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  • Saúde ocular infantil: qual é a idade certa para a primeira consulta oftalmológica?

    Saúde ocular infantil: qual é a idade certa para a primeira consulta oftalmológica?

    Se você é pai ou mãe, com certeza está atento a cada etapa do desenvolvimento do seu pequeno — e além do crescimento físico e cognitivo, a saúde dos olhos também merece atenção nos primeiros anos de vida. Ela é fundamental para o aprendizado, a coordenação motora e a interação da criança com o mundo.

    Mas afinal, quando ela deve realizar a primeira consulta oftalmológica? Conversamos com o oftalmologista Marcus Vinicius Takatsu para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

    Com que idade a criança deve realizar a primeira avaliação oftalmológica?

    Segundo a American Academy of Ophthalmology (AAO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria, a primeira consulta oftalmológica completa, com dilatação da pupila, deve ser realizada, preferencialmente, entre 6 meses e 1 ano de vida.

    Caso o exame esteja normal, Marcus explica que uma nova avaliação obrigatória deve ocorrer entre 3 e 5 anos, na fase pré-escolar, período fundamental para a detecção precoce de ambliopia.

    A condição, conhecida popularmente como olho preguiçoso, ocorre quando a visão não se desenvolve adequadamente em um ou em ambos os olhos durante a infância, mesmo quando não há alterações estruturais aparentes no olho.

    O que é avaliado na consulta oftalmológica?

    A consulta oftalmológica pediátrica é diferente da realizada em adultos e é adaptada para avaliar corretamente a visão da criança. O exame é feito com o uso de colírios que relaxam o foco dos olhos, o que permite medir o grau de forma mais precisa. Durante a primeira consulta oftalmológica, são avaliados:

    • Refração estática: identificação do grau real da criança, essencial para detectar miopia, hipermetropia e astigmatismo;
    • Motilidade ocular: análise dos movimentos dos olhos e realização de testes de cobertura para identificar estrabismos evidentes, microestrabismos ou desvios latentes;
    • Biomicroscopia e fundoscopia: avaliação detalhada da córnea, cristalino, retina, nervo óptico e mácula, permitindo detectar alterações estruturais que possam comprometer a visão.

    A realização desse exame completo é fundamental para garantir o desenvolvimento visual saudável da criança e identificar problemas ainda no início, evitando que se tornem permanentes ou prejudiquem a visão no futuro.

    Em quais situações a consulta deve ser feita antes do período?

    Segundo Marcus, algumas condições exigem avaliação oftalmológica ainda nos primeiros dias ou semanas de vida, como:

    • Prematuridade, devido ao risco de retinopatia da prematuridade;
    • Histórico familiar de retinoblastoma, catarata congênita ou glaucoma congênito;
    • Suspeita de infecções congênitas, como Zika, toxoplasmose e citomegalovírus (CMV).

    Nesses casos, o acompanhamento precoce é fundamental para preservar a saúde visual da criança.

    Sinais de alerta para os pais ficarem de olho

    Alguns sinais devem servir como alerta para pais e cuidadores, indicando a necessidade de avaliação oftalmológica imediata, independentemente da idade da criança. Entre os principais sinais de alarme pediátricos, Marcus destaca:

    • Leucocoria: aparecimento de um reflexo branco na pupila, perceptível em fotos com flash ou a olho nu, que pode indicar doenças graves e precisa de avaliação imediata;
    • Estrabismo constante: desvio dos olhos que não desaparece após os 4 meses de vida, não sendo considerado normal e devendo ser investigado;
    • Lacrimejamento excessivo com sensibilidade à luz: bebê que chora ou lacrimeja muito e tem dificuldade para abrir os olhos em ambientes claros, situação que pode indicar glaucoma congênito;
    • Nistagmo: movimentos involuntários dos olhos, como se estivessem “tremendo” ou “dançando”, que podem estar relacionados a problemas visuais ou neurológicos.

    O teste do olhinho substitui a primeira consulta oftalmológica?

    O teste do olhinho não substitui a primeira consulta oftalmológica. Ele apenas complementa e funciona como um exame de triagem. Ele, também chamado de Teste do Reflexo Vermelho, tem como objetivo identificar opacidades nos meios oculares, como catarata congênita, tumores intraoculares e outras alterações que impedem a passagem adequada da luz.

    No entanto, de acordo com Marcus, é um exame limitado e não avalia o fundo de olho de forma detalhada, não examina a retina periférica nem o nervo óptico, e não mede o grau dos olhos.

    “Uma criança pode passar no teste do olhinho e ser cega por atrofia do nervo óptico ou ter 8 graus de hipermetropia. Portanto, o exame oftalmológico completo é indispensável”, complementa o oftalmologista.

    O que é esperado da visão em cada faixa etária?

    A visão da criança se desenvolve de forma progressiva ao longo dos primeiros anos de vida, acompanhando o amadurecimento do cérebro e do sistema visual. Por isso, cada fase da infância apresenta expectativas diferentes em relação à visão:

    • Primeiros meses: o bebê percebe luz, sombras e movimentos, com visão ainda pouco nítida. Entre 3 e 6 meses, passa a fixar o olhar e acompanhar objetos;
    • A partir de 1 ano: a visão fica mais precisa, com reconhecimento de pessoas, cores e melhor coordenação entre olhos e mãos;
    • Entre 2 e 3 anos: a visão binocular se desenvolve, melhorando a noção de profundidade e a coordenação motora;
    • Dos 3 aos 5 anos: a visão já está madura para atividades escolares, como reconhecer formas, letras e números, sendo uma fase essencial para identificar problemas visuais.

    Acompanhar cada fase, ficar atento aos sinais e manter as consultas oftalmológicas em dia ajuda a identificar problemas logo no início.

    Leia mais: Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

    Perguntas frequentes sobre a primeira consulta oftalmológica de crianças

    1. Quando a criança precisa usar óculos?

    A criança precisa usar óculos quando apresenta alterações refrativas que prejudicam a formação adequada da visão. Entre as mais comuns estão hipermetropia, miopia e astigmatismo. Nem toda alteração de grau exige óculos imediatamente, mas quando o grau é significativo ou interfere no desenvolvimento visual, a correção torna-se necessária.

    2. Estrabismo em bebês é normal?

    Nos primeiros meses de vida, pequenos desvios podem ocorrer de forma passageira. No entanto, se o estrabismo persistir após os 4 meses de idade, ele não é considerado normal e deve ser investigado.

    3. Óculos fazem a visão “ficar mais fraca”?

    Não, e esse é um mito comum. Os óculos não enfraquecem a visão, eles corrigem o grau necessário para que os olhos e o cérebro se desenvolvam corretamente.

    4. Com que frequência a criança deve ir ao oftalmologista?

    Após a primeira avaliação, a frequência depende da idade e dos achados do exame. Em geral, consultas periódicas são indicadas durante a infância, especialmente antes da fase escolar.

    5. Uso excessivo de telas pode prejudicar a visão da criança?

    O uso prolongado de telas pode causar cansaço visual, olho seco e dificuldade de concentração. Pausas frequentes, limitação do tempo de tela e atividades ao ar livre ajudam a proteger a saúde dos olhos.

    6. Dor de cabeça em crianças pode estar ligada à visão?

    Sim, as alterações de grau não corrigidas, principalmente hipermetropia e astigmatismo, podem causar esforço visual e desencadear dores de cabeça, especialmente após atividades como leitura ou uso de telas.

    7. Lacrimejamento constante é normal em bebês?

    Nem sempre. Em alguns casos, o lacrimejamento pode estar relacionado à obstrução do canal lacrimal, infecções ou glaucoma congênito. Quando é frequente ou acompanhado de sensibilidade à luz, é importante procurar o oftalmologista.

    8. A ambliopia pode ser corrigida em qualquer idade?

    O tratamento é mais eficaz quando iniciado na infância, especialmente antes dos 7 anos. Quanto mais cedo a ambliopia é identificada, maiores são as chances de melhora da visão.

    Confira: Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

  • Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Quem nunca acordou com os olhos um pouco vermelhos ou sentiu aquela irritação depois de um dia longo? A vermelhidão nos olhos é um sintoma muito comum e, na maioria das vezes, está ligada a cansaço, poeira ou uma irritação leve que se resolve sozinha.

    Contudo, é muito importante ficar atento a alguns sinais de alerta para entender quando a vermelhidão nos olhos deixa de ser um incômodo passageiro e se torna uma urgência médica. Entenda mais, a seguir.

    O que pode causar a vermelhidão nos olhos?

    As causas mais comuns de olhos vermelhos no dia a dia estão, na maioria das vezes, relacionadas a alterações da superfície ocular. Entre as principais, o oftalmologista Marcus Vinicius Takatsu aponta:

    • Conjuntivites (virais, bacterianas ou alérgicas), que costumam provocar vermelhidão associada a secreção, coceira, ardência ou sensação de areia nos olhos;
    • Síndrome do olho seco, frequentemente relacionada ao uso prolongado de telas, ambientes com ar-condicionado, vento ou poluição, causando irritação e hiperemia ocular;
    • Blefarite, inflamação crônica das bordas das pálpebras, que pode causar olhos vermelhos, ardência, sensação de peso e desconforto visual.

    A vermelhidão também pode decorrer de uma hemorragia subconjuntival, provocada pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos superficiais. A condição se manifesta como uma mancha vermelha intensa no olho, geralmente indolor e sem prejuízo da visão.

    Ela costuma ocorrer após esforços físicos, como tosse, espirros, vômitos ou levantamento de peso, além de traumas leves, como esfregar os olhos. Em alguns casos, pode estar associada ao uso de medicamentos, como aspirina e anticoagulantes, bem como a condições sistêmicas, incluindo hipertensão arterial e diabetes.

    Quando a vermelhidão nos olhos é preocupante?

    A vermelhidão nos olhos se torna preocupante quando surge de forma súbita, é intensa ou vem acompanhada de outros sinais e sintomas que podem indicar condições oculares mais graves, como:

    • Dor ocular profunda, diferente de simples ardência ou sensação de areia;
    • Fotofobia intensa, com grande desconforto à exposição à luz;
    • Redução da acuidade visual, mesmo que discreta ou de início súbito.

    Também é motivo de alerta quando a vermelhidão aparece após trauma ocular, exposição a produtos químicos, uso inadequado de lentes de contato ou quando não melhora após alguns dias, mesmo com cuidados básicos.

    “É necessário uma avaliação do oftalmologista para saber se é benigna ou está associado a alguma doença”, esclarece Marcus.

    Quando a vermelhidão nos olhos pode indicar glaucoma agudo ou uveíte?

    Tanto o glaucoma agudo de ângulo fechado quanto a uveíte são condições sérias onde a vermelhidão não é o único sintoma e costuma ser acompanhada de sinais de alarme bem definidos, como Marcus aponta:

    • Glaucoma agudo: olho muito vermelho, pupila dilatada e que quase não reage à luz, aspecto opaco ou sem brilho na córnea, dor forte no olho, podendo vir acompanhada de náuseas, além de visão embaçada com halos coloridos ao redor das luzes;
    • Uveíte anterior: olho vermelho principalmente ao redor da íris, pupila pequena, sensibilidade intensa à luz e dor no olho, que pode piorar ao tocar ou ao movimentar os olhos.

    Ambas as condições são consideradas emergências oftalmológicas e não devem ser confundidas com causas comuns e benignas de olho vermelho. A presença de dor intensa, alterações no tamanho ou na reação da pupila, sensibilidade exagerada à luz ou diminuição da visão indica a necessidade de avaliação oftalmológica imediata.

    Quem tem conjuntivite alérgica precisa de acompanhamento oftalmológico?

    Na maioria dos casos, a conjuntivite alérgica não representa risco direto para a visão. Ainda assim, o acompanhamento oftalmológico é fundamental para confirmar o diagnóstico, indicar o tratamento mais adequado e ajustar a terapia conforme a intensidade e a frequência dos sintomas.

    “A conjuntivite alérgica crônica leva a criança/adulto a coçar os olhos. O ato mecânico de coçar é o principal fator de risco ambiental para o desenvolvimento e progressão do ceratocone (ectasia da córnea), que pode levar à necessidade de transplante de córnea. Tratar a alergia é prevenir a cegueira por ceratocone”, explica Marcus.

    A avaliação médica também é importante para evitar o uso inadequado de colírios e orientar medidas de controle dos fatores desencadeantes, contribuindo para um melhor controle da condição.

    O uso de colírios pode aliviar a vermelhidão nos olhos?

    O uso de colírios ajuda a aliviar a vermelhidão nos olhos, desde que o colírio seja adequado para a causa do problema. No entanto, nem todo colírio é seguro para uso indiscriminado. De acordo com Marcus, colírios vasoconstritores, que “branqueiam” os olhos de forma rápida, podem mascarar doenças, causar efeito rebote e piorar a vermelhidão com o uso prolongado.

    Já colírios com antibióticos ou corticoides só devem ser utilizados com orientação médica, pois o uso inadequado pode agravar infecções, aumentar a pressão ocular ou provocar outras complicações.

    Por isso, apenas o oftalmologista pode avaliar o que está provocando a vermelhidão e indicar o produto mais seguro e eficaz para cada caso.

    Quando a vermelhidão nos olhos exige avaliação médica imediata?

    É fundamental procurar um pronto atendimento oftalmológico sempre que surgirem os seguintes sinais de alerta:

    • Dor ocular moderada a intensa, principalmente quando persistente ou de início súbito;
    • Perda de visão súbita ou redução importante da acuidade visual;
    • Histórico de trauma ocular, incluindo pancadas, acidentes ou contato com substâncias químicas;
    • Alterações na pupila, como deformidade, tamanho irregular ou ausência de reação à luz;
    • Presença de mancha branca na córnea, que pode indicar úlcera corneana;
    • Vermelhidão ocular em usuários de lentes de contato, situação associada a maior risco de infecções graves, como as causadas por Pseudomonas ou Acanthamoeba.

    Veja mais: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

    Perguntas frequentes

    1. O uso excessivo de telas pode causar vermelhidão nos olhos?

    O uso prolongado de computadores, celulares e tablets reduz a frequência do piscar, o que favorece o ressecamento da superfície ocular. Isso leva à irritação e à dilatação dos vasos, resultando em olhos vermelhos, ardência e sensação de areia.

    2. Vermelhidão nos olhos pode estar relacionada ao uso de maquiagem?

    Sim, produtos vencidos, de baixa qualidade ou mal removidos podem causar irritação, alergias e inflamação da superfície ocular, resultando em vermelhidão. A higiene adequada dos olhos e dos pincéis de maquiagem é fundamental.

    3. Com que frequência é importante consultar um oftalmologista?

    Mesmo sem sintomas, a consulta oftalmológica regular é importante para avaliar a saúde dos olhos e detectar alterações precocemente. Em adultos, é recomendado uma avaliação periódica, especialmente após os 40 anos. Pessoas com doenças crônicas, histórico familiar de glaucoma ou uso de lentes de contato podem precisar de acompanhamento mais frequente.

    4. A exposição ao sol pode prejudicar os olhos?

    Sim, a exposição prolongada à radiação ultravioleta pode aumentar o risco de catarata, degeneração macular e pterígio. O uso de óculos de sol com proteção UV adequada é uma medida importante de prevenção.

    5. Quais cuidados simples ajudam a manter a saúde dos olhos?

    Manter boa higiene ocular, evitar coçar os olhos, usar colírios apenas com orientação médica, proteger os olhos do sol, descansar a visão ao longo do dia e realizar consultas oftalmológicas regulares são medidas simples que ajudam a manter a saúde dos olhos.

    Confira: Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

  • Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

    Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

    Um pouco de dor de cabeça no final da tarde, a necessidade de apertar os olhos para ler uma placa à distância, a dificuldade de enxergar com clareza o que está escrito na lousa. As situações podem até ser vistas como algo passageiro, mas tendem a indicar alterações na visão que merecem atenção.

    Conversamos com o oftalmologista Marcus Vinicius Takatsu para entender os principais sinais de problemas de visão, em adultos e crianças, e quando procurar um profissional com urgência.

    Quais sinais no dia a dia podem indicar problemas de visão?

    Em muitos casos, os sinais de problemas de visão aparecem de forma sutil e acabam sendo confundidos com cansaço ou situações momentâneas, o que pode atrasar o reconhecimento do problema.

    Por isso, Marcus aponta que é importante estar atento a alguns sinais que merecem investigação, como:

    • Redução da acuidade visual: dificuldade para enxergar com nitidez objetos distantes, como na miopia, ou próximos, como ocorre na hipermetropia e na presbiopia;
    • Astenopia: sensação de cansaço visual, que pode se manifestar como peso nas pálpebras, ardência nos olhos, lacrimejamento ou sonolência durante atividades que exigem esforço visual, como leitura ou uso prolongado de telas;
    • Efeito estenopeico: hábito de apertar os olhos para tentar enxergar melhor. Ao reduzir a abertura palpebral, ocorre uma melhora temporária do foco visual, causada pela diminuição das aberrações ópticas;
    • Alteração da sensibilidade ao contraste: dificuldade para enxergar em ambientes com pouca iluminação, como ao dirigir à noite ou sob chuva, situação frequentemente associada a alterações oculares iniciais, como a catarata.

    Além da redução da nitidez visual, adultos também devem ficar atentos a:

    • Afastamento de objetos para enxergar melhor: conhecido como “síndrome do braço curto”, é um sinal clássico da presbiopia, ou vista cansada, comum após os 40 anos;
    • Halos ao redor das luzes: percepção de círculos luminosos ao redor de lâmpadas ou faróis, o que pode estar associado a alterações como catarata, edema de córnea ou, em alguns casos, glaucoma;
    • Distorção de linhas retas (metamorfopsia): linhas que parecem tortas ao olhar para grades, portas ou molduras, um sinal de alerta importante para doenças da mácula, como a degeneração macular relacionada à idade.

    Mesmo quando não há dor ou sintomas mais evidentes, muitos problemas de visão evoluem de forma gradual e silenciosa, o que torna importante marcar uma consulta com o oftalmologista.

    Dor de cabeça frequente pode estar relacionada à visão?

    Desde que apresente algumas características específicas, sim. Segundo Marcus, a dor de cabeça de origem oftalmológica costuma surgir ao redor dos olhos ou na região da testa, tem caráter de pressão e tende a aparecer ou se intensificar no final do dia.

    Esse tipo de dor está diretamente relacionado ao esforço visual prolongado, como leitura, uso de telas ou atividades que exigem foco contínuo.

    Por outro lado, o oftalmologista explica que as dores de cabeça que aparecem logo ao acordar ou têm caráter pulsátil, como ocorre na enxaqueca, geralmente não têm origem ocular.

    Ainda assim, o esforço visual pode funcionar como um fator desencadeante ou agravante dessas crises, mesmo quando a causa principal não está diretamente ligada à visão.

    Em crianças, quais sinais indicam a hora de checar a visão?

    Segundo Takatsu, as crianças costumam se adaptar às dificuldades visuais e raramente relatam problemas espontaneamente. Por isso, a observação atenta do comportamento no dia a dia é fundamental para identificar possíveis alterações na visão e buscar avaliação oftalmológica no momento adequado.

    Alguns sinais de problemas de visão que merecem atenção incluem:

    • Aproximação excessiva de objetos: ficar muito perto da televisão, do celular ou do caderno;
    • Esfregar os olhos com frequência: pode indicar esforço visual ou alergias oculares;
    • Desinteresse por leitura ou queda no rendimento escolar: situação que pode ser confundida com falta de atenção, mas estar relacionada a alterações visuais não corrigidas, como a hipermetropia;
    • Inclinação da cabeça ao olhar (torcicolo ocular): tentativa de compensar dificuldades de alinhamento ocular, como estrabismo ou nistagmo.

    O excesso de telas pode mascarar problemas de visão?

    O uso prolongado de telas pode levar à chamada Síndrome da Visão do Computador, caracterizada principalmente por ressecamento ocular e esforço excessivo dos músculos responsáveis pelo foco. Isso acontece porque, ao olhar para telas, a frequência do piscar diminui, favorecendo a evaporação da lágrima, além de provocar um espasmo do músculo ciliar, responsável pelo ajuste do foco.

    “Isso pode mascarar ou exacerbar sintomas de olho seco, insuficiência de convergência ou hipermetropia latente. O paciente sente a visão borrada intermitente, que melhora ao descansar”, explica Marcus.

    Por melhorarem temporariamente com pausas visuais, muitas pessoas acabam atribuindo o desconforto apenas ao cansaço, deixando de investigar possíveis alterações visuais associadas.

    Por isso, quando a visão embaçada, o ardor ou o cansaço visual se tornam frequentes, é importante buscar avaliação oftalmológica para diferenciar a fadiga visual de outros problemas que podem estar por trás dos sintomas.

    Como ocorre a perda de visão?

    Qualquer perda de visão, com ou sem dor, deve ser considerada uma emergência médica e exige avaliação imediata. Ela pode acontecer de duas formas, dependendo da causa do problema visual:

    • Perda gradual: é mais comum em erros de refração, catarata e no glaucoma primário de ângulo aberto, conhecido como o “ladrão silencioso da visão”, pois evolui sem sintomas evidentes nas fases iniciais;
    • Perda abrupta ou súbita: costuma estar relacionada a condições mais graves, como alterações vasculares da retina, neurite óptica, descolamento de retina ou glaucoma agudo.

    Quando procurar um oftalmologista com emergência?

    A avaliação deve ser imediata, preferencialmente em pronto atendimento, nas seguintes situações:

    • Perda súbita da visão, parcial ou total;
    • Dor ocular intensa, especialmente quando associada a náuseas ou vômitos;
    • Trauma ocular, seja químico, perfurante ou por impacto;
    • Visão de flashes de luz acompanhados por aumento repentino de pontos pretos no campo visual ou sensação de uma “cortina” encobrindo a visão.

    Os sinais podem indicar condições graves que exigem diagnóstico e tratamento rápidos para evitar danos permanentes à visão.

    Perguntas frequentes

    1. O uso excessivo de telas pode prejudicar a visão?

    O uso prolongado de telas pode causar fadiga visual, ressecamento dos olhos e visão borrada temporária. Embora nem sempre cause danos permanentes, pode agravar sintomas de problemas visuais já existentes e gerar desconforto frequente.

    2. Quais problemas de visão costumam surgir com a idade?

    Com o envelhecimento, aumentam as chances de presbiopia, catarata, glaucoma e doenças da retina. As alterações costumam se desenvolver lentamente e, muitas vezes, sem sintomas iniciais claros.

    3. Halos ao redor das luzes são normais?

    Em alguns casos, podem ocorrer temporariamente, mas a presença frequente de halos ao redor das luzes pode indicar alterações oculares e merece avaliação oftalmológica.

    4. Com que frequência é indicado fazer exame de vista?

    A frequência varia conforme a idade e as condições de saúde, mas avaliações regulares ajudam a identificar problemas precocemente e preservar a saúde ocular.

    5. Coçar os olhos faz mal?

    Sim, coçar os olhos com frequência pode causar irritação, aumentar o risco de infecções e agravar quadros de alergia ocular. Além disso, o atrito constante pode lesionar a superfície dos olhos e, em casos mais raros, contribuir para alterações na córnea.

    6. Ler no escuro faz mal para os olhos?

    Ler com pouca iluminação não provoca danos estruturais aos olhos, mas aumenta o esforço visual, podendo causar cansaço, dor de cabeça e visão embaçada temporária.

    7. Olho seco pode causar visão embaçada?

    Sim, o ressecamento ocular interfere na qualidade da lágrima, essencial para uma visão nítida, podendo causar embaçamento intermitente, ardor e sensação de areia nos olhos.

    8. Luz azul realmente prejudica os olhos?

    A exposição excessiva à luz azul pode causar fadiga visual e interferir no sono, mas não há evidências suficientes de que cause danos permanentes à visão em níveis comuns de uso de telas.