor muito forte e flutuam no vaso. Ela pode indicar má absorção de gordura, muitas vezes ligada a problemas no pâncreas ou no fígado.

    Confira: Diarreia: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum

  • Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

    Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

    Mesmo sendo vendidos como naturais, os suplementos vitamínicos são produtos concentrados, formulados para interferir diretamente no funcionamento do organismo — e não estão livres de efeitos colaterais!

    Diferente dos nutrientes obtidos por meio de uma alimentação equilibrada, em que o corpo absorve vitaminas de forma gradual e controlada, os suplementos entregam doses isoladas e, muitas vezes, em quantidades muito acima da ingestão diária recomendada.

    Isso pode causar desequilíbrios no organismo, sobrecarregar fígado e rins e provocar sintomas que nem sempre são associados à suplementação, como náuseas, desconforto intestinal e cansaço frequente.

    Por que vitaminas não são inofensivas?

    As vitaminas são essenciais para o funcionamento do corpo, mas quando usadas em forma de suplemento, elas deixam de agir apenas como nutrientes da alimentação e passam a atuar como substâncias concentradas, capazes de alterar o equilíbrio do organismo.

    Para se ter uma ideia, o corpo foi feito para receber vitaminas aos poucos, por meio dos alimentos. Na suplementação, a dose chega de uma vez e, muitas vezes, em quantidade maior do que o necessário.

    Quando não há deficiência, o excesso pode causar efeitos indesejados, sobrecarregar fígado e rins e causar sintomas como enjoo, dor de cabeça, alterações intestinais, cansaço e até problemas mais sérios, dependendo da vitamina e do tempo de uso.

    Quais vitaminas podem causar problemas quando usadas em excesso?

    De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as vitaminas que mais oferecem risco são as lipossolúveis, pois ficam armazenadas no organismo e não são eliminadas com facilidade. Nesse grupo entram vitaminas A, D, E e K. O uso contínuo, principalmente em doses altas, aumenta o risco de toxicidade.

    Algumas vitaminas hidrossolúveis, apesar de serem eliminadas pela urina, também causam danos quando consumidas em excesso por longos períodos. Um exemplo comum é a vitamina B6, que pode levar a formigamento, dormência e alterações neurológicas.

    O problema costuma surgir quando a suplementação acontece sem exames, sem indicação clara ou associada a vários produtos ao mesmo tempo, o que facilita o consumo acima do necessário.

    Quais os riscos da hipervitaminose?

    A hipervitaminose consiste no excesso de vitaminas no organismo, normalmente causado pelo uso indiscriminado de suplementos. Os riscos variam conforme a vitamina envolvida, a quantidade ingerida e o tempo de uso, mas podem afetar diferentes sistemas do corpo:

    Intoxicação silenciosa e progressiva

    Em muitos casos, a hipervitaminose se desenvolve aos poucos. Os sintomas iniciais costumam ser leves e inespecíficos, como dor de cabeça, enjoo, fadiga, tontura e alterações intestinais.

    Com o tempo, o excesso se acumula e o quadro se agrava, dificultando a identificação da causa.

    Sobrecarrega dos rins e fígado

    O uso inadequado de suplementos vitamínicos pode sobrecarregar órgãos responsáveis pela metabolização e eliminação dessas substâncias, como fígado e rins.

    Segundo Giovanni, o excesso de vitamina D pode elevar o nível de cálcio no sangue, condição conhecida como hipercalcemia. O desequilíbrio favorece a formação de cálculos renais e pode prejudicar a função dos rins, especialmente em pessoas que já convivem com doenças renais.

    Já a vitamina A, quando consumida em doses altas, está associada à toxicidade sistêmica, com impacto direto no fígado, além de alterações na pele e no sistema nervoso. Durante a gestação, o uso excessivo representa risco elevado para o desenvolvimento do bebê.

    Afeta o coração e a circulação

    A vitamina E, em doses altas, pode aumentar o risco de sangramentos, o que exige atenção em pessoas que utilizam anticoagulantes, antiagregantes plaquetários ou que apresentam doenças cardíacas.

    As interações muitas vezes passam despercebidas, pois o suplemento não é visto como algo que possa interferir em tratamentos em andamento.

    Impacto no sistema nervoso

    Determinadas vitaminas, quando usadas em altas doses por longos períodos, afetam o sistema nervoso. O consumo exagerado de vitamina B6 pode causar formigamento, dormência e perda de sensibilidade, sintomas que podem se tornar persistentes.

    Alterações hormonais e metabólicas

    O excesso de vitamina D, por exemplo, pode aumentar o cálcio no sangue, favorecendo cálculos renais, fraqueza muscular e alterações cardíacas. Já o excesso de vitamina A pode provocar alterações na pele, queda de cabelo e problemas no fígado

    Risco aumentado em gestantes e idosos

    Gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas apresentam maior sensibilidade ao excesso de vitaminas. Durante a gravidez, a hipervitaminose A está associada a risco de malformações fetais, tornando a suplementação sem orientação ainda mais perigosa.

    Minerais em polivitamínicos também merecem cuidado

    Além das vitaminas, muitos suplementos combinam minerais, como ferro, zinco e magnésio. O uso sem critério pode causar efeitos importantes, como desconforto gastrointestinal, sobrecarga renal e desequilíbrios metabólicos.

    O consumo de ferro sem indicação, por exemplo, pode ser prejudicial para pessoas que não apresentam deficiência comprovada.

    A suplementação só deve fazer parte da rotina quando existe necessidade real, avaliada por exames e acompanhamento profissional.

    Quem realmente precisa de suplementação?

    Na maioria das vezes, a suplementação só é indicada quando existe falta comprovada ou alguma condição que dificulte a absorção dos nutrientes, como aponta Giovanni:

    • Pessoas com deficiência comprovada em exames;
    • Quem segue dietas restritivas, como veganos;
    • Gestantes, que normalmente necessitam de ácido fólico e, em alguns casos, ferro;
    • Idosos, devido à menor ingestão alimentar ou dificuldade de absorção de nutrientes;
    • Pessoas que passaram por cirurgia bariátrica;
    • Quem apresenta doenças intestinais que prejudicam a absorção de vitaminas;
    • Pessoas com osteoporose ou baixa vitamina D já documentada.

    Exames de sangue são necessários antes de indicar vitaminas?

    Os exames ajudam a confirmar se existe deficiência de verdade e evitam o uso desnecessário ou em excesso. Eles são ainda mais importantes quando se pensa em doses altas ou quando a pessoa tem outros problemas de saúde, como doenças nos rins ou no fígado ou histórico de pedra nos rins.

    Sinais de que você está tomando vitaminas de forma inadequada

    Se você está fazendo suplementação de vitaminas, é importante ficar atento aos seguintes sinais:

    • Náuseas, vômitos, dor abdominal e perda de apetite, que indicam que o corpo está tendo dificuldade para lidar com o excesso;
    • Fraqueza, confusão mental e sede intensa, sinais que podem estar ligados ao aumento do cálcio no sangue, situação associada ao excesso de vitamina D;
    • Sangramentos ou hematomas fáceis, que podem acontecer com doses altas de vitamina E ou pela interação com medicamentos;
    • Formigamento, dormência e outros sintomas neurológicos, possíveis sinais de excesso de vitamina B6.

    Ao perceber qualquer um dos sintomas, é importante interromper o uso do suplemento e procurar orientação médica.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. Vitaminas “naturais” podem causar efeitos colaterais?

    Sim, o termo “natural” refere-se à origem, mas no suplemento a substância está em alta concentração. Isso pode causar desde desconforto gástrico e alergias até sobrecarga hepática.

