Pouca dor, muito risco: o perigo da hepatite C

Técnico avalia exames de sangue em laboratório para análise de hepatite C.

A hepatite C é uma doença silenciosa. Em muitos casos, a pessoa convive com o vírus por anos sem apresentar sintomas e descobre a infecção apenas quando já existem danos no fígado. Apesar disso, trata-se hoje de uma doença com tratamento eficaz e altas taxas de cura, desde que diagnosticada a tempo.

Entender como ocorre a transmissão, quais sinais merecem atenção e quando procurar avaliação médica é muito importante para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado.

O que é a hepatite C?

A hepatite C é uma infecção do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV). A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, como:

  • Transfusões de sangue ou hemoderivados (principalmente antes de 1993, quando não havia ainda testes para hepatite C);
  • Uso de drogas injetáveis com compartilhamento de seringas;
  • Transplantes de órgãos;
  • Hemodiálise;
  • Acidentes com material biológico entre profissionais de saúde.

Também pode ocorrer:

  • Transmissão perinatal (próximo ao parto);
  • Transmissão sexual, embora menos frequente.

Entre os principais fatores de risco estão: uso de drogas injetáveis, pessoas privadas de liberdade, coinfecção pelo HIV, pacientes em hemodiálise, exposição ocupacional e consumo excessivo de álcool.

Como a hepatite C afeta o fígado?

Após a infecção, o vírus da hepatite C se instala nas células do fígado. Embora não destrua diretamente essas células, ele provoca uma resposta inflamatória crônica, que ao longo do tempo leva à fibrose hepática, um processo de cicatrização progressiva.

Com a evolução da doença, essa fibrose pode se tornar extensa, resultando em:

  • Cirrose hepática;
  • Redução importante da função do fígado;
  • Falência hepática;
  • Maior risco de câncer de fígado.

Principais sintomas da hepatite C

Fase aguda

A fase aguda dura, em média, de 2 a 12 semanas após a infecção. A maioria dos pacientes é assintomática.

Quando presentes, os sintomas podem incluir:

  • Icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Náuseas e vômitos;
  • Urina escura;
  • Dor no lado direito do abdômen.

Apesar de existir a possibilidade de cura espontânea, a maioria dos casos evolui para infecção crônica.

Infecção crônica

Cerca de 80 a 85% dos pacientes desenvolvem hepatite C crônica. Os sintomas costumam ser inespecíficos, como:

  • Náuseas;
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Perda de apetite e de peso;
  • Dor muscular e nas articulações;
  • Coceira na pele;
  • Icterícia.

Em fases avançadas, surgem sinais de cirrose:

  • Varizes esofágicas (com risco de sangramento);
  • Ascite (barriga inchada por líquido);
  • Encefalopatia hepática (confusão mental);
  • Maior risco de câncer de fígado.

Como é feito o diagnóstico?

Como muitos pacientes não apresentam sintomas, recomenda-se que todos os adultos a partir de 18 anos façam rastreio pelo menos uma vez na vida.

Exames utilizados

  • Teste de anticorpos contra o vírus da hepatite C (rastreamento inicial);
  • Detecção do RNA do vírus para confirmar infecção ativa;
  • Exames de sangue para avaliar função hepática.

Na fase aguda, o diagnóstico deve ser suspeitado em pessoas com exposição recente de risco.

Tratamento e acompanhamento

Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado com antivirais específicos para hepatite C. O esquema terapêutico e o tempo de uso variam conforme características do paciente e do vírus.

Acompanhamento

  • Monitorar resposta ao tratamento;
  • Avaliar possíveis efeitos colaterais;
  • Ajustar doses, se necessário.

Pacientes não vacinados devem receber vacinas contra hepatite A e B, pois a coinfecção pode agravar a evolução da doença.

Quando já existe fibrose avançada ou cirrose, o acompanhamento médico contínuo é essencial para:

  • Prevenir descompensações;
  • Monitorar risco de câncer de fígado;
  • Avaliar função hepática periodicamente.

Prevenção da hepatite C

Atualmente, não existe vacina contra hepatite C. A prevenção baseia-se em:

  • Uso de preservativos;
  • Não compartilhar seringas ou objetos perfurocortantes;
  • Cuidados rigorosos em procedimentos de saúde.

A transmissão por transfusões e transplantes caiu drasticamente com os testes de triagem atuais.

Prognóstico

Cerca de 10 a 15% dos casos agudos podem se resolver espontaneamente. A progressão para cirrose é mais comum em pessoas que:

  • Consomem álcool em excesso;
  • Têm coinfecção por hepatite B ou HIV.

Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes alcança cura virológica, com grande melhora da expectativa e qualidade de vida.

Leia mais: Hepatite A: o que é, como se transmite e como prevenir

Perguntas frequentes sobre hepatite C

1. Hepatite C tem cura?

Sim. Os tratamentos atuais apresentam altas taxas de cura.

2. Hepatite C sempre causa sintomas?

Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

3. Existe vacina contra hepatite C?

Não. A prevenção depende de medidas de proteção.

4. Álcool piora a hepatite C?

Sim. O álcool acelera a progressão da doença hepática.

5. Hepatite C pode virar câncer?

Pode, especialmente quando evolui para cirrose.

6. Quem deve fazer o teste?

Todos os adultos ao menos uma vez e pessoas com fatores de risco.

Confira: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger