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  • Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças? 

    Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças? 

    A recomendação oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde é de zero telas para crianças de até 2 anos, mas você sabe por que a orientação é tão rigorosa? Nos primeiros anos de vida, o cérebro do bebê está em pleno desenvolvimento e depende diretamente das interações com o mundo real para formar novas conexões neuronais.

    O cérebro da criança pequena não consegue processar as informações da tela da mesma forma que as interações reais, como o toque, o contato visual, o som da voz dos pais e a exploração do ambiente.

    Como consequência, o uso precoce e prolongado do celular, tablet e televisão está diretamente ligado a atrasos na fala, distúrbios do sono e dificuldades de socialização.

    “Quando a gente vai comparar um bebê fazendo a mesma atividade com uma interação ao vivo e fazendo uma interação por meio de um vídeo, o resultado não é idêntico. O desenvolvimento do bebê que realizou a interação ao vivo foi muito superior”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Como o excesso de telas afeta o cérebro infantil?

    Nos primeiros dois anos de vida, a criança está numa fase de desenvolvimento sensório-motor, de acordo com Bárbara. Ela aprende por meio de sentidos, movimentos e experiências reais, como brincar, conversar, explorar o ambiente, mexer em objetos e interagir com outras pessoas.

    Quando a criança passa muito tempo em frente às telas, parte das experiências é substituída por estímulos digitais, o que pode impactar áreas importantes do neurodesenvolvimento, como:

    1. Desenvolvimento da linguagem

    O aprendizado da fala acontece principalmente por meio da interação com outras pessoas e, durante as conversas, o bebê observa as expressões faciais, escuta diferentes tons de voz, responde aos estímulos e aprende a se comunicar.

    Como a tela é uma comunicação de via única, em que a maior parte do conteúdo é consumida de forma passiva, o excesso pode estar associado a atrasos na linguagem e a dificuldades de comunicação.

    2. Atenção e capacidade de concentração

    Os vídeos e jogos infantis atuais mudam de cena em poucos segundos e entregam cores e sons intensos de forma muito rápida, o que libera uma quantidade artificialmente alta de dopamina, o neurotransmissor do prazer.

    O cérebro da criança se acostuma com o ritmo acelerado, então ela pode recusar atividades naturais mais lentas, como ler um livro, desenhar ou prestar atenção na escola. O resultado é a redução do tempo de concentração e o aumento da impulsividade.

    3. Regulação das emoções

    O córtex pré-frontal, region do cérebro responsável pelo controle dos impulsos, pela tomada de decisões e pela regulação emocional, continua se desenvolvendo ao longo da infância. Ela amadurece gradualmente por meio das experiências do dia a dia, das pequenas frustrações e das brincadeiras.

    Como as telas oferecem distração imediata para momentos de tédio, incômodo ou choro, o uso frequente dos dispositivos para acalmar a criança pode reduzir as oportunidades de ela aprender a lidar com as próprias emoções.

    Principais sinais de que a tela está prejudicando a criança

    Quando o uso de telas ultrapassa os limites recomendados para cada faixa etária, a criança pode começar a apresentar sinais de que o excesso de estímulos está interferindo no desenvolvimento e na rotina diária, como:

    • Atraso para começar a falar ou tem dificuldade para formular frases simples para a idade;
    • Irritação extrema, choro ou agressividade quando o aparelho é retirado;
    • Perda de interesse por brinquedos físicos, desenhos ou interações com a família;
    • Dificuldade visível para manter a concentração em uma conversa ou atividade escolar;
    • O sono se torna agitado, com resistência para dormir ou despertares frequentes durante a noite;
    • Crises frequentes de ansiedade ou tédio quando o dispositivo não está disponível;
    • Apatia ou falta de reação aos estímulos e chamados dos pais enquanto usa a tela.

    Os impactos variam de acordo com a idade, o tempo de exposição e o tipo de conteúdo consumido, mas alguns sinais costumam ser mais frequentes e precisam de atenção dos pais e cuidadores.

    Tempo de tela recomendado por idade

    O tempo de tela ideal varia de acordo com a fase de desenvolvimento, segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde:

    • Até os dois anos: zero, nenhum contato com telas, inclusive de forma passiva, como TV ligada ao fundo;
    • 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto e conteúdo educativo;
    • 6 a 10 anos: no máximo 1 a 2 horas por dia, limitando o acesso a jogos e vídeos adequados à idade;
    • 11 a 18 anos: no máximo 2 a 3 horas por dia, evitando o isolamento no quarto e o uso durante a madrugada.

    Para prevenir problemas associados ao sono da criança, é importante desligar celulares, tablets, computadores e televisões entre uma e duas horas antes do horário de sono, já que a luz emitida pelos dispositivos pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono.

    Durante as refeições, também é recomendado não utilizar celulares nem manter a televisão ligada, pois o hábito pode prejudicar a percepção de saciedade, além de reduzir momentos importantes de convivência e interação com a família.

    O que fazer para reduzir o tempo de tela?

    Para reduzir o tempo de tela das crianças, os pais podem adotar algumas medidas no dia a dia, como:

    • Estabelecer horários e locais livres de telas: defina regras claras, como proibir o uso de celulares e tablets durante as refeições, no carro e nos quartos. Os aparelhos devem ser carregados em uma área comum da casa à noite;
    • Criar uma rotina de transição antes de dormir: desligue todos os aparelhos de 1 a 2 horas antes do horário de dormir. Substitua as telas por atividades relaxantes, como ler um livro físico, contar histórias ou ouvir uma música calma;
    • Oferecer alternativas de lazer físico: estimule brincadeiras que envolvam o corpo e a criatividade, como jogos de tabuleiro, desenho, blocos de montar, caminhadas ao ar livre ou passeios em parques;
    • Envolver a criança nas tarefas domésticas: chame a criança para ajudar em atividades seguras e adequadas para a idade dela, como organizar os brinquedos, regar as plantas ou ajudar a preparar o lanche;
    • Dar o exemplo dentro de casa: as crianças tendem a imitar o comportamento dos adultos. Evite usar o celular de forma excessiva na presença dos filhos e mantém a televisão desligada quando ninguém estiver assistindo.
    • Fazer uma redução gradual: se a criança passa muitas horas no celular, reduza o tempo aos poucos. Comece diminuindo 30 minutos por dia até atingir o limite recomendado para a idade dela, explicando para ela o motivo da mudança.

    A adaptação pode levar algum tempo, principalmente quando a criança já está acostumada a passar várias horas por dia diante das telas. Nos primeiros dias, é comum ter resistência, reclamações e até momentos de irritação. O mais importante é manter a consistência nas regras e oferecer alternativas interessantes para ocupar o tempo livre.

    Leia mais: Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. As telas podem causar TDAH?

    Não causam o transtorno diretamente, mas o estímulo hiperveloz das telas vicia os circuitos de recompensa do cérebro, reduzindo a capacidade de foco e piorando sintomas de desatenção e impulsividade.

    2. Por que as crianças ficam irritadas quando a tela é retirada?

    As telas geram picos rápidos de dopamina, hormônio do prazer. Retirar o aparelho causa uma queda brusca do neurotransmissor, gerando crises de birra e frustração.

    3. Como o uso de telas afeta o sono infantil?

    A luz azul emitida pelos aparelhos bloqueia a produção de melatonina, hormônio do sono, dificultando o adormecer e deixando o sono mais superficial e fragmentado.

    4. Como o uso de telas afeta a socialização?

    Ao interagir menos com pessoas, a criança deixa de treinar a leitura de expressões faciais, o tom de voz e a empatia, tornando-se mais retraída ou com dificuldade de se integrar.

