O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

Mulher jovem consumindo frutas frescas, ilustrando alimentação saudável que pode ajudar a aumentar o colesterol bom e proteger a saúde do coração

Conhecido como colesterol bom, o HDL é uma lipoproteína de alta densidade que atua diretamente na proteção do coração e dos vasos sanguíneos.

Diferente do colesterol ruim, que tende a se acumular nas artérias, o HDL atua na remoção do excesso de gordura da circulação, ajudando a manter o equilíbrio do colesterol no organismo.

Quando os níveis de HDL estão baixos ou sua função está comprometida, o risco cardiovascular aumenta, mesmo que outros exames pareçam controlados. Mas como é possível aumentá-los? Vamos entender mais, a seguir.

Qual o papel do colesterol HDL no coração?

Segundo a cardiologista Juliana Soares, a principal função do HDL é realizar a limpeza do sistema circulatório.

O HDL remove o excesso de colesterol ruim (LDL) das artérias e transporta a gordura de volta para o fígado. No fígado, o colesterol pode ser eliminado ou reaproveitado pelo organismo, o que é chamado de transporte reverso de colesterol.

Além disso, o HDL apresenta propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antitrombóticas, que contribuem para a preservação da saúde da camada interna dos vasos sanguíneos, reduzindo o risco de inflamação e da formação de placas de gordura nas artérias.

Quais hábitos podem ajudar a aumentar o colesterol bom?

Mesmo mudanças simples na rotina ajudam o colesterol HDL a desempenhar melhor o papel de proteção cardiovascular, como:

Alimentação saudável

Uma alimentação balanceada, com redução de carboidratos refinados, açúcares e gorduras hidrogenadas, como as gorduras trans, contribui para um perfil lipídico mais saudável e favorece o funcionamento adequado do HDL.

O ideal é priorizar alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras.

Consumo de gorduras boas

O aumento da ingestão de gorduras de boa qualidade auxilia na composição da lipoproteína e reforça a capacidade de remoção do colesterol ruim da circulação.

O recomendado é incluir na rotina fontes de ômega 3, como peixes de águas frias, sementes de linhaça e chia, além do uso regular de azeite de oliva extra-virgem.

As oleaginosas, como castanhas e nozes, também contribuem para a elevação do HDL e para a melhora da função cardiovascular, desde que consumidas com moderação, devido ao alto valor calórico.

Prática regular de atividade física

A atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos, é uma das melhores medidas para elevar o HDL. Além de aumentar os níveis, o exercício melhora a eficiência funcional do colesterol bom, potencializando a proteção das artérias.

A Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade mais elevada.

Perda de peso e redução da gordura abdominal

Em situações de sobrepeso ou obesidade, a perda de peso contribui de maneira significativa para a melhora do perfil lipídico.

A redução da gordura abdominal está associada ao aumento do HDL e à diminuição do colesterol ruim, reforçando a importância do controle do peso por meio de alimentação adequada e atividade física regular.

Parar de fumar

O tabagismo reduz os níveis de HDL e compromete a função da lipoproteína. Além de diminuir o colesterol bom, fumar favorece processos inflamatórios e altera a formação de placas de gordura nas artérias.

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para a melhora do HDL e para a proteção da saúde cardiovascular.

O uso de remédios consegue aumentar o colesterol HDL?

Alguns medicamentos, como a niacina e os fibratos, conseguem aumentar um pouco os níveis de colesterol bom. No entanto, pesquisas mostram que o aumento nem sempre significa mais proteção para o coração.

Segundo Juliana, o HDL elevado por medicação não reduz o risco de infarto na mesma proporção que o HDL aumentado naturalmente por mudanças no estilo de vida, especialmente com exercício físico regular.

O foco do tratamento medicamentoso do colesterol continua sendo a redução do LDL, principalmente com o uso de estatinas, sempre com orientação médica.

Consumo de álcool ainda é indicado para elevar o HDL?

Não existe recomendação médica para o consumo de álcool com o objetivo de aumentar o HDL, de acordo com Juliana. Na verdade, os riscos associados ao uso de álcool, como doenças hepáticas, câncer e dependência, superam qualquer possível benefício para o coração.

Hoje, a melhor forma de proteger o coração é através de uma alimentação saudável, atividades físicas regulares e hábitos saudáveis de vida.

HDL alto nem sempre significa proteção cardiovascular

Níveis muito altos de colesterol bom nem sempre garantem proteção cardiovascular e, em situações extremas, podem até ser prejudiciais.

Em algumas pessoas, especialmente na presença de fatores genéticos ou de doenças inflamatórias crônicas, o HDL pode estar alto no exame, mas não funcionar de forma adequada. Nesses casos, ocorre o chamado HDL disfuncional, que perde a capacidade de remover o colesterol ruim das artérias.

Com isso, mesmo com números altos no exame, a proteção cardiovascular pode ser menor do que o esperado.

Quais os valores de referência para o colesterol bom?

Os valores de referência para o colesterol bom são:

  • HDL acima de 40 mg/dL para homens;
  • HDL acima de 50 mg/dL para mulheres.

Vale lembrar que o resultado do HDL deve ser analisado por um médico junto com outros exames, como LDL, triglicerídeos e colesterol total, além de fatores como alimentação, atividade física, peso corporal e hábito de fumar.

Quando analisado sozinho, ele não é capaz de indicar o risco cardiovascular.

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Perguntas frequentes

1. O que significa a sigla HDL?

A sigla HDL significa High-Density Lipoprotein (Lipoproteína de Alta Densidade). Ela é chamada de “colesterol bom” porque sua principal função é o transporte reverso: recolher o excesso de gordura das artérias e levá-lo ao fígado para ser eliminado.

2. O que causa o HDL baixo?

Os principais fatores responsáveis pelo HDL baixo são o sedentarismo, o tabagismo, o excesso de peso, o consumo excessivo de carboidratos refinados e fatores genéticos.

3. O HDL baixo em mulheres após a menopausa é comum?

Sim, pois o estrogênio ajuda a manter os níveis de HDL. Com a queda da hormônio na menopausa, o HDL tende a diminuir e o LDL a subir, o que explica o aumento do risco cardíaco feminino nessa fase da vida.

4. Qual o exame que mede o HDL?

É o lipidograma completo, feito através de um exame de sangue comum. Atualmente, o jejum prolongado nem sempre é obrigatório, mas deve-se seguir a recomendação do laboratório e do médico.

5. O consumo de fibras solúveis ajuda o HDL?

De forma indireta, sim. As fibras solúveis (como as da aveia e do psyllium) ajudam a reduzir o LDL e os triglicérides. Ao baixar os triglicérides, o ambiente metabólico favorece que as partículas de HDL durem mais tempo na corrente sanguínea.

6. O uso de esteroides anabolizantes afeta o HDL?

Sim, e muito! O uso de testosterona em doses suprafisiológicas ou outros anabolizantes é uma das causas mais comuns de queda drástica do HDL (muitas vezes chegando a níveis abaixo de 10 mg/dL). Isso aumenta o risco de aterosclerose, infarto e AVC, inclusive em jovens.

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