Tag: pré-natal

  • NIPT: o que é e quando fazer o teste que pode detectar Síndrome de Down

    NIPT: o que é e quando fazer o teste que pode detectar Síndrome de Down

    Durante a gravidez, vários exames fazem parte do acompanhamento pré-natal e ajudam a avaliar a saúde do bebê. Um deles é o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo), um teste de triagem que pode identificar alterações genéticas ainda no início da gestação, como a Síndrome de Down.

    O exame é feito a partir de uma simples coleta de sangue da gestante e analisa fragmentos do DNA do bebê que circulam na corrente sanguínea materna.

    Por ser um método não invasivo, o NIPT não oferece risco para o feto e tem se tornado cada vez mais utilizado para avaliar a probabilidade de algumas alterações cromossômicas durante a gravidez.

    O que é o exame NIPT?

    O NIPT é um exame de triagem feito durante a gravidez para avaliar o risco de algumas alterações genéticas no bebê, realizado através de uma simples coleta de sangue da gestante.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, durante a gestação, especialmente a partir de cerca de 8 semanas, começam a ocorrer pequenas trocas entre o sangue materno e o sangue do feto por meio da placenta. Nesse processo, pequenas quantidades de DNA do bebê, chamadas de DNA fetal livre, passam para a circulação da gestante.

    O NIPT utiliza tecnologia de sequenciamento genético para analisar esses fragmentos de DNA e verificar se o bebê possui a quantidade correta de cromossomos. O principal objetivo do exame é identificar o risco de trissomias, alterações que ocorrem quando o bebê apresenta um cromossomo a mais:

    • Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21);
    • Síndrome de Edwards (trissomia do cromossomo 18);
    • Síndrome de Patau (trissomia do cromossomo 13).

    Além dessas, Andreia aponta que o exame também pode identificar algumas alterações relacionadas aos cromossomos sexuais, como:

    • Síndrome de Turner, quando há ausência de um dos cromossomos X;
    • Síndrome de Klinefelter.

    Por fim, o NIPT também pode informar o sexo do bebê e, em alguns casos, identificar o fator Rh fetal, o que pode ajudar na condução de gestações com incompatibilidade sanguínea.

    Vale destacar que o exame não é diagnóstico, mas sim um teste de triagem. Ele avalia a probabilidade de determinadas alterações genéticas, com uma precisão maior do que a avaliação feita apenas pelo ultrassom morfológico do primeiro trimestre.

    Qual a diferença entre NIPT e amniocentese?

    O NIPT e a amniocentese são exames utilizados durante a gestação para investigar possíveis alterações genéticas no bebê, mas são feitos de maneira diferente.

    No passado, quando era necessário analisar células fetais para investigar alterações genéticas, era preciso recorrer a exames invasivos, como a amniocentese.

    O procedimento consiste na retirada de uma pequena quantidade de líquido amniótico, por meio da introdução de uma agulha no útero, guiada por ultrassom. No líquido amniótico existem células do bebê, que podem ser analisadas em laboratório.

    De acordo com Andreia, apesar de seguro quando realizado por profissionais experientes, ele apresenta alguns riscos, como sangramento, infecção, ruptura das membranas e, em casos raros, aborto. Além da amniocentese, também eram realizados exames como:

    • Cordocentese, que coleta sangue diretamente do cordão umbilical;
    • Biópsia de vilo corial, que retira uma pequena amostra da placenta.

    O NIPT surgiu como uma alternativa menos invasiva para avaliar o risco de alterações cromossômicas no bebê, já que é feito com uma simples coleta de sangue.

    Quando o exame deve ser feito?

    O NIPT pode ser realizado a partir de 9 ou 10 semanas de gestação, quando já existe quantidade suficiente de DNA fetal circulando no sangue da gestante para que o teste seja feito com precisão.

    O NIPT não substitui outros exames importantes do pré-natal, como o ultrassom morfológico do primeiro trimestre, realizado entre 11 e 14 semanas. Na prática, muitas vezes o médico primeiro avalia o risco pelo ultrassom e, caso exista suspeita aumentada, indica o NIPT para uma investigação mais precisa.

    Quando o resultado do NIPT indica alguma alteração, normalmente é necessário realizar exames confirmatórios, muitas vezes invasivos, como a amniocentese.

    Para quem o NIPT é indicado? O NIPT pode ser realizado por qualquer gestante que deseje avaliar o risco de alterações cromossômicas no bebê, mas ele costuma ser mais indicado em situações nas quais existe maior chance de alterações genéticas, como:

    • Gestantes com idade materna avançada, normalmente a partir dos 35 anos;
    • Resultado alterado ou risco aumentado no ultrassom morfológico do primeiro trimestre;
    • Alterações em outros exames de triagem do pré-natal;
    • Histórico familiar de doenças genéticas ou cromossômicas;
    • Gestação anterior com alteração cromossômica, como Síndrome de Down.

    A indicação deve sempre ser feita pelo médico que acompanha o pré-natal, que irá avaliar o histórico da gestante e orientar sobre a necessidade do exame.

    Como entender o resultado do exame?

    O resultado do NIPT indica a probabilidade de o bebê apresentar determinadas alterações cromossômicas. Logo, por ser um exame de triagem, ele não confirma um diagnóstico, mas mostra se o risco é baixo ou aumentado:

    • Baixo risco (ou negativo): significa que a probabilidade de o bebé ter as síndromes testadas (Down, Edwards, Patau) é extremamente baixa, geralmente inferior a 0,01%;
    • Alto risco (ou positivo): indica que o exame detectou uma quantidade excessiva de fragmentos de DNA de um determinado cromossoma, sugerindo a presença de uma síndrome.

    Em casos de alto risco, o médico costuma recomendar exames confirmatórios, como a amniocentese ou a biópsia de vilo corial.

    Em outros casos, o exame pode apresentar resultado inconclusivo, que ocorre quando a quantidade de DNA fetal no sangue da mãe é insuficiente para a análise. Quando isso acontece, o médico pode orientar a repetição da coleta após algumas semanas.

    Importância do exame NIPT durante o pré-natal

    O exame NIPT permite identificar o risco de algumas alterações genéticas no bebê ainda no início da gravidez, sem colocá-lo em risco, ao contrário de alguns procedimentos invasivos.

    Mesmo quando não há possibilidade de intervenção médica durante a gestação, Andreia explica que a informação pode ter um papel importante no preparo da família.

    O diagnóstico precoce permite que os pais compreendam melhor a condição, busquem orientação de especialistas e se informem sobre os cuidados que a criança poderá precisar após o nascimento.

    Além disso, o conhecimento antecipado ajuda na organização do acompanhamento médico e no planejamento da rotina familiar, favorecendo uma adaptação mais tranquila para receber o bebê.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre NIPT e sexagem fetal?

    A sexagem fetal comum apenas identifica o sexo do bebê. O NIPT, além do sexo, analisa a saúde dos cromossomos para detectar síndromes genéticas graves.

    2. Grávidas de gêmeos podem fazer o NIPT?

    Sim, a maioria dos testes modernos já consegue analisar gestações gemelares (monozigóticas ou dizigóticas), embora a precisão possa variar ligeiramente e alguns laboratórios não consigam identificar qual dos bebês apresenta a alteração em caso de resultado positivo.

    3. O NIPT substitui o ultrassom morfológico?

    Não, o NIPT analisa a genética, enquanto o ultrassom analisa a morfologia (formação dos órgãos, coração, membros). O bebê pode ter uma genética normal, mas apresentar uma má-formação física que só o ultrassom detecta. Os exames são complementares.

    4. O resultado do NIPT demora quanto tempo?

    Em média, o laudo fica pronto entre 7 a 10 dias úteis, pois muitas amostras são enviadas para laboratórios de genética especializados (alguns até fora do país).

    5. É necessário jejum para fazer o NIPT?

    Não. Por ser um exame de análise de DNA livre, a alimentação da mãe não interfere no resultado. Recomenda-se apenas estar bem hidratada para facilitar a coleta de sangue.

    6. Existe idade máxima para fazer o exame?

    Não há idade máxima para a gestante, mas o exame só faz sentido se realizado durante a gestação (preferencialmente antes da 24ª semana) para que os pais tenham tempo de planejar os cuidados pré e pós-natais.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    Posição da placenta: como ela pode afetar a via de parto e quando é preocupante

    A placenta é um órgão temporário que se forma durante a gravidez, responsável por conectar o feto ao organismo materno por meio do cordão umbilical, permitindo a troca de substâncias entre mãe e filho ao longo da gravidez.

    A posição da placenta é avaliada rotineiramente durante o pré-natal e, na grande maioria dos casos, não representa qualquer risco. Mas, em situações específicas, a posição pode influenciar diretamente a evolução da gestação, a escolha do tipo de parto e as chances de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as posições da placenta e quando essa localização merece maior atenção.

    O que é placenta e para que ela serve?

    A placenta é um órgão que se desenvolve no útero durante a gravidez e conecta o bebê ao organismo da mãe por meio do cordão umbilical. Ela permite a passagem de oxigênio e nutrientes do sangue materno para o bebê e, ao mesmo tempo, ajuda a eliminar substâncias que o feto não precisa.

    A placenta também produz hormônios que ajudam a manter a gravidez e a preparar o corpo da mulher durante a gestação. Ela funciona como uma proteção parcial, mas não bloqueia totalmente a passagem de medicamentos, álcool ou outras substâncias. Após o nascimento do bebê, a placenta se desprende do útero e é eliminada.

    De acordo com Andreia, por reunir tantas funções essenciais, a placenta pode ser considerada um verdadeiro órgão multifuncional — e alterações em suas características podem estar associadas a diversas condições clínicas.

    Quais as posições possíveis da placenta?

    No início da gestação, quando o útero ainda é pequeno, não é possível definir com precisão a posição final da placenta, segundo Andreia. Isso porque a placenta não se desloca após a implantação, permanecendo fixada no local de inserção. O que muda ao longo da gravidez é o crescimento do útero.

    No início da gestação, o útero é pequeno, com volume em torno de 70 cm³, mas pode chegar a quase 5 litros ao final da gravidez. Com esse crescimento, a placenta também aumenta de tamanho e pode parecer mudar de posição no ultrassom, mesmo permanecendo fixada no local onde se implantou.

    Entre as posições que a placenta pode assumir estão:

    Placenta baixa (placenta prévia)

    A placenta baixa ocorre quando a placenta se implanta próxima ao colo do útero. Durante o início da gestação, a localização pode ser temporária, pois o crescimento do útero pode afastar a placenta do colo ao longo do tempo. Por isso, até cerca de 28 semanas, utiliza-se o termo placenta baixa.

    Quando a placenta permanece na posição após o período e passa a atingir ou cobrir o orifício interno do colo do útero, recebe o nome de placenta prévia. A condição pode aumentar o risco de sangramentos durante a gravidez e interferir na via de parto, exigindo acompanhamento mais cuidadoso.

    No geral, ela é classificada de acordo com a relação da placenta com o orifício interno do colo do útero:

    • Placenta prévia centro total: a placenta recobre completamente o orifício interno do colo uterino. Nessa situação, o parto vaginal é contraindicado, e a cesariana é normalmente indicada;
    • Placenta prévia centro parcial: a placenta cobre apenas parte do orifício interno do colo. Ainda assim, há risco elevado de sangramento com a dilatação cervical, sendo a cesariana geralmente recomendada;
    • Placenta prévia marginal: a placenta encosta na borda do orifício interno, sem recobri-lo. Dependendo da evolução da gestação e da ausência de sangramentos, o parto vaginal pode ser considerado em agora selecionados;
    • Placenta prévia lateral: a placenta está próxima ao orifício interno, mantendo uma distância de até cerca de 7 cm. Em muitos casos, a posição permite parto vaginal, desde que não haja sangramento e o acompanhamento seja rigoroso.

    Segundo Andreia, o principal risco da placenta prévia é o sangramento. Quando isso acontece, o fornecimento de oxigênio para o bebê pode ser prejudicado, tornando a situação grave.

    O cuidado pode incluir repouso, de acordo com a intensidade do sangramento, e, em alguns casos, internação. O exame de toque vaginal não é indicado quando há diagnóstico de placenta prévia, pois pode provocar o descolamento da placenta.

    Placenta anterior

    A placenta anterior está localizada na parede frontal do útero, mais próxima da parede abdominal da gestante. Em geral, não causa complicações, mas pode atrasar a percepção inicial dos movimentos fetais e, em alguns casos, exigir maior cuidado durante a cesárea.

    Placenta posterior

    Na placenta posterior, a inserção ocorre na parede de trás do útero. A posição costuma permitir que os movimentos fetais sejam percebidos mais precocemente e, na maioria das vezes, não está associada a riscos adicionais.

    Placenta fúndica

    A placenta fúndica está inserida no fundo do útero, considerado um local habitual e favorável. Normalmente, não interfere na evolução da gestação nem no tipo de parto, sendo associada a baixo risco de complicações.

    Como ocorre o descolamento de placenta?

    O descolamento de placenta ocorre quando a placenta se separa, total ou parcialmente, da parede uterina antes do nascimento do bebê. É considerada uma condição grave, que pode causar sangramento intenso e comprometer o fornecimento de oxigênio ao feto, exigindo avaliação e intervenção imediatas.

    Quais exames avaliam a placenta durante a gravidez?

    A avaliação da placenta durante a gravidez é feita principalmente por exames de imagem realizados ao longo do pré-natal, como a ultrassonografia. Durante o exame, Andreia explica que são avaliados aspectos como a localização, a espessura, o grau de maturidade e a presença de calcificações.

    Quando se identifica placenta prévia centro total ou centro parcial, a gestação passa a ser considerada de alto risco, já que a condição está entre as principais causas de sangramento no segundo e no terceiro trimestres da gravidez.

    Quando a condição da placenta representa risco para o bebê?

    A condição da placenta pode representar risco para o bebê quando dificulta a passagem de oxigênio e nutrientes ou aumenta o risco de sangramentos durante a gravidez ou o parto. As situações podem comprometer o crescimento fetal, o bem-estar do bebê e a segurança do nascimento.

    O risco costuma ser maior nos casos de placenta prévia, quando a placenta fica próxima ou cobre o colo do útero, facilitando sangramentos que podem reduzir o oxigênio que chega ao bebê. O descolamento de placenta também é grave, pois a placenta se solta antes do nascimento, interrompendo a troca de oxigênio e nutrientes.

    Por isso, o acompanhamento pré-natal e a avaliação da placenta ao longo da gestação são importantes para identificar problemas cedo e reduzir riscos para o bebê.

    Como a posição da placenta pode afetar a via de parto?

    A posição da placenta define se o colo do útero estará livre para a passagem do bebê no momento do nascimento. Na maioria das gestações, a placenta se insere em regiões altas do útero e não interfere na possibilidade de parto vaginal.

    Porém, nos casos de placenta prévia, especialmente quando a placenta recobre parcial ou totalmente o orifício interno do colo uterino, o parto vaginal pode provocar sangramento importante — sendo normalmente indicado o parto cesárea.

    Segundo Andreia, a cesariana costuma ser programada entre 37 e 39 semanas de gestação, quando o risco de a gestante entrar em trabalho de parto espontaneamente e apresentar sangramentos é menor. Ainda assim, o momento ideal pode variar, pois a decisão depende de como cada gestação evolui ao longo do pré-natal.

    Quais sinais de alerta relacionados à posição da placenta?

    Os principais sinais de alerta relacionados a posições anormais da placenta:

    • Sangramento vaginal, especialmente indolor, no segundo ou terceiro trimestre da gestação;
    • Sangramentos recorrentes ou em grande quantidade;
    • Diminuição ou alteração dos movimentos fetais;
    • Dor abdominal intensa ou dor súbita associada a sangramento;
    • Contrações uterinas associadas a sangramento.

    Diante de qualquer sangramento durante a gravidez, especialmente após a metade da gestação, é fundamental procurar atendimento médico.

    É possível prevenir problemas relacionados à posição da placenta?

    Na maioria das vezes, não é possível prevenir alterações na posição da placenta, pois a implantação ocorre de forma natural no início da gravidez. Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos e a identificar problemas precocemente, como:

    • Realizar o pré-natal regularmente;
    • Fazer os exames de ultrassom nas datas indicadas;
    • Procurar atendimento médico diante de qualquer sangramento vaginal;
    • Evitar o tabagismo durante a gestação;
    • Seguir orientações médicas sobre repouso, quando indicado;
    • Evitar esforços físicos excessivos em casos de placenta baixa ou prévia;
    • Manter acompanhamento próximo com o obstetra ao longo da gravidez.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Em que momento a posição da placenta começa a ser avaliada?

    A posição da placenta costuma ser observada desde os primeiros exames de ultrassom. No entanto, no início da gravidez, o útero ainda é pequeno, o que impede uma definição precisa da localização final. A avaliação se torna mais confiável conforme a gestação avança.

    A placenta pode mudar de lugar durante a gravidez?

    A placenta não se desloca depois de se implantar. O que acontece é o crescimento do útero, que altera a relação da placenta com o colo uterino. Por isso, uma placenta considerada baixa no início pode deixar de ocupar uma posição preocupante ao longo da gestação.

    Quais são as posições normais da placenta?

    As posições mais comuns e seguras da placenta incluem a placenta anterior, posterior, fúndica e lateral, desde que estejam em regiões altas do útero e longe do colo uterino. Nessas situações, a gravidez costuma evoluir normalmente, sem problemas relacionados à placenta.

    Placenta prévia sempre exige cesariana?

    Na maioria dos casos, principalmente quando há recobrimento parcial ou total do colo uterino. Em formas laterais ou marginais, o parto vaginal pode ser considerado em situações selecionadas, desde que não haja sangramentos e o acompanhamento seja cuidadoso.

    Gestantes com placenta prévia podem ter relação sexual?

    Em casos de placenta prévia, o médico pode orientar a suspensão das relações sexuais, especialmente se houver histórico de sangramento. A recomendação varia conforme cada situação.

    A posição da placenta interfere nos movimentos do bebê?

    A posição da placenta pode influenciar a forma como a gestante sente os movimentos do bebê. Quando a placenta fica na parte da frente do útero, os movimentos podem ser percebidos mais tarde ou de maneira mais suave. Com o passar da gravidez, essa diferença costuma diminuir.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer 

    Exames no pré-natal: entenda quais são e quando fazer 

    Se tem um bebê a caminho, a futura mamãe já sabe que existe uma lista de cuidados que devem começar muito antes do parto. O pré-natal é o momento de acompanhar cada etapa da gestação, sendo importante para detectar precocemente qualquer alteração e reduzir os riscos de complicações.

    Mas afinal, quais exames no pré-natal são obrigatórios e quando devem ser feitos? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas.

    Como funciona o pré-natal?

    O pré-natal funciona como um conjunto de consultas e exames realizados durante toda a gestação, com o objetivo de monitorar a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê.

    Os exames no pré-natal que são obrigatórios são definidos pelo Ministério da Saúde e estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Eles ajudam a detectar infecções, anemias, diabetes gestacional, incompatibilidades sanguíneas e outros problemas que, se tratados a tempo, evitam complicações graves.

    Andreia também explica que o pré-natal avalia se a paciente já possui alguma comorbidade que pode se agravar durante a gravidez, além de condições específicas do feto ou da placenta. Se surgir alguma complicação, ela é tratada de forma imediata.

    Além dos exames no pré-natal, o acompanhamento também envolve orientações sobre alimentação, atividade física, vacinas e saúde mental, garantindo uma gestação mais tranquila e segura.

    Quando começar o pré-natal?

    O ideal é iniciar o acompanhamento assim que a gravidez for descoberta, de preferência até a 12ª semana de gestação. Quanto mais cedo começar, maiores as chances de detectar alterações e garantir um tratamento eficaz. A ginecologista Andreia Sapienza orienta a frequência de consultas:

    • Uma consulta por mês até 32 semanas;
    • Depois, uma consulta a cada 15 dias até 36 semanas;
    • E duas consultas por semana até o parto.

    O recomendado é que a gestante realize no mínimo sete a dez consultas ao longo da gravidez, de acordo com Andreia.

    Durante as visitas, o médico pede e acompanha os resultados dos exames obrigatórios, faz o controle de peso, pressão arterial, altura uterina e batimentos cardíacos do bebê, além de orientar sobre vacinas e preparo para o parto.

    Quais são os exames obrigatórios do pré-natal?

    Os principais exames solicitados no início do pré-natal e que são repetidos em momentos específicos da gestação incluem:

    Ultrassonografia

    O ultrassom obstétrico é um dos primeiros exames realizados na gestação, importante para confirmar a gravidez, a idade gestacional, o número de bebês e os batimentos cardíacos. Ele utiliza ondas sonoras para gerar imagens do útero e do bebê em tempo real, sem exposição à radiação.

    Andreia esclarece a frequência e objetivo de cada ultrassom:

    • 1º ultrassom (muito precoce): confirma se a gestação está localizada dentro do útero, verifica a presença do saco gestacional, batimentos cardíacos e viabilidade inicial da gravidez;
    • Ultrassom morfológico do 1º trimestre (11 semanas a 13 semanas e 6 dias): avalia translucência nucal, osso nasal e ducto venoso, marcadores que auxiliam no cálculo de risco para síndromes genéticas, como a Síndrome de Down;
    • Ultrassom morfológico do 2º trimestre (entre 20 e 24 semanas): analisa detalhadamente a formação de cada órgão do bebê, detectando possíveis malformações estruturais.

    O ideal é que o ultrassom seja realizado pelo menos duas vezes no primeiro trimestre, podendo ser repetido com maior frequência conforme a necessidade clínica para monitorar a evolução da gestação.

    Tipagem sanguínea (ABO/Rh)

    A tipagem sanguínea identifica o grupo sanguíneo (A, B, AB ou O) e o fator Rh (positivo ou negativo), sendo importante para avaliar se há risco de incompatibilidade entre o sangue da mãe e do bebê. Se a gestante tem Rh negativo e o pai Rh positivo, o médico solicita o exame Coombs Indireto para verificar se o organismo da mãe está produzindo anticorpos contra o sangue do bebê.

    Se ele nascer com Rh positivo, a mãe deve receber uma vacina específica (imunoglobulina anti-D) em até três dias após o parto, para evitar complicações em gestações futuras.

    Hemograma completo

    O hemograma completo é um dos exames mais importantes do pré-natal e avalia a quantidade e a qualidade das células sanguíneas, permitindo identificar anemia, infecções e outros distúrbios que podem surgir na gestação.

    A anemia ferropriva, por exemplo, é comum durante a gravidez, uma vez que o corpo precisa de mais ferro para formar o sangue do bebê. Se não for tratada, ela pode causar cansaço extremo, baixo peso fetal e parto prematuro.

    Urina tipo 1 e urocultura

    Durante a gravidez, as infecções urinárias são mais frequentes devido às alterações hormonais e à pressão do útero sobre a bexiga. O exame de urina tipo 1 e a urocultura são capazes de detectar bactérias e inflamações — e podem ser repetidos no primeiro e no terceiro trimestre da gestação.

    Exames sorológicos

    As sorologias são solicitadas para identificar HIV, sífilis, hepatites B e C, citomegalovírus (CMV), toxoplasmose e rubéola. As infecções, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem causar aborto espontâneo, malformações fetais, parto prematuro ou infecção congênita.

    O ideal é que os exames sejam feitos logo no início da gestação e repetidos conforme a recomendação médica.

    Glicemia em jejum

    A glicemia de jejum mede a quantidade de açúcar no sangue e ajuda a identificar diabetes gestacional — uma condição que ocorre em aproximadamente 4% das gestações e pode causar complicações como parto prematuro, excesso de líquido amniótico e bebês grandes demais para a idade gestacional.

    Para fazer o exame, a gestante precisa ficar de 8 a 12 horas em jejum, tomando apenas água. Em alguns casos, o médico também pode pedir a curva glicêmica, que mede como o açúcar no sangue se comporta após a ingestão de uma solução com glicose.

    Parasitológico de fezes

    O exame parasitológico de fezes é feito para detectar a presença de parasitas intestinais que podem afetar diretamente a saúde da gestante e do bebê. Infecções como giardíase, amebíase e verminoses, por exemplo, podem causar anemia, perda de peso, desnutrição e má absorção de nutrientes — condições perigosas durante a gestação, pois comprometem o desenvolvimento fetal.

    Função da tireoide (TSH e T4 livre)

    A função da tireoide no pré-natal é avaliada para garantir que a gestante produza hormônios em níveis adequados para o próprio metabolismo e para o desenvolvimento neurológico do bebê. A presença de alterações, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, pode causar aborto, parto prematuro, pré-eclâmpsia e comprometimento cognitivo fetal, mesmo antes de apresentarem sintomas evidentes.

    Teste de malária

    De acordo com orientações do Ministério da Saúde, o teste de malária é obrigatório para gestantes que vivem ou viajam para áreas de risco, especialmente na Região Amazônica. A doença pode ser grave durante a gravidez e causar aborto, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A testagem deve ser feita mesmo sem sintomas.

    Exames indicados para o pai no pré-natal

    A saúde paterna também influencia no desenvolvimento do bebê, então é importante que o pai ou parceiro (adulto, jovem e adolescente) seja incentivado a participar do pré-natal e realizar exames de rotina, como:

    • Hemograma;
    • Tipagem sanguínea e fator Rh;
    • Testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites B e C;
    • Eletroforese de hemoglobina;
    • Glicemia e lipidograma.

    Além de aproximar o pai do cuidado com o bebê, os exames ajudam a identificar infecções transmissíveis e evitam complicações na gestação.

    Exames complementares importantes

    Além da bateria de exames obrigatória, Andreia aponta alguns exames complementares importantes, como:

    • TOTG (teste oral de tolerância à glicose): feito no 2º trimestre, capaz de detectar o diabetes gestacional;
    • Streptococcus do grupo B: bactéria do canal vaginal que pode infectar o bebê no parto. Se detectada, é feita profilaxia com antibiótico no trabalho de parto;
    • Cardiotocografia e perfil biofísico fetal: usados para monitorar o bem-estar do bebê a partir da 28ª semana (mais útil depois da 34ª).

    Vacinas no pré-natal: quais são obrigatórias?

    Durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher passa por uma série de alterações, o que a torna mais vulnerável a infecções. As vacinas recomendadas ajudam a proteger mãe e bebê de doenças graves, sendo elas:

    • Vacina contra tétano, difteria e coqueluche (dTPa): se a gestante nunca foi vacinada, deve iniciar o esquema o quanto antes. O foco principal é coqueluche, que causa surtos graves em bebês com menos de 1 ano;
    • Vacina contra hepatite B: indicada para gestantes não vacinadas anteriormente. São aplicadas três doses, garantindo proteção para mãe e bebê;
    • Vacina contra gripe (influenza): é recomendada para todas as gestantes, principalmente durante a campanha nacional de vacinação. A gripe pode causar complicações respiratórias mais graves na gravidez, e a imunização é segura em qualquer trimestre;
    • Covid-19: reduz o risco de formas graves da doença na gestante, que tem mais chance de complicações. Os anticorpos passam pela placenta e ajudam a proteger o bebê após o nascimento.

    Vírus sincicial respiratório: protege o bebê de bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida, causadas pelo VSR — um dos vírus que mais interna crianças pequenas. A recomendação atual é a vacinação entre 28 e 36 semanas de gestação, uma dose única a cada gravidez.

    De acordo com Andreia, o esquema vacinal depende do histórico da paciente, então o ideal é sempre seguir a orientação do médico obstetra.

    Pré-natal de alto risco: o que muda?

    Quando a mulher apresenta condições que aumentam o risco de complicações, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, obesidade, idade materna avançada ou gravidez de gêmeos, o acompanhamento precisa ser ainda mais cuidadoso.

    Nesses casos, o pré-natal de alto risco inclui consultas mais frequentes, exames especializados e, quando necessário, o suporte de profissionais de diferentes áreas — como cardiologista, endocrinologista, nutricionista e obstetra especializado em medicina fetal.

    Segundo Andreia, também podem ser solicitados os seguintes exames:

    • Exames cardíacos e renais (para gestantes com hipertensão);
    • Ajuste de insulina e controle de glicemia (em caso de diabetes);
    • Anticoagulação (em caso de lúpus ou risco elevado de trombose);
    • Cerclagem (ponto cirúrgico no colo do útero, para prevenir o parto prematuro ou abortamento tardio em gestantes com incompetência istmocervical).

    O objetivo é monitorar de perto tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento do bebê, prevenindo situações que possam colocar a gestação em perigo. Com acompanhamento adequado, é possível reduzir complicações e garantir uma gravidez segura até o nascimento do pequeno.

    Veja mais: 7 cuidados que você deve ter antes de engravidar

    Perguntas frequentes

    1. Quando devo começar o pré-natal?

    O ideal é iniciar o pré-natal assim que a gravidez for descoberta, de preferência até a 12ª semana de gestação. Quanto antes começar, melhor será o acompanhamento da saúde da mãe e do bebê. O início precoce permite detectar possíveis problemas logo no começo e ajustar hábitos de alimentação, suplementação e estilo de vida conforme as necessidades da gestação.

    Mesmo quem descobre a gravidez mais tarde deve procurar o médico imediatamente para iniciar o acompanhamento.

    2. É normal sentir enjoo, tontura e cansaço nas primeiras semanas de gravidez?

    Sim, os sintomas são comuns no início da gestação. Eles acontecem por causa das mudanças hormonais e do aumento da progesterona, que afeta o sistema digestivo e o equilíbrio do corpo. Apesar de desconfortáveis, eles tendem a melhorar a partir do segundo trimestre.

    Para aliviar os sintomas, o médico pode indicar ajustes na alimentação, fracionamento das refeições e hidratação adequada. Se os enjoos forem intensos e acompanhados de perda de peso, é importante avisar o especialista.

    3. Posso praticar atividade física durante a gravidez?

    Sim! A prática de exercícios leves e regulares é indicada na maioria das gestações saudáveis, como caminhadas, hidroginástica, yoga e alongamentos. Elas ajudam na circulação, reduzem dores nas costas e melhoram o bem-estar emocional.

    No entanto, procure conversar com o médico antes de iniciar qualquer atividade. O acompanhamento profissional garante segurança e evita sobrecarga física.

    4. É seguro fazer ultrassom com frequência?

    Sim, o ultrassom é um exame seguro de ser realizado com frequência, pois ele utiliza apenas ondas sonoras, sem radiação. Ele permite acompanhar o crescimento fetal, o desenvolvimento dos órgãos e a posição dentro do útero.

    A quantidade necessária deve ser determinada pelo médico, de acordo com as particularidades de cada gravide

    5. O que é considerado uma gravidez de alto risco?

    Uma gravidez é classificada como alto risco quando existem fatores que aumentam a probabilidade de complicações para a mãe ou para o bebê. Isso inclui doenças pré-existentes (como hipertensão, diabetes, lúpus ou problemas cardíacos), gestações múltiplas, histórico de partos prematuros, idade acima de 35 anos ou abaixo de 17, entre outros.

    Nessas situações, o acompanhamento deve ser mais frequente, com exames especializados e suporte de diferentes profissionais.

    6. Quais são os sintomas da pré-eclâmpsia?

    A pré-eclâmpsia é uma complicação grave caracterizada por pressão alta e presença de proteínas na urina após a 20ª semana de gestação. Os principais sintomas incluem:

    • Inchaço repentino nas mãos, rosto e pernas;
    • Forte dor de cabeça;
    • Visão turva ou embaçada;
    • Náuseas e tontura.

    A condição exige acompanhamento médico imediato, pois pode evoluir para eclâmpsia, que causa convulsões e risco de vida para a mãe e o bebê. O controle da pressão, repouso e medicamentos ajudam a evitar complicações e garantir a segurança até o parto.

    7. Como saber se estou com infecção urinária durante a gravidez?

    Os sintomas mais comuns de infecção urinária na gravidez são ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro, urina turva ou com odor forte e, em casos mais graves, dor abdominal e febre.

    Durante o pré-natal, o exame de urina tipo 1 e a urocultura ajudam a detectar infecções mesmo sem sintomas. O tratamento é feito com antibióticos seguros para a gestação, que devem ser receitados por um médico.

    Veja mais: ‘Bebês Ozempic’: como os análogos do GLP-1 impactam a fertilidade?