Tag: sobrepeso

  • 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 650 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a obesidade, uma doença crônica e inflamatória caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal — capaz de comprometer a saúde e a qualidade de vida.

    Por ser uma condição multifatorial, a obesidade é influenciada por diversos fatores que interagem entre si. Para entender como ela se desenvolve, conversamos com a endocrinologista Denise Orlandi. Confira!

    Como o IMC classifica a obesidade?

    O Índice de Massa Corporal (IMC) classifica a obesidade em adultos a partir do cálculo do peso dividido pela altura ao quadrado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida por um IMC igual ou maior que 30 kg/m², sendo subdividida em graus conforme a gravidade:

    • Sobrepeso: entre 25 e 29,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau I: entre 30 e 34,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau II (moderada): entre 35 e 39,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau III (grave ou mórbida): igual ou maior que 40 kg/m².

    Apesar de ser um método simples e bastante usado, o IMC não avalia a distribuição da gordura corporal nem diferencia a massa muscular de gordura. Uma avaliação clínica completa costuma incluir outras medidas, histórico de saúde e análise individual.

    Quais os fatores de risco da obesidade?

    Na maioria das vezes, diversos fatores de risco se combinam e influenciam o acúmulo de gordura corporal ao longo do tempo, sendo eles:

    1. Genética

    A herança familiar pode influenciar o metabolismo, o controle da fome, a sensação de saciedade e a forma como o corpo armazena a gordura. Quando existe um histórico familiar de obesidade, a probabilidade de desenvolver a condição pode ser maior.

    Ainda assim, mesmo com a influência genética, os hábitos de vida continuam tendo impacto importante na saúde.

    2. Ambiente

    O ambiente em que a pessoa vive favorece o ganho de peso em muitas situações, principalmente devido ao estilo de vida moderno. Segundo Denise, é o fator mais impactante hoje para o desenvolvimento de obesidade.

    • O consumo frequente de alimentos ultraprocessados ricos em gorduras, açúcares e calorias;
    • A rotina sedentária com pouca atividade física;
    • O tempo prolongado diante de telas, como celular, computador ou televisão;
    • A falta de tempo ou estrutura para preparar refeições equilibradas.

    As pequenas escolhas do dia a dia podem influenciar o peso ao longo do tempo, muitas vezes sem a pessoa perceber. A praticidade dos alimentos prontos, a correria da rotina e a diminuição da atividade física acabam favorecendo o consumo maior de calorias e um gasto menor de energia pelo corpo.

    3. Fatores emocionais

    As emoções, preocupações e situações difíceis no dia a dia podem mudar o apetite, a relação com a comida e até a forma como o corpo responde ao estresse. Muitas vezes, a alimentação deixa de atender apenas à fome física e passa a ter um papel emocional.

    Entre os principais fatores envolvidos, é possível destacar:

    • Ansiedade: que pode aumentar a vontade de comer mesmo sem fome, principalmente alimentos mais calóricos e açucarados;
    • Depressão: que pode alterar o apetite, a disposição e a motivação para cuidar da alimentação e da saúde;
    • Estresse crônico: que favorece o chamado comer emocional, situação em que a comida funciona como alívio ou conforto;
    • Busca por conforto na comida: comum em momentos difíceis, tristeza, frustração ou cansaço emocional.

    O acompanhamento com um profissional ajuda a entender melhor as emoções, a relação com a comida e a forma como cada pessoa enxerga o próprio corpo, tornando o processo de cuidado com a saúde mais consciente.

    4. Sono de má qualidade

    Além de manter o organismo em equilíbrio, o sono também pode impactar no controle do peso corporal. A privação ou a má qualidade do descanso interferem nos hormônios que regulam a fome, o metabolismo e os níveis de energia. O desequilíbrio ocorre, principalmente, devido aos seguintes fatores:

    • Privação de horas de descanso, quando a pessoa dorme menos do que o necessário de forma frequente;
    • Má qualidade do sono, com despertares noturnos ou sono leve e pouco reparador;
    • Alteração da grelina, hormônio que estimula a fome e pode aumentar quando o sono é insuficiente;
    • Redução da leptina, hormônio responsável pela sensação de saciedade.

    No geral, priorizar o descanso é uma parte importante do cuidado com a saúde e do equilíbrio do peso corporal. Se você é uma pessoa com dificuldade frequente para dormir ou apresenta sinais de insônia, vale procurar um profissional da saúde para iniciar o tratamento adequado.

    5. Fatores sociais e econômicos

    Os fatores sociais e econômicos interferem diretamente nos hábitos alimentares, na rotina e na qualidade de vida. A forma como cada pessoa vive, trabalha, se desloca e se alimenta pode influenciar bastante o peso corporal e a saúde ao longo do tempo.

    • Acesso limitado a alimentos frescos e nutritivos, situação que pode ocorrer quando frutas, verduras e alimentos naturais têm custo elevado ou pouca disponibilidade na região;
    • Ausência de espaços seguros para caminhar ou praticar exercícios, o que dificulta a prática regular de atividade física no dia a dia;
    • Rotina marcada por estresse constante ou excesso de trabalho, que reduz o tempo e a energia para cozinhar, se exercitar ou cuidar melhor da saúde;
    • Dificuldades financeiras, que muitas vezes levam à escolha de alimentos mais baratos, normalmente ultraprocessados e menos nutritivos.

    A realidade social pode facilitar ou dificultar a adoção de hábitos mais saudáveis, e nem sempre isso depende só da vontade da pessoa.

    Por isso, cuidar da saúde também significa olhar com compreensão para a rotina, as dificuldades e o contexto em que cada pessoa vive.

    Fases da vida em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso

    Ao longo da vida, Denise explica que existem momentos em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso, principalmente por causa de mudanças hormonais, emocionais e de estilo de vida. São eles:

    • Infância e adolescência: são fases em que os hábitos alimentares e o estilo de vida começam a se formar. Uma alimentação pouco equilibrada nesse período pode facilitar o aumento da gordura corporal e tornar o controle do peso mais difícil na vida adulta;
    • Gravidez: o ganho de peso faz parte de uma gestação saudável e é esperado. Porém, quando acontece acima do recomendado, pode ser mais difícil perder o peso depois do parto, aumentando o risco de obesidade para a mãe;
    • Menopausa: nessa fase ocorrem mudanças hormonais importantes, como a queda do estrogênio. Isso, junto com a perda natural de massa muscular com a idade, pode deixar o metabolismo mais lento e favorecer o acúmulo de gordura, principalmente na região da barriga.

    Quando o ganho de peso precisa de intervenção médica?

    De acordo com Denise, o ganho de peso passa a ser uma preocupação para a saúde quando começa a afetar o bem-estar e aumenta o risco de outras doenças.

    Além do IMC, a circunferência abdominal também é necessária para avaliar a quantidade de gordura na região da barriga, conhecida como gordura visceral, que está relacionada ao risco de problemas cardiovasculares e metabólicos.

    • Níveis de alerta para aumento do risco cardiovascular e diabetes: circunferência abdominal a partir de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres;
    • Risco muito elevado (obesidade abdominal): circunferência acima de 102 cm em homens e 88 cm em mulheres.

    A presença de doenças associadas, como pré-diabetes, hipertensão, colesterol alto ou dores articulares, também são sinais claros de que uma intervenção médica é necessária.

    “O ideal é não esperar ‘passar do ponto’. Uma pessoa que sempre teve um peso estável e percebe um ganho de peso progressivo e não intencional — por exemplo, ganhar mais de 5% do seu peso em um período de 6 meses — já deve procurar orientação”, complementa Denise.

    Quais os benefícios de uma intervenção mais cedo?

    Ao intervir mais cedo, fica muito mais fácil ajustar pequenos hábitos agora do que tratar a obesidade e suas complicações mais adiante. Entre os principais benefícios, Denise aponta:

    • Prevenção de doenças: ajuda a reduzir o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer;
    • Mais facilidade no tratamento: pequenas mudanças de hábitos tendem a ser mais simples de manter ao longo do tempo;
    • Melhora da qualidade de vida: contribui para mais disposição, melhor mobilidade e bem-estar emocional;
    • Evita a adaptação do corpo ao peso mais alto: com o tempo, o organismo pode se adaptar ao peso elevado, tornando o emagrecimento mais difícil. A intervenção precoce pode evitar esse processo.

    Como é feito o tratamento de obesidade?

    O tratamento da obesidade costuma ser individualizado, adaptado à realidade, à saúde e às necessidades de cada pessoa. Normalmente, ele envolve mudanças no estilo de vida, acompanhamento profissional e, em alguns casos, medicamentos ou cirurgia:

    • Alimentação equilibrada: ajustes na rotina alimentar, com preferência por alimentos mais naturais e orientação nutricional quando possível;
    • Prática de atividade física: exercícios regulares, adaptados ao condicionamento físico e à rotina de cada pessoa;
    • Qualidade do sono: dormir bem ajuda a regular hormônios ligados à fome, energia e metabolismo;
    • Saúde emocional: acompanhamento psicológico pode ajudar na relação com a comida, no controle do estresse e no bem-estar geral;
    • Acompanhamento médico: avaliação periódica para monitorar a saúde e orientar o tratamento;
    • Uso de remédios: podem ser indicados para pessoas com IMC acima de 30 (ou 27 com comorbidades) que não respondem apenas às mudanças de estilo de vida, sempre com prescrição médica.

    De acordo com Denise, a cirurgia bariátrica costuma ser indicada em casos de obesidade mais grave, geralmente quando o IMC está acima de 40 kg/m², ou acima de 35 kg/m² na presença de comorbidades importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono ou outras condições associadas.

    Antes da cirurgia, a pessoa passa por uma avaliação completa com uma equipe de saúde, que pode incluir médico, nutricionista, psicólogo e outros profissionais. Isso é importante para garantir que o procedimento seja seguro e que a pessoa esteja preparada para as mudanças que virão depois da cirurgia.

    Após o procedimento, o acompanhamento contínuo, a adaptação alimentar, a prática de atividade física e o cuidado com a saúde emocional ajudam a manter os resultados e a preservar a saúde ao longo do tempo.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Quais são as principais doenças associadas à obesidade?

    Diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado) e problemas articulares.

    2. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    Sim, a obesidade está associada a um risco aumentado de pelo menos 13 tipos de câncer, devido ao estado de inflamação crônica que o excesso de gordura causa no organismo.

    3. O que é o efeito sanfona e por que ele ocorre?

    É a recuperação rápida do peso após uma perda severa. Ocorre frequentemente em dietas muito restritivas, pois o corpo entende a restrição como uma “ameaça” e reduz o metabolismo para poupar energia.

    4. É possível prevenir a obesidade?

    Sim, a partir de medidas como alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e cuidado com a saúde emocional.

    5. Como funciona a cirurgia bariátrica?

    É um procedimento que altera o sistema digestivo para limitar a quantidade de comida ingerida ou a absorção de nutrientes. É indicada para obesidade grau III ou grau II com doenças graves associadas, após falha do tratamento clínico.

    6. O que é comer emocional?

    É o hábito de usar a comida para aliviar sentimentos negativos (estresse, tristeza, tédio). Identificar os gatilhos é importante porque, nesses casos, a fome não é física, mas sim uma tentativa do cérebro de obter conforto imediato através da dopamina.

    7. Por que é tão difícil manter o peso após emagrecer?

    O corpo possui mecanismos de sobrevivência que tentam recuperar o peso perdido, aumentando a fome e reduzindo o gasto de energia. Por isso, o acompanhamento médico a longo prazo é essencial para “reprogramar” esses sinais.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • IMC: o índice avalia o peso, mas não conta toda a história 

    IMC: o índice avalia o peso, mas não conta toda a história 

    No consultório médico, na academia ou em calculadoras online, o IMC (Índice de Massa Corporal) é um dos parâmetros mais usados para avaliar se uma pessoa está dentro do peso considerado saudável, pois relaciona o peso e a altura e classifica em faixas que vão de baixo peso até obesidade grave.

    Apesar de ser prático e útil para identificar riscos em populações, o IMC não é perfeito. Ele não diferencia massa muscular de gordura corporal, por exemplo, o que pode gerar distorções, como no caso de uma pessoa musculosa que aparece como acima do peso ou daquela com aparência magra, mas com alto percentual de gordura.

    Como calcular o IMC?

    É bem fácil fazer a conta:

    IMC = peso (kg) ÷ altura² (m)

    Uma pessoa com 70 kg e 1,70 m de altura, por exemplo, tem IMC de 24,2 kg/m².

    Valores de referência de IMC

    Os valores de referência para adultos são:

    • Abaixo de 18,5: baixo peso
    • 18,5 a 24,9: peso normal
    • 25 a 29,9: sobrepeso
    • 30 a 34,9: obesidade grau I
    • 35 a 39,9: obesidade grau II
    • 40 ou mais: obesidade grau III

    Essa tabela é usada como ferramenta de triagem para riscos ligados ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, pressão alta e problemas cardiovasculares.

    Leia mais: Alimentação saudável: o que é, benefícios e como ter

    Limitações: quando ele pode enganar

    Embora seja importante, fácil de calcular e traga uma boa noção de que faixa a pessoa está, o exame tem algumas limitações:

    • Pessoas muito musculosas: o IMC pode apontar sobrepeso ou obesidade, mesmo quando o percentual de gordura é baixo;
    • Falsos magros: pessoas com peso considerado normal podem ter excesso de gordura corporal e baixo percentual de massa magra, o que aumenta o risco metabólico;
    • Diferenças individuais: idade, sexo e etnia influenciam na composição corporal, mas não são considerados no cálculo.

    Por isso, o ideal é que o IMC seja avaliado junto com outros parâmetros, como percentual de gordura, circunferência da cintura e exames laboratoriais.

    Percentual de gordura: por que também importa?

    O percentual de gordura corporal mostra de fato quanto do peso é composto por gordura e quanto corresponde a músculos, ossos e água. Ele pode ser medido com equipamentos como bioimpedância ou dobras cutâneas.

    Uma pessoa pode ter IMC normal, mas percentual de gordura elevado (falso magro). Outra, porém, pode ter IMC de sobrepeso, mas ser muito musculosa e saudável.

    Por isso, especialistas defendem que olhar apenas para o IMC é como ver só a capa do livro, e é preciso avaliar o conteúdo, nesse caso, a composição corporal.

    Obesidade pré-clínica

    A partir de 2025, o diagnóstico da obesidade ganha um olhar mais sofisticado, não só com o IMC. Com base em recomendações científicas, hoje se passou a diferenciar dois estágios da obesidade: pré-clínica e clínica.

    Obesidade pré-clínica

    É o excesso de gordura corporal em pessoas saudáveis, ou seja, ainda sem sinais claros de disfunção metabólica ou física, mas com risco de desenvolver complicações como diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares.

    Obesidade clínica

    É a obesidade que já manifesta impacto funcional em órgãos ou na capacidade de fazer atividades básicas do dia a dia. Essa distinção traz mais sensibilidade ao diagnóstico e permite tomar atitudes preventivas antes que o problema piore.

    Perguntas frequentes

    1. O IMC é confiável?

    Sim, mas é uma medida de triagem. Funciona bem em grandes populações, mas pode falhar em avaliações individuais.

    2. Crianças usam a mesma tabela de IMC?

    Não. Para crianças e adolescentes, existem curvas específicas de crescimento que levam em conta idade e sexo.

    3. O IMC serve para idosos?

    O índice pode não refletir bem a composição corporal em idosos, já que a perda de massa muscular é comum nessa fase da vida.

    4. Percentual de gordura é mais importante que IMC?

    Não é que seja “mais importante”, mas sim mais específico. O ideal é avaliar os dois em conjunto.

    5. Qual percentual de gordura é considerado saudável?

    Depende do sexo, da idade e do quanto de atividade física a pessoa faz, mas em geral:

    • Homens: 10% a 20%
    • Mulheres: 18% a 28%

    6. Só corro riscos se tiver IMC alto?

    Não. Mesmo com IMC normal, fatores como percentual de gordura, colesterol, pressão arterial e estilo de vida também contam muito para a saúde.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

  • Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Nos últimos anos, os remédios Ozempic e Wegovy ganharam as manchetes e as redes sociais por um motivo: a promessa de ajudar na perda de peso. Desenvolvidos originalmente para tratar diabetes tipo 2, esses remédios à base de semaglutida vêm sendo cada vez mais usados por quem busca emagrecer com apoio médico.

    Mas, afinal, o que eles têm de tão especial? Qual a diferença entre Ozempic e Wegovy? Funcionam mesmo? E será que todo mundo pode usar?

    O que são Wegovy e Ozempic

    Tanto Wegovy quanto Ozempic têm como princípio ativo a semaglutida, um medicamento que imita o hormônio GLP-1, naturalmente produzido pelo nosso corpo. “Essa substância atua regulando os níveis de açúcar no sangue e também o apetite”, explica a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein.

    Quando a glicose (açúcar) no sangue está alta, a semaglutida estimula a liberação de insulina (hormônio que ajuda a reduzir a glicose) e inibe a produção de glucagon (hormônio que aumenta a glicose). Além disso, ela age em áreas do cérebro que controlam fome e saciedade, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita com pequenas porções. Também retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a saciedade.

    A diferença entre eles está na indicação:

    • Ozempic: aprovado para tratar diabetes tipo 2.
    • Wegovy: aprovado para tratar sobrepeso e obesidade, junto com dieta e exercícios.

    Como esses medicamentos ajudam a emagrecer

    Agem no cérebro e no apetite

    Segundo a cardiologista, a semaglutida atua no cérebro, especialmente no hipotálamo e no tronco cerebral, que controlam a fome e a saciedade. Isso reduz a vontade de comer, especialmente alimentos ricos em gordura e açúcar.

    Têm efeito no esvaziamento do estômago

    Ela também retarda o esvaziamento do estômago, o que prolonga a sensação de saciedade após as refeições.

    Qual a diferença entre Wegovy e Ozempic

    Embora tenham o mesmo princípio ativo, as dosagens são diferentes. Wegovy contém doses maiores de semaglutida e é aprovado especificamente para o tratamento da obesidade.

    Já Ozempic, mesmo sendo usado por muitos para emagrecer, ainda é aprovado apenas para o tratamento do diabetes tipo 2 no Brasil.

    Quem pode usar Wegovy ou Ozempic para emagrecer

    Esses medicamentos não são para todo mundo. São indicados principalmente para:

    • Pessoas com IMC acima de 30, que indica obesidade;
    • Ou com IMC acima de 27 e doenças associadas (como pressão alta, apneia do sono ou colesterol alto)

    É sempre o médico quem deve avaliar os riscos e benefícios antes de indicar o uso.

    Apesar de o princípio ativo ser o mesmo para Ozempic e Wegovy, os critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são diferentes.

    “O Ozempic é aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2, indicado nos casos em que não é possível controlar os níveis de açúcar no sangue apenas com dieta e atividade física, quando o uso de outros remédios para diabetes não estão sendo suficientes para o controle a doença ou quando outras medicações para o diabetes são mal toleradas ou contraindicadas”, detalha a médica.

    “O emagrecimento, com o uso do Ozempic é um efeito adicional, não o objetivo principal”.

    No caso do Wegovy, explica ela, os critérios para indicação são o sobrepeso, quando o índice de massa corpórea (IMC) está entre 27 kg/m² e 30 kg/m² e o paciente apresenta pelo menos uma outra doença relacionada ao excesso de peso. “Diabetes, pressão alta, alteração de colesterol, apneia do sono, doenças cardiovasculares, ou adultos com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²), por exemplo”, explica a especialista. “A perda de peso é a principal indicação do Wegovy e ele deve ser usado juntamente com dieta e prática regular de atividade física”.

    Efeitos colaterais mais comuns

    Como qualquer medicamento, Ozempic e Wegovy podem causar efeitos colaterais. Por conta do mecanismo de ação, a maioria desses efeitos atinge o sistema digestivo, especialmente no início ou quando a dose aumenta. Os mais comuns são:

    • Enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Prisão de ventre;
    • Dor de cabeça.

    A médica recomenda refeições menores e mais frequentes, mastigar bem, evitar comidas gordurosas e manter boa hidratação. “Outro ponto importante é evitar perda excessiva de massa muscular com a ingestão adequada de proteínas, além de treino de força, como musculação, e exercícios de resistência, como pilates e calistenia”.

    Resultados: quanto peso é possível perder?

    “A perda de peso vai variar conforme cada pessoa e também vai estar relacionada com o estilo de vida adotado com alimentação adequada e prática regular de atividade física”, diz a médica.

    Ela conta que os estudos mostram que o Wegovy pode levar à perda média de 15% do peso inicial, enquanto o Ozempic costuma gerar cerca de 7%.

    Wegovy e Ozempic substituem dieta e exercício?

    Não. Esses medicamentos são uma ferramenta a mais no tratamento da obesidade. Sem mudanças no estilo de vida, os resultados são limitados.

    A boa notícia é que, ao controlar o apetite, eles podem ajudar as pessoas a adotarem uma rotina mais saudável com mais facilidade.

    Posso usar Ozempic ou Wegovy por conta própria?

    A resposta é não. “A semaglutida exige supervisão rigorosa para que o tratamento seja seguro e eficaz”, afirma Juliana Soares.

    Os riscos incluem pancreatite, pedras na vesícula, complicações em cirurgias (por retardar o esvaziamento do estômago) e contraindicações específicas, como histórico de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

    Por isso, é muito importante só usar o remédio com indicação médica.

    Perguntas frequentes sobre Wegovy e Ozempic

    1. Ozempic e Wegovy são a mesma coisa?

    Não exatamente. Os dois são feitos com semaglutida, mas Wegovy tem doses maiores e é aprovado para emagrecimento.

    2. Posso usar Ozempic para emagrecer mesmo sem diabetes?

    Somente com prescrição médica e se houver indicação clínica, como obesidade ou sobrepeso com doenças associadas.

    3. Quanto tempo leva para começar a emagrecer com Ozempic?

    Muitas pessoas notam perda de peso nas primeiras semanas, mas os resultados variam de pessoa para pessoa.

    4. O uso desses remédios é para sempre?

    Não necessariamente. O tempo de uso depende da resposta da pessoa ao remédio e da orientação médica.

    5. Os efeitos colaterais desaparecem?

    Na maioria dos casos, sim. O corpo costuma se adaptar ao Ozempic ou Wegovy após algumas semanas.

    6. É verdade que o medicamento pode causar flacidez?

    A flacidez é consequência comum de perda de peso rápida, não do remédio em si. Pode acontecer com ou sem semaglutida.

    7. Pode causar perda de massa muscular?

    Sim, se a pessoa não ingerir proteínas e fizer exercícios de força adequadamente.