Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

Representação de coágulo obstruindo uma veia da perna, caracterizando a trombose.

A trombose, que inclui a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar, é uma condição potencialmente grave, mas relativamente incomum em pessoas jovens e saudáveis sem fatores de risco.

Para que um coágulo (trombo) se forme dentro de um vaso sanguíneo, geralmente é necessário que haja um desequilíbrio nos mecanismos naturais que regulam a coagulação do sangue. Esse desequilíbrio é explicado por um conceito clássico da medicina chamado tríade de Virchow, que descreve os três principais pilares envolvidos na formação de trombos.

Quando um ou mais desses fatores estão presentes, o risco de trombose aumenta. E diversas situações do dia a dia, condições médicas e hábitos de vida podem contribuir para esse cenário.

O que é a tríade de Virchow?

A tríade de Virchow explica por que a trombose ocorre. Ela envolve três mecanismos principais:

  • Lesão vascular: danos à parede do vaso sanguíneo, como em traumas, cirurgias ou inflamações, favorecem a ativação da coagulação.
  • Fluxo sanguíneo alterado: quando o sangue circula de forma mais lenta ou turbulenta, há um aumento de chance de formação de coágulos.
  • Hipercoagulabilidade: algumas condições tornam o sangue mais propenso a coagular do que o normal.

Muitas situações de risco atuam justamente sobre um ou mais desses três mecanismos.

Principais situações que aumentam o risco de trombose

1. Imobilidade prolongada

Ficar muito tempo sem se movimentar reduz o fluxo sanguíneo nas pernas, favorecendo a formação de trombos.

Exemplos:

  • Longas viagens de avião ou carro;
  • Repouso prolongado após doença ou fratura;
  • Internações hospitalares com pouca mobilidade.

2. Cirurgias e procedimentos médicos

Cirurgias, especialmente ortopédicas (como quadril e joelho) ou de grande porte, aumentam o risco por:

  • Lesão direta dos vasos;
  • Inflamação pós-operatória;
  • Períodos de imobilidade.

Por esse motivo, muitos pacientes recebem anticoagulantes preventivos após cirurgias de maior risco.

3. Medicamentos e hormônios

Alguns medicamentos aumentam a chance de trombose, principalmente:

  • Anticoncepcionais hormonais, especialmente os combinados com estrogênio;
  • Terapia de reposição hormonal;
  • Certos tratamentos oncológicos.

O risco é maior quando associado a outros fatores, como tabagismo ou obesidade. Atualmente, com o crescimento do uso de esteroides anabolizantes, essa causa tem sido cada vez mais frequente.

4. Fraturas e traumas

Fraturas, principalmente de ossos longos como o fêmur, e grandes traumas podem lesar vasos sanguíneos e reduzir a mobilidade, aumentando o risco de trombose.

5. Gravidez e pós-parto

A gravidez é naturalmente um estado de hipercoagulabilidade, mecanismo protetor para evitar sangramentos excessivos no parto. Porém, isso também aumenta o risco de trombose, especialmente:

  • No terceiro trimestre;
  • Nas primeiras semanas após o parto.

6. Câncer

Alguns tipos de câncer e seus tratamentos aumentam a coagulação do sangue. Tumores podem liberar substâncias pró-coagulantes, e terapias como quimioterapia podem elevar ainda mais esse risco.

7. Doenças crônicas inflamatórias

Condições que mantêm o organismo em estado inflamatório crônico, como doenças autoimunes ou infecções prolongadas, podem favorecer a formação de trombos.

8. Idade avançada

O risco de trombose aumenta com a idade, devido a alterações naturais nos vasos sanguíneos e na coagulação, além da maior presença de doenças associadas.

9. Histórico familiar ou causas genéticas

Pessoas com familiares que já tiveram trombose podem ter predisposição genética. Algumas alterações hereditárias aumentam a tendência à coagulação, como:

  • Fator V de Leiden;
  • Deficiência de proteína C;
  • Deficiência de proteína S;
  • Deficiência de antitrombina.

10. Hábitos e estilo de vida

Alguns hábitos também elevam o risco:

  • Obesidade: aumenta inflamação e pressão sobre as veias das pernas;
  • Tabagismo: lesiona vasos e favorece a coagulação;
  • Sedentarismo: reduz o retorno venoso e favorece estase sanguínea.

Como reduzir o risco de trombose?

Embora nem todos os fatores sejam modificáveis, algumas medidas ajudam na prevenção:

  • Manter-se ativo e evitar longos períodos sentado;
  • Hidratar-se adequadamente;
  • Parar de fumar;
  • Manter peso saudável;
  • Usar anticoagulantes profiláticos quando indicados;
  • Movimentar as pernas em viagens longas;
  • Seguir corretamente orientações médicas no pós-operatório.

Quando se preocupar?

Procure atendimento imediato se surgirem sintomas sugestivos de trombose, como:

  • Inchaço repentino em uma perna;
  • Dor ou calor local;
  • Falta de ar súbita;
  • Dor no peito ao respirar.

Esses sinais podem indicar trombose venosa profunda ou embolia pulmonar e exigem avaliação urgente.

Veja também: Trombose do viajante: o que é, sintomas, causas e como evitar

Perguntas frequentes sobre trombose

1. Trombose acontece apenas em pessoas idosas?

Não. Embora o risco aumente com a idade, jovens também podem desenvolver trombose quando há fatores de risco.

2. Viagem longa realmente aumenta o risco?

Sim. Permanecer muitas horas sentado favorece a estase sanguínea nas pernas.

3. Anticoncepcional causa trombose?

Pode aumentar o risco, especialmente quando associado a outros fatores como tabagismo e obesidade.

4. Gravidez aumenta o risco de trombose?

Sim. A gravidez é um estado de hipercoagulabilidade fisiológica.

5. Trombose é sempre grave?

Pode ser. Quando evolui para embolia pulmonar, torna-se uma emergência médica.

6. Quem já teve trombose pode ter novamente?

Sim. O risco de recorrência depende da causa inicial e dos fatores persistentes.

7. Exercício físico ajuda a prevenir?

Sim. A atividade física regular melhora a circulação e reduz a estase venosa.

Leia também: Trombose e embolia pulmonar são a mesma coisa? Conheça as diferenças