A volta às aulas é um momento importante para o desenvolvimento das crianças, mas, depois de algumas semanas, também costuma marcar um aumento expressivo de viroses e infecções. Salas fechadas, contato próximo, compartilhamento de objetos e hábitos de higiene ainda em formação criam o cenário ideal para a circulação de vírus e bactérias.
Febre, tosse, dor de garganta, diarreia ou manchas na pele passam a fazer parte da rotina de muitas famílias nesse período. Embora a maioria dessas doenças seja leve, reconhecer os quadros mais comuns ajuda os pais a agir corretamente, proteger a criança e evitar surtos dentro das escolas.
Por que as doenças aumentam na volta às aulas?
O aumento de infecções nesse período acontece por vários fatores combinados:
- Aglomeração de crianças em ambientes fechados;
- Contato físico frequente (brincadeiras, abraços, troca de objetos);
- Sistema imunológico ainda em desenvolvimento;
- Higiene das mãos nem sempre feita da melhor maneira;
- Circulação simultânea de diferentes vírus sazonais.
Esse conjunto facilita a transmissão de doenças respiratórias, gastrointestinais e de pele.
Principais doenças para ficar atento na volta às aulas
Adenovírus
O adenovírus é um dos vírus mais comuns nesse período. Ele pode causar diferentes quadros, como:
- Resfriado e dor de garganta;
- Febre;
- Conjuntivite viral (olhos vermelhos e secreção);
- Diarreia e vômitos.
É altamente contagioso, resistente no ambiente e se espalha facilmente em escolas e creches.
Doença mão-pé-boca
Muito comum em crianças pequenas, especialmente em creches e educação infantil.
Principais sinais:
- Febre;
- Feridas dolorosas na boca;
- Bolhas ou manchas nas mãos, pés e região das fraldas.
É causada por vírus (principalmente Coxsackie) e se transmite facilmente pelo contato direto e pelas mãos.
Gripe (Influenza)
O vírus influenza, causador da gripe, costuma circular mais em determinados períodos do ano, mas surtos podem ocorrer com a retomada das aulas.
Sintomas comuns:
- Febre alta de início súbito;
- Dores no corpo;
- Tosse;
- Cansaço intenso.
A vacinação anual é a principal forma de prevenção e é recomendada para crianças.
Covid-19
Embora hoje apresente, na maioria das crianças, quadros leves, a covid-19 ainda circula e pode causar surtos em ambientes escolares.
Sintomas mais frequentes:
- Febre;
- Coriza;
- Tosse;
- Dor de garganta;
- Dor de cabeça;
- Diarreia (em alguns casos).
Crianças com sintomas devem ser avaliadas e afastadas temporariamente da escola, conforme orientação médica.
Resfriados comuns (rinovírus)
Os resfriados são extremamente frequentes na volta às aulas.
- Coriza;
- Espirros;
- Tosse leve;
- Congestão nasal.
Apesar de benignos, são muito contagiosos e se espalham rapidamente entre as crianças.
Gastroenterites virais
Viroses intestinais também são comuns, especialmente em crianças menores.
- Diarreia;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Febre.
O maior risco é a desidratação, principalmente em bebês e crianças pequenas.
Infecções de garganta (amigdalites)
Podem ser virais ou bacterianas. As bacterianas, especialmente por estreptococo, merecem atenção pelo risco de complicações.
- Dor intensa ao engolir;
- Febre;
- Placas esbranquiçadas nas amígdalas;
- Ínguas no pescoço.
O que os pais devem fazer ao identificar sintomas?
Levar ou não a criança para a escola?
De forma geral, a criança não deve ir à escola se apresentar:
- Febre;
- Vômitos ou diarreia;
- Dor intensa;
- Mal-estar importante;
- Conjuntivite com secreção;
- Lesões ativas de mão-pé-boca.
Mesmo sintomas leves podem evoluir, além de facilitar o contágio de outras crianças.
Quando procurar avaliação médica?
Os pais devem buscar orientação médica se houver:
- Febre persistente por mais de 2–3 dias;
- Dificuldade para respirar;
- Sinais de desidratação;
- Prostração;
- Dor intensa ou piora progressiva dos sintomas.
Crianças pequenas e aquelas com doenças crônicas exigem atenção redobrada.
Quando a criança pode voltar às aulas?
Em geral, a criança pode retornar quando:
- Estiver sem febre há pelo menos 24 horas;
- Não apresentar vômitos ou diarreia;
- Estiver com bom estado geral;
- Não houver risco elevado de transmissão ativa.
A liberação pode variar conforme a doença, por isso a orientação médica é tão importante.
Como prevenir doenças na volta às aulas
- Lavar as mãos com água e sabão com frequência;
- Ensinar as crianças a não levar as mãos ao rosto;
- Manter vacinação em dia (especialmente gripe e covid-19);
- Enviar a criança doente para casa, evitando forçar a ida à escola;
- Higienizar lancheiras, garrafas e materiais escolares;
- Estimular boa hidratação e alimentação equilibrada.
Essas ações protegem a criança e toda a comunidade escolar.
Confira: Rotavírus: o que é, como se manifesta e por que a vacina é tão importante
Perguntas frequentes sobre doenças na volta às aulas
1. É normal a criança ficar doente logo no início das aulas?
Sim. O aumento do contato com outras crianças facilita a exposição a novos vírus.
2. Criança com conjuntivite precisa se afastar da escola?
Sim, principalmente quando há secreção, pois é altamente contagiosa.
3. Antibiótico ajuda a evitar transmissão?
Não. Antibióticos só são indicados em infecções bacterianas específicas.
4. A vacinação ajuda mesmo?
Sim. Vacinas reduzem formas graves, complicações e surtos escolares.
5. Quanto tempo essas viroses costumam durar?
A maioria melhora em 5 a 7 dias, dependendo do vírus.
6. Manter a criança em casa ajuda a evitar surtos?
Sim. O afastamento temporário é uma das medidas mais eficazes para reduzir transmissão.
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