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  • Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida? Endocrinologista explica

    A semaglutida e a tirzepatida, princípios ativos de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, atuam no organismo imitando a ação de hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação, que participam do controle da fome e dos níveis de glicose no sangue.

    Com isso, eles ajudam a reduzir o apetite, aumentar a sensação de saciedade e melhorar o controle glicêmico ao longo do dia.

    Mas afinal, qual a diferença entre eles? A semaglutida e a tirzepatida pertencem a uma nova geração de tratamentos metabólicos, mas se diferenciam principalmente pela quantidade de receptores que conseguem ativar no corpo. Vamos entender mais, a seguir.

    Qual a diferença entre semaglutida e tirzepatida?

    A principal diferença entre a semaglutida e a tirzepatida está na forma como cada uma atua nos hormônios que regulam o metabolismo.

    A semaglutida é um análogo do GLP-1, de modo que atua imitando a ação de um único hormônio ligado ao controle da fome e da glicose.

    Já a tirzepatida, segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, é considerada uma medicação de ação dupla, pois atua tanto no GLP-1 quanto no GIP, outro hormônio intestinal que também participa da regulação do metabolismo.

    Na prática, isso significa que a tirzepatida pode ter um efeito mais amplo sobre o controle do apetite e da glicemia. De acordo com estudos, o tratamento com a tirzepatida pode apresentar uma maior redução de peso em comparação com a semaglutida, mas a resposta pode variar de acordo com cada organismo.

    Como cada uma atua no organismo?

    Semaglutida

    A semaglutida atua estimulando receptores de GLP-1, um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Segundo Daniella, o GLP-1 envia sinais de saciedade ao cérebro, o que contribui para a redução da fome ao longo do dia.

    Ela também diminui o ritmo de esvaziamento do estômago, fazendo com que o alimento permaneça por mais tempo no trato digestivo, o que prolonga a sensação de saciedade.

    Por fim, o princípio ativo estimula a liberação de insulina de forma dependente da glicose, então a ação ocorre principalmente quando os níveis de açúcar estão mais elevados. Ao mesmo tempo, há uma redução na liberação de glucagon, hormônio que aumenta a glicemia. Como resultado, ocorre um controle mais estável dos níveis de açúcar ao longo do dia, com menor risco de picos glicêmicos.

    Tirzepatida

    A tirzepatida, por outro lado, age no organismo imitando a ação de dois hormônios naturais liberados pelo intestino após a alimentação: o GLP-1 e o GIP. Ambos fazem parte do grupo das incretinas, substâncias que auxiliam na regulação da glicose no sangue e no apetite.

    O GIP, assim como o GLP-1, também estimula a produção de insulina após a alimentação e pode potencializar o efeito do hormônio no controle da glicemia. Além disso, ele está relacionado ao metabolismo energético, podendo influenciar a forma como o organismo utiliza e armazena os nutrientes.

    Na realidade, isso pode resultar em uma redução mais significativa do apetite, melhor controle da glicose e, em muitos casos, maior perda de peso, sempre dependendo da resposta individual de cada pessoa.

    Quais são os efeitos colaterais?

    A semaglutida e a tirzepatida apresentam efeitos colaterais semelhantes, principalmente porque atuam nos mesmos sistemas do organismo. Os mais comuns incluem:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação;
    • Sensação de estômago cheio;
    • Redução do apetite.

    Na maioria das situações, os sintomas são leves a moderados e tendem a melhorar com o tempo, conforme o corpo se acostuma com os medicamentos. Segundo Daniella, um fator interessante é que a tirzepatida costuma causar menos náusea do que a semaglutida, porque o GIP ajuda a equilibrar esse efeito.

    Se a pessoa apresentar sinais como dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes, dificuldade de respirar ou sintomas de desidratação, é importante procurar avaliação médica o quanto antes para investigar a causa e evitar complicações.

    Quem pode usar cada um?

    A semaglutida e a tirzepatida são indicadas para adultos com diabetes tipo 2 e para pessoas com obesidade ou sobrepeso, especialmente quando há outras condições associadas, como hipertensão, colesterol elevado ou resistência à insulina.

    No caso do controle do peso, Daniella explica que a indicação costuma ser feita para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando existem doenças associadas.

    A avaliação considera não apenas o peso, mas também o histórico de saúde, os hábitos de vida e as tentativas anteriores de emagrecimento.

    Como escolher entre semaglutida e tirzepatida?

    A escolha entre a semaglutida e a tirzepatida depende de uma série de fatores, que precisam ser avaliados por um profissional da saúde. No caso de pessoas com diabetes tipo 2, ambas podem ser utilizadas para melhorar o controle glicêmico.

    Em alguns casos, a tirzepatida pode ser considerada quando há necessidade de um controle mais intensivo da glicose ou quando a resposta à semaglutida não foi suficiente, sempre com avaliação individual.

    Por isso, o uso deve ser sempre orientado por um médico, que pode avaliar os benefícios e os possíveis riscos para cada pessoa, definir a melhor opção e acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Nunca se automedique!

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual delas emagrece mais rápido?

    Estudos clínicos mostram que a tirzepatida tende a promover uma perda de peso maior e mais rápida em comparação à semaglutida, devido à sua ação em dois receptores hormonais diferentes. Contudo, isso pode variar dependendo da resposta do organismo.

    2. A tirzepatida é mais segura que a semaglutida?

    Ambas possuem perfis de segurança semelhantes e foram aprovadas por órgãos rigorosos (como ANVISA e FDA). A segurança depende da avaliação médica das contraindicações de cada paciente.

    3. Posso trocar Ozempic por Mounjaro?

    Sim, a troca é possível, mas deve ser feita exclusivamente sob orientação médica para ajustar as doses equivalentes e monitorar a adaptação do organismo.

    4. Qual o nome comercial da tirzepatida?

    O nome comercial mais conhecido da tirzepatida é o Mounjaro (fabricado pela Eli Lilly).

    5. Qual o nome comercial da semaglutida?

    Os nomes comerciais mais comuns são Ozempic (para diabetes), Wegovy (específico para obesidade) e Rybelsus (oral).

    6. Elas interferem na absorção de outros remédios?

    Sim. Como ambas retardam o esvaziamento do estômago, tanto a semaglutida quanto a tirzepatida pode atrasar a absorção de medicamentos orais, como anticoncepcionais. Consulte o médico sobre isso.

    7. Posso usar semaglutida e tirzepatida ao mesmo tempo?

    Não. Elas agem em caminhos semelhantes e a combinação aumenta o risco de efeitos colaterais graves sem nenhum benefício clínico comprovado.

    8. É necessário fazer dieta enquanto usa Ozempic ou Mounjaro?

    Sim! Eles são apenas ferramentas que facilitam a adesão à dieta. Sem um déficit calórico e uma alimentação equilibrada, além da prática de atividades físicas, a perda de peso será menor e o risco de recuperar o peso após parar o tratamento é muito alto.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    O tratamento com os análogos de GLP-1, como semaglutida ou tirzepatida, atua diretamente nos mecanismos que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo, te ajudando a reduzir a ingestão alimentar de forma mais natural e sustentável.

    Por isso, eles são indicados especialmente em casos de obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    Em algumas semanas, já é possível notar os primeiros resultados na perda de peso, o que pode levantar uma dúvida comum: afinal, por quanto tempo é necessário manter a aplicação das injeções? Segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, a resposta depende de cada caso e deve ser individualizada, sempre com o acompanhamento de um médico.

    Quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro?

    A duração do tratamento com semaglutida ou tirzepatida pode variar de acordo com o perfil de cada pessoa. O tempo de uso depende especialmente de três fatores: a causa do ganho de peso, a resposta ao tratamento e a presença de outras condições de saúde.

    De acordo com Daniella, em situações em que o ganho de peso está ligado a um fator pontual, como uma gestação, um período de estresse intenso ou mudanças na rotina, o uso pode ser indicado temporariamente para a pessoa retornar ao peso anterior.

    Após a perda de peso e a retomada de hábitos saudáveis, alguns pacientes conseguem suspender a medicação com acompanhamento médico.

    Por outro lado, em casos de obesidade de longa data, em que existe uma tendência biológica ao ganho de peso, o tratamento pode ser mais prolongado. A obesidade é considerada uma doença crônica e, assim como outras condições, pode precisar de um cuidado contínuo para manter os resultados ao longo do tempo.

    Então, é possível usar para sempre?

    Em alguns casos, sim. Quando a obesidade é crônica e existe risco de reganho de peso, o uso pode ser prolongado ou até contínuo, de forma semelhante ao tratamento de outras doenças, como hipertensão ou diabetes.

    O que acontece ao interromper o uso?

    Quando o uso de medicamentos como Ozempic ou Mounjaro é interrompido, Daniella explica que um dos principais efeitos é o retorno gradual do apetite. Os remédios agem enquanto estão presentes no organismo, ajudando a aumentar a saciedade e reduzir a fome. Sem eles o corpo volta a funcionar como antes do tratamento, o que pode levar a:

    • Aumento da fome ao longo do dia;
    • Redução da sensação de saciedade nas refeições;
    • Maior dificuldade em controlar as porções;
    • Tendência ao reganho de peso.

    Em muitas pessoas, acontece a recuperação parcial ou total do peso perdido, especialmente quando ela não consegue manter uma rotina de hábitos saudáveis durante o tratamento.

    Também vale apontar que, durante o emagrecimento, pode ocorrer a perda de massa muscular, principalmente quando não há o consumo adequado de proteínas nem a prática de exercícios de força. Segundo Daniella, como a massa muscular influencia diretamente o gasto calórico em repouso, a redução pode facilitar ainda mais o ganho de peso com a interrupção do medicamento.

    Com isso, pode surgir o conhecido efeito sanfona, em que a pessoa perde e ganha peso repetidamente ao longo do tempo.

    Em cada ciclo, o corpo tende a perder a massa muscular durante o emagrecimento e recuperar principalmente gordura quando o peso volta a subir. Daniella aponta que o processo pode desacelerar o metabolismo progressivamente, tornando cada nova tentativa de emagrecimento mais difícil.

    É possível evitar o reganho do peso?

    A resposta é sim, desde que a interrupção do remédio seja feita com acompanhamento médico e de maneira gradual. Algumas medidas incluem:

    • Redução gradual da medicação: o médico pode diminuir a dose ou espaçar as aplicações aos poucos, o que ajuda o corpo a se adaptar sem provocar picos de fome;
    • Cuidado com o metabolismo: durante o emagrecimento, a pessoa pode perder massa muscular. Por isso, a prática de exercícios de força e o consumo adequado de proteínas são importantes para manter o metabolismo mais ativo;
    • Manutenção dos hábitos: o período de uso do medicamento deve servir para ajustar a rotina alimentar. Quando o tratamento termina, os hábitos precisam já fazer parte do dia a dia;
    • Apoio emocional: em muitos casos, o acompanhamento psicológico ajuda a lidar com a relação com a comida, evitando que a alimentação volte a ser uma forma de compensar emoções.

    Como os remédios imitam hormônios naturais do corpo, parar de usar de forma abrupta pode aumentar a fome e diminuir o gasto de energia, facilitando o ganho de peso.

    Existem riscos no uso prolongado de Ozempic ou Mounjaro?

    Os análogos de GLP-1 são considerados seguros quando bem indicados e acompanhados, mas o uso contínuo precisa de monitoramento. Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, principalmente no início ou após aumento de dose:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia ou constipação;
    • Sensação de estômago cheio.

    Os estudos de longo prazo ainda são limitados, e o uso indevido sem supervisão médica pode aumentar riscos cardiovasculares e metabólicos, como desidratação, alterações na função renal e desequilíbrios eletrolíticos, especialmente em casos de vômitos e diarreia frequentes.

    A perda de peso rápida e sem acompanhamento também pode causar a perda de massa muscular, o que afeta diretamente o metabolismo e pode dificultar a manutenção do peso ao longo do tempo. Em alguns casos, também pode acontecer a formação de pedras na vesícula, principalmente quando o emagrecimento ocorre de forma muito acelerada.

    Também é importante lembrar que nem todas as pessoas podem usar os medicamentos. As pessoas com histórico de pancreatite, com doenças específicas da tireoide ou com problemas gastrointestinais precisam de uma avaliação médica antes de iniciar o uso.

    Quando o médico pode recomendar a interrupção?

    O médico pode recomendar a interrupção do Ozempic ou do Mounjaro em algumas situações específicas, como:

    • O objetivo do tratamento foi alcançado e a pessoa consegue manter uma rotina saudável com alimentação equilibrada e atividade física regular;
    • O ganho de peso teve uma causa pontual, como uma gestação, um período de estresse ou uma mudança de rotina;
    • Há efeitos colaterais persistentes, como náuseas intensas, vômitos frequentes ou dor abdominal importante;
    • Surgem sinais de complicações, como suspeita de pancreatite, problemas na vesícula ou alterações nos exames;
    • O medicamento não está trazendo o resultado esperado mesmo com o uso correto;
    • Existe alguma contraindicação, como histórico de pancreatite ou doenças específicas da tireoide.

    Vale ressaltar que você nunca deve iniciar ou interromper o uso de análogos de GLP-1 sem orientação médica. Apenas um profissional pode determinar a dosagem segura, avaliar contraindicações e realizar o desmame correto para evitar riscos para a saúde.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para o Ozempic começar a fazer efeito?

    Os níveis de açúcar no sangue começam a baixar nos primeiros dias, mas a perda de peso significativa costuma ser percebida após as primeiras 4 semanas, conforme a dose é ajustada.

    2. O uso prolongado de GLP-1 vicia o organismo?

    Não causa dependência química (vício), mas como a obesidade é crônica, o corpo pode precisar do estímulo contínuo para manter o peso, assim como na hipertensão.

    3. Posso usar Ozempic apenas para perder 2 ou 3 quilos?

    Não, o medicamento é indicado para casos de obesidade ou sobrepeso com complicações de saúde, não para fins puramente estéticos e de curto prazo.

    4. É normal parar de perder peso depois de alguns meses de uso?

    Sim, pode ocorrer o chamado “platô”. Nesses casos, o médico avalia se é necessário ajustar a dose ou mudar a estratégia alimentar e de exercícios.

    5. O que acontece se eu esquecer de aplicar na data certa?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar disso, pule a dose e retome no dia habitual da semana seguinte.

    6. É seguro usar análogos de GLP-1 durante a gravidez?

    Não, o uso deve ser interrompido pelo menos 2 meses antes de tentar engravidar, pois pode afetar o desenvolvimento do feto.

    7. É necessário fazer exames de sangue periódicos durante o uso prolongado?

    Sim, o médico normalmente solicita exames de função renal, hepática, amilase e lipase (pâncreas), além de monitorar os níveis de glicose e vitaminas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Não é novidade que o uso de qualquer medicamento precisa ser orientado por um profissional de saúde, e não seria diferente com os análogos de GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras.

    Apesar dos resultados de Ozempic e Mounjaro na perda de peso e no controle da glicemia, eles não são indicados para todo mundo, de acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi.

    Por serem remédios que alteram processos metabólicos e hormonais complexos, existem contraindicações e grupos de risco que podem ter complicações graves ao usá-los sem a devida orientação médica, como pancreatite ou problemas renais.

    Como funcionam as canetas emagrecedoras?

    No organismo, os princípios ativos das canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, funcionam imitando a ação de um hormônio natural chamado GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições e atua diretamente na regulação da fome e da glicose no sangue.

    Segundo Daniella, o hormônio envia sinais ao cérebro de que o corpo já recebeu alimento suficiente, ajudando a controlar o apetite no dia a dia.

    Com o uso do medicamento, a pessoa passa a sentir menos fome ao longo do dia e maior saciedade nas refeições, o que torna mais fácil reduzir a quantidade de comida sem ter a sensação constante de restrição. Como o esvaziamento do estômago também fica mais lento, a endocrinologista explica que a digestão acontece de forma mais gradual, prolongando a sensação de estômago cheio por mais tempo.

    Para completar, os análogos de GLP-1 atuam no controle da glicose no sangue, estimulando a liberação de insulina quando necessário e ajudando a evitar picos de açúcar. Por isso, eles foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2.

    Quem não pode usar Ozempic e Mounjaro?

    As principais contraindicações das canetas emagrecedoras são:

    Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT)

    O carcinoma medular de tireoide é um tipo raro de câncer que se desenvolve nas células da tireoide responsáveis pela produção de hormônios específicos. Aqui, a contraindicação dos análogos de GLP-1 existe por um motivo de segurança.

    Em estudos realizados com roedores, os pesquisadores observaram que os medicamentos da classe podem estimular alterações nas células da tireoide, especialmente nas chamadas células C, justamente aquelas envolvidas nesse tipo de câncer.

    Até o momento, não existem evidências conclusivas de que o mesmo efeito aconteça em humanos, mas, por precaução, o uso não é recomendado para pessoas que apresentam maior risco, como quem já teve diagnóstico de carcinoma medular de tireoide ou quem tem casos da doença na família.

    Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2)

    A NEM 2 é uma condição genética rara, em que a pessoa tem maior risco de desenvolver tumores em glândulas hormonais, incluindo a tireoide. Quem convive com a síndrome já apresenta uma predisposição aumentada para o carcinoma medular de tireoide. Por isso, Daniella aponta que o uso de análogos de GLP-1 não é indicado.

    Gestantes e mulheres em fase de amamentação

    Não existem estudos de segurança suficientes que garantam que a semaglutida ou a tirzepatida não causem malformações fetais ou passem pelo leite materno. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, para garantir que a substância tenha sido totalmente eliminada do organismo.

    Diabetes tipo 1

    Diferente do diabetes tipo 2, no tipo 1 o organismo perdeu a capacidade de produzir insulina. Como o mecanismo de ação de remédios como Ozempic e Mounjaro depende de um pâncreas funcional para estimular a liberação hormonal, eles não são capazes de substituir a insulina e, por isso, são contraindicados para diabetes tipo 1.

    Hipersensibilidade aos componentes da fórmula

    A hipersensibilidade é uma contraindicação básica para qualquer medicamento. No caso dos análogos de GLP-1, a pessoa não deve usar se tiver alergia à semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou à tirzepatida (Mounjaro), ou a qualquer outro componente da fórmula.

    Em casos mais graves, pode ocorrer uma reação alérgica grave (anafilaxia), que exige atendimento imediato. Por isso, se já houve reação a esse tipo de medicamento, o uso não é indicado.

    Situações que exigem cautela e avaliação médica

    Não são contraindicações absolutas, mas são situações em que o uso precisa ser feito com mais cuidado e sempre com acompanhamento médico:

    Histórico de pancreatite

    A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, que pode causar dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Como os análogos de GLP-1 atuam diretamente no sistema digestivo e no próprio pâncreas, o uso poderia aumentar o risco de uma nova inflamação.

    Por isso, quem já teve pancreatite precisa de uma avaliação mais cuidadosa antes de iniciar o tratamento.

    Doenças gastrointestinais graves (como gastroparesia)

    Uma das formas de ação do GLP-1 é deixar a digestão mais lenta, fazendo com que o estômago demore mais para esvaziar e aumentando a sensação de saciedade.

    Se a pessoa já possui o esvaziamento gástrico lento, como em quadros de gastroparesia, o medicamento pode paralisar o trato digestivo, causando náuseas crônicas, vômitos persistentes e obstruções.

    Doença renal ou risco de desidratação

    Os análogos de GLP-1 não são diretamente tóxicos para os rins em todos os pacientes, mas os efeitos colaterais comuns, como vômitos e diarreia intensos, podem aumentar o risco de desidratação. Em quem já possui a função renal comprometida, isso pode levar a uma insuficiência renal aguda súbita.

    Uso junto com insulina ou sulfonilureias (risco de hipoglicemia)

    Quando os análogos de GLP-1 são usados junto com outros medicamentos que também diminuem a glicose, como a insulina ou as sulfonilureias, aumenta o risco de hipoglicemia, que é a queda do açúcar no sangue. Os sintomas podem incluir:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Suor frio;
    • Tremor;
    • Confusão.

    Nesses casos, o médico costuma ajustar as doses dos outros medicamentos para evitar o risco.

    Quando procurar um médico imediatamente?

    Sintomas como náuseas leves e desconforto abdominal são comuns no início do tratamento, mas alguns sinais indicam complicações graves que não devem ser ignoradas:

    • Dor abdominal intensa e persistente, principalmente na parte superior do abdômen, que pode ir para as costas e vir com vômitos frequentes, pode indicar pancreatite aguda;
    • Alterações na urina ou inchaço nas pernas, como urinar menos, urina escura ou inchaço nos pés e tornozelos, podem ser sinais de problema nos rins por desidratação;
    • Problemas de visão, como visão embaçada ou mudança repentina, precisam de avaliação, principalmente em pessoas com diabetes;
    • Sintomas de reação alérgica grave, como dificuldade para respirar, inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta, além de coceira com manchas vermelhas pelo corpo;
    • Alterações no ritmo cardíaco, como sensação de coração acelerado ou batimentos irregulares mesmo em repouso;
    • Mudanças intensas de humor, como ansiedade forte, tristeza profunda ou pensamentos negativos, devem ser comunicadas ao médico o quanto antes.

    Sempre que algum dos sintomas aparecer, a orientação é não ignorar e buscar avaliação médica o quanto antes.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre Ozempic e Mounjaro?

    O Ozempic contém semaglutida (imita o GLP-1). O Mounjaro contém tirzepatida, que imita dois hormônios (GLP-1 e GIP), o que pode potencializar a perda de peso.

    2. Por que as canetas emagrecedoras causam náuseas?

    Porque elas diminuem a velocidade com que o estômago se esvazia. A comida fica mais tempo no órgão, o que pode gerar desconforto, náuseas e até vômitos.

    3. Posso beber álcool usando Ozempic ou Mounjaro?

    Não é recomendado, pois o álcool pode irritar o estômago e aumentar o risco de hipoglicemia ou inflamação no pâncreas (pancreatite) durante o tratamento.

    4. O remédio causa o “rosto de Ozempic”?

    O termo se refere à aparência mais abatida ou flácida do rosto após uma perda de peso muito rápida. Não é um efeito do remédio em si, mas do emagrecimento acelerado.

    5. Quanto tempo demora para começar a emagrecer?

    Os efeitos na saciedade são imediatos, mas a perda de peso significativa costuma ser notada após as primeiras 4 semanas, quando as doses são ajustadas.

    6. Onde devo aplicar a injeção?

    A aplicação é subcutânea (embaixo da pele) na região do abdômen, coxa ou parte superior do braço.

    7. O que fazer se eu esquecer uma dose?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar de 5 dias, pule a dose e retorne ao cronograma normal na semana seguinte.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Se você está em tratamento com os medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” (Ozempic ou Mounjaro), já deve saber que elas precisam de alguns cuidados no armazenamento para manter a eficácia ao longo do tempo.

    Os análogos de GLP-1, sendo compostos por substâncias sensíveis a variações de temperatura, luz e manuseio, podem perder a estabilidade quando não são armazenados corretamente, o que compromete o efeito esperado do tratamento e, em alguns casos, até a segurança do uso.

    Na prática, isso significa que deixar a caneta exposta ao calor, ao sol ou a mudanças bruscas de temperatura pode reduzir a potência do medicamento, mesmo que ele ainda esteja dentro do prazo de validade.

    Por que o armazenamento correto é importante para o tratamento?

    O princípio ativo dos análogos de GLP-1 é composto por proteínas extremamente sensíveis a variações ambientais. Quando a caneta é exposta a temperaturas acima de 30°C ou ao congelamento, as moléculas sofrem um processo de desnaturação, o que significa que o remédio perde a estrutura química original e, consequentemente, a capacidade de agir no organismo.

    Isso faz com que a dose aplicada não produza o efeito esperado no controle do apetite ou da glicemia, o que compromete diretamente o progresso do tratamento.

    Além disso, a conservação inadequada coloca em risco a segurança biológica do paciente, pois o calor excessivo e a exposição direta à luz podem acelerar a degradação dos conservantes presentes na fórmula.

    Sem a proteção, o líquido pode se tornar um meio propício para a proliferação de microrganismos ou sofrer alterações químicas que aumentam o risco de reações adversas no local da aplicação, como irritações severas ou infecções.

    Como armazenar a caneta emagrecedora antes do primeiro uso?

    Antes de iniciar o uso, a caneta deve ser mantida sob refrigeração adequada para preservar a estabilidade do medicamento:

    • Guardar na geladeira, em temperatura entre 2 °C e 8 °C;
    • Manter na embalagem original, para proteger da luz e de variações externas;
    • Armazenar na parte interna da geladeira, onde a temperatura é mais estável;
    • Evitar deixar na porta, pois há maior oscilação térmica;
    • Não posicionar próximo ao congelador;
    • Não congelar em nenhuma hipótese.

    O congelamento é um dos principais riscos do armazenamento dos análogos de GLP–1, pois quando acontece, mesmo que por pouco tempo, pode alterar a estrutura do remédio e comprometer totalmente a eficácia. Nesses casos, a recomendação é não utilizar a caneta e fazer o descarte adequado.

    Dica: ao chegar da farmácia, certifique-se de retirar a caneta da sacola e colocá-la na geladeira o mais rápido possível, evitando que ela fique exposta ao calor ambiente por períodos prolongados antes de ser refrigerada.

    Como guardar a caneta após aberta (em uso)?

    Se você já começou a usar o medicamento, existem duas possibilidades seguras de armazenamento: manter na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, ou manter em temperatura ambiente controlada, normalmente abaixo de 30 °C.

    Na prática, muitas pessoas optam por deixar fora da geladeira para facilitar o uso no dia a dia, já que a aplicação com o medicamento menos frio pode ser mais confortável. Ainda assim, o mais importante não é o local em si, mas evitar extremos de temperatura a partir de alguns cuidados:

    • Sempre manter a caneta tampada, protegida da luz;
    • Evitar exposição ao calor, como locais próximos ao fogão, bolsa fechada ao sol ou carro;
    • Não deixar em ambientes com variações bruscas de temperatura;
    • Não armazenar em locais úmidos ou com risco de contato com líquidos.

    Sobre o tempo de uso, vale destacar que cada medicamento tem um limite específico, que pode ser verificado na bula. O Ozempic, por exemplo, pode ser utilizado por até 6 semanas após aberto. Já o Mounjaro pode permanecer fora da geladeira por até 21 dias, desde que abaixo de 30 °C.

    Passado o período, o remédio pode perder a estabilidade, mesmo sem alteração visível.

    Cuidados que você deve ter com a agulha

    O uso incorreto pode causar entupimento da agulha, vazamento do medicamento, aplicação incompleta da dose e até mesmo infecções. Por isso, alguns cuidados são recomendados:

    • Utilizar uma agulha nova em cada aplicação;
    • Nunca reutilizar a agulha, mesmo que pareça em bom estado;
    • Não tentar recolocar a tampa interna, para evitar acidentes;
    • Descartar a agulha imediatamente após o uso;
    • Não utilizar agulhas tortas, danificadas ou com sinais de contaminação;
    • Nunca compartilhar a caneta ou a agulha com outras pessoas.

    Como transportar a caneta emagrecedora em viagens?

    Durante viagens, é preciso manter a temperatura o mais estável possível e proteger o medicamento de extremos. Veja algumas dicas que podem te ajudar:

    • Utilizar uma bolsa térmica para ajudar a manter a temperatura;
    • Evitar contato direto com gelo, para não correr risco de congelamento;
    • Proteger da luz solar direta;
    • Não deixar em locais muito quentes, como carro fechado;
    • Evitar locais muito frios ou com risco de congelamento.

    No caso de viagens de avião, o ideal é levar o medicamento sempre na bagagem de mão, pois o compartimento de carga pode atingir temperaturas muito baixas, aumentando o risco de congelamento.

    Quando descartar a caneta emagrecedora?

    Mesmo que ainda tenha remédio na caneta, existem situações em que você precisa realizar o descarte para garantir a segurança do tratamento, como:

    • O prazo de uso após abertura for ultrapassado;
    • Houve congelamento, mesmo que por pouco tempo;
    • Ficou exposta a temperaturas inadequadas por tempo prolongado;
    • Apresenta alteração no aspecto, como líquido turvo ou diferente do padrão.

    Para o descarte, as agulhas devem ser colocadas em recipientes resistentes, como embalagens rígidas de plástico, para evitar acidentes e perfurações. Depois disso, o material deve ser levado a pontos de coleta adequados, como farmácias, drogarias ou unidades de saúde, que possuem descarte apropriado para resíduos perfurocortantes.

    A importância do acompanhamento médico no uso de GLP-1

    Como qualquer outro tratamento médico, o uso de análogos de GLP-1 precisa de acompanhamento de um profissional do início ao fim.

    Hoje, não é incomum ver pessoas iniciando o tratamento com análogos de GLP-1 sem receita ou orientação médica, o que não é indicado. De acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi, o uso inadequado das medicações pode levar à perda de massa muscular, à desaceleração do metabolismo e à dificuldade de manter o peso a longo prazo.

    Nem todas as pessoas têm indicação para o uso, por isso apenas um médico pode avaliar, de forma individualizada, se o tratamento é adequado, considerando o histórico de saúde, o índice de massa corporal e a presença de outras condições associadas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Posso guardar a caneta emagrecedora na porta da geladeira?

    Não é recomendado. A porta sofre grandes variações de temperatura toda vez que é aberta. O ideal é guardar nas prateleiras centrais ou na gaveta de verduras.

    2. Como saber se a caneta emagrecedora estragou?

    Observe o líquido dentro da caneta: ele deve ser límpido e incolor. Se estiver turvo, com partículas ou com coloração alterada, não utilize.

    3. Por que devo retirar a agulha após a aplicação?

    Deixar a agulha acoplada pode causar vazamento do medicamento, entrada de bolhas de ar e contaminação do líquido.

    4. Esqueci minha caneta fora da geladeira a noite toda, e agora?

    Se a temperatura ambiente não ultrapassou 30°C, ela ainda pode ser usada, mas o prazo de validade passa a ser de apenas 30 dias a partir desse momento.

    5. Posso usar uma caixa térmica com gelo comum para transportar a caneta?

    Sim, mas com cuidado. O gelo comum derrete e pode molhar a embalagem. O ideal é envolver a caneta em um pano ou plástico bolha para que ela não fique em contato direto com o gelo, evitando o risco de congelamento acidental.

    6. Existe algum problema em guardar a caneta perto de alimentos com cheiro forte?

    Desde que a caneta esteja dentro da caixa original e com a tampa, não há interferência química. No entanto, por higiene, recomenda-se mantê-la em uma prateleira isolada ou dentro de um pote organizador limpo.

    7. É normal o líquido da caneta emagrecedora ficar com uma bolha de ar?

    Sim, uma pequena bolha de ar não afeta a qualidade do medicamento nem o armazenamento. O importante é que o líquido continue transparente e sem partículas sólidas.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Queda de patente do Ozempic: o que muda para quem usa o remédio 

    Queda de patente do Ozempic: o que muda para quem usa o remédio 

    O fim da patente da semaglutida no Brasil reacendeu uma dúvida prática para quem acompanha o tema: afinal, o preço do Ozempic vai cair? A exclusividade patentária ligada ao princípio ativo expirou em 20 de março de 2026, depois de disputas judiciais em que a tentativa de prorrogação não prosperou. Isso abre caminho para a entrada de concorrentes no mercado brasileiro, desde que eles consigam aprovação regulatória.

    Mas isso não significa queda automática nem imediata de preço nas farmácias. O cenário mais provável é de uma redução gradual, porque novas versões ainda dependem de registro na Anvisa, estrutura de produção e disponibilidade de canetas aplicadoras.

    Além disso, no caso da semaglutida, a própria Anvisa tem tratado o tema com cautela por se tratar de um produto biotecnológico.

    O que é o Ozempic e para que ele serve?

    O Ozempic é um medicamento à base de semaglutida. No Brasil, ele foi aprovado pela Anvisa para uso em adultos com diabetes mellitus tipo 2, como adjuvante à dieta e aos exercícios, isoladamente em situações específicas ou em combinação com outros medicamentos.

    A Anvisa também aprovou nova indicação para redução do risco de piora da função renal e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica.

    A mesma molécula também aparece em outras marcas e apresentações. A Anvisa informa que o Wegovy é a formulação aprovada para controle de peso em pessoas com obesidade, ou com sobrepeso acompanhado de comorbidades relacionadas ao peso. Já o Ozempic continua sendo, oficialmente, um medicamento registrado para diabetes tipo 2 no país.

    Por que esse remédio ganhou tanta atenção?

    A semaglutida chama atenção porque atua em mecanismos ligados à saciedade e ao apetite. Os agonistas de GLP-1 ajudam a reduzir a ingestão de energia ao aumentar a sensação de saciedade e reduzir a fome, além de terem ação importante no controle glicêmico.

    Isso ajuda a entender por que o assunto ultrapassou o universo do diabetes e passou a ser associado também à obesidade. E esse ponto importa porque tanto o diabetes tipo 2 quanto a obesidade são doenças crônicas relevantes em saúde pública.

    O que exatamente muda com o fim da patente?

    Na prática, o fim da patente encerra a exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk sobre a semaglutida no Brasil. Pela Lei de Propriedade Industrial, a patente de invenção tem prazo de 20 anos contados do depósito, e a Justiça não admitiu a extensão pretendida pela fabricante. Com isso, outras empresas passam a poder desenvolver e registrar produtos baseados na molécula, desde que cumpram as exigências regulatórias.

    O ponto mais importante, porém, é que o fim da patente não significa liberação imediata de versões concorrentes na prateleira. Só depois de aprovação e concessão de registro pela Anvisa outras empresas podem iniciar produção e distribuição.

    Então o preço do Ozempic vai cair?

    Provavelmente sim, mas não de uma vez. A expectativa divulgada em reportagens de mercado é de alguma redução com a chegada de concorrentes, mas o movimento deve ser gradual.

    Ou seja, a tendência econômica é de mais concorrência e, com o tempo, mais pressão para baixo nos preços. Mas isso depende de registro regulatório, escala de fabricação, estratégia comercial e disponibilidade do produto. Por isso, o impacto no bolso do consumidor pode levar meses para aparecer.

    Veja mais: Ozempic e similares podem reduzir risco de câncer ligado à obesidade?

    Perguntas frequentes sobre o fim da patente do Ozempic

    1. A patente do Ozempic acabou no Brasil?

    Sim. A exclusividade ligada à semaglutida expirou em 20 de março de 2026.

    2. O preço vai cair imediatamente?

    Não é o mais provável. A entrada de concorrentes ainda depende de registro e produção, então a queda tende a ser gradual.

    3. Ozempic é indicado para obesidade?

    No Brasil, Ozempic é registrado para diabetes tipo 2. A formulação de semaglutida aprovada para controle de peso é o Wegovy.

    4. Semaglutida serve para quê?

    Ela é usada em medicamentos aprovados para diabetes tipo 2 e, em formulações específicas, para obesidade ou sobrepeso com comorbidades.

    5. Vai existir genérico do Ozempic?

    Podem surgir versões concorrentes, mas a situação regulatória da semaglutida é mais complexa do que a de medicamentos químicos simples, e tudo depende de aprovação da Anvisa.

    6. Ainda precisa de receita?

    Sim. A Anvisa determinou retenção da receita para agonistas de GLP-1, como Ozempic e Wegovy.

    Leia também: GLP-1: como Ozempic e Mounjaro atuam no sono, na glicose e na saúde do coração

  • Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

    Não é apenas a obesidade e a resistência à insulina que estão associadas ao uso das canetas emagrecedoras (agonistas do GLP-1), como Ozempic e Mounjaro. Com o emagrecimento, ocorrem mudanças importantes no funcionamento do sistema respiratório, especialmente durante o sono, período em que a musculatura relaxa naturalmente.

    No caso de pessoas que convivem com apneia do sono, a perda de peso pode ajudar a melhorar a respiração durante a noite, já que a redução do acúmulo de gordura na região do pescoço, da língua e da garganta aumenta o espaço disponível para a passagem do ar.

    Isso reduz a chance de a via aérea se fechar durante o sono, fase em que os músculos ficam naturalmente mais relaxados. Vamos entender mais essa relação, a seguir.

    Afinal, o que é apneia do sono?

    A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para ou fica muito fraca várias vezes enquanto a pessoa dorme. Isso acontece porque a garganta se fecha parcial ou totalmente, dificultando a entrada de ar nos pulmões.

    Quando a oxigenação cai, o cérebro entra em alerta e provoca pequenos despertares para que a respiração volte ao normal, mesmo que a pessoa não acorde de forma consciente. Ao longo da noite, esse ciclo se repete muitas vezes, o que quebra o sono e impede um descanso profundo e reparador.

    Entre alguns dos principais sinais da condição, é possível destacar o ronco alto e frequente, sensação de cansaço ao acordar, sono excessivo durante o dia, dor de cabeça pela manhã e dificuldade de concentração costumam fazer parte do quadro.

    Qual a relação entre obesidade e apneia do sono?

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, o excesso de peso aumenta a quantidade de tecido e de gordura em regiões estratégicas do corpo, como a garganta e a base da língua, o que interfere diretamente na passagem do ar durante o sono.

    Com o relaxamento natural da musculatura enquanto a pessoa dorme, o acúmulo de gordura na faringe facilita o fechamento da via aérea, bloqueando parcial ou totalmente a entrada de ar e provocando as pausas respiratórias típicas da apneia do sono.

    Para complementar, o excesso de gordura abdominal faz pressão sobre o diafragma, empurrando-o para cima e reduzindo a capacidade dos pulmões de se expandirem adequadamente.

    A limitação da respiração favorece ainda mais o colapso da via aérea durante a noite, contribuindo para o aparecimento e a piora da apneia do sono.

    O emagrecimento pode melhorar a respiração durante o sono?

    Quando ocorre a perda de peso e a redução da gordura na região do pescoço, o espaço da via aérea por onde o ar passa aumenta, facilitando a respiração. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, é como um encanamento que estava entupido e volta a permitir o fluxo normal de ar.

    Além disso, com menos gordura na região do pescoço, a faringe, que faz parte da via aérea, fica menos propensa a se fechar durante o relaxamento dos músculos ao longo do sono.

    Dessa forma, ocorre não apenas o aumento do diâmetro da via aérea e a redução do risco de colapso durante o relaxamento muscular, como também a diminuição da gordura abdominal contribui para uma melhor expansão pulmonar. Isso favorece a oxigenação do organismo e melhora a respiração durante o sono.

    O uso de canetas emagrecedoras pode reduzir o quadro de apneia do sono?

    O principal fator associado à melhora da apneia com o uso dos agonistas de GLP-1 é a perda de peso. Como as canetas emagrecedoras podem levar a uma perda de peso de até 20%, segundo Juliana, ocorre uma redução importante do índice de apneia e hipopneia em pessoas com sobrepeso.

    A cardiologista explica que, conforme estudos, a obesidade está associada a um estado inflamatório crônico nos tecidos do organismo, incluindo a região da garganta e a musculatura respiratória, o que contribui para a piora da apneia do sono.

    Como as medicações agonistas de GLP-1 também ajudam a reduzir esse processo inflamatório sistêmico, pode haver melhora da inflamação das vias aéreas e da apneia, mesmo quando a perda de peso não é tão expressiva.

    Contudo, são necessários mais estudos para esclarecer se existem efeitos diretos dos medicamentos sobre a apneia do sono que vão além do emagrecimento.

    Dormir bem protege o coração

    O sono de qualidade é fundamental para a saúde do coração, enquanto a apneia do sono atua como um fator de sobrecarga para o sistema cardiovascular.

    Durante os episódios de apneia, a respiração é interrompida, a oxigenação do organismo cai e o cérebro entra em estado de alerta, liberando grandes quantidades de adrenalina e cortisol.

    Juliana explica que o mecanismo leva ao aumento da frequência dos batimentos cardíacos, favorece a ocorrência de taquicardia e eleva a pressão arterial durante o sono. Com o passar do tempo, o processo pode causar problemas ao sistema cardiovascular.

    Quando o sono é contínuo e reparador, ocorrem menos picos de adrenalina, o que ajuda a reduzir a frequência cardíaca, a pressão arterial e o risco de infarto e AVC.

    Sinais de alerta durante o tratamento de apneia do sono

    À medida que a medicação com GLP-1 é usada e ocorre a perda de peso, alguns sinais precisam ser observados em pessoas com apneia do sono.

    Com o emagrecimento, a máscara do CPAP pode deixar de se ajustar bem ao rosto, causando vazamento de ar e redução da eficácia do tratamento. O CPAP, usado no tratamento da condição, funciona enviando uma pressão positiva para manter a via aérea aberta durante a noite.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, outro ponto de atenção é a sensação de que o ar do CPAP está vindo muito forte. Isso pode causar desconforto e até inchaço na barriga, como se o ar estivesse sendo engolido.

    O retorno do ronco ou da sonolência durante o dia também é um sinal importante. Muitas vezes, o tratamento é interrompido por impressão de melhora, mas a volta dos sintomas indica que a apneia do sono ainda precisa de acompanhamento médico.

    Veja também: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    Quais são os principais sintomas da apneia do sono?

    Os principais sintomas incluem ronco alto e frequente, pausas na respiração durante o sono, sono não reparador, cansaço ao acordar, sonolência durante o dia e dificuldade de concentração.

    Quem tem mais risco de desenvolver apneia do sono?

    Pessoas com excesso de peso, circunferência do pescoço aumentada, histórico familiar, uso de álcool à noite e alterações anatômicas da garganta.

    A apneia do sono é uma doença grave?

    Sim, pois quando não tratada, a apneia do sono aumenta o risco de pressão alta, infarto, AVC, arritmias cardíacas e diabetes.

    A apneia do sono pode desaparecer com a perda de peso?

    Em alguns casos, ocorre melhora importante. Mesmo assim, o acompanhamento médico continua sendo necessário para avaliar a evolução do quadro.

    O que é o CPAP?

    O CPAP é um aparelho que envia ar sob pressão para manter a via aérea aberta durante o sono, evitando as pausas respiratórias.

    Como a apneia do sono é diagnosticada?

    O diagnóstico é feito por meio da polissonografia, exame que avalia a respiração, a oxigenação e o sono durante a noite.

    Quando procurar ajuda médica para a apneia do sono?

    Sempre que houver ronco intenso, pausas respiratórias observadas por outra pessoa, cansaço excessivo ao acordar ou sonolência durante o dia. O diagnóstico precoce evita complicações.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Canetas emagrecedoras: o que acontece com o metabolismo ao usar Mounjaro e Ozempic?

    Canetas emagrecedoras: o que acontece com o metabolismo ao usar Mounjaro e Ozempic?

    Os agonistas do GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras, são medicamentos que imitam a ação de um hormônio natural do corpo chamado GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), produzido pelo intestino após as refeições.

    Além de revolucionar o tratamento do diabetes, eles passaram a ser usados também no controle do peso, por ajudarem a regular a fome e a saciedade.

    No organismo, os agonistas GLP-1 estimulam a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduzem a liberação de um hormônio que aumenta a glicose e fazem com que o estômago esvazie mais devagar. A seguir, entenda melhor como esse processo acontece.

    O que acontece com o metabolismo durante o uso dos agonistas GLP-1?

    Com o uso dos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, ocorre uma mudança na forma como o corpo regula a fome, a saciedade e o controle do açúcar no sangue.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, os medicamentos atuam aumentando a secreção de insulina quando a glicose está elevada, diminuindo a secreção do glucagon, hormônio responsável por estimular o fígado a liberar açúcar na corrente sanguínea, e retardando o esvaziamento do estômago.

    O processo envia ao cérebro uma sensação de saciedade após a ingestão dos alimentos e, como consequência, a pessoa sente menos fome ao longo do dia, fica satisfeita com porções menores e tem menos variações nos níveis de glicose.

    O equilíbrio metabólico favorece a redução do consumo calórico de forma natural e contribui para a perda de peso de maneira mais gradual, especialmente quando associado a hábitos saudáveis e acompanhamento de um médico.

    Como os agonistas GLP-1 ajudam a controlar a glicose?

    As canetas emagrecedoras auxiliam no controle dos níveis de glicose e da resistência insulínica de duas formas: direta e indireta.

    De forma direta, atuam no pâncreas, estimulando as células beta, responsáveis pela produção de insulina, e inibindo as células alfa, que produzem o glucagon, hormônio que estimula a liberação de açúcar na corrente sanguínea.

    Com isso, a medicação ajuda a ajustar e equilibrar os mecanismos metabólicos relacionados ao açúcar, contribuindo para melhor controle glicêmico e redução da resistência insulínica.

    Já de forma indireta, Juliana explica que eles favorecem a perda de peso. Como a resistência à insulina está muito ligada ao excesso de gordura, especialmente a gordura abdominal, a redução do peso melhora a sensibilidade do corpo à insulina. Com isso, a insulina passa a funcionar melhor e o controle do açúcar no sangue se torna mais eficiente.

    As canetas emagrecedoras também influenciam o gasto energético?

    As canetas emagrecedoras não aumentam o gasto energético de forma direta. Elas não fazem o corpo queimar mais calorias nem aceleram o metabolismo como alguns estimulantes. Segundo Juliana, o principal mecanismo de ação envolvido no GLP-1 é em relação à inibição do apetite e à diminuição da ingestão alimentar.

    Ao reduzir a fome, aumentar a saciedade e diminuir o impulso por comida, a pessoa passa a consumir menos calorias ao longo do dia. Esse consumo menor gera um déficit calórico, o que leva à perda de peso.

    Em alguns casos, pode ocorrer uma leve redução do gasto energético total, já que o corpo se adapta à perda de peso, o que é um mecanismo natural de defesa. Por isso, manter uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física é importante para preservar a massa muscular e sustentar os resultados ao longo do tempo.

    Com o uso prolongado, o metabolismo se adapta às canetas emagrecedoras?

    Com o uso prolongado das canetas emagrecedoras, o metabolismo passa por algumas adaptações, o que é uma resposta natural do organismo à perda de peso. Juliana explica que o corpo sempre busca um estado de equilíbrio, chamado homeostase.

    Com o tempo, o organismo se adapta ao novo padrão de ingestão calórica e ao esvaziamento gástrico mais lento, que tende a melhorar parcialmente. Nesse momento, a perda de peso costuma se estabilizar.

    Quando chega o momento de suspender a medicação, a interrupção precisa ser gradual. Se a retirada for feita de forma brusca, os hormônios da fome aumentam rapidamente, o que pode levar ao reganho de peso. Por isso, o desmame correto, junto com mudanças de hábitos alimentares e de comportamento, é essencial para manter os resultados a longo prazo.

    Os efeitos metabólicos trazem benefícios ao coração?

    A perda de peso obtida com o uso adequado das medicações, por si só, já está associada à melhora da saúde cardiovascular.

    Estudos também mostram que os agonistas de GLP-1 estão ligados à redução do risco de eventos cardiovasculares, como infarto, AVC e morte cardiovascular.

    Entre os mecanismos envolvidos está a ação anti-inflamatória do GLP-1 na parede dos vasos sanguíneos, que ajuda a diminuir a inflamação responsável pela formação de placas que podem obstruir as artérias.

    As canetas emagrecedoras também contribuem para a melhora do perfil lipídico, com redução dos níveis de triglicerídeos e melhora do colesterol LDL. Em conjunto, os efeitos favorecem a proteção do coração e a saúde cardiovascular.

    Cuidados com o uso de agonistas de GLP-1

    Assim como todas os medicamentos, as canetas emagrecedoras devem ser usadas apenas com supervisão médica, que é capaz de auxiliar em processos como:

    • Avaliação se o medicamento é realmente indicado para cada pessoa;
    • Definição da dose inicial e dos ajustes ao longo do tratamento;
    • Orientação sobre o tempo adequado de uso;
    • Planejamento do desmame gradual da medicação, quando necessário;
    • Monitoramento de exames, como glicemia, perfil lipídico e outros marcadores metabólicos;
    • Apoio na mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida, essenciais para manter os resultados.

    Para completar, Juliana aponta que é importante avaliar se o paciente tem alguma contraindicação ao uso da medicação, observar como os efeitos colaterais estão acontecendo, verificar se existe alguma alteração metabólica relevante ou perigosa e, principalmente, acompanhar os resultados.

    Leia também: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes

    As canetas emagrecedoras causam perda de massa muscular?

    Sem acompanhamento adequado, pode ocorrer perda de massa muscular associada ao emagrecimento. Uma alimentação equilibrada e prática de exercícios, principalmente treino de força, ajudam a preservar músculos.

    Quais efeitos colaterais podem surgir?

    Os efeitos mais comuns das canetas emagrecedoras incluem náuseas, sensação de estufamento, azia e diminuição do apetite. Os sintomas costumam ser mais intensos no início e tendem a melhorar com o tempo.

    Qualquer pessoa pode usar canetas emagrecedoras?

    O uso depende de avaliação médica. A indicação considera histórico de saúde, presença de diabetes, obesidade, sobrepeso associado a comorbidades e possíveis contraindicações.

    Quanto tempo leva para perceber os primeiros resultados?

    Os primeiros efeitos costumam aparecer nas primeiras semanas, principalmente redução do apetite e maior saciedade. A perda de peso varia de pessoa para pessoa e depende da dose, da adesão ao tratamento e dos hábitos de vida.

    O uso das canetas emagrecedoras influencia o colesterol?

    O tratamento pode melhorar o perfil lipídico, com redução dos triglicerídeos e melhora do colesterol LDL, o que contribui para a saúde cardiovascular.

    As canetas emagrecedoras afetam o sistema digestivo?

    Sim, pois o esvaziamento do estômago ocorre de forma mais lenta, o que pode causar sensação de estufamento ou náuseas no início. Os efeitos tendem a diminuir com a adaptação do organismo.

    Confira: Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular

  • Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Nos últimos anos, os remédios Ozempic e Wegovy ganharam as manchetes e as redes sociais por um motivo: a promessa de ajudar na perda de peso. Desenvolvidos originalmente para tratar diabetes tipo 2, esses remédios à base de semaglutida vêm sendo cada vez mais usados por quem busca emagrecer com apoio médico.

    Mas, afinal, o que eles têm de tão especial? Qual a diferença entre Ozempic e Wegovy? Funcionam mesmo? E será que todo mundo pode usar?

    O que são Wegovy e Ozempic

    Tanto Wegovy quanto Ozempic têm como princípio ativo a semaglutida, um medicamento que imita o hormônio GLP-1, naturalmente produzido pelo nosso corpo. “Essa substância atua regulando os níveis de açúcar no sangue e também o apetite”, explica a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein.

    Quando a glicose (açúcar) no sangue está alta, a semaglutida estimula a liberação de insulina (hormônio que ajuda a reduzir a glicose) e inibe a produção de glucagon (hormônio que aumenta a glicose). Além disso, ela age em áreas do cérebro que controlam fome e saciedade, fazendo com que a pessoa se sinta satisfeita com pequenas porções. Também retarda o esvaziamento do estômago, prolongando a saciedade.

    A diferença entre eles está na indicação:

    • Ozempic: aprovado para tratar diabetes tipo 2.
    • Wegovy: aprovado para tratar sobrepeso e obesidade, junto com dieta e exercícios.

    Como esses medicamentos ajudam a emagrecer

    Agem no cérebro e no apetite

    Segundo a cardiologista, a semaglutida atua no cérebro, especialmente no hipotálamo e no tronco cerebral, que controlam a fome e a saciedade. Isso reduz a vontade de comer, especialmente alimentos ricos em gordura e açúcar.

    Têm efeito no esvaziamento do estômago

    Ela também retarda o esvaziamento do estômago, o que prolonga a sensação de saciedade após as refeições.

    Qual a diferença entre Wegovy e Ozempic

    Embora tenham o mesmo princípio ativo, as dosagens são diferentes. Wegovy contém doses maiores de semaglutida e é aprovado especificamente para o tratamento da obesidade.

    Já Ozempic, mesmo sendo usado por muitos para emagrecer, ainda é aprovado apenas para o tratamento do diabetes tipo 2 no Brasil.

    Quem pode usar Wegovy ou Ozempic para emagrecer

    Esses medicamentos não são para todo mundo. São indicados principalmente para:

    • Pessoas com IMC acima de 30, que indica obesidade;
    • Ou com IMC acima de 27 e doenças associadas (como pressão alta, apneia do sono ou colesterol alto)

    É sempre o médico quem deve avaliar os riscos e benefícios antes de indicar o uso.

    Apesar de o princípio ativo ser o mesmo para Ozempic e Wegovy, os critérios estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são diferentes.

    “O Ozempic é aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2, indicado nos casos em que não é possível controlar os níveis de açúcar no sangue apenas com dieta e atividade física, quando o uso de outros remédios para diabetes não estão sendo suficientes para o controle a doença ou quando outras medicações para o diabetes são mal toleradas ou contraindicadas”, detalha a médica.

    “O emagrecimento, com o uso do Ozempic é um efeito adicional, não o objetivo principal”.

    No caso do Wegovy, explica ela, os critérios para indicação são o sobrepeso, quando o índice de massa corpórea (IMC) está entre 27 kg/m² e 30 kg/m² e o paciente apresenta pelo menos uma outra doença relacionada ao excesso de peso. “Diabetes, pressão alta, alteração de colesterol, apneia do sono, doenças cardiovasculares, ou adultos com obesidade (IMC acima de 30 kg/m²), por exemplo”, explica a especialista. “A perda de peso é a principal indicação do Wegovy e ele deve ser usado juntamente com dieta e prática regular de atividade física”.

    Efeitos colaterais mais comuns

    Como qualquer medicamento, Ozempic e Wegovy podem causar efeitos colaterais. Por conta do mecanismo de ação, a maioria desses efeitos atinge o sistema digestivo, especialmente no início ou quando a dose aumenta. Os mais comuns são:

    • Enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Prisão de ventre;
    • Dor de cabeça.

    A médica recomenda refeições menores e mais frequentes, mastigar bem, evitar comidas gordurosas e manter boa hidratação. “Outro ponto importante é evitar perda excessiva de massa muscular com a ingestão adequada de proteínas, além de treino de força, como musculação, e exercícios de resistência, como pilates e calistenia”.

    Resultados: quanto peso é possível perder?

    “A perda de peso vai variar conforme cada pessoa e também vai estar relacionada com o estilo de vida adotado com alimentação adequada e prática regular de atividade física”, diz a médica.

    Ela conta que os estudos mostram que o Wegovy pode levar à perda média de 15% do peso inicial, enquanto o Ozempic costuma gerar cerca de 7%.

    Wegovy e Ozempic substituem dieta e exercício?

    Não. Esses medicamentos são uma ferramenta a mais no tratamento da obesidade. Sem mudanças no estilo de vida, os resultados são limitados.

    A boa notícia é que, ao controlar o apetite, eles podem ajudar as pessoas a adotarem uma rotina mais saudável com mais facilidade.

    Posso usar Ozempic ou Wegovy por conta própria?

    A resposta é não. “A semaglutida exige supervisão rigorosa para que o tratamento seja seguro e eficaz”, afirma Juliana Soares.

    Os riscos incluem pancreatite, pedras na vesícula, complicações em cirurgias (por retardar o esvaziamento do estômago) e contraindicações específicas, como histórico de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

    Por isso, é muito importante só usar o remédio com indicação médica.

    Perguntas frequentes sobre Wegovy e Ozempic

    1. Ozempic e Wegovy são a mesma coisa?

    Não exatamente. Os dois são feitos com semaglutida, mas Wegovy tem doses maiores e é aprovado para emagrecimento.

    2. Posso usar Ozempic para emagrecer mesmo sem diabetes?

    Somente com prescrição médica e se houver indicação clínica, como obesidade ou sobrepeso com doenças associadas.

    3. Quanto tempo leva para começar a emagrecer com Ozempic?

    Muitas pessoas notam perda de peso nas primeiras semanas, mas os resultados variam de pessoa para pessoa.

    4. O uso desses remédios é para sempre?

    Não necessariamente. O tempo de uso depende da resposta da pessoa ao remédio e da orientação médica.

    5. Os efeitos colaterais desaparecem?

    Na maioria dos casos, sim. O corpo costuma se adaptar ao Ozempic ou Wegovy após algumas semanas.

    6. É verdade que o medicamento pode causar flacidez?

    A flacidez é consequência comum de perda de peso rápida, não do remédio em si. Pode acontecer com ou sem semaglutida.

    7. Pode causar perda de massa muscular?

    Sim, se a pessoa não ingerir proteínas e fizer exercícios de força adequadamente.

  • Ozempic protege o coração? Veja como a semaglutida age

    Ozempic protege o coração? Veja como a semaglutida age

    Remédio da moda, o Ozempic (semaglutida) foi originalmente desenvolvido para tratar diabetes tipo 2 e atualmente é muito prescrito pelos médicos para ajudar as pessoas a perderem peso. Além da fama de emagrecedor, porém, há um detalhe que merece atenção: esse remédio também pode também proteger o coração.

    O que é o Ozempic (semaglutida)

    O Ozempic e o Wegovy são remédios que têm como princípio ativo a semaglutida, e fazem parte de um grupo chamado agonistas do GLP-1. O GLP-1 é um hormônio que nosso corpo produz naturalmente e que ajuda a controlar o açúcar no sangue.

    Quando os níveis de açúcar estão altos, ele manda um recado para o pâncreas liberar insulina, aquele hormônio que coloca a glicose dentro das células para virar energia.

    Ao mesmo tempo, reduz a ação do glucagon, um hormônio que libera glicose do fígado para o sangue. Como se não bastasse, o GLP-1 também ajuda no cérebro para diminuir o apetite e retardar o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose.

    Como o Ozempic pode proteger o coração

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até morte por causas cardiovasculares.

    “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular”, conta a médica.

    “Isso acontece por meio da melhora metabólica, da diminuição dos níveis de colesterol e do controle mais efetivo da pressão arterial. Além disso, os estudos mostram que essas medicações melhoram a função da camada interna dos vasos sanguíneos (conhecida por endotélio) e podem diminuir a inflamação vascular, tendo um efeito protetor no sistema cardiovascular”.

    Diabetes e risco cardíaco: qual a relação?

    Infelizmente, quem tem diabetes carrega um risco maior de desenvolver doenças do coração. “Os níveis de açúcar elevados promovem danos ao organismo, como acúmulo de gordura e formação de placas nas artérias”, explica a médica.

    Além disso, o diabetes altera os vasos sanguíneos, piora a pressão arterial e pode desregular o colesterol. “Essas alterações contribuem para o aumento do risco de condições como infarto e AVC”, conta a especialista.

    Semaglutida é para todo tipo de problema do coração?

    Não. “A semaglutida não foi desenvolvida para tratar doenças cardíacas diretamente”, lembra Juliana Soares. O principal alvo sempre foi o controle do diabetes tipo 2 e, posteriormente, a perda de peso.

    Saiba Mais: Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Ela explica, porém, que os estudos mostram benefícios importantes em quem tem insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, uma condição em que o coração até contrai normalmente, mas não consegue bombear o sangue de forma eficiente.

    “O impacto nesta condição vem da perda de peso, do aumento da capacidade física e de exercícios e reduçao nos sintomas”.

    Perguntas frequentes sobre Ozempic e o coração

    1. O Ozempic é só para diabetes?

    Não. Ele foi criado para tratar o diabetes tipo 2, depois foi aprovado também para perda de peso (Wegovy) e descobriu-se que a melhora metabólica causada pelo remédio pode trazer benefícios cardiovasculares.

    2. Posso usar Ozempic só para proteger o coração?

    Não, ele não é indicado como tratamento exclusivo para o coração.

    3. O Ozempic ajuda a prevenir infarto?

    Estudos mostram redução no risco de infarto e AVC em pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular.

    4. O Ozempic ajuda na pressão alta?

    Indiretamente, sim. Ao melhorar o peso e o metabolismo, também pode contribuir para o controle da pressão.

    5. O Ozempic emagrece mesmo?

    Sim, um dos efeitos é a redução do apetite e, consequentemente, da ingestão calórica.

    6. A semaglutida tem efeitos colaterais?

    Sim. Náuseas, vômitos e diarreia são os efeitos colaterais mais comuns, principalmente quando se começa a usar o remédio.

    7. Existe diferença entre Ozempic e Wegovy em relação ao coração?

    Os dois têm o mesmo princípio ativo (semaglutida), mas indicações diferentes. Ozempic é indicado para diabetes tipo 2, e Wegovy para perda de peso. A ação cardiovascular está sendo estudada nos dois.

     

  • Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

    Ozempic na gravidez: por que não é seguro usar

    Nos últimos anos, o Ozempic (semaglutida) se tornou o remédio preferido de quem quer perder peso ou controlar o diabetes tipo 2. Quando o assunto é gestação, no entanto, ele deve sair completamente de cena. Se você está grávida ou pensando em engravidar e está usando semaglutida, é bom entender por que esse medicamento não é recomendado nessa fase da vida.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Ana Paula Beck, que explicou de forma clara os riscos do uso de Ozempic na gravidez. E acredite: é assunto sério.

    O que é Ozempic e por que ele preocupa durante a gravidez

    Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um remédio da classe dos agonistas do GLP-1, indicado inicialmente para tratar diabetes tipo 2. Ele ajuda a controlar a glicemia (açúcar no sangue) e também leva à perda de peso. Mas, como todo remédio, ele não serve para todo mundo, principalmente no caso de gestantes.

    “O uso de Ozempic não é recomendado durante a gravidez porque não há dados suficientes em humanos para garantir sua segurança, e estudos em animais demonstraram risco de mortalidade do embrião ou feto, anomalias estruturais e restrição de crescimento fetal”, alerta a Ana Paula Beck.

    Ou seja, mesmo que ainda não haja evidências claras em humanos, os testes feitos em animais já trouxeram vários alertas, e não vale a pena arriscar.

    Quais os riscos da semaglutida para o bebê?

    Entre os problemas observados nos estudos pré-clínicos (ou seja, em animais), estão:

    • crescimento fetal reduzido;
    • malformações em órgãos internos, como o coração;
    • alterações nos ossos da cabeça, coluna e costelas;
    • maior chance de abortos espontâneos.

    “Esses efeitos foram observados em ratos, coelhos e macacos, frequentemente em doses próximas ou inferiores àquelas utilizadas clinicamente em humanos”, explica a ginecologista.

    Ou seja, Ozempic ou Wegovy, remédio com o mesmo princípio ativo, não devem ser usados na gravidez.

    E se a mulher engravidar tomando Ozempic?

    Se você engravidou e estava usando Ozempic, não precisa entrar em pânico, mas é preciso agir rápido. De acordo com a ginecologista e obstetra, é recomendável suspender imediatamente o remédio.

    “A paciente deve ser orientada sobre a ausência de dados conclusivos em humanos, mas também sobre os riscos potenciais observados em modelos animais”.

    Além disso, o acompanhamento da gestação precisa ser ainda mais cuidadoso, com controle rigoroso do açúcar no sangue. Isso porque a hiperglicemia (quando a glicose sobe demais) também pode causar malformações no bebê.

    Quanto tempo antes de engravidar é preciso parar de usar o Ozempic?

    A semaglutida tem uma “meia-vida” longa, ou seja, ela fica bastante tempo no corpo mesmo após parar o uso. Por isso, a orientação da especialista é clara: “deve-se interromper o uso pelo menos 2 meses antes de uma gestação planejada, para garantir a eliminação adequada do fármaco antes da concepção”.

    Existem alternativas seguras para grávidas com diabetes ou obesidade?

    Sim! Há tratamentos seguros e eficientes para mulheres que têm diabetes tipo 2 ou obesidade e estão grávidas (ou pretendem engravidar).

    Para diabetes, a opção mais segura continua sendo a insulina, que, segundo Ana Paula Beck, não atravessa a placenta e tem perfil de segurança bem estabelecido. Em alguns casos, a metformina também pode ser considerada, mas a insulina é a primeira escolha.

    Já para perda de peso, o ideal é conversar com o médico, já que emagrecer não deve ser o foco durante a gravidez.

    Ozempic interfere na fertilidade feminina?

    Essa é uma dúvida comum, e a resposta, segundo a especialista, é tranquilizadora.

    “Estudos em animais não demonstraram impacto significativo da semaglutida sobre a fertilidade, embora tenham sido observadas reduções no ganho de peso e consumo alimentar maternos. Não há evidências em humanos de que a semaglutida afete negativamente ou positivamente a fertilidade feminina”, diz a médica.

    E durante a amamentação: pode tomar?

    Aqui também é melhor evitar. “Não há dados sobre a excreção da semaglutida no leite materno humano, nem sobre seus efeitos em lactentes. Portanto, não se recomenda o uso de análogos do hormônio GLP-1 (Ozempic, Wegovy, etc) durante a amamentação”, alerta a ginecologista.

    Na gravidez e no pós-parto, portanto, segurança vem sempre em primeiro lugar.

    Perguntas frequentes sobre Ozempic na gravidez

    1. Grávida pode usar Ozempic para controlar o peso?

    Não. O uso de Ozempic (semaglutida) é contraindicado na gravidez por falta de estudos em humanos e riscos observados em animais.

    2. Posso continuar com Ozempic se descobrir que estou grávida?

    Não. É necessário suspender o uso imediatamente e conversar com o médico para um acompanhamento cuidadoso.

    3. Quanto tempo antes de engravidar preciso parar o Ozempic?

    Pelo menos 2 meses antes da tentativa de gravidez, segundo orientação médica.

    4. Se usei Ozempic sem saber que estava grávida, meu bebê corre riscos?

    Ainda não há dados suficientes em humanos, mas é importante intensificar o acompanhamento médico e discutir os riscos com o obstetra.

    5. Ozempic pode causar má formação no bebê?

    Estudos em animais mostraram anomalias estruturais. Em humanos, não há confirmação, mas o risco não pode ser descartado.

    6. Existe algum remédio seguro para diabetes durante a gravidez?

    Sim, a insulina é a principal alternativa, pois não atravessa a placenta. Outros remédios podem ser indicados pelo médico, caso a caso.

    7. Posso usar Ozempic enquanto amamento?

    Não é recomendado, já que não há dados sobre a passagem da substância pelo leite materno.

    8. Ozempic atrapalha a fertilidade?

    Não há evidências de que interfira na fertilidade feminina.