Quem já teve urticária sabe como é incômodo: de repente, a pele começa a coçar, aparecem vergões avermelhados e o desconforto pode durar horas. Essa reação, que parece simples, é na verdade uma resposta do corpo a diferentes estímulos, que podem ter várias causas, desde alergias a alimentos e medicamentos até o estresse.
Comum em adultos jovens, a urticária atinge cerca de uma em cada cinco pessoas ao longo da vida. Na maioria dos casos, desaparece sozinha, mas quando se torna recorrente ou intensa, precisa de acompanhamento médico. Entender o que a provoca é o primeiro passo para controlar as crises e evitar que voltem.
O que é a urticária
A urticária é uma irritação de pele que provoca lesões avermelhadas, inchadas e que coçam muito. Essas manchas, chamadas de urtigas, aparecem em surtos e costumam desaparecer em poucas horas, sem deixar cicatrizes.
Elas podem surgir em qualquer parte do corpo, isoladas ou agrupadas em placas maiores, e o principal desconforto é a coceira intensa, que pode atrapalhar o sono e as atividades diárias.
Embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais comum em adultos jovens entre 20 e 40 anos.
Tipos de urticária
A urticária pode ser classificada de duas formas.
1. De acordo com o tempo de duração
Aguda: desaparece em menos de seis semanas; geralmente causada por alergias, alimentos ou infecções.
Crônica: dura seis semanas ou mais; pode estar associada a doenças autoimunes ou causas desconhecidas.
2. De acordo com a causa
Induzida: quando há um gatilho identificado, como alimentos, medicamentos, infecções ou estímulos físicos (frio, calor, pressão, sol, água).
Espontânea (idiopática): quando não há causa aparente.
Sintomas
O sintoma mais característico é a coceira intensa, acompanhada de manchas avermelhadas e elevadas.
Outros sinais são:
- Inchaço rápido em olhos, lábios, língua ou garganta (angioedema);
- Sensação de calor ou queimação na pele;
- Vergões que aparecem e desaparecem em diferentes partes do corpo.
Quando o inchaço atinge a garganta ou há dificuldade para respirar, trata-se de uma emergência médica, podendo evoluir para anafilaxia, uma reação alérgica grave com risco de vida.
Causas e fatores de risco
A urticária acontece quando o corpo libera histamina, uma substância envolvida nas reações alérgicas, causando vermelhidão e coceira na pele.
Entre os fatores que podem desencadear as crises estão:
- Alimentos e bebidas (frutos do mar, ovo, leite, amendoim, chocolate);
- Medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos);
- Infecções virais ou bacterianas;
- Estímulos físicos (calor, frio, pressão, suor, exposição solar);
- Estresse emocional.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo médico dermatologista ou alergista, com base na história clínica e exame físico.
Durante a consulta, são observados:
- Forma, cor e duração das lesões;
- Frequência e localização;
- Presença de angioedema (inchaço).
Exames de sangue, urina ou fezes podem ser solicitados para investigar infecções, doenças autoimunes ou alergias alimentares. Em casos crônicos ou duvidosos, pode ser feita biópsia de pele para excluir outras doenças.
Tratamento da urticária
O tratamento da urticária tem como objetivo aliviar os sintomas e prevenir novos episódios.
Antialérgicos (anti-histamínicos): são o tratamento de primeira escolha, e devem ser usados regularmente conforme prescrição.
Corticosteroides orais: usados por tempo limitado e apenas em crises intensas.
Outros medicamentos: em casos resistentes, podem ser indicados imunomoduladores ou terapias específicas, sempre sob acompanhamento médico.
É importante não se automedicar. O uso incorreto de remédios pode mascarar os sintomas e dificultar o diagnóstico.
Prevenção
Alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de novas crises:
- Evite alimentos, medicamentos e substâncias que já causaram reações;
- Reduza o estresse e priorize boas noites de sono;
- Evite calor excessivo e bebidas alcoólicas;
- Prefira roupas leves e tecidos naturais;
- Mantenha uma alimentação equilibrada e evite corantes, conservantes, embutidos e enlatados.
Cuidados diários
Durante as crises de urticária:
- Evite coçar para não ferir a pele;
- Use roupas confortáveis e mantenha a pele hidratada;
- Aplique compressas frias para aliviar a coceira;
- Anote gatilhos e situações de estresse, para ajudar o médico na investigação;
- Procure atendimento imediato se houver inchaço na garganta, falta de ar ou queda de pressão.
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Perguntas frequentes sobre urticária
1. Urticária é contagiosa?
Não. A urticária não se transmite de pessoa para pessoa.
2. A urticária pode durar meses?
Sim. Quando persiste por mais de seis semanas, é considerada crônica e precisa de acompanhamento médico.
3. Estresse causa urticária?
Sim. O estresse pode atuar como fator desencadeante ou agravante das crises.
4. Posso usar pomadas antialérgicas?
Algumas ajudam a aliviar a coceira, mas o tratamento principal deve ser feito com antialérgicos orais, conforme orientação médica.
5. Crianças também podem ter urticária?
Sim, embora seja mais comum em adultos jovens. As causas nas crianças costumam estar ligadas a infecções ou alimentos.
6. Urticária pode causar falta de ar?
Sim, em casos com angioedema ou anafilaxia. Nessa situação, procure atendimento de emergência imediatamente.
7. É possível prevenir totalmente?
Nem sempre, mas identificar e evitar os gatilhos ajuda muito a controlar a doença.
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