Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

Pessoa com dor abdominal segurando papel higiênico no banheiro, imagem associada a diarreia constante.

Aumento da frequência das evacuações, fezes mais líquidas e dor ou desconforto abdominal são alguns dos principais sintomas da diarreia, que pode surgir de forma repentina ou se desenvolver ao longo de alguns dias, dependendo do que está causando o problema.

Normalmente, o quadro é passageiro e melhora espontaneamente em poucos dias, mas quando dura 14 dias ou mais, ele é considerado persistente.

“Quando [a diarreia] se prolonga por semanas, aumenta a chance de desidratação, perda de peso e de haver uma causa que precisa de investigação”, explica o cardiologista e clínico geral Giovanni Henrique Pinto.

O que pode ser a diarreia constante?

Quando a diarreia persiste por vários dias, ela pode estar relacionada a diferentes fatores, como aponta Giovanni:

  • Gastroenterites virais ou bacterianas, especialmente quando não tratadas adequadamente;
  • Parasitoses intestinais, mais comuns em locais com saneamento inadequado;
  • Uso de medicamentos, como antibióticos, metformina, suplementos de magnésio e laxantes;
  • Infecção por Clostridioides difficile, geralmente após uso recente de antibióticos ou período de internação hospitalar;
  • Intolerâncias alimentares, como lactose ou frutose;
  • Síndrome do intestino irritável, principalmente nas formas com predomínio de diarreia;
  • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

Quais os riscos da diarreia constante?

A desidratação é o principal risco da diarreia constante e acontece porque o corpo perde muita água e sais minerais pelas fezes. Quando o organismo não consegue repor rapidamente essas perdas, Giovanni explica que podem surgir queda da pressão arterial, tontura, fraqueza e até lesão renal aguda.

Em pessoas idosas, o perigo é maior porque o organismo tem menos capacidade de se adaptar à perda de líquidos. Além disso, a sensação de sede costuma ser menor, o que facilita a desidratação, mesmo quando a diarreia parece leve.

No caso de pessoas com problemas no coração, como insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias, a perda de líquidos reduz a quantidade de sangue circulando no corpo.

Nesses casos, a diarreia persistente pode agravar sintomas, alterar o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

Sinais de alerta para procurar atendimento médico

Se você apresentar os seguintes sinais, procure atendimento médico imediatamente, pois a diarreia pode estar associada a um quadro mais grave e precisa de avaliação.

  • Presença de sangue nas fezes;
  • Fezes muito escuras ou com aspecto de borra de café;
  • Febre alta ou persistente;
  • Dor abdominal intensa ou que piora com o tempo;
  • Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina, fraqueza intensa e tontura ou confusão mental;
  • Episódios de desmaio;
  • Piora do estado geral.

A atenção deve ser redobrada quando os sintomas surgem em idosos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com o sistema imunológico comprometido, pois o risco de complicações é maior.

O que tomar para diarreia constante?

Em adultos saudáveis, sem febre e sem presença de sangue nas fezes, alguns medicamentos antidiarreicos podem ser usados por curto período. Mesmo assim, o uso deve ser cauteloso, pois nem toda diarreia deve ser interrompida com remédios.

Quando há suspeita de infecção mais grave, o uso dos medicamentos deve ser evitado, já que podem mascarar sintomas importantes e aumentar o risco de complicações. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável.

Como é feita a investigação da causa?

Para investigar a causa da diarreia constante, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, para entender a duração da diarreia, a frequência das evacuações, a presença de sintomas associados — além de hábitos alimentares, uso de medicamentos, viagens recentes e histórico de doenças intestinais.

Também podem ser solicitados alguns exames específicos, como:

  • Exames de fezes: pesquisa de parasitas, bactérias, vírus, presença de muco, sangue ou sinais de inflamação;
  • Exames de sangue: avaliação de infecção, inflamação, anemia, desidratação e alterações de sais minerais;
  • Testes para intolerâncias alimentares: como lactose ou frutose, ou dieta de exclusão orientada;
  • Colonoscopia: indicada quando a diarreia é persistente ou há sinais de alerta, permitindo avaliar inflamações, lesões e doenças intestinais;
  • Outros exames de imagem ou endoscópicos: solicitados em situações específicas, conforme a suspeita clínica.

Diarreia constante tem tratamento?

O tratamento da diarreia constante depende da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em todos os casos, a reposição de líquidos e sais minerais é sempre necessária para prevenir a desidratação.

Em casos de infecções, o tratamento varia de acordo com o agente causador. Infecções bacterianas ou parasitárias podem exigir o uso de medicamentos específicos, enquanto infecções virais costumam melhorar com medidas de suporte, como hidratação e alimentação adequada.

Quando a diarreia está relacionada a intolerâncias alimentares, o principal cuidado é ajustar a dieta, com retirada temporária ou definitiva do alimento responsável.

Já em doenças inflamatórias intestinais, o tratamento envolve acompanhamento médico contínuo e uso de remédios próprios para controle da inflamação.

O uso de medicamentos para reduzir a diarreia pode ser indicado em situações selecionadas e por curto período, sempre com orientação profissional.

Cuidados com a diarreia constante para evitar complicações

Enquanto o quadro de diarreia constante não melhora, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger o organismo, reduzir complicações e favorecer a recuperação, especialmente em pessoas mais vulneráveis. Alguns deles incluem:

  • Hidratação com sais minerais: dar preferência ao soro de reidratação oral, que repõe água e sais minerais de forma correta e funciona melhor do que beber apenas água;
  • Alimentação leve: escolher alimentos simples, como arroz, batata, banana e sopas, evitando álcool, comidas gordurosas e produtos industrializados;
  • Atenção aos sinais do corpo: observar se a urina diminuiu e se surgem tontura ou fraqueza;
  • Mais cuidado com grupos de risco: idosos e pessoas com problemas no coração precisam de acompanhamento mais próximo.

Quem faz uso de diuréticos ou medicamentos para pressão arterial não deve ajustar doses por conta própria em caso de desidratação. Nesses casos, a orientação médica é importante para evitar queda de pressão ou sobrecarga nos rins.

O que evitar se estiver com diarreia?

Durante a diarreia, o intestino fica mais sensível e qualquer alimento inadequado pode piorar os sintomas, como:

  • Alimentos gordurosos ou frituras;
  • Leite e derivados;
  • Doces, açúcar e adoçantes artificiais;
  • Bebidas com cafeína, como café, chá preto e energéticos;
  • Álcool;
  • Alimentos muito condimentados ou apimentados;
  • Carnes processadas, como embutidos e fritos;
  • Vegetais crus e alimentos ricos em fibras insolúveis;
  • Refrigerantes e sucos industrializados;
  • Suplementos e laxantes.

Assim que os sintomas melhorarem, a alimentação pode ser retomada de forma gradual, começando por alimentos leves e de fácil digestão.

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Perguntas frequentes

1. Quando a diarreia passa a ser considerada “constante”?

A diarreia é classificada como constante quando a alteração do hábito intestinal (fezes amolecidas ou líquidas) persiste por mais de 4 semanas.

2. Por que sinto cólicas fortes junto com a diarreia?

As cólicas são contrações musculares do intestino tentando expelir o conteúdo rapidamente. Se forem constantes, podem indicar inflamação ou sensibilidade exacerbada do órgão.

3. É normal ter gases excessivos com a diarreia?

Muitas vezes sim, especialmente se a causa for má absorção de carboidratos ou fermentação bacteriana excessiva no intestino (como no SIBO).

4. Posso tomar remédios para “trancar” o intestino por conta própria?

Não é recomendado. Se a diarreia for causada por uma infecção ou bactéria, segurar o fluxo pode piorar o quadro. O uso de medicamentos deve ser orientado por um médico.

5. Qual especialista devo procurar?

O gastroenterologista é o médico especialista indicado para investigar e tratar qualquer alteração intestinal que dure mais de um mês.

6. O que é a esteatorreia (fezes gordurosas)?

É um tipo de diarreia onde as fezes são volumosas, pálidas, têm odor muito forte e flutuam no vaso. Ela pode indicar má absorção de gordura, muitas vezes ligada a problemas no pâncreas ou no fígado.

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