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  • Fezes escuras ou pretas podem indicar algo grave? Veja as principais causas e o que fazer

    Fezes escuras ou pretas podem indicar algo grave? Veja as principais causas e o que fazer

    Já olhou para o vaso sanitário e tomou um susto ao notar as fezes muito escuras ou completamente pretas? Na maioria das vezes, a alteração na cor do cocô está apenas relacionada a algo que você comeu recentemente ou ao uso de certos medicamentos e suplementos, como o ferro.

    Mas, se ela surgir de forma persistente, vier acompanhada de dor abdominal, tontura, fraqueza ou apresentar um aspecto brilhante e pegajoso, pode indicar um sangramento no sistema digestivo, principalmente no estômago ou no intestino.

    A seguir, vamos esclarecer quais são as principais causas da mudança de cor, quando ela pode ser sinal de algo mais grave e o que você deve fazer para investigar e resolver o problema.

    O que podem significar as fezes escuras ou pretas?

    As fezes escuras ou pretas podem indicar desde uma simples reação do organismo a determinados alimentos até sinais de alerta para condições médicas que precisam de tratamento. Veja as causas mais comuns:

    1. Consumo de alimentos escuros

    Os alimentos com pigmentação intensa ou corantes escuros não são totalmente absorvidos pelo intestino e acabam alterando a cor das fezes, sendo os principais:

    • Mirtilo (blueberry);
    • Beterraba;
    • Açaí;
    • Alcaçuz preto;
    • Feijão preto;
    • Biscoitos de chocolate muito escuros.

    Se você consumiu algum deles nas últimas 24 a 48 horas, é a causa mais provável das fezes escuras.

    2. Uso de suplementos de ferro

    O uso de suplementos de sulfato ferroso, muito comuns no tratamento da anemia e durante a gravidez, pode deixar as fezes pretas e com consistência ligeiramente mais endurecida. Isso acontece porque o organismo não absorve todo o ferro ingerido, e a parcela que sobra é eliminada e oxidada no intestino, escurecendo as fezes.

    3. Uso de certos medicamentos

    Além do ferro, alguns medicamentos de venda livre ou prescritos podem alterar a cor do cocô, como aqueles que contêm subsalicilato de bismuto, usados para azia e má digestão. Eles reagem com o enxofre presente no trato digestivo, formando uma substância preta.

    O uso frequente de anti-inflamatórios também precisa de atenção, porque eles podem irritar a parede do estômago e causar pequenos sangramentos.

    4. Sangramento no trato gastrointestinal superior

    Quando acontece um sangramento em partes mais altas do sistema digestivo, como o esôfago, o estômago ou o duodeno (a primeira parte do intestino delgado), o sangue passa pelo processo de digestão antes de ser eliminado nas fezes.

    Ao longo do caminho, ele sofre alterações por causa do ácido do estômago e da ação das bactérias intestinais, ficando mais escuro.

    Por isso, as fezes podem ganhar um aspecto preto, brilhante, mais pastoso e com um cheiro muito forte e desagradável. A condição é chamada de melena e costuma ser um sinal de alerta para sangramentos digestivos que precisam de avaliação médica.

    5. Úlcera gástrica ou gastrite severa

    A presença de feridas na parede do estômago ou uma inflamação muito grave, como gastrite, pode corroer pequenos vasos sanguíneos. O sangue liberado pelas feridas segue o fluxo da digestão e resulta em fezes escuras. É uma das principais origens da melena e precisa de avaliação médica para evitar complicações.

    6. Varizes esofágicas ou lesões no esôfago

    Pessoas com problemas crônicos no fígado, como cirrose, podem desenvolver veias dilatadas no esôfago, conhecidas como varizes esofágicas. Se as veias se rompem, causam um sangramento que pode ser volumoso.

    Outra causa na região é a Síndrome de Mallory-Weiss, que são pequenos cortes no esôfago causados por esforços intensos de vômito ou tosse prolongada. Em ambos os casos, o sangue desce para o estômago e sai nas fezes em tons escuros.

    Quando as fezes pretas podem indicar algo grave?

    Para diferenciar uma alteração simples de algo mais sério, você deve prestar atenção à textura, ao cheiro e, principalmente, à presença de outros sintomas pelo corpo, como:

    • Odor extremamente forte e desagradável;
    • Cólicas fortes, sensação de queimação no estômago ou dor que piora após comer;
    • Fezes pretas, moles, brilhantes e com aspecto parecido com borra de café;
    • Vômitos escuros ou com presença de sangue vivo;
    • Sinais de perda de sangue, como tontura, fraqueza intensa, palidez, cansaço excessivo e batimentos acelerados;
    • Perda de peso sem explicação aparente.

    Se notar qualquer um dos sintomas, procure o pronto-socorro imediatamente. O sangramento digestivo pode evoluir rapidamente e causar complicações sérias se não for tratado a tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico das fezes escuras começa com a avaliação clínica, já que nem toda alteração na cor das fezes indica sangramento. O médico analisa o histórico do paciente, a aparência das fezes, os sintomas associados, além do uso de medicamentos, suplementos de ferro e a presença de doenças digestivas.

    Se houver suspeita de que a cor escura é provocada por sangue, o diagnóstico precisará ser confirmado por meio de exames laboratoriais e de imagem, como:

    • Exame de sangue oculto nas fezes: utiliza reagentes químicos para detectar a presença de partículas mínimas de sangue que não são visíveis a olho nu;
    • Endoscopia digestiva alta (EDA): um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta é introduzido pela boca para avaliar detalhadamente o esôfago, o estômago e o início do intestino delgado. É o exame principal e mais importante quando há forte suspeita de sangramento digestivo superior;
    • Colonoscopia: se a endoscopia alta não mostrar nenhuma alteração, o médico pode solicitar a colonoscopia para examinar o intestino grosso e a parte final do intestino delgado;
    • Hemograma: é solicitado para avaliar se a perda de sangue causou anemia. Níveis baixos de hemoglobina e hemácias (glóbulos vermelhos) ajudam o médico a entender a gravidade e a velocidade do sangramento no corpo.

    Em alguns casos específicos, como na suspeita de uma tomografia do abdômen ou uma cintilografia, que ajudam a mapear o fluxo sanguíneo na região digestiva e identificar vazamentos ou malformações nos vasos.

    O que fazer e como tratar as fezes escuras?

    O tratamento das fezes escuras depende do que está causando a alteração. Se você percebeu que as fezes ficaram escuras após consumir alimentos como açaí, beterraba ou mirtilo, a recomendação é suspender os alimentos por alguns dias e observar se a cor volta ao normal.

    Quando a alteração acontece por causa de suplementos de ferro ou medicamentos com bismuto, o ideal é conversar com o médico para avaliar se existe necessidade de ajustar a dose ou trocar o remédio, mas nunca interrompa o tratamento por conta própria.

    Por outro lado, se as fezes pretas forem causadas por um sangramento no estômago ou no intestino, o tratamento deve ser feito por um médico com urgência. No hospital, podem ser prescritos remédios para diminuir a acidez do estômago e cicatrizar feridas, como úlceras e gastrites.

    Em casos de sangramento ativo, o médico pode fazer uma endoscopia para fechar o vaso sanguíneo que está vazando e, se a perda de sangue tiver sido grande, o paciente pode precisar receber soro ou transfusão de sangue para se recuperar.

    Quando ir ao médico?

    Você deve procurar atendimento médico imediatamente se notar as fezes pretas e elas vierem acompanhadas de qualquer um dos seguintes sintomas:

    • Dor forte na barriga ou no estômago;
    • Fezes pastosas;
    • Cheiro muito forte, azedo e muito pior do que o normal;
    • Tontura, fraqueza extrema ou sensação de desmaio;
    • Vômito com sangue ou com pedaços escuros;
    • Palidez excessiva na pele e nos olhos;
    • Perda de peso sem motivo aparente.

    Mesmo que você não tenha os sintomas mais graves, se as fezes continuarem escuras por mais de 3 ou 4 dias e você não tiver comido alimentos escuros ou tomado ferro, o ideal é agendar uma consulta com um especialista para investigar a causa.

    Confira: Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado

    Perguntas frequentes

    1. É normal ter fezes pretas na gravidez?

    Sim, na maioria das vezes é normal porque muitas gestantes precisam tomar suplementação de ferro para prevenir a anemia. O ferro não absorvido pelo corpo escurece as fezes. No entanto, se houver dor forte ou tontura, o obstetra deve ser consultado.

    2. O açaí deixa as fezes escuras?

    Sim, o açaí tem uma pigmentação roxa muito intensa. Quando consumido em moderada ou grande quantidade, o corpo não absorve todo esse pigmento, o que pode deixar as fezes escuras ou arroxeadas no dia seguinte.

    3. Quanto tempo o ferro deixa as fezes pretas?

    As fezes costumam continuar escuras durante todo o período em que você estiver tomando o suplemento de ferro. A cor deve voltar ao normal entre 2 a 5 dias após a interrupção do uso do medicamento.

    4. Tomar vinho ou cerveja preta escurece as fezes?

    Sim, o consumo excessivo de vinho tinto ou de cervejas muito escuras (como a Malzbier ou Stout) pode alterar temporariamente a cor das fezes devido aos corantes naturais e à quantidade de polifenóis presentes nas bebidas.

    5. O que significa fezes pretas e diarreia ao mesmo tempo?

    Pode indicar uma infecção intestinal grave ou que um sangramento no estômago acelerou o funcionamento do intestino. Se a diarreia preta persistir ou vier acompanhada de febre e cólicas fortes, procure um médico.

    6. Hemorroidas podem causar fezes pretas?

    Não. As hemorroidas ficam localizadas no final do intestino, na região do ânus. Como o sangue liberado por elas não passa pelo processo de digestão, ele sai vivo, com uma cor vermelha bem viva e brilhante (normalmente no papel higiênico ou gotejando no vaso), e não misturado e escurecido nas fezes.

    7. Fezes escuras podem ser sinal de câncer?

    Em casos raros e quando o sintoma persiste, sim. Tumores no estômago ou no início do intestino podem causar pequenos sangramentos contínuos. A grande diferença é que, nesses casos, as fezes escuras costumam vir acompanhadas de perda de peso rápida sem motivo, fraqueza constante (anemia) e falta de apetite.

    Leia mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

  • 9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

    9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

    A gastrite é uma inflamação, infecção ou desgaste da mucosa interna que protege o estômago contra o próprio ácido digestivo, o que torna a parede do estômago mais sensível e vulnerável a lesões.

    Ela pode aparecer de forma repentina, sendo chamada de gastrite aguda, ou se desenvolver lentamente e permanecer por meses ou anos, caracterizando a gastrite crônica.

    A condição pode surgir por diferentes causas, desde a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, considerada uma das mais comuns, até o uso frequente de medicamentos anti-inflamatórios ou hábitos alimentares que irritam o estômago.

    Identificar a gastrite logo no início permite tratar a causa corretamente, aliviar os sintomas mais rapidamente e evitar complicações, como feridas no estômago (úlceras) e inflamações mais graves. Pensando nisso, listamos os sintomas mais comuns da condição e quando você deve procurar um médico. Confira!

    1. Dor ou queimação abdominal

    A dor ou a queimação acontece porque o ácido do estômago entra em contato direto com a parede inflamada, provocando uma sensação de ardor que pode piorar ou melhorar logo após a alimentação, dependendo da pessoa e do tipo de gastrite.

    É o sinal mais comum da gastrite e costuma aparecer na parte superior do abdôrem, conhecida como a “boca do estômago”. Em alguns casos, o desconforto aparece quando o estômago está vazio, enquanto em outros pode surgir após refeições mais pesadas, ácidas ou gordurosas.

    2. Náuseas e os vômitos

    A inflamação da mucosa altera o processo normal da digestão e o funcionamento do estômago, tornando a digestão mais lenta e desconfortável. Como consequência, pode surgir uma sensação frequente de enjoo, especialmente após as refeições ou em períodos prolongados de jejum.

    Em crises mais intensas, podem ocorrer episódios de vômito, já que o organismo tenta eliminar o conteúdo que está causando irritação.

    3. Sensação de estufamento

    Mesmo após uma refeição pequena, pode surgir a sensação de ter comido em excesso. Isso acontece porque a gastrite deixa a digestão mais lenta, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no estômago, o que provoca pressão, desconforto e inchaço abdominal.

    4. Arrotos frequentes (eructação)

    Com a digestão prejudicada, pode ocorrer uma produção maior de gases ou a ingestão de ar devido ao desconforto abdominal. Isso leva a arrotos frequentes, muitas vezes acompanhados de um gosto ácido ou amargo na boca.

    5. Perda de apetite

    A associação entre a alimentação e o desconforto faz com que o cérebro reduza naturalmente a vontade de comer. Além disso, a sensação constante de estômago cheio diminui o interesse pelas refeições, podendo causar perda de peso sem intenção.

    6. Indigestão

    A indigestão, ou dispepsia, é a sensação de que a comida não foi bem digerida. Nessa situação, surge um desconforto persistente durante ou logo após as refeições, que pode incluir peso no estômago, queimação leve, estufamento e sensação de digestão lenta.

    Muitas pessoas descrevem a impressão de que o alimento “fica parado” no estômago por mais tempo do que o normal.

    7. Azia ou a sensação de queimação no peito

    A azia pode surgir quando o conteúdo ácido do estômago irrita a região superior do sistema digestivo. A sensação é de queimação que pode subir do estômago em direção ao peito ou à garganta, especialmente após refeições volumosas ou ao deitar logo depois de comer.

    8. Mau gosto na boca ou o gosto ácido frequente

    A acidez aumentada e a digestão prejudicada podem causar um gosto amargo ou ácido na boca, principalmente após arrotos ou ao acordar. O sintoma pode vir acompanhado de azia ou leve refluxo.

    9. Alterações nas fezes (em casos erosivos)

    Quando a gastrite provoca pequenos sangramentos na mucosa do estômago, o sangue digerido pode deixar as fezes muito escuras, pastosas e com odor forte, condição conhecida como melena. É um sintoma mais grave que precisa de atendimento médico.

    Quando procurar um médico?

    Se você apresentar desconforto abdominal, queimação ou náuseas por mais de uma semana, é importante marcar uma consulta médica. O uso de remédios para diminuir os sintomas pode mascarar uma infecção por H. pylori, por exemplo, que precisa de antibióticos para ser tratada.

    Também é necessário ficar atento a alguns sinais de alerta, que podem indicar que a gastrite está se tornando mais grave, como:

    • Perda de peso sem explicação;
    • Dificuldade para engolir;
    • Anemia sem causa conhecida;
    • Vômitos frequentes ou persistentes.

    Se surgirem sintomas como vômito com sangue, fezes muito escuras (pretas) ou desmaio, procure atendimento médico imediatamente.

    Como confirmar se é gastrite?

    O diagnóstico da gastrite é feito a partir de uma análise dos sintomas e do histórico de saúde, incluindo hábitos alimentares, uso de medicamentos, consumo de álcool e presença de estresse.

    Como a infecção pela bactéria Helicobacter pylori é uma das causas mais comuns da gastrite, podem ser solicitados exames para investigar a presença da bactéria, como:

    • Exame de sangue;
    • Exame de fezes;
    • Teste respiratório (teste do sopro).

    Quando é preciso uma confirmação mais precisa, o médico pode indicar uma endoscopia digestiva alta, exame que permite visualizar diretamente o interior do estômago por meio de uma pequena câmera introduzida pela boca.

    Durante o procedimento, também pode ser realizada uma biópsia, que consiste na coleta de uma pequena amostra do tecido para análise, ajudando a confirmar a inflamação e identificar a causa do problema.

    Em quadros leves, o diagnóstico pode ser feito inicialmente com base nos sintomas e na avaliação clínica. Mas, quando os sintomas persistem, pioram ou surgem sinais de alerta, os exames contribuem para confirmar a gastrite e orientar o tratamento adequado.

    Leia também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a gastrite?

    As causas mais comuns são a infecção pela bactéria H. pylori, o uso frequente de anti-inflamatórios (como ibuprofeno), o consumo excessivo de álcool e o estresse severo (gastrite de estresse).

    2. O que é a bactéria H. pylori?

    É uma bactéria que sobrevive no ambiente ácido do estômago e causa inflamação crônica, sendo a principal responsável por úlceras e gastrites persistentes.

    3. Quem tem gastrite pode tomar café?

    O ideal é evitar, especialmente com o estômago vazio. A cafeína estimula a produção de ácido gástrico, o que irrita a parede do estômago.

    4. Gastrite tem cura?

    Sim, especialmente a aguda. A crônica pode ser controlada com dieta e medicação, e se a causa for a H. pylori, a erradicação da bactéria costuma resolver o problema.

    5. Qual a diferença entre gastrite e úlcera?

    A gastrite é uma inflamação na superfície da mucosa. A úlcera é uma ferida mais profunda, como um “buraco” na parede do estômago ou duodeno.

    6. Como saber se é gastrite ou refluxo?

    A gastrite costuma causar dor e desconforto na região do estômago, enquanto o refluxo provoca queimação que sobe para o peito ou garganta. Apenas a avaliação médica pode diferenciar com segurança.

    7. Ficar muito tempo em jejum piora a gastrite?

    Pode piorar. O estômago continua produzindo ácido mesmo sem alimento, o que pode aumentar a irritação da mucosa inflamada.

    8. A gastrite é contagiosa?

    A gastrite em si não é contagiosa, mas a bactéria H. pylori, uma das causas da doença, pode ser transmitida por contato com saliva ou alimentos contaminados.

    Confira: Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

  • Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Aumento da frequência das evacuações, fezes mais líquidas e dor ou desconforto abdominal são alguns dos principais sintomas da diarreia, que pode surgir de forma repentina ou se desenvolver ao longo de alguns dias, dependendo do que está causando o problema.

    Normalmente, o quadro é passageiro e melhora espontaneamente em poucos dias, mas quando dura 14 dias ou mais, ele é considerado persistente.

    “Quando [a diarreia] se prolonga por semanas, aumenta a chance de desidratação, perda de peso e de haver uma causa que precisa de investigação”, explica o cardiologista e clínico geral Giovanni Henrique Pinto.

    O que pode ser a diarreia constante?

    Quando a diarreia persiste por vários dias, ela pode estar relacionada a diferentes fatores, como aponta Giovanni:

    • Gastroenterites virais ou bacterianas, especialmente quando não tratadas adequadamente;
    • Parasitoses intestinais, mais comuns em locais com saneamento inadequado;
    • Uso de medicamentos, como antibióticos, metformina, suplementos de magnésio e laxantes;
    • Infecção por Clostridioides difficile, geralmente após uso recente de antibióticos ou período de internação hospitalar;
    • Intolerâncias alimentares, como lactose ou frutose;
    • Síndrome do intestino irritável, principalmente nas formas com predomínio de diarreia;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

    Quais os riscos da diarreia constante?

    A desidratação é o principal risco da diarreia constante e acontece porque o corpo perde muita água e sais minerais pelas fezes. Quando o organismo não consegue repor rapidamente essas perdas, Giovanni explica que podem surgir queda da pressão arterial, tontura, fraqueza e até lesão renal aguda.

    Em pessoas idosas, o perigo é maior porque o organismo tem menos capacidade de se adaptar à perda de líquidos. Além disso, a sensação de sede costuma ser menor, o que facilita a desidratação, mesmo quando a diarreia parece leve.

    No caso de pessoas com problemas no coração, como insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias, a perda de líquidos reduz a quantidade de sangue circulando no corpo.

    Nesses casos, a diarreia persistente pode agravar sintomas, alterar o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Se você apresentar os seguintes sinais, procure atendimento médico imediatamente, pois a diarreia pode estar associada a um quadro mais grave e precisa de avaliação.

    • Presença de sangue nas fezes;
    • Fezes muito escuras ou com aspecto de borra de café;
    • Febre alta ou persistente;
    • Dor abdominal intensa ou que piora com o tempo;
    • Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina, fraqueza intensa e tontura ou confusão mental;
    • Episódios de desmaio;
    • Piora do estado geral.

    A atenção deve ser redobrada quando os sintomas surgem em idosos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com o sistema imunológico comprometido, pois o risco de complicações é maior.

    O que tomar para diarreia constante?

    Em adultos saudáveis, sem febre e sem presença de sangue nas fezes, alguns medicamentos antidiarreicos podem ser usados por curto período. Mesmo assim, o uso deve ser cauteloso, pois nem toda diarreia deve ser interrompida com remédios.

    Quando há suspeita de infecção mais grave, o uso dos medicamentos deve ser evitado, já que podem mascarar sintomas importantes e aumentar o risco de complicações. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável.

    Como é feita a investigação da causa?

    Para investigar a causa da diarreia constante, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, para entender a duração da diarreia, a frequência das evacuações, a presença de sintomas associados — além de hábitos alimentares, uso de medicamentos, viagens recentes e histórico de doenças intestinais.

    Também podem ser solicitados alguns exames específicos, como:

    • Exames de fezes: pesquisa de parasitas, bactérias, vírus, presença de muco, sangue ou sinais de inflamação;
    • Exames de sangue: avaliação de infecção, inflamação, anemia, desidratação e alterações de sais minerais;
    • Testes para intolerâncias alimentares: como lactose ou frutose, ou dieta de exclusão orientada;
    • Colonoscopia: indicada quando a diarreia é persistente ou há sinais de alerta, permitindo avaliar inflamações, lesões e doenças intestinais;
    • Outros exames de imagem ou endoscópicos: solicitados em situações específicas, conforme a suspeita clínica.

    Diarreia constante tem tratamento?

    O tratamento da diarreia constante depende da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em todos os casos, a reposição de líquidos e sais minerais é sempre necessária para prevenir a desidratação.

    Em casos de infecções, o tratamento varia de acordo com o agente causador. Infecções bacterianas ou parasitárias podem exigir o uso de medicamentos específicos, enquanto infecções virais costumam melhorar com medidas de suporte, como hidratação e alimentação adequada.

    Quando a diarreia está relacionada a intolerâncias alimentares, o principal cuidado é ajustar a dieta, com retirada temporária ou definitiva do alimento responsável.

    Já em doenças inflamatórias intestinais, o tratamento envolve acompanhamento médico contínuo e uso de remédios próprios para controle da inflamação.

    O uso de medicamentos para reduzir a diarreia pode ser indicado em situações selecionadas e por curto período, sempre com orientação profissional.

    Cuidados com a diarreia constante para evitar complicações

    Enquanto o quadro de diarreia constante não melhora, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger o organismo, reduzir complicações e favorecer a recuperação, especialmente em pessoas mais vulneráveis. Alguns deles incluem:

    • Hidratação com sais minerais: dar preferência ao soro de reidratação oral, que repõe água e sais minerais de forma correta e funciona melhor do que beber apenas água;
    • Alimentação leve: escolher alimentos simples, como arroz, batata, banana e sopas, evitando álcool, comidas gordurosas e produtos industrializados;
    • Atenção aos sinais do corpo: observar se a urina diminuiu e se surgem tontura ou fraqueza;
    • Mais cuidado com grupos de risco: idosos e pessoas com problemas no coração precisam de acompanhamento mais próximo.

    Quem faz uso de diuréticos ou medicamentos para pressão arterial não deve ajustar doses por conta própria em caso de desidratação. Nesses casos, a orientação médica é importante para evitar queda de pressão ou sobrecarga nos rins.

    O que evitar se estiver com diarreia?

    Durante a diarreia, o intestino fica mais sensível e qualquer alimento inadequado pode piorar os sintomas, como:

    • Alimentos gordurosos ou frituras;
    • Leite e derivados;
    • Doces, açúcar e adoçantes artificiais;
    • Bebidas com cafeína, como café, chá preto e energéticos;
    • Álcool;
    • Alimentos muito condimentados ou apimentados;
    • Carnes processadas, como embutidos e fritos;
    • Vegetais crus e alimentos ricos em fibras insolúveis;
    • Refrigerantes e sucos industrializados;
    • Suplementos e laxantes.

    Assim que os sintomas melhorarem, a alimentação pode ser retomada de forma gradual, começando por alimentos leves e de fácil digestão.

    Veja também: Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite

    Perguntas frequentes

    1. Quando a diarreia passa a ser considerada “constante”?

    A diarreia é classificada como constante quando a alteração do hábito intestinal (fezes amolecidas ou líquidas) persiste por mais de 4 semanas.

    2. Por que sinto cólicas fortes junto com a diarreia?

    As cólicas são contrações musculares do intestino tentando expelir o conteúdo rapidamente. Se forem constantes, podem indicar inflamação ou sensibilidade exacerbada do órgão.

    3. É normal ter gases excessivos com a diarreia?

    Muitas vezes sim, especialmente se a causa for má absorção de carboidratos ou fermentação bacteriana excessiva no intestino (como no SIBO).

    4. Posso tomar remédios para “trancar” o intestino por conta própria?

    Não é recomendado. Se a diarreia for causada por uma infecção ou bactéria, segurar o fluxo pode piorar o quadro. O uso de medicamentos deve ser orientado por um médico.

    5. Qual especialista devo procurar?

    O gastroenterologista é o médico especialista indicado para investigar e tratar qualquer alteração intestinal que dure mais de um mês.

    6. O que é a esteatorreia (fezes gordurosas)?

    É um tipo de diarreia onde as fezes são volumosas, pálidas, têm odor muito forte e flutuam no vaso. Ela pode indicar má absorção de gordura, muitas vezes ligada a problemas no pâncreas ou no fígado.

    Confira: Diarreia: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum