Autor: Dr. Giovanni Henrique Pinto

  • Frequência cardíaca durante o treino: por que é importante monitorar e como calcular

    Frequência cardíaca durante o treino: por que é importante monitorar e como calcular

    Se você já usou um smartwatch durante o treino, provavelmente já viu aquele número piscando na tela, indicando os batimentos por minuto do seu coração. Mas você sabe o que fazer com a informação?

    A frequência cardíaca é um dos indicadores mais úteis para entender como o corpo está respondendo ao esforço físico. Ela mostra, em tempo real, o quanto o coração está trabalhando para enviar oxigênio e nutrientes aos músculos durante o exercício.

    Quanto mais intensa é a atividade, maior tende a ser o número de batimentos por minuto. Por isso, acompanhar a frequência cardíaca ajuda a ajustar o ritmo do treino, evitando tanto uma intensidade insuficiente quanto uma sobrecarga excessiva, além de indicar se o exercício está dentro de uma faixa adequada para o objetivo desejado.

    Para que os números realmente façam diferença, no entanto, é importante entender o que eles significam e como utilizá-los na prática. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que monitorar os batimentos durante o treino é tão importante?

    O coração funciona como uma bomba que ajusta o seu ritmo conforme a demanda do corpo.

    “Durante o exercício, os músculos precisam de mais oxigênio — e o coração responde acelerando os batimentos para entregar mais sangue oxigenado. Quanto maior a intensidade do esforço, maior a frequência cardíaca”, explica o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    O monitoramento da frequência cardíaca durante o treino ajuda a entender se a intensidade da atividade está adequada para o objetivo, seja melhorar o condicionamento físico, favorecer a queima de gordura ou manter um treino seguro, sem sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    Para pessoas que convivem com doenças cardíacas, hipertensão ou diabetes, o acompanhamento não é apenas útil, mas pode ser uma parte importante do controle da saúde.

    Como calcular a sua frequência cardíaca máxima?

    A frequência cardíaca máxima, conhecida como FCmáx, corresponde ao limite teórico de batimentos por minuto que o coração pode atingir durante um esforço máximo. Segundo Giovanni, é um valor de referência usado para definir as zonas de treinamento, e não de um objetivo que deve ser alcançado durante o exercício.

    A fórmula mais utilizada é simples:

    FCmáx = 220 − idade

    Vale apontar que a fórmula representa apenas uma estimativa populacional, e não uma medida individual exata. Existe uma variação natural entre pessoas da mesma idade.

    Giovanni explica que fórmulas mais recentes, como a proposta por Tanaka (FCmáx = 208 − 0,7 × idade), são consideradas ligeiramente mais precisas em adultos. Ainda assim, na prática clínica e esportiva, a fórmula tradicional continua sendo amplamente utilizada devido à simplicidade.

    A forma mais precisa de determinar a frequência cardíaca máxima real é por meio de um teste ergométrico, realizado sob supervisão médica.

    Relógios e aplicativos são confiáveis para medir a frequência?

    O uso de relógios inteligentes e aplicativos tornou o monitoramento da frequência cardíaca muito mais acessível, mas a precisão das medições pode variar conforme a tecnologia utilizada.

    • Os monitores com cinta torácica captam diretamente o sinal elétrico do coração e apresentam alta precisão, próxima da obtida em exames como o eletrocardiograma para fins de treino;
    • Já os smartwatches com sensores ópticos de pulso, que estimam a frequência cardíaca a partir do fluxo sanguíneo na pele, costumam ser bastante práticos e relativamente precisos em repouso e em exercícios de baixa a moderada intensidade.

    Em atividades de alta intensidade, porém, Giovanni esclarece que movimentos bruscos ou suor excessivo podem reduzir a precisão das leituras.

    “Para quem treina por saúde geral, os smartwatches são ferramentas úteis e práticas. Para atletas que precisam de dados precisos para periodização, ou para pacientes cardíacos que monitoram frequência por indicação médica, a cinta torácica ou o teste supervisionado são mais confiáveis”, complementa o cardiologista.

    Zonas de treinamento cardíaco: como elas funcionam?

    As zonas de treinamento cardíaco são faixas de batimentos por minuto usadas para medir a intensidade do exercício. Cada zona representa um nível diferente de esforço do corpo durante a atividade física:

    • Zona 1 (50–60% da FCmáx): intensidade muito leve, voltada para recuperação ativa e manutenção da saúde geral;
    • Zona 2 (60–70% da FCmáx): intensidade leve, associada à melhora da capacidade aeróbica e à utilização de gordura como fonte de energia;
    • Zona 3 (70–80% da FCmáx): intensidade moderada, voltada para o condicionamento cardiovascular;
    • Zona 4 (80–90% da FCmáx): intensidade alta, associada ao aumento do desempenho e da resistência;
    • Zona 5 (90–100% da FCmáx): esforço máximo, que só pode ser mantido por períodos curtos.

    Para a maioria das pessoas que praticam atividade física com foco na saúde, as zonas 2 e 3 costumam ser as mais indicadas, pois oferecem um equilíbrio entre eficiência, segurança e sustentabilidade.

    Treinar sempre na frequência mais alta é melhor para o coração?

    A resposta é não. Na prática, o coração responde melhor a estímulos variados do que a um esforço constante em alta intensidade.

    Quando o exercício é realizado frequentemente em níveis muito altos de frequência cardíaca, o organismo entra em um estado de estresse fisiológico contínuo.

    O coração precisa trabalhar mais para manter o fluxo de sangue e oxigênio para os músculos, enquanto outros sistemas do corpo também são exigidos, como o sistema respiratório e o sistema hormonal.

    Com o tempo, a ausência de períodos adequados de recuperação pode levar a:

    • Síndrome do overtraining (supertreinamento): ocorre quando o corpo recebe cargas de treino elevadas sem tempo suficiente para recuperação, causando fadiga persistente, dificuldade de recuperação e queda de desempenho;
    • Arritmias em atletas com alto volume de treino: a sobrecarga repetida sobre o coração, especialmente em treinos muito intensos e frequentes, pode favorecer alterações no ritmo cardíaco em alguns atletas;
    • Aumento do risco de lesões musculoesqueléticas: músculos, tendões e articulações precisam de tempo para se recuperar. Sem descanso adequado, o risco de distensões e lesões por sobrecarga aumenta;
    • Queda do desempenho a longo prazo: o excesso de intensidade sem recuperação suficiente pode comprometer as adaptações do organismo e levar à redução progressiva do desempenho físico.

    “Pesquisas em cardiologia esportiva mostram que a maioria dos atletas de alto rendimento passa cerca de 80% do tempo de treino em baixa intensidade (zonas 1 e 2), com apenas 20% em alta intensidade. Esse modelo, conhecido como treinamento polarizado, tem base científica sólida e é recomendado tanto para desempenho quanto para saúde cardiovascular”, explica Giovanni.

    Pessoas com hipertensão ou doenças cardíacas devem seguir limites diferentes?

    Para pessoas com hipertensão ou doenças cardíacas, o exercício físico continua sendo muito recomendado, mas a intensidade do exercício precisa ser adequada à condição de cada pessoa.

    Em situações como insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana ou histórico de infarto, a prática de exercício costuma ser orientada dentro de programas de reabilitação cardíaca, nos quais a intensidade do esforço é monitorada de forma controlada.

    Já no caso de pessoas que utilizam betabloqueadores, Giovanni explica que as fórmulas tradicionais usadas para estimar a frequência cardíaca máxima podem não refletir corretamente os limites seguros de treino.

    Isso porque os remédios, frequentemente prescritos para hipertensão e arritmias, reduzem a frequência cardíaca em repouso e durante o esforço. Logo, o número de batimentos por minuto deixa de refletir com precisão a intensidade real do exercício.

    “A recomendação para qualquer pessoa com doença cardiovascular conhecida é: consultar o médico antes de iniciar ou intensificar um programa de exercícios e, idealmente, realizar um teste ergométrico para determinar os limites seguros individuais”, orienta o cardiologista.

    Como saber se a frequência cardíaca está excessiva ou perigosa durante o treino?

    Além dos números do relógio ou monitor cardíaco, alguns sintomas indicam que a intensidade pode estar excessiva, como:

    • Dor ou pressão no peito;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Falta de ar desproporcional ao esforço;
    • Palpitações irregulares;
    • Náusea durante o exercício.

    Se qualquer um desses sinais aparecer, o treino deve ser interrompido e pode ser necessária avaliação médica.

    Além dos sinais, Giovanni aponta dois métodos que ajudam a avaliar a intensidade do exercício:

    • Teste da conversa (Talk Test): se durante o exercício você consegue falar frases completas, a intensidade provavelmente está moderada. Se consegue dizer apenas palavras curtas, o esforço já está alto. Se não consegue falar, o exercício está próximo do limite;
    • Escala de Borg (percepção de esforço): mede o cansaço em uma escala de 6 a 20, ou de 0 a 10 na versão simplificada. Para treinos voltados à saúde, o ideal costuma ficar entre 12 e 14, o que corresponde a um esforço moderado.

    Existe uma frequência cardíaca ideal diferente para iniciantes e atletas?

    As fórmulas para calcular a frequência cardíaca máxima são as mesmas, mas o coração de uma pessoa treinada responde de forma diferente ao esforço.

    Com o treino regular, Giovanni explica que o coração se torna mais eficiente: a cada batimento ele bombeia mais sangue, o que reduz a frequência cardíaca em repouso e durante atividades leves. Por isso, atletas de resistência podem apresentar batimentos de repouso bastante baixos.

    Na prática, a intensidade do treino deve respeitar o nível de condicionamento:

    • Iniciantes: devem começar nas zonas 1 e 2 (50–70% da FCmáx), priorizando adaptação e criação de rotina;
    • Intermediários e avançados: podem incluir treinos mais frequentes nas zonas 3 e 4;
    • Atletas: alternam períodos de baixa intensidade com sessões mais intensas, dentro de uma programação estruturada.

    “A regra universal, independentemente do nível: progredir gradualmente, respeitar a recuperação e escutar o corpo”, finaliza o cardiologista.

    Leia mais: O que o cardiologista observa no seu exame de sangue

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece se eu treinar acima da minha frequência cardíaca máxima?

    Treinar no limite extremo (zona 5) por muito tempo causa fadiga muscular precoce, acúmulo de ácido lático e, em casos graves, arritmias ou sobrecarga cardíaca. O corpo não sustenta essa intensidade por muito tempo.

    2. O cálculo para homens e mulheres é o mesmo?

    Nas fórmulas genéricas sim, mas estudos sugerem que o coração feminino tende a bater um pouco mais rápido. Algumas fórmulas específicas para mulheres, como a de Gulati (206 – (0,88 x idade)), são usadas por especialistas para maior precisão.

    3. Por que minha frequência sobe muito rápido no calor?

    O coração precisa bombear sangue não só para os músculos, mas também para a pele para resfriar o corpo. Isso aumenta o esforço cardíaco, elevando os batimentos mesmo que a carga do exercício seja a mesma.

    4. Café e suplementos pré-treino alteram a frequência cardíaca?

    Sim, os estimulantes como a cafeína aumentam a FC basal e a resposta ao exercício. Se você consome esses produtos, deve ter cuidado redobrado para não ultrapassar seus limites de segurança.

    5. Quando devo me preocupar com os batimentos no treino?

    Se a FC demorar muito para baixar após o exercício (recuperação lenta) ou se você sentir palpitações, dor no peito e tontura mesmo estando dentro da sua zona alvo. Nesses casos, procure um cardiologista.

    6. Existe diferença na frequência cardíaca entre natação, ciclismo e corrida?

    Sim. Na natação, a FC costuma ser 10 a 15 batimentos menor devido à posição horizontal (facilita o retorno venoso) e ao resfriamento da água. No ciclismo, a FC também tende a ser menor que na corrida, pois não há o impacto e o peso do corpo é sustentado pela bike.

    Confira: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Pode treinar com gripe? Saiba quanto tempo você deve esperar antes de voltar

    Pode treinar com gripe? Saiba quanto tempo você deve esperar antes de voltar

    Você começou a semana com o nariz escorrendo, a garganta arranhando e aquela sensação de corpo pesado, mas o aplicativo de treino continua enviando notificações, lembrando que está na hora de se exercitar. Na dúvida, é comum se perguntar se vale a pena treinar ou se é melhor deixar o corpo descansar.

    Quando surgem sintomas de resfriado ou gripe, o organismo já está trabalhando para combater uma infecção. Durante o exercício físico, o corpo também precisa de energia e de esforço do sistema cardiovascular e respiratório. Por isso, em alguns casos, pode ser arriscado treinar durante a infecção.

    Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para entender quando o exercício pode (e quando definitivamente não pode) continuar durante um quadro de infecção viral, quais os riscos e como voltar aos treinos sem colocar a saúde em risco.

    É seguro treinar com gripe?

    Depende dos sintomas e da intensidade da gripe. Em muitas situações, o treino pode até ser mantido, mas com algumas adaptações para não sobrecarregar o organismo. Em outras, o melhor caminho realmente é descansar.

    “De forma geral, sintomas leves localizados na parte superior do corpo, como nariz escorrendo, leve congestão nasal ou dor de garganta sem febre, costumam ser tolerados com exercícios de baixa a moderada intensidade. Já sintomas que comprometem o corpo como um todo pedem repouso obrigatório”, explica Giovanni.

    Uma forma de avaliar a situação é observar onde estão os sintomas, a partir da regra do pescoço, que é usada para decidir se é seguro ou não praticar exercício físico quando surgem sintomas de resfriado ou gripe leve.

    Quando os sintomas ficam acima do pescoço

    Se os sintomas aparecem apenas acima do pescoço, em geral o exercício leve costuma ser considerado seguro. Os sinais mais comuns são:

    • Nariz entupido ou escorrendo;
    • Espirros;
    • Garganta arranhando;
    • Congestão nasal leve.

    Nesses casos, atividades leves, como caminhada, alongamento, yoga ou um treino moderado, costumam ser bem toleradas. Ainda assim, o ideal é reduzir a intensidade e observar a reação do corpo. Se você sentir o mal-estar piorar durante o exercício, o melhor é parar.

    Quando os sintomas ficam abaixo do pescoço

    Se os sintomas aparecem no corpo inteiro ou abaixo do pescoço, o mais indicado é evitar o treino. Os sinais de alerta são:

    • Febre;
    • Dores no corpo;
    • Tosse intensa;
    • Fadiga ou cansaço forte;
    • Dor no peito;
    • Calafrios.

    A regra do pescoço não é um diagnóstico médico, mas funciona como um guia prático para avaliar o próprio estado físico. Ela ajuda a separar os casos mais leves, em que uma atividade moderada pode ser possível, dos quadros mais sérios, que pedem descanso.

    Quais os riscos de treinar com uma infecção viral?

    Durante uma gripe ou resfriado, o organismo já está mobilizando energia para combater o vírus. Quando você adiciona um treino intenso na rotina, o esforço físico pode aumentar ainda mais a sobrecarga sobre o corpo.

    Sobrecarga no coração

    Segundo Giovanni, a febre, por si só, já eleva a frequência cardíaca e aumenta a demanda de oxigênio pelo coração. De forma geral, a cada aumento de cerca de 1 °C na temperatura corporal, a frequência cardíaca pode subir entre 10 e 15 batimentos por minuto.

    Quando você pratica exercícios físicos em estado febril, a sobrecarga sobre o organismo aumenta. O coração precisa bombear sangue para os músculos em atividade e, ao mesmo tempo, lidar com a temperatura corporal elevada, com a desidratação mais rápida e com o esforço do sistema imunológico para combater a infecção.

    Como consequência, o cardiologista explica que podem surgir arritmias cardíacas, queda brusca da pressão arterial, tontura, desmaio ou, em situações mais graves, lesões no músculo cardíaco.

    Desidratação e piora dos sintomas

    As infecções virais frequentemente vêm acompanhadas de febre, sudorese e perda de líquidos. O exercício físico também aumenta a transpiração. Quando as duas situações acontecem juntas, o risco de desidratação cresce, o que pode agravar o mal-estar, causar queda de pressão e prolongar a recuperação.

    O esforço físico também pode intensificar sintomas como a fadiga, as dores no corpo e a sensação de exaustão, atrasando o processo de recuperação.

    Inflamação no coração (miocardite)

    Alguns vírus respiratórios, como o vírus influenza, podem provocar uma inflamação do músculo cardíaco chamada miocardite. A condição surge quando a resposta inflamatória do organismo, ao combater o vírus, acaba afetando também o coração.

    Giovanni aponta que o quadro é leve e passa despercebido na maioria das vezes. Mas, em algumas pessoas, principalmente em jovens e atletas, pode causar sintomas como:

    • Palpitações e arritmias;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Queda abrupta do desempenho físico;

    Em situações raras, a miocardite pode evoluir para insuficiência cardíaca ou até morte súbita associada ao esforço físico.

    “Continuar treinando durante uma infecção viral, mesmo sem saber que há miocardite, pode acelerar a progressão da inflamação e aumentar o risco de complicações graves. Estudos em atletas mostram que a miocardite é uma das principais causas de morte súbita relacionada ao esporte”, esclarece o cardiologista.

    Quando parar o treino imediatamente?

    Independentemente da presença de gripe ou resfriado, alguns sintomas durante a prática de exercício físico indicam que a atividade deve ser interrompida imediatamente, como:

    • Dor ou sensação de pressão no peito;
    • Falta de ar desproporcional ao nível do esforço;
    • Palpitações intensas ou batimentos cardíacos irregulares;
    • Tontura, desmaio ou sensação de desmaio iminente;
    • Cansaço extremo e incomum;
    • Febre durante ou após o treino.

    Se você apresentar os sintomas durante um quadro de infecção viral, ou mesmo nos dias seguintes à recuperação, o mais indicado é procurar avaliação médica.

    Quanto tempo esperar antes de voltar a treinar?

    A recomendação geral, com base nas diretrizes da cardiologia esportiva, varia conforme a intensidade dos sintomas, como explica Giovanni:

    • Sintomas leves, sem febre: aguardar de 24 a 48 horas após a resolução completa dos sintomas antes de retomar os exercícios moderados;
    • Gripe com febre ou sintomas sistêmicos: aguardar pelo menos 7 dias após a resolução completa da febre e dos sintomas;
    • Suspeita de miocardite ou complicações: realizar uma avaliação médica com eletrocardiograma e, eventualmente, um ecocardiograma antes de qualquer retorno.

    Para quem tem doenças cardíacas pré-existentes, hipertensão ou diabetes, o retorno deve sempre ser acompanhado por um profissional de saúde.

    Como retomar os exercícios de forma gradual e segura?

    Após uma gripe, o organismo ainda está em fase de recuperação mesmo quando os sintomas desaparecem. Por isso, Giovanni orienta a seguinte estratégia:

    • Dias 1 e 2: caminhada leve por 20 a 30 minutos, sem esforço;
    • Dias 3 e 4: atividade aeróbica de baixa intensidade, como uma corrida leve ou um ciclismo tranquilo;
    • Dias 5 e 6: intensidade moderada, se o corpo responder bem;
    • A partir do dia 7: retorno progressivo à intensidade habitual.

    Uma boa referência: se após 10 minutos de atividade leve você já se sentir significativamente cansado, o corpo ainda precisa de mais tempo para se recuperar.

    “Durante esse retorno, preste atenção ao seu corpo. Cansaço excessivo, falta de ar ou palpitações são sinais de que o organismo ainda não está pronto. Não force”, finaliza o cardiologista.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes

    1. O treino pesado pode piorar uma dor de garganta?

    Sim. O exercício intenso causa um estresse temporário no sistema imune, a chamada “janela aberta”. Isso pode fazer com que uma irritação leve na garganta evolua para uma infecção bacteriana mais séria.

    2. Posso fazer musculação, mas evitar o cardio enquanto estou me recuperando?

    A musculação de alta intensidade também exige muito do sistema cardiovascular e do sistema nervoso central. Se optar por treinar, escolha cargas leves e descansos mais longos entre as séries.

    3. O uso de suplementos como whey e creatina deve ser mantido durante a gripe?

    Pode ser mantido, mas o foco principal deve ser a hidratação e a ingestão de micronutrientes (frutas e vegetais). Se não estiver conseguindo comer bem, o Whey pode ajudar a manter o aporte proteico.

    4. Tomar remédios para gripe me libera para treinar?

    Não. Os remédios antigripais apenas mascaram os sintomas (como dor e febre), mas a infecção viral continua presente no seu organismo. O risco cardíaco permanece o mesmo, mesmo que você se sinta melhor sob efeito do remédio.

    5. O que acontece com o meu VO2 máx (capacidade aeróbica) se eu parar de treinar por causa de uma gripe?

    Haverá uma queda leve na capacidade cardiovascular após 7 a 10 dias de inatividade, mas nada que não seja recuperado rapidamente nas primeiras duas semanas de volta aos treinos.

    6. É melhor treinar em casa para não infectar os outros ou nem treinar?

    Se você tem sintomas sistêmicos (abaixo do pescoço), não deve treinar nem em casa. O repouso é para o seu coração e sistema imune, não apenas para evitar o contágio alheio.

    7. O uso de pré-treinos com cafeína é perigoso durante a gripe?

    Sim, pois a cafeína aumenta a frequência cardíaca e esconde a fadiga real, o que potencializa o risco de arritmias em um coração já estressado pelo vírus.

    Confira: Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

  • Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Infecção hospitalar: o que é, tipos e quais os cuidados necessários para evitar

    Você já ouviu falar em infecções hospitalares? Também chamadas de IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde), elas surgem durante a internação ou como consequência direta dos cuidados recebidos em hospitais, clínicas, pronto-socorros ou outros serviços de saúde.

    Basicamente, elas não estavam presentes no momento da admissão da pessoa e podem surgir tanto durante o período de internação quanto dias após a alta.

    No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que entre 5% e 14% dos pacientes internados desenvolvem algum tipo de infecção hospitalar — sendo um dos principais desafios de segurança do sistema de saúde.

    Afinal, o que é infecção hospitalar e como surge?

    As infecções hospitalares são infecções que surgem durante a internação ou após a realização de cuidados em hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.

    Elas surgem quando microrganismos, como bactérias, vírus ou fungos, entram no organismo por portas de entrada criadas durante o tratamento, como cateteres, sondas, drenos, feridas cirúrgicas ou aparelhos de respiração.

    O risco aumenta porque muitos pacientes estão com a imunidade mais baixa e porque o hospital concentra microrganismos mais resistentes, que podem se espalhar pelo contato com mãos, equipamentos e superfícies.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, elas permanecem um desafio devido à complexidade dos pacientes, uso de dispositivos invasivos e aumento da resistência bacteriana.

    Quem tem mais risco de ter uma infecção hospitalar?

    Por terem o sistema imunológico mais frágil ou por necessitarem de cuidados mais intensivos, algumas pessoas apresentam um risco maior de desenvolver infecções hospitalares, sendo elas:

    • Idosos;
    • Recém-nascidos, especialmente prematuros;
    • Pessoas com imunidade baixa ou em uso de medicamentos imunossupressores;
    • Pessoas com diabetes;
    • Pacientes com doenças crônicas;
    • Pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI).

    Nesses grupos, a atenção à prevenção e à identificação precoce de sinais de infecção precisa ser ainda maior.

    Quais tipos de infecção hospitalar são mais comuns?

    As infecções mais comuns normalmente estão associadas ao uso de dispositivos invasivos e a procedimentos realizados durante a internação. Giovanni aponta os principais:

    • Infecção urinária associada ao uso de cateter, comum em pacientes que utilizam sonda vesical por vários dias;
    • Pneumonia associada à ventilação mecânica, que pode ocorrer em pacientes que precisam de aparelhos para ajudar na respiração;
    • Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso, quando bactérias entram na circulação por meio de cateteres;
    • Infecção de sítio cirúrgico, que surge após cirurgias e pode atingir a pele, os tecidos mais profundos ou órgãos operados.

    “Cateteres, ventilação mecânica, drenos e cirurgias aumentam portas de entrada, e quanto maior o tempo de internação, maior a chance de colonização por microrganismos hospitalares e exposições repetidas”, explica o cardiologista.

    O uso excessivo ou mal indicado de antibióticos também contribui para infecções mais difíceis de tratar, pois favorece a seleção de bactérias resistentes e aumenta o risco de eventos como a infecção por Clostridioides difficile, o que torna o tratamento mais longo e complexo.

    Como as infecções hospitalares se espalham no ambiente de saúde

    As infecções hospitalares se espalham principalmente pelo contato, e algumas das formas mais comuns de transmissão incluem mãos não higienizadas, equipamentos compartilhados entre pacientes e superfícies contaminadas.

    Os microrganismos presentes em um paciente podem passar para outro quando não há limpeza adequada das mãos ou dos materiais utilizados.

    Além disso, procedimentos invasivos, como uso de cateteres, sondas, drenos e aparelhos de respiração, criam portas de entrada para bactérias, vírus e fungos.

    Para completar, o ambiente hospitalar também concentra microrganismos mais resistentes, que conseguem sobreviver por mais tempo em superfícies e se espalhar com facilidade se os protocolos de higiene não forem seguidos corretamente.

    Como evitar as infecções hospitalares?

    Os cuidados para prevenir as infecções envolve tanto os profissionais de saúde quanto os familiares. Algumas medidas simples, quando seguidas corretamente, reduzem de forma significativa o risco de transmissão de microrganismos no ambiente hospitalar.

    Entre alguns dos cuidados, estão:

    • Higiene adequada das mãos, com água e sabonete ou álcool em gel, antes e depois do contato com o paciente;
    • Uso correto de equipamentos de proteção, como luvas, aventais e máscaras, conforme orientação da equipe de saúde;
    • Cuidados rigorosos com cateteres, sondas, drenos e curativos, evitando manipulação desnecessária;
    • Avaliação diária da necessidade de dispositivos invasivos, retirando-os o mais cedo possível;
    • Uso responsável de antibióticos, apenas quando indicados e pelo tempo correto;
    • Limpeza e desinfecção adequadas de superfícies e equipamentos;
    • Participação do paciente e da família, mantendo as mãos higienizadas e seguindo as orientações recebidas.

    “Muitos microrganismos se espalham por mãos não higienizadas e por uso inadequado de equipamentos entre pacientes. Campanhas e auditorias de adesão fazem parte do núcleo de prevenção em serviços de saúde”, esclarece Giovanni.

    O que pacientes devem observar durante a internação?

    Durante a internação, o paciente pode ajudar na prevenção de infecções hospitalares observando sinais simples e seguindo orientações da equipe de saúde, como manter as mãos limpas, antes das refeições e após usar o banheiro.

    Caso perceba dor, vermelhidão, secreção, febre ou qualquer mudança no próprio estado de saúde, o paciente deve avisar a equipe imediatamente.

    Pós-alta hospitalar: como identificar uma infecção?

    Algumas infecções hospitalares podem se manifestar somente após a alta. Por isso, é importante ficar atento a sinais e sintomas que merecem avaliação médica, como:

    Sinais gerais

    • Febre persistente;
    • Calafrios;
    • Mal-estar intenso ou cansaço fora do habitual.

    Alterações na ferida cirúrgica

    • Vermelhidão progressiva ao redor do corte;
    • Dor intensa ou aumento da sensibilidade;
    • Calor local;
    • Presença de secreção ou pus;
    • Abertura dos pontos.

    Sinais urinários, especialmente após uso de sonda

    • Ardor ao urinar;
    • Urgência urinária;
    • Dor lombar;
    • Febre.

    Sinais respiratórios

    • Falta de ar;
    • Tosse com secreção;
    • Febre após internação recente/

    Alterações intestinais

    Diarreia intensa ou persistente após uso de antibióticos ou internação prolongada, podendo indicar infecção por Clostridioides difficile

    Na presença de qualquer um dos sinais, procure atendimento médico o quanto antes. As infecções exigem acompanhamento cuidadoso, pois podem se agravar rapidamente se não forem identificadas e tratadas de forma adequada.

    Infecções hospitalares têm tratamento?

    As infecções hospitalares podem ser tratadas, mas o tipo de tratamento varia conforme a infecção, o microrganismo responsável e o estado de saúde do paciente.

    Em muitos casos, são usados antibióticos, antivirais ou antifúngicos, escolhidos após exames que identificam qual germe está causando a infecção.

    Quando a infecção envolve bactérias resistentes, o tratamento costuma ser mais demorado, pode exigir medicamentos mais fortes e, em alguns casos, um período maior de internação.

    Por isso, a prevenção continua sendo a melhor maneira de evitar complicações, reduzir o tempo no hospital e proteger a saúde do paciente.

    Confira: Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

    Perguntas frequentes

    1. O que é uma “superbactéria”?

    São bactérias que, de tanto serem expostas a antibióticos em ambiente hospitalar, sofreram mutações e se tornaram resistentes à maioria dos remédios comuns. Elas não são necessariamente “mais agressivas”, mas são muito mais difíceis de tratar.

    2. O ar-condicionado do hospital transmite infecção?

    Os hospitais possuem filtros especiais (HEPA) que limpam o ar em áreas críticas como centros cirúrgicos. O risco maior não está no ar, mas no contato físico e em objetos compartilhados.

    3. O que é “infecção de sítio cirúrgico”?

    É a infecção que acontece exatamente onde foi feita a cirurgia. Ela pode ser superficial (na pele) ou profunda (atingindo órgãos). É uma das causas mais comuns de reidratação hospitalar após a alta.

    4. O que fazer se eu suspeitar que peguei uma infecção no hospital?

    Não tente se automedicar com antibióticos que sobraram de outras vezes. Entre em contato imediato com o médico que fez o procedimento ou procure o pronto-socorro da mesma instituição onde você foi atendido.

    5. Por que os médicos pedem para tirar o esmalte antes de uma cirurgia?

    O esmalte (principalmente os escuros) impede que o aparelho de oximetria meça corretamente o oxigênio no sangue. Além disso, as unhas naturais ajudam o médico a perceber rapidamente sinais de má circulação ou infecção.

    6. Posso pegar uma infecção hospitalar em um exame simples?

    É raro, mas pode acontecer. Qualquer procedimento que envolva furos, cortes ou introdução de aparelhos no corpo pode abrir caminho para bactérias se os protocolos de higiene não forem seguidos à risca.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

  • Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Aumento da frequência das evacuações, fezes mais líquidas e dor ou desconforto abdominal são alguns dos principais sintomas da diarreia, que pode surgir de forma repentina ou se desenvolver ao longo de alguns dias, dependendo do que está causando o problema.

    Normalmente, o quadro é passageiro e melhora espontaneamente em poucos dias, mas quando dura 14 dias ou mais, ele é considerado persistente.

    “Quando [a diarreia] se prolonga por semanas, aumenta a chance de desidratação, perda de peso e de haver uma causa que precisa de investigação”, explica o cardiologista e clínico geral Giovanni Henrique Pinto.

    O que pode ser a diarreia constante?

    Quando a diarreia persiste por vários dias, ela pode estar relacionada a diferentes fatores, como aponta Giovanni:

    • Gastroenterites virais ou bacterianas, especialmente quando não tratadas adequadamente;
    • Parasitoses intestinais, mais comuns em locais com saneamento inadequado;
    • Uso de medicamentos, como antibióticos, metformina, suplementos de magnésio e laxantes;
    • Infecção por Clostridioides difficile, geralmente após uso recente de antibióticos ou período de internação hospitalar;
    • Intolerâncias alimentares, como lactose ou frutose;
    • Síndrome do intestino irritável, principalmente nas formas com predomínio de diarreia;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

    Quais os riscos da diarreia constante?

    A desidratação é o principal risco da diarreia constante e acontece porque o corpo perde muita água e sais minerais pelas fezes. Quando o organismo não consegue repor rapidamente essas perdas, Giovanni explica que podem surgir queda da pressão arterial, tontura, fraqueza e até lesão renal aguda.

    Em pessoas idosas, o perigo é maior porque o organismo tem menos capacidade de se adaptar à perda de líquidos. Além disso, a sensação de sede costuma ser menor, o que facilita a desidratação, mesmo quando a diarreia parece leve.

    No caso de pessoas com problemas no coração, como insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias, a perda de líquidos reduz a quantidade de sangue circulando no corpo.

    Nesses casos, a diarreia persistente pode agravar sintomas, alterar o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Se você apresentar os seguintes sinais, procure atendimento médico imediatamente, pois a diarreia pode estar associada a um quadro mais grave e precisa de avaliação.

    • Presença de sangue nas fezes;
    • Fezes muito escuras ou com aspecto de borra de café;
    • Febre alta ou persistente;
    • Dor abdominal intensa ou que piora com o tempo;
    • Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina, fraqueza intensa e tontura ou confusão mental;
    • Episódios de desmaio;
    • Piora do estado geral.

    A atenção deve ser redobrada quando os sintomas surgem em idosos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com o sistema imunológico comprometido, pois o risco de complicações é maior.

    O que tomar para diarreia constante?

    Em adultos saudáveis, sem febre e sem presença de sangue nas fezes, alguns medicamentos antidiarreicos podem ser usados por curto período. Mesmo assim, o uso deve ser cauteloso, pois nem toda diarreia deve ser interrompida com remédios.

    Quando há suspeita de infecção mais grave, o uso dos medicamentos deve ser evitado, já que podem mascarar sintomas importantes e aumentar o risco de complicações. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável.

    Como é feita a investigação da causa?

    Para investigar a causa da diarreia constante, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, para entender a duração da diarreia, a frequência das evacuações, a presença de sintomas associados — além de hábitos alimentares, uso de medicamentos, viagens recentes e histórico de doenças intestinais.

    Também podem ser solicitados alguns exames específicos, como:

    • Exames de fezes: pesquisa de parasitas, bactérias, vírus, presença de muco, sangue ou sinais de inflamação;
    • Exames de sangue: avaliação de infecção, inflamação, anemia, desidratação e alterações de sais minerais;
    • Testes para intolerâncias alimentares: como lactose ou frutose, ou dieta de exclusão orientada;
    • Colonoscopia: indicada quando a diarreia é persistente ou há sinais de alerta, permitindo avaliar inflamações, lesões e doenças intestinais;
    • Outros exames de imagem ou endoscópicos: solicitados em situações específicas, conforme a suspeita clínica.

    Diarreia constante tem tratamento?

    O tratamento da diarreia constante depende da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em todos os casos, a reposição de líquidos e sais minerais é sempre necessária para prevenir a desidratação.

    Em casos de infecções, o tratamento varia de acordo com o agente causador. Infecções bacterianas ou parasitárias podem exigir o uso de medicamentos específicos, enquanto infecções virais costumam melhorar com medidas de suporte, como hidratação e alimentação adequada.

    Quando a diarreia está relacionada a intolerâncias alimentares, o principal cuidado é ajustar a dieta, com retirada temporária ou definitiva do alimento responsável.

    Já em doenças inflamatórias intestinais, o tratamento envolve acompanhamento médico contínuo e uso de remédios próprios para controle da inflamação.

    O uso de medicamentos para reduzir a diarreia pode ser indicado em situações selecionadas e por curto período, sempre com orientação profissional.

    Cuidados com a diarreia constante para evitar complicações

    Enquanto o quadro de diarreia constante não melhora, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger o organismo, reduzir complicações e favorecer a recuperação, especialmente em pessoas mais vulneráveis. Alguns deles incluem:

    • Hidratação com sais minerais: dar preferência ao soro de reidratação oral, que repõe água e sais minerais de forma correta e funciona melhor do que beber apenas água;
    • Alimentação leve: escolher alimentos simples, como arroz, batata, banana e sopas, evitando álcool, comidas gordurosas e produtos industrializados;
    • Atenção aos sinais do corpo: observar se a urina diminuiu e se surgem tontura ou fraqueza;
    • Mais cuidado com grupos de risco: idosos e pessoas com problemas no coração precisam de acompanhamento mais próximo.

    Quem faz uso de diuréticos ou medicamentos para pressão arterial não deve ajustar doses por conta própria em caso de desidratação. Nesses casos, a orientação médica é importante para evitar queda de pressão ou sobrecarga nos rins.

    O que evitar se estiver com diarreia?

    Durante a diarreia, o intestino fica mais sensível e qualquer alimento inadequado pode piorar os sintomas, como:

    • Alimentos gordurosos ou frituras;
    • Leite e derivados;
    • Doces, açúcar e adoçantes artificiais;
    • Bebidas com cafeína, como café, chá preto e energéticos;
    • Álcool;
    • Alimentos muito condimentados ou apimentados;
    • Carnes processadas, como embutidos e fritos;
    • Vegetais crus e alimentos ricos em fibras insolúveis;
    • Refrigerantes e sucos industrializados;
    • Suplementos e laxantes.

    Assim que os sintomas melhorarem, a alimentação pode ser retomada de forma gradual, começando por alimentos leves e de fácil digestão.

    Veja também: Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite

    Perguntas frequentes

    1. Quando a diarreia passa a ser considerada “constante”?

    A diarreia é classificada como constante quando a alteração do hábito intestinal (fezes amolecidas ou líquidas) persiste por mais de 4 semanas.

    2. Por que sinto cólicas fortes junto com a diarreia?

    As cólicas são contrações musculares do intestino tentando expelir o conteúdo rapidamente. Se forem constantes, podem indicar inflamação ou sensibilidade exacerbada do órgão.

    3. É normal ter gases excessivos com a diarreia?

    Muitas vezes sim, especialmente se a causa for má absorção de carboidratos ou fermentação bacteriana excessiva no intestino (como no SIBO).

    4. Posso tomar remédios para “trancar” o intestino por conta própria?

    Não é recomendado. Se a diarreia for causada por uma infecção ou bactéria, segurar o fluxo pode piorar o quadro. O uso de medicamentos deve ser orientado por um médico.

    5. Qual especialista devo procurar?

    O gastroenterologista é o médico especialista indicado para investigar e tratar qualquer alteração intestinal que dure mais de um mês.

    6. O que é a esteatorreia (fezes gordurosas)?

    É um tipo de diarreia onde as fezes são volumosas, pálidas, têm odor muito forte e flutuam no vaso. Ela pode indicar má absorção de gordura, muitas vezes ligada a problemas no pâncreas ou no fígado.

    Confira: Diarreia: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum

  • Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

    Vitaminas: por que você não deve suplementar sem acompanhamento médico?

    Mesmo sendo vendidos como naturais, os suplementos vitamínicos são produtos concentrados, formulados para interferir diretamente no funcionamento do organismo — e não estão livres de efeitos colaterais!

    Diferente dos nutrientes obtidos por meio de uma alimentação equilibrada, em que o corpo absorve vitaminas de forma gradual e controlada, os suplementos entregam doses isoladas e, muitas vezes, em quantidades muito acima da ingestão diária recomendada.

    Isso pode causar desequilíbrios no organismo, sobrecarregar fígado e rins e provocar sintomas que nem sempre são associados à suplementação, como náuseas, desconforto intestinal e cansaço frequente.

    Por que vitaminas não são inofensivas?

    As vitaminas são essenciais para o funcionamento do corpo, mas quando usadas em forma de suplemento, elas deixam de agir apenas como nutrientes da alimentação e passam a atuar como substâncias concentradas, capazes de alterar o equilíbrio do organismo.

    Para se ter uma ideia, o corpo foi feito para receber vitaminas aos poucos, por meio dos alimentos. Na suplementação, a dose chega de uma vez e, muitas vezes, em quantidade maior do que o necessário.

    Quando não há deficiência, o excesso pode causar efeitos indesejados, sobrecarregar fígado e rins e causar sintomas como enjoo, dor de cabeça, alterações intestinais, cansaço e até problemas mais sérios, dependendo da vitamina e do tempo de uso.

    Quais vitaminas podem causar problemas quando usadas em excesso?

    De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as vitaminas que mais oferecem risco são as lipossolúveis, pois ficam armazenadas no organismo e não são eliminadas com facilidade. Nesse grupo entram vitaminas A, D, E e K. O uso contínuo, principalmente em doses altas, aumenta o risco de toxicidade.

    Algumas vitaminas hidrossolúveis, apesar de serem eliminadas pela urina, também causam danos quando consumidas em excesso por longos períodos. Um exemplo comum é a vitamina B6, que pode levar a formigamento, dormência e alterações neurológicas.

    O problema costuma surgir quando a suplementação acontece sem exames, sem indicação clara ou associada a vários produtos ao mesmo tempo, o que facilita o consumo acima do necessário.

    Quais os riscos da hipervitaminose?

    A hipervitaminose consiste no excesso de vitaminas no organismo, normalmente causado pelo uso indiscriminado de suplementos. Os riscos variam conforme a vitamina envolvida, a quantidade ingerida e o tempo de uso, mas podem afetar diferentes sistemas do corpo:

    Intoxicação silenciosa e progressiva

    Em muitos casos, a hipervitaminose se desenvolve aos poucos. Os sintomas iniciais costumam ser leves e inespecíficos, como dor de cabeça, enjoo, fadiga, tontura e alterações intestinais.

    Com o tempo, o excesso se acumula e o quadro se agrava, dificultando a identificação da causa.

    Sobrecarrega dos rins e fígado

    O uso inadequado de suplementos vitamínicos pode sobrecarregar órgãos responsáveis pela metabolização e eliminação dessas substâncias, como fígado e rins.

    Segundo Giovanni, o excesso de vitamina D pode elevar o nível de cálcio no sangue, condição conhecida como hipercalcemia. O desequilíbrio favorece a formação de cálculos renais e pode prejudicar a função dos rins, especialmente em pessoas que já convivem com doenças renais.

    Já a vitamina A, quando consumida em doses altas, está associada à toxicidade sistêmica, com impacto direto no fígado, além de alterações na pele e no sistema nervoso. Durante a gestação, o uso excessivo representa risco elevado para o desenvolvimento do bebê.

    Afeta o coração e a circulação

    A vitamina E, em doses altas, pode aumentar o risco de sangramentos, o que exige atenção em pessoas que utilizam anticoagulantes, antiagregantes plaquetários ou que apresentam doenças cardíacas.

    As interações muitas vezes passam despercebidas, pois o suplemento não é visto como algo que possa interferir em tratamentos em andamento.

    Impacto no sistema nervoso

    Determinadas vitaminas, quando usadas em altas doses por longos períodos, afetam o sistema nervoso. O consumo exagerado de vitamina B6 pode causar formigamento, dormência e perda de sensibilidade, sintomas que podem se tornar persistentes.

    Alterações hormonais e metabólicas

    O excesso de vitamina D, por exemplo, pode aumentar o cálcio no sangue, favorecendo cálculos renais, fraqueza muscular e alterações cardíacas. Já o excesso de vitamina A pode provocar alterações na pele, queda de cabelo e problemas no fígado

    Risco aumentado em gestantes e idosos

    Gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas apresentam maior sensibilidade ao excesso de vitaminas. Durante a gravidez, a hipervitaminose A está associada a risco de malformações fetais, tornando a suplementação sem orientação ainda mais perigosa.

    Minerais em polivitamínicos também merecem cuidado

    Além das vitaminas, muitos suplementos combinam minerais, como ferro, zinco e magnésio. O uso sem critério pode causar efeitos importantes, como desconforto gastrointestinal, sobrecarga renal e desequilíbrios metabólicos.

    O consumo de ferro sem indicação, por exemplo, pode ser prejudicial para pessoas que não apresentam deficiência comprovada.

    A suplementação só deve fazer parte da rotina quando existe necessidade real, avaliada por exames e acompanhamento profissional.

    Quem realmente precisa de suplementação?

    Na maioria das vezes, a suplementação só é indicada quando existe falta comprovada ou alguma condição que dificulte a absorção dos nutrientes, como aponta Giovanni:

    • Pessoas com deficiência comprovada em exames;
    • Quem segue dietas restritivas, como veganos;
    • Gestantes, que normalmente necessitam de ácido fólico e, em alguns casos, ferro;
    • Idosos, devido à menor ingestão alimentar ou dificuldade de absorção de nutrientes;
    • Pessoas que passaram por cirurgia bariátrica;
    • Quem apresenta doenças intestinais que prejudicam a absorção de vitaminas;
    • Pessoas com osteoporose ou baixa vitamina D já documentada.

    Exames de sangue são necessários antes de indicar vitaminas?

    Os exames ajudam a confirmar se existe deficiência de verdade e evitam o uso desnecessário ou em excesso. Eles são ainda mais importantes quando se pensa em doses altas ou quando a pessoa tem outros problemas de saúde, como doenças nos rins ou no fígado ou histórico de pedra nos rins.

    Sinais de que você está tomando vitaminas de forma inadequada

    Se você está fazendo suplementação de vitaminas, é importante ficar atento aos seguintes sinais:

    • Náuseas, vômitos, dor abdominal e perda de apetite, que indicam que o corpo está tendo dificuldade para lidar com o excesso;
    • Fraqueza, confusão mental e sede intensa, sinais que podem estar ligados ao aumento do cálcio no sangue, situação associada ao excesso de vitamina D;
    • Sangramentos ou hematomas fáceis, que podem acontecer com doses altas de vitamina E ou pela interação com medicamentos;
    • Formigamento, dormência e outros sintomas neurológicos, possíveis sinais de excesso de vitamina B6.

    Ao perceber qualquer um dos sintomas, é importante interromper o uso do suplemento e procurar orientação médica.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. Vitaminas “naturais” podem causar efeitos colaterais?

    Sim, o termo “natural” refere-se à origem, mas no suplemento a substância está em alta concentração. Isso pode causar desde desconforto gástrico e alergias até sobrecarga hepática.

    2. Suplementos de academia (como pré-treinos com vitaminas) são seguros?

    Muitos contêm doses cavalares de vitaminas do complexo B e estimulantes que podem causar taquicardia, ansiedade e sobrecarga metabólica se não forem indicados para seu nível de treino.

    3. Vitaminas podem interagir com anticoncepcionais?

    Algumas substâncias e ervas presentes em suplementos complexos podem reduzir a eficácia de hormônios, incluindo anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal.

    4. Qual a diferença entre suplemento e remédio?

    Legalmente, a regulação é diferente. Muitos suplementos não passam pelos testes rigorosos de segurança que os remédios passam, o que torna o acompanhamento profissional ainda mais vital.

    5. Qual a diferença entre suplemento manipulado e industrializado?

    O manipulado permite doses exatas para sua necessidade (personalização), enquanto o industrializado tem doses fixas. Ambos exigem prescrição, mas o médico decidirá qual o melhor veículo de absorção para o seu caso.

    6. Suplementos de colágeno contam como vitaminas?

    O colágeno é uma proteína, não uma vitamina. Ele não substitui vitaminas nem corrige carências nutricionais.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

  • Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Presente em cerca de um terço das mulheres adultas no Brasil, a anemia é uma condição em que há uma redução na quantidade de hemoglobina no sangue, proteína responsável por transportar oxigênio dos pulmões para o corpo. Quando ela está baixa, o organismo recebe menos oxigênio, o que causa sintomas como cansaço, fraqueza e palidez na pele.

    Mas o que isso tem haver com problemas cardíacos? De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, todo o corpo é afetado quando o sangue transporta menos oxigênio, especialmente o coração — que precisa trabalhar mais para compensar essa deficiência.

    No caso de pessoas com doenças cardíacas, como insuficiência ou arritmia, o esforço adicional pode causar uma descompensação cardíaca e aumento do risco de infarto. Isso torna a condição um fator de atenção para quem apresenta qualquer condição que reduza a capacidade do coração de bombear sangue.

    Como a anemia interfere na função do coração?

    O coração precisa de oxigênio para manter o músculo cardíaco em funcionamento. Em quadros de anemia, a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue diminui — e o organismo tenta equilibrar a situação aumentando a frequência dos batimentos cardíacos e a força de contração. O esforço extra faz o coração bombear mais rápido para levar oxigênio suficiente às células.

    Com o passar do tempo, a sobrecarga provoca dilatação das câmaras cardíacas, especialmente do ventrículo esquerdo, responsável por impulsionar o sangue para o corpo. A adaptação temporária acaba se tornando prejudicial para o coração, pois enfraquece o músculo cardíaco e reduz a eficiência da circulação.

    “Na insuficiência cardíaca, o coração já tem dificuldade para bombear sangue. Se o sangue está ‘pobre’ em oxigênio, o organismo tenta compensar com aumento da frequência cardíaca e dilatação dos vasos — o que piora a sobrecarga e pode levar à falta de ar e inchaço”, aponta Giovanni.

    O especialista acrescenta que, em casos de angina ou doença coronariana, a anemia reduz o fornecimento de oxigênio ao músculo cardíaco, favorecendo crises de dor no peito. Já nas arritmias, a hipóxia (redução do oxigênio) pode interferir na condução elétrica do coração, provocando batimentos irregulares.

    Como a anemia se manifesta e quais são os sintomas

    A anemia costuma causar sintomas que muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com o cansaço do dia a dia, como:

    • Fraqueza;
    • Sonolência;
    • Falta de ar;
    • Tontura;
    • Dor de cabeça;
    • Palidez na pele e nas mucosas.

    Uma pessoa com problemas no coração pode apresentar piora dos sintomas já conhecidos: o fôlego pode ficar mais curto, o cansaço aparecer com atividades leves e a palpitação se tornar mais frequente.

    “Tanto na anemia quanto nas doenças cardíacas pode aparecer cansaço, fraqueza, tontura, palpitação e falta de ar, o que pode levar o paciente a pensar que o problema é apenas ‘do coração’ ou apenas ‘do sangue’. Por isso, exames de sangue simples, como hemograma e dosagem de ferro, são importantes na investigação de piora dos sintomas cardíacos”, explica Giovanni.

    O uso de remédios pode influenciar o quadro?

    Segundo Giovanni, alguns medicamentos usados no tratamento de problemas cardiológicos podem interferir na produção ou na perda de sangue, como:

    • Anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, como aspirina, clopidogrel, varfarina, podem causar sangramentos ocultos no trato digestivo, levando à anemia por perda de sangue;
    • Inibidores da ECA e bloqueadores do receptor de angiotensina II, usados em insuficiência cardíaca, podem reduzir discretamente a produção de hemoglobina.

    Pessoas com doenças renais crônicas ou que usam medicamentos diuréticos também apresentam maior risco de desenvolver anemia, pois os rins produzem menos eritropoetina, um hormônio que estimula a fabricação de glóbulos vermelhos.

    Como é feito o diagnóstico de anemia?

    O diagnóstico de anemia é feito com base em uma avaliação clínica e exames laboratoriais. O hemograma completo mostra os níveis de hemoglobina, hematócrito, volume corpuscular médio e concentração de hemoglobina corpuscular média — dados que ajudam a identificar o tipo de anemia.

    O especialista ainda pode solicitar a dosagem de ferritina, ferro sérico e vitamina B12 para complementar a avaliação. Um eletrocardiograma e um ecocardiograma também podem ser feitos para verificar como o coração está respondendo à redução do oxigênio.

    Como é feito o tratamento da anemia em pacientes cardíacos?

    O tratamento da anemia em pacientes cardíacos deve ser feito com cautela e sob acompanhamento médico. Primeiro, é importante identificar a causa da condição, que pode surgir devido a deficiência de ferro, sangramentos ocultos, falta de vitaminas B12 e ácido fólico ou doenças crônicas, como insuficiência renal.

    Quando a anemia é por falta de ferro, o médico pode indicar reposição oral ou intravenosa. Em pacientes com problemas cardíacos, como insuficiência, a via intravenosa costuma ser indicada, pois tem melhor absorção e não causa desconforto gastrointestinal. Já a transfusão de sangue é indicada apenas em casos graves, quando os níveis de hemoglobina estão muito baixos e há risco de descompensação do coração.

    A alimentação também faz parte do tratamento de anemia, de modo que o cardápio deve incluir fontes de ferro, como carne vermelha, frango, peixe, feijão e vegetais verde-escuros — além de frutas ricas em vitamina C, que aumentam a absorção do mineral. O café e o chá preto devem ser evitados nas principais refeições.

    É possível prevenir a anemia?

    Pessoas com problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana, apresentam um risco aumentado de desenvolver anemia. Por isso, é necessário manter alguns cuidados para prevenir a condição, como:

    • Acompanhamento médico regular: consultas e exames de sangues feitos periódicamente monitoram os níveis de hemoglobina, ferro e outras vitaminas, permitindo que a anemia seja detectada no início;
    • Alimentação balanceada: a dieta deve priorizar alimentos in natura e minimamente processados, ricos em ferro, vitamina C e vitaminas do complexo B, como vegetais de folhas verde-escuras, feijão, frutas (laranja, morango, acerola), peixes, ovos, laticínios, carnes e vegetais de folhas;
    • Controle dos medicamentos: o uso de anticoagulantes, anti-inflamatórios e outros remédios deve ser monitorado pelo médico, já que pode causar sangramentos e contribuir para a perda de ferro;
    • Reposição supervisionada de ferro e vitaminas: suplementos só devem ser usados com orientação médica, para evitar sobrecarga no organismo e interações com outros medicamentos;
    • Hidratação adequada: a ingestão regular de água é fundamental para manter a viscosidade ideal do sangue e facilitar o transporte de oxigênio, reduzindo o esforço do coração;
    • Prática regular de atividade física leve: caminhadas, alongamentos e exercícios orientados por um profissional fortalecem o sistema cardiovascular, aumentam a resistência e melhoram a oxigenação corporal;
    • Redução do consumo de álcool e tabaco: as substâncias prejudicam a absorção de nutrientes, alteram a produção de hemoglobina e aumentam o risco de doenças cardíacas e anêmicas.

    Confira: Infarto x angina: entenda a diferença entre os dois problemas no coração

    Perguntas frequentes

    A anemia pode causar infarto?

    A anemia grave reduz o fornecimento de oxigênio para o músculo cardíaco, podendo provocar uma isquemia (falta de oxigênio local) mesmo sem entupimento das artérias.

    Em pessoas com artérias já comprometidas, a situação é ainda mais séria, pois a baixa oxigenação pode precipitar um infarto, causar dor torácica e levar a arritmias. Nesse sentido, tratar a anemia é também uma forma de prevenir complicações cardíacas sérias.

    Quais sintomas indicam que uma pessoa com doença cardíaca pode estar com anemia?

    Os sintomas de anemia costumam ser sutis no início, mas ficam mais evidentes com o passar do tempo. Os principais incluem cansaço fácil, fraqueza, sonolência, falta de ar ao realizar tarefas simples, palpitação, tontura e pele pálida.

    Em pessoas com insuficiência cardíaca, os sintomas se confundem com a própria doença, de modo que o fôlego diminui, os inchaços aumentam e o esforço físico se torna mais difícil. Uma piora repentina dos sinais pode indicar que a anemia está agravando a condição cardíaca.

    Por que a anemia piora a insuficiência cardíaca?

    Na insuficiência cardíaca, o coração já tem dificuldade de bombear sangue com eficiência. Quando tem um quadro de anemia, o sangue transporta menos oxigênio, o que obriga o coração a aumentar a frequência e a força das batidas. O esforço constante leva à dilatação e enfraquecimento do músculo cardíaco.

    Com o tempo, o quadro se agrava e o paciente passa a apresentar falta de ar mesmo em repouso, além de inchaços e fadiga intensa. Vale lembrar que a combinação de anemia e insuficiência cardíaca é considerada de alto risco e exige tratamento rápido.

    A anemia pode voltar mesmo depois do tratamento?

    Sim! Se a causa da anemia não for tratada, ela tende a reaparecer depois, o que torna importante o acompanhamento médico contínuo. O paciente deve realizar exames periódicos para monitorar os níveis de hemoglobina, ferro e vitaminas. Mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada e controle rigoroso dos medicamentos também ajudam a prevenir recidivas.

    Tenho anemia, o que devo comer?

    A dieta de pessoas com anemia deve incluir alimentos ricos em ferro, vitamina C e vitaminas do complexo B, como:

    • Carnes vermelhas magras;
    • Fígado;
    • Frango e peixe;
    • Ovos;
    • Feijão, lentilha e grão-de-bico;
    • Vegetais de folhas verde-escuras, como espinafre, couve e agrião;
    • Frutas cítricas, como laranja, acerola, kiwi e limão, que aumentam a absorção do ferro vegetal;
    • Cereais integrais, aveia, nozes e sementes.

    No dia a dia, o ideal é combinar os alimentos certos e evitar exageros de ultraprocessados, que prejudicam a absorção de nutrientes.

    A anemia pode causar queda de cabelo e unhas fracas?

    Sim, a falta de ferro e de oxigênio afeta a regeneração celular, prejudicando o crescimento dos fios e das unhas. O cabelo pode ficar mais fino, quebradiço e cair com facilidade, enquanto as unhas podem se tornar frágeis, esbranquiçadas e deformadas. Os sinais são alertas de que o corpo está com carência de nutrientes.

    Leia também: Acordar com o coração acelerado é normal? Veja o que pode ser

  • Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

    Doenças autoimunes: 10 sinais para você ficar atento

    No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas convivem com doenças autoimunes, sendo a maioria mulheres. A condição pode afetar articulações, pele, glândulas, intestino, rins, pulmões, nervos e praticamente qualquer órgão, e costuma causar sintomas que variam conforme o sistema atingido.

    Eles tendem a aparecer aos poucos, com fases de melhora e piora, e muitas pessoas passam muito tempo acreditando que sinais como cansaço extremo, dores no corpo e queda de cabelo são apenas situações passageiras. Na verdade, tudo isso pode indicar que o sistema imunológico está desregulado e atacando estruturas do próprio corpo.

    Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para entender como as doenças autoimunes se manifestam, quais as mais comuns e como é feito o diagnóstico.

    O que são doenças autoimunes?

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo de vírus, bactérias e outros agentes agressivos, começa a agir de forma confusa e passa a atacar células, tecidos e órgãos saudáveis. A reação provoca uma inflamação contínua, que pode atingir articulações, pele, intestino, glândulas, rins, pulmões, nervos e praticamente qualquer parte do organismo.

    A causa ainda não é totalmente conhecida, mas estudos mostram que fatores genéticos, hormonais, infecções, estresse e ambiente podem influenciar no desenvolvimento das doenças autoimunes.

    “O clínico geral costuma ser o primeiro a levantar essa suspeita porque a consulta inicial geralmente acontece com ele. E como essas doenças costumam começar com sintomas vagos e variados, é o clínico quem faz a triagem dos sinais e decide se é necessário encaminhar ao reumatologista ou outro especialista”, explica Giovanni.

    Quais as doenças autoimunes mais comuns?

    Existem mais de 80 doenças autoimunes conhecidas, e cada uma afeta o corpo de um jeito diferente. As mais comuns incluem:

    • Artrite reumatoide, que provoca inflamação contínua nas articulações, causando dor, rigidez ao acordar e, com o tempo, limitação de movimento;
    • Lúpus, que pode atingir pele, rins, articulações, sangue e outros órgãos, causando manchas, dores, inchaços e períodos de forte inflamação;
    • Doença celíaca, que causa reação ao glúten e altera o funcionamento do intestino, levando a diarreia, dor abdominal, anemia e perda de nutrientes;
    • Tireoidite de Hashimoto, que reduz a função da tireoide e pode causar cansaço, ganho de peso, queda de cabelo e sensação de frio;
    • Psoríase, que produz placas vermelhas e descamação na pele, podendo estar associada a dor nas articulações;
    • Vitiligo, que provoca perda de pigmento em áreas da pele, formando manchas claras que podem surgir em diferentes partes do corpo;
    • Doença de Graves, que acelera o funcionamento da tireoide, causando perda de peso, ansiedade, palpitações e intolerância ao calor;
    • Esclerose múltipla, que interfere na comunicação entre cérebro e corpo, gerando sintomas como formigamentos, fraqueza e dificuldade para manter equilíbrio;
    • Síndrome de Sjögren, que reduz a produção de lágrimas e saliva, levando a olhos secos, boca seca e maior risco de cáries;
    • Doença de Crohn, que inflama o trato digestivo e pode causar dor abdominal, diarreia crônica, perda de peso e anemia;
    • Retocolite ulcerativa, que afeta o intestino grosso e provoca diarreia com sangue, urgência para evacuar e cólicas abdominais.

    ‘Cada uma tem manifestações específicas, mas todas compartilham a ideia de ‘auto ataque’ do sistema imune”, aponta Giovanni.

    Quais os principais sinais que podem indicar uma doença autoimune?

    Apesar de cada doença ter características próprias, alguns sinais chamam a atenção pela combinação, persistência e padrão de aparecimento, segundo Giovanni. Alguns deles incluem:

    • Dores articulares persistentes, principalmente em mãos, punhos, joelhos ou pés;
    • Manchas ou alterações na pele, especialmente se pioram com sol;
    • Fadiga intensa, desproporcional ao esforço;
    • Sensação de fraqueza ou febre baixa recorrente;
    • Queda de cabelo acentuada, fora do padrão habitual;
    • Inchaço articular ou rigidez matinal prolongada;
    • Boca e olhos muito secos;
    • Formigamentos e dormências sem causa aparente;
    • Alterações no intestino, como diarreia crônica;
    • Aftas ou feridas que não cicatrizam facilmente.

    O cardiologista ressalta que sintomas como fadiga, queda de cabelo, alterações no humor e dores articulares podem acontecer em diversas situações — desde estresse e deficiência de vitaminas até problemas hormonais.

    “Por isso o diagnóstico nunca é feito apenas pelo sintoma. O médico avalia o contexto, o tempo de evolução, o padrão das queixas, fatores familiares e exames laboratoriais”, complementa.

    Como as doenças autoimunes evoluem ao longo do tempo

    A maioria das doenças autoimunes apresenta ciclos, porque o sistema imunológico não se mantém estável o tempo todo e reage de maneiras diferentes conforme estímulos internos e externos:

    • Fase de atividade, chamada de crise ou surto, quando os sintomas aumentam;
    • Fase de remissão, quando há melhora parcial ou total.

    A variação ocorre porque o organismo alterna períodos de maior inflamação com períodos de descanso, criando um padrão que pode durar semanas ou meses. Por causa disso, muitas pessoas relatam dias muito difíceis, seguidos de fases mais tranquilas, o que às vezes dificulta o reconhecimento do problema no início.

    “As oscilações podem ser influenciadas por infecções, estresse, exposição solar, alterações hormonais e até fatores emocionais. Por isso, o acompanhamento regular é fundamental”, explica Giovanni.

    Como é feito o diagnóstico das doenças autoimunes?

    O diagnóstico das doenças autoimunes começa com uma avaliação clínica detalhada, porque não existe um único exame capaz de confirmar todas as condições. A investigação se baseia na combinação de sintomas, histórico do paciente e sinais encontrados no exame físico.

    Segundo Giovanni, o clínico costuma iniciar a suspeita quando os sintomas persistem por semanas ou meses e mostram padrão inflamatório, como rigidez matinal prolongada. A presença de vários sintomas ao mesmo tempo também é sinal de alerta, como dor articular com aftas, queda de cabelo e fadiga intensa, assim como um histórico familiar de doenças autoimunes.

    Durante o exame físico, o médico observa sinais como articulações quentes, manchas na pele, mudanças nas unhas ou inchaços, que ajudam a direcionar a avaliação. Nessa fase, podem ser solicitados exames como hemograma, VHS, PCR, FAN e fatores reumatológicos, que mostram se há inflamação ativa ou alterações no sistema imunológico.

    Quando necessário, o clínico encaminha para o reumatologia, endocrinologia, dermatologia ou gastroenterologia, conforme o órgão mais afetado, permitindo um diagnóstico mais preciso e um tratamento adequado.

    Quando ir ao médico?

    A busca por atendimento é importante quando os sintomas duram semanas ou meses e mostram padrão de inflamação contínua. Os principais sinais de alerta incluem:

    • Dor que piora ao acordar;
    • Fadiga intensa;
    • Queda de cabelo;
    • Aftas frequentes;
    • Dor nas articulações;
    • Alterações no intestino;
    • Articulações quentes ou inchadas;
    • Manchas na pele;
    • Febre baixa persistente;
    • Sensação constante de adoecimento.

    A presença de vários sintomas ao mesmo tempo indica que o organismo pode estar reagindo de maneira incomum. A avaliação também é importante quando há histórico familiar de doenças autoimunes, pois o risco pode ser maior.

    Doenças autoimunes têm cura?

    A maioria das doenças autoimunes não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com tratamento médico, que contribui para reduzir a inflamação, aliviar sintomas e impedir danos aos órgãos ao longo do tempo. A evolução varia muito entre pacientes, e algumas condições apresentam longos períodos de remissão, nos quais os sintomas diminuem bastante.

    A combinação de acompanhamento médico, uso correto das medicações, ajustes no estilo de vida e vigilância para evitar gatilhos ajuda a manter qualidade de vida da pessoa.

    Confira: Boca seca, olho seco: entenda mais sobre a síndrome de Sjögren

    Perguntas frequentes

    Por que as doenças autoimunes aparecem?

    A origem das doenças autoimunes envolve vários fatores que se somam ao longo da vida, como genética, hormônios, infecções, estresse e ambiente. Tudo isso pode modificar a forma como o sistema imunológico reconhece as células do próprio corpo.

    Ter familiares com a condição aumenta o risco, e algumas infecções virais podem funcionar como gatilho para os primeiros sintomas.

    Os hormônios também têm um papel importante, porque momentos como gravidez, pós-parto e menopausa podem mudar o equilíbrio do sistema imunológico e facilitar o aparecimento da doença.

    Como os sintomas começam?

    Os primeiros sintomas costumam aparecer de forma discreta e gradual, o que faz muitas pessoas demorarem para perceber que algo está errado. A pessoa pode sentir cansaço profundo que não melhora com descanso, dor nas articulações que vai e volta, mudanças no intestino sem motivo claro, queda de cabelo, sensibilidade maior ao frio ou febre baixa repetida.

    Em vários casos, também surgem aftas frequentes, dores musculares leves ou uma sensação constante de mal-estar difícil de explicar.

    O padrão pode causar a impressão de que a situação está normalizando quando, na verdade, existe um processo inflamatório se instalando aos poucos. A irregularidade dos sintomas acaba confundindo a pessoa e atrasando a busca por atendimento, permitindo que a inflamação avance de maneira silenciosa.

    Como saber se os sintomas são sinais de doença autoimune?

    A persistência é o principal sinal de alerta: quando o corpo apresenta dor prolongada, fadiga intensa, mudanças digestivas, perda de peso involuntária, inchaço persistente ou manchas na pele que não desaparecem, é importante procurar um médico.

    A presença de vários sintomas ao mesmo tempo indica que o sistema imunológico pode estar reagindo de maneira inadequada.

    Como funciona o tratamento de doenças autoimunes?

    O tratamento das doenças autoimunes varia de acordo com o órgão afetado, mas normalmente inclui medicamentos que reduzem inflamação, protegem tecidos e equilibram o sistema imunológico.

    A rotina também envolve ajustes de sono, alimentação, atividade física e controle do estresse, já que pequenos hábitos do dia a dia influenciam diretamente a intensidade dos sintomas.

    Vale apontar que é importante ter a orientação de um médico, que permite adaptar doses, escolher terapias mais seguras e acompanhar a resposta do organismo ao longo do tempo, evitando que a inflamação cause danos permanentes e garantindo uma vida mais estável.

    Pessoas com doença autoimune podem fazer exercícios físicos?

    A atividade física orientada melhora a função muscular, controla a inflamação, aumenta a disposição e reduz dores. O tipo de exercício deve ser escolhido conforme a condição individual, respeitando limites e o grau de inflamação. A regularidade é importante, mas o corpo precisa de descanso nos dias em que a crise está ativa.

    A doença autoimune aumenta o risco de outras condições?

    A inflamação contínua deixa o organismo mais vulnerável a alterações hormonais, problemas cardiovasculares, anemia, alterações na tireoide e distúrbios intestinais, já que o corpo passa longos períodos tentando lidar com um sistema imunológico desregulado.

    A presença de inflamação prolongada também pode afetar humor, energia, qualidade do sono e capacidade de manter uma rotina estável.

    Com o acompanhamento médico regular, é possível detectar mudanças rapidamente e iniciar tratamento adequado, evitando complicações e preservando a saúde dos órgãos ao longo do tempo.

    Leia também: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

  • Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    No Brasil, a estimativa é que 388 pessoas morrem diariamente por problemas decorrentes da hipertensão, uma condição crônica em que a força do sangue contra as paredes das artérias fica constantemente acima do nível considerado normal.

    Ela faz com que o coração tenha que trabalhar mais para empurrar o sangue pelo corpo — aumentando o risco de doenças graves, como AVC, infarto e aneurisma. Por isso, é ainda mais importante manter o acompanhamento médico regular para controlar a pressão e cuidar da saúde do coração.

    Mas você sabe quando é hora de ir ao pronto-socorro? A pressão alta costuma ser silenciosa, mas, quando os níveis sobem demais, o corpo geralmente emite sinais de alerta que podem indicar uma crise hipertensiva. Entenda melhor a seguir.

    A partir de qual valor a pressão é considerada perigosa?

    A pressão arterial é considerada alta quando está igual ou acima de 140/90 mmHg (14 por 9), e normalmente não manifesta sintomas importantes, o que faz com que muitas pessoas convivam com a condição sem perceber.

    Contudo, ela se torna perigosa quando ultrapassa 180/120 mmHg (18 por 12), especialmente se acompanhada de sintomas, conforme explica o cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto.

    Os níveis elevados podem indicar uma crise hipertensiva, situação em que a pressão sobe a ponto de ameaçar a integridade de órgãos vitais, como o cérebro, o coração e os rins. O quadro exige atenção médica imediata, sendo recomendado procurar o pronto-socorro para avaliação e tratamento rápido — o que pode reduzir o risco de complicações graves.

    A pressão está alta, o que fazer antes de ir ao hospital?

    Quando a pressão arterial fica muito alta, antes de ir ao hospital, existem alguns passos simples que podem ajudar a conferir se o valor está realmente elevado e se existe risco imediato, sendo eles:

    • Refaça a medida após 5 a 10 minutos de repouso, sentado, em um ambiente calmo e sem falar durante a aferição;
    • Evite entrar em pânico, pois o nervosismo pode, por si só, elevar ainda mais a pressão, piorando a situação. Respire fundo e tente manter a calma;
    • Não repita a medição várias vezes seguidas. Medir a pressão repetidamente em poucos minutos aumenta a ansiedade, pode gerar leituras erradas e não ajuda a controlar o quadro;
    • Se, mesmo após o repouso, os valores continuarem acima de 180/120 mmHg (18 por 12) ou se surgirem sintomas de alerta, procure imediatamente um pronto-socorro.

    Importante: se você já usa remédios para o controle da pressão arterial, não aumente a dosagem sem orientação médica. “Alguns medicamentos (como captopril, losartana ou clonidina) até podem reduzir a pressão rapidamente, mas o uso inadequado pode causar queda brusca da pressão, tontura, desmaio ou até redução da perfusão cerebral e renal”, explica Giovanni.

    O cardiologista esclarece que o ideal é seguir o plano indicado pelo médico para situações de elevação da pressão, pois muitos pacientes recebem um “plano de ação” personalizado, que orienta quando e como usar um medicamento de resgate.

    Leia também: Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Quando ir ao pronto-socorro por conta de pressão alta?

    É importante procurar atendimento médico quando a pressão continuar acima de 180/120 mmHg (18 por 12) e se vier acompanhada de sinais de alerta, como:

    • Dor no peito ou sensação de aperto;
    • Falta de ar;
    • Dor de cabeça intensa e súbita;
    • Visão borrada, turvação visual ou perda de visão;
    • Tontura, confusão mental, desmaio ou fala arrastada;
    • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
    • Náuseas e vômitos intensos.

    “Mesmo sem sintomas, uma pressão acima de 180/120 mmHg deve ser reavaliada rapidamente — se não baixar após alguns minutos de repouso, é motivo para procurar o pronto-socorro”, explica Giovanni.

    Como é feito o atendimento de pressão alta?

    No pronto-socorro, o atendimento em casos de crise hipertensiva é focado em identificar rapidamente se a pressão elevada já causou danos em órgãos importantes.

    Primeiro, o médico irá aferir a pressão diversas vezes e avaliar a presença de sintomas, como dor no peito e falta de ar. Depois, podem ser solicitados exames para entender se existe comprometimento de órgãos como cérebro, coração ou rins, como:

    • Eletrocardiograma;
    • Dosagem de creatinina;
    • Eletrólitos;
    • Exame de urina;
    • Raio-X do tórax;
    • Se necessário, tomografia.

    O tratamento costuma começar com medicamentos via oral ou intravenosa, de forma gradual. “A meta é reduzir a pressão sem quedas abruptas, que poderiam agravar o quadro”, complementa Giovanni.

    Como evitar uma crise de pressão alta?

    Para evitar uma crise hipertensiva, é importante controlar a pressão no dia a dia e reduzir os fatores que fazem esses números subirem. Algumas medidas simples ajudam muito, como:

    • Tomar os remédios exatamente como o médico orientou, sem pular doses;
    • Reduzir o consumo de sal na alimentação;
    • Evitar excesso de álcool e de alimentos ultraprocessados;
    • Manter o peso adequado e praticar atividade física regular;
    • Dormir bem e tentar reduzir o estresse diário;
    • Evitar uso de anti-inflamatórios e descongestionantes nasais sem orientação médica;
    • Medir a pressão com certa frequência e acompanhar os valores.

    “Com tratamento contínuo e hábitos saudáveis, é possível manter a pressão sob controle e evitar novas emergências”, finaliza o cardiologista.

    Confira: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes sobre pressão alta

    Pressão alta tem cura?

    A hipertensão é uma doença crônica, o que significa que ela não tem cura. Contudo, é totalmente possível controlar os números com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis.

    Quando a pessoa segue o tratamento, faz consultas de rotina, tem uma alimentação equilibrada, reduz o consumo de sal e pratica atividade física, a pressão pode ficar estável por longos períodos. Com o tempo, isso evita complicações graves e melhora a qualidade de vida.

    É verdade que o sal aumenta a pressão?

    O excesso de sal está diretamente ligado ao aumento da pressão arterial porque interfere na retenção de líquidos e no equilíbrio do organismo. Nesse sentido, reduzir o sal é uma das estratégias mais importantes para controlar a hipertensão, especialmente em quem já tem tendência ou histórico familiar.

    Quem tem pressão alta precisa medir a pressão em casa?

    Sim! Medir a pressão em casa faz parte do tratamento e ajuda a acompanhar se o remédio está funcionando e se as mudanças na rotina estão dando resultado. Além disso, a monitorização caseira ajuda a identificar oscilações e perceber quando algo não vai bem, antes de surgir uma emergência.

    O ideal é medir a pressão com aparelhos digitais validados e, de preferência, de braço, pois são mais confiáveis do que os de pulso.

    É normal a pressão subir quando estou nervoso ou ansioso?

    Sim! Em momentos de estresse emocional, o corpo libera substâncias que aumentam os batimentos cardíacos e elevam a pressão temporariamente — o que pode acontecer em qualquer pessoa. Porém, valores muito altos não devem ser ignorados, mesmo se o motivo for ansiedade.

    Se a pressão sobe com frequência em momentos de estresse, isso deve ser avaliado com o médico para ajustar o tratamento e evitar crises.

    Posso parar o remédio se a pressão estiver controlada?

    Não, pois a pressão controlada significa que o tratamento está funcionando. Parar o remédio por conta própria pode fazer a pressão subir novamente e colocar a saúde em risco, aumentando chances de AVC e infarto. Qualquer ajuste de dose, troca de medicação ou suspensão precisa ser orientado pelo médico.

    É possível controlar a pressão apenas com alimentação e exercícios?

    Em alguns casos mais leves, principalmente quando o diagnóstico é recente e não há outras doenças associadas (como diabetes), as mudanças de hábitos podem ajudar muito e até permitir controle sem remédios — mas isso não se aplica a todo mundo.

    Em muitas pessoas, mesmo com alimentação adequada e atividade física regular, o uso de medicamentos continua sendo necessário. A melhor forma de saber é com acompanhamento médico, análises periódicas e monitorização da pressão ao longo do tempo.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

  • Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    No Brasil, cerca de dois milhões de pessoas convivem com insuficiência cardíaca — e cerca de 240 mil novos casos surgem a cada ano, segundo o Ministério da Saúde. A condição, que acontece quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue de forma eficiente, está entre as principais causas de internações hospitalares em adultos acima de 60 anos.

    Apesar de ser progressiva, com o diagnóstico precoce e um tratamento adequado, é possível controlar os sintomas, reduzir o risco de complicações e ter uma vida com qualidade. Conversamos com um especialista para te explicar os principais detalhes sobre a insuficiência cardíaca.

    O que é insuficiência cardíaca?

    A insuficiência cardíaca, que também pode ser chamada de insuficiência cardíaca congestiva, acontece quando o músculo cardíaco não consegue bombear sangue de maneira adequada para atender à demanda dos tecidos do corpo. Quando isso acontece, há um fluxo sanguíneo insuficiente para levar oxigênio e nutrientes a órgãos e músculos.

    Para entender melhor, o coração é composto por quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos), que trabalham em conjunto para bombear sangue para todo o organismo. Quando existe alguma falha no mecanismo, o sangue pode se acumular nos pulmões, nas pernas e em outras partes do corpo, levando ao surgimento de sintomas como falta de ar, cansaço extremo e inchaço.

    De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, a condição pode ocorrer porque o músculo cardíaco está enfraquecido, rígido ou lesionado — o que compromete a força e o enchimento do coração a cada batimento.

    Como classificar a insuficiência cardíaca?

    A insuficiência cardíaca pode ser classificada de diferentes formas, de acordo com a parte do coração afetada e a gravidade da condição:

    Insuficiência cardíaca esquerda: acontece quando o ventrículo esquerdo, que envia sangue para todo o corpo, perde força e não consegue manter o fluxo adequado, provocando acúmulo de líquido nos pulmões e falta de ar;

    Insuficiência cardíaca direita: surge quando o ventrículo direito, responsável por bombear sangue para os pulmões, passa a funcionar com menor eficiência, levando à retenção de líquidos nas pernas, tornozelos e abdômen;

    Insuficiência cardíaca sistólica: ocorre quando o coração perde a capacidade de se contrair com força suficiente, reduzindo a quantidade de sangue que é expulsa a cada batimento;

    Insuficiência cardíaca diastólica: caracteriza-se pela dificuldade do músculo cardíaco em relaxar após a contração, o que impede o enchimento adequado das câmaras e compromete o volume de sangue que será bombeado.

    “Na maioria das vezes, ela se desenvolve lentamente, ao longo de meses ou anos, especialmente em pessoas com pressão alta ou doenças cardíacas prévias. Porém, pode surgir de forma aguda, por exemplo, após um infarto ou infecção grave, quando o coração descompensa rapidamente”, explica Giovanni.

    Causas da insuficiência cardíaca

    Normalmente, a insuficiência cardíaca surge como consequência de outros problemas de saúde que danificam o músculo cardíaco ao longo do tempo, como:

    Infarto do miocárdio: quando ocorre um infarto, parte do músculo cardíaco sofre necrose (morte das células) devido à falta de oxigênio. Isso reduz a força de contração do coração e pode gerar falhas permanentes;

    Hipertensão arterial não controlada: a pressão alta força o coração a trabalhar com mais intensidade, o que provoca espessamento e rigidez das paredes cardíacas. Com o tempo, o músculo enfraquece e perde a capacidade de bombear sangue com eficiência;

    Doenças das válvulas cardíacas: as válvulas são responsáveis por regular o fluxo de sangue dentro do coração. Quando estão danificadas, o sangue pode voltar para câmaras anteriores (refluxo) ou encontrar dificuldade para avançar (estenose);

    Miocardites: são inflamações do músculo cardíaco que podem surgir após infecções virais, bacterianas ou reações autoimunes. A inflamação compromete a força de contração do coração, reduzindo sua capacidade de bombear sangue adequadamente;

    Miocardiopatias genéticas ou tóxicas: incluem alterações hereditárias que afetam diretamente a estrutura e o funcionamento do músculo cardíaco, bem como danos causados por substâncias tóxicas, como o álcool e alguns medicamentos quimioterápicos.

    Segundo Giovanni, o envelhecimento e a presença de algumas condições metabólicas, como diabetes e obesidade, também aumentam o risco de insuficiência cardíaca.

    Quais os sintomas de insuficiência cardíaca?

    Os sintomas da insuficiência cardíaca podem variar de acordo com o grau de comprometimento do coração e a velocidade de evolução da doença. No início, eles são discretos e facilmente confundidos com sinais de cansaço ou estresse, mas tendem a piorar com o tempo. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    Falta de ar;

    Fadiga e fraqueza;

    Inchaço nas pernas, tornozelos e pés;

    Batimento cardíaco rápido ou irregular;

    Capacidade reduzida de exercício ou atividades regulares;

    Chiado no peito;

    Inchaço na região da barriga;

    Náuseas e falta de apetite;

    Dificuldade de concentração ou diminuição do estado de alerta;

    Dor no peito, se a insuficiência cardíaca for causada por um ataque cardíaco.

    “A falta de ar pode surgir nos esforços e, em casos mais avançados, até em repouso ou ao deitar. O inchaço costuma aparecer no fim do dia, com sensação de peso nas pernas e sapatos apertados. O cansaço vem da menor oxigenação muscular. Também é comum o aumento de peso repentino por acúmulo de líquido e a necessidade de urinar mais à noite”, completa Giovanni.

    Existem fatores de risco?

    Os principais fatores de risco para insuficiência cardíaca são:

    Hipertensão arterial;

    Doenças coronarianas e infarto prévio;

    Diabetes;

    Colesterol alto e obesidade;

    Sedentarismo;

    Tabagismo e consumo frequente de álcool;

    Apneia do sono, que provoca quedas de oxigênio durante o sono, sobrecarregando o coração;

    Histórico familiar de doenças cardíacas;

    Idade avançada, pois o risco aumenta após os 60 anos, pois o músculo cardíaco tende a se tornar mais rígido e menos eficiente.

    Como é feito o diagnóstico de insuficiência cardíaca

    O diagnóstico de insuficiência cardíaca é baseado na avaliação clínica detalhada e em exames complementares que verificam o funcionamento do coração. No exame físico, o especialista pode observar a presença de inchaço, ruídos pulmonares e frequência cardíaca.

    Entre os principais exames solicitados, Giovanni aponta:

    Eletrocardiograma, que avalia o ritmo e a atividade elétrica do coração;

    Ecocardiograma, que permite observar o funcionamento do músculo cardíaco e das válvulas;

    Exames de sangue, como o BNP e o NT-proBNP.

    Em alguns casos, o médico pode solicitar exames complementares, como raio-X de tórax, teste ergométrico, angiotomografia de coronárias e ressonância magnética cardíaca.

    Vale destacar que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações graves. Quanto antes a insuficiência é identificada, maiores são as chances de preservar a função cardíaca.

    Quando procurar um médico?

    Procure atendimento médico imediato se você sentir os seguintes sintomas:

    Dor no peito;

    Desmaio ou fraqueza severa;

    Batimento cardíaco rápido ou irregular com falta de ar, dor no peito ou desmaio;

    Falta de ar repentina e grave e tosse com muco espumoso branco ou rosa.

    Tratamento para insuficiência cardíaca

    O tratamento de insuficiência cardíaca envolve diversas abordagens para melhorar os sintomas, retardar a progressão da doença e reduzir o risco de complicações.

    Remédios para insuficiência cardíaca

    Os remédios são prescritos para melhorar o funcionamento do coração, aliviar sintomas e aumentar a qualidade e a expectativa de vida. Eles ajudam o coração a bombear o sangue de forma mais eficiente e reduzem a sobrecarga sobre o órgão.

    De acordo com Giovanni, são combinadas medicações específicas, como:

    Betabloqueadores;

    Inibidores da ECA (como Enalapril);

    Bloqueadores dos receptores de angiotensina – BRA (como Losartana);

    ARNI (como Sacubitril-valsartana);

    Antagonistas da aldosterona (como Espironolactona);

    Inibidores de SGLT2 (como Dapagliflozina).

    Somente um médico pode indicar o uso desses medicamentos. A automedicação é perigosa e pode agravar o quadro cardíaco, por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, consulte um especialista.

    Mudanças no estilo de vida

    Como a insuficiência cardíaca muitas vezes está relacionada a fatores como pressão alta, diabetes e sedentarismo, adotar hábitos saudáveis no dia a dia é necessário para reduzir o risco de agravamento do quadro e controlar a doença, como:

    Reduzir o consumo de sal nas refeições;

    Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e grãos integrais;

    Praticar atividade física, com orientação médica;

    Evitar o cigarro e o consumo de bebidas alcoólicas;

    Controlar o peso corporal e o índice de massa corporal (IMC);

    Monitorar a pressão arterial e o nível de glicose com regularidade;

    Dormir bem e respeitar os horários de descanso;

    Tomar corretamente os medicamentos prescritos;

    Fazer acompanhamento médico periódico.

    Cirurgias e outros procedimentos

    Em alguns casos, o tratamento da insuficiência cardíaca pode incluir cirurgias ou dispositivos que ajudam o coração a funcionar melhor — e as opções são indicadas pelo cardiologista de acordo com a causa e a gravidade da doença.

    Cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena): indicada quando há artérias coronárias bloqueadas. O procedimento cria um novo caminho para o sangue fluir até o coração, melhorando o aporte de oxigênio ao músculo cardíaco;

    Reparo ou substituição de válvula cardíaca: recomendada quando uma válvula danificada está prejudicando o fluxo de sangue. Pode ser feita por cirurgia aberta ou técnica minimamente invasiva;

    Cardiodesfibrilador implantável (CDI): dispositivo colocado sob a pele que monitora os batimentos e aplica choques elétricos quando o coração entra em ritmo perigoso, prevenindo paradas cardíacas;

    Terapia de ressincronização cardíaca (TRC): é usado um aparelho que envia impulsos elétricos para sincronizar as contrações das câmaras inferiores do coração, melhorando o bombeamento do sangue;

    Dispositivo de assistência ventricular (DAV): consiste em um equipamento mecânico que ajuda o coração a bombear o sangue, usado enquanto o paciente aguarda um transplante ou como tratamento definitivo em casos graves;

    Transplante cardíaco: indicado quando o coração está muito enfraquecido e não responde mais a medicamentos ou outros tratamentos. O procedimento substitui o órgão por um coração saudável de doador.

    Os procedimentos são indicados apenas após uma avaliação criteriosa, e a escolha depende do estado clínico e das necessidades de cada paciente.

    Insuficiência cardíaca tem cura?

    A insuficiência cardíaca, na maioria das vezes, é uma condição crônica e não tem uma cura definitiva, mas é possível controlar o quadro e levar uma vida com qualidade.

    “Quando o paciente segue o tratamento e mantém acompanhamento regular com o cardiologista, é possível ter boa qualidade de vida e controle dos sintomas. Hoje, com as novas terapias e dispositivos (como ressincronizadores e desfibriladores), muitos pacientes vivem por muitos anos de forma estável”, esclarece Giovanni.

    Como prevenir a insuficiência cardíaca?

    A prevenção está diretamente relacionada à adoção de um estilo de vida saudável e ao controle das doenças que prejudicam o coração. Algumas medidas importantes incluem:

    Controlar a pressão arterial;

    Manter níveis adequados de colesterol e glicose;

    Evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool;

    Adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras;

    Praticar atividade física regularmente;

    Controlar o peso corporal;

    Realizar consultas médicas periódicas;

    Evitar automedicação.

    “Em quem já tem o diagnóstico, essas medidas — somadas ao uso correto dos remédios — são essenciais para evitar descompensações e hospitalizações”, finaliza Giovanni.

    Veja mais: Síndrome do coração partido: o que é, sintomas, riscos e como diferenciar do infarto

    Perguntas frequentes

    A insuficiência cardíaca é a mesma coisa que ataque cardíaco?

    Não! O ataque cardíaco, também conhecido como infarto do miocárdio, acontece quando o fluxo de sangue que chega a uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por um coágulo que obstrui uma artéria coronária. Quando isso ocorre, as células cardíacas daquela região começam a morrer por falta de oxigênio.

    Já a insuficiência cardíaca é o resultado da incapacidade do coração de bombear sangue de maneira eficiente para o resto do corpo. Em alguns casos, um infarto pode causar danos permanentes ao músculo cardíaco e evoluir para um quadro de insuficiência, mas são eventos diferentes.

    Enquanto o infarto é um episódio agudo, a insuficiência é uma condição crônica que precisa de acompanhamento prolongado.

    Quais os primeiros sinais de insuficiência cardíaca que devem gerar preocupação?

    Os sintomas iniciais de insuficiência cardíaca costumam ser discretos e passam despercebidos por muito tempo. O sintoma mais comum é a falta de ar, principalmente ao subir escadas ou realizar pequenas atividades — além de inchaço nos pés e tornozelos, resultado da retenção de líquidos.

    Também é importante observar cansaço excessivo, ganho de peso rápido (devido à retenção de líquidos), dificuldade para dormir deitado e batimentos acelerados. Quando esses sintomas aparecem juntos e persistem, é necessário procurar um cardiologista o quanto antes.

    O estresse pode causar insuficiência cardíaca?

    O estresse, por si só, não costuma causar insuficiência cardíaca, mas é um fator que contribui para o surgimento de doenças cardíacas. Em situações de tensão prolongada, o corpo libera hormônios como a adrenalina e o cortisol, que aumentam a pressão arterial e aceleram o ritmo cardíaco.

    Quando o estresse se torna crônico, ele prejudica a saúde do coração, favorecendo hipertensão, inflamações e até o estreitamento das artérias. Além disso, pessoas estressadas tendem a adotar hábitos que fazem mal à saúde, como fumar, ingerir álcool ou exagerar em alimentos ultraprocessados — fatores que, combinados, aumentam o risco de insuficiência cardíaca.

    Pessoas com insuficiência cardíaca podem engravidar?

    A gravidez em mulheres com insuficiência cardíaca exige avaliação médica rigorosa. Durante a gestação, o corpo precisa de mais sangue e oxigênio para nutrir o bebê, o que aumenta o esforço do coração.

    Nos casos leves e bem controlados, é possível ter uma gestação segura com acompanhamento conjunto de cardiologista e obstetra especializado em gravidez de alto risco. Quando a insuficiência cardíaca é mais grave, a gestação pode representar riscos significativos para a mãe e para o bebê, por isso é importante avaliar cuidadosamente cada situação.

    O planejamento familiar, feito com orientação médica e acolhimento, ajuda o casal a tomar decisões com segurança.

    Existe alguma dieta recomendada para quem tem insuficiência cardíaca?

    Sim! A dieta de pessoas com insuficiência cardíaca deve ser rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes e carnes magras, priorizando alimentos frescos e naturais. O consumo de sal também deve ser reduzido ao mínimo possível.

    Por fim, é importante limitar alimentos ultraprocessados, enlatados, refrigerantes e doces, que favorecem a retenção de líquidos e aumento de peso. A ingestão de líquidos pode precisar ser controlada, dependendo do grau da insuficiência — sempre sob orientação médica e nutricional.

    Quem tem insuficiência cardíaca pode beber álcool?

    O consumo de álcool deve ser evitado por pessoas que têm insuficiência cardíaca, pois o álcool sobrecarrega o músculo cardíaco, interfere na ação dos medicamentos e favorece a retenção de líquidos. Além disso, ele pode provocar arritmias e aumentar a pressão arterial, o que agrava o quadro.

    Quem tem insuficiência pode trabalhar?

    Sim, é possível trabalhar tendo insuficiência cardíaca, mas isso varia conforme o estágio da doença e o tipo de atividade exercida. Quando o quadro está controlado e os sintomas são leves, o trabalho pode ser mantido, desde que haja acompanhamento médico regular e, se necessário, pequenas adaptações na rotina.

    Porém, em casos em que a limitação física é maior e o esforço causa fadiga, falta de ar ou inchaço, pode ser indicado o afastamento temporário. Se a condição evoluir e impedir definitivamente o desempenho das funções, o trabalhador pode ter direito a benefícios previdenciários, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez concedida pelo INSS.

    Veja mais: 7 erros comuns que atrapalham a saúde do coração

  • Como aferir a pressão arterial em casa? Cardiologista explica

    Como aferir a pressão arterial em casa? Cardiologista explica

    A hipertensão arterial, ou pressão alta, é uma das doenças crônicas mais comuns no Brasil. De acordo com a pesquisa Vigitel 2023, ela afeta cerca de 27,9% da população adulta brasileira — e muitas pessoas sequer percebem que têm o problema. Isso acontece porque, em muitos casos, a pressão alta não causa sintomas perceptíveis, evoluindo de forma silenciosa por anos até provocar complicações mais sérias.

    Nesse contexto, aliado ao acompanhamento médico regular, aferir a pressão arterial em casa é uma das formas mais eficazes de monitorar a saúde, além de ajudar a compreender como o corpo reage em diferentes situações do dia a dia, como momentos de estresse, descanso, sono ou após o consumo de café e sal.

    Conversamos com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, desde a escolha do aparelho até a forma correta de aferir a pressão em casa.

    Por que devemos medir a pressão arterial em casa?

    A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias enquanto o coração bombeia para todo o corpo.

    Quando a pressão está muito alta, o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue, o que, com o tempo, pode danificar os vasos sanguíneos e sobrecarregar o coração, os rins e o cérebro. Se a elevação é constante, caracteriza-se a hipertensão arterial, uma condição que aumenta o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca — mesmo sem sintomas aparentes.

    Portanto, medir a pressão arterial em casa ajuda a identificar alterações antes que causem problemas graves para a saúde e, segundo Giovanni, “permite acompanhar a pressão em diferentes momentos do dia, o que dá uma visão mais real da saúde cardiovascular e ajuda no ajuste do tratamento.”

    Ela também ajuda a evitar o “efeito do jaleco branco”, de acordo com o cardiologista, um fenômeno em que a pressão arterial da pessoa sobe momentaneamente quando ela é medida no consultório médico ou em um ambiente hospitalar.

    Normalmente, isso acontece porque algumas pessoas ficam ansiosas ou tensas na presença do profissional de saúde, do ambiente clínico ou do próprio ato de medir a pressão. A reação faz o corpo liberar adrenalina e outros hormônios do estresse, que aumentam temporariamente a frequência cardíaca e a pressão.

    Qual o melhor aparelho para medir a pressão em casa?

    Os aparelhos digitais automáticos de braço são os mais confiáveis para medir a pressão arterial em casa, orienta Giovanni. Eles oferecem resultados precisos, são fáceis de usar e não exigem nenhum treinamento técnico.

    Existem também os modelos de pulso, que são mais portáteis e leves. No entanto, eles podem sofrer interferências, principalmente se o braço não estiver apoiado corretamente na altura do coração, e por isso devem ser utilizados apenas quando não for possível medir no braço — como em pessoas com circunferência de braço muito grande ou limitações de movimento.

    Independentemente do tipo escolhido, é fundamental que o equipamento tenha certificação e seja validado por sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) ou entidades internacionais equivalentes. Isso garante que o aparelho passou por testes de precisão e qualidade.

    Também vale lembrar que o manguito (braçadeira) deve ser adequado ao tamanho do braço, cobrindo cerca de 80% da circunferência, pois tamanhos inadequados alteram o resultado da medição.

    Como medir a pressão arterial em casa?

    É bastante simples medir a pressão em casa, mas você deve ter alguns cuidados para que a leitura seja correta.

    O cardiologista Giovanni Henrique Pinto orienta que, antes da medição, é importante descansar por pelo menos 5 minutos em ambiente tranquilo. Evite fazer o teste logo após esforço físico, café, cigarro, bebidas alcoólicas ou refeições — pois isso pode alterar os valores temporariamente.

    Depois, siga o seguinte passo a passo:

    • Sente-se corretamente: fique sentado, com as costas apoiadas, pés no chão (sem cruzar as pernas) e o braço apoiado na altura do coração. O manguito deve estar ajustado cerca de 2 a 3 cm acima do cotovelo, com o tubo voltado para baixo;
    • Fique em silêncio e imóvel: durante a medição, não fale, não se mova e não mexa o braço, pois pequenas distrações podem alterar a pressão momentaneamente e comprometer a leitura;
    • Repita a aferição: faça duas ou três medições, com intervalo de 1 minuto entre elas. Depois, calcule a média das leituras — ela representa o valor mais fiel da sua pressão;
    • Anote os resultados: registre as medições em um caderno, planilha ou aplicativo e leve o histórico às consultas médicas. Assim, o profissional poderá avaliar as variações e ajustar o tratamento, se necessário.

    Existe um horário do dia melhor para medir a pressão?

    O ideal é medir a pressão arterial sempre nos mesmos horários, para garantir comparações confiáveis entre as medições. Os momentos mais indicados são pela manhã, antes do café da manhã e antes de tomar qualquer medicamento, e à noite, antes de dormir e após alguns minutos de descanso.

    Medir nesses períodos ajuda a observar como a pressão se comporta ao longo do dia e a identificar variações que possam indicar hipertensão ou hipotensão.

    Valores de referência

    Veja abaixo os valores médios recomendados conforme as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2023):

    Classificação Pressão arterial sistólica (mmHg) Pressão arterial diastólica (mmHg)
    Normal Menor que 120 Menor que 80
    Pré-hipertensão 120 – 139 80 – 89
    Hipertensão arterial estágio 1 140 – 159 90 – 99
    Hipertensão arterial estágio 2 160 – 179 100 – 109
    Hipertensão arterial estágio 3 180 ou mais 110 ou mais

    De acordo com a nova diretriz brasileira de hipertensão arterial, os valores de 12 por 8 (120/80 mmHg) até 13,9 por 8,9 (139/89 mmHg) passam a ser classificados como pré-hipertensão, uma condição que exige atenção e acompanhamento médico, embora o tratamento medicamentoso normalmente não seja o primeiro passo.

    A meta de tratamento para pessoas hipertensas também foi endurecida, passando a ser abaixo de 13 por 8 (<130/80 mmHg).

    É importante lembrar que uma medida isolada alta não confirma o diagnóstico de hipertensão. O ideal é observar os valores ao longo de dias diferentes, em condições semelhantes, e discutir os resultados com o médico.

    Quando procurar um médico?

    A aferição em casa não substitui o acompanhamento médico, mas ajuda a identificar quando algo está fora do esperado. Giovanni orienta procurar atendimento de urgência se a pressão estiver persistentemente acima de 180/110 mmHg ou se vier acompanhada de sintomas como:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Visão turva;
    • Fraqueza em um lado do corpo;
    • Dor de cabeça súbita e intensa.

    Esses sinais podem indicar crise hipertensiva, uma emergência que exige avaliação médica rápida.

    É possível usar smartwatch ou aplicativo para medir a pressão?

    Os relógios inteligentes e aplicativos de celular podem ser bastante úteis no acompanhamento do estilo de vida, mas Giovanni aponta que eles não substituem os aparelhos validados de braço.

    Esses dispositivos estimam a pressão por sensores ópticos e algoritmos, o que pode gerar variações consideráveis. Até o momento, nenhum smartwatch é considerado confiável para diagnóstico ou controle médico da hipertensão.

    “Para diagnóstico e acompanhamento confiável, apenas aparelhos aprovados por órgãos de saúde devem ser usados”, orienta o cardiologista.

    Cuidados contínuos para controlar a pressão arterial

    No dia a dia, tanto para pessoas com diagnóstico de hipertensão quanto para aquelas que não têm a condição, alguns hábitos simples ajudam a fortalecer o sistema cardiovascular e manter o equilíbrio entre corpo e mente — contribuindo para o controle da pressão arterial. Entre os principais, podemos destacar:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais — alimentos in natura fornecem potássio, magnésio e fibras, nutrientes que ajudam a regular a pressão;
    • Reduzir o consumo de sal, embutidos, molhos prontos e ultraprocessados — o excesso de sódio retém líquidos e aumenta o volume de sangue circulante, elevando a pressão;
    • Praticar atividade física regularmente, como caminhada, ciclismo, natação ou musculação leve — o exercício melhora a circulação e fortalece o coração;
    • Evitar o tabaco e o consumo excessivo de álcool, que prejudicam os vasos sanguíneos e elevam a pressão arterial com o tempo;
    • Dormir bem e controlar o estresse, pois noites mal dormidas e tensão emocional constante aumentam a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que podem elevar a pressão.

    Confira: 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta

    Perguntas frequentes

    1. O que é hipertensão arterial?

    A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma condição em que o sangue exerce uma força maior do que o normal contra as paredes das artérias. A pressão elevada faz o coração trabalhar mais intensamente para bombear o sangue e, com o tempo, pode causar danos aos vasos sanguíneos, coração, cérebro, rins e olhos.

    O problema é que a hipertensão costuma evoluir de forma silenciosa, sem sintomas, o que faz com que muitas pessoas só descubram o diagnóstico após anos de alterações. Por isso, o controle e a medição regular são fundamentais para a prevenção de complicações.

    2. Quais são os sintomas da pressão alta?

    A pressão alta normalmente não causa sintomas aparentes, mas algumas pessoas podem apresentar sinais quando a pressão sobe demais, como:

    • Dores no peito;
    • Dor de cabeça;
    • Tonturas;
    • Zumbido no ouvido;
    • Fraqueza;
    • Visão embaçada;
    • Sangramento nasal.

    O ideal é não esperar sentir nada para medir a pressão, já que o corpo pode se adaptar aos valores altos e mascarar os sintomas.

    3. O que é a pré-hipertensão?

    A pré-hipertensão é uma fase intermediária entre a pressão normal e a pressão alta. De acordo com a nova diretriz brasileira, valores entre 120–139 mmHg (sistólica) e/ou 80–89 mmHg (diastólica) indicam atenção e risco aumentado de evolução para hipertensão.

    Nessa fase, normalmente não há necessidade de medicamentos, mas o médico orienta mudanças de hábitos, como reduzir o sal, praticar exercícios e controlar o estresse, para evitar que o quadro evolua. É o momento ideal para agir e prevenir complicações futuras.

    4. A alimentação pode influenciar a pressão arterial?

    Sim, e muito! O consumo excessivo de sal é um dos principais fatores que favorecem a pressão alta, pois o sódio retém líquidos e aumenta o volume de sangue circulante. O ideal é reduzir o sal do preparo dos alimentos e evitar produtos ultraprocessados — que costumam ter alto teor de sódio escondido.

    Por outro lado, frutas, verduras, legumes e grãos integrais ajudam a controlar a pressão por serem ricos em potássio, magnésio e fibras. Beber bastante água, evitar álcool em excesso e manter o peso corporal adequado também são atitudes que fazem a diferença.

    5. Quais são os riscos de não tratar a hipertensão?

    Com o tempo, a pressão elevada danifica as artérias e reduz o fluxo de sangue para órgãos vitais, o que aumenta o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e perda de visão. Além disso, a hipertensão acelera o envelhecimento dos vasos e prejudica a memória e a concentração. Mesmo sem sintomas, o corpo está sendo afetado lentamente.

    6. O que fazer em caso de crise hipertensiva?

    Uma crise hipertensiva ocorre quando a pressão atinge valores muito altos, geralmente acima de 180/110 mmHg, e pode vir acompanhada de dor no peito, falta de ar, visão turva, dor de cabeça intensa ou fraqueza em um lado do corpo.

    Nesses casos, é fundamental procurar atendimento médico imediato. Tentar resolver o problema em casa, tomando remédios por conta própria, pode agravar a situação. Após o controle da crise, o médico investigará as causas e ajustará o tratamento.

    Veja também: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica