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  • Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Na reta final da gravidez, o corpo da gestante normalmente começa a se preparar sozinho para o parto. Aos poucos, o colo do útero começa a dilatar e as contrações aparecem, iniciando naturalmente o trabalho de parto.

    Só que, quando a gestação ultrapassa o tempo considerado seguro ou surgem complicações de saúde, o parto induzido pode ser a alternativa mais segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

    O procedimento funciona estimulando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto, utilizando métodos que ajudam o colo do útero a amadurecer e favorecem o início das contrações.

    A escolha da técnica depende de diversos fatores, como a idade gestacional, as condições do bebê e a saúde da gestante, sendo recomendada apenas sob orientação e supervisão de um obstetra.

    O que é o parto induzido?

    O parto induzido é um procedimento médico que utiliza técnicas ou medicamentos para estimular as contrações do útero e a dilatação do colo uterino antes que o trabalho de parto comece naturalmente.

    Normalmente, a indução é indicada em casos de gestação prolongada, acima de 41 semanas, mas também pode ser necessária quando existem riscos para a saúde da mãe ou do bebê.

    Vale destacar que a indução ao parto não é a mesma coisa que uma cesárea. O objetivo do procedimento é justamente estimular o início do trabalho de parto para possibilitar um parto vaginal de forma mais segura.

    Com quantas semanas o parto deve ser induzido?

    A quantidade de semanas ideal para induzir o parto depende diretamente da saúde da mãe e do bebê, sendo calculada a partir da data provável do parto (DPP).

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a DPP é definida no início do pré-natal com base na data da última menstruação e confirmada pelo ultrassom precoce, realizado no primeiro trimestre, considerado o exame mais preciso para calcular a idade gestacional.

    Em uma gravidez saudável e de baixo risco, a indução do parto costuma ser indicada quando a gestação chega a 41 semanas e o trabalho de parto ainda não começou naturalmente.

    Para entender como os médicos avaliam o momento mais seguro para o nascimento, a fase final da gravidez costuma ser dividida em alguns períodos importantes:

    • 37 a 40 semanas (bebê a termo): é o período em que o bebê já está completamente desenvolvido e pronto para nascer com segurança, sem os riscos relacionados à prematuridade. O trabalho de parto pode começar naturalmente a qualquer momento nesse intervalo;
    • 40 a 41 semanas (pós-datismo): quando a gravidez ultrapassa as 40 semanas previstas, a gestação entra no período chamado de pós-datismo. Nessa fase, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente e cuidadoso para avaliar o bem-estar do bebê e o funcionamento da placenta;
    • Antes de 37 semanas (prematuro): quando o bebê nasce antes das 37 semanas, ele é considerado prematuro e pode precisar de cuidados especiais, principalmente relacionados à respiração, alimentação e controle da temperatura corporal.

    Antigamente, Andreia explica que os médicos aguardavam até às 42 semanas de gestação para intervir. No entanto, estudos científicos mais recentes comprovaram que esperar entre a 41ª e a 42ª semana aumenta significativamente o risco de mortalidade fetal. Por questões de segurança, a recomendação atual é não ultrapassar o limite de 41 semanas.

    Quando o parto induzido é realmente necessário?

    A indução do parto é realmente necessária quando os riscos de manter o bebê dentro do útero superam os riscos de antecipar o nascimento. Nesses casos, a decisão é feita pelo médico com base em uma avaliação cuidadosa para garantir mais segurança para os dois.

    Entre as principais situações em que a indução é indicada, é possível destacar:

    • Gestação prolongada (pós-termo): quando a gravidez passa das 41 semanas, a placenta pode começar a funcionar com menos eficiência, aumentando a oferta de oxigênio e nutrientes para o bebê;
    • Bolsa rompida sem início das contrações: quando a bolsa estoura e o trabalho de parto não começa sozinho em até cerca de 24 horas, a indução pode ser indicada para diminuir o risco de infecções na mãe e no bebê;
    • Pressão alta e pré-eclâmpsia: problemas como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia podem causar complicações graves durante a gravidez. Nesses casos, antecipar o parto de forma controlada costuma ser a opção mais segura;
    • Diabetes gestacional descontrolada: quando os níveis de açúcar no sangue não conseguem ser controlados adequadamente, pode haver risco de crescimento excessivo do bebê, alterações no parto e sofrimento fetal;
    • Restrição de crescimento fetal: se os exames mostram que o bebê não está crescendo como esperado dentro do útero, o médico pode indicar a indução para que ele receba cuidados mais adequados fora da barriga;
    • Pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio): a diminuição importante do líquido amniótico pode comprometer o bem-estar do bebê e aumentar os riscos relacionados ao cordão umbilical durante a gestação e o parto.

    Como é feita a indução?

    A indução do trabalho de parto consiste em estimular as contrações do útero de forma controlada, ajudando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto. Para decidir qual é o método mais adequado, o obstetra realiza um exame de toque vaginal para avaliar o estado do colo do útero, através de uma pontuação chamada Índice de Bishop.

    Segundo Andreia, o índice avalia quatro características do colo uterino:

    • Dilatação: o quanto o colo do útero está aberto;
    • Esvaecimento: o quanto o colo está afinado;
    • Posição: se o colo está mais anterior ou posterior;
    • Consistência: se o colo está firme ou macio.

    Quando a pontuação é igual ou maior que 6, o colo é considerado favorável para a indução. Já pontuações menores indicam um colo desfavorável.

    A partir da avaliação, a indução pode ser feita de duas formas principais:

    Quando o colo do útero já está favorável

    Se o corpo já começou a dar sinais de preparo para o parto, o médico pode iniciar a aplicação de ocitocina sintética diretamente na veia. A ocitocina é o mesmo hormônio produzido naturalmente pelo organismo para provocar as contrações.

    No hospital, ela é administrada pelo soro em doses pequenas, que vão sendo aumentadas aos poucos até que as contrações fiquem regulares e ajudem o trabalho de parto a evoluir.

    Quando o colo do útero ainda não está preparado

    Quando o colo do útero ainda está muito fechado, grosso e firme, normalmente é necessário fazer primeiro um preparo do colo antes de estimular as contrações, para ajudar o tecido a amolecer, afinar e começar a dilatar. O preparo pode ser feito de duas formas:

    • Métodos medicamentosos: são usados medicamentos vaginais, como comprimidos ou gel, que ajudam o colo do útero a amadurecer aos poucos. Eles costumam ser aplicados em intervalos regulares ao longo de algumas horas;
    • Métodos mecânicos: quando os medicamentos não podem ser usados, o médico pode recorrer a técnicas físicas, como o balão obstétrico. Nesse método, uma pequena sonda com um balão é colocada no colo do útero e inflada delicadamente para estimular a dilatação de forma gradual.

    Importante: alguns medicamentos usados na indução não podem ser utilizados por gestantes que já passaram por cesárea ou cirurgias no útero, porque aumentam o risco de rompimento uterino. Nesses casos, os médicos costumam optar pelos métodos mecânicos, que são considerados mais seguros.

    A indução do parto aumenta o risco de uma cesárea?

    A indução do parto não provoca uma cesárea automaticamente. Porém, como explica Andreia, como o trabalho de parto está sendo estimulado de forma artificial, existe uma chance um pouco maior de o processo não evoluir exatamente como esperado quando comparado a um parto que começou naturalmente.

    Em algumas situações, as contrações podem não ficar fortes ou regulares o suficiente, ou o colo do útero pode demorar mais para dilatar, fazendo com que o trabalho de parto avance mais lentamente. Quando isso acontece, a equipe médica avalia se a cesárea é a opção mais segura para proteger a saúde da mãe e do bebê.

    Mesmo assim, muitas induções evoluem bem e terminam em parto vaginal, segundo a ginecologista. Até em gestações de alto risco, é comum que pacientes consigam ter parto normal após o procedimento. Por isso, a indução é uma alternativa segura e bastante utilizada, e não significa que a cesárea será obrigatória.

    Quais são os riscos e desconfortos do parto induzido?

    O principal desconforto da indução é que a dor das contrações pode ser mais intensa e rápida. No parto espontâneo, o corpo aumenta as contrações de forma lenta e progressiva, dando tempo para a gestante se adaptar.

    Na indução, o processo pode evoluir muito rapidamente, causando dores fortes logo no início, o que costuma exigir o uso de analgesia mais cedo.

    Além da dor, os principais riscos médicos associados ao processo são:

    • Taquissistolia (hiperestimulação uterina): ocorre quando o útero responde ao estímulo artificial tendo contrações excessivamente frequentes e intensas;
    • Sofrimento fetal: se as contrações forem muito rápidas e fortes, o bebê não tem o tempo necessário para se recuperar entre uma contração e outra, o que pode comprometer a oxigenação dele;
    • Processo prolongado: a indução costuma demorar significativamente mais tempo do que o parto natural;
    • Falha de indução: o útero pode simplesmente não responder aos estímulos e o colo não abrir, tornando a cesárea necessária.

    Embora muitas gestantes fiquem com medo das contrações induzidas, a ocitocina aplicada na veia provoca o mesmo tipo de contração que o corpo produziria naturalmente durante o trabalho de parto.

    Além disso, no ambiente hospitalar, existem métodos de analgesia e outras medidas que ajudam a aliviar o desconforto de forma segura e acompanhada pela equipe médica.

    Por que a indução do parto pode falhar?

    De acordo com Andreia, a indução do parto pode falhar por algumas situações:

    • Insucesso no preparo do colo do útero: acontece quando o colo uterino continua muito fechado e firme mesmo após o uso de medicamentos, como o misoprostol, ou de métodos mecânicos, como o balão obstétrico. Nesses casos, o colo não amolece nem começa a dilatar adequadamente;
    • Desproporção cefalopélvica (DCP): ocorre quando a cabeça do bebê não consegue passar pelo espaço disponível na bacia da mãe. Muitas vezes, isso só é percebido durante o trabalho de parto, quando a dilatação para completamente apesar das contrações estarem fortes e regulares;
    • Sofrimento fetal: se o bebê apresentar sinais de que não está tolerando bem as contrações, como alterações importantes nos batimentos cardíacos, a equipe médica pode interromper a indução e indicar uma cesárea de emergência;
    • Distocias de parada: são situações em que o trabalho de parto deixa de evoluir, seja porque as contrações não estão mais eficientes ou porque existe alguma dificuldade na passagem do bebê pelo canal de parto.

    Mesmo assim, é importante lembrar que a falha da indução não significa que houve algum erro no procedimento. O trabalho de parto depende de vários fatores ligados ao corpo da gestante, ao bebê e à forma como o organismo responde às medicações e estímulos usados durante o processo.

    Cada corpo reage de uma maneira diferente, e nem sempre é possível prever exatamente como a evolução do parto vai acontecer. Por isso, durante toda a indução, a equipe médica acompanha de perto as contrações, a dilatação do colo do útero e os sinais de bem-estar do bebê para avaliar se o trabalho de parto está evoluindo de forma segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. Passar da data prevista para o parto é motivo para indução automática?

    Não no dia exato. Completar as 40 semanas significa apenas que você chegou à Data Provável do Parto. Em gestações saudáveis, o corpo médico ainda monitora e aguarda até as 41 semanas antes de indicar a indução.

    2. A vontade da paciente é levada em conta para decidir o tipo de parto?

    Sim. Hoje em dia, a autonomia da mulher é considerada um critério de indicação. Se a paciente deseja o parto vaginal e não tem nenhuma contraindicação médica, a equipe evolui para os protocolos de indução.

    3. Como o balão obstétrico funciona para abrir o colo do útero?

    O balão é um método mecânico (uma sonda) inserido pelo médico através do colo do útero. Depois de posicionado, ele é inflado com água destilada ou soro. O balão faz uma pressão física constante de dentro para fora, estimulando o colo a apagar (afinar) e a dilatar de forma natural e sem o uso de remédios.

    4. A grávida pode se alimentar durante o processo de indução do parto?

    Sim, em induções de baixo risco é permitido e recomendado consumir alimentos leves (como frutas, gelatinas, biscoitos e sucos) e se hidratar bem, pois a indução é um processo longo e o útero precisa de energia para contrair.

    Caso colo esteja muito desfavorável ou haja alto risco de cesárea, a equipe médica pode restringir a alimentação para garantir a segurança da anestesia.

    5. É possível fazer indução do parto em uma gravidez de gêmeos?

    Sim, é possível, desde que o primeiro bebê esteja virado de cabeça para baixo (apresentação cefálica) e não haja outras complicações que exijam uma cesárea direta. Os critérios e métodos de avaliação do colo do útero são os mesmos, mas o monitoramento dos batimentos cardíacos dos dois bebês durante o processo precisa ser ainda mais rigoroso.

    6. O bebê sofre durante a indução do parto?

    Não necessariamente. Durante todo o processo de indução, a equipe médica monitora os batimentos cardíacos do bebê através de um exame chamado cardiotocografia.

    O bebê só sofre se houver uma hiperestimulação do útero (contrações sem intervalo para ele respirar) ou se ele já tiver alguma fragilidade prévia, situações em que a indução é interrompida imediatamente.

    7. Existem métodos naturais para induzir o parto em casa?

    Alguns métodos estimulam a produção natural de ocitocina ou prostaglandinas pelo próprio corpo, como a prática de atividades físicas leves, estímulo nos mamilos e ter relações sexuais na reta final.

    No entanto, métodos com ervas ou óleos (como o óleo de rícino) não devem ser usados sem orientação médica, pois podem causar diarreia grave e desidratação.

    8. Quanto tempo pode demorar uma indução do parto?

    O processo é conhecido por ser demorado. Se o colo do útero estiver muito fechado (desfavorável) e precisar da etapa de preparo com balão ou misoprostol, a indução pode levar de 24 a 48 horas até que a fase ativa do trabalho de parto realmente comece. Já em colos favoráveis, o tempo costuma ser menor.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação