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  • Canetas emagrecedoras: cuidados e efeitos colaterais que você precisa conhecer 

    Canetas emagrecedoras: cuidados e efeitos colaterais que você precisa conhecer 

    Nos últimos anos, medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras ganharam enorme destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Fármacos dessa classe, como os análogos do GLP-1, demonstraram grande eficácia na perda de peso e no controle da glicose no sangue, o que ampliou o interesse tanto de médicos e pacientes.

    Apesar dos benefícios, esses medicamentos não são uma solução mágica para emagrecer. Eles agem em mecanismos específicos do organismo e podem causar efeitos colaterais em algumas pessoas. Por isso, especialistas reforçam que o uso deve ser sempre acompanhado por profissionais de saúde e combinado com mudanças no estilo de vida.

    Assista: quais cuidados devem ser tomados com as canetas emagrecedoras

    Veja neste vídeo uma explicação direta sobre os cuidados necessários ao utilizar medicamentos dessa classe.

    O que são as chamadas “canetas emagrecedoras”

    As chamadas canetas emagrecedoras são um nome popular para medicamentos injetáveis usados originalmente no tratamento do diabetes tipo 2, mas que também demonstraram grande eficácia na perda de peso.

    Elas pertencem a uma classe de medicamentos chamada análogos do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), um hormônio que participa da regulação do apetite e do metabolismo da glicose.

    Entre seus principais efeitos estão:

    • Redução do apetite;
    • Aumento da sensação de saciedade;
    • Melhor controle da glicose no sangue;
    • Retardo do esvaziamento do estômago;
    • Auxílio na perda de peso.

    Além disso, estudos clínicos mostraram que alguns medicamentos dessa classe também podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares em pessoas com diabetes e obesidade.

    Como esses medicamentos ajudam na perda de peso

    Um dos principais mecanismos dos análogos de GLP-1 é retardar o esvaziamento do estômago, fazendo com que a digestão seja mais lenta e a sensação de saciedade dure mais tempo.

    Isso leva a:

    • Menor ingestão de alimentos;
    • Redução da fome entre as refeições;
    • Maior facilidade para seguir uma dieta equilibrada.

    Esse conjunto de efeitos explica por que muitas pessoas conseguem perder peso com o tratamento.

    Quem deve ter cuidado ao usar esses medicamentos

    Nem todas as pessoas podem utilizar medicamentos dessa classe. Existem contraindicações e situações que exigem avaliação médica cuidadosa.

    Por esse motivo, especialistas reforçam que o uso dessas medicações nunca deve ser feito por conta própria.

    Veja também: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes sobre canetas emagrecedoras

    As canetas emagrecedoras funcionam mesmo?

    Sim. Diversos estudos clínicos demonstraram que medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 podem promover perda de peso significativa quando associados a mudanças no estilo de vida.

    Esses medicamentos servem apenas para emagrecer?

    Não. Eles foram inicialmente desenvolvidos para tratar o diabetes tipo 2, ajudando a controlar os níveis de glicose no sangue.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Os mais frequentes são náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio e desconforto digestivo, especialmente no início do tratamento.

    É possível perder o apetite completamente?

    Em alguns casos, a redução do apetite pode ser muito intensa. Por isso, é importante ter orientação médica e nutricional para manter uma alimentação adequada.

    O peso pode voltar depois de parar o medicamento?

    Sim. Se não houver mudanças sustentáveis na alimentação e no estilo de vida, existe risco de recuperação do peso.

    Posso usar canetas emagrecedoras por conta própria?

    Não. Esses medicamentos precisam de prescrição e acompanhamento médico para garantir segurança.

    Atividade física é necessária durante o tratamento?

    Sim. A prática regular de exercícios ajuda a potencializar a perda de peso e contribui para manter os resultados a longo prazo.

    Veja mais: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 650 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com a obesidade, uma doença crônica e inflamatória caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal — capaz de comprometer a saúde e a qualidade de vida.

    Por ser uma condição multifatorial, a obesidade é influenciada por diversos fatores que interagem entre si. Para entender como ela se desenvolve, conversamos com a endocrinologista Denise Orlandi. Confira!

    Como o IMC classifica a obesidade?

    O Índice de Massa Corporal (IMC) classifica a obesidade em adultos a partir do cálculo do peso dividido pela altura ao quadrado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida por um IMC igual ou maior que 30 kg/m², sendo subdividida em graus conforme a gravidade:

    • Sobrepeso: entre 25 e 29,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau I: entre 30 e 34,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau II (moderada): entre 35 e 39,9 kg/m²;
    • Obesidade Grau III (grave ou mórbida): igual ou maior que 40 kg/m².

    Apesar de ser um método simples e bastante usado, o IMC não avalia a distribuição da gordura corporal nem diferencia a massa muscular de gordura. Uma avaliação clínica completa costuma incluir outras medidas, histórico de saúde e análise individual.

    Quais os fatores de risco da obesidade?

    Na maioria das vezes, diversos fatores de risco se combinam e influenciam o acúmulo de gordura corporal ao longo do tempo, sendo eles:

    1. Genética

    A herança familiar pode influenciar o metabolismo, o controle da fome, a sensação de saciedade e a forma como o corpo armazena a gordura. Quando existe um histórico familiar de obesidade, a probabilidade de desenvolver a condição pode ser maior.

    Ainda assim, mesmo com a influência genética, os hábitos de vida continuam tendo impacto importante na saúde.

    2. Ambiente

    O ambiente em que a pessoa vive favorece o ganho de peso em muitas situações, principalmente devido ao estilo de vida moderno. Segundo Denise, é o fator mais impactante hoje para o desenvolvimento de obesidade.

    • O consumo frequente de alimentos ultraprocessados ricos em gorduras, açúcares e calorias;
    • A rotina sedentária com pouca atividade física;
    • O tempo prolongado diante de telas, como celular, computador ou televisão;
    • A falta de tempo ou estrutura para preparar refeições equilibradas.

    As pequenas escolhas do dia a dia podem influenciar o peso ao longo do tempo, muitas vezes sem a pessoa perceber. A praticidade dos alimentos prontos, a correria da rotina e a diminuição da atividade física acabam favorecendo o consumo maior de calorias e um gasto menor de energia pelo corpo.

    3. Fatores emocionais

    As emoções, preocupações e situações difíceis no dia a dia podem mudar o apetite, a relação com a comida e até a forma como o corpo responde ao estresse. Muitas vezes, a alimentação deixa de atender apenas à fome física e passa a ter um papel emocional.

    Entre os principais fatores envolvidos, é possível destacar:

    • Ansiedade: que pode aumentar a vontade de comer mesmo sem fome, principalmente alimentos mais calóricos e açucarados;
    • Depressão: que pode alterar o apetite, a disposição e a motivação para cuidar da alimentação e da saúde;
    • Estresse crônico: que favorece o chamado comer emocional, situação em que a comida funciona como alívio ou conforto;
    • Busca por conforto na comida: comum em momentos difíceis, tristeza, frustração ou cansaço emocional.

    O acompanhamento com um profissional ajuda a entender melhor as emoções, a relação com a comida e a forma como cada pessoa enxerga o próprio corpo, tornando o processo de cuidado com a saúde mais consciente.

    4. Sono de má qualidade

    Além de manter o organismo em equilíbrio, o sono também pode impactar no controle do peso corporal. A privação ou a má qualidade do descanso interferem nos hormônios que regulam a fome, o metabolismo e os níveis de energia. O desequilíbrio ocorre, principalmente, devido aos seguintes fatores:

    • Privação de horas de descanso, quando a pessoa dorme menos do que o necessário de forma frequente;
    • Má qualidade do sono, com despertares noturnos ou sono leve e pouco reparador;
    • Alteração da grelina, hormônio que estimula a fome e pode aumentar quando o sono é insuficiente;
    • Redução da leptina, hormônio responsável pela sensação de saciedade.

    No geral, priorizar o descanso é uma parte importante do cuidado com a saúde e do equilíbrio do peso corporal. Se você é uma pessoa com dificuldade frequente para dormir ou apresenta sinais de insônia, vale procurar um profissional da saúde para iniciar o tratamento adequado.

    5. Fatores sociais e econômicos

    Os fatores sociais e econômicos interferem diretamente nos hábitos alimentares, na rotina e na qualidade de vida. A forma como cada pessoa vive, trabalha, se desloca e se alimenta pode influenciar bastante o peso corporal e a saúde ao longo do tempo.

    • Acesso limitado a alimentos frescos e nutritivos, situação que pode ocorrer quando frutas, verduras e alimentos naturais têm custo elevado ou pouca disponibilidade na região;
    • Ausência de espaços seguros para caminhar ou praticar exercícios, o que dificulta a prática regular de atividade física no dia a dia;
    • Rotina marcada por estresse constante ou excesso de trabalho, que reduz o tempo e a energia para cozinhar, se exercitar ou cuidar melhor da saúde;
    • Dificuldades financeiras, que muitas vezes levam à escolha de alimentos mais baratos, normalmente ultraprocessados e menos nutritivos.

    A realidade social pode facilitar ou dificultar a adoção de hábitos mais saudáveis, e nem sempre isso depende só da vontade da pessoa.

    Por isso, cuidar da saúde também significa olhar com compreensão para a rotina, as dificuldades e o contexto em que cada pessoa vive.

    Fases da vida em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso

    Ao longo da vida, Denise explica que existem momentos em que o corpo fica mais suscetível ao ganho de peso, principalmente por causa de mudanças hormonais, emocionais e de estilo de vida. São eles:

    • Infância e adolescência: são fases em que os hábitos alimentares e o estilo de vida começam a se formar. Uma alimentação pouco equilibrada nesse período pode facilitar o aumento da gordura corporal e tornar o controle do peso mais difícil na vida adulta;
    • Gravidez: o ganho de peso faz parte de uma gestação saudável e é esperado. Porém, quando acontece acima do recomendado, pode ser mais difícil perder o peso depois do parto, aumentando o risco de obesidade para a mãe;
    • Menopausa: nessa fase ocorrem mudanças hormonais importantes, como a queda do estrogênio. Isso, junto com a perda natural de massa muscular com a idade, pode deixar o metabolismo mais lento e favorecer o acúmulo de gordura, principalmente na região da barriga.

