Síndrome de Guillain-Barré: quando a fraqueza surge de forma rápida 

Paciente com fraqueza muscular pensa em ser avaliado por neurologista para suspeita de Síndrome de Guillain-Barré.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica considerada atualmente a principal causa de paralisia neuromuscular adquirida no mundo. Trata-se de uma condição potencialmente grave, que costuma surgir após uma infecção e envolve um mecanismo autoimune, no qual o próprio organismo passa a atacar estruturas do sistema nervoso.

Nessa síndrome, os nervos periféricos são afetados, o que compromete a transmissão dos impulsos nervosos e leva à fraqueza muscular progressiva. Embora muitos pacientes apresentem boa recuperação com tratamento adequado, alguns casos evoluem de forma grave e exigem internação em unidade de terapia intensiva, especialmente quando há risco de insuficiência respiratória.

O que é a Síndrome de Guillain-Barré

A Síndrome de Guillain-Barré é caracterizada por um processo inflamatório que acomete os nervos periféricos. Na maioria das vezes, ocorre lesão da bainha de mielina, estrutura que reveste os nervos, e, em algumas variantes, também dos próprios axônios.

A mielina funciona como uma espécie de “capa protetora” que permite a condução rápida e eficiente dos estímulos nervosos. Quando essa estrutura é danificada, a transmissão dos impulsos fica prejudicada, resultando nos sintomas típicos da doença, como fraqueza muscular e perda de reflexos.

Causas e mecanismos da doença

A Síndrome de Guillain-Barré tem origem autoimune e costuma ser desencadeada por um evento prévio, geralmente uma infecção.

Reação autoimune cruzada

Após uma infecção, o sistema imunológico produz anticorpos para combater o agente infeccioso. Em algumas pessoas, ocorre uma reação cruzada, porque determinadas moléculas dos microrganismos se assemelham a componentes dos nervos periféricos.

Como consequência, o organismo passa a atacar:

  • A bainha de mielina;
  • Os axônios dos nervos periféricos.

Esse processo inflamatório provoca lesões nessas estruturas e compromete a condução nervosa, dando origem aos sintomas da Síndrome de Guillain-Barré.

Infecções associadas

A infecção mais frequentemente associada à Síndrome de Guillain-Barré é causada pela bactéria Campylobacter jejuni, responsável por quadros de diarreia.

Outras infecções que podem anteceder a síndrome incluem:

  • Dengue;
  • Zika;
  • Chikungunya;
  • Citomegalovírus (CMV);
  • Vírus Epstein-Barr (EBV);
  • Sarampo;
  • Outras infecções virais e bacterianas.

Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

Os sintomas clássicos da Síndrome de Guillain-Barré envolvem uma paralisia flácida de início rápido, que geralmente começa nos membros inferiores e progride para os membros superiores.

Essa progressão costuma ocorrer de forma:

  • Ascendente (das pernas em direção ao tronco);
  • Simétrica;
  • Ao longo de aproximadamente duas semanas.

Achados mais comuns no exame clínico

  • Fraqueza muscular em pernas e braços;
  • Reflexos diminuídos ou ausentes;
  • Sintomas oculares, como visão dupla, causados por paralisia dos músculos dos olhos;
  • Dificuldade para engolir, devido à fraqueza da musculatura da deglutição.

Complicações graves

Nos casos mais graves, ocorre comprometimento dos músculos responsáveis pela respiração, levando à insuficiência respiratória.

Nessas situações, pode ser necessária:

  • Internação em UTI;
  • Intubação orotraqueal;
  • Ventilação mecânica.

Por isso, reconhecer precocemente sinais de piora é fundamental para evitar complicações potencialmente fatais.

Diagnóstico

O diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré é inicialmente clínico, baseado na história do paciente e no padrão dos sintomas apresentados.

Análise do líquor

Um exame importante para apoiar o diagnóstico é a análise do líquor (líquido cefalorraquidiano), obtido por punção lombar.

Os achados típicos incluem:

  • Aumento significativo das proteínas;
  • Número normal ou discretamente elevado de células.

Esse padrão é chamado de dissociação albumino-citológica e reflete o processo inflamatório da doença.

Eletroneuromiografia

A eletroneuromiografia pode ser solicitada para:

  • Avaliar a condução dos nervos;
  • Identificar se há desmielinização ou acometimento axonal;
  • Auxiliar na confirmação e classificação da síndrome.

Tratamento da Síndrome de Guillain-Barré

O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, especialmente nos pacientes com fraqueza progressiva.

As duas principais formas de tratamento são:

Plasmaférese

A plasmaférese consiste na retirada do plasma do sangue, onde estão os autoanticorpos, com substituição por soluções adequadas. O objetivo é remover os anticorpos responsáveis pelo ataque ao sistema nervoso.

Imunoglobulina intravenosa

A imunoglobulina intravenosa atua modulando a resposta imunológica e neutralizando os autoanticorpos, reduzindo a inflamação e a progressão da doença.

As duas abordagens apresentam eficácia semelhante, e a escolha depende do quadro clínico, da disponibilidade e da avaliação médica.

Prognóstico e recuperação

A maioria dos pacientes apresenta recuperação parcial ou completa, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente. Após a fase aguda, a fisioterapia é essencial para recuperar força muscular e função motora.

No entanto, alguns pacientes podem evoluir com:

  • Recuperação mais lenta;
  • Fraqueza residual;
  • Fadiga crônica.

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Perguntas frequentes sobre a Síndrome de Guillain-Barré

1. A Síndrome de Guillain-Barré é contagiosa?

Não. Ela não é transmitida de pessoa para pessoa.

2. Sempre ocorre após uma infecção?

Na maioria dos casos, sim, embora nem sempre o paciente se recorde do quadro infeccioso.

3. A doença pode ser fatal?

Pode ser grave, mas com tratamento adequado a maioria dos pacientes evolui bem.

4. Quanto tempo dura a progressão da doença?

Geralmente até cerca de duas semanas.

5. Todo paciente precisa de UTI?

Não. Apenas os casos com risco de insuficiência respiratória.

6. A síndrome tem cura?

Não existe uma “cura” específica, mas há tratamento eficaz e possibilidade de recuperação.

7. Pode deixar sequelas?

Em alguns casos, sim, especialmente quando o tratamento é iniciado tardiamente.

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