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  • 7 vacinas importantes para idosos com doenças cardíacas

    7 vacinas importantes para idosos com doenças cardíacas

    As doenças cardiovasculares (DCVs) são significativamente mais comuns em idosos, sendo a principal causa de mortalidade, com mais de 80% dos óbitos por doenças cardíacas ocorrendo em pessoas com mais de 65 anos.

    Com o avanço da idade, o corpo passa por mudanças naturais que aumentam o risco das doenças cardiovasculares, como o enrijecimento das artérias e o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, o que pode dificultar a circulação do sangue, aumentar a pressão arterial e sobrecarregar o coração ao longo do tempo.

    Para idosos que convivem com doenças cardíacas, além do acompanhamento médico, um dos principais cuidados é manter a carteirinha vacinal atualizada. Infecções como a gripe ou a pneumonia, por exemplo, colocam um estresse imenso sobre o sistema cardiovascular, podendo desencadear descompensações, arritmias ou até infartos.

    O que a vacinação tem a ver com a saúde cardíaca?

    A vacinação é considerada uma das principais medidas de prevenção cardiovascular em pessoas com doenças do coração.

    Quando o corpo é exposto a uma infecção, ocorre uma resposta inflamatória que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a demanda de oxigênio pelo coração.

    Em pessoas com doenças cardíacas, o processo pode favorecer descompensações, arritmias ou até situações mais graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Para você ter uma ideia, estudos apontam que nas semanas seguintes a uma infecção viral a chance de um ataque cardíaco pode ser até seis vezes maior, principalmente em adultos mais velhos.

    As vacinas, nesse cenário, contribuem para prevenir as infecções ou reduzir a gravidade dos quadros, diminuindo o estresse sobre o coração e contribuindo para manter o coração protegido.

    Quais as vacinas necessárias para idosos com doenças cardíacas?

    As vacinas principais e prioritárias, de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Europeia de Cardiologia, são:

    1. Gripe (Influenza)

    A vacinação contra a gripe é recomendada anualmente para idosos, pois o vírus Influenza sofre mutações frequentes. A dose deve ser aplicada todos os anos, de preferência antes do período de maior circulação viral. A imunização contribui para complicações respiratórias, hospitalizações e problemas cardiovasculares associados à infecção, como infarto do miocárdio.

    2. Pneumocócicas (Pneumonia)

    As vacinas pneumocócicas protegem contra infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite, otite e sepse.

    Para idosos, é recomendado uma dose da vacina VPC20 (disponível nas redes públicas) ou um esquema sequencial com VPC15 (ou VPC13) seguida de VPP23 após seis a 12 meses, com possível reforço depois de cinco anos.

    3. COVID-19

    Pacientes cardíacos fazem parte do grupo de alto risco para complicações graves da COVID-19, infecção provocada pelo vírus SARS-CoV-2. Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde e da SBIm é que idosos com 60 anos ou mais recebam uma dose de reforço a cada seis meses.

    O intervalo é menor porque, com o tempo, a imunidade dos idosos tende a cair mais rápido, e como o vírus continua circulando com novas variantes, o reforço semestral contribui para manter níveis adequados de proteção, reduzindo o risco de formas graves da doença.

    4. Herpes zóster

    O herpes zóster é causado pela reativação do vírus da varicela, o mesmo vírus que provoca a catapora. A infecção, que pode se manifestar na vida adulta, causa uma inflamação intensa que pode comprometer vasos sanguíneos e o coração.

    A vacina é indicada a partir dos 50 anos, mesmo para quem já teve a doença. O esquema atual consiste em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas, reduzindo o risco de novos episódios e de complicações dolorosas.

    5. Tríplice bacteriana (dTpa)

    A vacina dTpa protege contra três doenças bacterianas:

    • Difteria, que pode causar infecção grave na garganta e dificuldade respiratória;
    • Tétano, associado a ferimentos e capaz de provocar rigidez muscular intensa;
    • Coqueluche, infecção respiratória altamente contagiosa que pode ser especialmente perigosa em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Para idosos com esquema básico completo, recomenda-se uma dose de reforço a cada dez anos. Caso o histórico vacinal seja incompleto ou desconhecido, é importante atualizar a vacinação conforme orientação médica.

    6. Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

    O VSR é um vírus respiratório que pode causar quadros semelhantes a um resfriado, mas que, em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, pode evoluir para bronquite, pneumonia e insuficiência respiratória. A infecção também pode descompensar doenças cardíacas e pulmonares já existentes.

    A vacina é indicada principalmente a partir dos 60 anos, especialmente para quem apresenta comorbidades, e passa a ser recomendada de rotina após os 70 anos. Normalmente, ela é administrada em dose única, contribuindo para reduzir hospitalizações e agravamentos respiratórios.

    7. Hepatite B

    A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode evoluir de forma silenciosa, tornando-se crônica ao longo dos anos. A inflamação crônica causada pelo vírus pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, incluindo aterosclerose e doença coronariana.

    Segundo a SBIm, a vacina é recomendada para idosos que ainda não foram imunizados. O esquema habitual é composto por três doses, aplicadas nos intervalos de 0, 1 e 6 meses, oferecendo proteção eficaz contra a infecção e suas complicações a longo prazo.

    Onde se vacinar?

    A vacinação pode ser realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do SUS, onde várias vacinas são oferecidas gratuitamente, especialmente para idosos e pessoas com doenças crônicas. Também é possível se vacinar em clínicas privadas de vacinação, que costumam disponibilizar um portfólio mais amplo de imunizantes.

    Quem precisa ter atenção redobrada com a vacinação e o coração?

    Todas as pessoas devem manter a carteira de vacinação atualizada, mas alguns grupos precisam ter mais atenção, como:

    • Pessoas com insuficiência cardíaca, pois infecções podem descompensar o quadro e causar falta de ar importante;
    • Pessoas com múltiplas comorbidades, especialmente quando a doença cardíaca está associada a diabetes, hipertensão ou doença renal crônica;
    • Pacientes que já tiveram infarto ou passaram por cirurgia cardíaca, já que o coração pode ficar mais sensível a processos inflamatórios;
    • Indivíduos com doença arterial coronariana, com artérias estreitadas ou presença de stents, pois inflamações aumentam o risco de trombose;
    • Idosos, gestantes e profissionais de saúde, que costumam ser priorizados nas campanhas por apresentarem maior risco de complicações infecciosas.

    Em todos os casos, vale conversar regularmente com o médico e manter o acompanhamento, o que ajuda a evitar complicações maiores e traz mais segurança para a saúde no dia a dia.

    Confira: Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Posso tomar a vacina da gripe e da COVID-19 no mesmo dia?

    Sim, a recomendação atual é que não há necessidade de intervalo. Elas podem ser aplicadas juntas, preferencialmente em braços diferentes para monitorar reações locais.

    2. As vacinas podem causar miocardite (inflamação no coração)?

    É um evento raríssimo que foi observado em algumas vacinas de tecnologia RNAm, principalmente em jovens. Para idosos cardiopatas, o risco de ter uma inflamação no coração causada pela doença (COVID-19) é infinitamente maior do que o risco da vacina.

    3. Existe idade máxima para parar de se vacinar?

    Não. Enquanto houver vida e risco de exposição, a vacinação é indicada. Idosos com mais de 80 ou 90 anos são justamente os que mais se beneficiam da proteção indireta ao coração.

    4. Pacientes com marcapasso ou stents podem tomar vacinas?

    Sim! O marcapasso é um dispositivo eletrônico e o stent é uma estrutura metálica, e nenhum dos dois sofre interferência das vacinas. A imunização é, na verdade, uma proteção para esses dispositivos, pois evita infecções graves que poderiam causar inflamação ao redor deles.

    5. Vacinas podem interagir com remédios para pressão ou colesterol?

    Não há evidências de que as vacinas cortem o efeito de estatinas, betabloqueadores ou remédios para pressão. Você deve manter sua medicação cardíaca normalmente no dia da vacinação.

    A vacina de febre amarela é segura para idosos cardiopatas? A vacinação contra febre amarela para idosos, incluindo aqueles com doenças cardíacas, deve ser avaliada individualmente por um médico. Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, ela exige uma avaliação rigorosa do cardiologista e do infectologista.

    6. Quais são as reações mais frequentes das vacinas em idosos cardiopatas?

    As reações costumam ser leves e duram, em geral, de 24 a 48 horas. Elas indicam que o organismo está respondendo à vacina. As mais comuns incluem dor, vermelhidão ou leve inchaço no local da aplicação, além de cansaço, dor de cabeça, dores musculares e febre baixa.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

  • Vacinas salvam vidas: entenda por que a imunização é uma das maiores conquistas da medicina

    Vacinas salvam vidas: entenda por que a imunização é uma das maiores conquistas da medicina

    Responsável pela erradicação ou controle significativo de diversas doenças infecciosas em todo o mundo, como poliomielite, sarampo e tétano, a vacinação é uma das maiores conquistas da saúde pública.

    Por meio dela, milhões de vidas são protegidas todos os anos — reduzindo hospitalizações, complicações graves e mortes que antes faziam parte da rotina de muitas famílias.

    Para se ter uma ideia, além de proteger quem recebe a vacina, a imunização também ajuda a proteger toda a comunidade. Quando muitas pessoas estão vacinadas, a circulação dos vírus e bactérias diminui, criando uma barreira coletiva que protege idosos, bebês e pessoas com o sistema imunológico mais fragilizado.

    Atualmente, no Brasil, a política de vacinação é responsabilidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.

    O que são vacinas?

    As vacinas são preparações biológicas desenvolvidas para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e combater vírus e bactérias antes que provoquem doenças. Elas contêm partes dos microrganismos ou versões enfraquecidas e inativadas, suficientes para estimular a defesa do organismo sem causar a infecção.

    Na prática, elas funcionam como uma espécie de treinamento para o organismo: ao serem aplicadas, as vacinas induzem a produção de anticorpos e células de memória sem causar a doença — garantindo que, em um eventual contato real com o microrganismo, o corpo consiga reagir de maneira eficaz.

    Impacto das vacinas na saúde pública

    Antes da vacinação em larga escala, doenças como varíola, poliomielite, sarampo e difteria causavam epidemias frequentes, altas taxas de mortalidade e sequelas permanentes. Muitas famílias conviviam com perdas evitáveis e com limitações de saúde que comprometiam a qualidade de vida por toda a vida.

    Com a chegada das campanhas de imunização, milhões de vidas passaram a ser protegidas, o número de internações caiu e as pessoas começaram a viver mais e viver bem.

    Além de proteger quem recebe a vacina, a vacinação também contribui para a proteção de toda a população. Ao reduzir a circulação de vírus e bactérias na população, elas criam uma proteção indireta que beneficia pessoas mais vulneráveis, como bebês, idosos e indivíduos com o sistema imunológico comprometido.

    Como as vacinas funcionam no organismo?

    As vacinas funcionam estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes causadores de doenças antes que eles provoquem infecções graves.

    Os imunizantes aproveitam um mecanismo natural de defesa do próprio organismo, preparando o corpo para reagir de forma rápida e eficiente em contatos futuros com vírus ou bactérias.

    De forma simples, o processo acontece assim:

    • O corpo está constantemente exposto a germes presentes no ambiente, como vírus e bactérias;
    • A pele, as mucosas e as vias respiratórias atuam como barreiras iniciais, tentando impedir a entrada desses microrganismos;
    • Quando um agente causador de doença consegue ultrapassar essas barreiras, o sistema imunológico entra em ação.

    Cada microrganismo possui partes específicas, chamadas de antígenos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quando o organismo entra em contato com um antígeno pela primeira vez, o sistema imunológico precisa de tempo para reconhecê-lo e produzir anticorpos. Durante esse período, a pessoa pode ficar doente.

    As vacinas contêm versões enfraquecidas ou inativadas desses microrganismos, ou informações para que o próprio corpo produza o antígeno. A exposição não causa a doença, mas estimula o sistema imunológico a responder, produzindo anticorpos e células de memória.

    Com isso, o organismo aprende a reconhecer o agente causador da doença, passa a produzir anticorpos específicos e mantém células de memória ativas, prontas para agir quando necessário.

    Em um contato posterior com o microrganismo verdadeiro, a resposta do sistema imunológico ocorre de forma muito mais rápida e eficaz, evitando a doença ou reduzindo sua gravidade. Algumas vacinas exigem mais de uma dose para reforçar essa memória e garantir proteção duradoura.

    Imunidade coletiva (ou de rebanho)

    A imunidade coletiva acontece quando uma grande parte da população está vacinada contra uma determinada doença. Com isso, a circulação de vírus e bactérias diminui de forma significativa, dificultando a transmissão entre as pessoas.

    Isso é especialmente importante para quem não pode ser vacinado, como bebês muito pequenos, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que apresentam alergias graves a componentes de algumas vacinas.

    Quando a maioria está imunizada, o risco de exposição a agentes causadores de doenças se torna muito menor. E, apesar de nenhuma vacina oferecer proteção total, a imunidade coletiva reduz de maneira importante a ocorrência de surtos e epidemias.

    Vacinas são seguras e eficazes!

    Antes de serem oferecidas à população, todas as vacinas passam por testes rigorosos para garantir que sejam seguras e eficazes. Os testes incluem estudos clínicos realizados em várias etapas, e apenas as vacinas que cumprem padrões elevados de qualidade e segurança recebem autorização para uso.

    As vacinas podem causar alguns efeitos leves e passageiros, como dor no local da aplicação, febre ou mal-estar. No entanto, eles costumam ser temporários e bem menos graves do que as doenças que elas ajudam a prevenir, que podem provocar complicações sérias, deixar sequelas e até levar à morte.

    Como funciona o calendário vacinal no Brasil?

    O calendário vacinal no Brasil é organizado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e faz parte das ações do Sistema Único de Saúde, o SUS. Ele reúne as vacinas recomendadas para proteger a população ao longo de todas as fases da vida, desde o nascimento até a terceira idade.

    Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação contempla 19 vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública, que protegem contra diversas doenças graves e potencialmente fatais, como poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites, meningites e outras infecções importantes.

    As vacinas incluem:

    • BCG;
    • Hepatite B;
    • Pentavalente (Penta);
    • Poliomielite inativada;
    • Rotavírus;
    • Pneumocócica 10-valente (Pneumo 10);
    • Meningocócica C;
    • Febre amarela;
    • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
    • Tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela);
    • DTP (difteria, tétano e coqueluche);
    • Hepatite A;
    • Varicela;
    • Difteria e tétano adulto (dT);
    • Meningocócica ACWY;
    • HPV quadrivalente;
    • dTpa;
    • Covid-19;
    • Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23).

    Além da vacinação de rotina, o Ministério da Saúde coordena campanhas nacionais ao longo do ano, em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal.

    Atualmente, são realizadas três principais campanhas de vacinação:

    • Vacinação contra a Influenza, voltada especialmente para grupos prioritários;
    • Campanha de multivacinação, que busca atualizar a caderneta de vacinação digital de crianças e adolescentes menores de 15 anos;
    • Vacinação contra a COVID-19, que ocorre de forma contínua ao longo do ano.

    O calendário é estruturado para atender diferentes grupos da população, incluindo recém-nascidos e crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos.

    Existem contraindicações para a vacinação?

    Existem algumas contraindicações para a vacinação, mas elas são pouco frequentes. Na maioria dos casos, as vacinas podem ser aplicadas com segurança, desde que sejam seguidas as orientações do calendário vacinal e as recomendações dos profissionais de saúde.

    As principais contraindicações ocorrem em casos específicos, como:

    • Alergia grave (anafilaxia): pessoas que já tiveram uma reação alérgica grave após uma dose anterior da vacina ou a algum componente da fórmula, como gelatina, neomicina ou proteína do ovo, dependendo do tipo de vacina;
    • Imunossupressão severa: pessoas com o sistema imunológico muito enfraquecido, como pacientes em quimioterapia pesada, não devem receber vacinas feitas com vírus vivos ou bactérias atenuadas, como febre amarela, tríplice viral e BCG, pois existe o risco de a própria vacina causar a doença.

    Além disso, existem algumas contraindicações temporárias. Nesses casos, a vacinação não é cancelada, apenas adiada até que a situação esteja controlada:

    • Doenças agudas com febre: quando há febre moderada ou alta, o recomendado é aguardar a recuperação antes da vacinação;
    • Gestação: vacinas com vírus vivos costumam ser evitadas durante a gravidez, enquanto vacinas inativadas, como Influenza, Hepatite B e dTpa, são indicadas para proteger a gestante e o bebê.

    O que NÃO é contraindicação

    Muitas vezes, as pessoas deixam de se vacinar por motivos que não impedem a imunização, tais como:

    • Uso de antibióticos ou pomadas tópicas;
    • Resfriados leves ou coriza sem febre;
    • Histórico familiar de eventos adversos;
    • Alergias leves (que não causem anafilaxia);
    • Fase de amamentação (com raríssimas exceções, como a vacina da febre amarela em bebês muito pequenos).

    Antes de qualquer aplicação, os profissionais de saúde realizam uma triagem. É importante informar sobre o histórico de alergias e o uso de medicamentos contínuos.

    Como está a cobertura vacinal no Brasil?

    Após um período crítico entre 2016 e 2022, o Brasil voltou a registrar avanços na cobertura vacinal. De acordo com dados do Ministério da Saúde referentes ao primeiro semestre de 2025, houve aumento na cobertura de 15 das 16 principais vacinas do calendário nacional de imunização infantil.

    Isso é resultado especialmente da estratégia de vacinação nas escolas (implementada em cerca de 74% dos municípios brasileiros), que ajudou a aplicar mais de 1 milhão de doses em crianças e adolescentes ao longo de 2025.

    Mas, apesar dos números estarem subindo, muitas vacinas que precisam de múltiplas doses (como a da poliomielite) ainda estão abaixo da meta de 95%. Na prática, isso significa que a proteção coletiva ainda não está completa, o que aumenta o risco de doenças que já estavam controladas voltarem a circular, como o sarampo.

    Como se vacinar?

    Você pode se vacinar gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde em todo o país, basta procurar uma unidade de saúde e levar o cartão de vacinação.

    As UBS oferecem vacinas para todas as idades, acompanhando o calendário vacinal desde a infância até a vida adulta e a fase idosa, garantindo proteção ao longo de toda a vida.

    Importante: a ausência do cartão de vacinação não impede que você seja vacinado. No entanto, é importante informar ao profissional de saúde quais vacinas você lembra de ter tomado e, sempre que possível, procurar atualizar o cartão para facilitar o acompanhamento das doses futuras e manter o controle adequado da vacinação.

    Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

    Perguntas frequentes

    Vacinas podem causar efeitos colaterais?

    Sim, algumas vacinas podem causar reações leves e temporárias, como dor no local da aplicação, febre baixa ou mal-estar. Os efeitos costumam passar em poucos dias, e reações graves são muito raras. O risco das doenças é muito maior do que o das vacinas.

    O mercúrio contido nas vacinas faz mal à saúde?

    Não. Em algumas vacinas, um derivado do mercúrio foi utilizado como conservante em frascos com várias doses, com a função de impedir a contaminação por bactérias e fungos após a abertura do frasco. As quantidades usadas sempre foram muito pequenas e controladas.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde, esse tipo de mercúrio não se acumula no organismo e é eliminado rapidamente pelo corpo. Por isso, o uso foi considerado seguro, sem evidências de danos à saúde nas doses presentes nas vacinas.

    Uma vacina pode fazer o bebê ficar doente?

    Não, as vacinas não causam a doença que previnem. O que pode acontecer é o bebê ter reações leves, como febre ou irritação, que tendem a desaparecer em poucos dias.

    Tomar a mesma vacina duas vezes faz mal?

    Não! Se você não tem certeza sobre quais vacinas já foram tomadas ou quando a caderneta de vacinação foi perdida, o mais indicado é procurar uma unidade de saúde. No local, a equipe de vacinação avalia a situação e orienta sobre quais doses são necessárias.

    Quais são as doenças que as vacinas previnem?

    As vacinas ajudam a prevenir diversas doenças, como sarampo, poliomielite, rubéola, tétano, coqueluche, hepatites, meningites, febre amarela, varicela, gripe, covid-19, entre outras infecções graves.

    Vacinas enfraquecem o sistema imunológico?

    Não, as vacinas fortalecem o sistema imunológico, pois ensinam o corpo a se defender melhor contra vírus e bactérias.

    Vacinas causam autismo?

    Não, isso é um mito! Não existe comprovação científica que relacione vacinas ao autismo.

    É seguro tomar mais de uma vacina no mesmo dia?

    Sim, é seguro e recomendado tomar mais de uma vacina no mesmo dia, pois isso ajuda a manter a carteira de vacinação em dia.

    Leia mais: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Quando se fala em prevenção de doenças infecciosas, um dos conceitos mais citados é o de imunidade de rebanho. Apesar de amplamente divulgado, o termo ainda gera confusão e interpretações equivocadas, especialmente quando é associado à ideia de que a exposição natural ao vírus seria suficiente para proteger uma população inteira.

    Na prática, a imunidade de rebanho é um fenômeno coletivo, dependente de altos níveis de proteção e de estratégias organizadas de saúde pública. Entender como ela funciona ajuda a compreender por que manter o calendário de vacinas atualizado é uma ação com impacto direto na longevidade e na segurança de toda a comunidade.

    O que é imunidade de rebanho e como ela funciona

    A imunidade de rebanho, também chamada de imunidade coletiva, ocorre quando uma parcela suficientemente grande da população está protegida contra uma doença infecciosa. Essa proteção reduz a circulação do agente causador e dificulta a transmissão, fazendo com que o número de novos casos diminua ao longo do tempo.

    Na prática, isso significa que mesmo pessoas que não estão imunizadas diretamente acabam se beneficiando da proteção coletiva. Quando o vírus encontra menos indivíduos suscetíveis, ele tem dificuldade para se espalhar e formar cadeias de transmissão contínuas. Esse mecanismo é especialmente importante para proteger bebês, idosos e pessoas com condições de saúde que impedem a vacinação.

    A imunidade de rebanho não implica na eliminação total do vírus. O que acontece é a redução progressiva da circulação, a ponto de surtos se tornarem raros e controláveis. Para que isso aconteça, no entanto, a distribuição de pessoas imunizadas precisa ser ampla e homogênea, evitando bolsões de indivíduos desprotegidos.

    Por que a vacinação é a base da imunidade coletiva

    Embora a imunidade coletiva possa ser citada teoricamente como resultado de infecção natural, essa estratégia não é considerada segura nem aceitável do ponto de vista da saúde pública. A exposição deliberada de uma população a um agente infeccioso envolve riscos elevados de complicações, hospitalizações e mortes.

    A vacinação permite que o sistema imunológico seja preparado de forma controlada e segura, sem que a pessoa precise adoecer. Ao receber uma vacina, o organismo desenvolve uma resposta de defesa capaz de reconhecer o agente infeccioso e reagir rapidamente em um eventual contato futuro, reduzindo a chance de adoecimento grave.

    Além disso, a vacinação em larga escala cria uma barreira coletiva que protege quem não pode ser vacinado. Esse efeito é um dos pilares da imunidade de rebanho e explica por que campanhas nacionais de vacinação são fundamentais para a saúde da população como um todo.

    A importância da cobertura vacinal alta e contínua

    Para que a imunidade de rebanho seja alcançada e mantida, não basta vacinar parte da população uma única vez. É necessário garantir cobertura vacinal alta e sustentada ao longo do tempo, respeitando as faixas etárias e os reforços indicados no calendário de vacinas.

    Quando a cobertura vacinal cai, a proteção coletiva enfraquece. Isso cria condições para que doenças altamente transmissíveis voltem a circular, mesmo em locais onde estavam controladas. A história recente mostra que a redução da adesão às vacinas está associada ao reaparecimento de surtos evitáveis.

    A cobertura vacinal adequada depende de campanhas regulares, acesso facilitado aos serviços de saúde e informação clara sobre a importância das vacinas. Sem esses elementos, a imunidade de rebanho se torna frágil e temporária.

    Veja alguns pontos centrais sobre a relação entre vacinação e proteção coletiva:

    • Quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de o vírus encontrar pessoas suscetíveis e se espalhar
    • A imunidade de rebanho protege indiretamente indivíduos que não podem receber vacinas por motivos médicos

    Esses efeitos só se mantêm quando a vacinação é encarada como um compromisso contínuo, e não como uma ação pontual.

    Por que atualizar o calendário de vacinas ao longo da vida

    Muitas pessoas associam a vacinação apenas à infância, mas o calendário de vacinas acompanha todas as fases da vida. Com o passar do tempo, a proteção conferida por algumas vacinas pode diminuir, tornando necessários reforços para manter a resposta imunológica eficaz.

    Além disso, novos riscos surgem conforme a idade avança, o estilo de vida muda ou determinadas condições de saúde aparecem. Atualizar o calendário de vacinas é uma forma de adaptar a proteção imunológica às necessidades atuais de cada pessoa, contribuindo para a imunidade coletiva.

    Quando adultos e idosos deixam de atualizar suas vacinas, a imunidade de rebanho fica comprometida. Isso ocorre porque a proteção populacional depende do conjunto da comunidade, e não apenas das crianças. Manter as vacinas em dia é uma das estratégias mais eficazes para prevenir doenças e promover longevidade com qualidade de vida.

    Imunidade de rebanho, prevenção e longevidade

    A relação entre imunidade de rebanho e longevidade vai além da prevenção imediata de surtos. Ao reduzir a circulação de doenças infecciosas, a vacinação diminui internações, complicações crônicas e impactos de longo prazo na saúde das pessoas.

    Populações com alta cobertura vacinal tendem a apresentar menor sobrecarga nos sistemas de saúde e melhores indicadores de bem-estar. Isso permite que recursos sejam direcionados para outras áreas da prevenção e do cuidado, fortalecendo um ciclo positivo de saúde coletiva.

    Manter o calendário de vacinas atualizado é, portanto, uma estratégia de prevenção individual e coletiva. A imunidade de rebanho não é um estado permanente, mas um equilíbrio que precisa ser constantemente sustentado por decisões conscientes, políticas públicas eficazes e adesão da população.

    Confira: Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer

    Perguntas e respostas sobre imunidade de rebanho

    1. O que significa imunidade de rebanho?

    É quando uma grande parte da população está imune a uma doença, dificultando a transmissão e protegendo até quem não pode ser vacinado.

    2. A imunidade de rebanho elimina o vírus?

    Não necessariamente. Ela reduz a circulação, mas surtos podem voltar se a imunidade diminuir ou surgirem novas variantes.

    3. É possível atingir imunidade de rebanho sem vacinas?

    Não de forma segura. A exposição natural causa alto número de mortes e não garante proteção duradoura.

    4. Por que a vacinação é a forma mais segura de alcançar imunidade coletiva?

    Porque estimula o sistema imunológico de modo controlado e evita os riscos da infecção natural.

    5. Por que atualizar o calendário de vacinas é essencial?

    Porque a resposta imunológica pode diminuir com o tempo, exigindo reforços para manter a proteção coletiva.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

  • Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    Como as vacinas ajudam a proteger o coração? Cardiologista explica

    As vacinas são as principais ferramentas de prevenção contra infecções. Elas treinam o sistema imunológico para reconhecer e combater vírus e bactérias, protegendo o corpo contra doenças graves — inclusive complicações cardiovasculares.

    As infecções respiratórias, como a influenza, sobrecarregam o corpo e elevam significativamente o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Para se ter uma ideia, estudos mostram que, nas semanas seguintes a uma infecção viral, a chance de um ataque cardíaco pode ser até seis vezes maior, principalmente em adultos mais velhos.

    Isso acontece porque o vírus aumenta a viscosidade do sangue e provoca inflamação nas artérias, o que pode enfraquecer as placas de gordura acumuladas nas paredes dos vasos e favorecer a formação de coágulos. Quando esses coágulos bloqueiam a circulação, o resultado pode ser uma complicação grave, como infarto ou AVC. Vamos entender melhor, a seguir!

    Como as infecções respiratórias afetam o coração?

    As infecções respiratórias desencadeiam uma reação em cadeia no organismo que pode afetar de forma significativa o coração e os vasos sanguíneos — aumentando o risco de eventos cardíacos agudos. De acordo com a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, isso acontece por alguns mecanismos principais, como:

    • Inflamação sistêmica: a infecção viral provoca uma resposta inflamatória intensa em todo o corpo. A inflamação torna as placas de gordura (ateroscleróticas) nas artérias coronárias mais instáveis, elevando a probabilidade de rompimento;
    • Aumento da coagulação: o processo inflamatório também eleva a tendência do sangue a coagular. Com isso, podem se formar coágulos que bloqueiam completamente uma artéria (trombose), levando ao infarto;
    • Maior esforço cardíaco: a febre e a dificuldade para respirar aumentam a demanda de trabalho do coração, o que é perigoso em pessoas com doenças cardíacas prévias. A infecção pode causar taquicardia, elevação da pressão arterial e até agravar quadros de insuficiência cardíaca.

    O que a vacinação tem a ver com a saúde cardíaca?

    A vacinação contra a gripe é considerada uma das principais medidas de prevenção cardiovascular em pessoas com doenças do coração. Ao prevenir infecções respiratórias graves, a vacina reduz a inflamação no organismo e evita o pico inflamatório que pode desestabilizar as placas de gordura nas artérias.

    Além disso, “a vacinação demonstrou reduzir o risco de infarto, AVC e hospitalizações por insuficiência cardíaca e pneumonia em pacientes com cardiopatias. É, em essência, uma forma de proteger as artérias e o músculo cardíaco”, explica Edilza.

    Mesmo quando a pessoa vacinada contrai o vírus da gripe, a doença tende a ser mais leve e de curta duração, o que diminui o esforço do coração e contribui para uma recuperação mais rápida.

    Quem precisa ter atenção redobrada com a vacinação e o coração?

    Todos os pacientes com doenças cardíacas devem estar com o calendário vacinal em dia, mas alguns grupos merecem cuidado especial:

    • Pessoas com insuficiência cardíaca;
    • Pacientes que já tiveram infarto ou fizeram cirurgia cardíaca;
    • Indivíduos com doença arterial coronariana;
    • Pacientes com múltiplas comorbidades, como diabetes, hipertensão ou doença renal crônica.

    Além disso, idosos, gestantes e profissionais da saúde fazem parte dos grupos prioritários nas campanhas de vacinação.

    Além da gripe: quais vacinas ajudam a proteger o coração?

    Além da vacina da gripe, outros imunizantes também são importantes para proteger o sistema cardiovascular, como a vacina pneumocócica e a da covid-19.

    “A pneumonia é uma complicação grave da gripe e também pode levar ao infarto e à descompensação da insuficiência cardíaca. A vacinação reduz o risco de pneumonia e suas complicações cardiovasculares”, explica Edilza.

    Já a covid-19 pode causar inflamação sistêmica intensa, aumentando o risco de miocardite, trombose, infarto e AVC. A imunização reduz drasticamente a chance de quadros graves e complicações cardiovasculares.

    Cuidados antes e depois da vacinação

    Antes da vacinação

    • Em caso de febre alta ou infecção aguda, aguarde melhora;
    • Não interrompa medicamentos de uso contínuo;
    • Informe sempre ao profissional de saúde os tratamentos em uso.

    Depois da vacinação

    • Dor ou inchaço no local podem ocorrer por até dois dias;
    • Febre baixa e cansaço leve são comuns;
    • Reações intensas ou persistentes devem ser avaliadas pelo médico.

    Pacientes em tratamento oncológico também precisam se vacinar?

    A vacinação é recomendada e fundamental para pacientes em tratamento oncológico. “Embora o foco seja evitar infecções graves, a prevenção também protege o sistema cardiovascular ao reduzir inflamação e estresse no organismo”, afirma Edilza.

    Esses pacientes devem receber vacinas inativadas e seguir a orientação do oncologista quanto ao melhor momento para imunização.

    Leia também: Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Perguntas frequentes sobre vacinação e coração

    A vacinação contra a gripe é indicada apenas para quem tem problemas cardíacos?

    Não. Ela é recomendada para toda a população, mas é ainda mais importante para pessoas com doença cardiovascular.

    Como a gripe pode causar infarto ou AVC?

    A inflamação causada pela infecção pode romper placas de gordura nas artérias e formar coágulos que bloqueiam a circulação.

    Pacientes com marcapasso ou stents podem tomar vacinas?

    Sim. A vacinação é segura e fortemente indicada nesses casos.

    Quem já teve infarto precisa se vacinar todo ano?

    Sim. A vacinação anual ajuda a reduzir o risco de novas complicações.

    É perigoso tomar várias vacinas no mesmo período?

    Não. O organismo está preparado para responder a múltiplas vacinas.

    O que fazer se eu tiver reação após a vacina?

    Reações leves são comuns. Caso os sintomas sejam intensos ou persistentes, procure orientação médica.

    Confira: Suspeita de infarto: conheça os erros que colocam vidas em risco e saiba como agir

  • Vacinação na gestação: o que grávidas podem (e não podem) tomar

    Vacinação na gestação: o que grávidas podem (e não podem) tomar

    A vacinação na gestação voltou a ganhar destaque entre médicos e autoridades de saúde, especialmente diante do aumento de casos de doenças respiratórias e infecciosas que podem trazer riscos para grávidas e bebês. Manter o calendário vacinal atualizado é uma das formas mais eficazes de reduzir complicações na gestação e garantir um início de vida mais protegido para o recém-nascido.

    Isso porque, ao se vacinar, a gestante não só fortalece o próprio sistema imunológico, que naturalmente fica mais vulnerável durante a gravidez, como também transfere anticorpos para o bebê ainda dentro do útero. Assim, o recém-nascido recebe uma proteção fundamental nos primeiros meses de vida, antes que ele possa tomar suas próprias vacinas.

    Por que é importante a vacinação durante a gestação?

    Vacinar-se na gravidez é seguro, eficaz e recomendado. A imunização protege tanto a mãe quanto o bebê, garantindo defesa contra infecções que podem causar complicações graves.

    Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças hormonais e imunológicas. Isso pode deixá-la mais vulnerável a infecções. Já o bebê depende da proteção materna até que seu sistema imunológico amadureça.

    Ao ser vacinada, a gestante produz anticorpos que atravessam a placenta e protegem o bebê dentro do útero e após o nascimento.

    Porém, nem todas as vacinas podem ser aplicadas nesse período, e por isso a orientação profissional é essencial.

    Vacinas recomendadas durante a gestação

    As vacinas abaixo são indicadas pelo SUS e são consideradas seguras para grávidas.

    Vacina contra a gripe (influenza)

    • Indicada em qualquer fase da gestação;
    • Grávidas não vacinadas têm maior risco de evoluir para formas graves da doença;

    Vacina dTpa (tríplice acelular adulto)

    • Protege contra difteria, tétano e coqueluche.
    • Essencial para prevenir coqueluche em recém-nascidos;
    • Para quem já recebeu dT anteriormente: 1 dose a partir da 20ª semana;
    • Para não vacinadas: esquema com 3 doses (dT + dTpa + dT);
    • Se não aplicada na gestação, recomenda-se no puerpério.

    Vacina contra hepatite B

    • Indicada para gestantes não vacinadas.
    • Esquema de 3 doses (0, 1 e 6 meses).
    • Pode ser completada mesmo se interrompida anteriormente.

    Vacina contra covid-19

    Recomendada em qualquer idade gestacional ou puerpério.

    Outras vacinas em situações especiais

    A critério médico, podem ser recomendadas em casos de risco:

    • Febre amarela: apenas para quem vive ou viajará para áreas endêmicas;
    • Meningococo: utilizada em bloqueio de surtos;
    • Pneumococo: indicada para gestantes de alto risco;
    • Raiva: profilaxia pós-exposição é permitida;
    • Poliomielite inativada: para não vacinadas que viajarão a áreas endêmicas.

    Vacinas contraindicadas durante a gestação

    Vacinas com vírus vivos atenuados não devem ser aplicadas, por risco teórico de transmitir a doença ao bebê.

    Contraindicadas

    • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
    • Varicela (catapora);
    • HPV;
    • BCG (tuberculose);
    • Dengue.

    Se aplicadas antes de descobrir a gravidez, geralmente basta acompanhamento médico, não há necessidade de medidas adicionais.

    Mulheres que desejam engravidar devem aguardar 1 mês após a aplicação dessas vacinas.

    Vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR)

    Recém aprovada no Brasil (2024), protege contra bronquiolite no primeiro ano de vida. A aplicação durante a gestação tem como objetivo repassar anticorpos maternos ao bebê, o que reduz o risco de internação.

    Cuidados e orientações para gestantes

    Antes da gravidez

    • Atualizar o cartão de vacinas;
    • Evitar engravidar no primeiro mês após vacinas de vírus vivos.

    Durante o pré-natal

    • Revisar o histórico vacinal;
    • Receber orientações sobre vacinas indicadas e contraindicadas;
    • Seguir o calendário recomendado.

    Vacinar-se na gestação é uma forma simples e gratuita de proteger duas vidas ao mesmo tempo.

    Veja mais: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda

    Perguntas frequentes sobre vacinação na gravidez

    1. É seguro tomar vacinas na gravidez?

    Sim. As vacinas recomendadas são seguras para mãe e bebê.

    2. O bebê realmente recebe anticorpos da mãe?

    Sim. Os anticorpos atravessam a placenta e protegem o recém-nascido nos primeiros meses.

    3. Posso tomar vacina contra gripe no primeiro trimestre?

    Sim. A influenza é indicada em qualquer fase da gestação.

    4. Tomei uma vacina contraindicada sem saber que estava grávida. E agora?

    Geralmente não é necessário fazer nada além do acompanhamento médico.

    5. A vacina dTpa é obrigatória?

    É fortemente recomendada para proteger o bebê da coqueluche.

    6. Posso tomar vacina de covid-19 grávida?

    Sim, a vacina de covid-19 é indicada em qualquer fase da gestação.

    7. Quais vacinas não posso tomar grávida?

    Contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela, HPV, dengue e BCG, que são vacinas de vírus vivos atenuados.

    Leia também: Toxoplasmose: entenda a importância de evitar a doença na gestação