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  • Está em tratamento contra o câncer? Saiba como lidar com os efeitos colaterais

    Está em tratamento contra o câncer? Saiba como lidar com os efeitos colaterais

    A experiência do tratamento oncológico costuma provocar mudanças físicas e emocionais que afetam o cotidiano, a rotina de trabalho, a relação com o corpo e até mesmo a forma como a pessoa lida com emoções internas e expectativas.

    Os efeitos colaterais, tanto da quimioterapia quanto da radioterapia, podem surgir de formas diferentes para cada paciente, porque cada tratamento age no organismo de um jeito próprio. Ainda assim, existem alguns cuidados que podem ajudar a reduzir o desconforto, acolher as necessidades do corpo e tornar o processo mais leve — oferecendo mais qualidade de vida para uma fase tão delicada.

    Conversamos com o oncologista Thiago Chadid para entender quais os principais efeitos colaterais que podem surgir nas principais terapias oncológicas e como é possível amenizá-las.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns no tratamento contra o câncer?

    Os efeitos colaterais podem variar de acordo com o método utilizado, já que cada modalidade de tratamento oncológico interfere no organismo de um jeito particular.

    Quimioterapia

    A quimioterapia utiliza medicamentos capazes de destruir células tumorais ou impedir que continuem se multiplicando. Eles circulam pelo sangue e alcançam diferentes partes do corpo, o que permite atuar tanto no local do tumor quanto em áreas onde possam existir células malignas microscópicas.

    Como a quimioterapia atua em células que se multiplicam rapidamente, ela pode atingir também estruturas saudáveis de renovação acelerada, como folículos capilares, intestino e medula óssea, o que explica diversos efeitos colaterais, como aponta Thiago Chadid:

    • Náuseas e vômitos;
    • Queda de cabelo;
    • Sensação de fraqueza;
    • Perda de massa muscular;
    • Diarreia ou prisão de ventre.

    Segundo o especialista, a sarcopenia (perda de massa muscular) é um dos grandes problemas associados à quimioterapia convencional, contribuindo para indisposição, fraqueza, cansaço e até comprometimento da imunidade e da sobrevida.

    Radioterapia

    A radioterapia aplica radiação em doses controladas para eliminar células tumorais ou bloquear sua capacidade de continuar se multiplicando. A radiação é direcionada de forma precisa para a área afetada, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.

    Basicamente, as células cancerígenas têm maior dificuldade de reparar danos no DNA. Quando recebem a radiação, elas acumulam lesões que levam à morte celular. Já as células normais conseguem se recuperar mais facilmente, o que torna o tratamento possível.

    Os efeitos colaterais da radioterapia variam conforme a região tratada, a dose utilizada e as características individuais de cada paciente. Mas, segundo o Ministério da Saúde, o paciente pode apresentar:

    • Descamação, escurecimento e vermelhidão da pele na área tratada, principalmente em dobras como pescoço e virilha;
    • Queda de pelos na região irradiada;
    • Náuseas;
    • Diarreia ou prisão de ventre;
    • Mucosite (inflamação de mucosas);
    • Dificuldade para engolir;
    • Alterações de fertilidade, conforme a região tratada.

    Imunoterapia

    A imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais. Em vez de atacar diretamente o câncer, como ocorre na quimioterapia, a imunoterapia fortalece ou direciona as defesas naturais do organismo para que identifiquem o tumor como uma ameaça e passem a combatê-lo de maneira mais eficaz.

    Existem diferentes formas de imunoterapia, como anticorpos monoclonais, inibidores de checkpoint imunológico, vacinas terapêuticas e células modificadas em laboratório.

    Por estimular respostas inflamatórias, a imunoterapia pode provocar efeitos colaterais específicos em órgãos como intestino, pele, pulmões, rins e tireoide. Por isso, de acordo com Chadid, é necessário monitorar o risco de insuficiência renal por inflamação dos rins, alterações intestinais inflamatórias, tireoidite (que pode evoluir para hipotireoidismo), inflamação pancreática que pode levar ao diabetes e perda de proteína na urina.

    Não existe uma medida específica capaz de prevenir esses efeitos, além de orientações gerais como hidratação adequada e prática regular de atividade física.

    Hormonioterapia

    A hormonioterapia é utilizada para combater tumores que dependem de hormônios para crescer, como alguns cânceres de mama e próstata, que têm células que se alimentam de estímulos hormonais — como estrogênio, progesterona ou testosterona, por exemplo. O tratamento atua justamente bloqueando a produção desses hormônios ou impedindo que eles se liguem às células tumorais.

    Como ele interfere nos níveis hormonais, os efeitos colaterais lembram os do climatério ou da menopausa, como ondas de calor, ressecamento, alterações de humor, cansaço e mudanças metabólicas.

    Terapias-alvo

    As terapias-alvo são medicamentos desenvolvidos para agir de forma precisa em alterações específicas presentes nas células tumorais. Em vez de atacar todas as células que se multiplicam rapidamente, as terapias-alvo miram estruturas, proteínas ou vias de crescimento que estão alteradas no câncer, poupando mais tecidos saudáveis.

    Elas podem bloquear receptores usados pelo tumor para crescer, impedir a formação de vasos sanguíneos que alimentam a massa tumoral, interromper sinais internos da célula cancerígena ou marcar células doentes para que o sistema imune as elimine. Para que funcionem, é necessário identificar a alteração genética ou molecular do tumor por meio de exames específicos.

    Os efeitos colaterais costumam ser mais brandos que os da quimioterapia, mas podem incluir fadiga, alterações de pele, diarreia, pressão alta e alterações no fígado, dependendo do alvo terapêutico. É uma das áreas que mais evoluiu na oncologia nos últimos anos.

    Como lidar com os efeitos colaterais do tratamento de câncer?

    Já ficou claro que os sintomas podem variar de acordo com o tipo de terapia, mas existem medidas gerais que melhoram o bem-estar e reduzem desconfortos. Thiago Chadid e o Ministério da Saúde apontam algumas das principais:

    Atividade física leve a moderada

    Quando é possível, a prática de atividades físicas leves a moderadas é recomendada para aliviar diversos efeitos colaterais do tratamento de câncer. O hábito de movimentar o corpo ajuda a reduzir fadiga, melhora a circulação, preserva a força muscular e contribui para regular o humor.

    Além de melhorar o condicionamento geral, a atividade física libera endorfinas, substâncias que promovem sensação de bem-estar e ajudam a controlar ansiedade e estresse, comuns durante o tratamento. A prática também favorece o sono, reduz dores musculares e facilita a recuperação após sessões de quimioterapia ou radioterapia.

    Quando existem limitações físicas ou a pessoa tem sintomas mais intensos, o treino deve ser adaptado por um profissional capacitado.

    Alimentação saudável

    Uma alimentação leve, rica em fibras e com boa ingestão de proteínas favorece a manutenção da energia, reduz o risco de sarcopenia e auxilia no funcionamento intestinal, diminuindo desconfortos como prisão de ventre ou diarreia.

    O ideal é dar preferência a alimentos com boa densidade proteica, como carnes magras, ovos, leguminosas, oleaginosas, leite e derivados, que ajudam a preservar massa muscular — além de frutas, verduras, água e preparações pouco gordurosas. Uma rotina alimentar equilibrada também contribui para melhorar o apetite, estabilizar o humor e manter o corpo hidratado, fatores importantes durante o tratamento.

    Para pacientes com náuseas frequentes ou perda de apetite, uma dica é fracionar refeições ao longo do dia, o que facilita a ingestão alimentar, evita longos períodos em jejum e reduz a irritação gástrica. Também pode ajudar manter líquidos entre as refeições, preferir chás suaves, optar por refeições mais secas quando há enjoo e evitar odores fortes.

    Vale lembrar que ter a supervisão de um nutricionista é sempre recomendado, principalmente quando há perda de peso, dificuldade para mastigar ou alterações intensas no paladar.

    Cuidados com o sono

    A qualidade do sono influencia diretamente o bem-estar físico e emocional, e é indispensável que ele seja restaurador durante o tratamento de câncer. O recomendado é estabelecer uma rotina regular de horários, manter o quarto silencioso e escuro, evitar telas antes de dormir e adotar hábitos calmantes, como banho morno ou leitura, que favorecem um descanso mais profundo.

    Quando o paciente apresenta um quadro de insônia persistente, o médico pode indicar remédios temporários para reorganizar o ciclo do sono. A melhora do repouso impacta positivamente o humor, a imunidade e a tolerância ao tratamento.

    Técnicas de meditação

    As técnicas de meditação e respiração guiada funcionam como práticas organizadas que ajudam a regular o corpo e as emoções, diminuindo o estresse e facilitando o controle dos sintomas.

    Elas podem ser realizadas em sessões curtas em casa, de cinco a quinze minutos, antes de dormir ou durante momentos de estresse. Além de auxiliarem no equilíbrio mental, técnicas como mindfulness colaboram para melhorar o sono, reduzir a tensão muscular e favorecer a adaptação às etapas do tratamento oncológico.

    Fitoterapia

    A fitoterapia pode ser integrada ao tratamento como medida complementar, sempre com avaliação médica ou de profissional habilitado. O uso de plantas medicinais e extratos padronizados pode ajudar no controle da ansiedade, no estímulo ao apetite, na qualidade do sono e no equilíbrio digestivo.

    O uso deve ser criterioso, já que podem acontecer interações com medicamentos oncológicos. Por isso, toda indicação precisa ser alinhada com a equipe responsável. Não se automedique!

    Outras medidas para aliviar os efeitos colaterais

    Além das indicações mais comuns, Thiago Chadid explica que, quanto aos tratamentos mais avançados, há diversas novidades que vêm sendo incorporadas para tornar os efeitos colaterais menos agressivos, reunindo tanto medicações que causam menos sintomas quanto protocolos que reduzem efeitos adversos.

    Além dos antieméticos tradicionais, como ondansetrona, proclorperazina e Plasil, hoje existem remédios que antes eram muito caros (como aprepitanto e fosaprepitanto) e que agora estão mais acessíveis, ajudando no controle das náuseas persistentes. Também há derivados de cannabis, como o cannabidiol, que podem ajudar a aumentar o apetite, reduzir náuseas e melhorar a sensação de dor.

    O oncologista também conta que existem medicações voltadas para reduzir efeitos colaterais da hormonioterapia. Na American Society of Clinical Oncology (ASCO), foram apresentados dois medicamentos utilizados nos Estados Unidos capazes de reduzir ondas de calor e mal-estar associados à menopausa induzida por tratamentos hormonais no câncer de mama.

    Apesar de ainda terem custo elevado, a expectativa é que se tornem mais acessíveis com o tempo, aumentando as possibilidades de condução do tratamento.

    Sinais que exigem atenção médica

    De acordo com Thiago, existem alguns sinais mais graves que devem ser comunicados ao médico imediatamente, como:

    • Febre ou sinais de infecção após a quimioterapia (mal-estar forte, cansaço extremo, secreção, diarreia com sangue);
    • Suspeita de trombose, com sintomas como inchaço repentino em peito, rosto, braço ou perna, com vermelhidão, dor ou endurecimento;
    • Sangramentos importantes, como urina com sangue, evacuação com sangue, sangramento nasal intenso, tosse ou vômito com sangue;
    • Sintomas de anemia forte, como fraqueza intensa, palidez, tontura, queda de pressão ou desmaio;
    • Diarreia intensa, mais de cinco episódios por dia, com muita perda de água, boca seca ou sangue em grande quantidade.

    Qualquer alteração que fuja do padrão explicado pelo médico na consulta deve ser comunicada rapidamente, pois muitos desses quadros podem evoluir com rapidez, sobretudo em períodos de baixa imunidade.

    Confira: Cura milagrosa do câncer? Veja por que você deve ter cuidado com fake news

    Perguntas frequentes

    A fadiga é normal durante o tratamento de câncer?

    Sim, a fadiga é um dos efeitos mais frequentes e pode ser física, mental ou emocional. Ela ocorre pela combinação de fatores como anemia, inflamação, alterações do sono, estresse psicológico e impacto direto dos tratamentos no metabolismo do corpo.

    Mesmo sendo comum, é importante contar aos profissionais, que podem orientar ajustes na rotina, pausas programadas, exercício leve e suporte nutricional para amenizar o cansaço.

    Por que o cabelo cai durante a quimioterapia?

    A queda de cabelo acontece porque as drogas quimioterápicas afetam células de crescimento rápido, incluindo as que formam os fios. A perda costuma começar de duas a três semanas após o início do tratamento e pode incluir sobrancelhas e pelos corporais.

    Apesar de causar impacto emocional significativo, a queda é temporária, e o cabelo costuma crescer novamente alguns meses após o fim das sessões. Em alguns casos, a crioterapia no couro cabeludo ajuda a reduzir o problema.

    A radioterapia sempre causa queimadura ou vermelhidão na pele?

    Nem sempre, mas é comum a pele pode ficar vermelha, sensível, ressecada ou escurecida na área irradiada, especialmente em regiões de dobra, como pescoço ou virilha. Os efeitos são limitados ao campo de radiação e costumam melhorar dentro de semanas após o término do tratamento.

    Algumas medidas podem ajudar a aliviar o desconforto, como cremes hidratantes, higiene adequada e orientações específicas da equipe de enfermagem.

    Os efeitos colaterais sempre aparecem logo no início do tratamento?

    Depende, pois enquanto alguns efeitos surgem nas primeiras horas ou dias, como náuseas e cansaço, outros aparecem após semanas de tratamento, como alterações de pele na radioterapia ou queda de cabelo na quimioterapia.

    Há ainda efeitos tardios, que podem surgir meses ou anos depois, dependendo do tipo de terapia.

    É possível evitar a queda de cabelo durante o tratamento?

    Em alguns casos, sim. O uso de crioterapia, que é o resfriamento do couro cabeludo durante a quimioterapia, pode reduzir a queda dos fios ao diminuir o fluxo de sangue na região. Entretanto, o método não funciona para todos os tipos de quimioterapia, de modo que o oncologista pode orientar sobre a aplicabilidade conforme o protocolo usado.

    O tratamento de câncer causa perda de peso?

    Sim, a perda de peso pode acontecer devido à redução do apetite, náuseas, alterações no paladar e aumento do gasto energético causado pela doença. A perda pode prejudicar a imunidade, a energia e os resultados do tratamento.

    Por isso, é importante ter a orientação de nutricionistas especializados em oncologia, que ajudam a montar planos alimentares de reposição calórica e proteica para prevenir agravamento do quadro.

    Veja mais: Radioterapia: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • Paciente oncológico em casa: como adaptar o ambiente durante o tratamento?

    Paciente oncológico em casa: como adaptar o ambiente durante o tratamento?

    Durante o tratamento oncológico, seja com quimioterapia ou radioterapia, a rotina do paciente e de toda a família passa por algumas mudanças. A casa, que antes seguia um funcionamento habitual, precisa se adaptar para oferecer mais conforto, segurança e apoio físico e emocional a quem está em tratamento.

    Mas afinal, quais ajustes são realmente necessários nesse período para receber um paciente oncológico em casa? Conversamos com o oncologista Thiago Chadid e listamos, a seguir, as adaptações que ajudam a prevenir complicações, reduzir efeitos colaterais do tratamento e tornar o dia a dia mais leve. Confira!

    1. Alimentação leve e adequada

    A alimentação deve ser um dos principais fatores de cuidado em casa. Segundo Thiago, pacientes em quimioterapia costumam apresentar náuseas e vômitos, principalmente após refeições pesadas ou de difícil digestão.

    Por isso, a orientação é priorizar alimentos leves, de fácil digestão, como frutas, verduras, legumes, carnes magras e preparações simples, evitando excesso de gordura e condimentos.

    Além disso, podem ocorrer algumas alterações intestinais durante o tratamento, desde prisão de ventre até quadros de diarreia.

    Na constipação, o recomendado é aumentar a ingestão de fibras e líquidos. Em casos de diarreia, a alimentação deve ser ajustada com alimentos mais constipantes e cuidados adicionais com hidratação.

    Ingestão adequada de proteínas

    A perda de massa muscular é frequente durante o tratamento oncológico e pode evoluir para sarcopenia. Por isso, é recomendado uma ingestão de aproximadamente 1 a 1,5 g de proteína por quilo de peso corporal por dia.

    Quando a alimentação sólida não é bem tolerada, podem ser utilizados suplementos proteicos, como whey protein, ou outras fontes que o paciente aceite melhor.

    2. Hidratação no dia a dia

    Independentemente do tipo de tratamento, a hidratação deve ser constante no dia a dia. Segundo Thiago, é recomendado a ingestão de cerca de 2 a 3 litros de água por dia, pois muitos quimioterápicos são eliminados pela urina.

    Alterações no cheiro e na coloração da urina são comuns e não costumam indicar problemas, desde que o paciente esteja bem hidratado.

    3. Uso compartilhado do banheiro

    Não é necessário isolar o banheiro do paciente, de modo que a principal recomendação é manter medidas básicas de higiene, como dar descarga com a tampa do vaso fechada e manter o ambiente limpo. Seguindo as orientações, o risco de exposição para outros moradores é mínimo.

    4. Período de queda da imunidade

    A maior queda da imunidade costuma ocorrer entre o sétimo e o décimo dia após a quimioterapia, podendo se estender até o décimo quarto dia. Nesse período, Thiago orienta evitar visitas, aglomerações e possíveis fontes de infecção.

    O uso de máscara pode ser indicado, assim como cuidados rigorosos com a alimentação, evitando alimentos crus e refeições fora de casa.

    Vale apontar que, durante a fase de baixa imunidade, é comum o paciente apresentar fraqueza intensa, dores no corpo, dor óssea e cansaço, semelhantes a um quadro de gripe. O ideal é priorizar o repouso, evitar atividades físicas intensas e respeitar os limites do corpo.

    5. Proteção solar

    Alguns quimioterápicos interagem com a radiação solar, aumentando o risco de manchas na pele, tonturas e até desmaios. Por isso, o ideal é evitar a exposição solar direta. Quando for necessário, é recomendado uso de protetor solar no rosto e corpo, chapéu, roupas com proteção UV e permanência em locais com sombra.

    6. Cuidados com as veias

    Quando a quimioterapia é realizada por acesso venoso periférico, pode ocorrer inflamação e endurecimento das veias, segundo Thiago.

    Para preparar o braço, é recomendado o uso de compressas mornas, como chá de camomila, nos dias que antecedem a infusão. A hidratação adequada também contribui para facilitar o acesso venoso.

    7. Atividades físicas

    A atividade física pode e deve fazer parte da rotina, desde que seja leve e respeite os limites do corpo. Por exemplo, caminhadas curtas, alongamentos e pilates costumam ser bem tolerados e ajudam no bem-estar físico e emocional.

    Piscina, hidroginástica e até praia também podem ser opções, desde que o paciente não tenha feridas abertas, esteja em fase recente de cirurgia, com colostomia, lesões na pele ou realizando radioterapia com a pele muito sensível.

    8. Cuidados com cabelos e procedimentos estéticos

    Durante o tratamento, Thiago aponta que deve-se evitar produtos agressivos e procedimentos invasivos, como tinturas, alisamentos, peelings e outros tratamentos químicos. A pele e o couro cabeludo ficam mais sensíveis, e essas associações podem aumentar a queda de cabelo ou causar lesões.

    9. Contato com animais domésticos

    O contato com animais de estimação é permitido, desde que sejam mantidos cuidados básicos de higiene e que o contato mais próximo seja evitado durante o período de baixa imunidade. Não é necessário o afastamento definitivo dos pets.

    10. Consumo de álcool durante a quimioterapia

    A recomendação geral é evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento oncológico. O álcool pode interferir no metabolismo dos quimioterápicos, aumentar a toxicidade, intensificar náuseas, causar desidratação e sobrecarregar fígado e rins. Em eventos sociais, uma alternativa é apostar em bebidas sem álcool.

    Acompanhamento médico durante o tratamento

    Cada paciente reage de forma diferente à quimioterapia ou à radioterapia, e sintomas, efeitos colaterais ou dúvidas podem surgir a qualquer momento.

    Por isso, é importante lembrar que nenhuma orientação geral substitui o acompanhamento direto e individualizado com o médico que conhece a história e as necessidades do paciente.

    Sempre que houver qualquer mudança no estado geral, aparecimento de novos sintomas, dificuldade para se alimentar, sinais de infecção, dor persistente ou mesmo insegurança em relação aos cuidados em casa, o ideal é procurar orientação profissional. Isso ajuda a evitar complicações e trazer mais segurança para a família e o paciente.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    O que é o tratamento oncológico e quais são os tipos mais comuns?

    O tratamento oncológico envolve todas as terapias utilizadas para controlar, reduzir ou eliminar o câncer. Os tipos mais comuns incluem quimioterapia, radioterapia, cirurgia, imunoterapia, terapia-alvo e hormonioterapia.

    Em muitos casos, mais de um tipo é combinado, de acordo com o tipo de câncer, estágio da doença e condições clínicas do paciente.

    Por que o tratamento oncológico diminui a imunidade?

    A quimioterapia e alguns outros tratamentos atuam sobre células que se multiplicam rapidamente. Isso inclui as células do câncer, mas também células saudáveis da medula óssea, responsáveis pela produção dos glóbulos brancos, que defendem o organismo contra infecções.

    Com a redução dessas células, o sistema imunológico fica temporariamente enfraquecido, aumentando o risco de infecções, especialmente em determinados períodos do ciclo do tratamento.

    É normal sentir muito cansaço durante o tratamento oncológico?

    Sim, a fadiga relacionada ao câncer é um dos sintomas mais comuns e pode ser diferente do cansaço habitual. Ela não melhora apenas com descanso e pode estar relacionada à própria doença, aos tratamentos, à anemia, às alterações do sono e ao impacto emocional.

    A radioterapia também causa efeitos colaterais?

    Sim, mas normalmente localizados na área tratada, em que pode surgir vermelhidão na pele, cansaço, ressecamento e sensibilidade. Os efeitos costumam ser progressivos ao longo das sessões e tendem a melhorar após o término do tratamento. A equipe médica pode orientar cuidados específicos com a pele.

    É seguro usar medicamentos naturais ou suplementos durante o tratamento?

    Nem sempre, pois alguns produtos naturais podem interagir com a quimioterapia ou radioterapia, reduzindo a eficácia ou aumentando efeitos colaterais. Por isso, qualquer suplemento, chá ou medicamento alternativo deve ser discutido com o médico antes de ser utilizado.

    O paciente pode viajar durante o tratamento oncológico?

    Em alguns casos, sim. Viagens curtas podem ser permitidas, desde que o paciente esteja se sentindo bem, fora do período de baixa imunidade e com autorização médica. É importante planejar com cuidado, considerar acesso a serviços de saúde e evitar locais com grande aglomeração ou condições sanitárias inadequadas.

    Por que a quimioterapia pode causar queda de cabelo?

    Os folículos capilares têm células que se dividem rapidamente, assim como as células tumorais. A quimioterapia não diferencia essas células e acaba afetando o crescimento do cabelo.

    A queda é, na maioria das vezes, temporária, e os fios tendem a voltar após o término do tratamento, podendo inclusive nascer com textura ou cor diferentes.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer 

    Imunoterapia: a estratégia que transforma o corpo em arma contra o câncer 

    Nos últimos anos, a imunoterapia deixou de ser apenas uma promessa de laboratório para se tornar uma das maiores revoluções no tratamento do câncer. Essa terapia abriu caminho para resultados melhores em tumores até então de difícil controle, como o melanoma e o câncer de pulmão, e trouxe novas perspectivas a médicos e pacientes em todo o mundo.

    Em paralelo, também despertou debates sobre custos, acesso e sobre como selecionar os pacientes que realmente vão se beneficiar dessa estratégia. Mas afinal, o que diferencia a imunoterapia dos tratamentos tradicionais, como a quimioterapia e a radioterapia? Quais são seus limites e até onde ela pode avançar nos próximos anos?

    O oncologista Thiago Chadid explica em detalhes como a imunoterapia funciona e o que já se sabe sobre sua eficácia.

    O que é imunoterapia e como ela se diferencia da quimioterapia

    A imunoterapia é uma modalidade de tratamento, uma linha de terapias. Para entender a diferença para a quimioterapia, é preciso olhar para os métodos tradicionais.

    “A quimioterapia age diretamente nas células do câncer. Em alguns casos, faz com que elas morram. Em outros, impede que continuem se multiplicando”, explica o oncologista.

    Além da quimioterapia, existem os chamados medicamentos alvo, que bloqueiam sinais internos usados pelas células para crescer, e os biológicos, que funcionam como uma espécie de trava nos receptores das células, explica o médico.

    Já a imunoterapia age de um jeito diferente, porque não vai direto nas células do câncer, ela age no sistema de defesa do próprio corpo. Para entender melhor, o câncer muitas vezes consegue enganar essas células de defesa e se esconder delas.

    “É como se o tumor colocasse uma capa de invisibilidade, usando proteínas que confundem o sistema imunológico”, explica o médico. Os principais “truques” usados pelo câncer são duas proteínas chamadas CTLA-4 e PD-L1, que funcionam como botões de liga e desliga para as defesas do organismo.

    A imunoterapia age justamente bloqueando essas proteínas, ou seja, tira a “capa” que esconde o câncer. Assim, as células de defesa do próprio corpo conseguem voltar a reconhecer os tumores como inimigos e passam a atacá-los.

    Em quais tipos de câncer a imunoterapia funciona melhor

    Os resultados da imunoterapia não foram iguais em todos os tumores. “Em tumores como melanoma e câncer de pulmão, a resposta foi impressionante. Já em pâncreas ou vias biliares, não funcionou bem”, conta o médico.

    Isso acontece porque a eficácia depende da diferença entre a célula tumoral e a normal.

    “Quanto mais diferente, mais fácil do sistema imunológico reconhecer e atacar. Em alguns casos, como no câncer de mama, o tumor se parece demais com a célula normal, e aí a imunoterapia não funciona”.

    Outro desafio é o ambiente tumoral. “Há tumores que secretam substâncias no tecido ao redor deles que ‘paralisam’ as células de defesa, como se fosse um gás paralisante”, explica.

    Leia também: 7 sintomas iniciais de câncer que não devem ser ignorados

    Imunoterapia isolada ou em combinação com a quimioterapia?

    A resposta depende do tipo de tumor. “Em alguns tumores, como melanoma e certos tipos de câncer de pulmão ou de rim, só a imunoterapia já é suficiente para o tratamento”, explica Chadid.

    Mas há casos em que a combinação com quimioterapia é essencial. “A quimioterapia destrói células tumorais e libera proteínas que ajudam o sistema imunológico a reconhecer melhor o que é câncer. Então, às vezes, só tirar o ‘disfarce’ do tumor não basta, é preciso também dar pistas ao sistema imunológico”.

    Hoje, essa associação é bastante usada em tumores ginecológicos (endométrio, colo de útero e ovário), além de câncer de bexiga e alguns casos de câncer de rim.

    Efeitos colaterais da imunoterapia

    Os efeitos colaterais são bem diferentes da quimioterapia.

    “Como a imunoterapia tira o freio do sistema imunológico, os efeitos adversos são reações autoimunes. O sistema de defesa do corpo pode atacar células saudáveis por engano”, diz o médico.

    Entre eles estão:

    • Pneumonite (inflamação do pulmão);
    • Nefrite (inflamação nos rins);
    • Tireoidite (inflamação na tireoide);
    • Colite (inflamação no intestino grosso);
    • Diabetes.

    “A frequência varia, mas em geral é baixa: pneumonite aparece em 2% a 5% dos casos, tireoidite em menos de 1%. Ou seja, são raros, mas quando acontecem precisam ser tratados”, alerta.

    O tratamento, nesses casos, envolve a suspensão temporária da imunoterapia e uso de corticoides. “Em casos muito graves, ela precisa ser suspensa definitivamente”.

    Leia também: Como cuidar do coração durante o tratamento do câncer

    Perguntas frequentes sobre imunoterapia contra o câncer

    1. O que é imunoterapia?

    É uma forma de tratamento que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas.

    2. Em quais tipos de câncer a imunoterapia é mais eficaz?

    Segundo o oncologista Thiago Chadid, funciona melhor em melanoma e câncer de pulmão, enquanto tem baixa eficácia em tumores como pâncreas ou vias biliares.

    3. A imunoterapia pode ser usada sozinha?

    Sim, em alguns tumores, como melanoma e alguns tipos de câncer de pulmão. Em outros, é combinada com quimioterapia ou, se for o caso, não se usa.

    4. Quais são os efeitos colaterais da imunoterapia?

    Podem ocorrer reações autoimunes, como inflamação no pulmão, intestino, tireoide e rins.

    Confira: Saiba em quais situações você deve procurar um oncologista