Dor persistente no lado externo do cotovelo, dificuldade para segurar objetos simples e incômodo ao realizar movimentos repetitivos são queixas comuns no consultório médico. Embora muita gente associe esses sintomas apenas à prática esportiva, especialmente ao tênis, a epicondilite lateral pode afetar também pessoas que nunca pegaram em uma raquete.
Conhecida popularmente como cotovelo de tenista, essa condição está relacionada ao uso excessivo e repetitivo do braço e do antebraço, seja no esporte, no trabalho ou em atividades do dia a dia. Apesar de não ser uma lesão grave, pode causar dor significativa e limitar a rotina se não for tratada da maneira certa.
O que é a epicondilite lateral?
A epicondilite lateral, comumente chamada de cotovelo de tenista, é uma lesão do tendão localizado próximo ao epicôndilo lateral do cotovelo.
Essa condição surge devido ao esforço repetido e frequente, o que leva a um processo de inflamação crônica e fibrose local. O epicôndilo lateral é a região do cotovelo onde tendões e nervos se conectam.
Embora seja mais conhecida entre praticantes de esportes que exigem movimentos repetitivos do cotovelo, como o tênis, outros fatores de risco também estão associados, como tabagismo, obesidade e a faixa etária entre 40 e 50 anos.
Principais sintomas
O quadro clínico da epicondilite lateral é caracterizado principalmente por dor localizada, que costuma ser progressiva.
Como a dor se manifesta
- Dor na parte lateral do cotovelo;
- Início geralmente de 1 a 3 dias após atividades repetitivas;
- Intensidade variável, de leve a intensa;
- Piora com esforço físico;
- Melhora com repouso.
A dor pode interferir nas atividades diárias, como segurar objetos, escrever ou realizar tarefas manuais.
O que geralmente não ocorre
Na maioria dos casos, a dor não é acompanhada de sintomas neurológicos, como formigamento ou perda de força, o que ajuda a diferenciar a epicondilite de outras condições do cotovelo.
Causas
A principal causa da epicondilite lateral é a sobrecarga frequente do tendão, provocada por movimentos repetitivos.
Esses movimentos geram microlesões no tendão, que, ao longo do tempo, comprometem sua função. Como consequência, podem ocorrer:
- Alterações estruturais do tendão;
- Endurecimento;
- Perda de elasticidade;
- Formação de calcificações.
Esse processo explica por que a dor tende a ser persistente quando o estímulo repetitivo não é interrompido.
Diagnóstico
O diagnóstico da epicondilite lateral é clínico, baseado na avaliação médica.
Avaliação durante a consulta
O médico realiza manobras específicas que reproduzem a dor e ajudam a identificar a tendinopatia, além de considerar o histórico de sobrecarga ou movimentos repetitivos.
Exames de imagem
- Ultrassonografia: avalia as condições anatômicas do tendão;
- Radiografia: útil para excluir alterações ósseas, como artrite ou fraturas;
- Ressonância magnética: indicada em casos de dor crônica, especialmente para avaliar necessidade de cirurgia.
Tratamento
O tratamento da epicondilite lateral começa, na maioria dos casos, de forma conservadora.
Medidas iniciais
- Redução ou interrupção temporária da atividade que causa dor;
- Fisioterapia;
- Compressas geladas após o exercício.
Uso de medicamentos
- Analgésicos;
- Anti-inflamatórios, quando indicados.
Se não houver melhora com essas medidas, pode-se considerar:
- Otimização do uso de anti-inflamatórios;
- Injeções locais de corticoides.
Cirurgia
A cirurgia é reservada para casos com perda significativa de função ou falha do tratamento conservador.
Retorno ao esporte
O principal objetivo do tratamento é permitir o retorno às atividades esportivas sem dor e sem limitações.
O paciente deve receber orientação sobre:
- Respeitar limites durante a recuperação;
- Corrigir a técnica dos movimentos;
- Adotar medidas preventivas durante a prática esportiva.
Essas estratégias ajudam a reduzir o risco de novas lesões.
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Perguntas frequentes sobre epicondilite lateral
1. Epicondilite lateral só ocorre em quem joga tênis?
Não. Apesar do nome “cotovelo de tenista”, a condição pode acontecer em qualquer pessoa que realize movimentos repetitivos com o braço.
2. A dor aparece imediatamente após o esforço?
Geralmente, a dor surge de 1 a 3 dias após atividades repetitivas.
3. A epicondilite causa formigamento ou perda de força?
Normalmente não. A ausência de sintomas neurológicos é uma característica comum.
4. O diagnóstico precisa de exames de imagem?
Nem sempre. O diagnóstico é clínico, mas exames podem ser usados para complementar a avaliação ou excluir outras causas.
5. Sempre é necessário cirurgia?
Não. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador. A cirurgia é indicada apenas em situações específicas.
6. É possível voltar ao esporte após o tratamento?
Sim. Com tratamento adequado e orientação correta, o retorno ao esporte costuma acontecer sem dor.
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