    2. Suplementos de academia (como pré-treinos com vitaminas) são seguros?

    Muitos contêm doses cavalares de vitaminas do complexo B e estimulantes que podem causar taquicardia, ansiedade e sobrecarga metabólica se não forem indicados para seu nível de treino.

    3. Vitaminas podem interagir com anticoncepcionais?

    Algumas substâncias e ervas presentes em suplementos complexos podem reduzir a eficácia de hormônios, incluindo anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal.

    4. Qual a diferença entre suplemento e remédio?

    Legalmente, a regulação é diferente. Muitos suplementos não passam pelos testes rigorosos de segurança que os remédios passam, o que torna o acompanhamento profissional ainda mais vital.

    5. Qual a diferença entre suplemento manipulado e industrializado?

    O manipulado permite doses exatas para sua necessidade (personalização), enquanto o industrializado tem doses fixas. Ambos exigem prescrição, mas o médico decidirá qual o melhor veículo de absorção para o seu caso.

    6. Suplementos de colágeno contam como vitaminas?

    O colágeno é uma proteína, não uma vitamina. Ele não substitui vitaminas nem corrige carências nutricionais.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

  • Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Presente em cerca de um terço das mulheres adultas no Brasil, a anemia é uma condição em que há uma redução na quantidade de hemoglobina no sangue, proteína responsável por transportar oxigênio dos pulmões para o corpo. Quando ela está baixa, o organismo recebe menos oxigênio, o que causa sintomas como cansaço, fraqueza e palidez na pele.

    Mas o que isso tem haver com problemas cardíacos? De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, todo o corpo é afetado quando o sangue transporta menos oxigênio, especialmente o coração — que precisa trabalhar mais para compensar essa deficiência.

    No caso de pessoas com doenças cardíacas, como insuficiência ou arritmia, o esforço adicional pode causar uma descompensação cardíaca e aumento do risco de infarto. Isso torna a condição um fator de atenção para quem apresenta qualquer condição que reduza a capacidade do coração de bombear sangue.

    Como a anemia interfere na função do coração?

    O coração precisa de oxigênio para manter o músculo cardíaco em funcionamento. Em quadros de anemia, a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue diminui — e o organismo tenta equilibrar a situação aumentando a frequência dos batimentos cardíacos e a força de contração. O esforço extra faz o coração bombear mais rápido para levar oxigênio suficiente às células.

    Com o passar do tempo, a sobrecarga provoca dilatação das câmaras cardíacas, especialmente do ventrículo esquerdo, responsável por impulsionar o sangue para o corpo. A adaptação temporária acaba se tornando prejudicial para o coração, pois enfraquece o músculo cardíaco e reduz a eficiência da circulação.

    “Na insuficiência cardíaca, o coração já tem dificuldade para bombear sangue. Se o sangue está ‘pobre’ em oxigênio, o organismo tenta compensar com aumento da frequência cardíaca e dilatação dos vasos — o que piora a sobrecarga e pode levar à falta de ar e inchaço”, aponta Giovanni.

    O especialista acrescenta que, em casos de angina ou doença coronariana, a anemia reduz o fornecimento de oxigênio ao músculo cardíaco, favorecendo crises de dor no peito. Já nas arritmias, a hipóxia (redução do oxigênio) pode interferir na condução elétrica do coração, provocando batimentos irregulares.

    Como a anemia se manifesta e quais são os sintomas

    A anemia costuma causar sintomas que muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com o cansaço do dia a dia, como:

    • Fraqueza;
    • Sonolência;
    • Falta de ar;
    • Tontura;
    • Dor de cabeça;
    • Palidez na pele e nas mucosas.

    Uma pessoa com problemas no coração pode apresentar piora dos sintomas já conhecidos: o fôlego pode ficar mais curto, o cansaço aparecer com atividades leves e a palpitação se tornar mais frequente.

    “Tanto na anemia quanto nas doenças cardíacas pode aparecer cansaço, fraqueza, tontura, palpitação e falta de ar, o que pode levar o paciente a pensar que o problema é apenas ‘do coração’ ou apenas ‘do sangue’. Por isso, exames de sangue simples, como hemograma e dosagem de ferro, são importantes na investigação de piora dos sintomas cardíacos”, explica Giovanni.

    O uso de remédios pode influenciar o quadro?

    Segundo Giovanni, alguns medicamentos usados no tratamento de problemas cardiológicos podem interferir na produção ou na perda de sangue, como:

    • Anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, como aspirina, clopidogrel, varfarina, podem causar sangramentos ocultos no trato digestivo, levando à anemia por perda de sangue;
    • Inibidores da ECA e bloqueadores do receptor de angiotensina II, usados em insuficiência cardíaca, podem reduzir discretamente a produção de hemoglobina.

    Pessoas com doenças renais crônicas ou que usam medicamentos diuréticos também apresentam maior risco de desenvolver anemia, pois os rins produzem menos eritropoetina, um hormônio que estimula a fabricação de glóbulos vermelhos.

    Como é feito o diagnóstico de anemia?

    O diagnóstico de anemia é feito com base em uma avaliação clínica e exames laboratoriais. O hemograma completo mostra os níveis de hemoglobina, hematócrito, volume corpuscular médio e concentração de hemoglobina corpuscular média — dados que ajudam a identificar o tipo de anemia.

    O especialista ainda pode solicitar a dosagem de ferritina, ferro sérico e vitamina B12 para complementar a avaliação. Um eletrocardiograma e um ecocardiograma também podem ser feitos para verificar como o coração está respondendo à redução do oxigênio.

    Como é feito o tratamento da anemia em pacientes cardíacos?

    O tratamento da anemia em pacientes cardíacos deve ser feito com cautela e sob acompanhamento médico. Primeiro, é importante identificar a causa da condição, que pode surgir devido a deficiência de ferro, sangramentos ocultos, falta de vitaminas B12 e ácido fólico ou doenças crônicas, como insuficiência renal.

    Quando a anemia é por falta de ferro, o médico pode indicar reposição oral ou intravenosa. Em pacientes com problemas cardíacos, como insuficiência, a via intravenosa costuma ser indicada, pois tem melhor absorção e não causa desconforto gastrointestinal. Já a transfusão de sangue é indicada apenas em casos graves, quando os níveis de hemoglobina estão muito baixos e há risco de descompensação do coração.

    A alimentação também faz parte do tratamento de anemia, de modo que o cardápio deve incluir fontes de ferro, como carne vermelha, frango, peixe, feijão e vegetais verde-escuros — além de frutas ricas em vitamina C, que aumentam a absorção do mineral. O café e o chá preto devem ser evitados nas principais refeições.

    É possível prevenir a anemia?

    Pessoas com problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana, apresentam um risco aumentado de desenvolver anemia. Por isso, é necessário manter alguns cuidados para prevenir a condição, como:

    • Acompanhamento médico regular: consultas e exames de sangues feitos periódicamente monitoram os níveis de hemoglobina, ferro e outras vitaminas, permitindo que a anemia seja detectada no início;
    • Alimentação balanceada: a dieta deve priorizar alimentos in natura e minimamente processados, ricos em ferro, vitamina C e vitaminas do complexo B, como vegetais de folhas verde-escuras, feijão, frutas (laranja, morango, acerola), peixes, ovos, laticínios, carnes e vegetais de folhas;
    • Controle dos medicamentos: o uso de anticoagulantes, anti-inflamatórios e outros remédios deve ser monitorado pelo médico, já que pode causar sangramentos e contribuir para a perda de ferro;
    • Reposição supervisionada de ferro e vitaminas: suplementos só devem ser usados com orientação médica, para evitar sobrecarga no organismo e interações com outros medicamentos;
    • Hidratação adequada: a ingestão regular de água é fundamental para manter a viscosidade ideal do sangue e facilitar o transporte de oxigênio, reduzindo o esforço do coração;
    • Prática regular de atividade física leve: caminhadas, alongamentos e exercícios orientados por um profissional fortalecem o sistema cardiovascular, aumentam a resistência e melhoram a oxigenação corporal;
    • Redução do consumo de álcool e tabaco: as substâncias prejudicam a absorção de nutrientes, alteram a produção de hemoglobina e aumentam o risco de doenças cardíacas e anêmicas.

    Confira: Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração

    Perguntas frequentes

    A anemia pode causar infarto?

    A anemia grave reduz o fornecimento de oxigênio para o músculo cardíaco, podendo provocar uma isquemia (falta de oxigênio local) mesmo sem entupimento das artérias.

    Em pessoas com artérias já comprometidas, a situação é ainda mais séria, pois a baixa oxigenação pode precipitar um infarto, causar dor torácica e levar a arritmias. Nesse sentido, tratar a anemia é também uma forma de prevenir complicações cardíacas sérias.

    Quais sintomas indicam que uma pessoa com doença cardíaca pode estar com anemia?

    Os sintomas de anemia costumam ser sutis no início, mas ficam mais evidentes com o passar do tempo. Os principais incluem cansaço fácil, fraqueza, sonolência, falta de ar ao realizar tarefas simples, palpitação, tontura e pele pálida.

    Em pessoas com insuficiência cardíaca, os sintomas se confundem com a própria doença, de modo que o fôlego diminui, os inchaços aumentam e o esforço físico se torna mais difícil. Uma piora repentina dos sinais pode indicar que a anemia está agravando a condição cardíaca.

    Por que a anemia piora a insuficiência cardíaca?

    Na insuficiência cardíaca, o coração já tem dificuldade de bombear sangue com eficiência. Quando tem um quadro de anemia, o sangue transporta menos oxigênio, o que obriga o coração a aumentar a frequência e a força das batidas. O esforço constante leva à dilatação e enfraquecimento do músculo cardíaco.

    Com o tempo, o quadro se agrava e o paciente passa a apresentar falta de ar mesmo em repouso, além de inchaços e fadiga intensa. Vale lembrar que a combinação de anemia e insuficiência cardíaca é considerada de alto risco e exige tratamento rápido.

    A anemia pode voltar mesmo depois do tratamento?

    Sim! Se a causa da anemia não for tratada, ela tende a reaparecer depois, o que torna importante o acompanhamento médico contínuo. O paciente deve realizar exames periódicos para monitorar os níveis de hemoglobina, ferro e vitaminas. Mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada e controle rigoroso dos medicamentos também ajudam a prevenir recidivas.

    Tenho anemia, o que devo comer?

    A dieta de pessoas com anemia deve incluir alimentos ricos em ferro, vitamina C e vitaminas do complexo B, como:

    • Carnes vermelhas magras;
    • Fígado;
    • Frango e peixe;
    • Ovos;
    • Feijão, lentilha e grão-de-bico;
    • Vegetais de folhas verde-escuras, como espinafre, couve e agrião;
    • Frutas cítricas, como laranja, acerola, kiwi e limão, que aumentam a absorção do ferro vegetal;
    • Cereais integrais, aveia, nozes e sementes.

    No dia a dia, o ideal é combinar os alimentos certos e evitar exageros de ultraprocessados, que prejudicam a absorção de nutrientes.

    A anemia pode causar queda de cabelo e unhas fracas?

    Sim, a falta de ferro e de oxigênio afeta a regeneração celular, prejudicando o crescimento dos fios e das unhas. O cabelo pode ficar mais fino, quebradiço e cair com facilidade, enquanto as unhas podem se tornar frágeis, esbranquiçadas e deformadas. Os sinais são alertas de que o corpo está com carência de nutrientes.

    Leia também: Acordar com o coração acelerado é normal? Veja o que pode ser

  • Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

    Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

    No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas convivem com doenças autoimunes, sendo a maioria mulheres. A condição pode afetar articulações, pele, glândulas, intestino, rins, pulmões, nervos e praticamente qualquer órgão, e costuma causar sintomas que variam conforme o sistema atingido.

    Eles tendem a aparecer aos poucos, com fases de melhora e piora, e muitas pessoas passam muito tempo acreditando que sinais como cansaço extremo, dores no corpo e queda de cabelo são apenas situações passageiras. Na verdade, tudo isso pode indicar que o sistema imunológico está desregulado e atacando estruturas do próprio corpo.

    Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para entender como as doenças autoimunes se manifestam, quais as mais comuns e como é feito o diagnóstico.

    O que são doenças autoimunes?

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo de vírus, bactérias e outros agentes agressivos, começa a agir de forma confusa e passa a atacar células, tecidos e órgãos saudáveis. A reação provoca uma inflamação contínua, que pode atingir articulações, pele, intestino, glândulas, rins, pulmões, nervos e praticamente qualquer parte do organismo.

    A causa ainda não é totalmente conhecida, mas estudos mostram que fatores genéticos, hormonais, infecções, estresse e ambiente podem influenciar no desenvolvimento das doenças autoimunes.

    “O clínico geral costuma ser o primeiro a levantar essa suspeita porque a consulta inicial geralmente acontece com ele. E como essas doenças costumam começar com sintomas vagos e variados, é o clínico quem faz a triagem dos sinais e decide se é necessário encaminhar ao reumatologista ou outro especialista”, explica Giovanni.

    Quais as doenças autoimunes mais comuns?

    Existem mais de 80 doenças autoimunes conhecidas, e cada uma afeta o corpo de um jeito diferente. As mais comuns incluem:

    • Artrite reumatoide, que provoca inflamação contínua nas articulações, causando dor, rigidez ao acordar e, com o tempo, limitação de movimento;
    • Lúpus, que pode atingir pele, rins, articulações, sangue e outros órgãos, causando manchas, dores, inchaços e períodos de forte inflamação;
    • Doença celíaca, que causa reação ao glúten e altera o funcionamento do intestino, levando a diarreia, dor abdominal, anemia e perda de nutrientes;
    • Tireoidite de Hashimoto, que reduz a função da tireoide e pode causar cansaço, ganho de peso, queda de cabelo e sensação de frio;
    • Psoríase, que produz placas vermelhas e descamação na pele, podendo estar associada a dor nas articulações;
    • Vitiligo, que provoca perda de pigmento em áreas da pele, formando manchas claras que podem surgir em diferentes partes do corpo;
    • Doença de Graves, que acelera o funcionamento da tireoide, causando perda de peso, ansiedade, palpitações e intolerância ao calor;
    • Esclerose múltipla, que interfere na comunicação entre cérebro e corpo, gerando sintomas como formigamentos, fraqueza e dificuldade para manter equilíbrio;
    • Síndrome de Sjögren, que reduz a produção de lágrimas e saliva, levando a olhos secos, boca seca e maior risco de cáries;
    • Doença de Crohn, que inflama o trato digestivo e pode causar dor abdominal, diarreia crônica, perda de peso e anemia;
    • Retocolite ulcerativa, que afeta o intestino grosso e provoca diarreia com sangue, urgência para evacuar e cólicas abdominais.

    ‘Cada uma tem manifestações específicas, mas todas compartilham a ideia de ‘auto ataque’ do sistema imune”, aponta Giovanni.

    Quais os principais sinais que podem indicar uma doença autoimune?

    Apesar de cada doença ter características próprias, alguns sinais chamam a atenção pela combinação, persistência e padrão de aparecimento, segundo Giovanni. Alguns deles incluem:

    • Dores articulares persistentes, principalmente em mãos, punhos, joelhos ou pés;
    • Manchas ou alterações na pele, especialmente se pioram com sol;
    • Fadiga intensa, desproporcional ao esforço;
    • Sensação de fraqueza ou febre baixa recorrente;
    • Queda de cabelo acentuada, fora do padrão habitual;
    • Inchaço articular ou rigidez matinal prolongada;
    • Boca e olhos muito secos;
    • Formigamentos e dormências sem causa aparente;
    • Alterações no intestino, como diarreia crônica;
    • Aftas ou feridas que não cicatrizam facilmente.

    O cardiologista ressalta que sintomas como fadiga, queda de cabelo, alterações no humor e dores articulares podem acontecer em diversas situações — desde estresse e deficiência de vitaminas até problemas hormonais.

    “Por isso o diagnóstico nunca é feito apenas pelo sintoma. O médico avalia o contexto, o tempo de evolução, o padrão das queixas, fatores familiares e exames laboratoriais”, complementa.

    Como as doenças autoimunes evoluem ao longo do tempo

    A maioria das doenças autoimunes apresenta ciclos, porque o sistema imunológico não se mantém estável o tempo todo e reage de maneiras diferentes conforme estímulos internos e externos:

    • Fase de atividade, chamada de crise ou surto, quando os sintomas aumentam;
    • Fase de remissão, quando há melhora parcial ou total.

    A variação ocorre porque o organismo alterna períodos de maior inflamação com períodos de descanso, criando um padrão que pode durar semanas ou meses. Por causa disso, muitas pessoas relatam dias muito difíceis, seguidos de fases mais tranquilas, o que às vezes dificulta o reconhecimento do problema no início.

    “As oscilações podem ser influenciadas por infecções, estresse, exposição solar, alterações hormonais e até fatores emocionais. Por isso, o acompanhamento regular é fundamental”, explica Giovanni.

    Como é feito o diagnóstico das doenças autoimunes?

    O diagnóstico das doenças autoimunes começa com uma avaliação clínica detalhada, porque não existe um único exame capaz de confirmar todas as condições. A investigação se baseia na combinação de sintomas, histórico do paciente e sinais encontrados no exame físico.

    Segundo Giovanni, o clínico costuma iniciar a suspeita quando os sintomas persistem por semanas ou meses e mostram padrão inflamatório, como rigidez matinal prolongada. A presença de vários sintomas ao mesmo tempo também é sinal de alerta, como dor articular com aftas, queda de cabelo e fadiga intensa, assim como um histórico familiar de doenças autoimunes.

    Durante o exame físico, o médico observa sinais como articulações quentes, manchas na pele, mudanças nas unhas ou inchaços, que ajudam a direcionar a avaliação. Nessa fase, podem ser solicitados exames como hemograma, VHS, PCR, FAN e fatores reumatológicos, que mostram se há inflamação ativa ou alterações no sistema imunológico.

    Quando necessário, o clínico encaminha para o reumatologia, endocrinologia, dermatologia ou gastroenterologia, conforme o órgão mais afetado, permitindo um diagnóstico mais preciso e um tratamento adequado.

    Quando ir ao médico?

    A busca por atendimento é importante quando os sintomas duram semanas ou meses e mostram padrão de inflamação contínua. Os principais sinais de alerta incluem:

    • Dor que piora ao acordar;
    • Fadiga intensa;
    • Queda de cabelo;
    • Aftas frequentes;
    • Dor nas articulações;
    • Alterações no intestino;
    • Articulações quentes ou inchadas;
    • Manchas na pele;
    • Febre baixa persistente;
    • Sensação constante de adoecimento.

    A presença de vários sintomas ao mesmo tempo indica que o organismo pode estar reagindo de maneira incomum. A avaliação também é importante quando há histórico familiar de doenças autoimunes, pois o risco pode ser maior.

    Doenças autoimunes têm cura?

    A maioria das doenças autoimunes não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com tratamento médico, que contribui para reduzir a inflamação, aliviar sintomas e impedir danos aos órgãos ao longo do tempo. A evolução varia muito entre pacientes, e algumas condições apresentam longos períodos de remissão, nos quais os sintomas diminuem bastante.

    A combinação de acompanhamento médico, uso correto das medicações, ajustes no estilo de vida e vigilância para evitar gatilhos ajuda a manter qualidade de vida da pessoa.

    Confira: Boca seca, olho seco: entenda mais sobre a síndrome de Sjögren

    Perguntas frequentes

    Por que as doenças autoimunes aparecem?

    A origem das doenças autoimunes envolve vários fatores que se somam ao longo da vida, como genética, hormônios, infecções, estresse e ambiente. Tudo isso pode modificar a forma como o sistema imunológico reconhece as células do próprio corpo.

    Ter familiares com a condição aumenta o risco, e algumas infecções virais podem funcionar como gatilho para os primeiros sintomas.

    Os hormônios também têm um papel importante, porque momentos como gravidez, pós-parto e menopausa podem mudar o equilíbrio do sistema imunológico e facilitar o aparecimento da doença.

    Como os sintomas começam?

    Os primeiros sintomas costumam aparecer de forma discreta e gradual, o que faz muitas pessoas demorarem para perceber que algo está errado. A pessoa pode sentir cansaço profundo que não melhora com descanso, dor nas articulações que vai e volta, mudanças no intestino sem motivo claro, queda de cabelo, sensibilidade maior ao frio ou febre baixa repetida.

    Em vários casos, também surgem aftas frequentes, dores musculares leves ou uma sensação constante de mal-estar difícil de explicar.

    O padrão pode causar a impressão de que a situação está normalizando quando, na verdade, existe um processo inflamatório se instalando aos poucos. A irregularidade dos sintomas acaba confundindo a pessoa e atrasando a busca por atendimento, permitindo que a inflamação avance de maneira silenciosa.

    Como saber se os sintomas são sinais de doença autoimune?

    A persistência é o principal sinal de alerta: quando o corpo apresenta dor prolongada, fadiga intensa, mudanças digestivas, perda de peso involuntária, inchaço persistente ou manchas na pele que não desaparecem, é importante procurar um médico.

    A presença de vários sintomas ao mesmo tempo indica que o sistema imunológico pode estar reagindo de maneira inadequada.

    Como funciona o tratamento de doenças autoimunes?

    O tratamento das doenças autoimunes varia de acordo com o órgão afetado, mas normalmente inclui medicamentos que reduzem inflamação, protegem tecidos e equilibram o sistema imunológico.

    A rotina também envolve ajustes de sono, alimentação, atividade física e controle do estresse, já que pequenos hábitos do dia a dia influenciam diretamente a intensidade dos sintomas.

    Vale apontar que é importante ter a orientação de um médico, que permite adaptar doses, escolher terapias mais seguras e acompanhar a resposta do organismo ao longo do tempo, evitando que a inflamação cause danos permanentes e garantindo uma vida mais estável.

    Pessoas com doença autoimune podem fazer exercícios físicos?

    A atividade física orientada melhora a função muscular, controla a inflamação, aumenta a disposição e reduz dores. O tipo de exercício deve ser escolhido conforme a condição individual, respeitando limites e o grau de inflamação. A regularidade é importante, mas o corpo precisa de descanso nos dias em que a crise está ativa.

    A doença autoimune aumenta o risco de outras condições?

    A inflamação contínua deixa o organismo mais vulnerável a alterações hormonais, problemas cardiovasculares, anemia, alterações na tireoide e distúrbios intestinais, já que o corpo passa longos períodos tentando lidar com um sistema imunológico desregulado.

    A presença de inflamação prolongada também pode afetar humor, energia, qualidade do sono e capacidade de manter uma rotina estável.

    Com o acompanhamento médico regular, é possível detectar mudanças rapidamente e iniciar tratamento adequado, evitando complicações e preservando a saúde dos órgãos ao longo do tempo.

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