    Quando o ganho de peso precisa de intervenção médica?

    De acordo com Denise, o ganho de peso passa a ser uma preocupação para a saúde quando começa a afetar o bem-estar e aumenta o risco de outras doenças.

    Além do IMC, a circunferência abdominal também é necessária para avaliar a quantidade de gordura na região da barriga, conhecida como gordura visceral, que está relacionada ao risco de problemas cardiovasculares e metabólicos.

    • Níveis de alerta para aumento do risco cardiovascular e diabetes: circunferência abdominal a partir de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres;
    • Risco muito elevado (obesidade abdominal): circunferência acima de 102 cm em homens e 88 cm em mulheres.

    A presença de doenças associadas, como pré-diabetes, hipertensão, colesterol alto ou dores articulares, também são sinais claros de que uma intervenção médica é necessária.

    “O ideal é não esperar ‘passar do ponto’. Uma pessoa que sempre teve um peso estável e percebe um ganho de peso progressivo e não intencional — por exemplo, ganhar mais de 5% do seu peso em um período de 6 meses — já deve procurar orientação”, complementa Denise.

    Quais os benefícios de uma intervenção mais cedo?

    Ao intervir mais cedo, fica muito mais fácil ajustar pequenos hábitos agora do que tratar a obesidade e suas complicações mais adiante. Entre os principais benefícios, Denise aponta:

    • Prevenção de doenças: ajuda a reduzir o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer;
    • Mais facilidade no tratamento: pequenas mudanças de hábitos tendem a ser mais simples de manter ao longo do tempo;
    • Melhora da qualidade de vida: contribui para mais disposição, melhor mobilidade e bem-estar emocional;
    • Evita a adaptação do corpo ao peso mais alto: com o tempo, o organismo pode se adaptar ao peso elevado, tornando o emagrecimento mais difícil. A intervenção precoce pode evitar esse processo.

    Como é feito o tratamento de obesidade?

    O tratamento da obesidade costuma ser individualizado, adaptado à realidade, à saúde e às necessidades de cada pessoa. Normalmente, ele envolve mudanças no estilo de vida, acompanhamento profissional e, em alguns casos, medicamentos ou cirurgia:

    • Alimentação equilibrada: ajustes na rotina alimentar, com preferência por alimentos mais naturais e orientação nutricional quando possível;
    • Prática de atividade física: exercícios regulares, adaptados ao condicionamento físico e à rotina de cada pessoa;
    • Qualidade do sono: dormir bem ajuda a regular hormônios ligados à fome, energia e metabolismo;
    • Saúde emocional: acompanhamento psicológico pode ajudar na relação com a comida, no controle do estresse e no bem-estar geral;
    • Acompanhamento médico: avaliação periódica para monitorar a saúde e orientar o tratamento;
    • Uso de remédios: podem ser indicados para pessoas com IMC acima de 30 (ou 27 com comorbidades) que não respondem apenas às mudanças de estilo de vida, sempre com prescrição médica.

    De acordo com Denise, a cirurgia bariátrica costuma ser indicada em casos de obesidade mais grave, geralmente quando o IMC está acima de 40 kg/m², ou acima de 35 kg/m² na presença de comorbidades importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono ou outras condições associadas.

    Antes da cirurgia, a pessoa passa por uma avaliação completa com uma equipe de saúde, que pode incluir médico, nutricionista, psicólogo e outros profissionais. Isso é importante para garantir que o procedimento seja seguro e que a pessoa esteja preparada para as mudanças que virão depois da cirurgia.

    Após o procedimento, o acompanhamento contínuo, a adaptação alimentar, a prática de atividade física e o cuidado com a saúde emocional ajudam a manter os resultados e a preservar a saúde ao longo do tempo.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Quais são as principais doenças associadas à obesidade?

    Diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática (gordura no fígado) e problemas articulares.

    2. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    Sim, a obesidade está associada a um risco aumentado de pelo menos 13 tipos de câncer, devido ao estado de inflamação crônica que o excesso de gordura causa no organismo.

    3. O que é o efeito sanfona e por que ele ocorre?

    É a recuperação rápida do peso após uma perda severa. Ocorre frequentemente em dietas muito restritivas, pois o corpo entende a restrição como uma “ameaça” e reduz o metabolismo para poupar energia.

    4. É possível prevenir a obesidade?

    Sim, a partir de medidas como alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e cuidado com a saúde emocional.

    5. Como funciona a cirurgia bariátrica?

    É um procedimento que altera o sistema digestivo para limitar a quantidade de comida ingerida ou a absorção de nutrientes. É indicada para obesidade grau III ou grau II com doenças graves associadas, após falha do tratamento clínico.

    6. O que é comer emocional?

    É o hábito de usar a comida para aliviar sentimentos negativos (estresse, tristeza, tédio). Identificar os gatilhos é importante porque, nesses casos, a fome não é física, mas sim uma tentativa do cérebro de obter conforto imediato através da dopamina.

    7. Por que é tão difícil manter o peso após emagrecer?

    O corpo possui mecanismos de sobrevivência que tentam recuperar o peso perdido, aumentando a fome e reduzindo o gasto de energia. Por isso, o acompanhamento médico a longo prazo é essencial para “reprogramar” esses sinais.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Como a genética influencia o risco de obesidade? Endocrinologista explica

    Como a genética influencia o risco de obesidade? Endocrinologista explica

    A obesidade é uma doença crônica com origem multifatorial, o que significa que ela resulta da interação entre diferentes fatores, inclusive os genéticos. A presença de determinados genes pode influenciar o metabolismo, o controle do apetite, a forma como o corpo armazena gordura e até a resposta emocional aos alimentos.

    Para se ter uma ideia, pesquisas indicam que a herança genética pode explicar entre 40% e 70% da predisposição ao ganho de peso. Na prática, parte da facilidade para engordar ou manter o peso está ligada aos genes herdados — embora os fatores ambientais e comportamentais também façam diferença tanto no risco quanto no controle do peso.

    Por que algumas pessoas engordam com facilidade e outras não?

    A diferença pode acontecer por uma combinação de fatores genéticos e metabólicos. Segundo a endocrinologista Denise Orlandi, pessoas que não ganham peso com facilidade podem apresentar algumas características, como:

    • Metabolismo basal mais acelerado: o organismo tende a gastar mais calorias mesmo em repouso, apenas para manter funções vitais, como respiração, circulação e regulação da temperatura corporal. Isso pode facilitar o equilíbrio do peso ao longo do tempo;
    • Genética mais favorável: algumas variações genéticas ajudam a regular melhor o apetite, a saciedade e o metabolismo energético, além de dificultarem o acúmulo excessivo de gordura em determinadas pessoas;
    • Maior quantidade de massa muscular: o tecido muscular consome mais energia do que o tecido gorduroso, inclusive em repouso. Por isso, quem tem mais massa muscular costuma apresentar um gasto calórico diário mais elevado;
    • NEAT mais elevado (termogênese de atividade não relacionada ao exercício): movimentos espontâneos do dia a dia, como gesticular, mudar de posição, subir escadas ou caminhar pequenas distâncias, também aumentam o gasto energético total sem necessariamente envolver exercícios formais.

    Por outro lado, quem engorda com mais facilidade pode ter uma predisposição genética para um metabolismo mais “econômico”, que tende a armazenar energia com maior eficiência.

    Quais genes aumentam o risco de obesidade?

    Um dos genes mais estudados é o gene FTO, associado ao acúmulo de gordura corporal. Segundo Denise, algumas variações parecem influenciar a sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa sinta fome com mais frequência ou tenha maior preferência por alimentos mais calóricos.

    Na prática, a endocrinologista explica que os genes não funcionam como um botão simples de “liga e desliga”, mas podem influenciar vários processos importantes do organismo, como:

    • Regulação do apetite, pois alguns genes interferem na produção e na ação de hormônios ligados à fome e à saciedade;
    • Sensação de saciedade, que podem reduzir a percepção de que o corpo já recebeu energia suficiente;
    • Metabolismo energético, que influencia a velocidade com que o organismo gasta calorias;
    • Armazenamento de gordura, que podem facilitar ou dificultar a formação e o acúmulo de células de gordura.

    “Muitos genes associados à obesidade atuam no cérebro, modulando a percepção da fome, a resposta de recompensa a alimentos saborosos (o prazer ao comer) e a sensibilidade aos hormônios que nos dizem para parar de comer, como a leptina”, complementa Denise.

    Ter pais com obesidade significa que a pessoa também terá?

    Ter pais com obesidade aumenta o risco, mas não significa que a pessoa necessariamente também terá obesidade. A genética influencia o metabolismo, o apetite e a forma como o corpo armazena gordura, mas a obesidade também envolve fatores como a alimentação, o nível de atividade física, a qualidade do sono e até a forma de lidar com o estresse.

    Quando existe predisposição genética, manter uma rotina saudável desde cedo pode ajudar bastante a reduzir o risco e favorecer a manutenção de um peso adequado ao longo da vida.

    É possível prevenir a obesidade mesmo com predisposição genética?

    É possível prevenir a obesidade mesmo quando existe uma predisposição genética, uma vez que ela não é capaz de determinar sozinha o desenvolvimento da doença. “Embora a predisposição genética possa tornar o controle do peso mais desafiador, as escolhas de estilo de vida são ferramentas poderosas para superar essa tendência”, explica Denise.

    Entre algumas das medidas para prevenir a obesidade, é possível destacar:

    • Manter uma alimentação equilibrada: priorizar alimentos naturais e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras. Reduzir o consumo frequente de ultraprocessados, bebidas açucaradas e alimentos muito ricos em gordura e açúcar contribui para o controle do peso e da saúde metabólica;
    • Praticar atividade física regularmente: a combinação de exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida ou bicicleta, com treino de força ajuda no gasto calórico, na manutenção da massa muscular e na melhora do metabolismo ao longo do tempo;
    • Cuidar da qualidade do sono: dormir poucas horas ou ter um sono irregular pode alterar hormônios ligados à fome e à saciedade, favorecendo o aumento do apetite e a preferência por alimentos mais calóricos;
    • Gerenciar o estresse e a saúde emocional: situações de estresse prolongado podem estimular a fome emocional e alterar o funcionamento hormonal, o que influencia diretamente o peso corporal;
    • Evitar longos períodos de sedentarismo: pequenas movimentações ao longo do dia, como levantar mais vezes, caminhar curtas distâncias ou usar escadas, também ajudam no gasto energético diário.

    O acompanhamento com profissionais de saúde, como nutricionista, endocrinologista e educador físico, também pode ajudar na construção de hábitos mais saudáveis e sustentáveis.

    Com a orientação adequada, fica mais fácil identificar as dificuldades individuais, ajustar a alimentação, organizar uma rotina de atividade física segura e acompanhar possíveis alterações metabólicas.

    Leia também: Circunferência abdominal: por que é tão importante medir?

    Perguntas frequentes

    1. O que é obesidade monogênica?

    É uma forma grave e rara (cerca de 1% a 5% dos casos) de obesidade causada pela mutação em um único gene, geralmente na via da leptina-melanocortina. Nesses casos, a pessoa sente uma fome voraz (hiperfagia) desde os primeiros meses de vida.

    2. Como a genética influencia o apetite?

    Muitos genes ligados à obesidade não atuam no estômago, mas no cérebro (hipotálamo). Eles determinam a sensibilidade aos sinais de fome e saciedade, regulando o quanto você precisa comer para se sentir satisfeito.

    3. Existe um exame genético que avalia o risco de obesidade?

    Alguns testes genéticos conseguem identificar variantes associadas ao risco aumentado de obesidade, principalmente em casos específicos ou raros. Porém, na prática clínica, os exames ainda têm uso limitado, porque o ganho de peso costuma depender de muitos fatores além dos genes.

    4. A genética pode influenciar a forma como o corpo distribui gordura?

    Sim, certas características hereditárias determinam se a gordura tende a se concentrar mais na região abdominal, nos quadris ou em outras áreas. A gordura abdominal, por exemplo, costuma ter maior associação com riscos metabólicos.

    5. Crianças com predisposição genética devem ter cuidados diferentes?

    O ideal é incentivar hábitos saudáveis desde cedo, como alimentação equilibrada, rotina ativa e bom padrão de sono. Isso não envolve uma restrição extrema, mas criar um ambiente favorável ao desenvolvimento saudável.

    6. Medicamentos podem ser indicados quando há predisposição genética?

    Em alguns casos, sim. Quando existe dificuldade importante para controlar o peso apenas com mudanças no estilo de vida, o médico pode avaliar a indicação de tratamento medicamentoso.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Dormir pouco engorda? Entenda a relação entre sono, fome e metabolismo

    Depois de uma noite mal dormida, a vontade de comer doces e carboidratos costuma parecer incontrolável. Se você já passou pela experiência, já deve saber que é uma resposta natural do corpo ao cansaço.

    Quando o organismo é privado de sono, ocorre uma alteração drástica na comunicação entre o cérebro e o sistema metabólico, elevando os níveis de grelina, o hormônio que sinaliza a fome, e reduzindo drasticamente a leptina, responsável pela sensação de saciedade.

    Como resultado, a sensação de fome se intensifica ao longo do dia e o controle do apetite fica ainda mais difícil. Com o tempo, isso pode contribuir para o ganho de peso e a dificuldade em manter uma alimentação mais equilibrada. Sim, dormir pouco engorda.

    O que acontece com o corpo quando dormimos pouco?

    Quando dormimos pouco, o corpo entra em um estado de alerta constante, como se estivesse sempre tentando compensar o cansaço acumulado.

    Durante o sono, o organismo é responsável por regular os hormônios, reparar os tecidos, organizar o metabolismo e equilibrar funções importantes do cérebro — de modo que a privação pode interferir diretamente em todo o processo.

    Como consequência, ocorre um aumento do estresse no organismo, maior produção de cortisol, dificuldade de concentração, queda da energia ao longo do dia e alterações no funcionamento do metabolismo, fazendo com que o corpo passe a gastar menos energia e a buscar fontes rápidas de combustível, como alimentos mais calóricos.

    Como a falta de sono altera os hormônios da fome?

    A falta de sono interfere diretamente no equilíbrio dos hormônios que regulam a fome e a saciedade.

    Quando você dorme menos do que o necessário, o organismo passa a produzir mais grelina, hormônio responsável por estimular o apetite, e reduz a liberação de leptina, que é o hormônio que sinaliza ao cérebro que o corpo já está satisfeito.

    O resultado é que você sente mais fome do que o normal, mesmo após comer uma refeição completa, pois o cérebro demora a receber o sinal de que já está satisfeito.

    O aumento do cortisol, comum em quem dorme mal, também aumenta a vontade de comer, especialmente alimentos mais calóricos, como fast-food, refrigerantes, doces e salgadinhos. Isso cria um ciclo em que o cansaço favorece o excesso de fome e dificulta o controle da alimentação ao longo do dia.

    Por que o desejo por doces e carboidratos aumenta?

    Você pode até se perguntar por que, quando dorme mal, a fome costuma bater com mais força por alimentos calóricos. A explicação é simples: o cérebro passa a buscar fontes rápidas de energia para compensar o cansaço.

    Quando o descanso não é suficiente, a quantidade de glicose disponível para o funcionamento cerebral diminui, e o corpo passa a mandar sinais de urgência pedindo comida que forneça energia de forma imediata. Nessa hora, doces, pães, massas e outros carboidratos simples acabam parecendo muito mais atraentes.

    Com o passar do tempo, o hábito pode desencadear uma série de problemas no dia a dia e na saúde, como:

    • Aumento do peso corporal e do acúmulo de gordura;
    • Maior risco de obesidade ao longo do tempo;
    • Aumento do risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2;
    • Maior chance de alterações no colesterol e nos triglicerídeos;
    • Dificuldade no controle do apetite e da glicemia;
    • Oscilações de energia, com picos seguidos de cansaço intenso;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares.

    Quantas horas de sono são importantes para controlar a fome?

    A quantidade de horas de sono pode variar de pessoa para pessoa, levando em conta fatores como idade, rotina, nível de atividade física e até o estado de saúde. Mas, de maneira geral, adultos costumam precisar de cerca de 7 a 9 horas de sono por noite para que o corpo consiga funcionar de maneira equilibrada.

    De acordo com estudos, dormir menos de 6 horas por noite com frequência está ligado ao aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) e a um risco maior de obesidade, podendo aumentar essa chance em até 55%, principalmente quando o pouco sono se torna um hábito.

    Sinais de que o sono está prejudicando sua alimentação

    No início, pode ser difícil notar que alguns hábitos alimentares estão sendo influenciados pelo sono, então é importante ficar atento a alguns sinais, como:

    • Fome frequente ao longo do dia, mesmo após refeições completas;
    • Desejo intenso por doces, pães, massas e outros carboidratos;
    • Dificuldade em sentir saciedade, com sensação de que nunca está satisfeito;
    • Beliscos constantes, muitas vezes de forma automática;
    • Preferência por alimentos mais calóricos e ultraprocessados;
    • Cansaço que leva a escolhas alimentares mais rápidas e menos equilibradas;
    • Ganho de peso gradual sem mudanças claras na alimentação.

    Quando ir ao médico?

    Se você tem dificuldade para dormir ou sente uma fome difícil de controlar mais de três vezes por semana, por três meses ou mais, isso pode indicar insônia crônica ou alterações no metabolismo.

    Nessa situação, procurar um médico é importante para entender a causa do problema, avaliar a saúde e receber orientações que ajudem a melhorar o sono e o controle da fome.

    Também é necessário procurar ajuda se você notar:

    • Ganho de peso rápido ou contínuo, mesmo sem grandes mudanças na alimentação;
    • Ronco excessivo e pausas na respiração, o que pode indicar uma apneia obstrutiva do sono;
    • Cansaço constante, mesmo após tentar dormir mais horas;
    • Sonolência intensa durante o dia;
    • Sinais de ansiedade ou depressão.

    Uma dica prática é, antes da consulta, fazer um “diário do sono” por uma semana, anotando o horário em que deita, o horário em que acorda, quantas vezes desperta durante a noite e o que comeu ao longo do dia. Isso ajuda o médico a entender melhor o quadro.

    Hábitos simples para melhorar o sono e reduzir a fome excessiva

    No dia a dia, alguns hábitos podem te ajudar a melhorar a qualidade do sono e, como consequência, reduzir a fome excessiva:

    • Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
    • Evitar o uso de celular, computador e televisão pelo menos uma hora antes de dormir;
    • Reduzir o consumo de café, chás estimulantes e bebidas energéticas no fim do dia;
    • Fazer refeições mais leves à noite, evitando exageros antes de dormir;
    • Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável;
    • Praticar atividade física regularmente, mas não muito próximo do horário de dormir;
    • Criar uma rotina relaxante antes de deitar, como leitura ou banho morno.

    Com pequenas mudanças, o corpo tende a dormir melhor, o que ajuda a regular os hormônios da fome e a melhorar o controle do apetite ao longo do dia.

    Veja mais: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

    Perguntas frequentes

    1. Por que sinto “fome emocional” quando estou cansado?

    O cansaço reduz a atividade no córtex pré-frontal, a área do cérebro que controla impulsos, tornando mais difícil dizer “não” a confortos emocionais como comida.

    2. Posso tomar café para compensar uma noite mal dormida?

    Até certo ponto sim, mas o excesso de cafeína após as 15h bloqueará a adenosina (substância que causa sono), prejudicando também a sua próxima noite.

    3. Existem alimentos que ajudam a dormir melhor?

    Sim. Alimentos ricos em triptofano (como banana, aveia e sementes de abóbora) auxiliam na produção de serotonina e melatonina.

    4. Cochilos à tarde ajudam a reduzir a fome?

    Um cochilo de 20 a 30 minutos pode restaurar o foco e reduzir o estresse, ajudando a controlar o apetite à noite. Mais do que isso pode atrapalhar o sono noturno.

    5. Exercício físico à noite atrapalha o sono?

    Para algumas pessoas, o aumento da temperatura e da adrenalina pode dificultar o relaxamento. O ideal é treinar até 4 horas antes de deitar.

    6. Trabalhar em turnos (noturno) facilita o ganho de peso?

    Sim, devido ao chamado “desalinhamento circadiano”. Pessoas que trabalham à noite frequentemente têm níveis de leptina mais baixos e resistência à insulina mais alta do que quem trabalha em horário comercial.

    7. O que comer quando tive uma noite péssima?

    Você pode apostar em proteínas e fibras, como ovos, iogurte natural, castanhas e outros. Eles promovem saciedade prolongada e evitam as montanhas-russas de açúcar no sangue que o cansaço provoca

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/sindrome-de-guillain-barre
  • Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença 

    Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença 

    A medicina vive uma das maiores transformações no tratamento da obesidade. Novos medicamentos, capazes de modificar a forma como o corpo lida com a fome e o metabolismo, vêm ganhando destaque. Entre eles estão os agonistas hormonais, como a semaglutida (Ozempic/Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro/Zepbound).

    Alguns desses medicamentos, popularmente conhecidos como “canetinhas”, surgiram no tratamento do diabetes tipo 2, mas ganharam versões específicas para o controle da obesidade. Ao agirem sobre os hormônios da saciedade, mostraram resultados impressionantes sobre a redução do peso corporal.

    Como funcionam os remédios para obesidade?

    Os remédios para obesidade imitam substâncias naturalmente produzidas no intestino, principalmente o hormônio GLP-1 e, no caso da tirzepatida, também o GIP. Eles atuam em diferentes frentes:

    • Aumentam a sensação de saciedade
    • Reduzem o apetite
    • Retardam o esvaziamento do estômago

    Na prática, o paciente sente menos fome, come menos e mantém níveis de glicose mais estáveis. Isso acontece porque essas drogas agem diretamente na biologia do apetite, e não apenas no comportamento alimentar.

    Para quem convive com obesidade, o corpo tende a “defender” o peso, dificultando a manutenção dos resultados de dietas tradicionais. Os agonistas hormonais ajudam a contornar essa resistência, reequilibrando os mecanismos cerebrais ligados à fome e ao prazer de comer.

    Quem pode usar remédios para obesidade e quais são os cuidados necessários

    Esses remédios para obesidade são indicados para pessoas com IMC igual ou superior a 30, ou a partir de 27 quando há doenças associadas, como hipertensão, apneia do sono ou diabetes tipo 2. A aplicação é feita por injeção subcutânea, geralmente uma vez por semana, e deve sempre ser acompanhada por um médico.

    No início, o tratamento começa com doses menores, ajustadas gradualmente para reduzir efeitos adversos como náusea, constipação ou desconforto abdominal. Esses sintomas são comuns nas primeiras semanas e tendem a diminuir com o tempo.

    O uso deve ser supervisionado, pois a interrupção costuma levar à recuperação do peso perdido, já que o organismo retoma seus mecanismos naturais de defesa contra o emagrecimento.

    As contraindicações incluem histórico de carcinoma medular de tireoide, gravidez, amamentação e doenças renais ou hepáticas graves. Em mulheres que utilizam anticoncepcional oral, o médico pode recomendar outro método temporariamente, pois alguns desses medicamentos reduzem a absorção do hormônio nas fases iniciais do tratamento.

    Novas gerações: o futuro do tratamento com remédios

    O avanço não para. Laboratórios já testam versões orais de remédios para obesidade e combinações de moléculas com potencial ainda maior. Um exemplo é o orforglipron, um GLP-1 em comprimido que mostrou resultados semelhantes aos das injeções, com perdas de até 14% do peso corporal em 36 semanas.

    Outra promessa é a retatrutida, que combina três hormônios — GLP-1, GIP e glucagon — e já apresentou reduções superiores a 20% do peso corporal em cerca de um ano de uso. A CagriSema, que une cagrilintida e semaglutida, também se destaca por aumentar a saciedade e melhorar o controle da glicose com boa tolerância gastrointestinal.

    Essas inovações indicam que o futuro do tratamento da obesidade passa por abordagens cada vez mais personalizadas, equilibrando eficácia e segurança.

    Lista de remédios para obesidade atuais

    Abaixo está um resumo dos principais medicamentos usados atualmente e dos que ainda estão em estudo:

    • Semaglutida (Wegovy/Ozempic): agonista do GLP-1 que reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico; pode levar à perda de até 15% do peso corporal em 68 semanas
    • Tirzepatida (Zepbound/Mounjaro): age nos hormônios GLP-1 e GIP, ampliando a saciedade e o controle glicêmico; pode reduzir entre 20% e 22% do peso corporal
    • Orlistat (Xenical/Alli): bloqueia cerca de 30% da gordura ingerida, resultando em perda média de 5% a 10% do peso
    • Naltrexona-bupropiona (Contrave): atua no sistema nervoso central, reduzindo o apetite e o desejo por alimentos calóricos
    • Fentermina-topiramato (Qsymia): combinação que pode gerar perda de até 10% do peso corporal
    • Orforglipron (em estudo): GLP-1 oral com reduções médias de 9% a 14% do peso
    • Retatrutida (em estudo): agonista triplo com perdas de até 24% do peso corporal em um ano
    • CagriSema (em estudo): combinação que apresentou redução entre 15% e 17% do peso em 32 semanas

    Apesar da eficácia, o tratamento deve sempre ser associado a mudanças de estilo de vida e acompanhado por um médico.

    Alimentação e atividade física: aliados indispensáveis

    A base do tratamento da obesidade continua sendo o estilo de vida. A redução calórica moderada, associada a uma alimentação equilibrada, melhora significativamente os resultados. O objetivo é perder entre 0,5 e 1 kg por semana, priorizando alimentos naturais, proteínas magras, fibras e gorduras boas.

    A prática de exercícios regulares, como caminhada, ciclismo ou natação por 150 a 300 minutos semanais, potencializa o efeito dos medicamentos e ajuda a preservar a massa muscular. O treino de força, pelo menos duas vezes por semana, é essencial para evitar perda muscular.

    O papel do acompanhamento psicológico e da cirurgia

    O tratamento da obesidade também envolve o aspecto comportamental. O acompanhamento psicológico ajuda a identificar gatilhos emocionais e a lidar com a fome não física, reduzindo recaídas.

    Quando medicamentos e mudanças de estilo de vida não são suficientes, a cirurgia bariátrica permanece indicada para pessoas com IMC acima de 40, ou acima de 35 com doenças associadas. Ainda assim, o avanço dos medicamentos tem reduzido a necessidade de cirurgia em muitos casos.

    Veja também: O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Perguntas e respostas

    1. O que diferencia os novos medicamentos para obesidade dos tratamentos antigos?

    Eles atuam diretamente nos hormônios da saciedade, controlando a fome e retardando o esvaziamento do estômago.

    2. Quem pode usar os remédios para obesidade?

    Pessoas com IMC acima de 30, ou a partir de 27 quando há doenças associadas, sempre com acompanhamento médico.

    3. Quais são os medicamentos mais usados atualmente?

    Semaglutida e tirzepatida são os principais, além de outras opções clássicas e novas moléculas em estudo.

    4. O que acontece se a pessoa parar o tratamento?

    O reganho de peso é comum, pois o corpo retoma os mecanismos naturais de defesa contra o emagrecimento.

    5. Esses medicamentos substituem dieta e exercício?

    Não. Eles funcionam melhor quando associados a alimentação equilibrada e atividade física regular.

    6. A cirurgia bariátrica ainda é necessária?

    Sim, em casos específicos, embora os novos medicamentos tenham reduzido essa necessidade em muitos pacientes.

    Confira: 6 dicas para quem está começando a usar canetas emagrecedoras

  • Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular 

    Circunferência da cintura: quando ela indica obesidade e risco cardiovascular 

    Você já ouviu falar da “medida do abraço”? Esse é um termo usado para aferir a circunferência da cintura, sendo um dos indicadores mais simples e eficazes para verificar a saúde metabólica. O nome mais acessível ajuda a popularizar a técnica de medição da circunferência abdominal, incentivando o uso de uma fita métrica no dia a dia.

    Essa prática ajuda a ter uma ideia aproximada do acúmulo de gordura na região abdominal, especialmente a gordura visceral, que envolve órgãos internos e está diretamente associada a doenças cardiovasculares e metabólicas.

    Por que a circunferência abdominal diz tanto sobre o coração

    A gordura visceral é considerada metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias que podem lesar as paredes dos vasos sanguíneos e reduzir a eficácia da insulina. Com o tempo, esse processo favorece o endurecimento das artérias, sobrecarrega o pâncreas e altera o metabolismo.

    Além disso, essa gordura interfere no funcionamento do fígado e no controle da pressão arterial, aumentando o risco de doenças cardiovasculares mesmo em pessoas que não estão acima do peso.

    Outro ponto importante é a diferença entre a gordura abdominal e aquela localizada em quadris ou coxas. O tecido adiposo da barriga é mais nocivo porque se infiltra entre os órgãos e interfere na regulação hormonal. Por isso, acompanhar a circunferência da cintura ao longo do tempo com a medida do abraço é uma forma prática de monitorar a saúde do coração e os riscos da obesidade.

    Quando a circunferência abdominal acende o alerta

    Na prática médica, os valores de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres são considerados o limite superior seguro. A partir desses números, o risco cardiovascular e metabólico cresce de forma significativa.

    Existe ainda uma forma mais simples de interpretar: manter a cintura menor que metade da altura. Por exemplo, uma pessoa de 1,70 m deve ter circunferência abdominal abaixo de 85 cm. Essa relação cintura/altura é intuitiva e ajuda a visualizar o impacto de pequenos ganhos ou perdas ao longo do tempo.

    Como usar a medida do abraço corretamente em casa

    A precisão da medida depende da técnica. Siga o passo a passo:

    • Fique em pé, com o abdômen relaxado e os pés alinhados à largura dos ombros;
    • Localize o topo do osso do quadril (crista ilíaca) e posicione a fita métrica nessa altura, ao redor da cintura, paralela ao chão — normalmente acima do umbigo;
    • Faça a medição ao final de uma expiração normal, sem apertar a fita contra a pele e preferencialmente de barriga vazia.

    Repita a medida duas vezes e utilize a média dos valores. Esses cuidados garantem maior confiabilidade e evitam variações artificiais.

    O que está por trás da cintura aumentada

    Quando a circunferência abdominal cresce, geralmente há aumento de gordura visceral. Esse tipo de gordura se infiltra em órgãos como fígado e pâncreas, prejudicando o metabolismo da glicose e aumentando a produção de colesterol.

    Como consequência, a pressão arterial tende a subir, os níveis de lipídios se alteram e a inflamação se torna persistente. Mesmo pessoas com IMC dentro da faixa considerada normal podem apresentar essa gordura “oculta”. Por isso, a avaliação clínica deve incluir pressão arterial, glicemia e perfil lipídico.

    O que fazer se sua medida está acima do ideal

    Mudanças sustentáveis no estilo de vida são mais eficazes do que intervenções radicais para reduzir a circunferência abdominal. Priorize alimentos naturais, ricos em fibras e proteínas magras, como frutas, verduras, grãos integrais, peixes e leguminosas. Reduza o consumo de ultraprocessados, bebidas açucaradas e álcool.

    Na atividade física, busque ao menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados e inclua duas sessões de treino de força. A musculação e modalidades como funcional ou calistenia ajudam a preservar massa magra, melhorar a sensibilidade à insulina e acelerar o metabolismo.

    O sono e o controle do estresse também merecem atenção, pois influenciam diretamente o acúmulo de gordura abdominal. Reavaliações periódicas e acompanhamento médico ajudam a consolidar os resultados.

    Lembre-se: a medida do abraço é um indicador simples e poderoso da saúde do coração. Uma fita métrica pode revelar riscos antes mesmo que exames laboratoriais apontem alterações.

    Leia também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas e respostas

    Por que a gordura visceral é tão perigosa?

    Porque ela libera substâncias inflamatórias que alteram o metabolismo, elevam a pressão arterial, aumentam o colesterol e prejudicam a ação da insulina, favorecendo o surgimento de doenças crônicas.

    Qual é o valor ideal da circunferência da cintura?

    Para mulheres, abaixo de 88 cm; para homens, abaixo de 102 cm. Outra regra prática é manter a cintura menor que metade da altura corporal.

    É possível ter medida do abraço elevada mesmo sem estar acima do peso?

    Sim. Pessoas com IMC normal podem acumular gordura visceral sem perceber. Por isso, medir a cintura complementa a avaliação clínica tradicional e ajuda a identificar riscos precoces.

    Como reduzir a circunferência abdominal de forma eficaz?

    Com mudanças consistentes na rotina: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono de qualidade e redução do estresse. O foco deve ser o estilo de vida, não medidas extremas ou restritivas.

    Confira: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

  • Tratamento para emagrecer: quando procurar ajuda médica?

    Tratamento para emagrecer: quando procurar ajuda médica?

    Um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos e diabetes tipo 2, o excesso de peso é uma realidade no cotidiano de 60% da população adulta no Brasil — um número que ultrapassa 96 milhões de pessoas.

    O quadro costuma se instalar de forma lenta, influenciado por sedentarismo, alimentação inadequada, padrões de sono irregulares, estresse contínuo e ambientes que dificultam escolhas saudáveis. Em meio a uma rotina agitada e frequentemente sem tempo para o autocuidado, o problema pode passar despercebido por muito tempo.

    Contudo, quando o peso começa a afetar qualidade de vida, saúde física ou bem-estar emocional, pode ser momento de procurar ajuda médica para emagrecer. É normal ter medo ou receio de ouvir diagnósticos indesejados, mas profissionais de saúde trabalham diariamente com cuidado, acolhimento e estratégias realistas, focadas na qualidade de vida.

    “O papel do médico é oferecer um cuidado seguro, humano e sem julgamentos, construindo junto com o paciente estratégias que realmente funcionem na vida real”, esclarece a médica de família e comunidade Fernanda Tasso Borges Fernandes.

    Quando procurar ajuda médica para emagrecer?

    De acordo com Fernanda, é indicado procurar ajuda de um profissional sempre que o peso interfere na saúde, no bem-estar ou na relação com o próprio corpo. Isso vale para situações como:

    • Ganho de peso contínuo;
    • Dificuldade para reduzir ou manter o peso;
    • Presença de doenças associadas, como hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou diabetes;
    • Sofrimento emocional, queda da autoestima ou impacto na vida social e profissional.

    Também é importante buscar avaliação médica antes de iniciar dietas restritivas, uso de medicamentos por conta própria ou mesmo tendências passageiras das redes sociais. O tratamento da obesidade precisa ser individualizado, seguro e baseado em evidências científicas, respeitando a realidade de cada pessoa.

    A obesidade é uma doença crônica multifatorial, e qualquer médico que tenha formação e capacitação adequada, como médicos de família e comunidade, clínicos gerais ou nutrólogos, pode diagnosticar, acompanhar e tratar pessoas com sobrepeso ou obesidade, segundo Fernanda.

    “Esses médicos podem avaliar o estado metabólico, orientar mudanças de estilo de vida, prescrever medicamentos quando indicados e coordenar o cuidado com outros profissionais da equipe multiprofissional. Mais do que tratar números, o objetivo é cuidar da pessoa como um todo, considerando os aspectos biológicos, emocionais e sociais que influenciam o peso e a saúde”, esclarece.

    O que avaliar antes de indicar o tratamento para emagrecimento?

    Antes de indicar qualquer tratamento para emagrecimento, o médico faz uma avaliação completa para entender como o organismo funciona e quais fatores podem estar dificultando a perda de peso. Segundo Fernanda, isso envolve:

    • Histórico clínico e familiar (doenças associadas, uso de medicamentos, variações de peso);
    • Hábitos de vida, incluindo padrão alimentar, sono, rotina e nível de estresse;
    • Avaliação física detalhada, com medidas corporais, cálculo do IMC e análise da composição corporal;
    • Exames laboratoriais e físicos, para identificar causas secundárias de ganho de peso;
    • Avaliação comportamental e emocional, entendendo a relação do paciente com a comida e com o corpo.

    Com todas as informações, o médico consegue definir quais estratégias são mais adequadas: mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física, medicações ou uma combinação entre elas. O tratamento sempre é individualizado e alinhado à realidade de cada pessoa.

    Como funciona o tratamento para emagrecer?

    O tratamento para emagrecer é feito a partir de uma série de medidas que se complementam e levam em conta saúde física, rotina e limitações individuais. Ele não é focado apenas na perda de peso, mas em melhorar a qualidade de vida, reduzir riscos e criar hábitos que podem ser mantidos ao longo do tempo.

    Entre as principais estratégias utilizadas hoje, Fernanda destaca:

    • Mudança do estilo de vida: envolve alimentação equilibrada e possível de manter, sono de qualidade, manejo do estresse e prática regular de atividade física;
    • Terapias comportamentais: apoio psicológico e educação alimentar para fortalecer a relação com a comida;
    • Tratamento farmacológico: indicado quando há dificuldade em perder ou manter o peso apenas com mudanças de hábitos;
    • Cirurgia bariátrica: indicada em situações específicas, sempre com acompanhamento médico e multiprofissional.

    “Cada plano terapêutico deve equilibrar benefícios, riscos e preferências individuais, com acompanhamento regular para garantir resultados duradouros e preservar a saúde global”, explica a especialista.

    Alimentação e exercício físico podem não ser suficientes para emagrecer?

    A obesidade é uma doença influenciada por diversos fatores, como genética, hormônios, metabolismo, uso de medicamentos, ambiente e saúde emocional. Por isso, apesar de fundamentais, a alimentação equilibrada e o exercício físico nem sempre são suficientes para promover perda de peso consistente.

    Segundo Fernanda, o corpo costuma defender o próprio peso máximo e, quando começa a emagrecer, pode reduzir o gasto energético e aumentar a fome como forma de proteção biológica. Nessas situações, pode ser necessário incluir medicações ou outras estratégias no tratamento.

    “Isso não significa falta de esforço nem escolher o caminho mais fácil, mas sim o reconhecimento de que há componentes fisiológicos que exigem suporte clínico contínuo”, complementa.

    Já perdi peso, preciso continuar indo ao médico?

    Mesmo depois de alcançar uma boa perda de peso, continuar o acompanhamento médico é fundamental para manter os hábitos a longo prazo, ajustar os cuidados conforme o corpo muda e prevenir o reganho de peso.

    “O acompanhamento médico ajuda a monitorar a composição corporal e a orientar ajustes no tratamento em conjunto com o nutricionista e o profissional da educação física”, explica Fernanda.

    Por que tentar emagrecer sem orientação pode ser arriscado?

    Dietas muito restritivas, exercícios acima do limite e uso de medicamentos sem prescrição podem desorganizar o metabolismo, causar queda de massa muscular e provocar alterações importantes em pressão, humor e funcionamento hormonal.

    “O cuidado médico evita esses riscos, assegurando que o emagrecimento ocorra de forma segura, progressiva e sustentável, com atenção à saúde integral”, finaliza Fernanda.

    Leia também: Canetas emagrecedoras: ficar sem comer faz emagrecer mais rápido?

    Perguntas frequentes

    O que realmente faz uma pessoa emagrecer?

    O emagrecimento acontece quando o corpo gasta mais energia do que recebe ao longo do tempo, criando um déficit calórico.

    Dietas muito restritivas funcionam?

    Podem levar a perda rápida, mas costumam ser insustentáveis e provocam efeito rebote.

    Por que algumas pessoas têm mais dificuldade para emagrecer?

    Genética, hormônios, histórico de peso, medicamentos, sono e estresse influenciam diretamente o metabolismo.

    O que é efeito sanfona?

    É o ciclo de emagrecer e recuperar peso repetidamente, geralmente após dietas muito restritivas.

    Por que perder gordura abdominal é mais difícil?

    A gordura abdominal é influenciada por hormônios como o cortisol e fatores genéticos e hormonais.

    O que fazer quando o emagrecimento trava?

    É necessário reavaliar alimentação, exercícios, sono, estresse e fatores metabólicos com ajuda profissional.

    Veja também: Comer muito tarde pode causar diabetes? Saiba os riscos de comer perto da hora de dormir

  • Obesidade: como o médico pode ajudar na prevenção?

    Obesidade: como o médico pode ajudar na prevenção?

    Uma das condições de saúde que mais cresce no Brasil, a obesidade acontece quando há um acúmulo excessivo de gordura no corpo, ligado a fatores como genética, metabolismo, comportamento, alimentação e até o ambiente em que a pessoa vive.

    Ela se desenvolve de forma silenciosa, muitas vezes antes mesmo do ganho de peso se tornar visível — e representa um risco significativo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, pressão alta e outras doenças cardiovasculares.

    “Muitas pessoas só buscam ajuda médica quando o excesso de peso já está instalado ou começa a causar outros problemas de saúde. Mas o momento ideal para agir é antes disso”, aponta Lilian Ramaldes Vera, médica de família e comunidade e homeopata.

    Com o acompanhamento médico adequado, é possível identificar precocemente alterações metabólicas, orientar mudanças de estilo de vida e prevenir a progressão do quadro. Vamos entender mais, a seguir.

    Como o médico pode ajudar desde o primeiro contato?

    O médico é frequentemente o primeiro profissional de saúde a detectar alterações no peso corporal. Desde o primeiro contato, ele já consegue identificar riscos para obesidade ao avaliar hábitos alimentares, atividade física, sono, histórico familiar e exames básicos como IMC e circunferência abdominal. Isso permite orientar mudanças logo na fase inicial, evitando complicações no futuro, de acordo com Lilian.

    Também é nesse primeiro contato que o médico educa o paciente sobre alimentação inadequada, sedentarismo e fatores emocionais associados ao ganho de peso, oferecendo estratégias viáveis para a realidade de cada pessoa. Assim, o especialista atua de forma preventiva, ajudando a interromper o ciclo de progressão da obesidade desde o início.

    Como o médico reconhece os primeiros sinais de risco para obesidade?

    Durante exames de rotina, o médico avalia o peso, o índice de massa corporal (IMC), a relação cintura-quadril e exames como glicemia, hemoglobina glicada e colesterol — identificando sinais que mostram risco aumentado, mesmo quando o paciente ainda não apresenta obesidade estabelecida. Alguns deles incluem:

    • Ganho de peso progressivo ao longo dos últimos meses;
    • Aumento de gordura abdominal;
    • Resistência à insulina detectada por exames laboratoriais;
    • Queixas de fadiga, sono desregulado e compulsão alimentar;
    • Relato de episódios de ansiedade ou depressão;
    • Histórico familiar de obesidade ou doenças metabólicas;
    • Presença de hábitos alimentares prejudiciais, como consumo frequente de ultraprocessados;
    • Uso contínuo de corticosteroides, antidepressivos ou estabilizadores de humor que podem induzir aumento de peso.

    “Além dos números, observa também os hábitos de vida, o sono, o estresse e o histórico familiar. O médico de família, por acompanhar a pessoa ao longo dos anos, consegue perceber pequenas mudanças no corpo e no comportamento que indicam o início de um desequilíbrio metabólico”, explica Lilian.

    A atenção deve ser multidisciplinar

    A obesidade é uma doença multifatorial, o que significa que é provocada por uma combinação de fatores que interagem entre si e afetam o funcionamento do organismo. Por isso, a atenção ao paciente com risco de obesidade (ou já diagnosticado com a condição) deve ser multidisciplinar, envolvendo diferentes áreas da saúde que atuam de forma integrada.

    “O médico sabe quando é hora de envolver outros profissionais, como nutricionista, educador físico e psicólogo, para apoiar o paciente em diferentes dimensões. Essa abordagem multiprofissional aumenta a adesão ao tratamento e melhora os resultados a longo prazo”, esclarece Lilian.

    O nutricionista, por exemplo, ajuda a organizar a alimentação de forma equilibrada e possível de manter, enquanto o psicólogo trabalha a parte emocional, como ansiedade e compulsão alimentar. Já o educador físico orienta atividades adequadas ao ritmo de cada pessoa, ajudando a gastar energia e fortalecer o corpo com segurança.

    Quando o cuidado funciona assim, o paciente entende melhor o que precisa fazer, desenvolve maior autonomia e consegue manter os hábitos saudáveis por mais tempo. A ideia da atenção multidisciplinar não é só fazer a pessoa perder peso, mas evitar que o peso volte e garantir uma vida mais equilibrada no dia a dia.

    Como prevenir a obesidade?

    A prevenção da obesidade envolve uma série de ações e mudanças no estilo de vida, incluindo alimentação saudável, atividade física, saúde mental, sono adequado, equilíbrio metabólico e, quando necessário, uso de medicamentos ou encaminhamento para outros especialistas.

    Alimentação equilibrada

    A alimentação é o fator mais importante na prevenção da obesidade, porque ela determina a quantidade de energia (calorias) e a qualidade dos nutrientes que o corpo recebe. Em quadros de obesidade, existe um consumo de calorias maior do que o corpo gasta, de modo que uma dieta saudável contribui para controlar a ingestão calórica total e manter o peso corporal dentro de uma faixa saudável.

    A recomendação é dar prioridade a alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Eles ajudam a controlar a glicemia, equilibrar hormônios e evitar a resistência à insulina, o que contribui diretamente para a redução do ganho de peso.

    Também é necessário evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, como fast food, salgadinhos e refrigerante, que normalmente são densos em calorias, pobres em nutrientes essenciais e ricos em açúcares, gorduras não saudáveis e sódio.

    Atividade física

    A prática regular de atividade física é a principal forma de aumentar o gasto calórico diário, criando ou mantendo o déficit calórico necessário para prevenir o ganho de peso. Logo, quanto mais ativa a pessoa for, mais calorias ela queima, o que equilibra a energia obtida através da alimentação.

    A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada, ou 75 a 150 minutos de atividade física intensa para adultos. Ela também orienta incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, envolvendo os principais grupos musculares.

    Vale lembrar que o acompanhamento médico garante que a atividade seja feita com segurança, respeitando os limites do corpo e prevenindo lesões, o que aumenta (e muito!) as chances do paciente manter a regularidade e transformar o movimento em hábito de vida.

    Cuidado com a saúde mental e emocional

    O ganho de peso e os hábitos alimentares, em muitos casos, estão diretamente ligados ao estado emocional. Muitas pessoas recorrem à comida como uma forma de lidar com sentimentos como estresse, tristeza, ansiedade ou tédio, por exemplo, o que pode interferir no equilíbrio metabólico, favorecer o acúmulo de gordura corporal e dificultar o controle do peso.

    Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental ajuda a desenvolver uma alimentação mais consciente, permitindo que a pessoa reconheça os sinais reais de fome e saciedade do corpo — em vez de comer por impulso ou por hábito automático. Quando as emoções estão equilibradas, fica mais fácil fazer escolhas saudáveis no dia a dia.

    Acompanhamento médico

    Com o acompanhamento médico constante, é possível acompanhar a evolução na perda de peso, ajustar estratégias conforme a resposta do organismo e descobrir condições preexistentes, como diabetes e disfunções hormonais — que podem dificultar o controle do peso.

    Em situações específicas, o médico pode indicar o uso de medicamentos, especialmente quando a pessoa apresenta risco metabólico elevado ou dificuldade em controlar o peso apenas com mudanças comportamentais.

    “A prevenção da obesidade não é apenas ‘fechar a boca’. Cuidar do peso é cuidar da energia, da disposição e da qualidade de vida. Quando o paciente compreende o próprio corpo e encontra equilíbrio entre alimentação, sono, movimento e bem-estar emocional, o peso se torna consequência natural de uma vida mais saudável”, diz Lilian.

    Acompanhamento de obesidade a longo prazo

    De acordo com Lilian, o papel do médico no acompanhamento a longo prazo é principalmente para prevenir o efeito sanfona. Basicamente, ele acontece quando a pessoa emagrece de forma rápida ou sem acompanhamento adequado e, depois, volta aos antigos hábitos, ganhando peso novamente — às vezes até mais do que tinha antes.

    “O médico acompanha o paciente durante toda a jornada, ajustando o plano de cuidado conforme as mudanças de vida. Esse acompanhamento contínuo é o que garante resultados duradouros e mais saúde no futuro”, finaliza a especialista.

    Leia mais: Comer na frente de telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Perguntas frequentes

    Dietas restritivas ajudam a evitar a obesidade?

    As dietas restritivas podem levar a um emagrecimento rápido, mas normalmente não são sustentáveis, pois a falta de nutrientes e o sentimento de privação aumentam a compulsão alimentar, favorecem o efeito sanfona e prejudicam a saúde mental. O ideal é adotar mudanças graduais e permanentes, com reeducação alimentar e acompanhamento médico e nutricional.

    Crianças também podem ter obesidade?

    Sim, e isso tem se tornado cada vez mais comum. Segundo um levantamento nacional com base nos dados do SUS, uma em cada três crianças e adolescentes de 10 a 19 anos está com excesso de peso no Brasil. O cenário é preocupante porque o ganho de peso precoce aumenta o risco de desenvolver doenças como diabetes, problemas cardíacos e AVC ao longo da vida.

    O que é obesidade visceral e por que ela é perigosa?

    A obesidade visceral ocorre quando há acúmulo de gordura em volta dos órgãos internos, como fígado e intestino. Ela é mais perigosa que a gordura subcutânea (que se pode sentir sob a pele), pois gera inflamação sistêmica e está diretamente ligada ao risco de infarto, diabetes, AVC e síndrome metabólica. Mesmo pessoas com peso aparentemente normal podem ter gordura visceral elevada, o que exige avaliação médica.

    Obesidade tem cura?

    A obesidade é uma condição crônica, o que significa que ela não tem cura definitiva, mas pode ser controlada a partir de um acompanhamento adequado. O tratamento permite a perda de peso, a estabilização do metabolismo e a redução dos riscos para a saúde. O acompanhamento contínuo é fundamental para evitar recaídas.

    Quem está acima do peso precisa cortar carboidratos?

    Não é necessário cortar completamente os carboidratos da rotina, mas sim escolher os tipos certos e consumir nas quantidades adequadas. Os carboidratos refinados favorecem o acúmulo de gordura, enquanto os complexos fornecem energia, regulam o intestino e aumentam a saciedade.

    O que é obesidade mórbida?

    A obesidade mórbida é o estágio mais grave da obesidade, caracterizada por IMC igual ou superior a 40, ou acima de 35 quando já existem doenças associadas. Ela compromete o funcionamento de diversos órgãos e, em muitos casos, exige acompanhamento médico rigoroso e até cirurgia bariátrica.

    Confira: Obesidade: por que é considerada uma doença crônica?

  • O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Considerada um dos principais e crescentes problemas de saúde pública no Brasil, a obesidade é uma doença crônica caracterizada por um acúmulo de gordura no corpo que excede os níveis considerados normais e saudáveis, responsável por desencadear uma série de reações biológicas dentro do organismo.

    Uma delas é a inflamação crônica de baixo grau, que está associada ao desenvolvimento de outras doenças graves, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Em quadros de obesidade, o consumo constante de mais calorias do que o corpo gasta faz com que as células de gordura (adipócitos) aumentem drasticamente de tamanho. Quando estão sobrecarregadas, elas sofrem estresse e passam a liberar substâncias químicas na corrente sanguínea, conhecidas como citocinas pró-inflamatórias.

    As substâncias sinalizam ao sistema imunológico que existe um problema, de modo que ele interpreta a alteração como uma ameaça e envia células imunológicas para o tecido adiposo, criando um ambiente de constante ativação.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, a interação entre células de gordura sobrecarregadas e células de defesa gera uma liberação contínua de mediadores inflamatórios, que entram na corrente sanguínea e mantêm o organismo em estado de inflamação de baixo grau.

    A inflamação se torna crônica porque o estímulo não desaparece: a gordura segue produzindo sinais de estresse, o sistema imunológico continua reagindo e o corpo inteiro passa a conviver com um processo inflamatório silencioso que, ao longo do tempo, contribui para várias doenças metabólicas e cardiovasculares.

    Como a inflamação aumenta o risco de doenças?

    A inflamação associada à obesidade cria um ambiente interno de alerta contínuo, que desgasta os órgãos e altera o funcionamento normal do corpo. A circulação constante de substâncias inflamatórias interfere em vários sistemas ao mesmo tempo, abrindo caminho para problemas metabólicos e cardiovasculares. Isso acontece por vários mecanismos, como:

    • A inflamação altera as paredes das artérias (endotélio), deixando o vaso sanguíneo mais vulnerável;
    • A facilidade para a entrada de colesterol ruim aumenta, favorecendo o acúmulo de placas de gordura;
    • Formação de placas instáveis torna o vaso mais propenso a ruptura, o que pode causar infarto ou AVC;
    • Liberação de substâncias como interleucina 6 e TNF-alfa prejudica a ação da insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2;
    • Proteína C reativa, estimulada pela inflamação, eleva a chance de formação de coágulos.

    A combinação de paredes vasculares fragilizadas, colesterol elevado, resistência à insulina e maior tendência a coágulos cria um cenário que favorece doenças cardíacas, AVC, diabetes tipo 2 e outras complicações crônicas.

    Mesmo pessoas com poucos quilos a mais podem estar com inflamação?

    De acordo com Juliana, o ponto central não é somente a quantidade de peso, mas o local onde a gordura se concentra. A gordura localizada entre os órgãos, chamada gordura visceral, é metabolicamente ativa, libera substâncias inflamatórias de forma constante e aumenta o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares. Mesmo um leve acúmulo nessa região já pode estimular um estado de inflamação de baixo grau.

    Portanto, o risco não depende apenas do número de quilos acumulados, mas da distribuição corporal e do impacto da gordura na função dos órgãos internos.

    Como é feita a detecção da inflamação?

    A forma mais usada para medir a inflamação de baixo grau é o exame de proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), de acordo com Juliana. A PCR-us consegue identificar pequenas elevações na inflamação, algo muito comum em quadros de obesidade, especialmente quando há acúmulo de gordura visceral.

    A avaliação clínica também ajuda, já que o profissional de saúde considera o histórico de saúde, hábitos, medidas corporais e presença de doenças associadas.

    Vale apontar que a simples elevação de um marcador não confirma, isoladamente, uma inflamação relevante, mas o padrão de substâncias alteradas, aliado ao excesso de gordura corporal, dá fortes indicações de que o organismo está em estado de alerta contínuo.

    Como diminuir a inflamação da obesidade?

    A perda de peso é uma das principais medidas para reduzir a inflamação relacionada à obesidade, porque diminui a sobrecarga das células de gordura, reduz a liberação de substâncias inflamatórias e melhora o funcionamento de vários sistemas do organismo.

    A redução de apenas 5 a 10% do peso corporal já provoca queda importante nos marcadores inflamatórios e melhora a sensibilidade à insulina, de acordo com estudos.

    Como a obesidade é uma doença multifatorial, o tratamento envolve uma série de abordagens diferentes, como:

    • Alimentação baseada em alimentos naturais, com variedade de frutas, verduras, legumes, peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva, sementes e oleaginosas, que fornecem compostos com ação anti-inflamatória;
    • Redução do consumo de ultraprocessados, açúcar refinado, gordura trans, frituras e bebidas adoçadas, evitando estímulos que mantêm o organismo em estado de alerta;
    • Prática regular de atividade física, fundamental para diminuir gordura visceral, melhorar a circulação e fortalecer a função das artérias;
    • Sono adequado, já que noites mal dormidas elevam hormônios ligados à inflamação e dificultam o controle metabólico;
    • Manejo do estresse, importante para reduzir a liberação contínua de cortisol e favorecer o equilíbrio do organismo;
    • Acompanhamento médico, incluindo avaliação para uso de medicamentos quando indicado, com o objetivo de auxiliar no controle do peso e da inflamação.

    Segundo Juliana, a dieta com propriedades anti-inflamatórias pode ajudar muito no controle da inflamação causada pela obesidade. A dieta mediterrânea é considerada uma das mais completas nesse sentido, porque reúne alimentos naturais que atuam diretamente na redução de mediadores inflamatórios.

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    Perguntas frequentes

    1. O que causa a obesidade?

    A obesidade é uma doença multifatorial, causada por uma combinação de fatores biológicos, ambientais, emocionais e sociais. A alimentação rica em ultraprocessados, a rotina sedentária, o sono insuficiente e o estresse prolongado favorecem o acúmulo de gordura. A genética também influencia, pois altera o modo como o corpo armazena energia.

    2. O que é gordura visceral e por que ela preocupa?

    A gordura visceral é aquela que envolve órgãos internos, como fígado, intestino e pâncreas. O acúmulo provoca inflamação contínua, altera hormônios importantes e aumenta o risco de diabetes, hipertensão e doenças do coração. A identificação ocorre por exames clínicos e é um dos principais marcadores de risco para complicações metabólicas.

    3. Como a prática de atividade física ajuda no controle da obesidade?

    A prática regular de atividade física diminui gordura visceral, aumenta a massa muscular e melhora a sensibilidade à insulina. O movimento fortalece o sistema cardiovascular, reduz estresse e melhora o sono, fatores que influenciam diretamente no controle do peso. Mesmo atividades leves, como caminhada, já oferecem benefícios importantes quando realizadas com frequência.

    4. A obesidade aumenta o risco de câncer?

    A obesidade está relacionada ao risco maior de alguns tipos de câncer, como mama, colorretal, fígado e pâncreas. A inflamação crônica, a alteração de hormônios e o excesso de gordura visceral criam um ambiente que favorece o crescimento de células anormais.

    5. Por que algumas pessoas têm dificuldade em perder peso?

    A dificuldade pode surgir devido a fatores hormonais, genéticos, emocionais, ambientais e comportamentais. A presença de inflamação, resistência à insulina e gordura visceral torna o processo mais lento. O corpo tende a manter o peso habitual, o que exige constância e acompanhamento profissional para superar barreiras biológicas e psicológicas.

    6. A cirurgia bariátrica é indicada para todos?

    A cirurgia bariátrica é indicada apenas para casos selecionados, normalmente quando há obesidade grave ou presença de doenças associadas que colocam a vida em risco. O procedimento reduz o tamanho do estômago ou modifica o trajeto do alimento, facilitando perda de peso e melhora de condições metabólicas. A decisão exige avaliação criteriosa e acompanhamento de longo prazo.

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  • Obesidade: por que é considerada uma doença crônica?

    Obesidade: por que é considerada uma doença crônica?

    Em um ritmo acelerado, o Brasil caminha para se tornar um país em que o excesso de peso será a realidade da maior parte da população. Em vinte anos, se a tendência permanecer, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que 48% dos brasileiros serão obesos e outros 27% estarão com sobrepeso.

    Hoje, o Ministério da Saúde indica que um em cada três brasileiros vive com obesidade — e que mais da metade dos moradores das capitais apresenta excesso de peso. Apesar dos números elevados, ainda há grande dificuldade em entender o problema com a seriedade necessária.

    “Durante décadas, o excesso de peso foi explicado apenas como um problema de escolhas pessoais, ignorando a biologia e o ambiente. Essa visão simplista reforça o estigma e faz com que muitas pessoas com obesidade sofram culpa e discriminação, inclusive no sistema de saúde”, aponta a médica de família e comunidade, Fernanda Tasso Borges Fernandes.

    Segundo a especialista, existem evidências sólidas de que, isoladamente, a força de vontade não é capaz de superar os mecanismos biológicos que tendem a levar o corpo de volta ao peso anterior. A obesidade é uma doença em que fatores hormonais, genéticos e ambientais trabalham para manter o organismo em um patamar elevado de peso, mesmo quando a pessoa tenta mudar hábitos. É o que nós vamos entender mais, a seguir.

    Por que a obesidade é considerada uma doença crônica?

    A obesidade, que passou a ser considerada uma doença crônica pela American Medical Association em 2013, envolve alterações biológicas, genéticas, hormonais, ambientais e comportamentais que fazem o corpo defender um peso mais alto, mesmo quando a pessoa tenta emagrecer.

    Para se ter uma ideia, dados da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostram que cerca de 90% das pessoas que perdem peso acabam recuperando grande parte do que foi eliminado. O organismo passa a funcionar em um padrão que favorece acúmulo de gordura e torna o tratamento contínuo, assim como acontece em casos de hipertensão ou diabetes.

    “O excesso de peso não é apenas resultado de ‘comer demais’: há mudanças na regulação do apetite, no gasto energético e nos hormônios que controlam fome e saciedade. Assim como a hipertensão ou o diabetes, a obesidade não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com acompanhamento médico, hábitos saudáveis e, em alguns casos, medicações”, explica Fernanda.

    Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade é um importante fator de risco para diversas doenças, porque o acúmulo excessivo de gordura altera o funcionamento do organismo e favorece processos inflamatórios, resistência à insulina, aumento da pressão arterial e desequilíbrios hormonais.

    Isso aumenta a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, alguns tipos de câncer e problemas articulares. Quanto maior o tempo de exposição ao excesso de peso, maior tende a ser o impacto sobre a saúde, o que reforça a necessidade de acompanhamento contínuo e intervenções precoces.

    Quais fatores influenciam na obesidade?

    Existem diversos fatores que influenciam o desenvolvimento da obesidade, e a maioria deles atua de forma combinada ao longo do tempo.

    Segundo Fernanda, o peso corporal é regulado por um sistema biológico complexo que envolve o cérebro, principalmente estruturas como o hipotálamo, e uma rede de hormônios responsável por informar ao corpo quando há energia suficiente ou quando é necessário comer. A médica cita alguns exemplos:

    • Leptina: produzida pelo tecido adiposo, normalmente reduz o apetite, mas em pessoas com obesidade o organismo pode se tornar resistente à sua ação;
    • Grelina: conhecida como o “hormônio da fome”, aumenta antes das refeições e diminui após comer, porém, em quem emagrece, tende a permanecer elevada, estimulando o apetite;
    • Insulina: além de controlar a glicose, exerce papel importante no armazenamento de gordura;
    • Cortisol e hormônios sexuais: modulam a distribuição e o acúmulo de gordura no corpo.

    Em pessoas com tendência à obesidade, esses sinais podem funcionar de modo alterado, dificultando o controle natural do apetite e do gasto energético. Ao mesmo tempo, os fatores externos têm influência tão importante quanto a genética — e acabam definindo se uma predisposição biológica vai, de fato, se tornar uma doença.

    “Pesquisas indicam que fatores genéticos podem explicar até 70% da tendência individual ao ganho de peso, influenciando desde o apetite e o gasto calórico até a forma como o corpo armazena gordura. No entanto, essa predisposição só se transforma em doença quando o corpo é exposto a um ambiente que favorece o ganho de peso — com alimentos ultraprocessados, sono insuficiente, estresse crônico e pouca atividade física”, aponta Fernanda.

    E qual o papel do cérebro?

    O cérebro participa de maneira direta na regulação do peso corporal, controlando fome, saciedade e prazer relacionado à comida. O hipotálamo funciona como centro de comando, ajustando apetite e gasto energético a partir de sinais enviados por hormônios como leptina e grelina — que, como já explicado, informam se há energia suficiente ou se é hora de buscar alimento.

    Além disso, as áreas ligadas ao sistema de recompensa influenciam o prazer e a motivação para comer, principalmente quando o ambiente oferece alimentos ricos em gordura, açúcar e sal.

    Por esse motivo, o tratamento da obesidade também envolve estratégias que ajudam o cérebro a desenvolver novas respostas — percebendo melhor os sinais de saciedade, reconhecendo os gatilhos emocionais e reduzindo a busca automática por comida.

    Obesidade tem cura?

    A obesidade é uma doença crônica, então não tem uma cura definitiva, mas pode ser controlada a partir de acompanhamento contínuo. O tratamento, além de reduzir o peso, também visa manter os resultados a longo prazo.

    Quando o peso diminui, o corpo reduz o gasto energético e aumenta o apetite para tentar recuperar o que perdeu. Por isso, Fernanda ressalta que interromper o tratamento pode levar à recidiva em grande parte dos casos.

    “Com seguimento médico, alimentação adequada, atividade física e, quando indicado, uso de medicamentos, é possível controlar a doença, reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida de forma sustentável”, finaliza a médica de família.

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    Perguntas frequentes sobre obesidade

    Qual é a diferença entre obesidade e sobrepeso?

    A diferença entre obesidade e sobrepeso está principalmente na quantidade de gordura acumulada e no impacto que isso causa na saúde.

    Sobrepeso é quando a pessoa apresenta acúmulo de gordura maior do que o considerado ideal, mas ainda sem ultrapassar limites que elevem de forma marcante o risco de doenças. Para o sobrepeso, o IMC fica entre 25 e 29,99;

    Obesidade corresponde a um aumento mais significativo desse acúmulo, a ponto de alterar o funcionamento do organismo, favorecer inflamação crônica, desequilibrar hormônios ligados ao apetite e elevar de maneira importante a probabilidade de desenvolver problemas de saúde. Para a obesidade, o IMC é a partir de 30.

    Apesar do IMC ser uma ferramenta bastante usada para distinguir ambas as condições, outros fatores (como composição corporal, distribuição de gordura e histórico clínico) também entram no diagnóstico. A diferença fundamental é que obesidade é considerada uma doença crônica que exige acompanhamento contínuo, enquanto sobrepeso é um estágio que pode evoluir ou ser revertido com tratamento adequado.

    Quais doenças podem estar associadas à obesidade?

    A obesidade aumenta o risco de várias condições, especialmente quando o corpo permanece por anos em estado de inflamação crônica causada pelo excesso de gordura. Entre elas, é possível destacar:

    • Diabetes tipo 2;
    • Hipertensão;
    • Doenças cardiovasculares;
    • Apneia do sono;
    • Gordura no fígado;
    • Refluxo;
    • Problemas articulares;
    • Infertilidade;
    • Irregularidade menstrual;
    • Determinados tipos de câncer.

    Por que é tão difícil manter o peso perdido?

    Quando alguém emagrece, o corpo interpreta o processo como ameaça à sobrevivência e aciona mecanismos de defesa. Então, o gasto energético diminui, a fome aumenta, a grelina permanece elevada e a leptina perde eficiência.

    Além disso, os músculos passam a usar energia de forma mais econômica, dificultando a manutenção do novo peso. Tudo isso faz com que a pessoa precise de acompanhamento contínuo para manter resultados.

    O que causa o efeito sanfona em quem tem obesidade?

    O efeito sanfona ocorre quando a pessoa perde peso rapidamente e recupera logo em seguida, repetindo esse ciclo várias vezes. Isso acontece porque dietas rígidas e de baixa caloria fazem o corpo interpretar a perda de peso como ameaça, reduzindo metabolismo, aumentando fome e estimulando mecanismos naturais de economia de energia.

    Quando a alimentação volta ao normal, o corpo repõe o peso perdido com rapidez, muitas vezes ultrapassando o valor inicial. Em pessoas com obesidade, o efeito sanfona é ainda mais intenso porque o organismo já opera com hormônios desregulados e maior tendência ao acúmulo de gordura. O ciclo repetido compromete o metabolismo, aumenta inflamação e dificulta a manutenção do peso no longo prazo.

    Obesidade pode causar problemas no coração?

    Sim, pois o acúmulo de gordura aumenta a inflamação, eleva pressão arterial e o colesterol, favorece resistência à insulina e sobrecarrega o sistema cardiovascular. O coração precisa trabalhar mais para bombear sangue, o que contribui para insuficiência cardíaca, arritmias e doença arterial coronariana.

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