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  • Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave 

    Tétano ainda existe: por que ferimentos simples podem virar um risco grave 

    Mesmo com vacina disponível gratuitamente no Brasil, o tétano ainda é uma doença que existe, é grave e associada a ferimentos aparentemente simples, como cortes, perfurações e lesões contaminadas. A infecção não é transmitida de pessoa para pessoa, mas pode evoluir rapidamente para quadros graves quando a imunização não está em dia.

    A redução dos casos observada nas últimas décadas está diretamente ligada à ampliação da cobertura vacinal e à aplicação de doses de reforço ao longo da vida. Ainda assim, pessoas com esquema vacinal incompleto continuam sob risco, especialmente após ferimentos contaminados, reforçando a importância da prevenção e do atendimento médico precoce.

    O que é o tétano?

    O tétano é uma infecção grave do sistema nervoso causada pela toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani. Trata-se de uma doença não contagiosa, que pode acometer pessoas de qualquer idade e apresenta alta letalidade quando não tratada adequadamente.

    Agente e fisiopatologia

    A bactéria Clostridium tetani é formadora de esporos e está presente no solo, em poeira, material orgânico, entulhos e superfícies metálicas. Após entrar no organismo por uma ferida, a bactéria pode produzir a toxina tetânica (tetanospasmina).

    Essa toxina atua no sistema nervoso ao bloquear neurotransmissores responsáveis pelo relaxamento muscular. Como consequência, surgem rigidez intensa e espasmos musculares dolorosos, que caracterizam o quadro clínico do tétano.

    Como se adquire o tétano?

    A infecção ocorre quando os esporos da bactéria entram no organismo por meio de feridas na pele, como:

    • Cortes e lacerações;
    • Perfurações por pregos, arames ou farpas;
    • Queimaduras;
    • Feridas com tecido desvitalizado;
    • Picadas ou lesões contaminadas.

    É importante esclarecer que a ferrugem, por si só, não causa tétano — ela apenas pode estar associada a ambientes onde os esporos estão presentes.

    Fatores que aumentam o risco

    • Vacinação incompleta ou falta de reforços vacinais;
    • Extremos de idade, ou seja, crianças e idosos;
    • Imunossupressão;
    • Diabetes;
    • Uso de drogas injetáveis.

    Sintomas do tétano

    O período de incubação costuma variar de 5 a 15 dias. Quanto menor esse intervalo, maior tende a ser a gravidade da doença.

    Formas clínicas

    Tétano localizado

    Contratura muscular próxima ao local da ferida. Pode evoluir para formas mais graves.

    Tétano cefálico

    Relacionado a ferimentos na cabeça ou pescoço, com comprometimento de nervos cranianos, causando dificuldade para engolir, trismo e paralisia facial.

    Tétano generalizado (forma mais comum e grave)

    Caracteriza-se por:

    • Trismo (mandíbula travada);
    • Rigidez do pescoço;
    • Espasmos faciais (“risus sardonicus”);
    • Rigidez abdominal e torácica;
    • Espasmos intensos e dolorosos, que podem causar fraturas;
    • Insuficiência respiratória.

    Sem tratamento adequado, essa forma pode evoluir rapidamente para óbito.

    O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas, sem necessidade de exames laboratoriais específicos para confirmação.

    Rastreio e diagnóstico

    A avaliação inclui:

    • Verificação do histórico vacinal;
    • Análise do tipo e do tempo do ferimento;
    • Exame físico focado em rigidez muscular e espasmos;
    • Monitoramento respiratório e hemodinâmico.

    Exames complementares podem ser solicitados conforme a gravidade do quadro, com foco no suporte clínico.

    Tratamento do tétano

    Medidas iniciais e cuidados locais

    • Limpeza rigorosa da ferida com água e sabão;
    • Retirada de tecido desvitalizado (desbridamento), quando indicado;
    • Busca imediata por atendimento médico diante de suspeita.

    Tratamento hospitalar

    • Neutralização da toxina: administração de soro antitetânico (imunoglobulina específica);
    • Controle da infecção: antibioticoterapia, como metronidazol, e cirurgia quando necessária;
    • Suporte clínico: controle da dor e dos espasmos, proteção das vias aéreas e monitoramento em UTI nos casos graves;
    • Vacinação: iniciar ou completar o esquema vacinal mesmo durante o tratamento, para garantir imunidade futura.

    Prevenção do tétano

    A principal forma de prevenção é a vacinação antitetânica.

    • Na infância: esquema com vacina pentavalente (2, 4 e 6 meses) e reforços aos 15 meses e 4 anos;
    • Em adultos: reforço com vacina dT a cada 10 anos;
    • Em ferimentos contaminados: reforço se a última dose tiver sido há mais de 5 anos;
    • Em feridas sujas com esquema incompleto: considerar soro antitetânico conforme protocolo.

    A vacina é disponibilizada gratuitamente pelo SUS nas Unidades Básicas de Saúde.

    O tétano é uma doença grave, potencialmente fatal, mas totalmente prevenível. A manutenção da vacinação ao longo da vida, a realização dos reforços e o cuidado adequado com feridas são muito importantes para evitar novos casos. Diante de qualquer lesão com risco de contaminação, a orientação é limpar a ferida e procurar um serviço de saúde para avaliação imediata.

    Confira: Imunidade de rebanho: o que é e por que é importante atualizar o calendário de vacinas

    Perguntas frequentes sobre tétano

    1. O tétano é uma doença contagiosa?

    Não. O tétano não é transmitido de pessoa para pessoa; a infecção ocorre apenas por meio de ferimentos contaminados.

    2. Ferrugem causa tétano?

    Não. A ferrugem não causa a doença; o risco depende da presença da bactéria no ambiente e da falta de vacinação adequada.

    3. Quem já teve tétano fica imune?

    Não. A infecção não garante imunidade. A vacinação continua sendo necessária mesmo após a doença.

    4. A vacina antitetânica precisa de reforço?

    Sim. Em adultos, o reforço é recomendado a cada 10 anos.

    5. Todo ferimento precisa de soro antitetânico?

    Não. O uso do soro depende do tipo de ferimento e do histórico vacinal da pessoa.

    Veja também: Hepatite B: o que é, como pega e como se proteger

  • Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

    Nos últimos anos, pesquisas em universidades e centros científicos ao redor do mundo têm mostrado resultados animadores no desenvolvimento de vacina contra câncer. Diferente das vacinas convencionais, que atuam prevenindo infecções ao expor o corpo a fragmentos ou versões enfraquecidas de vírus e bactérias, essas novas terapias são criadas para tratar tumores já existentes ou evitar que a doença volte — usando as próprias células do paciente para ativar o sistema imunológico e fazer com que ele reconheça e combata o câncer.

    O oncologista Thiago Chadid explica que o processo é bastante complexo: o sangue do paciente é coletado, as células tumorais são isoladas e os cientistas identificam nelas marcadores genéticos específicos. A partir disso, é criado um vetor viral (um vírus modificado em laboratório) que carrega essa informação genética.

    O vírus é injetado em células do próprio paciente, modificando o DNA delas para que o sistema imunológico aprenda a reconhecer e combater o tumor. Depois, essas células modificadas são reintroduzidas no corpo — e é isso que chamamos de vacina personalizada.

    Como uma vacina funciona normalmente?

    As vacinas tradicionais funcionam apresentando ao corpo uma amostra inofensiva do agente causador da doença (seja um fragmento de vírus, bactéria ou proteína), estimulando o sistema imunológico a produzir uma resposta de defesa. Ele cria uma memória imunológica — de modo que o corpo aprende a reconhecer o invasor e reage rapidamente se ele aparecer de novo.

    No caso da vacina contra câncer, a ideia é semelhante, mas em vez de vírus ou bactérias, ela ensina o corpo a atacar células tumorais. O imunizante pode conter neoantígenos, moléculas específicas que aparecem nas células cancerígenas, mas não nas saudáveis. Assim, o sistema imune aprende a identificá-las como ameaças e a destruí-las.

    A seguir, veja algumas das vacinas que estão em desenvolvimento e sendo testadas em estudos clínicos e experimentais.

    Vacina universal do câncer

    Um dos avanços recentes mais notáveis decorre do conceito de uma vacina universal contra o câncer. Em 2024, pesquisadores publicaram na revista Nature Biomedical Engineering um estudo mostrando uma vacina experimental baseada em RNA mensageiro (mRNA) que, quando combinada com imunoterapia, eliminou tumores resistentes em ratos.

    A proposta, no geral, é criar um imunizante que funcione contra diferentes tipos de tumores, usando o mesmo princípio das vacinas de Covid-19. O mRNA carrega instruções genéticas que fazem as células do corpo produzirem proteínas que simulam o comportamento do tumor. Isso desperta o sistema imunológico, que aprende a reconhecer e atacar essas proteínas anormais.

    Nos testes, a vacina aumentou a eficácia da imunoterapia e conseguiu eliminar completamente tumores que até então não respondiam a tratamentos convencionais. Apesar de ainda estar em fase experimental, a pesquisa abre caminho para uma geração de vacinas que podem tratar múltiplos tipos de câncer com um único mecanismo molecular.

    Vacina bacteriana para câncer colorretal avançado e melanoma

    Cientistas da Universidade Columbia criaram uma vacina composta por bactérias probióticas geneticamente modificadas que educam o sistema imunológico a destruir células cancerígenas.

    Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as bactérias foram programadas para produzir neoantígenos tumorais, fazendo com que o sistema imune ataque as células com essas proteínas — e poupe as células normais. Em modelos de ratos com câncer colorretal avançado e melanoma, a vacina eliminou o crescimento dos tumores e impediu metástases, mantendo as áreas saudáveis intactas.

    O mais interessante é que a vacina usa o comportamento natural das bactérias, que migram e se instalam dentro dos tumores, onde há menos oxigênio. Isso permite uma resposta imunológica direta no coração do tumor.

    De acordo com o pesquisador Nicholas Arpaia, da Columbia, a terapia foi projetada para ser segura e personalizada: as bactérias são rapidamente eliminadas se não encontrarem o tumor, reduzindo o risco de efeitos adversos. Agora, o próximo passo será testar a técnica em humanos.

    Vacina contra o câncer de pele

    Chamada de mRNA-4157 (V940), a vacina contra o câncer de pele está sendo desenvolvida pela Moderna em parceria com a MSD (Merck). O imunizante, feito com a tecnologia de RNA mensageiro, está sendo testado em pacientes com melanoma avançado.

    Nos estudos de fase 2, a vacina combinada com o medicamento Keytruda (pembrolizumabe), uma imunoterapia amplamente usada, reduziu em 44% o risco de recidiva ou morte em comparação com o tratamento isolado.

    Cada dose é feita sob medida, com base nas mutações específicas encontradas no tumor do paciente. Ela induz o corpo a reconhecer essas mutações e a eliminar células que as contenham.

    Vacina contra o câncer de pâncreas

    O Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK) está testando uma vacina de mRNA para tratar o câncer de pâncreas. O imunizante é feito de forma personalizada, com base nas características de cada paciente — e tem como objetivo reduzir o risco de o câncer voltar após a cirurgia para remover o tumor.

    Os resultados do ensaio clínico de fase 1, publicados na revista Nature, indicam que a vacina terapêutica contra o câncer foi capaz de ativar células imunológicas específicas do tumor, que permaneceram ativas no organismo por quase quatro anos em alguns pacientes.

    Além disso, aqueles que apresentaram resposta imune à vacina tiveram menor risco de recidiva após três anos de acompanhamento, em comparação com os que não responderam ao tratamento. Se comprovada, a abordagem pode aumentar significativamente a sobrevida de pacientes com câncer pancreático em estágios iniciais.

    Vacina contra o câncer de cabeça e pescoço

    Outro estudo liderado pelo MSK está testando uma vacina terapêutica para cânceres de cabeça e pescoço causados pelo HPV. Os tumores se originam de uma infecção viral, o que torna a vacina especialmente estratégica.

    O imunizante é baseado em proteínas virais expressas nas células infectadas que se tornam cancerígenas. A ideia é ensinar o sistema imune a reconhecer essas proteínas e eliminá-las, destruindo as células doentes.

    No futuro, essa vacina do câncer pode complementar o papel preventivo da vacina contra HPV, agindo como uma forma de tratamento para quem já desenvolveu o câncer. Os ensaios clínicos iniciais mostram respostas imunes positivas e segurança adequada, o que reforça o potencial da abordagem.

    Vacina personalizada contra câncer de intestino

    Em junho de 2024, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) iniciou os primeiros testes com vacinas personalizadas contra o câncer de intestino, também utilizando a tecnologia do mRNA.

    O processo começa com a análise genética do tumor de cada paciente. A partir daí, os cientistas identificam mutações exclusivas e criam uma vacina sob medida. Cada imunizante é único, fabricado de acordo com o “perfil genético” do câncer daquela pessoa.

    O primeiro paciente a receber a vacina foi Elliot Pfebve, de 55 anos, em um hospital na cidade de Birmingham. A expectativa é que a tecnologia reduza as chances de o câncer voltar após cirurgia ou tratamento convencional.

    Vacina contra o câncer renal

    Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, ligado à Harvard Medical School, divulgaram resultados iniciais de uma vacina personalizada para câncer renal em estágio III e IV.

    O estudo, publicado na Nature, incluiu nove pacientes com carcinoma renal de células claras, todos com alto risco de recorrência. A vacina foi administrada após cirurgia, com o objetivo de eliminar células tumorais remanescentes.

    Todos os pacientes permaneceram sem sinais de câncer por mais de 40 meses após o tratamento. A vacina foi feita com base em neoantígenos extraídos do próprio tumor, permitindo que o sistema imunológico reconhecesse e destruísse células com a mesma assinatura genética.

    Terapias combinadas contra o câncer

    Nos últimos anos, pesquisadores têm avançado não apenas na criação de novas vacinas terapêuticas contra o câncer, mas também na forma de potencializá-las por meio de terapias combinadas.

    Uma vacina sozinha pode não ser suficiente para conter o crescimento tumoral, especialmente em casos de câncer avançado. À medida que os tumores se desenvolvem, eles passam a produzir moléculas que inibem ativamente o sistema imunológico, bloqueando a ação das células de defesa.

    Por isso, cientistas têm apostado em combinar vacinas com imunoterapias, como os inibidores de ponto de controle imunológico — medicamentos que “liberam os freios” do sistema de defesa. Remédios como o Keytruda (pembrolizumabe) atuam impedindo que as células tumorais se escondam, permitindo que o sistema imunológico as ataque com mais força.

    Os avanços em sequenciamento genético também estão ajudando a identificar neoantígenos, proteínas anormais criadas pelas mutações das células cancerígenas. Esses alvos específicos permitem desenvolver vacinas mais precisas, capazes de estimular o sistema imune de forma direcionada e duradoura.

    Com essa combinação, o tratamento se torna mais inteligente: o corpo aprende a reconhecer, atacar e lembrar do tumor — reduzindo as chances de recidiva.

    O que esperar para os próximos anos?

    Apesar da maioria dos estudos ainda estar em fases iniciais, os resultados têm sido consistentes, seguros e cheios de potencial.

    Os próximos passos envolvem ampliar os testes clínicos em humanos e avaliar a combinação das vacinas com tecnologias de RNA mensageiro junto a tratamentos já consolidados, como a imunoterapia. A proposta é unir diferentes estratégias para aumentar a eficácia e reduzir as chances de o câncer voltar.

    Por enquanto, o oncologista Thiago Chadid explica que essa tecnologia apresenta melhores resultados em cânceres hematológicos. Nos tumores sólidos, o desafio é maior porque o tumor cria uma espécie de barreira protetora, chamada estroma, que dificulta o acesso da vacina.

    As pesquisas atuais buscam entender como romper esse “escudo”, permitindo que o tratamento atinja diretamente as células tumorais.

    Confira: Metástase: o que é, sintomas, como surge e se tem cura

    Perguntas frequentes

    O que são vacinas terapêuticas contra o câncer?

    As vacinas terapêuticas são imunizantes desenvolvidos não para prevenir o câncer, mas para tratar pacientes que já têm a doença. Elas estimulam o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células tumorais, identificando-as por meio de proteínas específicas chamadas neoantígenos — presentes apenas nas células cancerígenas. Assim, o corpo aprende a reconhecer o tumor e pode impedir que ele cresça ou volte a aparecer.

    Qual é a diferença entre vacinas preventivas e vacinas terapêuticas?

    As vacinas preventivas evitam o surgimento de um câncer causado por um agente infeccioso, como o HPV (responsável pelo câncer de colo de útero) e a hepatite B (que pode causar câncer de fígado). Já as vacinas terapêuticas são usadas em pacientes que já têm a doença, com o objetivo de ativar o sistema imune para combater o tumor ou reduzir as chances de ele retornar após o tratamento.

    O que é imunoterapia?

    A imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a combater o câncer. Diferente da quimioterapia, que ataca diretamente as células tumorais, a imunoterapia fortalece as defesas naturais do corpo, permitindo que ele mesmo destrua as células doentes.

    Há diferentes categorias de imunoterápicos, entre elas os inibidores de ponto de verificação imunológico, que removem os mecanismos de bloqueio do sistema imunológico, permitindo uma resposta mais intensa contra as células tumorais.

    As vacinas contra o câncer podem substituir a quimioterapia ou a radioterapia?

    Não. As vacinas terapêuticas não substituem os tratamentos convencionais, mas podem complementá-los. A ideia é que sejam usadas em conjunto com terapias já estabelecidas, como imunoterapia, quimioterapia ou cirurgia, para aumentar a eficácia e reduzir o risco de recidiva.

    Apesar de ainda estarem em fase de testes para o tratamento de tumores, as vacinas personalizadas têm potencial para proporcionar uma abordagem mais precisa e eficaz, com menor risco de efeitos colaterais em comparação aos tratamentos convencionais.

    Vacinas contra o câncer podem ser usadas para prevenir a doença?

    Algumas, sim. As vacinas preventivas já são realidade e têm um papel importante na redução de certos tipos de câncer, como é o caso da vacina contra o HPV, que previne cânceres de colo do útero, ânus, garganta e pênis, e da vacina contra hepatite B, que ajuda a evitar o câncer de fígado.

    Já as vacinas terapêuticas ainda estão sendo estudadas e visam tratar o câncer já existente, não preveni-lo.

    Leia mais: Câncer: quais os principais fatores de risco?

  • Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer 

    Calendário de vacinas para adultos: quais doses você não pode esquecer 

    Quando se fala em vacinação, muita gente ainda pensa só em criança. Mas a verdade é que o calendário vacinal não termina na infância. Mesmo depois dos 18 anos, existem vacinas muito importantes para manter a saúde em dia e se proteger contra doenças sérias que podem dar muita preocupação.

    Além das anuais, como aquela contra a gripe, por exemplo, algumas vacinas para adultos precisam estar atualizadas.

    Quais vacinas todo adulto deve manter em dia?

    Segundo a infectologista Clara Buscarini, as vacinas essenciais para adultos no Brasil são:

    • DT (difteria e tétano);
    • Hepatite B;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • HPV;
    • Tríplice viral (SCR);
    • Febre amarela (para áreas de risco).

    “A vacinação contra difteria e tétano (dupla adulto, dT) é indicada para todos os adultos, com reforço a cada 10 anos. Já a hepatite B deve ser feita em três doses, caso o adulto nunca tenha se vacinado”, diz a médica. Por isso, é bom checar a carteirinha de vacinação de tempos em tempos.

    Outras vacinas também entram na lista em situações específicas. “A vacinação contra coqueluche é recomendada principalmente para gestantes, não sendo universal para todos os adultos”, explica.

    E no caso da vacina contra influenza (gripe), a recomendação é que grupos prioritários a tomem anualmente. “Isso inclui gestantes, puérperas, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades. Ela fica disponível em campanhas ampliadas ou no sistema privado”, explica a especialista.

    No caso da vacina contra covid-19, o ideal é o reforço anual. “Desde 2021, a vacinação contra o SARS-CoV-2 tornou-se recomendação universal para adultos, com diferentes plataformas vacinais e reforços periódicos (geralmente anuais)”, diz a infectologista.

    E os idosos, precisam de alguma dose de vacina a mais?

    Sim. A infectologista destaca que, para pessoas acima dos 60 anos, a vacina pneumocócica (PPV23) é indicada para ajudar a proteger contra pneumonias graves.

    É importante saber que no serviço privado já estão disponíveis vacinas que não fazem parte do calendário do SUS ou não fazem parte para todos os grupos da população, mas podem ser recomendadas em casos específicos, como a da dengue e a do herpes zoster.

    Vacinas são iguais para homens e mulheres?

    Sim. “Não há esquemas vacinais distintos para homens e mulheres, exceto no contexto de gestantes”, explica a médica.

    Isso significa que, de modo geral, homens e mulheres seguem o mesmo calendário, mas as gestantes precisam receber orientações especiais para proteger também o bebê.

    Por que alguns adultos precisam repetir vacinas que já tomaram?

    Muita gente acredita que estar vacinado na infância é garantia de proteção para a vida toda. Mas não é bem assim.

    “A imunidade conferida por algumas vacinas pode diminuir ao longo do tempo. Além disso, mudanças nos calendários vacinais ao longo das décadas podem deixar lacunas de proteção em adultos”, explica a infectologista.

    Ela dá um exemplo importante: “Indivíduos vacinados contra sarampo entre 1963 e 1989 podem ter recebido vacinas menos eficazes ou esquemas incompletos. Por isso, em grupos de risco, como profissionais de saúde e viajantes internacionais, é recomendada a revacinação”.

    Outra situação mais específica é quando acontece um transplante de medula óssea. “A imunossupressão induzida pelo transplante exige a revacinação completa de adultos, independentemente do histórico vacinal, pois a imunidade adquirida anteriormente pode ser perdida após o procedimento”, detalha a médica.

    Vacinas para adultos quem têm doenças crônicas

    Pessoas que têm determinadas doenças crônicas precisam de uma atenção ainda mais especial para a vacinação, e a recomendação depende da condição clínica.

    “Pessoas com pressão alta e com diabetes devem seguir o calendário já mencionado. Mas pacientes com hepatopatias graves, por exemplo, precisam se vacinar também contra meningite C (ACWY preferencialmente) e meningite B”, orienta.

    Ou seja, nesses casos a avaliação deve ser individualizada pelo médico.

    É seguro tomar várias vacinas no mesmo dia?

    Muita gente tem receio, mas a resposta é sim, é seguro.

    “A administração de várias vacinas no mesmo dia é segura, não compromete a eficácia imunológica e é recomendada para garantir proteção oportuna contra doenças preveníveis”, diz a infectologista Clara Buscarini.

    A única exceção são as vacinas vivas atenuadas (como tríplice viral e febre amarela, por exemplo). “Se não forem aplicadas no mesmo dia, precisam ter um intervalo de pelo menos 28 dias entre elas para evitar interferência na resposta imunológica”, diz a especialista.

    O risco de não completar o calendário vacinal

    Segundo a médica, deixar vacinas de lado pode trazer várias consequências sérias:

    • Maior risco de ficar doente e ter complicações graves, especialmente no caso de pessoas com saúde mais vulnerável, como idosos e quem tem outras doenças;
    • Diminuição da proteção coletiva, também conhecida como imunidade de rebanho. Isso aumenta a chance de doenças já erradicadas ou controladas voltarem (como sarampo, rubéola e poliomielite), e coloca em risco quem não está vacinado ainda ou pessoas imunossuprimidas;
    • Transmissão para pessoas vulneráveis, como bebês, crianças, idosos e pessoas com problemas de imunidade;
    • Impacto no sistema de saúde: o tratamento de doenças preveníveis com vacina onera o sistema de saúde, aumenta o custo e sobrecarrega o sistema.

    “A manutenção de um esquema vacinal completo ao longo da vida adulta é muito importante para prevenir doenças imunopreveníveis e suas complicações”, reforça a infectologista.

    Perguntas frequentes sobre vacinação em adultos

    1. Adultos precisam vacinar todos os anos?

    Sim. Especialmente contra influenza e covid-19, que têm reforços anuais. Mas é importante ficar de olho no calendário vacinal para eventuais reforços de outras vacinas, como a de tétano, por exemplo.

    2. Qual vacina é obrigatória para viajar?

    A vacina contra febre amarela é exigida em viagens para áreas de risco ou países que solicitam o certificado internacional.

    3. Vacina contra HPV é só para adolescentes?

    Não. “Adultos com 20 anos ou mais, não vacinados anteriormente, podem receber três doses da HPV9”, lembra a médica.

    4. Posso tomar vacinas mesmo gripado?

    Depende. Quadros leves não contraindicam, mas em caso de febre alta é melhor adiar.

    5. Se eu perder uma dose, preciso reiniciar a vacinação?

    Não. O esquema pode ser retomado de onde parou, sem necessidade de começar tudo de novo.

    Leia também: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde