Mastite: o que é, sintomas, o que causa e como tratar

Mãe com mastite amamentando bebê durante o período de aleitamento materno.

Dor na mama, vermelhidão na pele, sensação de calor local e febre estão entre alguns dos principais sintomas da mastite, uma inflamação da mama que pode surgir especialmente durante o período de amamentação.

Ela é relativamente comum no puerpério, especialmente nas primeiras semanas após o parto, quando o processo de adaptação da lactação ainda está acontecendo.

A mastite lactacional é uma condição que pode afetar a amamentação, devido à dor, ao desconforto e ao processo inflamatório na mama. Em alguns casos, o incômodo é tão grande que a mãe acaba interrompendo o aleitamento antes do tempo recomendado.

Afinal, o que é mastite lactacional?

A mastite é uma inflamação do tecido da mama que pode surgir durante o período de amamentação. A condição costuma aparecer quando há acúmulo de leite na mama ou quando bactérias conseguem entrar no tecido mamário.

Normalmente, a entrada ocorre por meio de fissuras ou pequenas feridas no mamilo, que são relativamente comuns nos primeiros quinze dias de aleitamento, fase em que a mama ainda está se adaptando à sucção do bebê.

Durante a amamentação, a região do mamilo fica mais sensível e exposta ao atrito constante. Por esse motivo, pequenas lesões podem surgir com facilidade, criando uma porta de entrada para micro-organismos. Quando bactérias conseguem penetrar na mama, podem desencadear um processo inflamatório que causam os sintomas.

Importante: apesar de mais comum em mulheres que estão amamentando (mastite lactacional), ela também pode ocorrer em mulheres fora do período pós-parto e, raramente, em homens.

Causas mais comuns da mastite lactacional

Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a mastite pode surgir porque a região da mama ainda não está acostumada com o estímulo mecânico provocado pela sucção do bebê. Além disso, a saliva do recém-nascido possui um pH mais ácido, e o mamilo permanece constantemente exposto ao atrito e ao trauma causados pela amamentação.

Como consequência, atrito e a acidez da saliva podem gerar pequenas rachaduras ou feridas nos mamilos, que funcionam como porta de entrada para bactérias, que podem ter origem na:

  • Pele da mulher, principalmente bactérias dos grupos Staphylococcus e Streptococcus;
  • Boca do bebê, incluindo cepas anaeróbias presentes na saliva do recém-nascido.

Ao mesmo tempo, um quadro de ingurgitamento mamário (acúmulo excessivo de leite) pode causar uma inflamação interna. Quando a mama fica muito cheia e dura, os alvéolos (onde o leite é produzido) podem sofrer pequenas rupturas.

As lesões liberam substâncias inflamatórias no corpo para tentar reparar o tecido, o que causa dor e inchaço. Se uma bactéria penetra em uma mama que já está inflamada pelo leite parado, Andreia aponta que a infecção se desenvolve muito mais rápido devido ao maior fluxo sanguíneo na região.

Quais os tipos de mastite lactacional?

De maneira geral, existem dois tipos principais de mastite, segundo Andreia.

O primeiro é a mastite intersticial, em que as bactérias presentes na pele da mãe entram na mama por meio de fissuras no mamilo e causam infecção nos tecidos ao redor da glândula mamária. A manifestação costuma surgir mais cedo e aparece como uma área avermelhada, dolorida e relativamente bem localizada na mama.

O segundo tipo é a mastite parenquimatosa, em que as bactérias presentes na boca do bebê podem entrar pelos ductos do leite e se instalar no interior da glândula mamária. Como a infecção ocorre em uma região mais profunda, nem sempre existem sinais visíveis na parte externa da mama.

Muitas mulheres relatam dor profunda ou dor ao movimentar o braço, devido ao envolvimento da região do músculo peitoral. Também podem surgir sintomas gerais no corpo, como febre, mal-estar e sensação semelhante a um quadro gripal.

Sintomas de mastite

Os sintomas da mastite podem ser divididos entre sinais locais (na mama) e sistêmicos (no corpo todo). A intensidade e o tipo de sintoma variam conforme a região da mama afetada e o estágio da inflamação.

Sinais inflamatórios na mama

  • Dor intensa na mama;
  • Sensação de calor na região;
  • Vermelhidão na pele;
  • Inchaço ou aumento do volume da mama;
  • Sensibilidade ou endurecimento da mama.

Sintomas da mastite intersticial (inflamação ao redor das glândulas)

  • Área avermelhada bem delimitada na mama;
  • Dor localizada na região afetada;
  • Sensibilidade ao toque.

Sintomas da mastite parenquimatosa (inflamação dentro da glândula mamária)

  • Dor profunda na mama;
  • Dor que pode irradiar para o braço ou para o peito;
  • Febre alta;
  • Calafrios;
  • Mal-estar generalizado;
  • Sensação semelhante a um quadro de gripe.

Quando ir ao médico?

É importante procurar atendimento médico na seguintes situações:

  • Os sintomas de leite empedrado não melhorarem após cerca de 24 horas de esvaziamento frequente da mama;
  • Surgir febre, calafrios ou sensação de grande cansaço e prostração;
  • A pele da mama ficar muito vermelha, brilhante ou quente;
  • Aparecer um ponto com pus ou área muito dolorida, o que pode indicar formação de abscesso;
  • A dor for intensa a ponto de dificultar ou impedir a amamentação.

A avaliação profissional precoce ajuda a controlar a inflamação, reduzir a dor e evitar complicações durante a amamentação.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é especialmente clínico e costuma ser realizado pelo ginecologista, mastologista ou obstetra por meio de um exame físico, no qual o profissional observa sinais como aumento da temperatura local, presença de áreas endurecidas, dor e regiões de vermelhidão.

Ele também analisa o histórico da amamentação, investigando a presença de fissuras no mamilo, dificuldades na pega do bebê ou episódios recentes de empedramento da mama.

Com base na avaliação clínica, o médico também identifica o tipo de mastite, verificando se o processo inflamatório é mais superficial ou mais profundo. A diferenciação é importante para definir a melhor abordagem de tratamento e escolher o antibiótico mais adequado.

Tratamento de mastite

O tratamento pode variar de acordo com o tipo de mastite, segundo Andreia. Na maioria das situações, o objetivo é reduzir a inflamação, aliviar a dor e evitar que o quadro evolua para uma infecção mais grave.

Uma das medidas mais importantes é manter o esvaziamento frequente da mama, seja por meio da amamentação ou da retirada manual do leite. O esvaziamento contribui para diminuir o acúmulo de leite, reduz a pressão dentro da mama e contribui para a melhora da inflamada.

Além disso, o médico pode recomendar algumas medidas de cuidado, como:

  • Uso de analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar dor e desconforto;
  • Compressas mornas antes da amamentação para facilitar a saída do leite;
  • Compressas frias após a mamada para reduzir o inchaço;
  • Correção da pega do bebê durante a amamentação, quando necessário.

Quando há infecção bacteriana, o tratamento inclui antibióticos prescritos pelo médico. Na mastite intersticial, Andreia explica que costumam ser indicados medicamentos que atuam contra bactérias da pele, como cefalosporinas.

Já na mastite parenquimatosa, pode ser necessário usar antibióticos que combatem bactérias da boca do bebê, como a clindamicina.

Em situações mais raras, a mastite pode evoluir para um abscesso mamário, que é uma coleção de pus dentro da mama, formada quando a infecção evolui de forma mais agressiva ou quando há atraso no diagnóstico e tratamento.

Quando isso acontece, Andreia aponta que pode ser necessário realizar drenagem do local. Em algumas situações, é feita apenas uma punção para retirar o líquido acumulado. Em outras, pode ser colocado um pequeno dreno, chamado pigtail, que permanece na região para permitir a drenagem contínua.

Quem tem mastite pode continuar amamentando?

Na maioria dos casos, a amamentação pode e deve continuar mesmo durante o tratamento da mastite, pois manter a mama sendo esvaziada com frequência ajuda a reduzir o acúmulo de leite, aliviar a inflamação e acelerar a recuperação.

A suspensão temporária da amamentação costuma ser indicada apenas em algumas situações específicas, como durante o uso de algum antibiótico que não seja compatível com a amamentação ou em casos de complicações, como um abscesso na mama. Mesmo assim, apenas um profissional de saúde pode avaliar cada caso e orientar a melhor decisão.

Quando a amamentação direta estiver muito dolorosa ou não for possível naquele momento, pode ser recomendado retirar o leite manualmente ou com a ajuda de uma bomba. A medida ajuda a manter a mama esvaziada, evita o acúmulo de leite e mantém a produção até que a amamentação possa acontecer normalmente novamente.

Como prevenir a inflamação nas mamas?

Durante o aleitamento, alguns cuidados simples podem ajudar a proteger a mama e reduzir o risco de inflamação, como:

  • Cuidado com fissuras no mamilo, tratando pequenas feridas logo no início para evitar a entrada de bactérias;
  • Uso de lanolina para hidratar a região, ajudando a proteger a pele do mamilo e favorecer a cicatrização;
  • Uso de terapias como laser ou LED, que podem ajudar a reduzir inflamação e acelerar a cicatrização das fissuras;
  • Orientação adequada sobre a técnica de amamentação, garantindo que o bebê faça uma pega correta na mama;
  • Prevenção do ingurgitamento mamário, mantendo o esvaziamento frequente das mamas por meio da amamentação ou da retirada do leite quando necessário.

Com orientação adequada e alguns cuidados no dia a dia, é possível reduzir bastante o risco de mastite durante a amamentação.

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Perguntas frequentes

1. O bebê pode rejeitar o leite da mama com mastite?

Pode acontecer. Às vezes, o leite da mama inflamada fica com um sabor levemente mais salgado devido ao aumento de sódio e cloreto. Se o bebê rejeitar, tente fazer a ordenha manual ou com bomba para garantir o esvaziamento.

2. Como diferenciar o leite empedrado da mastite?

O leite empedrado (ingurgitamento) é o acúmulo de leite que deixa a mama dura e dolorida. A mastite é quando esse quadro evolui para uma inflamação ou infecção, apresentando vermelhidão intensa, calor local e, muitas vezes, febre e mal-estar gripal.

3. Existe algum remédio caseiro para curar a mastite?

Não existe cura caseira para mastite infecciosa, a condição precisa de antibióticos. Porém, medidas caseiras como repouso, beber muita água e esvaziar a mama frequentemente são essenciais para o sucesso do tratamento médico.

4. Posso usar compressa quente na mama inflamada?

A compressa morna pode ser usada antes da mamada para ajudar o leite a fluir. No entanto, o uso excessivo pode aumentar o inchaço (edema). Após a mamada, alguns médicos recomendam compressas frias para reduzir a inflamação e a dor.

5. O que é a apojadura e por que ela causa dor?

A apojadura é a descida do leite, que ocorre cerca de 72 horas após o parto. A mama enche rapidamente porque os hormônios da placenta diminuem, liberando a produção plena de leite. Se a mama não for esvaziada, pode haver dor e ingurgitamento.

6. Se eu tiver mastite em uma mama, posso amamentar na outra?

Com certeza. Se a dor na mama afetada estiver insuportável, você pode amamentar normalmente na mama saudável e usar a ordenha (manual ou bomba) na mama com mastite até que a dor diminuia.

7. Quem já teve mastite uma vez pode ter de novo?

Sim, mulheres que tiveram mastite em uma gestação têm maior predisposição em lactações futuras. Isso pode ocorrer por características anatômicas dos ductos ou por áreas que cicatrizaram e ficaram mais sensíveis.

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