Tag: saúde gastrointestinal

  • 9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

    9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

    A gastrite é uma inflamação, infecção ou desgaste da mucosa interna que protege o estômago contra o próprio ácido digestivo, o que torna a parede do estômago mais sensível e vulnerável a lesões.

    Ela pode aparecer de forma repentina, sendo chamada de gastrite aguda, ou se desenvolver lentamente e permanecer por meses ou anos, caracterizando a gastrite crônica.

    A condição pode surgir por diferentes causas, desde a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, considerada uma das mais comuns, até o uso frequente de medicamentos anti-inflamatórios ou hábitos alimentares que irritam o estômago.

    Identificar a gastrite logo no início permite tratar a causa corretamente, aliviar os sintomas mais rapidamente e evitar complicações, como feridas no estômago (úlceras) e inflamações mais graves. Pensando nisso, listamos os sintomas mais comuns da condição e quando você deve procurar um médico. Confira!

    1. Dor ou queimação abdominal

    A dor ou a queimação acontece porque o ácido do estômago entra em contato direto com a parede inflamada, provocando uma sensação de ardor que pode piorar ou melhorar logo após a alimentação, dependendo da pessoa e do tipo de gastrite.

    É o sinal mais comum da gastrite e costuma aparecer na parte superior do abdôrem, conhecida como a “boca do estômago”. Em alguns casos, o desconforto aparece quando o estômago está vazio, enquanto em outros pode surgir após refeições mais pesadas, ácidas ou gordurosas.

    2. Náuseas e os vômitos

    A inflamação da mucosa altera o processo normal da digestão e o funcionamento do estômago, tornando a digestão mais lenta e desconfortável. Como consequência, pode surgir uma sensação frequente de enjoo, especialmente após as refeições ou em períodos prolongados de jejum.

    Em crises mais intensas, podem ocorrer episódios de vômito, já que o organismo tenta eliminar o conteúdo que está causando irritação.

    3. Sensação de estufamento

    Mesmo após uma refeição pequena, pode surgir a sensação de ter comido em excesso. Isso acontece porque a gastrite deixa a digestão mais lenta, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no estômago, o que provoca pressão, desconforto e inchaço abdominal.

    4. Arrotos frequentes (eructação)

    Com a digestão prejudicada, pode ocorrer uma produção maior de gases ou a ingestão de ar devido ao desconforto abdominal. Isso leva a arrotos frequentes, muitas vezes acompanhados de um gosto ácido ou amargo na boca.

    5. Perda de apetite

    A associação entre a alimentação e o desconforto faz com que o cérebro reduza naturalmente a vontade de comer. Além disso, a sensação constante de estômago cheio diminui o interesse pelas refeições, podendo causar perda de peso sem intenção.

    6. Indigestão

    A indigestão, ou dispepsia, é a sensação de que a comida não foi bem digerida. Nessa situação, surge um desconforto persistente durante ou logo após as refeições, que pode incluir peso no estômago, queimação leve, estufamento e sensação de digestão lenta.

    Muitas pessoas descrevem a impressão de que o alimento “fica parado” no estômago por mais tempo do que o normal.

    7. Azia ou a sensação de queimação no peito

    A azia pode surgir quando o conteúdo ácido do estômago irrita a região superior do sistema digestivo. A sensação é de queimação que pode subir do estômago em direção ao peito ou à garganta, especialmente após refeições volumosas ou ao deitar logo depois de comer.

    8. Mau gosto na boca ou o gosto ácido frequente

    A acidez aumentada e a digestão prejudicada podem causar um gosto amargo ou ácido na boca, principalmente após arrotos ou ao acordar. O sintoma pode vir acompanhado de azia ou leve refluxo.

    9. Alterações nas fezes (em casos erosivos)

    Quando a gastrite provoca pequenos sangramentos na mucosa do estômago, o sangue digerido pode deixar as fezes muito escuras, pastosas e com odor forte, condição conhecida como melena. É um sintoma mais grave que precisa de atendimento médico.

    Quando procurar um médico?

    Se você apresentar desconforto abdominal, queimação ou náuseas por mais de uma semana, é importante marcar uma consulta médica. O uso de remédios para diminuir os sintomas pode mascarar uma infecção por H. pylori, por exemplo, que precisa de antibióticos para ser tratada.

    Também é necessário ficar atento a alguns sinais de alerta, que podem indicar que a gastrite está se tornando mais grave, como:

    • Perda de peso sem explicação;
    • Dificuldade para engolir;
    • Anemia sem causa conhecida;
    • Vômitos frequentes ou persistentes.

    Se surgirem sintomas como vômito com sangue, fezes muito escuras (pretas) ou desmaio, procure atendimento médico imediatamente.

    Como confirmar se é gastrite?

    O diagnóstico da gastrite é feito a partir de uma análise dos sintomas e do histórico de saúde, incluindo hábitos alimentares, uso de medicamentos, consumo de álcool e presença de estresse.

    Como a infecção pela bactéria Helicobacter pylori é uma das causas mais comuns da gastrite, podem ser solicitados exames para investigar a presença da bactéria, como:

    • Exame de sangue;
    • Exame de fezes;
    • Teste respiratório (teste do sopro).

    Quando é preciso uma confirmação mais precisa, o médico pode indicar uma endoscopia digestiva alta, exame que permite visualizar diretamente o interior do estômago por meio de uma pequena câmera introduzida pela boca.

    Durante o procedimento, também pode ser realizada uma biópsia, que consiste na coleta de uma pequena amostra do tecido para análise, ajudando a confirmar a inflamação e identificar a causa do problema.

    Em quadros leves, o diagnóstico pode ser feito inicialmente com base nos sintomas e na avaliação clínica. Mas, quando os sintomas persistem, pioram ou surgem sinais de alerta, os exames contribuem para confirmar a gastrite e orientar o tratamento adequado.

    Leia também: Dor abdominal: quais podem ser as causas desse sintoma tão frequente?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a gastrite?

    As causas mais comuns são a infecção pela bactéria H. pylori, o uso frequente de anti-inflamatórios (como ibuprofeno), o consumo excessivo de álcool e o estresse severo (gastrite de estresse).

    2. O que é a bactéria H. pylori?

    É uma bactéria que sobrevive no ambiente ácido do estômago e causa inflamação crônica, sendo a principal responsável por úlceras e gastrites persistentes.

    3. Quem tem gastrite pode tomar café?

    O ideal é evitar, especialmente com o estômago vazio. A cafeína estimula a produção de ácido gástrico, o que irrita a parede do estômago.

    4. Gastrite tem cura?

    Sim, especialmente a aguda. A crônica pode ser controlada com dieta e medicação, e se a causa for a H. pylori, a erradicação da bactéria costuma resolver o problema.

    5. Qual a diferença entre gastrite e úlcera?

    A gastrite é uma inflamação na superfície da mucosa. A úlcera é uma ferida mais profunda, como um “buraco” na parede do estômago ou duodeno.

    6. Como saber se é gastrite ou refluxo?

    A gastrite costuma causar dor e desconforto na região do estômago, enquanto o refluxo provoca queimação que sobe para o peito ou garganta. Apenas a avaliação médica pode diferenciar com segurança.

    7. Ficar muito tempo em jejum piora a gastrite?

    Pode piorar. O estômago continua produzindo ácido mesmo sem alimento, o que pode aumentar a irritação da mucosa inflamada.

    8. A gastrite é contagiosa?

    A gastrite em si não é contagiosa, mas a bactéria H. pylori, uma das causas da doença, pode ser transmitida por contato com saliva ou alimentos contaminados.

    Confira: Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

  • Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Diarreia constante: o que pode ser, sinais de alerta e quando procurar um médico

    Aumento da frequência das evacuações, fezes mais líquidas e dor ou desconforto abdominal são alguns dos principais sintomas da diarreia, que pode surgir de forma repentina ou se desenvolver ao longo de alguns dias, dependendo do que está causando o problema.

    Normalmente, o quadro é passageiro e melhora espontaneamente em poucos dias, mas quando dura 14 dias ou mais, ele é considerado persistente.

    “Quando [a diarreia] se prolonga por semanas, aumenta a chance de desidratação, perda de peso e de haver uma causa que precisa de investigação”, explica o cardiologista e clínico geral Giovanni Henrique Pinto.

    O que pode ser a diarreia constante?

    Quando a diarreia persiste por vários dias, ela pode estar relacionada a diferentes fatores, como aponta Giovanni:

    • Gastroenterites virais ou bacterianas, especialmente quando não tratadas adequadamente;
    • Parasitoses intestinais, mais comuns em locais com saneamento inadequado;
    • Uso de medicamentos, como antibióticos, metformina, suplementos de magnésio e laxantes;
    • Infecção por Clostridioides difficile, geralmente após uso recente de antibióticos ou período de internação hospitalar;
    • Intolerâncias alimentares, como lactose ou frutose;
    • Síndrome do intestino irritável, principalmente nas formas com predomínio de diarreia;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

    Quais os riscos da diarreia constante?

    A desidratação é o principal risco da diarreia constante e acontece porque o corpo perde muita água e sais minerais pelas fezes. Quando o organismo não consegue repor rapidamente essas perdas, Giovanni explica que podem surgir queda da pressão arterial, tontura, fraqueza e até lesão renal aguda.

    Em pessoas idosas, o perigo é maior porque o organismo tem menos capacidade de se adaptar à perda de líquidos. Além disso, a sensação de sede costuma ser menor, o que facilita a desidratação, mesmo quando a diarreia parece leve.

    No caso de pessoas com problemas no coração, como insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias, a perda de líquidos reduz a quantidade de sangue circulando no corpo.

    Nesses casos, a diarreia persistente pode agravar sintomas, alterar o funcionamento do coração e aumentar o risco de complicações, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Se você apresentar os seguintes sinais, procure atendimento médico imediatamente, pois a diarreia pode estar associada a um quadro mais grave e precisa de avaliação.

    • Presença de sangue nas fezes;
    • Fezes muito escuras ou com aspecto de borra de café;
    • Febre alta ou persistente;
    • Dor abdominal intensa ou que piora com o tempo;
    • Sinais de desidratação, como boca seca, diminuição da quantidade de urina, fraqueza intensa e tontura ou confusão mental;
    • Episódios de desmaio;
    • Piora do estado geral.

    A atenção deve ser redobrada quando os sintomas surgem em idosos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou com o sistema imunológico comprometido, pois o risco de complicações é maior.

    O que tomar para diarreia constante?

    Em adultos saudáveis, sem febre e sem presença de sangue nas fezes, alguns medicamentos antidiarreicos podem ser usados por curto período. Mesmo assim, o uso deve ser cauteloso, pois nem toda diarreia deve ser interrompida com remédios.

    Quando há suspeita de infecção mais grave, o uso dos medicamentos deve ser evitado, já que podem mascarar sintomas importantes e aumentar o risco de complicações. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável.

    Como é feita a investigação da causa?

    Para investigar a causa da diarreia constante, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, para entender a duração da diarreia, a frequência das evacuações, a presença de sintomas associados — além de hábitos alimentares, uso de medicamentos, viagens recentes e histórico de doenças intestinais.

    Também podem ser solicitados alguns exames específicos, como:

    • Exames de fezes: pesquisa de parasitas, bactérias, vírus, presença de muco, sangue ou sinais de inflamação;
    • Exames de sangue: avaliação de infecção, inflamação, anemia, desidratação e alterações de sais minerais;
    • Testes para intolerâncias alimentares: como lactose ou frutose, ou dieta de exclusão orientada;
    • Colonoscopia: indicada quando a diarreia é persistente ou há sinais de alerta, permitindo avaliar inflamações, lesões e doenças intestinais;
    • Outros exames de imagem ou endoscópicos: solicitados em situações específicas, conforme a suspeita clínica.

    Diarreia constante tem tratamento?

    O tratamento da diarreia constante depende da causa do problema e da gravidade dos sintomas. Em todos os casos, a reposição de líquidos e sais minerais é sempre necessária para prevenir a desidratação.

    Em casos de infecções, o tratamento varia de acordo com o agente causador. Infecções bacterianas ou parasitárias podem exigir o uso de medicamentos específicos, enquanto infecções virais costumam melhorar com medidas de suporte, como hidratação e alimentação adequada.

    Quando a diarreia está relacionada a intolerâncias alimentares, o principal cuidado é ajustar a dieta, com retirada temporária ou definitiva do alimento responsável.

    Já em doenças inflamatórias intestinais, o tratamento envolve acompanhamento médico contínuo e uso de remédios próprios para controle da inflamação.

    O uso de medicamentos para reduzir a diarreia pode ser indicado em situações selecionadas e por curto período, sempre com orientação profissional.

    Cuidados com a diarreia constante para evitar complicações

    Enquanto o quadro de diarreia constante não melhora, alguns cuidados simples no dia a dia ajudam a proteger o organismo, reduzir complicações e favorecer a recuperação, especialmente em pessoas mais vulneráveis. Alguns deles incluem:

    • Hidratação com sais minerais: dar preferência ao soro de reidratação oral, que repõe água e sais minerais de forma correta e funciona melhor do que beber apenas água;
    • Alimentação leve: escolher alimentos simples, como arroz, batata, banana e sopas, evitando álcool, comidas gordurosas e produtos industrializados;
    • Atenção aos sinais do corpo: observar se a urina diminuiu e se surgem tontura ou fraqueza;
    • Mais cuidado com grupos de risco: idosos e pessoas com problemas no coração precisam de acompanhamento mais próximo.

    Quem faz uso de diuréticos ou medicamentos para pressão arterial não deve ajustar doses por conta própria em caso de desidratação. Nesses casos, a orientação médica é importante para evitar queda de pressão ou sobrecarga nos rins.

    O que evitar se estiver com diarreia?

    Durante a diarreia, o intestino fica mais sensível e qualquer alimento inadequado pode piorar os sintomas, como:

    • Alimentos gordurosos ou frituras;
    • Leite e derivados;
    • Doces, açúcar e adoçantes artificiais;
    • Bebidas com cafeína, como café, chá preto e energéticos;
    • Álcool;
    • Alimentos muito condimentados ou apimentados;
    • Carnes processadas, como embutidos e fritos;
    • Vegetais crus e alimentos ricos em fibras insolúveis;
    • Refrigerantes e sucos industrializados;
    • Suplementos e laxantes.

    Assim que os sintomas melhorarem, a alimentação pode ser retomada de forma gradual, começando por alimentos leves e de fácil digestão.

    Veja também: Dor abdominal do lado esquerdo? Veja se pode ser diverticulite

    Perguntas frequentes

    1. Quando a diarreia passa a ser considerada “constante”?

    A diarreia é classificada como constante quando a alteração do hábito intestinal (fezes amolecidas ou líquidas) persiste por mais de 4 semanas.

    2. Por que sinto cólicas fortes junto com a diarreia?

    As cólicas são contrações musculares do intestino tentando expelir o conteúdo rapidamente. Se forem constantes, podem indicar inflamação ou sensibilidade exacerbada do órgão.

    3. É normal ter gases excessivos com a diarreia?

    Muitas vezes sim, especialmente se a causa for má absorção de carboidratos ou fermentação bacteriana excessiva no intestino (como no SIBO).

    4. Posso tomar remédios para “trancar” o intestino por conta própria?

    Não é recomendado. Se a diarreia for causada por uma infecção ou bactéria, segurar o fluxo pode piorar o quadro. O uso de medicamentos deve ser orientado por um médico.

    5. Qual especialista devo procurar?

    O gastroenterologista é o médico especialista indicado para investigar e tratar qualquer alteração intestinal que dure mais de um mês.

    6. O que é a esteatorreia (fezes gordurosas)?

    É um tipo de diarreia onde as fezes são volumosas, pálidas, têm odor muito forte e flutuam no vaso. Ela pode indicar má absorção de gordura, muitas vezes ligada a problemas no pâncreas ou no fígado.

    Confira: Diarreia: o que pode estar por trás desse sintoma tão comum