As escaras, também chamadas de úlceras por pressão ou lesões por pressão, são feridas na pele que surgem quando uma área do corpo permanece sob pressão contínua por tempo prolongado, geralmente sobre uma proeminência óssea.
Essas lesões podem variar desde uma vermelhidão localizada até feridas profundas, com exposição de tecidos e, nos casos mais graves, até do osso.
Esse tipo de lesão é frequente tanto em ambientes hospitalares quanto em cuidados domiciliares, especialmente entre pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes ou idosos em instituições de longa permanência.
O que são as úlceras por pressão (escaras)
As úlceras por pressão são lesões que acometem a pele e os tecidos subjacentes, causadas pela compressão prolongada entre uma superfície externa (como colchão ou cadeira) e uma estrutura óssea do corpo.
Essa pressão contínua reduz a circulação sanguínea local, provoca dano celular progressivo e pode levar à morte do tecido, resultando em feridas de difícil cicatrização se não tratadas adequadamente.
Como as escaras são formadas
O surgimento da úlcera por pressão envolve a combinação de diferentes fatores:
- Pressão contínua exercida sobre a pele;
- Atrito entre a pele e superfícies como lençóis, cadeiras ou fraldas;
- Condições clínicas do próprio paciente.
Na maioria dos casos, a pressão ocorre pela permanência prolongada na mesma posição, seja deitado ou sentado. Esse contato constante prejudica a circulação, levando inicialmente a vermelhidão e inchaço. Se a pressão não for aliviada, a lesão pode evoluir para estágios mais graves.
Principais fatores de risco
- Imobilidade ou mobilidade reduzida (principal fator);
- Desnutrição, que dificulta a cicatrização;
- Redução da sensibilidade, impedindo a percepção de dor ou desconforto;
- Umidade excessiva por urina, fezes ou suor, que fragiliza a pele.
Na avaliação de uma lesão por pressão, é fundamental observar:
- Integridade da pele;
- Localização em áreas de maior risco;
- Presença de dor;
- Sinais de infecção;
- Profundidade e gravidade da ferida.
Classificação da úlcera por pressão (graus 1 a 4)
As lesões por pressão são classificadas em quatro graus, conforme a profundidade e o comprometimento dos tecidos.
Grau 1 (mais leve)
- Vermelhidão persistente na pele;
- Pode haver dor, inchaço e calor local;
- A pele permanece íntegra.
Grau 2
- Perda da camada mais superficial da pele;
- Lesão rosada ou avermelhada, podendo apresentar bolhas;
- Aspecto semelhante a “carne viva”.
Grau 3
- Perda quase total das camadas da pele;
- Exposição de tecido gorduroso;
- Ainda não há exposição de músculos ou ossos.
Grau 4 (mais grave)
- Lesão profunda;
- Exposição de músculos e/ou ossos;
- Alto risco de infecção e complicações graves.
Quando a lesão não é classificável
Quando há necrose, com tecido escurecido ou enegrecido, não é possível determinar a profundidade real da lesão. Nesses casos, a remoção desse tecido é necessária para avaliação adequada.
Tratamento: o que fazer e como cuidar
O tratamento das úlceras por pressão envolve medidas combinadas, com o objetivo de evitar progressão da lesão e favorecer a cicatrização:
- Redução dos fatores de risco;
- Cuidados locais com a ferida;
- Tratamento de infecções, quando presentes;
- Otimização do estado nutricional;
- Controle adequado da dor.
Controle da dor
A dor pode ser manejada com:
- Analgésicos simples em casos leves a moderados;
- Opioides em dores mais intensas, quando indicados e com orientação médica.
Tratamento de infecção (quando indicado)
Nem toda úlcera por pressão exige antibiótico. A maioria das feridas apresenta colonização bacteriana sem infecção ativa.
O uso de antibióticos é indicado quando há sinais como:
- Aumento de secreção ou mau cheiro;
- Intensificação da dor;
- Vermelhidão importante ao redor da ferida;
- Febre ou sinais sistêmicos;
- Suspeita de osteomielite (infecção do osso).
Nutrição é parte do tratamento
A desnutrição aumenta o risco de lesões e dificulta a cicatrização. Por isso, é essencial garantir:
- Aporte adequado de proteínas;
- Consumo suficiente de calorias;
- Hidratação adequada.
Medidas de prevenção (o que realmente ajuda)
A prevenção é o aspecto mais importante no cuidado de pessoas com mobilidade reduzida.
As principais estratégias incluem:
- Uso de colchões e acessórios que reduzem a pressão;
- Estímulo à mobilidade sempre que possível;
- Mudança periódica de posição no leito ou na cadeira;
- Controle da umidade, com higiene e trocas frequentes;
- Avaliação diária das áreas de maior risco.
Essas medidas simples são comprovadamente eficazes para reduzir a incidência e evitar a progressão das lesões.
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Perguntas frequentes sobre escaras (úlcera por pressão)
1. Úlcera por pressão é a mesma coisa que escara?
Sim. “Escara” é um termo popular utilizado para se referir às lesões por pressão.
2. Quem tem maior risco de desenvolver escaras?
Pessoas com mobilidade reduzida, como pacientes acamados, cadeirantes, idosos frágeis e pacientes hospitalizados por longos períodos.
3. Vermelhidão na pele já é úlcera por pressão?
Pode ser o estágio inicial (grau 1). Vermelhidão persistente sobre áreas ósseas é um sinal de alerta e deve ser tratada precocemente.
4. Toda escara precisa de antibiótico?
Não. Antibióticos são indicados apenas quando há infecção ativa ou suspeita de complicações, como osteomielite.
5. A úlcera por pressão pode atingir o osso?
Sim. No grau 4, pode haver exposição de músculo e osso, com risco elevado de infecção grave.
6. O que mais ajuda a prevenir úlcera por pressão?
Mudança frequente de posição, redução da pressão com colchões adequados e estímulo à mobilidade.
7. A nutrição interfere na cicatrização?
Sim. A desnutrição é um fator importante de risco e pode atrasar significativamente a cicatrização.
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