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  • O que acontece na fase de mania do transtorno bipolar? Veja sintomas e como você deve agir

    O que acontece na fase de mania do transtorno bipolar? Veja sintomas e como você deve agir

    O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica em que acontece a alternância entre episódios de depressão e momentos de euforia ou de aceleração intensa, conhecidos como mania. Durante a fase depressiva, a pessoa pode sentir tristeza profunda, desânimo, perda de interesse pelas atividades do dia a dia e falta de energia.

    Já na fase de mania, pode acontecer o oposto: a pessoa fica com muita disposição, dorme pouco, fala mais do que o habitual, tem os pensamentos acelerados e pode agir por impulso, sem perceber os riscos das próprias atitudes.

    Apesar de ser um dos sintomas mais conhecidos do transtorno bipolar, a mania ainda é pouco compreendida e, em vários casos, pode ser confundida com felicidade, excesso de energia, produtividade ou uma personalidade naturalmente mais extrovertida.

    Consequentemente, várias pessoas demoram para procurar ajuda e só recebem o diagnóstico depois que os sintomas já começaram a causar prejuízos na vida pessoal, profissional, financeira ou nos relacionamentos.

    O que é a fase de mania no transtorno bipolar?

    Diferente do que diz o senso comum, o episódio de mania não deve ser confundido com traços de temperamento ou apenas com um momento de extroversão momentânea. Na verdade, a mania é uma alteração neurobiológica grave que modifica profundamente a percepção e o comportamento da pessoa.

    Segundo explica o psiquiatra Luiz Dieckmann, a fase de mania precisa de uma avaliação médica cuidadosa para não ser banalizada.

    “Na fase da mania do transtorno bipolar, a pessoa não está apenas animada. Ela pode ficar com uma energia muito alta, dormir pouco, não sentir cansaço, falar mais rápido, ter pensamentos muito acelerados e tomar decisões impulsivas e colocá-la em risco”.

    A mania representa um estado de hiperativação do cérebro e, durante o episódio, a pessoa pode perder a capacidade de avaliar os riscos das próprias atitudes, o que pode gerar consequências importantes para a vida pessoal, financeira e social.

    Quais são os principais sintomas da mania?

    Os sintomas da fase de mania afetam o sono, o humor, o pensamento e o controle dos impulsos. Luiz esclarece que a aceleração mental costuma aparecer junto com comportamentos impulsivos, além de aumento da irritabilidade ou de uma sensação exagerada de grandiosidade. As principais manifestações incluem:

    • Privação de sono sem cansaço: a pessoa dorme poucas horas, ou até mesmo não dorme, e acorda com a sensação de energia renovada;
    • Logorreia e taquipsiquismo: a fala fica muito rápida e difícil de interromper, acompanhada por um fluxo intenso de pensamentos;
    • Impulsividade financeira e sexual: podem ocorrer compras compulsivas, dívidas inesperadas e comportamentos sexuais de risco, sem a proteção ou os cuidados habituais;
    • Mudanças bruscas de humor: a euforia pode dar lugar a uma irritabilidade intensa em poucos segundos quando a pessoa é contrariada.

    “É comum aparecer e acontecer um aumento grande dos gastos, um comportamento sexual de risco, irritabilidade muito forte ou sensação exagerada de poder, de confiança”, aponta o psiquiatra.

    Sinais de gravidade: quando a pessoa perde o contato com a realidade?

    Quando a mania evolui sem o tratamento adequado, a pessoa pode perder o contato com a realidade. Em alguns casos surgem delírios e ideias grandiosas, fazendo com que a pessoa acredite, por exemplo, que tem poderes especiais, que é um profeta ou que consegue curar outras pessoas.

    Luiz explica que também podem acontecer comportamentos de grande exposição social, como sair sem roupa na rua, o que mostra a gravidade da crise e a necessidade de atendimento médico imediato.

    Após a recuperação, muitas pessoas sentem vergonha ou constrangimento ao lembrar das atitudes que tiveram durante o episódio. Por isso, o acolhimento da família e a proteção da pessoa durante a crise são muito importantes.

