Tag: pressão alta

  • 12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta 

    12×8 já não é normal: nova diretriz muda o que entendemos por pressão alta 

    Se você sempre considerou 12×8 como pressão normal, essa ideia pode estar mudando. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 revisitou as faixas de pressão e agora classifica 120/80 mmHg como pré-hipertensão, isto é, uma zona de alerta onde se espera que ações preventivas sejam intensificadas antes que a pressão suba de fato.

    Essa redefinição busca identificar mais cedo quem está em risco de evoluir para pressão alta e ajuda a estimular intervenções, como ajustes no estilo de vida, antes que danos mais sérios apareçam.

    O que mudou com a nova diretriz?

    A diretriz agora considera que valores de pressão arterial sistólica entre 120 e 129 mmHg ou pressão arterial diastólica entre 80 e 84 mmHg se encaixem na nova categoria de pré-hipertensão.

    Antes, muitos desses valores eram vistos como normais ou limítrofes; a mudança indica que agora há uma faixa “normal elevada” que exige atenção.

    Além disso, as metas de tratamento também foram ajustadas: o tratamento com remédios continua indicado para pressão ≥ 140/90 mmHg, mas para pacientes com pressão entre 130–139/80–89 mmHg e alto risco cardiovascular, já se recomenda considerar tratamento se as medidas não medicamentosas não forem suficientes.

    Na Europa, as diretrizes de 2024 da ESC (European Society of Cardiology) introduziram a categoria Elevated BP (pressão elevada) para 120–139 / 70–89 mmHg, reforçando que mesmo esse nível intermediário merece atenção. Elas mantêm o valor de hipertensão plena quando ≥ 140/90 mmHg, mas reconhecem que muitos pacientes com pressões intermediárias têm risco aumentado de eventos cardiovasculares.

    Tabela comparativa: antes × agora

    Faixa de pressão Classificação antiga* Nova classificação (2025)
    < 120 / < 80 mmHg Pressão ótima / normal Pressão arterial não elevada (antes “ótimo”)
    120–129 / 80–84 mmHg Normal ou limítrofe Pré-hipertensão
    130–139 / 85–89 mmHg Limítrofe ou hipertensão leve Pré-hipertensão ou estágio leve, dependendo do risco
    ≥ 140 / ≥ 90 mmHg Hipertensão (estágios 1, 2, 3) Pressão alta confirmada, tratamento com remédios indicado

    Por que essa mudança importa para você?

    • Detecção precoce: reconhecer pressão 12×8 como algo que merece atenção permite agir cedo, antes que se transforme em pressão alta.
    • Intervenções preventivas mais intensas: reforça medidas como dieta, redução de sal, atividade física e controle de peso.
    • Tratamento personalizado: quem está nessa faixa pode ser monitorado mais de perto e receber orientações adicionais conforme o risco.

    Confira: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    O que fazer se sua pressão for 12×8 ou algo nessa casa?

    • Meça a pressão corretamente: 2 ou mais medições em dias diferentes, em condições calmas, com aparelho confiável.
    • Faça mudanças no estilo de vida: controle o sal, perca peso se necessário, alimente-se de forma saudável e pratique atividade física regular.
    • Monitore mais de perto: o médico pode solicitar medições domiciliares ou MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial).
    • Avalie o risco cardiovascular global: colesterol, glicemia/diabetes, tabagismo, entre outros fatores.
    • Reavalie: se após 3 meses as medidas não forem suficientes e houver alto risco, o médico pode considerar iniciar medicamentos.

    Veja mais: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Perguntas frequentes sobre 12×8 e a nova diretriz

    1. Então ter pressão 12×8 agora significa que estou “pré-hipertenso”?

    Sim. A diretriz 2025 reclassifica 120/80 mmHg como início da categoria de pré-hipertensão, não mais como valor normal absoluto.

    2. Isso significa que todo mundo com 12×8 precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. A reclassificação serve para aplicar medidas preventivas precoces. Os remédios continuam indicados principalmente para pressão ≥ 140/90 mmHg ou, em casos de 130–139/80–89 mmHg e alto risco, se as mudanças de estilo de vida não bastarem.

    3. Qual aparelho usar para medir a pressão corretamente?

    Use aparelhos validados e meça corretamente: sentado, costas apoiadas, sem falar durante a medição, após alguns minutos de repouso.

    4. Isso está alinhado com as diretrizes internacionais?

    Sim. A Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) introduziu a categoria Elevated BP para 120–139 / 70–89 mmHg e reconhece que essa faixa intermediária merece atenção.

    5. Com que frequência devo medir minha pressão se estiver nessa faixa 12×8?

    Em geral, com maior frequência: medições domiciliares, eventualmente MAPA, e acompanhamento periódico com seu médico.

    6. E se minha pressão estiver ligeiramente acima, como 121/82?

    Você ainda cai na faixa de pré-hipertensão segundo a nova diretriz. A recomendação é reforçar estilo de vida e monitorar de perto.

    Leia também: MAPA: o exame que analisa a pressão arterial por um dia inteiro

  • Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono pode ser sinal de algo mais sério do que simplesmente dormir pouco. A apneia do sono é uma condição que interrompe a respiração diversas vezes durante a noite, prejudicando a oxigenação do corpo e roubando a qualidade do descanso.

    Muito além do ronco alto e da sonolência diurna, a apneia tem impactos que preocupam os médicos, afinal, ela pode alterar o funcionamento do coração, elevar a pressão arterial e aumentar as chances de doenças mais sérias, como infarto e AVC.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, integrante do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, que explicou como a apneia do sono interfere na saúde do coração e por que merece tanta atenção.

    O que é apneia do sono

    A cardiologista explica que a apneia do sono é uma condição em que a respiração é interrompida durante o sono, o que leva a uma queda na oxigenação do organismo. Essas pausas podem acontecer várias vezes por noite e prejudicam profundamente a qualidade do descanso.

    “A fragmentação do sono também não permite com que os estágios mais profundos do sono sejam atingidos, levando a cansaço excessivo, fadiga e sonolência durante o dia”, conta a médica.

    Segundo a especialista, existem três tipos principais de apneia do sono:

    • Apneia obstrutiva do sono: a mais comum, causada pelo relaxamento dos músculos da garganta, que bloqueiam a passagem do ar.
    • Apneia central do sono: mais rara, ocorre quando o cérebro não envia os sinais corretos para a respiração.
    • Apneia mista do sono: mistura das duas situações.

    “Embora possa atingir qualquer idade, ela é mais frequente em homens acima dos 40 anos, especialmente quando há obesidade”, diz a médica.

    Como a apneia afeta o coração

    A cada pausa na respiração, o corpo entende que está sob estresse. “Essas paradas na respiração promovem liberação dos hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, aumentando a pressão arterial e podendo levar a aumento da frequência cardíaca”, detalha a cardiologista.

    Com o tempo e o ciclo se repetindo noite após noite, acontece uma sobrecarga contínua no coração. Isso aumenta o risco de pressão alta, arritmias, aterosclerose (formação de placas de gordura nas artérias), resistência à insulina, diabetes, infarto e AVC.

    “Além disso, as pausas respiratórias demandam um esforço maior do coração podendo levar a ao enfraquecimento do músculo cardíaco e consequentemente a insuficiência cardíaca, condição na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender as necessidades do organismo”, detalha a especialista.

    “Como esse processo se repete dezenas de vezes durante a noite em quem tem apneia do sono, isso promove uma sobrecarga contínua no coração”.

    Esse processo ajuda a entender por que a apneia está tão ligada a doenças cardíacas graves.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Sinais de alerta da apneia do sono

    Como desconfiar, afinal, da apneia do sono? Muitas vezes, quem nota primeiro os sintomas é quem dorme ao lado. “Pausas na respiração durante a noite, ronco alto e frequente, sono agitado e despertar várias vezes são alguns dos sinais”, afirma a especialista.

    Durante o dia, os sintomas também aparecem:

    • Acordar cansado;
    • Sonolência excessiva;
    • Dor de cabeça ao acordar;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração.

