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  • Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    Câncer de pulmão: sintomas, tipos e como é feito o tratamento

    O câncer de pulmão ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais comuns em homens e a quarta em mulheres no Brasil, sem contar o câncer de pele não melanoma, segundo dados do Ministério da Saúde. Além da alta incidência, a doença está entre as principais causas de morte por câncer no país.

    Normalmente, o câncer de pulmão apresenta poucos sintomas no início, o que faz com que o diagnóstico muitas vezes ocorra de forma tardia. Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como tosse persistente, cansaço, falta de ar ou infecções respiratórias de repetição, facilmente confundidos com problemas comuns do dia a dia.

    Para entender como a doença se manifesta, os tipos e os principais tratamentos, conversamos com o oncologista Thiago Chadid. Confira!

    O que é câncer de pulmão?

    O câncer de pulmão é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais nos tecidos do pulmão. Elas se multiplicam de forma desordenada, formando tumores que podem comprometer a função pulmonar e, em alguns casos, se espalhar para outros órgãos do corpo.

    A doença pode se desenvolver nos brônquios, nos alvéolos ou em outras estruturas pulmonares e está bastante associada ao tabagismo, embora também possa ocorrer em pessoas que nunca fumaram, devido a fatores como poluição, exposição a substâncias tóxicas e predisposição genética.

    Tipos de câncer de pulmão

    O câncer de pulmão é classificado em dois tipos principais, de acordo com as características das células observadas ao microscópio. São eles:

    1. Carcinoma de células não pequenas

    O câncer de pulmão do tipo não pequenas células é o mais frequente, correspondendo a cerca de 85% dos casos. Ele é dividido em três subtipos principais:

    • Adenocarcinoma: costuma se desenvolver nas regiões mais periféricas do pulmão, a partir de células que produzem secreções. É o subtipo mais comum entre pessoas que nunca fumaram;
    • Carcinoma de células escamosas: surge nas células que revestem as vias aéreas dos pulmões e está fortemente associado ao tabagismo;
    • Carcinoma de grandes células: apresenta células pouco diferenciadas e pode aparecer em qualquer área do pulmão, normalmente com crescimento mais rápido e maior potencial de disseminação.

    2. Carcinoma de células pequenas

    O carcinoma de células pequenas é um tipo menos comum de câncer de pulmão, porém mais agressivo. Ele está fortemente associado ao tabagismo e costuma crescer de forma rápida, com maior tendência a se espalhar precocemente para outros órgãos.

    Fatores de risco para o câncer de pulmão

    De acordo com Thiago, o tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão, estando relacionado à maioria dos casos diagnosticados. O risco aumenta de forma proporcional ao tempo de exposição e à quantidade de cigarros consumidos ao longo da vida, incluindo também o tabagismo passivo, quando há convivência frequente com fumantes.

    O oncologista ainda aponta que o risco é avaliado pelo cálculo conhecido como maços-ano, que considera a quantidade de cigarros fumados por dia ao longo dos anos. A partir de 20 maços-ano, o risco já é considerado elevado, e acima de 30 maços-ano o paciente passa a ser classificado como de alto risco.

    Além do cigarro, outros fatores também contribuem para o surgimento da doença, como:

    • Exposição prolongada à poluição do ar: a inalação contínua de poluentes, especialmente em grandes centros urbanos, pode causar inflamação crônica das vias respiratórias e danos às células pulmonares. Com o tempo, a agressão constante aumenta o risco de alterações celulares que podem evoluir para câncer;
    • Contato ocupacional com substâncias tóxicas: profissionais expostos a agentes como amianto, fumaça, poeiras químicas, carvão e outros produtos industriais apresentam maior risco de desenvolver câncer de pulmão. A exposição frequente e prolongada, muitas vezes sem proteção adequada, potencializa os danos ao tecido pulmonar;
    • Exposição ao gás radônio: o gás radônio é um gás radioativo, incolor e inodoro, que se origina do solo e pode se acumular em ambientes fechados. Em regiões específicas, a exposição contínua ao gás está associada a um aumento do risco de câncer de pulmão, inclusive em pessoas que nunca fumaram;
    • Fatores genéticos e histórico familiar: algumas mutações genéticas, como EGFR, KRAS e TP53, podem aumentar a predisposição ao câncer de pulmão. Pessoas com histórico familiar da doença tendem a apresentar maior risco, especialmente quando essas alterações genéticas estão associadas a outros fatores ambientais ou comportamentais, como tabagismo e poluição.

    Cigarro eletrônico também aumenta o risco de câncer de pulmão?

    Os cigarros eletrônicos funcionam por meio do aquecimento de uma solução líquida, transformada em aerossol inalado pela pessoa. Embora utilizem uma tecnologia diferente do cigarro convencional, apresentam riscos semelhantes à saúde, pois liberam compostos químicos nocivos que podem causar danos ao organismo e aumentar o risco de diversas doenças.

    Embora ainda faltem estudos de longo prazo, já que o uso desse dispositivo é relativamente recente, Thiago explica que há evidências de que o cigarro eletrônico provoca danos significativos ao pulmão. A inalação dos aerossóis pode causar inflamação, fibrose e lesões pulmonares graves.

    Além disso, a toxicidade das substâncias liberadas pode ser semelhante à do cigarro convencional. Por isso, existe a preocupação de que, com o passar dos anos, o uso do cigarro eletrônico também esteja associado a um aumento do risco de câncer e de outras doenças respiratórias.

    Sintomas do câncer de pulmão

    Os sintomas do câncer de pulmão normalmente não aparecem até que o tumor esteja em estágio mais avançado, mas algumas pessoas podem apresentar:

    • Tosse persistente;
    • Escarro com presença de sangue;
    • Dor no peito;
    • Rouquidão;
    • Piora da falta de ar;
    • Perda de peso e diminuição do apetite;
    • Pneumonia ou bronquite de repetição;
    • Sensação constante de cansaço ou fraqueza;
    • Em fumantes, mudança no padrão habitual da tosse, com crises em horários incomuns.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do câncer de pulmão começa, normalmente, a partir da suspeita clínica, baseada em sintomas persistentes ou em achados incidentais em exames de imagem. O primeiro exame mais utilizado é a tomografia computadorizada do tórax, que permite identificar nódulos, massas ou outras alterações pulmonares com maior precisão.

    Quando a tomografia mostra uma lesão suspeita, podem ser solicitados exames complementares, como:

    • PET-CT: utilizado para avaliar a atividade metabólica do tumor e verificar se há disseminação da doença para outros órgãos, auxiliando no estadiamento;
    • Broncoscopia: exame realizado para visualizar as vias aéreas e coletar amostras do tumor quando ele está localizado nos brônquios;
    • Biópsia pulmonar: confirma o diagnóstico. Pode ser feita por broncoscopia, punção guiada por tomografia ou cirurgia, dependendo da localização da lesão;
    • Exames moleculares e genéticos: realizados no material da biópsia para identificar mutações específicas, fundamentais para definir o tratamento mais adequado.

    Segundo Thiago, é comum que o diagnóstico de câncer de pulmão ocorra após tratamentos repetidos para pneumonia que não apresentam boa resposta. Em outros casos, a doença é identificada durante exames realizados por outros motivos, como tomografias solicitadas após um AVC, investigação de fraturas ósseas ou dores persistentes, muitas vezes quando já existem metástases.

    Tratamento do câncer de pulmão

    O tratamento de câncer de pulmão depende do estágio da doença, do tamanho do tumor, do acometimento de linfonodos e da presença de mutações genéticas, segundo Thiago. Entre as opções de tratamento, que podem ser combinadas, destacamos:

    • Cirurgia: indicada principalmente nos estágios iniciais da doença, quando o tumor está restrito ao pulmão. Consiste na remoção do tumor e, em alguns casos, de parte do pulmão e dos linfonodos próximos, com o objetivo de eliminar completamente o câncer;
    • Radioterapia: utiliza radiação de alta energia para destruir as células cancerígenas ou impedir seu crescimento. Pode ser usada como tratamento principal em pacientes que não podem ser operados, como complemento após a cirurgia ou em associação com outros tratamentos;
    • Quimioterapia: envolve o uso de medicamentos que atuam de forma sistêmica, atingindo células cancerígenas em todo o corpo. Pode ser indicada antes da cirurgia para reduzir o tumor, após a cirurgia para diminuir o risco de recidiva ou em casos mais avançados da doença;
    • Imunoterapia: estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas;
    • Terapia-alvo: utiliza medicamentos que atuam diretamente em alterações genéticas específicas das células tumorais. É indicado para pacientes que apresentam mutações específicas e tende a causar menos efeitos colaterais do que a quimioterapia tradicional.

    Segundo Thiago, pacientes que apresentam mutações genéticas como EGFR e ALK seguem protocolos de tratamento específicos, normalmente com terapias-alvo, e em muitos casos alcançam um melhor controle da doença, que pode se comportar de forma crônica por longos períodos.

    Como prevenir o câncer de pulmão?

    A prevenção do câncer de pulmão envolve a redução da exposição aos principais fatores de risco:

    • Não fumar e evitar o tabagismo em todas as suas formas;
    • Evitar a exposição ao fumo passivo, especialmente em ambientes fechados;
    • Reduzir a exposição à poluição do ar sempre que possível;
    • Utilizar equipamentos de proteção em ambientes de trabalho com exposição à fumaça, poeira ou substâncias tóxicas;
    • Evitar o uso de cigarro eletrônico;
    • Manter ambientes bem ventilados, principalmente em residências e locais fechados;
    • Realizar acompanhamento médico regular, especialmente em pessoas com maior risco;
    • Considerar o rastreamento com tomografia de baixa dose em fumantes e ex-fumantes de alto risco.

    Rastreamento de câncer de pulmão

    Diferentemente de outros tipos de câncer, o rastreamento do câncer de pulmão não é indicado para toda a população, sendo direcionado apenas a pessoas com maior risco de desenvolver a doença.

    As diretrizes internacionais, como as da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF, 2021), recomendam o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas entre 50 e 80 anos, com histórico de tabagismo intenso, definido como carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano, ou que tenham parado de fumar há menos de 15 anos.

    Ainda assim, existem riscos associados à investigação de achados positivos, como exames e procedimentos adicionais desnecessários. Por isso, a indicação do rastreamento deve ser individualizada e discutida de forma cuidadosa entre o paciente e o médico.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

    Perguntas frequentes

    Pessoas que nunca fumaram podem ter câncer de pulmão?

    Sim. Apesar de ser mais comum em fumantes, o câncer de pulmão também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram, especialmente devido à poluição, exposição ambiental, fatores genéticos ou contato prolongado com fumaça de terceiros.

    O que é estadiamento do câncer de pulmão?

    O estadiamento é a avaliação da extensão da doença. Ele mostra se o câncer está restrito ao pulmão ou se já se espalhou para linfonodos ou outros órgãos. Essa informação é essencial para definir o tratamento.

    O câncer de pulmão tem cura?

    A possibilidade de cura depende do estágio da doença no momento do diagnóstico. Em fases iniciais, a cirurgia pode ser curativa. Em estágios mais avançados, os tratamentos visam controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.

    Quem deve fazer rastreamento para câncer de pulmão?

    O rastreamento é indicado para pessoas de alto risco, como fumantes ou ex-fumantes com histórico de consumo elevado de cigarros, normalmente por meio de tomografia de baixa dose.

    A alimentação ou o estilo de vida influenciam no risco?

    Um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle de doenças crônicas, contribui para a saúde geral e pode ajudar na prevenção. No entanto, essas medidas não substituem a importância de evitar o tabagismo e exposições de risco.

    Câncer de pulmão pode dar metástase?

    Sim, o câncer de pulmão pode causar metástase, e essa é uma das principais características da doença quando não diagnosticada em fases iniciais.

    A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor original no pulmão, entram na circulação sanguínea ou linfática e se instalam em outros órgãos, formando novos focos da doença.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

  • Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Síndrome de Li-Fraumeni: conheça a condição que aumenta o risco de câncer

    Você já ouviu falar na síndrome de Li-Fraumeni? Embora seja rara no mundo, a condição é muito mais comum no Sul e no Sudeste do Brasil. Ela é marcada por uma alteração no gene TP53, conhecido como “gene guardião” por atuar na proteção do DNA contra danos que podem levar ao surgimento de tumores.

    A mutação compromete esse sistema de defesa natural, facilitando o acúmulo de alterações genéticas ao longo da vida e aumentando o risco de vários tipos de câncer, muitos deles surgindo ainda na idade adulta jovem.

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, a condição ganhou destaque no país por causa de um fenômeno genético chamado efeito fundador, associado a um ancestral português que teria transmitido a mutação para milhares de descendentes a partir do século XVIII.

    Por causa dessa herança, muitas famílias podem carregar a alteração sem saber, vivendo com risco aumentado para vários tipos de câncer, como tumores de mama, tumores do sistema nervoso central, sarcomas e outros.

    Afinal, o que é a síndrome de Li-Fraumeni?

    A síndrome de Li-Fraumeni é uma condição genética rara caracterizada por uma mutação no gene TP53, um gene fundamental para proteger o DNA das células contra danos que podem causar tumores.

    Conforme explica Thiago, o TP53 atua como um sensor de dano no DNA: quando surge uma mutação, ele identifica o problema, tenta corrigir o defeito e, se a célula estiver muito comprometida, ativa mecanismos que levam à morte celular programada, impedindo que uma célula defeituosa continue se multiplicando e se transforme em câncer.

    Quando o TP53 não funciona corretamente, o organismo perde parte da sua capacidade de reparar erros genéticos ou eliminar células defeituosas antes que elas se transformem em tumores.

    Quando a pessoa nasce com uma mutação herdada do pai ou da mãe no gene TP53, e ocorre perda de função nas duas cópias do gene, o organismo fica sem esse sistema de proteção. O DNA passa a acumular mutações com muito mais facilidade ao longo da vida, e células alteradas conseguem escapar dos mecanismos naturais de defesa e evoluir para tumores.

    Por isso, a síndrome de Li-Fraumeni aumenta de forma significativa o risco de vários tipos de câncer em idades mais precoces.

    Como a síndrome de Li-Fraumeni é transmitida?

    A síndrome de Li-Fraumeni é transmitida de forma hereditária, por meio de uma mutação no gene TP53 que passa de geração em geração.

    A transmissão ocorre em um padrão chamado autossômico dominante, o que significa que:

    • Um único gene alterado já é suficiente para aumentar o risco de câncer;
    • Qualquer filho de um indivíduo com a mutação tem 50% de chance de herdar a alteração;
    • Tanto homens quanto mulheres podem transmitir a mutação igualmente.

    Quando a pessoa recebe a cópia alterada do pai ou da mãe, ela já nasce com parte da função do TP53 comprometida. Ao longo da vida, basta que a segunda cópia do gene sofra mutação espontânea para que se perca totalmente o mecanismo de proteção do DNA, aumentando a probabilidade de tumores.

    Por isso, famílias com história de vários cânceres em idades jovens, ou tumores considerados raros antes dos 40 anos, costumam ser investigadas para essa mutação.

    Quais tumores a síndrome pode causar?

    De acordo com Thiago, a pessoa pode desenvolver tumores em diferentes órgãos, muitas vezes mais cedo do que o esperado para a população geral. Entre os locais mais frequentemente afetados, destacam-se:

    • Mama;
    • Trato gastrointestinal;
    • Pulmão;
    • Sistema nervoso central;
    • Glândulas endócrinas, como adrenal;
    • Outros sítios, incluindo ossos e tecidos moles.

    Também pode ocorrer mais de um tumor primário ao longo da vida na mesma pessoa, resultado direto da incapacidade do organismo de impedir que novas mutações se acumulem e originem novos cânceres.

    Os tumores associados à síndrome de Li-Fraumeni tendem a ser mais agressivos, uma vez que acumulam um número maior de mutações e apresentam mais mecanismos de resistência.

    Quando o câncer reúne muitas alterações genéticas, o comportamento das células tumorais torna-se mais imprevisível: o tumor cria rotas alternativas para continuar crescendo, mesmo diante do tratamento, dribla terapias que miram um único alvo e, com frequência, apresenta respostas menos duradouras a determinadas drogas.

    Por que o câncer aparece mais cedo na síndrome de Li-Fraumeni?

    A manifestação costuma ser mais precoce porque, sem o gene guardião funcionando bem, os danos que se acumulam ao longo dos anos não são reparados de modo adequado. A rotina atual, marcada por exposição à radiação, hábitos alimentares irregulares, sedentarismo, tabagismo e outros fatores ambientais, intensifica ainda mais o impacto da predisposição genética.

    Thiago explica que, enquanto uma pessoa sem mutação costuma desenvolver câncer com maior frequência após os 60 ou 70 anos, alguém com síndrome de Li-Fraumeni pode apresentar tumores significativos já na faixa dos 20, 30 ou 40 anos.

    Como é feito o diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni?

    O diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni é feito por meio de avaliação clínica, história familiar detalhada e testes genéticos, que confirmam a presença de mutação no gene TP53.

    De forma geral, o processo envolve:

    • Investigação da história pessoal e familiar de câncer, especialmente quando há tumores em idades jovens, múltiplos cânceres na mesma pessoa ou tipos de câncer característicos da síndrome;
    • Avaliação por especialista em genética, que analisa padrões familiares, identifica critérios clínicos (como os critérios clássicos ou critérios de Chompret) e determina se há indicação para exame;
    • Teste genético específico para o gene TP53, realizado a partir de amostra de sangue ou saliva, que confirma ou descarta a presença da mutação;
    • Aconselhamento genético, etapa fundamental antes e depois do teste, para orientar sobre implicações médicas, emocionais e familiares do diagnóstico.

    Segundo Thiago, quando a mutação é confirmada, a família deve ser orientada de forma cuidadosa, e outros parentes podem ser indicados a realizar o teste, sempre com apoio de aconselhamento genético para esclarecer riscos, implicações e estratégias de acompanhamento.

    Cuidados com a síndrome de Li-Fraumeni

    A síndrome de Li-Fraumeni não possui, por enquanto, um protocolo único e rígido seguido por todos os serviços de saúde. A ideia é reduzir ao máximo fatores que aumentem o acúmulo de mutações ao longo da vida. As principais orientações incluem:

    • Evitar a exposição ao cigarro;
    • Redução ou suspensão do álcool;
    • Manter uma alimentação saudável, com alimentos pouco processados e ricos em fibras;
    • Prática regular de atividade física;
    • Proteção da pele contra radiação ultravioleta;
    • Realização periódica de consultas e exames de rastreamento, conforme idade e histórico familiar.

    A proposta é diminuir a exposição a fatores que estimulam danos ao DNA e, ao mesmo tempo, identificar qualquer alteração o mais cedo possível.

    É possível prevenir a síndrome de Li-Fraumeni?

    A prevenção absoluta não é possível, já que se trata de uma alteração herdada. Ainda assim, a combinação de vigilância constante, diagnóstico precoce e escolhas de estilo de vida mais saudáveis pode reduzir o impacto da predisposição e aumentar as chances de identificar tumores em estágios iniciais, quando o tratamento tende a ser mais eficaz.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    Qual é a causa genética da síndrome de Li-Fraumeni?

    A causa principal é uma mutação no gene TP53, um gene supressor tumoral. O TP53 é conhecido como “guardião do genoma”, porque detecta danos no DNA das células e impede que elas se transformem em câncer.

    A síndrome de Li-Fraumeni é sempre hereditária?

    Na maioria dos casos (cerca de 70% a 80%), sim, a síndrome é herdada dos pais (mutação germinativa). No entanto, em uma pequena porcentagem dos casos, a mutação pode surgir espontaneamente no indivíduo (mutação de novo), sem histórico familiar aparente.

    Quem deve fazer o teste genético?

    Pessoas com vários familiares com câncer em idade jovem, com tumores raros antes dos 40 anos ou quem já teve mais de um câncer primário. O ideal é realizar com apoio de aconselhamento genético.

    Por que a mutação no TP53 aumenta o risco de tantos tipos de câncer diferentes?

    O TP53 é um gene central para a proteção do DNA. Quando ele falha, qualquer célula do corpo fica mais vulnerável a acumular mutações e evoluir para um tumor. Por isso, a síndrome não se restringe a um órgão específico: músculos, ossos, glândulas, cérebro e vários tecidos podem ser afetados.

    É possível ter uma vida normal mesmo com a síndrome?

    Sim! Apesar do risco, muitas pessoas com síndrome de Li-Fraumeni levam vidas longas, produtivas e com boa qualidade de vida. O grande diferencial é o acompanhamento próximo, a realização de rastreamentos adequados e a adoção de hábitos protetores.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Entenda a diferença entre tumor benigno e maligno 

    Entenda a diferença entre tumor benigno e maligno 

    Quando alguém recebe a notícia de que tem um tumor, o primeiro pensamento quase sempre é o mesmo: câncer. O medo é natural, já que a palavra carrega um peso enorme. Mas nem todo tumor significa malignidade.

    Por isso, é importante entender a diferença entre tumor benigno e maligno. Existem os tumores benignos, que têm um comportamento bem diferente e, em muitos casos, não oferecem o mesmo risco de vida que os malignos. A confusão acontece porque os dois envolvem o crescimento de células fora do padrão, mas as consequências são diferentes.

    Compreender essa questão é importante para diminuir a ansiedade diante de um diagnóstico e também para buscar o tratamento certo. Enquanto alguns tumores podem ser curados apenas com cirurgia, outros exigem acompanhamento constante e terapias mais complexas.

    Para esclarecer essas questões, conversamos com o oncologista Thiago Chadid, que explica de forma clara como distinguir um tumor benigno de um maligno e quais cuidados cada caso exige.

    O que é um tumor benigno?

    O tumor benigno é formado por um crescimento desordenado de células, mas que permanece restrito ao local onde surgiu. Ele pode até aumentar bastante de tamanho, mas não invade outros tecidos nem se espalha para órgãos distantes.

    “Pode até crescer bastante, mas se for retirado cirurgicamente, está curado”, explica o oncologista.

    Isso não significa, no entanto, que um tumor benigno nunca represente risco. “Se um tumor benigno crescer no cérebro, por exemplo, pode comprimir estruturas vitais e ser letal. Mas ele não se espalha para outros órgãos”, conta o médico.

    O que caracteriza um tumor maligno?

    O tumor maligno, por sua vez, tem a capacidade de invadir outros tecidos e se espalhar pelo corpo, o que se chama de metástase.

    “A partir do momento em que ele consegue lançar células na circulação sanguínea ou invadir outro órgão, é considerado maligno”, afirma o especialista.

    Esse comportamento invasivo torna o tumor maligno mais agressivo e com necessidade de acompanhamento e tratamento rápido.

    Aparência e diagnóstico: como diferenciar?

    De acordo com o oncologista, não existe um sinal clínico definitivo mostre a diferença entre tumor benigno e maligno. “O crescimento rápido, por exemplo, pode estar presente nos dois tipos, embora seja mais sugestivo de malignidade”.

    Em alguns casos, porém, a aparência ajuda a diferenciar. “Em termos de aparência, o tumor benigno tende a ser encapsulado, redondinho, enquanto o maligno é irregular, enraizado”, explica o especialista.

    Mas ele alerta que isso não é uma regra absoluta. “Existem tumores benignos que parecem malignos nas imagens. Só a biópsia confirma o diagnóstico correto”.

    Ou seja, a avaliação médica e os exames são fundamentais para diferenciar com segurança.

    Confira: Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer

    Tumor benigno pode virar maligno?

    Alguns tipos de tumor benigno podem, sim, evoluir para maligno. “Alguns tumores benignos permanecem assim para sempre, porque a mutação celular não permite que evoluam. Outros, porém, podem sofrer alterações e se transformar em malignos. Isso depende do tipo e da natureza do tumor”, explica o médico.

    Por isso, mesmo tumores benignos não devem ser considerados inofensivos. “Em muitos casos, precisam ser retirados cirurgicamente para evitar riscos futuros de malignização”, detalha o oncologista.

    Perguntas frequentes sobre tumor benigno e maligno

    1. Todo tumor é câncer?

    Não. Nem todo tumor é maligno. Muitos tumores são benignos e não se espalham para outros órgãos, mas ainda assim precisam ser avaliados pelo médico e, muitas vezes, removidos por meio de uma cirurgia.

    2. Tumor benigno pode virar maligno?

    Sim, em alguns casos específicos. O oncologista Thiago Chadid explica que isso depende do tipo de tumor, por isso a biópsia é sempre importante para o acompanhamento.

    3. Tumor benigno precisa ser tratado?

    Na maioria das vezes, sim. Mesmo não se espalhando, um tumor benigno pode crescer e causar problemas dependendo da localização, como no cérebro ou em órgãos vitais.

    4. Qual é a principal diferença entre tumor benigno e maligno?

    O benigno cresce apenas no local onde surgiu, enquanto o maligno invade tecidos vizinhos e pode se espalhar pelo corpo (metástase).

    5. Como o médico descobre se o tumor é benigno ou maligno?

    O exame definitivo é a biópsia, que analisa o tecido em laboratório. Imagens de exames podem dar pistas, mas só a análise das células confirma.

    6. O tumor maligno sempre é agressivo?

    Sim, por definição ele é mais perigoso porque pode se espalhar para outros órgãos. Porém, cada tipo de câncer tem um comportamento diferente e o tratamento varia de acordo com o caso.

    Leia mais: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados