As vacinas são desenvolvidas para estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos e criar memória imunológica contra doenças infecciosas específicas, sem provocar a doença em si. Nesse processo, a ativação do sistema imunológico pode causar alguns efeitos colaterais em algumas pessoas.
A maioria das reações é leve, passageira e indica que o sistema imunológico está respondendo ao estímulo. Mas, em situações muito raras, podem ocorrer sinais que precisam de avaliação médica. Vamos entender mais, a seguir.
Por que o corpo reage às vacinas?
Quando a vacina entra no organismo, o sistema imunológico identifica aquela substância como algo estranho. Mesmo que o vírus ou a bactéria estejam inativados, enfraquecidos ou representados apenas por fragmentos, o corpo entende que precisa se defender e libera substâncias químicas chamadas citocinas, que funcionam como sinais de alerta para o organismo.
A partir disso, ocorre a dilatação dos vasos sanguíneos para permitir que mais células de defesa cheguem ao local da aplicação, o que pode provocar os efeitos mais comuns, como dor, vermelhidão e inchaço.
Os sinais químicos também chegam ao cérebro, que pode elevar a temperatura corporal, causando febre. Ela, por sua vez, ajuda a acelerar o metabolismo e favorece a produção de anticorpos.
Ao mesmo tempo, mesmo que a pessoa sinta cansaço ou mal-estar, o organismo está utilizando energia para formar células de memória. Caso o vírus ou a bactéria reais entrem em contato com o corpo no futuro, as células saberão agir de forma rápida para eliminá-los.
O que é normal sentir após tomar vacina?
Após a aplicação de uma vacina, é comum que o corpo apresente algumas reações leves, como:
- Dor no local da aplicação;
- Sensibilidade no braço;
- Vermelhidão;
- Leve inchaço;
- Febre baixa;
- Dor de cabeça;
- Cansaço;
- Mal-estar;
- Dor no corpo;
- Calafrios.
Na maioria das situações, as reações são leves, duram pouco tempo e melhoram espontaneamente, normalmente em até 48 horas. Para ajudar no conforto, é recomendado manter repouso e beber bastante água.
Por que algumas pessoas sentem mais reações do que outras?
A variação nas reações ocorre porque o sistema imunológico não é idêntico em todas as pessoas. A intensidade da resposta depende de uma combinação de fatores, como:
- Idade: pessoas mais jovens costumam ter um sistema imunológico mais reativo. Por isso, adultos jovens podem sentir mais febre ou mal-estar do que idosos, cuja resposta tende a ser mais gradual;
- Genética: variações genéticas podem influenciar a produção de citocinas, substâncias que ativam a resposta inflamatória, levando a reações mais intensas diante do mesmo estímulo;
- Contato prévio com o agente: quando já houve infecção anterior ou dose anterior da vacina, a resposta pode ser mais rápida e forte, pois já existem células de memória prontas para agir;
- Estilo de vida e saúde geral: fatores como estresse, qualidade do sono e alimentação interferem no funcionamento do sistema imunológico e podem influenciar a reação à vacina.
Vale ressaltar que a ausência de reação não significa que a vacina não funcionou. Na verdade, o organismo pode desenvolver uma resposta imunológica de forma silenciosa, sem provocar efeitos colaterais.
Como aliviar os efeitos colaterais pós-vacina em casa?
Para aliviar o mal-estar após a vacinação, algumas medidas ajudam a reduzir o desconforto e ajudar o organismo enquanto o sistema imunológico trabalha, como:
- Aplicar compressa fria no local da aplicação por 15 a 20 minutos, algumas vezes ao dia, sem colocar gelo direto na pele;
- Movimentar o braço suavemente ao longo do dia para melhorar a circulação e reduzir a rigidez;
- Usar analgésico ou antitérmico, como paracetamol ou dipirona, apenas se houver febre ou dor;
- Evitar o uso preventivo de medicamentos antes da vacina, tomando-os somente se surgirem sintomas;
- Evitar anti-inflamatórios sem orientação médica, dando preferência a analgésicos simples;
- Manter boa hidratação, com ingestão adequada de água e líquidos;
- Respeitar o repouso, especialmente se houver cansaço ou sonolência;
- Usar roupas leves em caso de febre para ajudar na regulação da temperatura;
- Evitar aplicar pomadas, cremes ou álcool no local da aplicação;
- Evitar exercícios físicos intensos, principalmente envolvendo o braço vacinado, nas primeiras 24 horas.
Quando procurar um médico?
Os efeitos colaterais mais sérios são extremamente raros, mas podem acontecer em situações específicas. Por isso, procure atendimento médico imediato (pronto-socorro) ou agende uma consulta se apresentar os seguintes quadros:
- Dificuldade para respirar, sensação de garganta fechando ou chiado no peito;
- Inchaço repentino no rosto, nos lábios, na língua ou ao redor dos olhos;
- Manchas vermelhas que coçam e se espalham rapidamente pelo corpo;
- Tontura intensa ou desmaio, que podem indicar queda de pressão.
Também é importante buscar avaliação médica se ocorrer:
- Aumento progressivo da dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação após 24 horas, em vez de melhora;
- Presença de pus, calor excessivo ou linha vermelha no braço, sinais que podem indicar infecção;
- Febre alta (acima de 39 °C) ou febre que dura mais de 72 horas;
- Dor de cabeça muito intensa, que não melhora com medicação;
- Fraqueza em um lado do corpo, formigamento persistente ou convulsão;
- Manchas roxas na pele ou sangramentos incomuns, como no nariz ou na gengiva.
Se você se sentiu bem nos primeiros dias e, de repente, desenvolveu novos sintomas graves após uma semana (como dor no peito ou falta de ar), é importante buscar avaliação para descartar reações tardias raras.
A segurança das vacinas supera os riscos
Antes de serem aprovadas, as vacinas passam por anos de pesquisa, testes em laboratório e estudos clínicos com milhares de pessoas.
Depois da liberação para uso, elas continuam sendo monitoradas por sistemas de vigilância que acompanham possíveis eventos adversos. Isso significa que a segurança não é avaliada apenas antes da aprovação, mas também durante todo o período de utilização na população.
Qualquer lesão grave ou morte causada por vacinas é relevante, mas o Ministério da Saúde reforça que os benefícios da imunização superam em muito o risco, considerando que muitas outras lesões e mortes ocorreriam sem ela. É muito mais provável que você desenvolva complicações graves por uma doença prevenível por vacina do que apresente um problema grave causado pela própria vacina.
Se você tiver dúvidas sobre uma reação específica que está sentindo, o ideal é entrar em contato com a unidade de saúde onde recebeu a dose ou consultar o seu médico de confiança.
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Perguntas frequentes
1. Pode tomar remédio para dor antes de vacinar para prevenir a reação?
Não é recomendado. O uso preventivo de analgésicos ou anti-inflamatórios pode, teoricamente, interferir na intensidade da resposta imunológica inicial. Use apenas se os sintomas aparecerem.
2. É normal ter febre 3 dias após a vacina?
Normalmente as reações surgem nas primeiras 24h a 48h. Se a febre começar apenas no terceiro dia ou persistir após esse período, procure um médico para descartar outras infecções.
3. Por que meu braço ficou com um calo duro no local da picada?
Isso é um nódulo vacinal, uma reação inflamatória local onde o líquido foi injetado. Costuma sumir sozinho em algumas semanas. Não esprema nem massageie.
4. Por que algumas vacinas doem mais que outras?
Depende da composição (algumas usam substâncias chamadas adjuvantes para potencializar a resposta), da via de aplicação (muscular costuma doer mais que subcutânea) e do volume do líquido.
5. Tive COVID recentemente. Quanto tempo devo esperar para vacinar?
A recomendação geral é aguardar o restabelecimento completo e o fim do isolamento (geralmente 30 dias após o início dos sintomas) para evitar sobrecarga no sistema imune.
6. Alguém que tem alergia a ovo pode se vacinar?
Depende da vacina. Algumas (como gripe e febre amarela) são cultivadas em ovos de galinha. Quem tem alergia grave deve informar o profissional de saúde para avaliação de risco.
7. Quanto tempo demora para a vacina fazer efeito no corpo?
Em média, de 2 a 4 semanas após a dose (ou após completar o esquema vacinal) para que o corpo atinja o nível ideal de anticorpos.
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