Apesar de ser uma infecção conhecida há séculos e contar com diagnóstico simples e tratamento eficaz, a sífilis voltou a crescer de forma preocupante nos últimos anos. A doença, que é sexualmente transmissível e também pode ser passada da mãe para o bebê durante a gestação, continua representando um desafio importante para a saúde pública.
Fatores como a percepção inadequada do risco, o estigma associado às infecções sexualmente transmissíveis e a desigualdade no acesso a testes e tratamento ajudam a explicar o aumento dos casos. Curiosamente, o período da pandemia de covid-19 marcou uma redução temporária nos registros, atribuída ao aumento da testagem e do diagnóstico.
O que é a sífilis?
A sífilis é uma doença bacteriana causada pela bactéria Treponema pallidum, tendo o ser humano como seu único hospedeiro. Trata-se de uma infecção sexualmente transmissível, que também pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez.
Atualmente, a sífilis é prevenível, tratável e rastreada rotineiramente no pré-natal, o que torna o diagnóstico precoce uma ferramenta fundamental para evitar complicações, especialmente na gestação.
Principais sintomas
A sífilis pode se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, sendo classificada em quatro fases principais.
Sífilis primária
Caracteriza-se pelo surgimento do cancro duro, uma úlcera indolor na região genital, geralmente acompanhada de linfonodos aumentados próximos ao local da lesão.
Sífilis secundária
Surge cerca de 6 a 8 semanas após a fase primária e pode causar:
- Lesões cutâneas;
- Alopecia;
- Sintomas sistêmicos, como febre e fraqueza.
Sífilis terciária
Pode ocorrer anos após a infecção inicial e apresentar manifestações graves, incluindo:
- Sintomas neurológicos;
- Comprometimento ósseo;
- Aneurismas.
Sífilis latente e neurossífilis
A fase latente é assintomática. A sífilis também pode evoluir para neurossífilis, que varia desde formas assintomáticas até quadros graves, como demência.
Sífilis congênita
Em gestantes não tratadas adequadamente, pode ocorrer sífilis congênita, resultando em anormalidades no recém-nascido.
Causas
A sífilis é causada pela infecção pelo Treponema pallidum, que se multiplica no organismo após a transmissão.
Formas de transmissão
- Relações sexuais desprotegidas;
- Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação).
A infecção pode ocorrer mesmo em pessoas com histórico prévio de sífilis, especialmente quando associada a fatores de risco como múltiplos parceiros sexuais e condições que comprometem o sistema imunológico.
Diagnóstico
O diagnóstico da sífilis é realizado por meio de exames de sangue que detectam a presença de anticorpos contra a bactéria.
Exames laboratoriais
- Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
- Recomenda-se a confirmação com mais de um teste positivo.
Outros métodos diagnósticos
A bacterioscopia de campo escuro pode identificar diretamente a bactéria. Em casos de suspeita de neurossífilis, é indicada a punção liquórica para análise do líquor.
A história clínica e a avaliação de fatores de risco são fundamentais para interpretação adequada dos exames.
Tratamento
O tratamento da sífilis é realizado, na maioria dos casos, com penicilina, sendo a Benzetacil a medicação mais utilizada.
Tratamento conforme a fase
A quantidade de doses e a duração do tratamento variam conforme o estágio da infecção.
Nos casos de comprometimento do sistema nervoso, pode ser necessária a penicilina cristalina, que apresenta melhor penetração no sistema nervoso central.
Prevenção
A prevenção da sífilis envolve:
- Uso de preservativos nas relações sexuais;
- Testagem regular em grupos de risco;
- Acompanhamento pré-natal adequado para gestantes.
Essas medidas são fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações, especialmente a sífilis congênita.
O que esperar
Quando tratada adequadamente, a sífilis apresenta bom prognóstico, com altas taxas de cura e ausência de sequelas na maioria dos casos.
Porém, a falta de tratamento pode levar a complicações graves e comprometer significativamente a qualidade de vida, podendo causar sequelas permanentes. O acompanhamento periódico após o tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica e a necessidade de retratamento.
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Perguntas frequentes sobre sífilis
1. A sífilis tem cura?
Sim. Quando tratada corretamente, a sífilis apresenta alta taxa de cura.
2. A sífilis pode voltar após o tratamento?
A infecção pode ocorrer novamente se houver nova exposição ao Treponema pallidum.
3. Toda sífilis apresenta sintomas?
Não. A fase latente é assintomática e pode passar despercebida sem testagem.
4. Gestantes devem fazer teste para sífilis?
Sim. O rastreio é realizado rotineiramente no pré-natal.
5. A sífilis não tratada pode causar sequelas?
Sim. A evolução para formas terciárias ou neurossífilis pode causar danos permanentes.
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