    5. Quais os sinais de que a criança está “viciada” em telas?

    Isolamento social, queda no rendimento escolar, agressividade extrema ao desligar o aparelho, perda de interesse por outras brincadeiras e alteração de sono/apetite.

    6. Como substituir o tempo de tela de forma saudável?

    Com brincadeiras livres (blocos, desenhos), passeios ao ar livre, leitura de livros físicos, inclusão da criança em tarefas domésticas leves e, acima de tudo, tempo de atenção de qualidade com os pais.

    Veja também: Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

  • Olhos secos, insônia e cansaço? 7 sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    Olhos secos, insônia e cansaço? 7 sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    Celulares, computadores, tablets e televisões já fazem parte da rotina de forma tão natural que, muitas vezes, é difícil lembrar como era a vida antes deles. As telas facilitam o trabalho, os estudos e a comunicação, mas, para que o uso seja saudável e não afete a saúde física e mental, ele não pode acontecer de maneira excessiva.

    Para se ter uma ideia, cada rolagem de feed, curtida ou notificação visualizada aciona o sistema de recompensa, liberando doses rápidas de dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à satisfação imediata.

    Só que, no dia a dia, o cérebro se acostuma rapidamente com o fluxo constante de estímulos, precisando de cada vez mais tempo online para sentir o mesmo bem-estar, o que é semelhante com o que acontece em outros tipos de dependência.

    A exposição frequente à luz azul dos aparelhos também bloqueia a produção de melatonina, o hormônio que avisa ao organismo que é hora de dormir, mantendo a mente em um estado constante de alerta e estresse. Consequentemente, você pode ter mais dificuldade para pegar no sono, acordar constantemente ao longo da noite e acordar com a sensação de que não descansou.

    Mas afinal, como saber quando o uso de telas deixou de ser apenas um hábito e passou a representar um problema para a saúde? Para adultos, o ideal para lazer é não ultrapassar 2 a 3 horas diárias, mas o corpo costuma dar alguns sinais de que você está passando mais tempo conectado do que deveria.

    Sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    1. Olhos secos, vermelhos ou visão embaçada

    Quando passamos muito tempo olhando para um ponto luminoso fixo, o cérebro reduz automaticamente a frequência das piscadas. O normal é piscar cerca de 15 a 20 vezes por minuto, mas diante das telas o número pode cair para menos da metade.

    Como resultado, acontece uma evaporação mais rápida da lágrima, provocando ressecamento, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e fadiga ocular, condição conhecida como astenopia digital. O esforço prolongado para focar objetos próximos também pode fazer com que a visão fique temporariamente embaçada ao olhar para longe.

    2. Dores frequentes na coluna, pescoço e ombros

    Ao usar o celular ou o notebook, é comum inclinar a cabeça para a frente e para baixo, alterando o alinhamento natural do corpo.

    A cada centímetro de inclinação da cabeça para a frente, a carga exercida sobre a coluna cervical aumenta significativamente. Com o passar do tempo, a sobrecarga pode provocar tensão muscular, contraturas nos ombros e acelerar o desgaste das articulações da coluna.

    3. Dificuldade para pegar no sono ou insônia

    A luz azul emitida por celulares, tablets, computadores e televisores é interpretada pelo cérebro de forma semelhante à luz natural do dia. Por causa disso, a produção de melatonina, hormônio responsável por preparar o organismo para dormir, fica reduzida ou atrasada.

    O resultado é uma sensação prolongada de alerta, que dificulta o adormecer e prejudica o ritmo natural do sono.

    4. Ansiedade ou pressa excessiva para checar notificações

    A sensação de ansiedade é um dos principais sinais comportamentais da relação excessiva com os estímulos digitais.

    Devido a liberação de dopamina, quando o uso de telas é excessivo, o cérebro passa a buscar as recompensas com mais frequência, o que pode gerar ansiedade, vontade constante de verificar o celular e até mesmo a chamada síndrome da vibração fantasma, quando a pessoa acredita que o aparelho vibrou sem que nenhuma notificação tenha sido recebida.

    5. Dores de cabeça persistentes ao longo do dia

    As dores de cabeça causadas pelo excesso de telas costumam estar relacionadas à tensão acumulada no corpo, e se manifestam na testa, atrás dos olhos ou na nuca.

    O brilho intenso e o contraste da tela exigem mais esforço dos olhos, enquanto a má postura sobrecarrega os músculos do pescoço e dos ombros. O excesso de estímulos também mantém o cérebro em estado de alerta por mais tempo.

    6. Irritabilidade e falta de paciência com atividades offline

    A internet oferece estímulos rápidos o tempo todo, como vídeos curtos, notificações, mensagens e novidades constantes. Elas fazem com que o cérebro se acostume a receber informação de forma imediata e, com o passar do tempo, atividades mais lentas podem parecer menos interessantes.

    Por isso, é comum sentir mais impaciência durante conversas longas, dificuldade para se concentrar na leitura de um livro ou irritação ao realizar tarefas do dia a dia que precisam de mais atenção e tempo.

    7. Sensação de cansaço crônico, mesmo após acordar

    Passar muito tempo em frente às telas, principalmente durante a noite, pode prejudicar a qualidade do sono e manter o cérebro em um estado de ativação acima do ideal, mesmo após o momento de deitar.

    O descanso acaba não sendo tão reparador quanto deveria, o que faz com que a pessoa acorde cansada, com menos energia, dificuldade para se concentrar e uma sensação constante de cansaço.

    Sinais de que as crianças passaram do limite com as telas

    Diferentemente dos adultos, as crianças nem sempre conseguem verbalizar que estão cansadas ou sentindo algum mal-estar físico causado pelo excesso de dispositivos eletrônicos.

    “Às vezes, as crianças apresentam comportamentos que mostram para a gente que o uso de telas já passou do limite. Mas muitos pais ainda normalizam esse tipo de situação”, aponta a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Entre alguns dos principais sinais de que a criança já passou tempo demais usando as telas, é possível destacar:

    • Irritabilidade extrema ou crises de choro ao desligar o aparelho: é comum que a criança demonstre uma frustração desproporcional, raiva ou agressividade quando o tempo de tela termina, funcionando quase como uma reação de abstinência;
    • Perda de interesse por brincadeiras físicas e interações sociais: a criança deixa de querer brincar, correr, desenhar ou interagir com familiares e amigos, preferindo ficar isolada com o dispositivo;
    • Agitação motora e dificuldade de concentração: o excesso de estímulos rápidos presentes em vídeos e jogos pode deixar o sistema nervoso hiperestimulado, o que pode se refletir em dificuldades para se concentrar nas atividades escolares e em uma agitação fora do habitual;
    • Alterações no sono e pesadelos frequentes: as telas em excesso podem causar dificuldade para adormecer, despertares durante a noite e sono agitado. Em crianças menores, o excesso de telas antes de dormir também está associado a terrores noturnos e pesadelos;
    • Atraso no desenvolvimento da fala ou da socialização: especialmente em bebês e crianças pequenas, o tempo excessivo diante das telas pode substituir momentos importantes de conversa, interação e troca de olhares com os pais, prejudicando o desenvolvimento da linguagem e das habilidades socioemocionais;
    • Alimentação distraída ou falta de percepção da saciedade: comer enquanto assistir a vídeos ou utiliza dispositivos faz com que a criança preste menos atenção aos sabores, às texturas e aos sinais de saciedade enviados pelo próprio corpo.

    Para crianças menores de 2 anos, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de zero tempo de tela. O uso deve ser evitado ao máximo, com exceção de videochamadas curtas com familiares que moram longe.

    A partir dessa idade, o tempo de exposição precisa ser controlado. Entre 2 e 5 anos, o ideal é limitar o uso a, no máximo, 1 hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto. Já entre 6 e 10 anos, a recomendação é que o tempo de tela não ultrapasse 2 horas diárias.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o tempo de tela considerado ideal para um adulto?

    A maioria dos especialistas sugere que o tempo de tela voltado para o lazer (redes sociais, séries, jogos) não ultrapasse 2 horas por dia. Se você trabalha na frente do computador, é importante fazer pausas frequentes.

    2. Usar o celular no escuro faz mal à saúde?

    Sim, pois no escuro, a pupila se dilata para captar mais luz, o que aumenta a exposição direta dos olhos à luminosidade da tela. Isso acelera o cansaço visual, causa dores de cabeça e confunde ainda mais o relógio biológico, prejudicando o sono.

    3. Os óculos com filtro de luz azul realmente funcionam?

    Eles ajudam a reduzir o desconforto visual e a fadiga causados pelo brilho das telas, além de diminuir o impacto da luz azul na produção de melatonina à noite. No entanto, eles não anulam os efeitos da má postura ou do tempo excessivo de uso.

    4. O uso excessivo de telas pode causar depressão e ansiedade?

    O uso prolongado, especialmente de redes sociais, está associado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão devido ao isolamento social real, à comparação constante com a vida alheia e à dependência química da dopamina gerada pelas notificações.

    5. Como saber se sou viciado em celular?

    Os principais sinais de dependência incluem a incapacidade de reduzir o uso mesmo sabendo dos prejuízos, crises de ansiedade quando o aparelho está sem bateria ou sinal, e o hábito de negligenciar obrigações ou relações sociais para ficar online.

    6. Por que o uso de telas antes de dormir causa insônia?

    Porque as telas emitem luz azul, um comprimento de onda que o cérebro interpreta como a luz do sol, o que bloqueia a liberação de melatonina, o hormônio que avisa ao organismo que é hora de desacelerar e dormir.

    7. Deixar o celular no modo noturno (luz amarelada) resolve o problema?

    O modo noturno reduz a emissão de luz azul, o que é melhor para os olhos e para o sono, mas o conteúdo consumido (mensagens, vídeos estimulantes) continua mantendo o cérebro em estado de alerta.

    8. O que é um detox digital e como fazer?

    É um período voluntário de afastamento ou redução drástica do uso de dispositivos. Pode ser feito reservando finais de semana sem redes sociais, estabelecendo um horário limite para desligar o celular à noite ou passando um dia inteiro offline.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Seja para colocar as notícias em dia ou para distrair as crianças durante as refeições, o uso de telas (celular, televisão ou tablets) enquanto se come se tornou rotina de várias famílias, ainda mais quando o dia a dia é atribulado.

    Pode até parecer prático, já que o ambiente fica silencioso e tudo parece fluir com menos esforço, mas o hábito interfere diretamente na forma como o cérebro percebe o ato de comer.

    Para se ter uma ideia, um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostrou que, quanto mais tempo os adolescentes passam diante de celulares, TVs ou tablets, pior tende a ser a alimentação deles. O uso prolongado de telas também está associado a um risco maior de sobrepeso e obesidade, além de menos atividade física, menos horas de sono e uma sensação geral de bem-estar mais baixa.

    Durante as refeições, isso é especialmente prejudicial, pois a atenção se desloca totalmente para a tela, e o contato com o prato fica superficial. A mente entra em modo automático, e você come mais do que precisa sem notar, criando um padrão que favorece o excesso de calorias ao longo do dia.

    O que o uso de telas faz com o cérebro durante a refeição?

    Quando você come olhando para uma tela, o cérebro passa a concentrar quase toda a atenção no conteúdo que está sendo visto ou ouvido. A refeição deixa de ser uma experiência sensorial completa, porque mastigar, sentir a textura dos alimentos, perceber o sabor e engolir deixam de ser processados com clareza.

    “Quando comemos distraídos, o único foco que temos é no que está sendo assistido ou jogado. Assim, o cérebro recebe menos informações sensoriais sobre o ato de comer (mastigar, engolir…) e, consequentemente, os sinais de saciedade demoram mais tempo para aparecer”, explica a nutricionista Mariana Del Bosco.

    No caso das crianças, o uso de telas durante a refeição ativa o sistema dopaminérgico, ligado à sensação de recompensa. O estímulo visual e sonoro é tão marcante que toda a atenção se volta para o conteúdo da tela, deixando a comida em segundo plano.

    A criança passa a perceber menos os sinais do próprio corpo, reduz a autorregulação e demora mais para identificar quando já está satisfeita. O resultado é uma refeição automática, com maior risco de comer além do necessário.

    Comer na frente de telas interfere na qualidade da alimentação

    Além de comer mais do que o necessário, a nutricionista explica que o hábito causa maior preferência por alimentos ultraprocessados e fáceis de consumir — durante um jogo, por exemplo, é muito mais simples comer um salgadinho ou biscoito do que um prato completo de comida.

    O impacto é ainda maior em crianças pequenas, pois nessa fase, elas ainda estão formando a base do comportamento alimentar. Quando a refeição acontece sempre acompanhada de distração, o cérebro aprende a associar comida a estímulos externos, o que dificulta a construção de uma relação saudável com os alimentos.

    Quais os riscos do hábito em crianças e adolescentes?

    Quando a atenção da criança e adolescente se volta exclusivamente para o celular, a TV ou o tablet, o ato de comer deixa de ser consciente, abrindo espaço para problemas como:

    • Comer além do necessário, já que os sinais de saciedade ficam mais difíceis de perceber;
    • Mastigação rápida e insuficiente, o que pode causar desconforto e piorar a digestão;
    • Preferência crescente por alimentos ultraprocessados, mais fáceis de consumir durante o uso de telas;
    • Redução do interesse por frutas, legumes e preparações que exigem mais atenção;
    • Associação entre comida e entretenimento, criando o hábito de comer por tédio e não por fome real;
    • Aumento do risco de sobrepeso e obesidade ao longo do tempo;
    • Dificuldade para desenvolver autonomia alimentar, especialmente nas fases iniciais da infância;
    • Piora da qualidade geral da dieta, com escolhas menos nutritivas e maior ingestão calórica.

    Vale apontar que os hábitos alimentares aprendidos na infância e na adolescência tendem a acompanhar a pessoa ao longo da vida, o que pode elevar o risco de problemas de saúde no futuro, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto e obesidade.

    Como criar um ambiente mais consciente na hora da refeição

    A redução do uso de telas durante as refeições pode ser feita com pequenas mudanças no cotidiano, que ajudam a transformar o momento da comida em algo mais tranquilo. Veja algumas dicas:

    • Fazer as refeições sempre à mesa, com todos sentados juntos, sem celular, TV ou tablet por perto;
    • Estabelecer horários fixos para comer, criando uma rotina previsível que ajuda a criança a entender quando é hora da refeição;
    • Servir porções menores no início, permitindo que a criança tenha autonomia para repetir se ainda estiver com fome;
    • Envolver a criança em conversas durante a refeição, perguntando sobre o dia ou pedindo que ela conte alguma história;
    • Usar pratos, copos e talheres infantis e coloridos, que chamem a atenção para o alimento e deixem o momento mais interessante;
    • Quando possível, convidar a criança para participar do preparo dos alimentos, o que aumenta o vínculo com a comida e estimula a curiosidade pelos ingredientes.

    “Lembrando que a criança aprende a comer por exemplificação, então é muito importante que ela consiga se basear nos pais”, complementa Mariana.

    Quando buscar orientação de um profissional de saúde

    A busca por orientação profissional pode ser necessária quando o uso de telas durante as refeições começa a interferir na rotina alimentar, no comportamento ou na saúde da criança ou do adolescente.

    Os ajustes no dia a dia costumam ajudar, mas alguns sinais mostram que o apoio de um nutricionista, pediatra ou psicólogo pode ser necessário, como:

    • Dificuldade constante de comer sem telas, com irritação intensa ou recusa alimentar quando o aparelho é retirado;
    • Aumento rápido de peso ou risco de sobrepeso e obesidade;
    • Perda de apetite ou preferência quase exclusiva por alimentos ultraprocessados;
    • Problemas frequentes de digestão, como dores abdominais, engasgos ou mastigação insuficiente;
    • Uso de telas em todas as refeições, mesmo após tentativas de mudança da rotina.

    O acompanhamento profissional ajuda a entender o comportamento alimentar, ajustar hábitos familiares e orientar estratégias adequadas para cada idade. Com o tempo, é possível criar uma relação mais saudável com a comida, prevenindo o surgimento de problemas futuros à saúde.

    Qual o tempo máximo recomendado de telas para crianças?

    Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o limite de tempo para crianças estarem em contato com esses aparelhos são determinados pela faixa etária, sempre com supervisão:

    • Menores de 2 anos: nenhum contato com telas ou videogames;
    • Dos 2 aos 5 anos: até uma hora por dia;
    • Dos 6 aos 10 anos: entre uma e duas horas por dia;
    • Dos 11 aos 18 anos: entre duas e três horas por dia.

    Para substituir o uso de telas, o ideal é incentivar esportes, brincadeiras ao ar livre e contato com a natureza. As atividades físicas e ambientes externos oferecem estímulos mais variados, ajudam a gastar energia, melhoram o humor e fortalecem a convivência com outras crianças.

    Leia também: Capacete para criança: por que ele é importante nos esportes?

    Perguntas frequentes

    Comer na frente de telas também é ruim para adultos?

    O comportamento afeta pessoas de todas as idades, pois a distração durante a refeição reduz a atenção plena ao alimento, aumenta a ingestão calórica e favorece escolhas menos nutritivas.

    Os adultos que comem diante de celulares ou televisões também têm maior risco de exagerar nas porções e sentir fome novamente pouco tempo depois. A ausência de presença na hora da comida prejudica qualquer faixa etária, apesar do impacto sobre o desenvolvimento infantil ser mais significativo.

    O que fazer quando a criança só aceita comer com tela?

    A mudança precisa ser gradual, já que a retirada brusca da tela pode gerar frustração intensa na criança. Uma dica é reduzir o tempo de exposição durante a refeição ou desligar a tela apenas em momentos específicos, aumentando esse intervalo progressivamente.

    Comer com tela pode prejudicar o sono?

    O uso frequente de telas, especialmente no período da noite, interfere no sono por causa da luz azul emitida pelos aparelhos, que reduz a produção de melatonina.

    Quando o hábito se associa às refeições tardias, o corpo recebe estímulos demais no momento em que deveria estar desacelerando. O cérebro permanece ativo, processando imagens e sons, e a digestão fica mais pesada, dificultando o adormecer.

    Como consequência, as crianças e adolescentes tendem a dormir mais tarde, ter despertares frequentes e apresentar cansaço durante o dia.

    Por que comer distraído prejudica a digestão?

    A mastigação reduzida é um dos efeitos imediatos da distração. Pedaços maiores chegam ao estômago, dificultando a digestão e aumentando a possibilidade de refluxo, gases e desconforto abdominal.

    Além disso, o corpo não entra totalmente no estado de “modo digestivo”, no qual hormônios e enzimas são liberados de forma mais eficiente. A refeição automática resulta em digestão mais lenta e incômoda.

    Qual o horário ideal do jantar das crianças à noite?

    O horário ideal do jantar das crianças à noite costuma ser cerca de três horas antes de dormir, porque o organismo precisa de tempo para digerir a refeição com calma, evitando refluxo, desconforto abdominal e sono agitado.

    Confira: Vacinação infantil: proteção que começa cedo e dura a vida toda