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  • Sangramento pós-menopausa: o que pode ser e quando ir ao médico

    Sangramento pós-menopausa: o que pode ser e quando ir ao médico

    A menopausa é uma fase natural do corpo da mulher, que acontece quando os ovários deixam de produzir hormônios e a menstruação para de forma definitiva, sendo confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar. Por isso, não é esperado nenhum tipo de sangramento nesse período, e qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

    Na maioria das vezes, o sangramento pós-menopausa está ligado a mudanças comuns da fase, como o afinamento dos tecidos íntimos ou alterações hormonais. Mesmo assim, ele também pode ser um dos primeiros sinais de problemas no útero, incluindo alterações no endométrio que precisam ser investigadas.

    O que pode ser sangramento após a menopausa?

    O sangramento após a menopausa, independentemente da causa, precisa ser investigado por um médico. A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza aponta algumas das possíveis causas:

    1. Atrofia genital

    A atrofia genital é causada principalmente pela queda dos níveis de estrogênio no corpo, em que os tecidos do útero e da vagina passam por um processo de afinamento. Consequentemente, Andreia explica que a região fica mais delicada, menos hidratada e com os vasos mais expostos, o que facilita pequenos sangramentos, principalmente após atrito ou até de forma espontânea.

    2. Hiperplasia endometrial

    A hiperplasia acontece quando o endométrio (revestimento interno do útero) cresce mais do que o esperado, normalmente por estímulo hormonal, principalmente do estrogênio sem o equilíbrio da progesterona. O excesso de tecido pode se desprender de forma irregular, causando sangramento.

    Apesar de não ser um quadro de câncer, a hiperplasia é considerada uma alteração que pode evoluir, por isso exige acompanhamento e tratamento adequado, segundo Andreia.

    3. Pólipo endometrial

    O pólipo é um crescimento benigno que se forma dentro do endométrio, como uma pequena verruga. Ele é uma alteração localizada, mas pode causar sangramentos, especialmente fora do padrão esperado. Na maioria dos casos, é benigno, mas costuma ser removido para confirmar o diagnóstico e resolver o sintoma.

    4. Terapia de reposição hormonal desregulada

    A terapia de reposição hormonal é utilizada para aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor e ressecamento. No entanto, quando não está bem ajustada, também pode causar episódios de sangramento. Isso ocorre, principalmente, quando há uso de estrogênio sem a quantidade adequada de progesterona para equilibrar o efeito no endométrio.

    Com isso, o endométrio pode ficar mais espesso do que o normal e se desprender de forma irregular, provocando o sangramento, mesmo após a menopausa.

    5. Câncer de endométrio

    O câncer de endométrio é uma causa menos frequente, mas que sempre deve ser investigada, uma vez que cerca de 90% dos casos têm como primeiro sinal o sangramento após a menopausa. É o tipo mais comum de câncer uterino e, quando diagnosticado precocemente, possui taxas de cura que podem superar 90% em estágios iniciais.

    Vale destacar que, entre as mulheres que apresentam sangramento, apenas cerca de 5% terão câncer. O sangramento precisa ser investigado justamente por ser um possível sinal inicial, mas, na maioria dos casos, a causa não é maligna.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do sangramento após a menopausa começa sempre com uma avaliação médica, para entender quando o sangramento começou, a quantidade, se houve outros episódios e se a mulher faz uso de terapia hormonal. Depois, o primeiro exame solicitado é o ultrassom transvaginal, que permite avaliar a espessura e o aspecto do endométrio.

    • Em mulheres que não usam reposição hormonal, o esperado é um endométrio de até 4 mm;
    • Em quem usa reposição, o valor pode chegar até 8 mm.

    Caso tenha alterações nos valores ou um aspecto irregular, podem ser solicitados exames complementares, como a histeroscopia, em que é introduzida uma microcâmera dentro do útero, permitindo visualizar diretamente o endométrio.

    Durante a histeroscopia, também é possível retirar um pequeno fragmento do tecido (biópsia) para análise. O exame é necessário para confirmar o diagnóstico e descartar ou identificar alterações como hiperplasia ou câncer.

    Tratamento de sangramento pós-menopausa

    O tratamento do sangramento após a menopausa depende diretamente da causa, e apenas um médico pode indicar as melhores medidas, que costumam incluir:

    • Pólipo endometrial: o tratamento é a retirada do pólipo, geralmente por histeroscopia, um procedimento com microcâmera dentro do útero. O material é enviado para análise, e, na maioria dos casos, trata-se de uma alteração benigna;
    • Atrofia genital: pode ser tratada com o uso de estrogênio, principalmente na forma vaginal, ajudando a recuperar a espessura e a saúde do tecido, reduzindo o risco de novos sangramentos;
    • Hiperplasia endometrial: o tratamento envolve o uso de progesterona, que pode ser por via oral ou por meio de dispositivos como o DIU hormonal (Mirena), que atua diretamente no endométrio;
    • Terapia de reposição hormonal desregulada: é necessário ajustar o tratamento, corrigindo doses, tipos de hormônios ou a forma de uso, restabelecendo o equilíbrio entre estrogênio e progesterona;
    • Câncer de endométrio: o tratamento é oncológico e varia conforme o estágio da doença, podendo incluir cirurgia, radioterapia ou outros métodos específicos.

    Mesmo que o sangramento seja leve ou pare sozinho, a investigação ainda é obrigatória. Muitas vezes, o câncer de endométrio apresenta um pequeno sangramento que cessa por semanas antes de retornar.

    Quando ir ao médico?

    É importante ir ao médico imediatamente após notar qualquer tipo de sangramento, mesmo que seja apenas uma gota ou uma mancha rosada no papel higiênico.

    Na pós-menopausa, o corpo não deve mais apresentar descamação do endométrio (menstruação), então o sangramento é sempre considerada anormal e precisa de investigação.

    Se o sangramento vier acompanhado de tontura, fraqueza extrema, palidez ou dor abdominal aguda, procure atendimento de urgência. Caso seja apenas um escape leve, agende seu ginecologista o quanto antes (preferencialmente para a mesma semana).

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Sangramento tipo “borra de café” é preocupante?

    Sim. Embora indique sangue antigo e geralmente esteja ligado à atrofia ou pólipos, ele ainda conta como sangramento pós-menopausa e exige diagnóstico.

    2. O sangramento pode ser causado por infecção?

    Sim, infecções vaginais ou uterinas (endometrite) podem causar inflamação e levar a pequenos sangramentos acompanhados de corrimento.

    3. Miomas podem causar sangramento na menopausa?

    É raro, pois os miomas costumam regredir após a menopausa. Se houver sangramento por miomas nesta fase, o caso exige atenção redobrada.

    4. Existe algum remédio caseiro para parar o sangramento?

    Não, nenhum chá ou remédio caseiro substitui a investigação médica. Tentar tratar em casa pode mascarar um sintoma grave e atrasar o diagnóstico.

    5. Qual a diferença entre climatério e menopausa?

    O climatério é o período de transição que antecede a menopausa (quando os hormônios começam a oscilar). A menopausa propriamente dita é apenas a data da última menstruação, confirmada após 12 meses seguidos sem sangramento.

    6. Por que a pele fica mais seca na menopausa?

    A queda do estrogênio reduz a produção de colágeno e de óleos naturais da pele. Isso a torna mais fina, menos elástica e mais propensa a coceiras e descamações.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • 8 sangramentos que nunca devem ser ignorados 

    8 sangramentos que nunca devem ser ignorados 

    Ver sangue fora de um contexto esperado — como um pequeno corte — costuma gerar preocupação, e isso é compreensível. O corpo normalmente não sangra sem motivo aparente, e observar esse sinal pode indicar desde algo simples até situações que exigem investigação.

    Embora algumas causas sejam benignas, certos sangramentos podem indicar condições potencialmente graves e precisam de avaliação médica rápida. Saber diferenciar situações comuns de sinais de alerta ajuda a decidir quando procurar atendimento.

    1. Sangue nas fezes

    O sangue nas fezes pode aparecer de diferentes formas.

    Entre as mais comuns estão:

    • Vermelho vivo no papel higiênico;
    • Misturado às fezes;
    • Fezes muito escuras ou negras, com aspecto semelhante a borra de café.

    Possíveis causas

    • Hemorroidas;
    • Fissura anal;
    • Doença inflamatória intestinal;
    • Úlceras digestivas;
    • Diverticulite;
    • Câncer colorretal.

    Quando é urgente

    • Fezes negras;
    • Sangramento volumoso;
    • Tontura ou fraqueza associada;
    • Dor abdominal intensa;
    • Anemia.

    Mesmo quando há suspeita de hemorroida, sangramentos recorrentes devem ser avaliados.

    2. Sangue na urina (hematúria)

    A presença de sangue na urina recebe o nome de hematúria.

    Ela pode ser:

    • Visível a olho nu, quando a urina fica avermelhada;
    • Detectada apenas em exame laboratorial.

    Possíveis causas

    • Infecção urinária;
    • Cálculo renal;
    • Inflamações do trato urinário;
    • Doenças renais;
    • Tumores do trato urinário.

    Quando preocupar

    • Presença repetida;
    • Dor intensa na região lombar;
    • Febre;
    • Presença de coágulos;
    • Histórico de tabagismo.

    Mesmo quando não causa dor, sangue na urina nunca deve ser ignorado.

    3. Tosse com sangue (hemoptise)

    A tosse com sangue, chamada de hemoptise, pode variar desde pequenas estrias no escarro até volumes maiores.

    Possíveis causas

    • Infecções respiratórias;
    • Bronquite;
    • Pneumonia;
    • Tuberculose;
    • Embolia pulmonar;
    • Tumores pulmonares.

    É sinal de alerta quando

    • O volume de sangue é significativo;
    • Há falta de ar;
    • Existe dor no peito;
    • Há febre persistente;
    • A pessoa tem histórico de tabagismo.

    Tosse com sangue sempre merece avaliação médica.

    4. Vômito com sangue

    O vômito com sangue pode aparecer de duas formas principais:

    • Sangue vermelho vivo;
    • Material escuro semelhante a borra de café.

    Possíveis causas

    • Úlcera gástrica;
    • Gastrite erosiva;
    • Varizes esofágicas;
    • Lesões no esôfago.

    Esse tipo de sangramento pode indicar hemorragia digestiva e requer avaliação médica imediata.

    5. Sangramento vaginal fora do padrão

    Alguns tipos de sangramento ginecológico precisam sempre de investigação.

    Situações que merecem atenção

    • Sangramento após menopausa;
    • Sangramento após relação sexual;
    • Fluxo menstrual muito intenso;
    • Sangramento frequente entre ciclos;
    • Dor pélvica associada.

    Possíveis causas

    • Alterações hormonais;
    • Pólipos uterinos;
    • Miomas;
    • Infecções;
    • Neoplasias.

    Sangramento após a menopausa sempre deve ser investigado.

    6. Sangramento nasal frequente ou intenso

    O sangramento nasal, chamado de epistaxe, pode ocorrer com mais facilidade em ambientes secos ou após irritação local.

    No entanto, merece avaliação quando:

    • É recorrente;
    • É difícil de controlar;
    • Surge sem motivo aparente;
    • Está associado a hematomas frequentes.

    Esses casos podem indicar distúrbios de coagulação ou hipertensão não controlada.

    7. Hematomas espontâneos ou sangramento gengival frequente

    Quando surgem sem trauma evidente, podem indicar alterações no sistema de coagulação.

    Entre as possíveis causas estão:

    • Alterações plaquetárias;
    • Uso de anticoagulantes;
    • Doenças hematológicas.

    Se esses sinais estiverem associados a fraqueza ou palidez, é importante procurar avaliação médica.

    8. Sangramento após trauma

    Mesmo um sangramento aparentemente pequeno pode exigir avaliação em algumas situações.

    Procure atendimento se:

    • O sangramento não parar após compressão;
    • O sangramento for pulsátil;
    • Houver tontura associada;
    • A pessoa estiver em uso de anticoagulantes.

    Sinais gerais de gravidade

    Independentemente da origem, alguns sintomas indicam possível perda significativa de sangue e exigem atendimento urgente.

    Entre eles:

    • Tontura;
    • Desmaio;
    • Fraqueza intensa;
    • Queda de pressão;
    • Palidez;
    • Sudorese fria;
    • Confusão mental.

    Esses sinais podem indicar sangramento importante.

    Nem todo sangramento é grave — mas todo sangramento novo merece atenção

    Pequenos episódios podem ter causas benignas. No entanto, alguns fatores aumentam a necessidade de investigação.

    Entre eles:

    • Persistência;
    • Repetição;
    • Mudança de padrão;
    • Presença de sintomas associados.

    A avaliação médica ajuda a identificar a causa e definir se há necessidade de tratamento.

    Mensagem principal

    Sangue nas fezes, na urina, na tosse, no vômito ou fora do padrão menstrual nunca deve ser ignorado.

    Embora nem sempre indique algo grave, pode ser o primeiro sinal de condições importantes. Diante de qualquer dúvida ou mudança no padrão de sangramento, procurar avaliação médica é a atitude mais segura.

    Veja mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

    Perguntas frequentes sobre sangramentos

    1. Todo sangramento indica algo grave?

    Não necessariamente. Algumas causas são benignas, mas qualquer sangramento novo ou persistente deve ser avaliado.

    2. Sangue nas fezes sempre significa hemorroida?

    Não. Hemorroidas são uma causa comum, mas outras condições também podem provocar sangramento.

    3. Sangue na urina pode aparecer sem dor?

    Sim. Mesmo sem dor, a hematúria precisa ser investigada.

    4. Tosse com pequenas estrias de sangue é preocupante?

    Sim. Mesmo pequenas quantidades de sangue na tosse devem ser avaliadas.

    5. Sangramento após a menopausa é normal?

    Não. Esse tipo de sangramento sempre precisa de investigação médica.

    6. Sangramento nasal frequente pode indicar doença?

    Pode. Em alguns casos está relacionado a distúrbios de coagulação ou pressão alta.

    7. Quando devo procurar atendimento urgente?

    Quando houver sangramento intenso ou sintomas como tontura, desmaio, fraqueza ou queda de pressão.

    Veja mais: Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda