Endocardite é grave? Conheça os sintomas e como é feito o tratamento

Idoso com febre e mal-estar em casa, segurando termômetro e coberto por manta, representando sintomas de endocardite infecciosa

Você já ouviu falar em endocardite? A infecção, normalmente causada por bactérias, atinge o revestimento interno do coração e, principalmente, as válvulas cardíacas, estruturas responsáveis por controlar o fluxo de sangue dentro do órgão.

Apesar de não ser tão comum, ela pode ter consequências sérias quando não diagnosticada e tratada rapidamente. Vamos entender mais, a seguir.

Afinal, o que é endocardite?

A endocardite é uma infecção grave que atinge o revestimento interno do coração e, principalmente, as válvulas cardíacas. Na maioria dos casos, ela ocorre quando microrganismos (como bactérias ou fungos) entram na corrente sanguínea e se fixam em áreas do coração que já possuem alguma fragilidade ou lesão.

De acordo com a cardiologista Juliana Soares, quando isso acontece, eles formam pequenos aglomerados chamados vegetações, compostos por germes, células de defesa do organismo e coágulos de sangue. As vegetações costumam se fixar nas válvulas do coração, onde passam a crescer.

Com o tempo, as vegetações podem danificar as válvulas, fazendo com que o coração precise trabalhar mais para bombear o sangue. Isso pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca, que é quando o coração não consegue mais bombear o sangue de forma eficiente.

Para complementar, pedaços das vegetações podem se soltar e viajar pela corrente sanguínea — o que pode causar entupimentos em vasos do cérebro, levando a um AVC, ou atingir os pulmões, causando embolia pulmonar.

Causas da endocardite

A endocardite é causada quando microrganismos, principalmente bactérias, entram na corrente sanguínea e conseguem se fixar no coração, especialmente nas válvulas cardíacas.

Isso costuma acontecer em duas etapas. Primeiro, as bactérias entram no sangue, o que pode ocorrer em situações comuns do dia a dia, como:

  • Infecções na boca e na gengiva;
  • Procedimentos dentários que causam sangramento;
  • Feridas na pele;
  • Infecções urinárias, respiratórias ou na pele;
  • Uso de agulhas, como em drogas injetáveis, piercings ou tatuagens mal higienizados;
  • Cirurgias ou procedimentos invasivos.

Depois, as bactérias que estão circulando no sangue encontram um local no coração onde conseguem se fixar, formando as vegetações.

Quem tem mais risco de desenvolver a endocardite?

Existem algumas condições que aumentam o risco de desenvolver endocardite, segundo Juliana. É importante destacar que é incomum a endocardite ocorrer em pessoas que não apresentem pelo menos um desses fatores de risco.

As principais pessoas em maior risco são:

  • Pessoas com doença nas válvulas cardíacas, como aquelas que tiveram sequelas da febre reumática ou que apresentam degeneração das válvulas;
  • Pessoas que possuem válvula cardíaca artificial, seja prótese mecânica ou biológica;
  • Pessoas com doença cardíaca congênita, ou seja, que nasceram com alguma alteração na estrutura do coração;
  • Usuários de drogas injetáveis, já que o uso de agulhas facilita a entrada de bactérias na corrente sanguínea;
  • Pessoas que já tiveram endocardite no passado, pois o risco de ter novamente é maior.

As condições tornam o coração mais vulnerável à fixação das bactérias, facilitando o desenvolvimento da infecção.

Quais os sintomas mais comuns da endocardite?

A endocardite é uma doença complexa e pode causar diversos sinais e sintomas. Os mais comuns incluem:

  • Febre persistente;
  • Calafrios;
  • Cansaço intenso (fadiga);
  • Dores nas articulações;
  • Dor no peito, principalmente ao respirar;
  • Nódulos dolorosos nas pontas dos dedos, chamados nódulos de Osler;
  • Manchas arroxeadas, indolores, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, conhecidas como lesões de Janeway.

Juliana explica que o sinal mais clássico da endocardite é o sopro cardíaco. Ele pode aparecer como um novo sopro ou como uma mudança em um sopro que a pessoa já tinha antes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da endocardite é feito a partir da avaliação clínica, os sintomas e o exame físico. Durante o exame clínico, Juliana explica que o médico pode identificar sinais importantes, como a presença de sopros no coração ou outras alterações que levantam a suspeita de endocardite.

Além da avaliação clínica, dois exames são fundamentais para confirmar o diagnóstico, como:

  • Hemocultura: exame de sangue no qual a amostra é colocada em cultura para identificar qual bactéria está presente na corrente sanguínea e causando a infecção;
  • Ecocardiograma: é uma ultrassom do coração que permite visualizar as válvulas e identificar as vegetações, e pode ser feito de duas formas: transtorácica, com o aparelho sobre o tórax, e transesofágica, com uma sonda pelo esôfago, que oferece imagens mais detalhadas e é a melhor para visualizar as vegetações.

Quando procurar um médico?

É importante procurar atendimento médico o quanto antes se apresentar sinais ou situações que possam indicar endocardite, como:

  • Febre persistente, que dura vários dias ou não melhora com remédios comuns;
  • Cansaço intenso, fraqueza ou mal-estar sem explicação;
  • Calafrios, suores noturnos ou perda de peso sem motivo aparente;
  • Dor no peito, falta de ar ou palpitações;
  • Manchas, nódulos ou alterações na pele, principalmente nas mãos, pés ou dedos;
  • Surgimento de um novo sopro no coração ou mudança em um sopro já existente.

A atenção deve ser ainda maior em pessoas que têm válvulas cardíacas doentes ou próteses valvares, possuem doença cardíaca congênita, já tiveram endocardite ou usam drogas injetáveis.

Tratamento de endocardite

O tratamento de endocardite é feito com o uso de antibióticos aplicados diretamente na veia. Segundo Juliana, na maioria dos casos, o paciente precisa ficar internado recebendo antibióticos por um período prolongado, que normalmente varia de quatro a seis semanas.

Em cerca de metade dos casos, também é necessário realizar uma cirurgia para substituir a válvula do coração que foi danificada pela infecção.

A cirurgia é indicada quando a infecção não melhora com os antibióticos, quando a válvula está muito destruída e passa a causar insuficiência cardíaca, ou quando existem vegetações ou coágulos grandes, que aumentam o risco de que pedaços se soltem e provoquem embolias em outros órgãos.

Como prevenir a endocardite?

A principal forma de prevenir a endocardite é evitar que bactérias entrem na corrente sanguínea. As principais medidas são:

  • Manter uma boa higiene bucal, com escovação adequada, uso de fio dental e visitas regulares ao dentista, pelo menos duas vezes ao ano;
  • Cuidar bem da pele, mantendo cortes e feridas sempre limpos e protegidos para evitar infecções;
  • Evitar piercings e tatuagens, especialmente em pessoas com maior risco, pois são portas de entrada para bactérias;
  • Evitar piercings na língua ou em mucosas, que aumentam ainda mais o risco de infecção;
  • Usar antibiótico preventivo (profilaxia antibiótica) antes de procedimentos dentários invasivos, quando indicado pelo médico.

A profilaxia antibiótica é recomendada para pessoas com alto risco de endocardite, como quem já teve a doença, quem possui válvulas cardíacas artificiais ou quem tem doença cardíaca congênita.

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Perguntas frequentes

A endocardite é uma doença contagiosa?

Não, a endocardite não é uma doença contagiosa e não passa de uma pessoa para outra pelo contato direto, como acontece com gripes ou infecções respiratórias.

A endocardite pode causar AVC?

Pode, e isso é uma das complicações mais graves. As bactérias formam pequenas massas nas válvulas do coração, e pedaços delas podem se soltar e viajar pelo sangue. Se chegarem ao cérebro, podem causar um AVC. Por isso, a endocardite é considerada uma emergência médica.

Quanto tempo leva para a endocardite se desenvolver após uma infecção?

A endocardite pode se desenvolver dias ou semanas depois de uma bactéria entrar na corrente sanguínea. Às vezes, a infecção inicial já passou, como uma inflamação na garganta ou um problema dentário, mas as bactérias já se fixaram no coração e continuam causando danos.

Quanto tempo dura o tratamento?

O tratamento dura, em média, de quatro a seis semanas com antibióticos na veia. Durante o período, o paciente geralmente fica internado para garantir que a infecção seja totalmente eliminada.

A endocardite pode afetar outros órgãos além do coração?

Sim, as bactérias ou coágulos podem atingir pulmões, rins, cérebro e outros órgãos, causando embolias e infecções secundárias.

Crianças podem ter endocardite?

Sim, especialmente crianças com cardiopatia congênita, ou seja, que nasceram com problemas no coração. Embora seja menos comum que em adultos, a endocardite em crianças pode ser grave e exige tratamento rápido.

Como saber se uma febre pode ser endocardite?

Uma febre que dura vários dias, que não melhora com remédios comuns, acompanhada de cansaço, dor no peito, falta de ar ou sopro no coração deve levantar suspeita, especialmente em quem tem problema cardíaco. Nesses casos, é fundamental procurar um médico.

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