Tag: tuberculose

  • Tuberculose: sintomas que vão além da tosse persistente 

    Tuberculose: sintomas que vão além da tosse persistente 

    A tuberculose é uma doença antiga, conhecida há milhares de anos, mas que ainda representa um importante desafio de saúde pública. Mesmo com tratamento eficaz e gratuito disponível, a doença continua presente, especialmente em populações mais vulneráveis. No Brasil, por exemplo, houve mais de 85 mil casos novos detectados em 2024, o que torna a doença ainda bem presente na realidade atual.

    Ao longo da história, o controle da tuberculose passou por avanços e retrocessos. Na década de 1980, por exemplo, houve aumento dos casos com a disseminação da infecção pelo HIV.

    Mais recentemente, o surgimento de cepas resistentes aos medicamentos e o uso crescente de tratamentos imunossupressores trouxeram novos desafios para o diagnóstico e o controle da doença.

    O que é a tuberculose?

    A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. Ela afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos do corpo, especialmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

    A doença pode se apresentar de duas formas principais:

    • Tuberculose latente, quando a bactéria está presente no organismo, mas não causa sintomas;
    • Tuberculose ativa, quando a infecção se manifesta com sintomas e pode ser transmitida.

    Fatores de risco

    Os fatores de risco para tuberculose podem estar relacionados à pessoa ou ao ambiente.

    Fatores relacionados ao hospedeiro

    • Infecção pelo HIV;
    • Uso prolongado de corticoides em doses altas;
    • Transplantes de órgãos;
    • Uso de medicamentos imunobiológicos;
    • Desnutrição;
    • Tabagismo, alcoolismo e uso de drogas injetáveis.

    Fatores ambientais

    • Contato próximo com pessoas com tuberculose ativa;
    • Pessoas em situação de rua;
    • Pessoas privadas de liberdade;
    • Populações indígenas.

    Transmissão

    A tuberculose é transmitida de pessoa para pessoa, por meio de gotículas e aerossóis liberados ao falar, tossir ou espirrar. A transmissão ocorre principalmente em pacientes com as formas pulmonar e laríngea, chamadas de formas bacilíferas.

    Quando a bactéria é inalada, ela pode alcançar os pulmões. Em pessoas com boa imunidade, o organismo consegue conter a infecção, formando uma estrutura chamada granuloma. Nesse caso, ocorre a infecção latente, presente em cerca de 90% das pessoas infectadas.

    Quando há falha na defesa do organismo, a infecção evolui para tuberculose ativa, que pode atingir:

    • Pulmões;
    • Linfonodos;
    • Pleura;
    • Ossos e vértebras;
    • Rins;
    • Meninges.

    Sintomas

    Tuberculose latente

    A maioria das pessoas com tuberculose latente não apresenta sintomas. O diagnóstico costuma ocorrer em exames de rastreamento ou de rotina.

    Tuberculose pulmonar

    O sintoma mais característico é tosse persistente por mais de 3 semanas, seca ou com secreção

    Outros sintomas comuns são:

    • Febre baixa, principalmente no fim do dia;
    • Emagrecimento;
    • Suor noturno.

    Em pessoas com imunidade comprometida, pode ocorrer uma forma mais grave chamada tuberculose miliar, com maior comprometimento pulmonar.

    Tuberculose extrapulmonar

    • Tuberculose pleural: dor ao respirar, tosse seca, febre, emagrecimento;
    • Tuberculose ganglionar: aumento indolor dos linfonodos, principalmente no pescoço;
    • Tuberculose meningoencefálica: dor de cabeça, rigidez de nuca, sonolência, febre, vômitos;
    • Tuberculose pericárdica: dor no peito, falta de ar, febre, tosse seca;
    • Tuberculose óssea: dor óssea, principalmente na coluna (Mal de Pott), com dor lombar e suor noturno.

    Diagnóstico

    No Brasil, toda pessoa com tosse por mais de 3 semanas deve ser investigada para tuberculose.

    Os principais exames incluem:

    • Baciloscopia do escarro, que identifica o bacilo de Koch;
    • Teste rápido molecular, que confirma o diagnóstico e avalia resistência à rifampicina.

    Exames de imagem, como radiografia e tomografia de tórax, ajudam a avaliar o comprometimento pulmonar.

    Nos casos extrapulmonares, os exames são direcionados ao órgão acometido, como:

    • Biópsia de linfonodos;
    • Coleta de líquor;
    • Análise de líquido pleural.

    Tratamento

    A tuberculose é tratável e curável, desde que o esquema seja seguido corretamente.

    O tratamento padrão em adultos e adolescentes inclui:

    • Fase intensiva: 2 meses com quatro medicamentos (rifampicina, isoniazida, etambutol e pirazinamida);
    • Fase de manutenção: 4 meses com rifampicina e isoniazida.

    Em casos de tuberculose óssea ou meningoencefálica, a fase de manutenção é estendida para 10 meses.

    Seguimento

    O acompanhamento é fundamental para garantir a cura e evitar a transmissão.

    Durante o tratamento, é realizado:

    • Acompanhamento clínico mensal;
    • Avaliação de efeitos colaterais;
    • Controle da adesão ao tratamento.

    Na tuberculose pulmonar, é feita baciloscopia mensal para avaliar resposta ao tratamento e interrupção da transmissão.

    Leia mais: Pneumonia adquirida na comunidade: entenda como se pega e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes sobre tuberculose

    1. Tuberculose tem cura?

    Sim. A tuberculose tem cura quando o tratamento é feito corretamente até o fim.

    2. Quem tem tuberculose latente transmite a doença?

    Não. Apenas pessoas com tuberculose ativa transmitem a infecção.

    3. Toda tosse prolongada é tuberculose?

    Não, mas toda tosse com duração superior a 3 semanas deve ser investigada.

    4. É possível pegar tuberculose mais de uma vez?

    Sim. A reinfecção pode ocorrer, especialmente se houver falha no tratamento ou nova exposição.

    5. Interromper o tratamento é perigoso?

    Sim. A interrupção pode levar à resistência da bactéria e dificultar a cura.

    Veja mais: Pneumonia por pneumococo: o que é e quando suspeitar dessa bactéria