    Diagnóstico de apneia do sono: como fazer

    O diagnóstico começa pela história clínica, associada a relatos de quem convive com a pessoa. O exame principal é a polissonografia, que avalia funções do organismo durante o sono, como atividade cerebral, respiração, nível de oxigênio, batimentos cardíacos e intensidade do ronco.

    “Como na maior parte das condições de saúde, quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados”, reforça a cardiologista.

    “Além do tratamento diminuir o risco de doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida, ele também ajuda na prevenção de acidentes, visto que a sonolência excessiva durante o dia pode aumentar esse risco”.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Tratamento de apneia do sono

    Hoje, pode-se usar alguns aparelhos ou dispositivos para tratar a apneia do sono, como o CPAP, que é um aparelho que envia ar sob pressão através de uma máscara nasal e mantém as vias aéreas sempre abertas. Há também outros aparelhos que podem ajudar, mas somente um médico pode indicar para cada caso.

    “Tratar a apneia ajuda a estabilizar a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo risco cardiovascular”, afirma a médica.

    Outra forma de tratar apneia é diminuir os fatores de risco para ela. Um dos principais é a obesidade.

    “O excesso de gordura na região do pescoço pode provocar obstrução das vias respiratórias durante o sono”, explica a especialista. Por isso, perder peso ajuda a controlar a apneia e a saúde cardiovascular.

    Além disso, a médica recomenda:

    • Praticar atividade física regularmente;
    • Diminuir o consumo de álcool (que relaxa a garganta e piora a apneia);
    • Parar de fumar, já que o cigarro inflama as vias aéreas.

    Perguntas frequentes sobre apneia do sono e coração

    1. Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Porém, quando o ronco vem acompanhado de pausas respiratórias, merece investigação.

    2. A apneia pode causar pressão alta?

    Sim. As pausas respiratórias ativam hormônios do estresse que elevam a pressão arterial.

    3. Quem tem apneia sempre precisa usar CPAP?

    O CPAP é um dos tratamentos mais comuns, mas a escolha depende de uma avaliação médica. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida já ajudam.

    4. Apneia pode levar a insuficiência cardíaca?

    Sim. O esforço extra exigido do coração ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo cardíaco.

    5. Existe cura para a apneia do sono?

    Não há uma cura definitiva, mas o tratamento controla os sintomas e previne complicações.

    6. Perder peso melhora a apneia do sono?

    De forma geral, sim. O emagrecimento reduz a obstrução das vias aéreas e pode diminuir muito os episódios.

    Confira: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

  • Vai operar? Veja os cuidados para quem tem pressão alta ou já infartou

    Vai operar? Veja os cuidados para quem tem pressão alta ou já infartou

    Quando surge a necessidade de uma cirurgia, seja ela simples ou complexa, uma das principais preocupações dos médicos é avaliar como está o coração do paciente. Isso acontece porque o sistema cardiovascular é diretamente impactado pelo estresse da anestesia, pelo tempo de internação e pelo processo de recuperação.

    No caso de pessoas com pressão alta ou que já passaram por um infarto, a avaliação é ainda mais importante para prevenir complicações durante e após o procedimento. Para entender melhor quais são os principais cuidados e como reduzir riscos, reunimos algumas orientações práticas a seguir!

    Por que o coração precisa de avaliação antes da cirurgia?

    Durante um procedimento cirúrgico, o organismo é afetado por algumas alterações importantes: há liberação de hormônios de estresse, variação da pressão arterial, maior demanda de oxigênio e risco de sangramentos.

    Em pacientes saudáveis e sem histórico cardíaco, isso tende a ser bem tolerado. No entanto, para quem tem hipertensão ou já passou por infarto, a situação é mais delicada, uma vez que podem desencadear complicações durante e após a cirurgia, como:

    • Picos de pressão durante o procedimento, que podem sobrecarregar o coração e os vasos sanguíneos;
    • Sangramento ou dificuldade de controle da pressão arterial;
    • Acidente vascular cerebral (AVC);
    • Infarto.

    “O estresse do procedimento cirúrgico e da anestesia pode sobrecarregar o coração, especialmente se a pessoa já tem uma condição prévia. Em um coração já fragilizado, esse aumento de demanda pode ser insuportável, levando a um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio, o que pode causar um infarto ou outras complicações”, explica Edilza Câmara Nóbrega, cardiologista formada pelo InCor-HCFMUSP.

    Já tive um infarto, posso operar?

    Ter um histórico de problemas cardíacos, como infarto, não impede a realização de uma cirurgia. No entanto, segundo Edilza, exige um planejamento mais cuidadoso e uma avaliação rigorosa.

    “Esses pacientes precisam de um acompanhamento cardiológico mais detalhado no pré-operatório. A avaliação é muito importante para entender a condição atual do coração, a gravidade do infarto anterior e o risco de um novo evento”, explica a cardiologista.

    Quem precisa obrigatoriamente passar pelo cardiologista?

    A avaliação cardiológica pré-cirúrgica é importante para todas as pessoas, independentemente do tipo de cirurgia, mas existem situações em que a consulta é ainda mais recomendada:

    • Pessoas com pressão alta diagnosticada;
    • Pacientes que já tiveram infarto ou sofreram angina;
    • Quem possui insuficiência cardíaca ou já colocou stent;
    • Portadores de arritmias ou marcapasso;
    • Pessoas com colesterol alto, diabetes ou histórico familiar forte de doenças cardíacas;
    • Pacientes com mais de 65 anos, mesmo sem diagnóstico prévio, dependendo do tipo de cirurgia.

    Sinais de alerta para ficar de olho

    Mesmo que o paciente não tenha diagnóstico confirmado, existem sintomas que servem como alerta para investigar o coração antes da cirurgia. Entre eles:

    • Dor ou aperto no peito;
    • Falta de ar em atividades leves;
    • Palpitações frequentes;
    • Inchaço nas pernas e tornozelos;
    • Cansaço extremo sem causa aparente;
    • Desmaios ou tonturas recorrentes.

    Se algum desses sinais estiver presente, a recomendação é clara: não marcar cirurgia sem antes passar pelo cardiologista.

    O que fazer se a pressão estiver descontrolada no pré-operatório?

    Se, nos dias que antecedem a cirurgia, a pressão arterial estiver muito alta, o primeiro passo é entrar em contato imediatamente com o médico. A pressão elevada aumenta de forma significativa o risco de complicações durante o procedimento, como sangramentos, arritmias, AVC ou até um novo infarto.

    Na prática, o que pode acontecer é o seguinte: se a alteração for leve, o médico pode apenas ajustar a medicação ou recomendar medidas rápidas de controle, como repouso, redução de sal na dieta e monitoramento mais frequente da pressão.

    Porém, quando os valores estão muito altos e persistem mesmo com os remédios, a recomendação pode ser adiar a cirurgia até que a pressão esteja estabilizada.

    Como controlar a pressão arterial antes da cirurgia?

    Nos dias que antecedem a operação, Edilza ressalta que é fundamental seguir rigorosamente as orientações médicas, como:

    • Não interromper o remédio de pressão alta sem orientação médica;
    • Monitorar a pressão diariamente em casa ou em farmácias;
    • Seguir uma dieta equilibrada, com pouco sal e alimentos leves;
    • Evitar álcool e cigarro;
    • Reduzir o estresse e garantir boas noites de sono.

    Se houver qualquer alteração significativa, como picos de pressão acima do habitual, o médico deve ser avisado imediatamente.

    Perguntas frequentes sobre cuidados antes da cirurgia

    1. Quanto tempo depois de um infarto é seguro fazer uma cirurgia eletiva?

    Não existe um prazo único e fixo para todos os pacientes. O tempo de espera para uma cirurgia eletiva após um infarto depende de uma avaliação médica detalhada, levando em conta diversos fatores, como condição geral do paciente e gravidade do infarto.

    2. Quais exames de coração são feitos antes da cirurgia?

    Os mais comuns são o eletrocardiograma (ECG), que registra a atividade elétrica do coração, o ecocardiograma, que mostra imagens do bombeamento do sangue e da função das válvulas cardíacas, e, em alguns casos, o teste ergométrico, que avalia como o coração responde ao esforço físico.

    Além desses, exames laboratoriais de rotina (como colesterol, glicemia e coagulação) ajudam a identificar fatores de risco que podem impactar a cirurgia. Em pacientes com histórico de infarto ou hipertensão descontrolada, o médico pode solicitar exames complementares.

    3. O que pode acontecer se a pressão estiver alta no dia da cirurgia?

    Se a pressão estiver muito elevada, o procedimento pode ser adiado. Isso acontece porque a pressão muito alta durante a cirurgia pode causar problemas sérios, como derrame ou infarto. Por isso, só o anestesista e o cardiologista podem decidir se é seguro seguir ou adiar o procedimento.

    4. O estresse emocional pode atrapalhar o coração antes da cirurgia?

    Sim, pois o estresse faz com que o corpo libere adrenalina e cortisol, hormônios que aumentam a frequência cardíaca e elevam a pressão arterial. Para quem já tem histórico de hipertensão ou infarto, isso pode ser perigoso. A ansiedade excessiva também pode provocar insônia, dificultar o controle da glicemia em diabéticos e até interferir na recuperação pós-cirúrgica.

    5. O álcool deve ser suspenso antes da cirurgia?

    Sim, especialmente em excesso. O álcool desregula a pressão arterial e interfere no funcionamento do fígado, responsável por metabolizar os anestésicos.

  • Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    O sal é um ingrediente presente em quase todas as refeições. No entanto, quando em excesso, ele pode ser muito prejudicial à saúde. Consumir muito sal está ligado um risco maior de pressão alta, sobrecarga dos rins e aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Venha entender a fundo por que o excesso de sal pode fazer tão mal a sua saúde e aprenda a deixar a comida saborosa mesmo usando o sal em menor quantidade.

    O que é considerado excesso de sal no Brasil?

    O sal, quimicamente conhecido como cloreto de sódio (NaCl), é muito importante para funções corporais, como o equilíbrio de fluidos e a transmissão de impulsos nervosos.

    “Porém, quando ingerido em quantidade excessiva, pode trazer riscos à saúde”, alerta Giovanni Henrique Pinto, médico especialista em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    É considerado excesso de sal quando se consome mais do que 5g por dia (cerca de 2g de sódio), ou o equivalente a mais do que uma colher de chá rasa.

    O problema é que, no Brasil, o consumo médio chega a quase o dobro disso, muito por conta dos alimentos industrializados, como pães, molhos e embutidos, que escondem quantidades altas de sódio.

    Como o excesso de sal prejudica coração e rins?

    Quando consumimos muito sal, nosso corpo retém mais água para diluí-lo e manter uma concentração adequada no sangue. Isso aumenta o volume de sangue nos vasos e obriga o coração a trabalhar mais, aumentando a pressão nas paredes das artérias, a chamada pressão arterial, e isso pode provocar pressão alta.

    “Nem todo mundo é igualmente sensível ao sódio. Há uma condição chamada ‘sensibilidade ao sal’, que varia geneticamente e é mais comum em algumas populações, como idosos ou pessoas com histórico familiar de hipertensão”, explica o médico.

    Os rins também sofrem com esse excesso de sal. Como são eles que filtram o sódio do sangue, esse esforço constante para eliminar o excesso pode causar danos e prejudicar a saúde dos rins ao longo do tempo.

    4 principais riscos do consumo excessivo de sal

    De acordo com o dr. Giovanni, os principais problemas associados ao excesso de sal incluem:

    • Pressão alta: o sal (sódio) em excesso aumenta a pressão sanguínea.
    • Problemas nos rins: os rins têm dificuldade para eliminar tanto sódio, o que pode levar a danos crônicos.
    • Inchaço: o corpo retém água para equilibrar o sódio, causando inchaço.
    • Risco cardiovascular: maior probabilidade de infarto e AVC.

    6 alimentos ricos em sal que você não imagina

    Boa parte do sal que consumimos não vem do saleiro. Ele está escondido em alimentos industrializados e ultraprocessados, como:

    • Embutidos, como presunto, salame e salsicha;
    • Queijos amarelos;
    • Pães, bolachas e biscoitos;
    • Temperos prontos e molhos industrializados;
    • Salgadinhos;
    • Fast-food.

    “Nesses alimentos temos muito ingredientes ocultos, como aditivos e conservantes, que podem conter altos níveis de sódio”, destaca o médico.

    Como reduzir o sal sem perder o sabor: 4 dicas práticas

    Reduzir o sal não significa comer comida sem graça. Há várias maneiras de temperar de forma saborosa e ter uma alimentação saudável com baixo consumo de sódio:

    • Use ervas frescas ou secas como alecrim, orégano, salsinha, manjericão;
    • Adicione alho e cebola para dar mais sabor;
    • Substitua o sal por limão ou vinagre em saladas e carnes;
    • Experimente pimentas frescas ou em pó, que dão gosto e estimulam o apetite.

    “É importante estar consciente dos alimentos que você consome, ler os rótulos nutricionais, cozinhar mais em casa e usar alternativas saudáveis para temperar os alimentos. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na sua saúde a longo prazo”, diz o médico.

    Por que é tão difícil comer menos sal?

    Além do costume, o dia a dia corrido favorece o consumo de comidas prontas e industrializadas. Segundo o médico, o maior desafio é mudar o paladar e os hábitos. “As pessoas se acostumam ao sabor salgado dos alimentos e podem achar difícil adaptar-se a uma dieta com menos sal”, conta.

    Outro problema é a dificuldade de encontrar opções saudáveis e com bom preço, principalmente em grandes cidades, onde comer fora de casa se tornou rotina. Restaurantes por quilo, lanchonetes e fast-foods costumam exagerar no sal para realçar o sabor dos alimentos.

    A falta de informação também é outra questão. O cardiologista adverte que nem todos sabem como ler rótulos nutricionais ou identificar alimentos com muito sódio, assim como nem todo rótulo deixa claro o que realmente contém no produto.

    Políticas públicas e educação para reduzir o sal

    Campanhas de conscientização, leis de rotulagem e iniciativas do governo têm ajudado os consumidores a fazer escolhas melhores em relação ao sal. No Brasil, os rótulos de alimentos precisam destacar o alto teor de sódio, o que já é um grande avanço.

    “Em nosso país, a normatização da rotulagem nutricional clara e obrigatória ajuda os consumidores a identificarem alimentos com alto teor de sódio e a fazerem escolhas mais saudáveis”, comenta o especialista.

    Por fim, Giovanni acredita que se deve incentivar a indústria alimentícia a reformular os produtos para reduzir a quantidade de sal, açúcar e gordura, o que tornaria os alimentos industrializados mais saudáveis.

    Perguntas frequentes sobre excesso de sal

    1. Quanto sal posso consumir por dia?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda:

    • Adultos: máximo 5g de sal por dia (1 colher de chá)
    • Crianças: até 2g de sal por dia
    • Realidade brasileira: consumo médio de 9g/dia (80% acima do recomendado)

    2. Todo tipo de sal faz mal?

    O problema está no excesso, não no tipo. Sal rosa, marinho ou light têm sódio e devem ser usados com moderação.

    3. Como saber se um alimento tem muito sal?

    Leia os rótulos. Se tiver mais de 400 mg de sódio por porção, já é considerado alto.

    4. O que fazer para mudar o paladar?

    Reduza o sal aos poucos e use mais temperos naturais. Com o tempo, seu paladar se adapta.

    5. Comer menos sal melhora a pressão?

    Sim. Reduzir o sódio pode ajudar a controlar a pressão e diminuir o risco de problemas no coração e nos rins.

  • Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    Pressão alta e rins: como proteger a saúde renal

    A pressão alta é conhecida como um fator de risco para doenças cardíacas, mas o que muita gente não sabe é que ela também pode comprometer os rins, órgãos essenciais para filtrar o sangue e manter o corpo funcionando bem. Quando a pressão alta não é controlada, a saúde dos rins sofre.

    E o mais alarmante é que, quando os danos aparecem, muitas vezes já é tarde demais, como os casos de insuficiência renal. Entender essa relação é o primeiro passo para prevenir complicações graves.

