Você costuma ter lapsos de memória? Não lembrar onde guardou um item, abrir a geladeira e não lembrar o que foi buscar, ou até ficar em silêncio por não recordar uma palavra são situações que fazem parte da rotina de qualquer pessoa.
Na maioria das vezes, os episódios não indicam nenhum problema grave de saúde, mas é preciso ter atenção quando se tornam frequentes, começam a atrapalhar atividades simples ou vêm acompanhadas de outros sintomas, como confusão mental, dificuldade de concentração ou alterações de humor.
Afinal, o que pode afetar a memória?
Diversos fatores podem afetar a memória, desde hábitos do dia a dia até questões emocionais e condições de saúde. Listamos os principais a seguir:
1. Privação de sono
As noites mal dormidas atrapalham o processo de consolidação das memórias, reduzindo atenção, foco e capacidade de retenção de informações.
De acordo com um estudo publicado na revista Nature, durante o descanso noturno, o cérebro revive e reorganiza experiências vividas ao longo do dia, um processo importante para transformar informações recentes em lembranças mais duradouras.
Quando ocorre a privação de sono, o cérebro até continua ativo, mas passa a funcionar de forma desorganizada. Mesmo com intensa atividade cerebral durante a falta de sono, o mecanismo responsável por “repassar” e fixar memórias fica prejudicado. Na prática, isso significa que o cérebro trabalha, mas não registra corretamente as informações.
2. Estresse e ansiedade
Os níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, dificultam tanto a formação de novas memórias quanto o acesso a informações que já foram armazenadas.
Quando o estresse se mantém de forma constante no dia a dia, o cérebro permanece em estado de alerta contínuo, desviando energia de áreas responsáveis pela memória, pela atenção e pela capacidade de concentração.
Com o tempo, isso pode resultar em lapsos de memória mais frequentes, sensação de mente confusa, dificuldade para organizar pensamentos e maior esforço para manter o foco em atividades rotineiras.
3. Sedentarismo
A falta de atividade física está associada à redução do volume cerebral e ao pior desempenho da memória e da concentração. O exercício regular melhora a circulação sanguínea no cérebro, estimula a formação de novas conexões neurais e ajuda a proteger funções cognitivas importantes, como atenção, aprendizado e memória.
4. Depressão
A depressão pode causar dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação constante de confusão mental. Em muitos casos, a pessoa até tenta se concentrar, mas sente a mente mais lenta, com dificuldade para organizar pensamentos e lembrar informações simples do dia a dia.
Isso ocorre porque alterações químicas no cérebro interferem diretamente nas áreas responsáveis pela atenção, pelo aprendizado e pela memória.
5. Síndrome de Burnout
A síndrome de burnout é um estado de esgotamento físico, mental e emocional que surge quando a pressão constante, a sobrecarga e a falta de recuperação fazem com que a pessoa se sinta exausta, desmotivada e incapaz de lidar com as demandas profissionais.
Com o passar do tempo, o cansaço intenso e prolongado compromete a capacidade de foco, prejudica a memória recente e favorece esquecimentos frequentes, fazendo com que tarefas simples passem a exigir muito mais esforço mental.
6. Deficiências nutricionais
Os níveis baixos de vitaminas, especialmente B9 e B12, interferem diretamente na saúde do sistema nervoso. Las vitaminas exercem papel importante na formação, na proteção e na manutenção dos neurônios — além de participarem da produção de neurotransmissores responsáveis pela comunicação entre as células do cérebro.
Quando ocorre deficiência dessas vitaminas, o funcionamento cerebral pode ficar comprometido, causando sintomas como lapsos de memória, dificuldade de concentração, sensação de mente lenta, esquecimento frequente e cansaço mental persistente.
Em alguns casos, também podem surgir alterações de humor, irritabilidade e queda no rendimento intelectual.
A falta prolongada de vitamina B12, em especial, pode provocar danos neurológicos mais importantes, afetando não apenas a memória, mas também a atenção e o raciocínio.
7. Condições médicas
Condições como hipotireoidismo, alterações no fígado ou nos rins, infecções, distúrbios do sono como apneia e traumatismos cranianos podem impactar a memória.
Nessas situações, o funcionamento cerebral fica comprometido, seja pela redução de oxigenação, por alterações hormonais ou por inflamações no organismo.
Como resultado, surgem dificuldades de concentração, lentidão mental e esquecimentos mais frequentes, que podem ser temporários ou persistentes, dependendo da causa.
8. Uso de medicamentos
Alguns remédios, como anestésicos, calmantes, antidepressivos e medicamentos para dormir, podem apresentar efeitos colaterais relacionados à memória. Os efeitos variam conforme a dose, o tempo de uso e a sensibilidade de cada pessoa.
Em alguns casos, o esquecimento ocorre principalmente no início do tratamento ou após ajustes na medicação, tendendo a melhorar com o tempo ou com a orientação médica adequada.
9. Doenças neurodegenerativas
Alzheimer e outras formas de demência comprometem progressivamente a memória e outras funções cognitivas. No início, os sinais costumam ser discretos, como esquecimento de fatos recentes, repetição de perguntas ou dificuldade para encontrar palavras.
Mas, conforme a doença avança, surgem prejuízos maiores, envolvendo linguagem, raciocínio, orientação no tempo e no espaço, além da perda gradual da autonomia para atividades do dia a dia.
10. Envelhecimento
As mudanças naturais do envelhecimento podem reduzir a velocidade de processamento das informações. Com o passar dos anos, o cérebro pode levar mais tempo para acessar lembranças ou aprender conteúdos novos.
Isso não significa, necessariamente, uma doença, mas sim uma adaptação natural do funcionamento cognitivo
Quando procurar um médico?
É fundamental procurar um médico nas seguintes situações:
- Esquecimentos frequentes que começam a interferir nas atividades do dia a dia;
- Dificuldade para lembrar compromissos, nomes, tarefas simples ou informações recentes de forma recorrente;
- Falhas de memória que surgem de maneira repentina ou apresentam piora progressiva;
- Sensação constante de confusão mental ou desorientação;
- Dificuldade para encontrar palavras ou se expressar com clareza;
- Alterações de humor, comportamento ou atenção associadas aos esquecimentos.
Nessas situações, a avaliação médica ajuda a identificar a causa, descartar condições mais graves e orientar o cuidado adequado com a saúde do cérebro.
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Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre lapsos de memória e perda de memória?
Os lapsos de memória são esquecimentos pontuais, como não lembrar onde colocou um objeto ou esquecer uma palavra momentaneamente. Já a perda de memória envolve dificuldade persistente para recordar informações importantes, fatos recentes ou eventos pessoais, podendo indicar alterações cognitivas mais relevantes.
2. O álcool afeta a memória?
O consumo excessivo de álcool interfere na comunicação entre os neurônios e prejudica áreas do cérebro responsáveis pela memória. Episódios frequentes de consumo elevado podem causar lapsos de memória temporários e, em longo prazo, prejuízos cognitivos mais duradouros.
3. A memória pode ser treinada?
A memória pode ser estimulada e fortalecida ao longo da vida, através de atividades que desafiam o cérebro, como leitura, jogos de raciocínio, aprendizado de novas habilidades e exercícios de atenção. Quanto mais o cérebro é estimulado, maior tende a ser a reserva cognitiva, o que protege a memória a longo prazo.
4. O café melhora ou piora a memória?
O café pode melhorar temporariamente a atenção e o estado de alerta, o que favorece a memória no curto prazo. No entanto, o consumo excessivo pode aumentar a ansiedade, prejudicar o sono e, indiretamente, afetar a memória. O importante é ter equilíbrio no consumo.
5. Ler com frequência ajuda a melhorar a memória?
A leitura estimula várias áreas do cérebro ao mesmo tempo, envolvendo atenção, compreensão e retenção de informações. O hábito de ler regularmente fortalece as conexões neurais, amplia o vocabulário e exercita a memória, além de ser uma alternativa ao uso de telas como passatempo.
6. A memória pode ser afetada após cirurgias?
Após procedimentos cirúrgicos, especialmente aqueles que envolvem anestesia geral, algumas pessoas relatam dificuldade de concentração e lapsos de memória temporários. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram com o tempo.
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