    O que fazer durante uma crise de mania de um familiar ou amigo?

    Lidar com uma pessoa em crise de mania pode ser muito difícil para familiares e amigos. Normalmente, a primeira reação é tentar convencer a pessoa de que as ideias dela não fazem sentido, mas confrontos diretos costumam aumentar o estresse e podem intensificar a irritação.

    De acordo com Luiz, a prioridade deve ser reduzir os estímulos ao redor e preservar a segurança da pessoa. “O conselho que eu te dou é: não confronte a pessoa de forma agressiva. Reduz o estímulo, tenta manter a segurança e você tem que procurar um atendimento médico psiquiátrico rapidamente, muito rapidamente, para evitar uma exposição”.

    Antes do atendimento médico, medidas como apagar a televisão, afastar a pessoa de ambientes muito barulhentos e cheios, guardar cartões de crédito e evitar discussões podem ajudar.

    Quando a crise de mania é considerada emergência médica?

    Quando a pessoa apresenta perda importante do controle do comportamento, risco de agressividade, gastos impulsivos muito elevados ou sintomas psicóticos, como delírios e perda do contato com a realidade, a situação deve ser avaliada imediatamente em um pronto-socorro.

    De acordo com Luiz Dieckmann, todos os sinais podem indicar uma emergência médica que precisa de atendimento rápido.

    Em alguns casos, o médico pode indicar uma internação temporária para ajustar a medicação com segurança, proteger a pessoa de prejuízos físicos, emocionais e financeiros e controlar a crise o mais rápido possível.

    A fase de mania passa?

    Apesar do grande impacto que a mania pode causar na vida da pessoa e da família, a fase é temporária e pode ser tratada com medicamentos específicos, como estabilizadores do humor e antipsicóticos, sempre prescritos pelo psiquiatra.

    O acompanhamento médico regular também ajuda a reduzir o risco de novas crises e a manter o transtorno bipolar controlado.

    É importante lembrar que a mania não faz parte da personalidade da pessoa e não significa que ela tenha um jeito de ser mais intenso ou uma personalidade forte, mas sim uma fase do transtorno bipolar que precisa de tratamento e acompanhamento médico.

    Com o uso correto da medicação e os cuidados ao longo do tempo, é possível controlar as crises, recuperar o equilíbrio e ter uma boa qualidade de vida.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes

    1. Transtorno bipolar é o mesmo que mudar de humor do nada?

    Não, as mudanças comuns de humor duram minutos ou horas e reagem aos acontecimentos do dia. No transtorno bipolar, as fases (mania ou depressão) duram dias, semanas ou meses e afetam gravemente o funcionamento da pessoa.

    2. O que é a hipomania?

    É uma versão mais branda da mania. A pessoa fica mais ativa, comunicativa e produtiva do que o normal, mas sem prejuízo grave ou sintomas psicóticos.

    3. O que acontece na fase de depressão bipolar?

    A pessoa sente tristeza profunda, falta de energia, perda de interesse em atividades, alterações no sono e apetite, sentimentos de inutilidade e, em casos graves, pensamentos suicidas.

    4. O que causa o transtorno bipolar?

    A causa é multifatorial, envolvendo forte predisposição genética, alterações na química cerebral (neurotransmissores) e gatilhos ambientais, como estresse extremo ou traumas.

    5. Como é feito o tratamento do transtorno bipolar?

    O tratamento combina medicamentos (como estabilizadores de humor e antipsicóticos) prescritos pelo psiquiatra com psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

    6. O que é a eutimia no transtorno bipolar?

    É o período de estabilidade. Na eutimia, o paciente não está nem em mania e nem em depressão, mantendo o humor neutro e equilibrado.

    7. Álcool e drogas interferem no transtorno bipolar?

    Sim, e gravemente. Substratos químicos alteram a química cerebral, desestabilizam o humor, diminuem a eficácia dos remédios e aumentam o risco de comportamentos impulsivos e crises.

    8. O transtorno bipolar é hereditário?

    Existe um forte componente genético. Ter um parente de primeiro grau (pai, mãe ou irmão) com o transtorno aumenta consideravelmente as chances de desenvolvê-lo, embora não seja uma regra absoluta.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

  • Por que os transtornos mentais causam ganho de peso? 

    Por que os transtornos mentais causam ganho de peso? 

    A presença de transtornos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar pode afetar diretamente o funcionamento do organismo e a forma como o corpo regula o metabolismo. Por isso, não é incomum perceber alterações no peso ao longo do tratamento ou durante períodos de maior instabilidade emocional.

    A variação acontece devido a uma combinação de fatores biológicos, como o desequilíbrio de neurotransmissores e hormônios, e fatores comportamentais, como a alteração nos hábitos alimentares e nos níveis de energia para atividades físicas.

    Para completar, o uso de certas medicações para o controle dos sintomas também pode influenciar o apetite e o armazenamento de gordura. Entenda mais, a seguir.

    Por que os transtornos mentais causam ganho de peso?

    O aumento de peso em pacientes com transtornos mentais acontece por uma combinação de alterações hormonais, uso de medicamentos e mudanças no estilo de vida.

    1. Alterações na fome e na saciedade

    Transtornos como depressão e ansiedade afetam neurotransmissores importantes, como serotonina e dopamina. Quando acontece um desequilíbrio nas substâncias, o cérebro tende a buscar formas rápidas de prazer e conforto, aumentando a vontade de comer alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura.

    2. O papel do cortisol (hormônio do estresse)

    Em quadros de ansiedade constante ou estresse prolongado, o psiquiatra Michel Haddad explica que o organismo eleva a produção de cortisol. O hormônio favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, o que dificulta o controle do peso mesmo quando há uma alimentação equilibrada.

    3. Efeitos colaterais dos medicamentos

    De acordo com Michel, alguns medicamentos utilizados no tratamento de transtornos mentais, como antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor, podem favorecer o ganho de peso por diferentes mecanismos.

    Receptores como os de histamina e serotonina, incluindo o 5-HT2C, por exemplo, participam da regulação da saciedade. Além disso, esses mecanismos também se conectam a hormônios metabólicos, como leptina e grelina. O resultado pode ser aumento do apetite e redução da sensação de saciedade.

    4. Cansaço e falta de energia (anedonia)

    A depressão e outros transtornos podem causar fadiga intensa e perda de interesse em atividades do dia a dia. Com menos disposição para se movimentar e praticar exercícios, o gasto calórico diminui, o que pode contribuir para o aumento de peso.

    5. Fome emocional

    Em muitos casos, a comida acaba sendo usada como uma forma de aliviar emoções difíceis, como tristeza, ansiedade, vazio ou angústia. O ato de comer pode trazer uma sensação momentânea de conforto, mas isso pode criar um ciclo de compensação alimentar difícil de interromper sem apoio profissional.

    “Quando o prazer basal diminui, o cérebro tende a buscar recompensas rápidas, açúcar, ultraprocessados, carboidratos simples. Não é apenas comportamento, é uma tentativa de autorregulação biológica”, explica Michel.

    Os riscos do aumento de peso

    As células de gordura produzem e liberam uma série de substâncias inflamatórias e hormônios no organismo, chamados de adipocinas. Quando há excesso de gordura, o corpo entra em um estado de inflamação crônica de baixa intensidade, o que pode desencadear diversos problemas:

    • Resistência à insulina: a gordura dificulta a ação da insulina, o que aumenta os níveis de açúcar no sangue e eleva o risco de diabetes tipo 2;
    • Sobrecarga cardiovascular: o aumento de peso eleva a pressão arterial e os níveis de colesterol LDL e triglicerídeos, aumentando as chances de infarto e AVC;
    • Alterações hormonais: como a gordura é ativa, ela pode interferir na produção de outros hormônios, afetando desde o ciclo menstrual até a qualidade do sono e a disposição física.

    O aumento rápido de peso pode afetar a autoestima e a imagem corporal do paciente, o que, em muitos casos, causa um ciclo vicioso: a pessoa se sente pior emocionalmente devido ao corpo, o que aumenta a ansiedade ou a tristeza, podendo levar ao abandono do tratamento medicamentoso sem orientação médica.

    Como evitar o ganho de peso durante o tratamento?

    Com ajustes no cotidiano e acompanhamento médico profissional, é possível controlar o peso corporal enquanto se cuida da saúde da mente.

    • Priorize o consumo de fibras nas grandes refeições para aumentar o tempo de digestão e garantir que o estômago envie sinais de saciedade ao cérebro de forma mais duradoura;
    • Inclua uma fonte de proteína magra em todos os lanches para evitar picos de insulina e reduzir aquela fome súbita que costuma aparecer entre as refeições principais;
    • Estabeleça horários fixos para o repouso noturno ajudando a regular os hormônios grelina e leptina que controlam diretamente o apetite e a queima de gordura;
    • Beba água em pequenos goles ao longo do dia para não confundir a sensação de sede com a vontade de comer e para aliviar a boca seca causada por alguns remédios;
    • Pratique a alimentação consciente sem distrações externas permitindo que você perceba o momento em que está satisfeito e evite o consumo excessivo por impulso ou tédio;
    • Realize caminhadas curtas ou atividades leves regularmente com o objetivo de melhorar a resposta do corpo à insulina e liberar neurotransmissores que estabilizam o humor;
    • Evite restrições alimentares severas ou dietas da moda pois a falta de carboidratos complexos pode reduzir a produção de serotonina e agravar os sintomas de ansiedade ou depressão;
    • Mantenha um diário simples de sensações e fome para identificar se a vontade de comer está ligada a um sentimento específico ou a uma necessidade física real.

    Se notar um aumento súbito de apetite após iniciar uma nova medicação, converse com seu médico. Em alguns casos, é possível ajustar a dose, trocar o horário da tomada ou até substituir o remédio por outro com perfil metabólico mais neutro.

    Quando procurar ajuda especializada?

    É recomendado procurar avaliação médica ou psicológica quando houver:

    • Ganho de peso rápido e superior a 5% do seu peso corporal total em um curto intervalo de tempo após o início de uma nova medicação;
    • Aumento descontrolado do apetite ou episódios de compulsão alimentar que provocam sentimento de culpa ou angústia constante após as refeições;
    • Alterações nos exames de sangue como aumento do colesterol, triglicerídeos ou glicemia em jejum identificados em rotinas médicas;
    • Surgimento de dores articulares ou cansaço excessivo, que dificultam a realização de tarefas simples do dia a dia devido ao novo peso;
    • Desejo de interromper o uso do remédio por conta própria devido ao medo de engordar ou por insatisfação com a própria imagem corporal;
    • Dificuldade em diferenciar a fome física da fome emocional mesmo aplicando técnicas de atenção plena e mantendo uma rotina alimentar;
    • Sensação de que o peso está agravando os sintomas do transtorno como isolamento social por baixa autoestima ou aumento da ansiedade e desânimo;
    • Presença de roncos ou pausas na respiração durante o sono que podem indicar o desenvolvimento de apneia relacionada ao acúmulo de gordura corporal.

    “A saúde mental não envolve apenas pensamentos, ela envolve inflamação, hormônios, circuitos cerebrais e comportamento. Por isso, tratar transtornos mentais não é apenas uma questão psicológica, é também uma forma de restaurar o equilíbrio também metabólico do nosso corpo”, finaliza Michel.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes

    1. Todo antidepressivo causa ganho de peso?

    Não, pois existem classes diferentes e cada organismo reage de uma forma, sendo que alguns medicamentos são considerados metabolicamente neutros ou podem até reduzir o apetite.

    2. Posso parar o remédio se perceber que estou engordando?

    A interrupção brusca nunca é recomendada pois pode causar o efeito rebote, fazendo com que os sintomas do transtorno mental voltem muito mais intensos e perigosos.

    3. Como diferenciar a fome física da vontade de comer?

    A fome física surge gradualmente e é saciada com qualquer alimento, enquanto a vontade de comer é súbita e direcionada a um alimento específico.

    4. A prática de exercícios atrapalha o efeito do remédio?

    Pelo contrário, a atividade física potencializa o tratamento psiquiátrico ao liberar endorfina e dopamina de forma natural e saudável.

    5. Por que sinto mais vontade de comer doce à noite?

    Muitas vezes isso ocorre pela queda nos níveis de serotonina ao fim do dia, levando o cérebro a buscar energia rápida para tentar melhorar o humor.

    6. Existe algum suplemento que ajude a evitar esse ganho de peso?

    O uso de qualquer suplemento deve ser aprovado pelo médico, pois algumas substâncias naturais podem interagir negativamente com a medicação psiquiátrica.

    7. Pode usar remédios para emagrecer junto com o tratamento psiquiátrico?

    A combinação é perigosa e só deve ser feita sob rigoroso acompanhamento médico, pois muitos inibidores de apetite causam irritabilidade e ansiedade

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Transtorno bipolar: quando o humor vai além das oscilações normais

    Transtorno bipolar: quando o humor vai além das oscilações normais

    Mudanças de humor fazem parte da vida. Mas quando essas oscilações são intensas, duram semanas e interferem no trabalho, nos relacionamentos e na segurança da pessoa, pode haver algo além de fase ruim. O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica séria, mas tratável, que exige diagnóstico correto e acompanhamento contínuo.

    Também chamado de transtorno afetivo bipolar (TAB), ele é caracterizado por episódios de elevação anormal do humor (mania ou hipomania) alternados com episódios de depressão. Entre essas fases, a pessoa pode passar por períodos de estabilidade.

    Um dos grandes desafios é que muitas vezes o primeiro episódio é depressivo, o que pode levar ao diagnóstico errado de depressão comum e atrasar o tratamento adequado.

    Quais são os tipos de transtorno bipolar?

    Segundo o manual diagnóstico utilizado em psiquiatria (DSM-5), existem diferentes formas da doença.

    Transtorno bipolar tipo I (TAB I)

    • Presença de pelo menos um episódio de mania (fase de euforia intensa ou irritabilidade com perda de controle);
    • Pode haver episódios depressivos;
    • Pode haver episódios de hipomania, que é uma fase de euforia de menor intensidade.

    Transtorno bipolar tipo II (TAB II)

    • Presença de pelo menos um episódio de hipomania (forma mais leve de euforia);
    • Presença de pelo menos um episódio de depressão maior;
    • Não há histórico de mania completa.

    Transtorno ciclotímico (ciclotimia)

    • Oscilações crônicas de humor mais leves;
    • Sintomas depressivos e de elevação do humor que não chegam a preencher todos os critérios formais;
    • Duração de pelo menos dois anos.

    Quem pode desenvolver?

    O transtorno bipolar pode afetar homens e mulheres de forma semelhante.

    • Início mais comum entre 15 e 24 anos;
    • A maioria apresenta sintomas antes dos 25 anos;
    • Pode haver novo pico de diagnóstico entre 45 e 54 anos.

    Estima-se que cerca de 2,4% da população mundial apresente algum grau do espectro bipolar.

    O que causa o transtorno bipolar?

    Não existe uma única causa. A condição resulta da combinação de vários fatores.

    Entre eles:

    • Predisposição genética (história familiar aumenta o risco);
    • Alterações em substâncias químicas do cérebro, como dopamina e serotonina (neurotransmissores);
    • Eventos estressantes importantes;
    • Alterações estruturais e funcionais no cérebro.

    Situações como perdas, separações, desemprego ou parto podem anteceder crises em pessoas predispostas.

    Como são os episódios?

    Episódio de mania (mais comum no tipo I)

    Dura pelo menos uma semana (ou menos, se houver necessidade de internação).

    Pode envolver:

    • Humor muito elevado ou irritabilidade intensa;
    • Energia exagerada;
    • Redução da necessidade de sono (dormir pouco e não sentir cansaço);
    • Fala acelerada;
    • Pensamentos rápidos;
    • Sensação de grandiosidade (acreditar que tem habilidades ou poderes especiais);
    • Impulsividade (gastos excessivos, decisões arriscadas);
    • Comportamentos de risco.

    Pode causar grande prejuízo social ou profissional. Em alguns casos, há perda de contato com a realidade (sintomas psicóticos).

    Episódio de hipomania (mais comum no tipo II)

    É semelhante à mania, mas:

    • Dura pelo menos 4 dias;
    • Não causa prejuízo grave;
    • Não há sintomas psicóticos;
    • Geralmente não exige internação.

    A pessoa pode parecer apenas “mais animada que o normal”, o que dificulta o diagnóstico.

    Episódio depressivo

    Dura pelo menos duas semanas.

    Pode incluir:

    • Tristeza persistente;
    • Perda de interesse;
    • Alteração do sono;
    • Alteração de apetite;
    • Cansaço excessivo;
    • Culpa exagerada;
    • Dificuldade de concentração;
    • Pensamentos de morte ou suicídio.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico, feito por psiquiatra com base em:

    • Entrevista detalhada;
    • Histórico de episódios anteriores;
    • Histórico familiar;
    • Exclusão de outras causas, como uso de drogas ou doenças clínicas.

    Não existe exame de sangue específico para confirmar transtorno bipolar.

    É importante diferenciar de:

    • Depressão comum;
    • Transtornos de ansiedade;
    • Transtorno de personalidade borderline;
    • TDAH;
    • Transtornos induzidos por substâncias.

    Como é o tratamento?

    O tratamento combina medicação e psicoterapia, geralmente por longo prazo.

    Tratamento da mania

    • Estabilizadores do humor (como lítio e valproato);
    • Antipsicóticos modernos (como quetiapina e risperidona);
    • Medicamentos para agitação, quando necessário;
    • Eletroconvulsoterapia (ECT) em casos graves.

    Vale lembrar que a eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento médico seguro realizado sob anestesia e usado em situações específicas.

    Tratamento da depressão bipolar

    • Lítio;
    • Lamotrigina;
    • Antipsicóticos específicos;
    • Antidepressivos não devem ser usados sozinhos, pois podem desencadear mania.

    Tratamento de manutenção

    • Uso contínuo de estabilizadores do humor;
    • Psicoterapia (como terapia cognitivo-comportamental);
    • Monitoramento de efeitos metabólicos;
    • Acompanhamento regular com psiquiatra.

    O lítio é um dos medicamentos mais eficazes na prevenção de recaídas e na redução do risco de suicídio.

    Complicações e riscos

    Sem tratamento adequado, o transtorno bipolar pode estar associado a:

    • Aumento do risco de suicídio;
    • Problemas financeiros e legais;
    • Doenças cardiovasculares e metabólicas;
    • Uso abusivo de álcool e drogas.

    Com tratamento correto, muitos pacientes conseguem estabilização e boa qualidade de vida.

    Quando procurar ajuda?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Oscilações intensas de humor;
    • Períodos de energia excessiva com impulsividade;
    • Episódios depressivos repetidos;
    • Ideias de suicídio;
    • Mudança significativa no padrão de sono ou comportamento.

    Veja mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes sobre transtorno bipolar

    1. Transtorno bipolar é o mesmo que mudança de humor?

    Não. As mudanças são intensas, duram dias ou semanas e causam prejuízo real.

    2. O transtorno bipolar tem cura?

    Não há cura definitiva, mas há controle eficaz com tratamento contínuo.

    3. Quem tem transtorno bipolar pode trabalhar normalmente?

    Sim. Com tratamento adequado, muitas pessoas levam vida produtiva.

    4. Antidepressivo pode piorar o transtorno bipolar?

    Sim, se usado sozinho pode desencadear mania.

    5. O transtorno bipolar é hereditário?

    Há forte componente genético, mas não é 100% determinístico.

    6. É possível prevenir recaídas?

    Sim. Com uso regular da medicação e acompanhamento.

    7. O transtorno bipolar pode aparecer só na fase adulta?

    Sim. Embora geralmente comece antes dos 25 anos, pode surgir mais tarde.

    Veja mais: Por que o domingo à noite mexe tanto com a ansiedade?