    Neste artigo, você vai entender como a hipertensão afeta os rins, quais são os sinais de alerta, e que mudanças você pode fazer na sua vida para proteger a saúde dos rins.

    O que é pressão alta e por que ela prejudica os rins?

    A pressão alta, ou hipertensão arterial, acontece quando a pressão do sangue nas artérias está constantemente alta, acima de 130×85 em pelo menos duas medições. Ela pode atingir pessoas de todas as idades, mas é mais comum entre idosos, pessoas com diabetes, obesidade, doenças cardíacas e histórico familiar de doenças renais.

    A grande armadilha é que, muitas vezes, os sintomas da pressão alta não são percebidos e ela vai causando danos silenciosamente. Além de coração e cérebro, os rins também são afetados e podem perder parte de sua função com o tempo.

    Como a pressão alta afeta os rins?

    Os rins filtram o sangue, mandam toxinas embora e mantêm o equilíbrio de líquidos dentro do organismo. Quando a pressão está sempre alta, os vasos sanguíneos que irrigam os rins sofrem. Isso reduz o fluxo de sangue e dificulta o trabalho dos rins.

    “Da mesma forma, a doença renal crônica pode desencadear um aumento dos níveis da pressão, o que também eleva o risco de doenças cardiovasculares e morte”, diz Edilza Câmara Nóbrega, médica cardiologista pelo InCor-HCFMUSP.

    4 doenças renais relacionadas à hipertensão

    As doenças renais mais comuns causadas ou agravadas pela pressão alta são as abaixo.

    1. Nefroesclerose hipertensiva

    É quando os vasos sanguíneos dentro dos rins vão sendo danificados pela pressão alta. Com o tempo, isso causa cicatrizes e os rins vão perdendo a capacidade de funcionar. É uma das principais causas de falência dos rins em quem tem pressão alta.

    2. Glomeruloesclerose

    Os glomérulos são como filtros minúsculos dentro dos rins. Essa doença endurece e danifica esses filtros. A pressão alta pode piorar esse problema, dificultando ainda mais o trabalho dos rins.

    3. Lesão renal aguda

    É quando os rins param de funcionar de repente. Pode acontecer por várias razões, e a pressão alta descontrolada é uma delas. Nesse caso, o corpo não consegue eliminar bem as toxinas, o que pode ser perigoso e precisa de atenção médica urgente.

    4. Doença renal policística

    É uma condição hereditária, ou seja, passa de pais para filhos, em que se formam vários cistos (bolsas cheias de líquido) nos rins. Esses cistos crescem com o tempo e a pressão alta pode fazer a doença evoluir mais rápido.

    Sinais de que os rins podem estar sendo afetados pela pressão alta

    A maioria dos problemas renais evolui sem sintomas no começo. Mas, com o tempo, alguns sinais podem indicar que os rins estão comprometidos. Veja alguns deles.

    Inchaço

    Quando os rins não conseguem eliminar o excesso de líquido do corpo, ele pode se acumular nas pernas, tornozelos e pés, causando inchaço. Esse costuma ser um dos primeiros sinais de problema renal.

    Mudanças na urina

    Preste atenção se você começar a urinar muito mais ou muito menos que o normal, se a urina estiver escura, com sangue ou se formar muita espuma. Essas alterações podem indicar que algo não vai bem com os rins.

    Cansaço sem motivo aparente

    Se você anda se sentindo muito cansado, mesmo dormindo bem e sem estar doente, pode ser que os rins não estejam filtrando o sangue como deveriam.

    Náuseas e vômitos

    Quando os rins não funcionam direito, o corpo acumula substâncias que deveriam ser eliminadas. Isso pode causar enjoo e até vômitos frequentes.

    Falta de apetite

    Se você tem sentido menos vontade de comer sem uma causa clara, isso também pode estar ligado a um problema nos rins. Vale investigar com um médico.

    Coceira no corpo

    O acúmulo de resíduos no sangue pode causar coceira constante na pele, principalmente quando os rins começam a falhar.

    Falta de ar

    O acúmulo de líquido no corpo, por causa do mau funcionamento dos rins, pode chegar aos pulmões e dificultar a respiração.

    Confira: Falta de ar: quando pode ser problema do coração 

    Dor nas costas

    Dor nas costas na região lombar também pode estar relacionadas a problemas renais.

    Como proteger seus rins da pressão alta?

    “Para controlar a pressão alta e evitar danos renais é fundamental adotar uma abordagem abrangente que inclua tanto medidas medicamentosas quanto mudanças no estilo de vida”, comenta Edilza. Veja o que fazer.

    Remédios

    Remédios para pressão alta devem ser usados quando o médico prescrever. “Mesmo que a pressão esteja sob controle, não pare os remédios por conta própria”, alerta a cardiologista.

    7 mudanças no estilo de vida para proteger seus rins

    • Boa alimentação: frutas, legumes, grãos integrais e menos sal. A dieta DASH é ótima para isso.
    • Exercício físico regular: 30 minutos de caminhada ou outra atividade aeróbica quase todos os dias.
    • Controlar o peso: manter o peso adequado ajuda a reduzir a pressão arterial.
    • Evitar cigarro e bebida alcoólica: eles prejudicam o sistema cardiovascular e renal.
    • Gerenciar o estresse e dormir bem: um bom sono e técnicas de relaxamento ajudam a controlar a pressão.
    • Acompanhamento médico: faça exames de sangue e urina regularmente e meça a pressão com frequência.
    • Medir a pressão arterial em casa: usar aparelhos em casa pode ajudar a acompanhar o tratamento da hipertensão e evitar problemas nos rins.

      Saiba mais: Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    Perguntas frequentes sobre pressão alta e saúde dos rins

    1. Toda pessoa com pressão alta terá problemas nos rins?

    Não necessariamente. Mas quando a pressão alta não é tratada, ela pode, sim, afetar os rins com o tempo.

    2. Quem tem problema nos rins pode ter pressão alta?

    Sim. Há uma relação de mão dupla entre doença renal e pressão alta, ou seja, um problema nos rins pode causar pressão alta.

    3. Como saber se meus rins estão sendo afetados?

    Com exames de creatinina, taxa de filtração glomerular e exame de urina, pedidos por um médico.

    4. Só o remédio resolve a pressão alta?

    Os remédios são importantes, mas os hábitos saudáveis fazem toda a diferença no controle da pressão alta.

    5. A alimentação faz diferença na saúde dos rins?

    Sim. Comer bem, com pouco sal e alimentos naturais, ajuda a controlar a pressão alta e a saúde dos rins.

    6. Quais exames devo fazer para acompanhar minha saúde renal?

    Os principais exames são a dosagem de creatinina no sangue, a taxa de filtração glomerular (TFG) e o exame de urina tipo 1. Eles ajudam a identificar alterações na função dos rins, mesmo antes dos sintomas aparecerem.

    7. É possível reverter o problema nos rins causado pela pressão alta?

    Em muitos casos, os danos renais não são reversíveis. Por isso, o mais importante é identificar cedo e controlar a pressão para evitar que o problema avance.

    8. A dor nos rins é um sinal comum de hipertensão?

    Nem sempre. A maioria dos problemas renais causados por pressão alta não provoca dor no início. A dor costuma aparecer apenas em casos mais avançados, quando os rins já estão com problema, ou quando há outra condição associada, como infecção ou pedra nos rins.

    9. Crianças e jovens também precisam se preocupar com pressão alta?

    Sim. Embora mais comum em adultos, a pressão alta também pode afetar crianças e adolescentes, principalmente em casos de obesidade, sedentarismo ou histórico familiar. Por isso, o acompanhamento médico desde cedo é importante.

    10. Tomar muita água ajuda a proteger os rins?

    Manter-se hidratado é importante para a saúde dos rins, mas só a água não previne os danos causados pela pressão alta. O controle da pressão e hábitos saudáveis são essenciais para proteger os rins. Consulte seu médico.

  • Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Você já sentiu o coração bater mais rápido sem motivo aparente, uma dorzinha de cabeça no fim do dia ou um cansaço que não passa? Pode ser só estresse, mas também pode ser pressão alta, um problema de saúde muito comum no Brasil. Quase 20% da população tem hipertensão, segundo o Ministério da Saúde.

    O mais preocupante é que, na maioria dos casos, ela não dá sinais. A pressão alta é uma doença silenciosa e pode estar presente por anos sem causar sintomas, até que aparece algo mais sério, como um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido por derrame. Muitas vezes, ela só é descoberta em exames de rotina.

    Se não for tratada, pode afetar o coração, os rins, os olhos e até o cérebro. Mas há boas notícias, pois é possível controlar a pressão alta e viver com mais saúde, e a alimentação é muito importante nisso.

    O que é pressão alta e por que ela é perigosa?

    A pressão alta é uma doença que acontece quando os níveis da pressão arterial ficam altos por muito tempo, acima de 14 por 9 (ou 140 por 90 mmHg, no nome técnico).

    Segundo o cardiologista Pablo Cartaxo, do Instituto do Coração da USP (InCor), os principais motivos para isso são estar acima do peso, comer muito sal, consumir alimentos industrializados com frequência, comer poucas frutas e verduras e beber muito álcool.

    “O sedentarismo e o estresse também potencializam esses efeitos”, explica o médico.

    Sintomas da pressão alta: o perigo silencioso

    A pressão alta costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais, por isso é conhecida como uma “doença silenciosa”. Muitas pessoas só descobrem que estão com pressão alta em uma consulta médica de rotina ou quando já apresentam uma complicação mais grave, como um infarto ou AVC.

    Em alguns casos, especialmente quando a pressão está muito alta ou descontrolada por longos períodos, podem surgir sintomas como dor de cabeça, náuseas, falta de ar, agitação e visão embaçada, sinais que indicam possíveis danos em órgãos como olhos, cérebro, coração e rins.

    Por isso, é muito importante medir a pressão regularmente, mesmo sem sinais aparentes, especialmente em pessoas com fatores de risco como casos na família, sobrepeso ou obesidade, sedentarismo, má alimentação e estresse.

    Detectar a pressão alta cedo permite que se comece um tratamento e que se reduza o risco de complicações cardiovasculares.

    Leia mais: Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona

    Como a alimentação afeta a pressão

    Tudo o que comemos influencia a nossa saúde, e no caso da pressão arterial, isso é ainda mais verdadeiro. Dietas com muito sal, gorduras e produtos industrializados dificultam o controle da doença. Já quem come mais frutas, verduras e alimentos naturais tem mais chance de manter a pressão sob controle.

    O problema é que esses alimentos ruins para a pressão estão presentes no dia a dia de uma boa parte das pessoas. Os alimentos ultraprocessados, que são os refrigerantes, salgadinhos, embutidos, biscoitos recheados e refeições industrializadas congeladas são feitos com muitos ingredientes artificiais, muito sal e quase nenhum alimento de verdade.

    “Esses alimentos costumam concentrar essas substâncias prejudiciais, dificultando o controle da doença. A dieta inadequada também favorece o ganho de peso, outro fator associado ao aumento da pressão”, afirma o cardiologista.

    Sal e pressão alta: a relação perigosa

    Um dos maiores vilões para quem tem pressão alta é o sal. O ideal é não passar de uma colher de chá rasa por dia, o que dá mais ou menos cinco gramas de sal (ou dois gramas de sódio).

    O cardiologista recomenda trocar o sal por temperos naturais, como alho, cebola, limão, ervas (manjericão, orégano, salsa) e especiarias (como cúrcuma e pimenta). Essa mistura deixa os alimentos saborosos e ajuda a reduzir a necessidade do sal para realçar o sabor.

    “Misturas prontas devem ser evitadas por conterem glutamato monossódico e outros aditivos, por serem prejudiciais à saúde e potencialmente aumentarem a retenção de sódio no organismo”, alerta Pablo.

    Alimentos que aumentam a pressão arterial

    Entre os alimentos mais ricos em sal e aditivos estão os embutidos (como salsicha e presunto), salgadinhos, macarrão instantâneo, refrigerantes e biscoitos recheados. O ideal é evitar esses produtos e dar preferência a comidas preparadas em casa.

    Além do sal, o excesso de gordura ruim, a famosa gordura saturada, e de açúcar também atrapalha. Carnes gordurosas, frituras, leite integral em excesso e doces aumentam a chance de ganhar peso, de inflamação no corpo e do consequente descontrole da pressão arterial.

    “Fazer substituições por fontes saudáveis, como azeite de oliva, frutas e castanhas, contribui para o controle da pressão arterial”, orienta o cardiologista.

    Dicas práticas para reduzir o sal na alimentação

    Diminuir o consumo de sal é uma das coisas mais imporantes a se fazer para controlar a pressão alta, mas isso não significa comer comida sem sabor. Uma boa dica é usar temperos naturais como alho, cebola, limão, ervas frescas (salsinha, cebolinha, alecrim e manjericão), cúrcuma e pimenta-do-reino para realçar o sabor dos alimentos sem precisar recorrer ao sal.

    Também vale preparar os próprios alimentos em casa, sempre que possível, para fugir de produtos industrializados que costumam ter grandes quantidades de sódio escondido.

    Outra estratégia é retirar o saleiro da mesa e provar a comida antes de adicionar mais sal. Na hora de fazer compras, é bom olhar os rótulos e procurar produtos com baixo teor de sódio.

    Para quem está começando, vale fazer a redução aos poucos, dando tempo para o paladar se adaptar. Com o tempo, vai ser possível começar a sentir mais o sabor natural dos alimentos e comer com pouco sal vai deixar de ser um sacrifício.

    Dietas recomendadas para hipertensão (DASH e Mediterrênea)

    Dois tipos de alimentação são muito indicados para quem tem pressão alta, que são a dieta DASH (Abordagens Dietéticas para Controlar a Hipertensão, ou, do inglês Dietary Approaches to Stop Hypertension) e a dieta mediterrânea.

    A dieta DASH foi criada especialmente para ajudar no controle da pressão alta e já mostrou resultados bons em muitos estudos. Já a dieta mediterrânea dá mais destaque a azeite de oliva, peixes, grãos integrais, legumes, frutas e verduras, tudo de forma natural, saborosa e com pouco sal.

    Esses dois estilos de alimentação protegem o coração, melhoram o colesterol e diminuem o risco de outras doenças e podem ser feitas como forma de baixar a pressão. Não há alimento específico para baixar a pressão, mas sim o conjunto deles no dia a dia. Por isso, é importante começar a se cuidar já, medir a pressão arterial e visitar um médico regularmente.

    Perguntas frequentes sobre pressão alta

    Qual é a pressão arterial normal?

    A pressão arterial considerada normal é abaixo de 12 por 8 (120/80 mmHg). Quando os valores começam a ultrapassar esse limite, é sinal de alerta. Consulte um médico.

    Quais são os primeiros sintomas da pressão alta?

    A maioria das pessoas com pressão alta não sente nada, por isso ela é chamada de “inimiga silenciosa”. Em alguns casos mais graves, pode causar dor de cabeça, tontura, visão borrada ou falta de ar.

    Quanto sal posso consumir por dia?

    O recomendado é consumir no máximo 5 gramas de sal por dia (no Brasil, a média de consumo é mais que o dobro: 12,3g por dia). É preciso lembrar, porém, que a maior parte do sal que consumimos está presente em alimentos industrializados.

    A pressão alta tem cura?

    A pressão alta não tem cura, mas pode ser controlada com hábitos saudáveis, boa alimentação, atividade física regular e, quando necessário, o uso de remédios prescritos pelo médico.

    Quem tem pressão alta pode praticar exercícios físicos?

    Sim, e isso é muito recomendado. Atividades como caminhada, natação, bicicleta ou dança ajudam a reduzir a pressão arterial. Porém, é sempre importante ter orientação médica antes de iniciar uma rotina de exercícios.

    Pressão alta pode causar outras doenças?

    Sim. Se não for controlada, a pressão alta pode aumentar o risco de infarto, AVC, problemas nos rins e na visão.

    É verdade que estresse aumenta a pressão arterial?

