Uma das principais complicações que podem surgir na gravidez, a pré-eclâmpsia é uma condição caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20ª semana de gestação, com pressão arterial maior ou igual a 140×90 mmHg, associada a pelo menos um dos seguintes achados:
- Presença de proteína na urina (proteinúria);
- Baixa contagem de plaquetas no sangue;
- Enzimas hepáticas elevadas, indicando comprometimento do fígado;
- Líquido nos pulmões (edema pulmonar);
- Novas dores de cabeça;
- Novos distúrbios visuais.
O quadro também pode provocar alterações em órgãos importantes, como os rins, o fígado, o cérebro e a placenta.
Na maioria das situações, o problema é identificado durante o acompanhamento pré-natal, quando o profissional de saúde observa pressão arterial elevada e presença de proteína na urina, além de outros sintomas que podem indicar que o organismo da gestante não está funcionando normalmente.
Para te ajudar, listamos a seguir 7 sintomas de pré-eclâmpsia que merecem atenção durante a gravidez. Caso algum deles apareça, lembre-se de procurar orientação médica para uma avaliação adequada.
1. Pressão arterial persistentemente alta
A pressão arterial alta é o principal sinal da pré-eclâmpsia. Normalmente, ela ocorre após a 20ª semana de gestação e se caracteriza por pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg ou diastólica maior ou igual a 90 mmHg, constatada em duas medições com intervalo mínimo de 4 horas, em gestantes com mais de 20 semanas que tinham pressão arterial normal anteriormente. A hipertensão, muitas vezes, não causa sintomas claros e só é identificada durante as consultas de pré-natal.
2. Inchaço
O inchaço da pré-eclâmpsia, também chamado de edema, costuma aparecer de forma repentina ou mais intensa e pode afetar especialmente as mãos, o rosto e os pés. Em alguns casos, a gestante pode perceber que os anéis ficam apertados nas mãos ou que o rosto parece mais inchado do que o normal.
O sintoma acontece devido ao acúmulo de líquidos no organismo e pode estar relacionado às alterações na circulação sanguínea causadas pela pressão arterial elevada.
3. Dores de cabeça
A dor de cabeça forte e contínua pode acontecer devido ao aumento da pressão arterial e às alterações na circulação sanguínea. Quando a dor não melhora com descanso ou se torna muito intensa, é importante procurar avaliação médica.
4. Ganho de peso repentino
O ganho de peso rápido em um curto período de tempo normalmente ocorre devido à retenção de líquidos no organismo e não necessariamente ao aumento de gordura corporal.
Quando o aumento de peso acontece de forma inesperada, especialmente em poucos dias, pode ser um sinal de que o corpo está acumulando líquidos em excesso. Por isso, o acompanhamento do peso durante as consultas de pré-natal é importante para identificar possíveis alterações.
5. Náuseas e vômitos
As náuseas e os vômitos são sintomas comuns no início da gravidez, mas quando surgem ou pioram depois do primeiro trimestre, podem estar associados a outras condições, como a pré-eclâmpsia. Em alguns casos, o sintoma pode aparecer junto com outros sinais, como dor na parte superior do abdômen, dor de cabeça intensa ou pressão alta.
6. Alterações visuais
Algumas gestantes podem apresentar visão embaçada, sensibilidade à luz ou enxergar pontos brilhantes, também chamados de “pontinhos” ou “manchas” na visão. As alterações podem ocorrer por causa do impacto da pressão alta no sistema nervoso e na circulação.
7. Dor abdominal
A dor na parte superior da barriga, especialmente do lado direito, pode estar relacionada a alterações no fígado causadas pela pré-eclâmpsia. A dor pode ser constante ou surgir como uma sensação de pressão ou desconforto.
Como identificar a pré-eclâmpsia na gravidez?
A pré-eclâmpsia é identificada durante as consultas de pré-natal, em que o profissional de saúde costuma medir a pressão arterial e solicitar exames de urina, que ajudam a verificar a presença de proteína na urina, um dos sinais característicos da pré-eclâmpsia.
Além disso, o diagnóstico também pode envolver outros exames para avaliar a saúde da gestante e o desenvolvimento do bebê, como:
- Exames de sangue, que analisam o funcionamento dos rins e do fígado;
- Ultrassonografia, para acompanhar o crescimento do bebê e a quantidade de líquido amniótico;
- Avaliação clínica dos sintomas, como dor de cabeça intensa, inchaço no rosto ou nas mãos e alterações na visão.
Quando há suspeita da condição, o médico pode recomendar um acompanhamento mais frequente para monitorar a pressão arterial e a saúde da mãe e do bebê.
Como tratar a pré-eclâmpsia na gravidez?
O tratamento da pré-eclâmpsia depende da gravidade da condição e do tempo de gestação. Se a pré-eclâmpsia for considerada leve e o bebê ainda estiver muito prematuro, o médico pode orientar medidas como:
- Repouso: pode ser recomendada a redução da atividade física e, em alguns casos, o repouso relativo para ajudar no controle da pressão arterial;
- Aferição frequente da pressão: a pressão arterial pode precisar ser medida várias vezes ao dia para acompanhar possíveis alterações;
- Exames de rotina: podem ser solicitadas coletas frequentes de sangue e urina para avaliar o funcionamento dos rins e do fígado;
- Avaliação do bebê: exames como ultrassonografia com Doppler e cardiotocografia ajudam a verificar se o bebê está recebendo oxigênio e nutrientes adequados.
Quando a pressão arterial está muito elevada ou existe risco de complicações, o médico pode indicar o uso de medicamentos para controlar a pressão arterial, como os anti-hipertensivos, que são seguros para uso durante a gestação.
Em casos mais graves, pode ser necessária a internação hospitalar para um acompanhamento mais cuidadoso da gestante e do bebê. Durante a internação, a equipe de saúde monitora regularmente a pressão arterial, os reflexos neurológicos e o funcionamento de órgãos importantes, como os rins e o fígado, além de acompanhar o bem-estar do bebê.
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Perguntas frequentes
1. Qual a diferença entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia?
A pré-eclâmpsia é o estado de pressão alta e sinais de alerta. A eclâmpsia é a progressão grave da doença, em que a gestante apresenta convulsões, o que coloca a vida da mãe e do bebê em risco imediato.
2. Como diferenciar uma dor de cabeça comum da dor da pré-eclâmpsia?
A dor da pré-eclâmpsia costuma ser muito forte, latejante, persistente e, em geral, não melhora com analgésicos comuns ou repouso.
3. Quem tem mais risco de desenvolver a doença?
Mulheres na primeira gravidez, com histórico familiar de pré-eclâmpsia, hipertensas antes de engravidar, com obesidade, com idade acima de 35 anos ou em gravidez de gêmeos.
4. É possível prevenir a pré-eclâmpsia?
Não é possível prevenir completamente, mas em mulheres de alto risco, os médicos costumam prescrever aspirina infantil (baixa dose) e suplementação de cálcio para reduzir as chances de desenvolvimento.
5. Toda grávida com pré-eclâmpsia precisa fazer cesárea?
Não. Se a condição estiver estável, o parto normal pode ser induzido e é frequentemente preferível, pois a cesárea é uma cirurgia que impõe estresse adicional ao corpo já fragilizado pela hipertensão.
6. O que é a Síndrome HELLP?
É uma variante muito grave da pré-eclâmpsia. A sigla vem do inglês e representa a destruição dos glóbulos vermelhos, a elevação das enzimas do fígado e a queda das plaquetas (responsáveis pela coagulação). É uma emergência médica que normalmente exige o parto imediato.
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