Brucelose: saiba mais sobre a infecção ligada ao leite cru 

Fazendeiro segura leite de cabra não pasteurizado, com risco de brucelose.

A brucelose, também conhecida como febre do Mediterrâneo, é uma doença infecciosa transmitida de animais para humanos e ainda pouco lembrada fora dos ambientes rurais. No entanto, ela pode causar sintomas persistentes e comprometer diversos órgãos, especialmente quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento não é realizado de forma adequada.

A infecção costuma estar associada ao consumo de leite e derivados não pasteurizados ou ao contato direto com animais infectados. Por isso, a brucelose deve sempre ser considerada diante de quadros de febre prolongada, sudorese noturna e dores articulares, principalmente em pessoas com histórico ocupacional ou alimentar compatível.

O que é brucelose?

A brucelose é uma infecção bacteriana causada por espécies do gênero Brucella, transmitida de animais para humanos. Pode se manifestar de forma aguda ou evoluir para quadros crônicos, com sintomas duradouros e risco de complicações.

Trata-se de uma zoonose relevante do ponto de vista de saúde pública, especialmente em regiões onde há consumo de produtos de origem animal sem pasteurização adequada.

Onde a brucelose é mais comum

Existem áreas consideradas endêmicas para a doença, incluindo:

  • Países da região do Mediterrâneo;
  • Oriente Médio;
  • Ásia e Índia;
  • África;
  • Algumas regiões da América Central e da América do Sul.

Como acontece a transmissão

A transmissão da brucelose ocorre principalmente de duas formas.

1. Ingestão de leite e derivados não pasteurizados (forma mais comum)

A principal via de contaminação é o consumo de produtos feitos com leite cru, como:

  • Leite;
  • Queijos;
  • Manteiga;
  • Sorvetes artesanais produzidos com leite não pasteurizado.

Os principais animais envolvidos na transmissão são:

  • Vacas;
  • Ovelhas;
  • Cabras;
  • Camelos;
  • Porcos.

2. Contaminação ocupacional por contato com secreções de animais

Outra forma importante de transmissão ocorre por contato direto com secreções de animais infectados, como:

  • Sangue;
  • Urina;
  • Leite.

Esse tipo de exposição é mais comum em pessoas que trabalham com criação ou manejo de animais, como:

  • Fazendeiros;
  • Pastores;
  • Veterinários.

Sintomas da brucelose

A brucelose pode se manifestar de forma aguda ou crônica, com sintomas que variam conforme o tempo de evolução da doença e os órgãos acometidos.

Brucelose aguda

Na fase aguda, a bactéria pode atingir a circulação e se espalhar pelo organismo, alcançando órgãos como o fígado e o baço.

Os sintomas mais comuns são:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Sudorese noturna;
  • Dores articulares.

No exame físico feito pelo médico, pode ser observado:

  • Aumento do fígado e do baço (hepatomegalia e esplenomegalia).

Possíveis complicações na fase aguda

A brucelose pode comprometer diversos órgãos e sistemas.

1. Forma osteoarticular (mais comum)

  • Artrite;
  • Dores articulares;
  • Acometimento frequente das articulações sacroilíacas (região lombar baixa).

2. Forma geniturinária (segunda mais comum)

  • Em homens: epididimite e/ou orquite;
  • Em mulheres: abscessos tubo-ovarianos.

3. Complicações neurológicas

  • Meningite;
  • Encefalite;
  • Abscesso cerebral.

4. Outras manifestações menos comuns

  • Lesões de pele;
  • Acometimento cardíaco;
  • Alterações oculares;
  • Envolvimento pulmonar;
  • Doenças intra-abdominais.

Brucelose crônica

A forma crônica é definida quando os sintomas persistem por mais de 1 ano.

Mesmo com tratamento adequado, cerca de 5 a 15% dos casos podem apresentar recaídas, especialmente nos primeiros 6 meses após o término da terapia.

Diagnóstico

A suspeita de brucelose deve ser considerada em pacientes com:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Sudorese noturna;
  • Dores articulares.

Isso deve ser observado principalmente quando há histórico de consumo de leite ou derivados não pasteurizados ou exposição ocupacional a animais ou secreções.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico definitivo pode ser feito por meio de:

  • Culturas de bactérias, com a observação crescimento do microrganismo;
  • Dosagem de anticorpos no sangue.

Exames laboratoriais também ajudam a:

  • Avaliar complicações;
  • Monitorar função hepática e outros parâmetros.

Exames de imagem

São úteis especialmente na avaliação de comprometimento osteoarticular, podendo incluir:

  • Radiografia;
  • Tomografia da articulação suspeita.

Tratamento da brucelose

O tratamento é feito com antibióticos e deve ser seguido corretamente, pois a interrupção precoce aumenta o risco de recaída.

O esquema clássico envolve:

  • Doxiciclina por 6 semanas, associada a estreptomicina ou gentamicina nos primeiros 14 a 21 dias.

Outros esquemas podem ser utilizados, porém apresentam menor eficácia. A duração e a combinação dos antibióticos variam conforme:

  • Gravidade do quadro;
  • Presença de complicações;
  • Órgãos acometidos.

Prevenção: como evitar a brucelose

Para a população geral

  • Ferver ou pasteurizar o leite cru antes do consumo;
  • Evitar leite e derivados não pasteurizados.

Para quem trabalha com animais

  • Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • Evitar contato direto com sangue, urina e outros fluidos.

Existe vacina para humanos?

Não. Atualmente não existe vacina disponível para humanos. No entanto, a vacinação de animais de criação ajuda a reduzir a circulação da bactéria e contribui para a prevenção coletiva.

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Perguntas frequentes sobre brucelose

1. Brucelose é uma doença grave?

Pode ser. Embora muitos casos respondam bem ao tratamento, a brucelose pode causar complicações articulares, neurológicas e em outros órgãos.

2. Qual é a principal forma de transmissão?

O consumo de leite e derivados não pasteurizados é a forma mais comum.

3. Quais sintomas mais sugerem brucelose?

Febre persistente, mal-estar, sudorese noturna e dores articulares, especialmente com histórico de leite cru ou contato com animais.

4. A brucelose pode virar doença crônica?

Sim. Quando os sintomas duram mais de 1 ano, a infecção é considerada crônica.

5. O tratamento dura quanto tempo?

O esquema mais comum envolve doxiciclina por 6 semanas, podendo haver associação com outros antibióticos no início.

6. A brucelose pode voltar após o tratamento?

Sim. Cerca de 5 a 15% dos pacientes podem apresentar recaída, especialmente nos primeiros 6 meses.

7. Como prevenir brucelose em casa?

Evite consumir leite cru e derivados sem pasteurização. Prefira sempre produtos regularizados.

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