    Sim. O estresse constante pode provocar picos de pressão e dificultar o controle da pressão alta. Aprender a relaxar, dormir bem e ter momentos de descontração ajudam a diminuir esse problema.

    Leia mais: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Você provavelmente já ouviu que comer bem ajuda a controlar a pressão alta. Mas o que talvez nem todo mundo saiba é que o estilo de vida pode fazer uma grande diferença no controle da pressão. E mais: em alguns casos, essas mudanças já são uma maneira de como baixar a pressão naturalmente sem precisar de remédio.

    Segundo o Ministério da Saúde, 27,9% dos brasileiros convivem com pressão alta, também conhecida como hipertensão arterial. E o problema é que, na maioria das vezes, ela não dá nenhum sinal que te faça desconfiar de que algo está errado. É aquela velha história da doença silenciosa que pode passar anos sem sintomas e, de repente, causar algo mais sério como um infarto ou um AVC.

    Mas não dá para se render, pois hoje já sabemos que tem como prevenir e controlar a pressão alta. O bom é que não precisa de nada muito difícil de fazer, só um pouco de disposição e mudanças no dia a dia.

    Por que o estilo de vida afeta a pressão arterial

    O estilo de vida está ligado à pressão alta. Dormir mal, comer alimentos industrializados em vez de frutas, verduras e carnes magras, se estressar, além de não fazer nenhuma atividade física, são atitudes péssimas para a pressão arterial. Isso acontece porque esses hábitos ruins fazem o corpo trabalhar de forma desregulada, o que sobrecarrega o organismo.

    Com o tempo, isso eleva a pressão arterial e pode causar problemas sérios. É por isso que mudar hábitos é uma das formas mais eficazes para cuidar da saúde e controlar a pressão.

    Exercícios físicos para controlar a pressão alta

    O exercício para pressão alta deve ser considerado, com a orientação médica. O sedentarismo é um grande inimigo da saúde, e ficar parado o dia inteiro, só no sofá ou na frente do computador, não ajuda em nada quem tem pressão alta. Fazer atividade física diariamente de maneira leve ou moderada, como caminhada, dança ou até uma musculação leve, já é uma mão na roda no controle da pressão. De quebra, ainda melhora o humor, o sono e a disposição.

    Essas atividades aumentam a circulação, ajudam o coração a trabalhar melhor e reduzem os níveis de estresse, tudo o que a pressão alta não gosta.

    A importância do sono para a pressão arterial

    Quem dorme mal também tem mais chance de ter pressão alta. E, ao contrário do que muita gente pensa, de que tirar no cochilo depois de dormir mal à noite já é o suficiente, o corpo não funciona bem assim. Ter um sono ruim, insuficiente ou dormir de forma irregular pode aumentar a pressão arterial. O ideal é dormir de sete a oito horas por noite e com qualidade.

    Para ter um sono reparador, é importante criar um ambiente tranquilo, sem muita luz ou barulho, e manter uma rotina de horários para dormir e acordar.

    Como o estresse aumenta a pressão arterial

    Não adianta muito dormir bem, mas já acordar nervoso, correndo contra o relógio ou preocupado com tudo. Nesses casos, o estresse também pode empurrar a pressão lá para o alto.

    Cuidar do estilo de vida, portanto, é uma das melhores coisas a fazer para prevenir e controlar a pressão arterial. Parar um pouco durante o dia, aprender a respirar com calma, tirar um tempinho para fazer algo que gosta, como ouvir uma música, ler um bom livro ou cozinhar, por exemplo, pode ajudar a aliviar a mente e diminuir o estresse para evitar a pressão alta. Em outras palavras, controlar o estresse é uma das formas de como baixar a pressão naturalmente.

    “Essas medidas complementam a dieta e potencializam seus efeitos benéficos, promovendo melhor qualidade de vida”, explica o cardiologista Pablo Cartaxo, do Instituto do Coração da USP (InCor).

    Mudanças no estilo de vida podem substituir remédios?

    De acordo com o cardiologista, em muitos casos de hipertensão leve, só as mudanças no estilo de vida já são suficientes para normalizar a pressão.

    “Em estágios mais avançados, essas mudanças ainda são fundamentais para reduzir riscos e melhorar o efeito da terapia farmacológica”, destaca o cardiologista.

    Ou seja: mesmo quem já precisa de remédio pode se beneficiar muito de uma rotina mais saudável. E, com o tempo, pode até reduzir a dose, mas sempre com orientação médica.

    Leia mais: Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona

    Plano prático para mudanças graduais no estilo de vida

    Não adianta decidir mudar de vida e sair fazendo tudo de uma vez. A chance de dar errado é grande, afinal, nem todas as pessoas lidam bem com mudanças bruscas. O caminho, então, está na constância e no planejamento.

    Como organizar a alimentação

    Comece organizando o seu tempo, pois é a partir dele que todas as outras mudanças vão acontecer. É mais fácil comer bem quando se tem um tempo reservado para fazer compras saudáveis no mercado e preparar as refeições em casa já com pouco sal, mesmo que isso envolva cozinhar em maior quantidade e congelar marmitas para o resto da semana. Se um nutricionista puder ajudar, melhor ainda.

    “Valorizar os alimentos naturais, redescobrir temperos caseiros e adaptar o paladar gradualmente também facilita a adesão a um padrão alimentar mais saudável e sustentável para o controle da hipertensão”, completa o médico.

    Rotina de sono para quem tem pressão alta

    Depois de organizar a alimentação, é hora de organizar o sono. Procure dormir e acordar sempre no mesmo horário, e evite ficar no celular ou na TV pelo menos 1 hora antes de dormir. A luz emitida por esses aparelhos atrapalha a produção do hormônio do sono, a melatonina, e não te deixa repousar bem.

    Atividades físicas simples para começar

    Por fim, com o sono organizado, procure fazer atividade física. Se não tiver acesso a uma academia, por exemplo, faça caminhadas na rua, suba e desça escadas, jogue bola com seu filho, ande de bicicleta. O importante é não ficar parado.

    Dicas para manter as mudanças a longo prazo

    Não precisa virar atleta nem fazer dieta radical. Comece aos poucos, com passos possíveis, e o corpo vai agradecendo com mais saúde e disposição. E, sem dúvida, meça sua pressão com regularidade e siga todo e qualquer tratamento recomendado pelo médico. Mudanças no estilo de vida podem, sim, ajudar a controlar a pressão arterial.

    Perguntas frequentes sobre estilo de vida e pressão alta

    Posso parar o remédio se controlar a pressão com exercícios?

    Não. Mesmo que a pressão melhore, nunca suspenda o uso de remédios por conta própria. Essa decisão deve ser tomada pelo médico, que vai avaliar sua evolução a segurança.

    Qual o melhor horário para fazer exercícios tendo pressão alta?

    Manhã ou final da tarde são os horários mais recomendados, especialmente para evitar o calor excessivo. Antes de iniciar qualquer atividade física, porém, converse com seu médico para receber orientação adequada.

    Quantas horas de sono são necessárias para controlar a pressão?

    O ideal é dormir entre 7 e 8 horas por noite. Dormir pouco, especialmente menos de 6 horas por dia, pode aumentar o risco de desenvolver ou agravar a pressão alta.

    O estresse influencia na pressão arterial?

    Sim. O estresse constante pode aumentar a pressão arterial, pois libera hormônios que contraem os vasos sanguíneos e aceleram os batimentos do coração. Técnicas de relaxamento, respiração, exercícios e lazer são importantes para diminuir o estresse. Na dúvida, consulte um cardiologista.

    Leia também: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona 

    Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona 

    Você sabia que um estilo de alimentação que vem lá da região do Mar Mediterrâneo pode ajudar a controlar a pressão alta? Esse padrão alimentar que tem como base frutas, legumes, grãos integrais, azeite e peixes ajuda a manter a pressão arterial sob controle e protege o coração.

    Mesmo que o Brasil esteja longe do Mediterrâneo, é possível adaptar essa dieta ao jeitinho brasileiro, com ingredientes simples, fáceis de encontrar e bem saborosos.

    O que é a dieta mediterrânea?

    A dieta mediterrânea surgiu na Grécia, Itália e outros países banhados pelo Mar Mediterrâneo. Ela valoriza comidas frescas, preparadas com azeite, ervas e ingredientes naturais, com pouca carne vermelha e ultraprocessados. O modelo ideal é:

    • Muita fruta e verdura
    • Grãos integrais e leguminosas, como feijão, lentilha, grão‑de‑bico
    • Oleaginosas, como nozes e amêndoas
    • Azeite de oliva como principal fonte de gordura
    • Peixes e aves como fonte de proteína
    • Laticínios leves e pouca carne vermelha

    Por que a dieta mediterrânea ajuda a baixar a pressão

    O efeito positivo da dieta mediterrânea na pressão alta vem dos nutrientes dos alimentos, como explica a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

    “Elementos como ácidos graxos ômega 3 (encontrados em peixes gordurosos como salmão e o atum), polifenóis, nitratos e agentes antioxidantes (presentes no azeite, nas frutas em especial as vermelhas e uvas, nos vegetais, nas oleaginosas como as nozes), atuam diretamente na dilatação dos vasos sanguíneos e na redução das reações inflamatórias e comprovadamente auxiliam no controle da pressão alta”.

    Além disso, a dieta também pode promover perda de peso, o que ajuda ainda mais no controle da pressão arterial, explica a médica.

    Benefícios da dieta mediterrânea para quem tem pressão alta

    Além de ajudar no controle da pressão alta, a dieta mediterrânea é muito saudável e traz os principais nutrientes para uma vida longa e com bastante saúde.

    Como adaptar a dieta mediterrânea para a realidade brasileira

    Não precisa fazer um prato grego. Dá para adaptar a dieta mediterrânea para o Brasil, usando o nosso arroz com feijão. O segredo está em fazer trocas espertas e no uso de temperos naturais.

    Substituições inteligentes de ingredientes

    • Arroz integral e feijão no lugar do arroz branco ou farinha refinada
    • Azeite de oliva no lugar de óleos comuns ou manteiga
    • Legumes e verduras à vontade, como abobrinha, tomate, brócolis e couve
    • Frutas da estação, como banana, mamão, laranja
    • Peixes como atum, sardinha e salmão, ou frango com moderação
    • Oleaginosas como lanche, e aí entram castanhas, nozes e amêndoas com moderação
    • Temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão, e menos sal

    Para seguir as receitas mediterrâneas aqui no Brasil sem gastar muito, a ideia é preservar os principais nutrientes, que são as gorduras boas, as fibras e os minerais, mas buscá-los em ingredientes fáceis de encontrar por aqui.

    Dicas para começar a seguir a dieta mediterrânea

    • Troque o arroz branco por integral em algumas refeições;
    • Inclua uma porção extra de verduras e legumes no almoço e jantar;
    • Use azeite para temperar saladas ou para refogar;
    • Aproveite frutas como sobremesa ou lanche;
    • Substitua frituras por grelhados ou assados;
    • Prefira peixe a carnes vermelhas.

    São pequenas mudanças, é uma forma de como fazer a dieta mediterrânea e que já traz benefícios para a pressão arterial e o coração.

    “Ao contrário de grande parte das dietas, a dieta mediterrânea apresenta uma grande variedade de alimentos, com muitas possibilidades, especialmente quando temos grande variedade de verduras e legumes disponíveis. Além disso, os pratos feitos com alimentos deste tipo de dieta são muito saborosos”, diz Juliana.

    Cardápio da dieta mediterrânea brasileira

    Veja um exemplo de um dia da dieta mediterrânea e inspire-se.

    Café da manhã: frutas frescas, iogurte natural, aveia, pão integral com azeite ou pasta de abacate, café sem açúcar ou chá de ervas.

    Lanche da manhã ou tarde: castanhas, nozes, amêndoas, frutas da estação (como banana, mamão, laranja), ou um pedaço pequeno de queijo branco.

    Almoço: arroz integral, feijão, legumes cozidos ou refogados (como abobrinha, couve e cenoura), salada de folhas com azeite, frango grelhado ou peixe assado.

    Jantar: sopa de legumes, omelete com espinafre, pão integral com pastas naturais (como homus ou patê de atum com azeite), salada com tomate e azeite.

    Alimentos permitidos e proibidos na dieta mediterrânea

    Permitidos:

    • Frutas, legumes, verduras, grãos integrais, leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas), azeite de oliva, peixes, aves, laticínios com pouca gordura e temperos naturais.

    Proibidos (consuma só de vez em quando):

    • Carne vermelha, embutidos, frituras, produtos ultraprocessados (aqui entram salgadinhos, refrigerantes, bolachas recheadas, macarrão instantâneo), muito sal, manteiga, margarina, doces industrializados.

    Leia mais: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Receitas mediterrâneas adaptadas para o Brasil

    Com um pouco de criatividade, dá para adaptar as receitas ao estilo bem brasileiro, só que com mais saúde.

    Arroz integral com legumes e sardinha no azeite

    Refogue cebola, alho e tomate no azeite de oliva. Acrescente arroz integral cozido, abobrinha em cubos e cenoura ralada. Finalize com sardinha desfiada por cima e salsinha fresca.

    Salada de grão-de-bico com legumes e limão

    Misture grão-de-bico cozido, pepino picado em cubos, tomate picado, cebola roxa e hortelã. Tempere com azeite de oliva, limão e uma pitada de sal. Coma fria como entrada ou acompanhamento.

    Perguntas frequentes sobre dieta mediterrânea e pressão alta

    1. A dieta mediterrânea realmente baixa a pressão arterial?

    Sim, quando feita consumindo pouco sal, a dieta mediterrânea pode ajudar a reduzir a pressão arterial, especialmente quando combinada com outros hábitos saudáveis como exercícios e sono de qualidade.

    2. Posso seguir a dieta mediterrânea sendo vegetariano?

    Sim. A dieta mediterrânea é rica em alimentos vegetais como frutas, legumes, grãos integrais, castanhas e azeite de oliva, e pode ser facilmente adaptada para quem não consome carne, frango ou peixe.

    3. Qual a quantidade ideal de azeite por dia?

    A recomendação geral é de 2 a 3 colheres de sopa (cerca de 30 a 45 ml) de azeite de oliva extravirgem por dia, usadas para temperar saladas ou preparar alimentos.

    4. A dieta mediterrânea é cara no Brasil?

    Depende do que você consome. De forma geral, ela pode ter um valor acessível, sim. Se você priorizar alimentos locais, como arroz integral, feijão, frutas da estação, legumes variados e peixes como sardinha, dá para montar refeições saudáveis e que não pesam no bolso.

    Estilo de vida e pressão alta

    Quem tem pressão alta precisa acompanhar a condição com um médico cardiologista e usar remédios, se essa for a indicação do especialista. Porém, no dia a dia, dá para ajudar o corpo a funcionar melhor com um bom estilo de vida, pois isso colabora bastante para o controle da pressão arterial.

    A atividade física, por exemplo, é uma grande amiga do coração e da pressão arterial. De quebra, ajuda também a diminuir o estresse do cotidiano. Por sua vez, uma boa alimentação, como a dieta mediterrânea ou a dieta DASH são importantes para manter a saúde em dia e a pressão mais bem controlada.

    O mais importante é não encarar a dieta mediterrânea como algo restritivo, punitivo ou impositivo, mas sim como uma mudança boa de hábitos. Descobrir o uso de temperos naturais, novas formas de preparo e até como apresentar o prato faz até aquela pessoa que costuma torcer o nariz para legumes se esbaldar com vegetais.

    “Entender que a alimentação é parte fundamental do cuidado à saúde, pilar para longevidade e qualidade de vida e muitas vezes capaz de solucionar ou ao menos minimizar muitas questões de saúde é fundamental. Além disso, é algo que somente cada pessoa pode fazer por si”, aconselha a cardiologista.

    Leia mais: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Quem tem pressão alta ou quer evitar ter no futuro, precisa saber que o que vai no prato pode ajudar a cuidar do coração. Uma das estratégias mais recomendadas por especialistas no mundo todo é a dieta DASH, uma sigla em inglês que significa Dietary Approaches to Stop Hypertension, ou, em português, “Abordagem Alimentar para Reduzir a Hipertensão”.

    Apesar do nome complicado, a ideia por trás dela é bem simples: comer comida de verdade, reduzir o sal e montar pratos coloridos, nutritivos e equilibrados. Apesar de ter sido criada nos Estados Unidos, dá para adaptar a dieta DASH ao arroz com feijão bem brasileiro de todo dia.

    O que é a dieta DASH e para que ela serve?

    A dieta DASH foi criada nos EUA como uma dieta para pressão alta, ou seja, o intuito era de ajudar a controlar a pressão arterial. Mas, de tão eficaz, ela acabou virando referência também para prevenção de doenças do coração, controle do colesterol e melhora da saúde no geral.

    Segundo o cardiologista Pablo Cartaxo, do Instituto do Coração da USP (InCor), a dieta DASH é baseada no alto consumo de frutas, legumes, verduras, leite e derivados desnatados, cereais integrais e oleaginosas, como castanha-do-pará, nozes e amêndoas, e tem baixo teor de sódio, gordura saturada e colesterol.

    “Além disso, é rica em potássio, cálcio e magnésio, minerais que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e controlar a pressão arterial”, explica o especialista.

    Alimentos permitidos na dieta DASH

    A ideia principal da dieta DASH é dar atenção a alimentos naturais e nutritivos e fugir daqueles ultraprocessados, que são salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo, embutidos, como salsicha, presunto, entre outros. Mesmo sem eles, dá para ter uma dieta muito variada e saborosa. A ideia, no entanto, é ter alimentos fontes de potássio, magnésio, cálcio e fibras.

    Veja alguns dos alimentos da dieta DASH que são bem-vindos no prato.

    • Frutas: banana, maçã, mamão, melancia, laranja, melão, uva, pêssego, abacaxi, uva passa, morango, tangerina
    • Verduras e legumes: brócolis, couve, espinafre, vagem, cenoura, abobrinha, tomate, batata, batata doce
    • Leite e derivados desnatados: leite desnatado, iogurte natural sem açúcar, queijo branco
    • Grãos integrais: arroz integral, aveia, pães integrais
    • Oleaginosas: castanha-do-pará, nozes, amêndoas, avelã, amendoim, sementes de girassol
    • Leguminosas: feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico
    • Carnes: cortes magros de carne, frango e peixe.

    E o sal? O vilão da pressão alta deve ser usado com moderação. O melhor a se fazer é não usar mais de uma colher de chá rasa por dia. A dica é caprichar nos temperos naturais como alho, cebola, limão, ervas frescas e secas, pimenta-do-reino e cúrcuma.

    Tabela nutricional da dieta DASH

    Veja abaixo os principais nutrientes envolvidos no controle da pressão alta presentes nos alimentos da dieta DASH.

    Alimento Sódio (mg/100g) Potássio (mg/100g) Cálcio (mg/100g) Magnésio (mg/100g) Fibras (g/100g)
    Banana prata < 0,1 mg 358 8 26 2
    Laranja pera < 0,1 mg 163 22 9 0,8
    Mamão papaia 2 126 26 22 1
    Melancia < 0,1 mg 104 8 10 0.1
    Brócolis cozido 2 119 51 15 3,4
    Espinafre refogado 47 149 112 123 2,5
    Abobrinha italiana cozida 1 126 17 17 1,6
    Tomate cru 1 222 7 11 1,2
    Batata inglesa cozida 2 161 4 5 1,3
    Feijão carioca cozido 2 255 27 42 8,5
    Grão-de-bico cru 5 1116 114 146 12,4
    Arroz integral cozido 1 75 5 59 2,7
    Aveia em flocos 5 336 48 119 9,1
    Leite de vaca desnatado UHT 51 140 134 10 0
    Iogurte natural desnatado 60 182 157 12 0
    Castanha-do-pará 1 651 146 365 7,9
    Noz 5 533 105 153 7,2
    Amêndoa torrada salgada 279 640 237 222 11,6

    Dá para fazer a dieta DASH no Brasil?

    Sem dúvida. Apesar de ter sido criada fora, ela pode e deve ser ajustada à cultura alimentar brasileira. “No Brasil, ela pode ser adaptada com alimentos como feijão, arroz integral, banana, abobrinha, couve e leite desnatado”, explica o cardiologista.

    Ou seja: você não precisa abrir mão do arroz com feijão do dia a dia. Dá para seguir a dieta DASH trocando o arroz branco pelo integral, usando feijão com pouco sal e preparando os legumes no vapor ou refogados com azeite e temperos caseiros. E, claro, incluir as frutas na rotina.

    O bom desta dieta é que não é preciso mudar tudo de uma vez. Aos poucos, dá para fazer trocas inteligentes, como um refrigerante por um suco natural, salgadinhos por castanhas, bolacha recheada por uma fruta, arroz branco por integral. Assim o corpo e o paladar vão se acostumando e a dieta passa a ser algo natural.

    A dieta DASH funciona ainda melhor quando combinada com outros bons hábitos, como atividade física, sono de qualidade e controle do estresse, mas é uma boa forma de como baixar a pressão naturalmente.

    A pressão alta pode ser silenciosa, mas os efeitos no corpo são sérios. Cuidar da alimentação é um dos jeitos mais inteligentes para manter a saúde em ordem sem recorrer a fórmulas mirabolantes ou dietas da moda, que costumam não trazer bons resultados. E, claro, é sempre importante consultar um médico regularmente para fazer o acompanhamento da pressão arterial.

    Contraindicações da dieta DASH

    Mesmo sendo uma dieta para pressão alta, assim como qualquer outra dieta é importante apenas começar a fazer quando o médico ou nutricionista indicar. Apesar de ser muito segura e nutritiva, por ter foco em minerais como o potássio, por exemplo, a dieta DASH pode ser contraindicada para quem tem doença renal crônica, já que os rins não conseguem filtrar adequadamente o potássio.

    Ela também pode ser contraindicada para quem tem insuficiência cardíaca grave, pois a quantidade de potássio pode descompensar a doença. Algumas pessoas que usam determinados remédios poupadores de potássio, indicados para controlar a pressão alta, podem ter de adaptar a dieta DASH no dia a dia para ficarem com excesso de potássio no organismo, o que pode ser perigoso.

    De toda forma, o médico e o nutricionista saberão indicar a dieta DASH para cada caso, e sinalizar quando ela não deve ser feita.

    Leia mais: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Perguntas frequentes sobre a dieta DASH

    1. O que é a dieta DASH e para que ela serve?

    A dieta DASH foi criada para ajudar no controle da pressão alta, mas também traz benefícios para o coração, o colesterol e a saúde em geral. Ela prioriza alimentos naturais e muito nutritivos, tem pouco sal, gordura saturada e colesterol.

    2. A dieta DASH é boa para colesterol também?

    Sim. Ela também ajuda a reduzir gordura saturada e colesterol ruim (LDL).

    3. A dieta DASH ajuda mesmo a controlar a pressão alta?

    Sim. A dieta DASH é rica em potássio, cálcio e magnésio, minerais que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e baixar a pressão arterial. Estudos mostram que ela é uma das estratégias alimentares mais eficazes para prevenir e tratar a hipertensão.

    4. Dá para seguir a dieta DASH com alimentos brasileiros?

    Com certeza. A dieta pode ser adaptada de forma simples ao nosso dia a dia, com arroz integral, feijão, banana, couve, abobrinha e leite desnatado, por exemplo. O truque está em fazer escolhas simples e saudáveis, sem precisar mudar tudo de uma vez.

    5. A dieta DASH substitui o uso de remédios para pressão alta?

    Não. A dieta DASH é uma boa forma de como baixar a pressão naturalmente, mas complementa o tratamento e não necessariamente substitui os medicamentos prescritos pelo médico. A dieta pode ajudar a diminuir a dose ou até evitar que a pressão arterial progrida, mas é muito importante fazer o acompanhamento médico com regularidade.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida