A fraqueza muscular não é o único problema que pode surgir com a perda de proteínas, sabia? Responsáveis por funções estruturais, metabólicas e imunológicas, elas ajudam o corpo a se manter em equilíbrio e garantem que tecidos, órgãos e sistemas funcionem como deveriam.
Quando a ingestão diária de proteínas fica muito abaixo do ideal, o organismo precisa priorizar tarefas vitais e deixa outras em segundo plano — o que reduz a produção de hormônios, atrapalha o metabolismo e enfraquece a imunidade.
Com o tempo, o corpo manifesta a deficiência através de alterações no cabelo, pior cicatrização, cansaço frequente e, em quadros prolongados, a perda de massa muscular. Vamos entender mais, a seguir.
O que é proteína e o que ela faz no corpo?
A proteína é um nutriente formado por aminoácidos, que funcionam como blocos que o organismo usa para construir, manter e reparar seus próprios tecidos. Cada aminoácido tem um papel próprio, e o conjunto deles permite que o corpo execute algumas tarefas fundamentais.
De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as proteínas participam da formação dos músculos, pele, cabelos, unhas e ossos, garantindo sustentação e renovação dos tecidos. Além da função estrutural, elas participam de processos celulares fundamentais, como a produção de hormônios, a realização de reações metabólicas e a regulação do metabolismo.
Elas também dão origem aos anticorpos, que funcionam como defesa direta contra vírus, bactérias e outros agentes que podem causar doenças. Eles reconhecem e neutralizam ameaças, fortalecendo a imunidade e ajudando o organismo a responder de forma rápida a infecções.
Riscos da falta de proteínas para o corpo
A falta de proteína afeta várias funções do organismo, porque o corpo depende do nutriente para manter os músculos, produzir hormônios, se defender de infecções e realizar processos metabólicos. Quando a ingestão fica muito baixa, surgem sinais em diferentes sistemas, como:
- Perda de massa muscular e redução de força, já que o organismo passa a usar o músculo como reserva;
- Cansaço constante, com sensação de baixa energia mesmo após descanso;
- Queda da imunidade, aumentando a frequência de infecções virais e bacterianas;
- Cicatrização lenta, porque o corpo produz menos colágeno e enzimas reparadoras;
- Queda e enfraquecimento dos cabelos;
- Unhas frágeis e quebradiças;
- Pele mais fina, ressecada ou sem firmeza;
- Metabolismo mais lento, com maior risco de resistência à insulina e alterações glicêmicas;
- Dificuldade para perder peso ou manter o peso perdido;
- Maior risco de anemia;
- Sarcopenia, provocando fraqueza e dificuldade para tarefas diárias;
- Maior predisposição a quedas e fraturas.
Em casos mais graves, pode acontecer um quadro de desnutrição proteico-calórica, no qual o organismo já não consegue manter funções básicas por falta de energia e proteína.
Nesses casos, aparecem sinais como perda extrema de peso, inchaço nas pernas e no abdômen, fraqueza intensa, alterações na pele e no cabelo, maior risco de infecções e comprometimento de órgãos. É uma condição séria, que precisa de acompanhamento médico e reposição nutricional cuidadosa.
Perda de massa magra pode afetar o coração?
De acordo com Juliana, não é incomum que pessoas com sarcopenia apresentem sedentarismo e uma alimentação inadequada, fatores que já aumentam o risco cardiovascular.
A deficiência de proteínas apenas intensifica o risco, uma vez que aumenta a resistência à insulina, favorece o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e eleva a probabilidade de doenças do coração.
A perda muscular também está associada a maior inflamação crônica no organismo, condição que facilita a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose) e aumenta o risco de infarto.
Nos quadros mais graves de desnutrição, a perda de massa magra pode comprometer a própria musculatura cardíaca, prejudicando a força e o funcionamento do coração.
Atenção a idosos e pessoas em processo de emagrecimento rápido
Tanto os idosos quanto pessoas que passam por emagrecimento rápido são grupos de risco para déficit proteico.
Na terceira idade, a capacidade de produzir e utilizar proteínas diminui com o passar dos anos, reduzindo a síntese muscular mesmo quando a alimentação está adequada. Além disso, é comum menor apetite ou dificuldade de deglutição, aumentando o risco de desnutrição proteico-calórica.
Já quem perde peso de forma acelerada tende a seguir dietas muito restritivas. Como o corpo precisa manter funções vitais, ele passa a usar o próprio músculo como fonte de energia, resultando em perda de massa muscular, fraqueza e maior risco de deficiências nutricionais.
Quais os sintomas de perda de proteína?
- Perda de massa muscular e redução de força;
- Cansaço constante e falta de energia;
- Queda e enfraquecimento dos cabelos;
- Unhas frágeis e quebradiças;
- Pele mais fina, ressecada ou com aparência envelhecida;
- Cicatrização lenta;
- Maior frequência de infecções;
- Inchaço nas pernas ou no abdômen em casos mais graves;
- Dificuldade para perder peso ou manter o peso perdido;
- Perda de apetite e sensação de fraqueza geral.
Qual a quantidade diária recomendada de proteínas?
A quantidade diária recomendada varia conforme idade, nível de atividade e estado de saúde. Para adultos sedentários, a base geral é de 0,8 gramas por quilo de peso corporal. Para idosos ou pessoas fisicamente ativas, a recomendação aumenta para 1 a 1,6 gramas por quilo ao dia.
Alimentos ricos em proteína
- Carnes magras, como frango e cortes bovinos com menos gordura;
- Peixes como salmão, atum, sardinha e tilápia;
- Ovos;
- Laticínios, como leite, iogurte natural e queijo branco;
- Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha;
- Soja e derivados, como tofu e tempeh;
- Castanhas e oleaginosas;
- Sementes como chia e linhaça;
- Quinoa.
A distribuição da proteína ao longo do dia é importante. Em vez de concentrar tudo em uma única refeição, o ideal é incluí-la em todas as refeições.
Importante: o consumo exagerado de proteína pode sobrecarregar os rins, especialmente em quem já tem doença renal.
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Perguntas frequentes
A perda de proteína pode causar queda de cabelo?
Sim. A falta de proteína reduz a produção de queratina, deixando o cabelo mais fino e quebradiço.
O metabolismo fica mais lento quando falta proteína?
Sim. A perda de massa magra reduz o gasto energético e dificulta o controle da glicose.
Como garantir proteína suficiente em uma dieta vegetariana?
Combinando feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, tofu, quinoa, castanhas e sementes ao longo do dia.
Proteína em pó substitui alimento?
Pode complementar, mas não deve substituir refeições completas sem orientação profissional.
Como saber se estou comendo proteína demais?
Sede intensa, desconforto gastrointestinal e inchaço podem ser sinais. O ideal é ajustar com orientação nutricional.
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