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  • Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar 

    No fim de 2025, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), agora oferecida gratuitamente pelo SUS. O imunizante é indicado principalmente para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, sem limite de idade para a mãe.

    O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, sendo uma das principais causas de internação nessa fase.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender qual o melhor momento para tomar a vacina, se ela é segura durante a gestação e as possíveis reações adversas. Confira!

    O que é o VSR (vírus sincicial respiratório)?

    O vírus sincicial respiratório (VSR) é um dos principais causadores de infecções nas vias respiratórias, podendo afetar nariz, garganta, brônquios e pulmões.

    Ele pode infectar pessoas de qualquer idade, mas costuma ser a principal causa de bronquiolite e pneumonia em bebês e crianças pequenas.

    Na maioria dos adultos e crianças maiores saudáveis, a infecção costuma provocar sintomas parecidos com resfriado, como coriza, tosse, febre leve e mal-estar.

    Já em recém-nascidos, prematuros, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou baixa imunidade, o quadro pode ser mais intenso, com falta de ar, chiado no peito e necessidade de acompanhamento médico.

    Por que ele é perigoso para bebês?

    O vírus sincicial respiratório tem a capacidade de fundir células infectadas, formando grandes massas celulares que prejudicam o funcionamento normal das vias respiratórias.

    Em bebês, as vias aéreas são naturalmente mais estreitas e sensíveis, de modo que quando ocorre uma inflamação associada ao excesso de muco, esses pequenos canais podem obstruir com facilidade, dificultando a passagem do ar e tornando a respiração mais trabalhosa.

    Por consequência, o bebê pode apresentar chiado no peito, respiração acelerada, dificuldade para mamar, cansaço e, em casos mais intensos, queda na oxigenação.

    Isso aumenta o risco de bronquiolite, pneumonia e necessidade de internação, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

    Como funciona a vacina do VSR na gravidez?

    A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer uma proteína do vírus chamada proteína F, usada por ele para entrar nas células.

    As vacinas mais recentes, como Abrysvo e a Arexvy, conseguem manter essa proteína em um formato mais vulnerável, chamado pré-fusão, o que facilita a produção de anticorpos eficazes contra a infecção.

    Quando aplicada na gestação, o organismo da mãe produz anticorpos que atravessam a placenta e chegam ao bebê. Assim, o recém-nascido já nasce com uma proteção inicial, especialmente importante nos primeiros meses de vida, fase em que o risco de bronquiolite e complicações respiratórias costuma ser maior.

    Após o nascimento, Andreia explica que a amamentação continua oferecendo anticorpos, ajudando na proteção inicial. Do ponto de vista do bebê, isso é chamado de imunização passiva, pois os anticorpos foram produzidos pelo organismo materno.

    Quanto tempo dura a proteção do bebê?

    A proteção costuma durar principalmente nos primeiros meses de vida, período em que o bebê é mais vulnerável às infecções respiratórias. Segundo Andreia, mesmo que o pequeno entre em contato com o vírus, a tendência é desenvolver um quadro mais leve, com menor risco de internação.

    Em geral, a proteção é mais significativa nos primeiros seis meses de vida, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Com o passar dos meses, os anticorpos maternos diminuem naturalmente, porque foram produzidos pelo corpo da mãe e não pelo sistema imunológico do bebê.

    Quando tomar a vacina do VSR na gravidez?

    A recomendação costuma ser a vacinação a partir de cerca de 28 semanas de gestação. Segundo Andreia, entre 28 e 34 semanas costuma ser uma janela bastante favorável, pois aumenta a chance de o bebê já nascer com anticorpos circulantes.

    Quando a vacina é aplicada muito próxima ao parto, parte do benefício intrauterino pode ser menor, embora ainda exista proteção após o nascimento, especialmente por meio da amamentação.

    Ainda assim, cada gestação deve ser avaliada individualmente. Mesmo quando o prazo ideal já passou, pode haver benefício, por isso a orientação médica continua sendo fundamental.

    Intervalo com outras vacinas

    Existe a recomendação de manter um intervalo mínimo de cerca de 15 dias entre a vacina contra o VSR e a DTPa (difteria, tétano e coqueluche), que faz parte do calendário da gestante. Andreia explica que a orientação ajuda a garantir uma boa resposta do sistema imunológico e a evitar sobreposição de reações.

    Outras vacinas importantes nesse período incluem gripe, covid e hepatite B, dependendo do histórico vacinal de cada gestante. O esquema final pode variar conforme cada caso, por isso a orientação médica é sempre importante.

    Existe alternativa à vacina VSR?

    Além da vacinação durante a gestação, existe a possibilidade de usar anticorpos monoclonais diretamente no bebê após o nascimento. Eles não são uma vacina, mas uma forma de proteção temporária contra o vírus sincicial respiratório.

    Os anticorpos funcionam como uma defesa pronta, ajudando a reduzir o risco de infecção grave e internações, principalmente em bebês mais vulneráveis, como prematuros ou crianças com problemas respiratórios e cardíacos.

    No entanto, a proteção tem duração limitada, já que o organismo do bebê não produz esses anticorpos por conta própria.

    Quando não há contraindicação, a vacinação materna costuma ser a primeira escolha, pois protege o recém-nascido desde o nascimento e ainda traz benefício para a gestante. A decisão final deve sempre ser feita com orientação médica, considerando cada caso.

    Quais os efeitos colaterais mais comuns?

    Os efeitos colaterais da vacina contra o VSR costumam ser leves e semelhantes aos de outras vacinas. A reação mais frequente é dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, que normalmente melhora em poucos dias.

    Também podem surgir sintomas gerais leves, como cansaço, dor muscular, dor de cabeça ou febre baixa. Em alguns casos, a pessoa pode sentir mal-estar passageiro ou sintomas parecidos com um resfriado leve.

    As reações mais intensas são raras, mas mesmo assim, qualquer sintoma persistente ou diferente do esperado deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Quais as vacinas da VSR disponíveis?

    A principal e única vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) recomendada e disponível para gestantes no Brasil é a Abrysvo, fabricada pela Pfizer.

    Ela está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo SUS, mas também pode ser encontrada em clínicas particulares e grandes redes de farmácias.

    Para outros públicos, como idosos, existem vacinas específicas contra o VSR disponíveis, como a Arexvy (GSK), mas a indicação pode variar. Por isso, a avaliação individual com um profissional de saúde continua sendo fundamental.

    Perguntas frequentes

    1. A gestante corre risco ao pegar VSR?

    Normalmente, em adultos saudáveis, o VSR causa apenas um resfriado. No entanto, em gestantes, as alterações no sistema imunológico e na capacidade pulmonar podem tornar qualquer infecção respiratória mais desconfortável e, em casos raros, evoluir para pneumonia.

    2. A vacina é feita de vírus vivo?

    Não, a vacina disponível para gestantes (Abrysvo) é de proteína recombinante (não viva). Ela contém apenas uma parte da estrutura do vírus, o que significa que é impossível contrair a doença através da vacina.

    3. Preciso de pedido médico para vacinar?

    No SUS, o cartão de pré-natal atualizado que comprove a idade gestacional costuma ser suficiente. Na rede particular, algumas clínicas podem solicitar o pedido do seu obstetra.

    4. Se eu já tive VSR antes, preciso tomar a vacina?

    Sim, pois a imunidade natural após uma infecção por VSR é temporária e não garante que você terá anticorpos suficientes para proteger o bebê na próxima gestação.

    5. Tive um bebê prematuro antes de conseguir me vacinar. O que fazer?

    Se o parto ocorrer antes da janela de vacinação ou antes de completar 14 dias da aplicação, o bebê pode não ter recebido anticorpos suficientes. Nesse caso, o pediatra pode recomendar o uso do Nirsevimabe (um anticorpo pronto) diretamente na criança logo após o nascimento.

    6. Tomei a vacina na gravidez anterior. Preciso tomar de novo nesta gestação?

    Sim. Assim como a vacina da gripe e a dTpa (coqueluche), é recomendado tomar uma nova dose a cada gestação para garantir que os níveis de anticorpos estejam no auge para serem transferidos ao novo bebê.

    7. A vacina contra VSR substitui a vacina da gripe?

    Não, pois são vírus diferentes. A vacina do VSR protege especificamente contra o Vírus Sincicial Respiratório, enquanto a da gripe protege contra o vírus Influenza. Ambas são fundamentais no pré-natal.

  • Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Se o bebê começa com aquele nariz escorrendo e tosse que parece resfriado, muitos pais ficam atentos, mas torcendo para que passe em poucos dias. Em alguns casos, porém, os sintomas pioram e se transformam em algo mais sério: a bronquiolite, uma infecção respiratória comum nos primeiros anos de vida.

    O problema é que, por começar parecido com uma gripe, a bronquiolite pode ser confundida e atrasar o diagnóstico. Conversamos com a pneumologista pediátrica Juliana Sencini, que explicou como identificar os sinais, quando é hora de procurar ajuda médica e quais são as novidades em prevenção.

    O que é bronquiolite

    A bronquiolite é uma infecção das vias aéreas inferiores, que atinge principalmente crianças menores de 2 anos.

    “O grande causador da bronquiolite é o vírus sincicial respiratório (VSR)”, explica a pneumologista pediátrica. Outros vírus, como rinovírus, influenza, adenovírus e metapneumovírus, também podem estar envolvidos, mas o VSR é o principal.

    Ela reforça que, em crianças maiores de dois anos, não se usa mais o termo bronquiolite. “Depois dessa idade, quando há repetição dos sintomas, pensamos em outros diagnósticos, como lactente sibilante ou asma”, completa.

    Sintomas da bronquiolite em bebês e crianças

    No início, a bronquiolite engana, pois parece apenas um resfriado, com febre baixa, nariz entupido e tosse. Mas, segundo a pneumopediatra, essa tosse vai ficando cada vez mais intensa e começa a gerar dificuldade respiratória.

    Os sinais mais típicos costumam aparecer no segundo ou terceiro dia da doença: chiado, secreção nos pulmões e sinais de esforço para respirar. É justamente aí que os pais devem ficar atentos para procurar ajuda médica o quanto antes.

    Diferença entre resfriado e bronquiolite

    Nem todo nariz escorrendo é bronquiolite. O resfriado comum é leve, se resolve espontaneamente e a criança continua se alimentando bem. Já a bronquiolite evolui com piora da tosse, chiado no peito e cansaço para respirar.

    Em alguns hospitais, é possível confirmar a presença do vírus sincicial respiratório com exames rápidos, mas o diagnóstico principal é clínico, feito pela avaliação médica.

    Quando a bronquiolite é grave?

    De acordo com Juliana Sencini, quando a criança consegue mamar, manter a hidratação e não apresenta queda de oxigênio, o tratamento pode ser feito em casa, com lavagem nasal, inalação com soro e bastante líquido.

    Mas há sinais de gravidade que exigem internação:

    • Dificuldade para mamar ou se alimentar;
    • Cansaço excessivo para respirar;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Esforço respiratório intenso.

    No hospital, o suporte pode incluir oxigênio, cateter de alto fluxo e, em casos mais graves, até intubação. “O uso de cateter de alto fluxo nos últimos anos ajudou muito a reduzir a necessidade de intubação”, explica a médica.

    Existe tratamento específico?

    A resposta é não. “Não existe medicação que modifique a evolução da bronquiolite. O tratamento é de suporte”, afirma a especialista.

    Isso significa ajudar a criança a respirar melhor, manter a hidratação e observar a evolução. Antibióticos só entram em cena se houver complicações, como pneumonia bacteriana.

    Como prevenir a bronquiolite

    Por muito tempo, só havia uma opção de prevenção contra o vírus sincicial respiratório, o principal vírus causador da bronquiolite: o palivizumabe, um remédio (anticorpo monoclonal) aplicado em bebês prematuros extremos ou de alto risco. De 2024 para cá, no entanto, surgiram novidades importantes:

    • Vacinação da mãe: a gestante recebe uma vacina contra bronquiolite entre 30 e 36 semanas. “A vacina aumenta os anticorpos que passam via placenta para o bebê, protegendo-o nos primeiros meses de vida”, explica a médica;
    • Nirsevimabe: anticorpo monoclonal de longa duração que protege bebês saudáveis por até seis meses. Ele deve ser aplicado antes da época de circulação do vírus sincicial respiratório, que em São Paulo, por exemplo, vai de abril a julho.

    Essas estratégias vêm mudando o cenário da bronquiolite e oferecem proteção já nos primeiros meses de vida, fase em que a doença costuma ser mais grave.

    Bronquiolite aumenta o risco de asma no futuro?

    Sim. “Algumas crianças que apresentam bronquiolite podem evoluir para quadros recorrentes de sibilância, o que acende o alerta para asma”, explica a médica. No entanto, ela reforça que não se pode considerar cada episódio de chiado como nova bronquiolite, principalmente após os dois anos.

    Perguntas frequentes sobre bronquiolite

    1. Bronquiolite é a mesma coisa que bronquite?

    Não. A bronquiolite é típica de bebês e crianças pequenas (até 2 anos), geralmente causada por vírus, especialmente o vírus sincicial respiratório.

    2. Todo bebê com tosse tem bronquiolite?

    Não. Tosse pode ser sinal de resfriado, alergia ou outras infecções. A bronquiolite geralmente inclui chiado e esforço para respirar.

    3. Como saber se preciso levar meu filho ao hospital?

    Se houver dificuldade para mamar, respiração acelerada, cansaço extremo ou queda na saturação, é hora de procurar atendimento imediato.

    4. Existe algum remédio que cura bronquiolite?

    Não. O tratamento é apenas de suporte, com hidratação, lavagem nasal e, em casos graves, internação hospitalar.

    5. Criança que já teve bronquiolite vai ter de novo?

    Pode ter outros episódios de chiado, mas após os dois anos, o diagnóstico passa a ser outro, como lactente sibilante ou asma.

    6. É possível prevenir bronquiolite?

    Sim. Hoje existe uma vacina para as grávidas e o uso de nirsevimabe, além de medidas simples como higienizar as mãos e evitar contato com pessoas com sintomas de gripe.

    7. Bronquiolite sempre exige internação?

    Não. Casos leves podem ser tratados em casa, com observação e cuidados básicos. Apenas os quadros mais graves precisam de internação.