A vermelhidão persistente no rosto nem sempre é apenas pele sensível ou reação ao calor. Quando o rubor aparece com frequência, vem acompanhado de sensação de ardor, pequenos vasos aparentes ou até lesões parecidas com acne, pode se tratar de rosácea, uma condição inflamatória crônica da pele.
A rosácea atinge principalmente a região central da face e pode afetar não apenas a pele, mas também os olhos. Embora não tenha cura definitiva, há diversas formas de controlar os sintomas e reduzir o impacto estético e emocional da doença.
O que é rosácea?
A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que acomete principalmente:
- Bochechas;
- Nariz;
- Testa;
- Queixo.
Pode se manifestar com:
- Vermelhidão persistente (eritema centrofacial);
- Pápulas e pústulas;
- Episódios de rubor (flushing);
- Telangiectasias (vasos aparentes);
- Espessamento da pele.
Em alguns casos, também há comprometimento ocular.
Quem é mais afetado?
A rosácea é considerada comum, mas frequentemente subdiagnosticada. Estudos estimam prevalência de cerca de 5% dos adultos.
Perfil mais afetado:
- Adultos acima de 30 anos;
- Mulheres (mais comum);
- Homens com maior risco de formas fimatosas, como rinofima, que afeta o nariz.
Embora seja mais associada à pele clara, pode ocorrer em todos os fototipos.
O que causa a rosácea?
A causa exata ainda não é totalmente compreendida. Diversos mecanismos parecem estar envolvidos.
1. Alterações do sistema imune
- Produção aumentada de peptídeos inflamatórios (como catelicidina);
- Ativação exagerada da imunidade inata;
- Participação de mastócitos e células T.
2. Micro-organismos
O ácaro Demodex folliculorum é encontrado em maior densidade na pele de pacientes com rosácea.
3. Hiper-reatividade vascular
Pessoas com rosácea apresentam maior tendência ao rubor (flushing). Alguns estímulos podem provocar vasodilatação exagerada, como:
- Calor;
- Alimentos picantes;
- Estresse;
- Álcool.
4. Radiação ultravioleta
A exposição solar pode contribuir para:
- Inflamação cutânea;
- Formação de vasos;
- Estresse oxidativo.
Por isso, usar protetor solar é muito importante.
5. Fatores genéticos
História familiar aumenta o risco, sugerindo predisposição genética.
Principais sinais e sintomas da rosácea
A rosácea pode se manifestar de diferentes formas. Os médicos costumam classificar a doença de acordo com os padrões de manifestação (fenótipos clínicos).
Sinais que confirmam o diagnóstico
- Vermelhidão persistente na região central do rosto (eritema centrofacial fixo);
- Espessamento irregular da pele, especialmente no nariz, que pode ficar aumentado e com aspecto endurecido (alterações fimatosas, como a rinofima).
Sinais mais comuns
- Bolinhas vermelhas ou com pus, parecidas com acne (pápulas e pústulas);
- Episódios de ondas de calor no rosto, com vermelhidão súbita e intensa (flushing);
- Vasos sanguíneos aparentes na pele (telangiectasias);
- Sintomas nos olhos, como vermelhidão, ardor e sensação de areia (rosácea ocular).
Outros sintomas que podem aparecer
- Sensação de ardor ou queimação na pele;
- Inchaço no rosto (edema facial);
- Pele seca, sensível e que irrita com facilidade.
Rosácea ocular
Pode ocorrer antes ou junto com as manifestações cutâneas.
Sintomas são:
- Olhos vermelhos;
- Ardor;
- Sensação de areia nos olhos;
- Sensibilidade à luz (fotofobia);
- Visão borrada.
Em casos mais graves, pode haver comprometimento da córnea. Avaliação com oftalmologista é indicada quando há sintomas oculares.
Fatores que pioram a rosácea
Gatilhos comuns incluem:
- Sol e calor;
- Frio intenso;
- Bebidas quentes;
- Alimentos picantes;
- Álcool;
- Exercício físico intenso;
- Estresse emocional;
- Cosméticos irritantes.
Identificar gatilhos individuais ajuda no controle da doença.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da rosácea é feito principalmente pela avaliação clínica, ou seja, pela observação dos sinais e sintomas durante a consulta médica.
Para confirmar o diagnóstico, geralmente é necessário que a pessoa apresente:
- Pelo menos um sinal considerado típico da doença, como vermelhidão persistente na parte central do rosto (eritema centrofacial fixo), ou;
- Dois ou mais sinais frequentes da rosácea, como bolinhas inflamadas (pápulas e pústulas), vasos aparentes (telangiectasias), episódios de vermelhidão súbita (flushing) ou sintomas nos olhos (rosácea ocular).
Na maioria dos casos, não é preciso realizar biópsia (retirada de um pequeno fragmento de pele para análise), pois o diagnóstico costuma ser feito apenas pela avaliação clínica.
Tratamento
O objetivo é controlar sintomas e reduzir crises.
Medidas gerais
- Evitar gatilhos;
- Higienização suave;
- Hidratação diária;
- Protetor solar FPS ≥ 30.
Eritema persistente
- Medicamentos específicos indicados pelo dermatologista;
- Laser vascular;
- Luz intensa pulsada.
Pápulas e pústulas
- Medicamentos específicos prescritos pelo médico, como ácido azelaico;
- Antibióticos orais (como doxiciclina) em casos moderados, sempre prescritos por um médico especialista.
Rosácea ocular
- Compressas mornas;
- Higiene palpebral;
- Antibióticos tópicos ou sistêmicos;
- Colírios sob orientação oftalmológica.
Espessamento irregular da pele do nariz (rinofima)
- Medicamentos específicos prescritos pelo dermatologista;
- Laser ou cirurgia em casos avançados.
O que esperar
A rosácea é crônica e pode apresentar períodos de melhora e piora. Com acompanhamento adequado, é possível manter bom controle e reduzir o impacto psicológico e estético.
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Perguntas frequentes sobre rosácea
1. Rosácea é acne?
Não. Embora possa causar pápulas e pústulas, trata-se de doença inflamatória diferente da acne.
2. Tem cura?
Não há cura definitiva, mas há controle eficaz.
3. Sol piora?
Sim, em muitos casos. A fotoproteção é fundamental.
4. Álcool causa rosácea?
Não causa, mas pode desencadear crises.
5. Pode afetar os olhos?
Sim. A rosácea ocular pode causar irritação e deve ser avaliada.
6. Laser resolve?
Pode melhorar vasos aparentes e vermelhidão persistente.
7. É contagiosa?
Não. Rosácea não é uma doença infecciosa.
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