Leptospirose: por que a doença aumenta após enchentes 

Foto de um rato ilustrando a transmissão da leptospirose por roedores

A leptospirose é uma doença que costuma ganhar destaque após períodos de chuva intensa e enchentes, quando o contato com água contaminada se torna mais frequente. Apesar de muitas vezes causar apenas sintomas leves, em alguns casos ela pode evoluir rapidamente para quadros graves, com comprometimento dos rins, fígado e pulmões.

Por isso, reconhecer os sinais da doença, entender como ocorre a transmissão e saber quando procurar atendimento médico são medidas muito importantes para reduzir complicações e salvar vidas.

O que é a leptospirose?

A leptospirose é uma infecção zoonótica causada por bactérias do gênero Leptospira, que podem infectar tanto humanos quanto animais. É considerada a zoonose mais disseminada no mundo, com cerca de 1 milhão de casos estimados por ano.

No Brasil, a doença ocorre com maior frequência nas regiões Sul e Sudeste, variando conforme condições climáticas, infraestrutura urbana e ocorrência de surtos. É mais comum em adultos entre 20 e 39 anos e em pessoas com maior exposição ocupacional, como trabalhadores da limpeza urbana, coleta de lixo e saneamento.

Como acontece a transmissão?

Os roedores, especialmente os ratos, são os principais reservatórios da leptospirose. A bactéria é eliminada na urina desses animais e pode contaminar:

  • Água parada;
  • Lama;
  • Solo úmido.

A infecção ocorre quando a pessoa entra em contato com esses ambientes contaminados. A bactéria consegue penetrar no organismo pela pele, principalmente se houver pequenos ferimentos, ou pelas mucosas, como olhos, boca e nariz.

A transmissão é mais comum durante períodos de chuvas intensas e enchentes, quando a urina dos roedores se espalha com facilidade.

Principais sintomas

A leptospirose pode se manifestar de formas leves ou evoluir para quadros graves. A maioria dos casos é leve ou até assintomática, mas a doença é dividida em duas apresentações principais:

Leptospirose anictérica (forma mais comum)

Essa forma costuma ter duas fases:

Fase aguda

Surge após um período de incubação de 5 a 14 dias e dura cerca de uma semana. Os sintomas mais comuns são:

  • Febre;
  • Dores no corpo;
  • Dor de cabeça;
  • Enjoo, vômitos e diarreia em alguns casos.

Na maioria das pessoas, a doença se encerra nessa fase.

Fase imune

Alguns pacientes evoluem para essa fase após um curto período de melhora. Ela ocorre devido à ação dos anticorpos produzidos pelo organismo. Nesse momento, não há mais bactérias circulando no sangue.

O principal quadro dessa fase é a meningite asséptica, que pode causar:

  • Dor de cabeça intensa;
  • Dor e rigidez no pescoço;
  • Enjoo e vômitos.

Também podem ocorrer inflamação ocular (uveíte anterior), dor abdominal e retorno da febre.

Leptospirose ictérica (forma grave)

Ocorre em cerca de 5 a 10% dos casos sintomáticos e apresenta maior gravidade, com mortalidade estimada entre 5 e 15%.

Os principais sinais são:

  • Febre;
  • Icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Comprometimento da função renal.

Em casos mais graves, pode haver:

  • Hemorragia pulmonar;
  • Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA);
  • Insuficiência renal com necessidade de hemodiálise.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é suspeitado em pacientes com sintomas compatíveis e histórico de exposição a ambientes com ratos ou outros roedores ou água contaminada.

A confirmação pode ser feita por:

  • Testes sorológicos para detecção de anticorpos;
  • Cultura do sangue em fases iniciais.

Exames laboratoriais ajudam a avaliar possíveis complicações, como alterações da função renal e hepática. Quando há suspeita de meningite, é indicada a coleta de líquor.

Tratamento

O tratamento da leptospirose depende da gravidade do quadro.

Casos leves: costumam ser autolimitados e podem se resolver mesmo sem antibióticos.

Casos moderados a graves: indicam uso de antibióticos, como penicilina, doxiciclina ou ceftriaxona, além de tratamento de suporte.

Em situações mais graves, pode ser necessário:

  • Hemodiálise;
  • Ventilação mecânica (intubação);
  • Transfusões sanguíneas.

A função renal, na maioria dos casos, tende a se recuperar após o tratamento adequado.

Reação de Jarisch-Herxheimer

Após o início do antibiótico, alguns pacientes podem apresentar uma reação inflamatória chamada reação de Jarisch-Herxheimer, caracterizada por:

  • Febre;
  • Enjoo e vômitos;
  • Pressão arterial baixa;
  • Aumento da frequência cardíaca.

Na maioria das vezes, não exige tratamento específico, mas casos mais intensos podem necessitar de internação para monitorização.

Prevenção da leptospirose

As principais medidas de prevenção são:

  • Evitar contato com água e lama potencialmente contaminadas;
  • Controle da população de roedores;
  • Melhoria do saneamento básico;
  • Uso de equipamentos de proteção em atividades de risco.

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Perguntas frequentes sobre leptospirose

1. A leptospirose é transmitida de pessoa para pessoa?

Não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com água ou solo contaminado pela urina de roedores.

2. Toda leptospirose evolui para forma grave?

Não. A maioria dos casos é leve ou até assintomática.

3. Enchentes aumentam o risco de leptospirose?

Sim. Enchentes facilitam a disseminação da bactéria no ambiente.

4. A leptospirose tem tratamento?

Sim. Casos moderados e graves devem ser tratados com antibióticos e suporte clínico.

5. A função renal sempre fica comprometida?

Não. Embora possa haver insuficiência renal nos casos graves, a recuperação é comum após o tratamento.

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