O hematoma subcoriônico, também conhecido como descolamento ovular, é uma condição que ocorre quando há um acúmulo de sangue entre a parede do útero e a membrana que envolve o saco gestacional. Ele afeta até 25% das mulheres que apresentam sangramento no início da gravidez e costuma ser identificado durante a ultrassonografia.
Na maioria dos casos, o hematoma é pequeno, não causa complicações graves e tende a ser reabsorvido naturalmente pelo organismo ao longo das semanas. No entanto, o risco de complicações pode ser maior quando o hematoma é volumoso, ocupando mais de 40% a 50% da área ao redor do saco gestacional.
Nesses casos, é necessário um acompanhamento mais próximo pelo obstetra para monitorar a evolução da gestação. Vamos entender mais, a seguir.
O que é hematoma subcoriônico (descolamento ovular)?
O hematoma subcoriônico é o acúmulo de sangue em um espaço específico do útero durante o início da gravidez. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a alteração está relacionada ao processo de formação da placenta.
Durante a gestação, a placenta se fixa ao revestimento interno do útero, chamado endométrio, que durante a fase passa por modificações e recebe o nome de decídua. Em alguns casos, podem ocorrer pequenos descolamentos nessa região.
Quando isso acontece, alguns vasos sanguíneos podem se romper, provocando um sangramento entre a placenta em formação e a parede do útero. O sangue fica acumulado no espaço, formando o hematoma subcoriônico, que pode variar em tamanho e evoluir de formas diferentes ao longo da gestação.
Importante: o hematoma subcoriônico é diferente do descolamento prematuro de placenta (DPP). O hematoma acontece no começo da gravidez, normalmente antes da 16ª semana, e o organismo costuma absorvê-lo sozinho. Já o DPP acontece no final da gestação e é uma emergência médica grave.
Quais os principais sintomas?
O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do hematoma subcoriônico, segundo Andreia, mas a aparência e o fluxo do sangramento dependem de onde o hematoma está localizado e se o sangue está conseguindo sair do útero:
- Sangramento escuro: normalmente indica um sangue antigo que estava represado e que o organismo começou a eliminar aos poucos. É muito comum quando o hematoma está se desfazendo;
- Sangramento vermelho vivo: costuma indicar um sangramento ativo e recente e pode variar de pequenas manchas a um fluxo semelhante ao de uma menstruação.
Em alguns casos, a mulher também pode apresentar uma dor abdominal persistente ou uma sensação de pressão na região do pé da barriga, parecida com uma cólica menstrual. Ela acontece porque a presença do sangue acumulado pode irritar a musculatura do útero, fazendo com que ele sofra pequenas contrações.
Vale destacar que o hematoma subcoriônico nem sempre causa sintomas, especialmente quando é pequeno ou está localizado em uma região sem comunicação com o colo do útero. Nesses casos, a gestante pode não apresentar sangramento nem dor, e a alteração é descoberta apenas durante a ultrassonografia de rotina do primeiro trimestre.
O que causa o hematoma subcoriônico?
Nem sempre é possível identificar a causa específica, mas algumas condições podem favorecer o aparecimento do hematoma subcoriônico:
- Presença de cicatrizes no útero, decorrentes de procedimentos como curetagens ou cirurgias uterinas;
- Miomas, pólipos ou outras alterações anatômicas da cavidade uterina;
- Histórico de infecções que afetaram o revestimento interno do útero;
- Idade materna acima de 35 anos;
- Gravidez obtida por técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).
Mesmo na presença dos fatores, a maioria dos hematomas evolui de forma favorável e tende a diminuir ou desaparecer com o avanço da gestação e o acompanhamento adequado pelo obstetra.
O hematoma subcoriônico pode causar aborto?
O hematoma subcoriônico pode aumentar o risco de aborto, mas isso não significa que a perda gestacional vá acontecer. Na maioria dos casos, a gravidez evolui normalmente, especialmente quando o hematoma é pequeno e não apresenta crescimento ao longo do acompanhamento.
De acordo com Andreia, o risco está relacionado principalmente ao tamanho e à evolução do hematoma. Quanto maior ele for, maior será a área da placenta que fica separada da parede do útero pelo acúmulo de sangue. Como a superfície de contato é reduzida, isso pode prejudicar as trocas de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê.
Para completar, quando o hematoma continua aumentando de tamanho ao longo das semanas, é um sinal de que o vaso sanguíneo rompido não está conseguindo estancar o sangramento. Consequentemente, o risco de complicações e de perda gestacional se torna maior, demandando um acompanhamento mais rigoroso pelo obstetra.
Como é feito o tratamento do hematoma subcoriônico?
O tratamento do hematoma subcoriônico é baseado principalmente no acompanhamento da gestação e no repouso relativo, já que não existe um medicamento ou procedimento capaz de eliminar o hematoma imediatamente. Na maioria dos casos, o próprio organismo reabsorve o sangue acumulado ao longo das semanas, segundo Andreia.
No período, o recomendado é evitar esforços físicos intensos, carregar peso, praticar exercícios e ter relações sexuais, especialmente se houver sangramento. As medidas ajudam a reduzir a irritação na região e favorecer a cicatrização do vaso sanguíneo que causou o hematoma.
Em alguns casos, Andreia explica que o médico pode indicar o uso de progesterona para relaxar a musculatura do útero e pode contribuir para reduzir contrações. As evidências sobre o seu efeito no hematoma são limitadas, mas a progesterona é considerada segura durante a gestação.
Como acompanhar a evolução do hematoma?
O acompanhamento da evolução do hematoma subcoriônico é feito via ultrassonografia, segundo Andreia. O intervalo entre os exames depende de cada caso, mas costuma ser de pelo menos uma vez por semana. Se for um hematoma grande e com suspeita de evolução, o intervalo pode ser menor.
Quando ir ao hospital imediatamente?
A gestante com diagnóstico de hematoma subcoriônico deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar algum dos seguintes sinais de alerta:
- Aumento do sangramento vaginal, especialmente se ele passar de um pequeno escape ou corrimento amarronzado para um sangramento intenso ou vermelho vivo;
- Dor abdominal forte, cólicas intensas no baixo ventre ou dor lombar persistente;
- Eliminação de coágulos ou fragmentos de tecido pela vagina;
- Febre ou calafrios, que podem indicar a presença de uma infecção.
Em caso de dúvidas ou se notar qualquer mudança repentina nos sintomas, a recomendação é sempre buscar avaliação médica de urgência para realizar um novo ultrassom.
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Perguntas frequentes
1. O hematoma subcoriônico pode sumir sozinho?
Sim. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido pelo próprio organismo da mulher ou eliminado aos poucos na forma de sangramento escuro conforme a gravidez avança.
2. Com quantas semanas o hematoma costuma desaparecer?
Geralmente, ele desaparece ou diminui drasticamente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, período em que a placentação se completa.
3. Quem tem hematoma subcoriônico pode trabalhar?
Depende do tipo de trabalho. O médico normalmente libera o trabalho administrativo ou leve, mas exige o afastamento de funções que demandam esforço físico, longos períodos de pé ou carregamento de peso.
4. Pode fazer caminhada com descolamento ovular?
Não é recomendado. Durante o tratamento do hematoma, atividades físicas, incluindo caminhadas como exercício, devem ser suspensas para evitar a mobilização do útero.
5. É normal o sangramento aumentar depois de começar o repouso?
Se o sangue for escuro (tipo borra de café), costuma ser normal, pois indica a eliminação do sangue velho que estava represado. Se foi vermelho vivo e em grande quantidade, é preciso ir ao hospital.
6. O descolamento ovular pode voltar depois de sumir?
É raro, mas pode acontecer. Se um novo vaso sanguíneo se romper na região de fixação da placenta antes de o processo de placentação estar totalmente concluído, um novo hematoma pode se formar.
7. O que acontece se o hematoma subcoriônico não sumir até a 20ª semana?
Se ele persistir mas permanecer estável e sem sangramento ativo, a gestação geralmente continua evoluindo bem. No entanto, o médico manterá um monitoramento atento, pois a área pode se tornar um ponto de maior fragilidade na placenta.
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