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  • Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência  

    Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência  

    Esquecer onde colocou a chave ou demorar um pouco mais para lembrar o nome de alguém pode fazer parte do envelhecimento. Mas quando o esquecimento começa a interferir na rotina, nas finanças ou nas relações familiares, surge uma preocupação legítima: será que é algo além do normal?

    A demência não aparece de um dia para o outro. Em geral, os primeiros sinais são sutis e progressivos. Reconhecer essas mudanças precocemente é muito importante para investigar causas reversíveis, iniciar tratamento quando indicado e planejar os próximos passos com segurança.

    O que é demência?

    Demência não é uma doença única, mas uma síndrome (conjunto de sinais e sintomas) causada por diferentes condições neurológicas.

    Ela se caracteriza por:

    • Prejuízo cognitivo (alteração de memória, linguagem, raciocínio ou planejamento);
    • Impacto nas atividades do dia a dia;
    • Perda gradual de autonomia.

    O início costuma ser lento e progressivo, o que pode dificultar a percepção nos estágios iniciais.

    Diferença entre envelhecimento normal e demência inicial

    Nem todo esquecimento é demência. A principal diferença está no impacto funcional.

    Envelhecimento normal

    • Esquecer nomes ocasionalmente e lembrar depois;
    • Perder objetos de vez em quando;
    • Precisar de mais tempo para aprender algo novo;
    • Pequenas distrações.

    Possíveis sinais de demência

    • Esquecimentos frequentes que impactam a rotina;
    • Repetir perguntas constantemente;
    • Dificuldade para realizar tarefas habituais;
    • Desorientação no tempo ou no espaço.

    Quando a memória começa a atrapalhar a independência, é hora de investigar.

    Primeiros sinais mais comuns

    Perda de memória recente

    É o sinal mais conhecido.

    • Esquecer conversas recentes;
    • Esquecer compromissos;
    • Repetir perguntas ou histórias.

    Dificuldade com tarefas habituais

    Atividades antes simples podem se tornar difíceis:

    • Pagar contas;
    • Seguir receitas;
    • Usar aparelhos conhecidos;
    • Organizar documentos.

    Problemas de linguagem

    • Dificuldade para encontrar palavras;
    • Pausas frequentes na fala;
    • Troca de palavras;
    • Frases incompletas.

    Desorientação

    • Perder-se em locais conhecidos;
    • Confundir datas;
    • Dificuldade com sequência de eventos.

    Alterações de julgamento

    • Gastos financeiros inadequados;
    • Dificuldade em resolver problemas simples;
    • Menor percepção de riscos.

    Mudanças de comportamento ou personalidade

    Em alguns casos, alterações comportamentais aparecem antes da perda de memória evidente:

    • Apatia (falta de iniciativa);
    • Irritabilidade;
    • Ansiedade;
    • Depressão;
    • Isolamento social.

    Sinais menos reconhecidos

    Alguns sinais iniciais são mais sutis:

    • Dificuldade de atenção;
    • Lentificação do pensamento;
    • Dificuldade para planejar;
    • Redução da iniciativa;
    • Erros em tarefas complexas.

    Essas mudanças podem ser atribuídas ao cansaço ou estresse, o que pode atrasar a procura por avaliação.

    Quando procurar um médico?

    É recomendado procurar avaliação quando:

    • Os sintomas persistem por meses;
    • Há impacto nas atividades diárias;
    • Familiares percebem mudanças;
    • Os esquecimentos são progressivos;
    • Há mudanças de comportamento sem explicação;
    • Existe dificuldade com finanças ou organização.

    Quanto mais precoce a avaliação, melhor.

    Por que o diagnóstico precoce é importante?

    Permite tratar causas reversíveis

    Algumas condições podem causar sintomas semelhantes à demência:

    • Depressão;
    • Deficiência de vitaminas;
    • Distúrbios da tireoide;
    • Efeitos colaterais de medicamentos;
    • Distúrbios do sono.

    Essas causas podem ser tratáveis.

    Possibilita iniciar tratamento

    Embora muitas demências não tenham cura, existem tratamentos que:

    • Retardam a progressão;
    • Melhoram sintomas;
    • Aumentam qualidade de vida.

    Ajuda no planejamento

    Inclui decisões sobre:

    • Segurança;
    • Organização da rotina;
    • Finanças;
    • Apoio familiar.

    Como é feita a avaliação?

    A investigação costuma incluir:

    • Entrevista clínica detalhada;
    • Testes cognitivos (avaliação de memória, linguagem e raciocínio);
    • Revisão de medicamentos;
    • Exames laboratoriais;
    • Exames de imagem, quando necessário.

    A participação de familiares é muito importante, pois muitas vezes eles percebem as mudanças antes do próprio paciente.

    Sinais de alerta que exigem avaliação mais rápida

    Procure atendimento com maior urgência se houver:

    • Declínio cognitivo rápido;
    • Mudanças comportamentais intensas;
    • Dificuldade importante para atividades básicas;
    • Quedas frequentes;
    • Alucinações ou delírios;
    • Alterações neurológicas associadas (fraqueza, alteração de fala).

    O que familiares podem observar

    Familiares frequentemente percebem:

    • Repetição constante de histórias;
    • Erros financeiros incomuns;
    • Confusão com medicamentos;
    • Mudanças de personalidade;
    • Dificuldade com tecnologia habitual.

    Essas informações ajudam muito na consulta médica.

    Fique de olho

    Nem todo esquecimento é demência. Mas mudanças cognitivas persistentes, progressivas e que interferem na rotina merecem avaliação.

    Buscar ajuda cedo não significa confirmar um diagnóstico grave, mas investigar, tratar causas reversíveis e acompanhar a evolução de forma segura. O diagnóstico precoce melhora cuidado, segurança e qualidade de vida.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

    Perguntas frequentes

    1. Esquecer nomes é normal?

    Sim, ocasionalmente. Preocupa quando é frequente, progressivo e interfere na rotina.

    2. Demência começa sempre com memória?

    Não. Pode começar com alterações de comportamento, linguagem ou planejamento.

    3. Pessoas jovens podem ter demência?

    Sim, mas é menos comum. Quando ocorre antes dos 65 anos, é chamada de demência de início precoce.

    4. Depressão pode parecer demência?

    Sim. A chamada “pseudodemência depressiva” pode causar sintomas semelhantes.

    5. Existe prevenção?

    Medidas como controle cardiovascular, atividade física, sono adequado, estímulo cognitivo e interação social ajudam a reduzir o risco.

    6. Vale procurar médico mesmo com sintomas leves?

    Sim. Avaliação precoce é recomendada sempre que houver dúvidas.

    7. Toda perda de memória evolui para demência?

    Não. Muitas queixas de memória estão relacionadas a estresse, ansiedade, sono inadequado ou outras condições tratáveis.

    Confira: Demência por corpos de Lewy (DCL): o que é, como reconhecer e tratar

  • 10 fatores que podem afetar a sua memória (e quando procurar um médico)

    10 fatores que podem afetar a sua memória (e quando procurar um médico)

    Você costuma ter lapsos de memória? Não lembrar onde guardou um item, abrir a geladeira e não lembrar o que foi buscar, ou até ficar em silêncio por não recordar uma palavra são situações que fazem parte da rotina de qualquer pessoa.

    Na maioria das vezes, os episódios não indicam nenhum problema grave de saúde, mas é preciso ter atenção quando se tornam frequentes, começam a atrapalhar atividades simples ou vêm acompanhadas de outros sintomas, como confusão mental, dificuldade de concentração ou alterações de humor.

    Afinal, o que pode afetar a memória?

    Diversos fatores podem afetar a memória, desde hábitos do dia a dia até questões emocionais e condições de saúde. Listamos os principais a seguir:

    1. Privação de sono

    As noites mal dormidas atrapalham o processo de consolidação das memórias, reduzindo atenção, foco e capacidade de retenção de informações.

    De acordo com um estudo publicado na revista Nature, durante o descanso noturno, o cérebro revive e reorganiza experiências vividas ao longo do dia, um processo importante para transformar informações recentes em lembranças mais duradouras.

    Quando ocorre a privação de sono, o cérebro até continua ativo, mas passa a funcionar de forma desorganizada. Mesmo com intensa atividade cerebral durante a falta de sono, o mecanismo responsável por “repassar” e fixar memórias fica prejudicado. Na prática, isso significa que o cérebro trabalha, mas não registra corretamente as informações.

    2. Estresse e ansiedade

    Os níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, dificultam tanto a formação de novas memórias quanto o acesso a informações que já foram armazenadas.

    Quando o estresse se mantém de forma constante no dia a dia, o cérebro permanece em estado de alerta contínuo, desviando energia de áreas responsáveis pela memória, pela atenção e pela capacidade de concentração.

    Com o tempo, isso pode resultar em lapsos de memória mais frequentes, sensação de mente confusa, dificuldade para organizar pensamentos e maior esforço para manter o foco em atividades rotineiras.

    3. Sedentarismo

    A falta de atividade física está associada à redução do volume cerebral e ao pior desempenho da memória e da concentração. O exercício regular melhora a circulação sanguínea no cérebro, estimula a formação de novas conexões neurais e ajuda a proteger funções cognitivas importantes, como atenção, aprendizado e memória.

    4. Depressão

    A depressão pode causar dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação constante de confusão mental. Em muitos casos, a pessoa até tenta se concentrar, mas sente a mente mais lenta, com dificuldade para organizar pensamentos e lembrar informações simples do dia a dia.

    Isso ocorre porque alterações químicas no cérebro interferem diretamente nas áreas responsáveis pela atenção, pelo aprendizado e pela memória.

    5. Síndrome de Burnout

    A síndrome de burnout é um estado de esgotamento físico, mental e emocional que surge quando a pressão constante, a sobrecarga e a falta de recuperação fazem com que a pessoa se sinta exausta, desmotivada e incapaz de lidar com as demandas profissionais.

    Com o passar do tempo, o cansaço intenso e prolongado compromete a capacidade de foco, prejudica a memória recente e favorece esquecimentos frequentes, fazendo com que tarefas simples passem a exigir muito mais esforço mental.

    6. Deficiências nutricionais

    Os níveis baixos de vitaminas, especialmente B9 e B12, interferem diretamente na saúde do sistema nervoso. Las vitaminas exercem papel importante na formação, na proteção e na manutenção dos neurônios — além de participarem da produção de neurotransmissores responsáveis pela comunicação entre as células do cérebro.

    Quando ocorre deficiência dessas vitaminas, o funcionamento cerebral pode ficar comprometido, causando sintomas como lapsos de memória, dificuldade de concentração, sensação de mente lenta, esquecimento frequente e cansaço mental persistente.

    Em alguns casos, também podem surgir alterações de humor, irritabilidade e queda no rendimento intelectual.

    A falta prolongada de vitamina B12, em especial, pode provocar danos neurológicos mais importantes, afetando não apenas a memória, mas também a atenção e o raciocínio.

    7. Condições médicas

    Condições como hipotireoidismo, alterações no fígado ou nos rins, infecções, distúrbios do sono como apneia e traumatismos cranianos podem impactar a memória.

    Nessas situações, o funcionamento cerebral fica comprometido, seja pela redução de oxigenação, por alterações hormonais ou por inflamações no organismo.

    Como resultado, surgem dificuldades de concentração, lentidão mental e esquecimentos mais frequentes, que podem ser temporários ou persistentes, dependendo da causa.

    8. Uso de medicamentos

    Alguns remédios, como anestésicos, calmantes, antidepressivos e medicamentos para dormir, podem apresentar efeitos colaterais relacionados à memória. Os efeitos variam conforme a dose, o tempo de uso e a sensibilidade de cada pessoa.

    Em alguns casos, o esquecimento ocorre principalmente no início do tratamento ou após ajustes na medicação, tendendo a melhorar com o tempo ou com a orientação médica adequada.

    9. Doenças neurodegenerativas

    Alzheimer e outras formas de demência comprometem progressivamente a memória e outras funções cognitivas. No início, os sinais costumam ser discretos, como esquecimento de fatos recentes, repetição de perguntas ou dificuldade para encontrar palavras.

    Mas, conforme a doença avança, surgem prejuízos maiores, envolvendo linguagem, raciocínio, orientação no tempo e no espaço, além da perda gradual da autonomia para atividades do dia a dia.

    10. Envelhecimento

    As mudanças naturais do envelhecimento podem reduzir a velocidade de processamento das informações. Com o passar dos anos, o cérebro pode levar mais tempo para acessar lembranças ou aprender conteúdos novos.

    Isso não significa, necessariamente, uma doença, mas sim uma adaptação natural do funcionamento cognitivo

    Quando procurar um médico?

    É fundamental procurar um médico nas seguintes situações:

    • Esquecimentos frequentes que começam a interferir nas atividades do dia a dia;
    • Dificuldade para lembrar compromissos, nomes, tarefas simples ou informações recentes de forma recorrente;
    • Falhas de memória que surgem de maneira repentina ou apresentam piora progressiva;
    • Sensação constante de confusão mental ou desorientação;
    • Dificuldade para encontrar palavras ou se expressar com clareza;
    • Alterações de humor, comportamento ou atenção associadas aos esquecimentos.

    Nessas situações, a avaliação médica ajuda a identificar a causa, descartar condições mais graves e orientar o cuidado adequado com a saúde do cérebro.

    Confira: Vitamina B1 (tiamina): energia para o corpo e alerta para a memória

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre lapsos de memória e perda de memória?

    Os lapsos de memória são esquecimentos pontuais, como não lembrar onde colocou um objeto ou esquecer uma palavra momentaneamente. Já a perda de memória envolve dificuldade persistente para recordar informações importantes, fatos recentes ou eventos pessoais, podendo indicar alterações cognitivas mais relevantes.

    2. O álcool afeta a memória?

    O consumo excessivo de álcool interfere na comunicação entre os neurônios e prejudica áreas do cérebro responsáveis pela memória. Episódios frequentes de consumo elevado podem causar lapsos de memória temporários e, em longo prazo, prejuízos cognitivos mais duradouros.

    3. A memória pode ser treinada?

    A memória pode ser estimulada e fortalecida ao longo da vida, através de atividades que desafiam o cérebro, como leitura, jogos de raciocínio, aprendizado de novas habilidades e exercícios de atenção. Quanto mais o cérebro é estimulado, maior tende a ser a reserva cognitiva, o que protege a memória a longo prazo.

    4. O café melhora ou piora a memória?

    O café pode melhorar temporariamente a atenção e o estado de alerta, o que favorece a memória no curto prazo. No entanto, o consumo excessivo pode aumentar a ansiedade, prejudicar o sono e, indiretamente, afetar a memória. O importante é ter equilíbrio no consumo.

    5. Ler com frequência ajuda a melhorar a memória?

    A leitura estimula várias áreas do cérebro ao mesmo tempo, envolvendo atenção, compreensão e retenção de informações. O hábito de ler regularmente fortalece as conexões neurais, amplia o vocabulário e exercita a memória, além de ser uma alternativa ao uso de telas como passatempo.

    6. A memória pode ser afetada após cirurgias?

    Após procedimentos cirúrgicos, especialmente aqueles que envolvem anestesia geral, algumas pessoas relatam dificuldade de concentração e lapsos de memória temporários. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram com o tempo.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Como o cérebro decide o que lembrar e o que esquecer 

    Como o cérebro decide o que lembrar e o que esquecer 

    Você já se perguntou por que algumas lembranças parecem eternas, enquanto outras somem em minutos? Há uma explicação científica para isso e, ao contrário do que muitos imaginam, esquecer faz parte de um cérebro saudável.

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, o esquecimento não é uma falha, e sim um processo ativo que ajuda a manter o equilíbrio mental.

    “Durante o sono, principalmente na fase mais profunda, nós literalmente limpamos a nossa casinha”, explica o médico. Essa “faxina cerebral” é feita pelo sistema glinfático, uma descoberta recente da neurociência que ajudou os cientistas a entender melhor como o sono protege a memória.

    Lembrar e esquecer são duas faces da mesma moeda

    A memória humana não é uma biblioteca infinita, mas sim seletiva. O cérebro precisa decidir o que vale a pena guardar e o que deve ser apagado para evitar sobrecarga.

    Essa filtragem ocorre principalmente no hipocampo, estrutura responsável pela formação e consolidação das memórias. Ele atua como um curador interno, escolhendo quais experiências serão enviadas ao córtex cerebral, onde ficam armazenadas as lembranças de longo prazo.

    Segundo Dieckmann, as memórias com forte carga emocional têm prioridade. “Você precisa lembrar do seu primeiro beijo, mas não necessariamente do que almoçou na terça-feira passada”, comenta o psiquiatra.

    Durante o sono, o cérebro faz uma verdadeira faxina

    O esquecimento saudável acontece principalmente durante o sono profundo. É nesse momento que o sistema glinfático entra em ação — uma rede descoberta há pouco mais de 10 anos que funciona como o sistema linfático do cérebro.

    Enquanto dormimos, o sistema glinfático remove toxinas e resíduos metabólicos, além de “descartar” informações desnecessárias acumuladas durante o dia. Por isso, dormir bem não apenas melhora a memória, como também previne esquecimentos e protege o cérebro a longo prazo.

    Repetição e emoção: os segredos da lembrança duradoura

    O cérebro interpreta a repetição como um sinal de importância. É por isso que você lembra da letra de uma música antiga ou da senha do Wi-Fi que digita todos os dias. Segundo Dieckmann, informações repetidas ganham prioridade, pois o cérebro entende que aquilo merece ser reforçado.

    A emoção também é um fator determinante. Situações que envolvem alegria, medo ou surpresa fixam a lembrança com mais força no hipocampo. Isso explica por que recordamos eventos marcantes, mas esquecemos rotinas comuns.

    Confira: Síndrome de Burnout: entenda quando o cansaço ultrapassa o limite

    Esquecer também é importante para a saúde mental

    Esquecer é tão importante quanto lembrar. O esquecimento ativo permite ao cérebro se adaptar a novas informações, evita o acúmulo de dados irrelevantes e reduz o estresse cognitivo.

    Ou seja: quando você esquece onde deixou as chaves, o cérebro não está “falhando”, mas priorizando o que considera mais útil para a sobrevivência, o aprendizado e o equilíbrio emocional.

    A memória é dinâmica: o hipocampo seleciona, o sistema glinfático limpa, o sono consolida e a emoção dá peso às recordações. Em resumo, esquecer é sinal de que o cérebro está funcionando bem — e que você está dormindo bem também.

    Veja mais aqui:

     

    Perguntas frequentes sobre memória

    1. O que é o sistema glinfático?

    É o sistema de drenagem do cérebro responsável por remover toxinas e resíduos durante o sono, ajudando na limpeza e manutenção da função cerebral.

    2. O hipocampo é o centro da memória?

    Ele é uma das principais estruturas envolvidas na formação e consolidação das memórias, mas o armazenamento de longo prazo ocorre no córtex cerebral.

    3. Dormir pouco atrapalha a memória?

    Sim. A privação de sono reduz a atividade do sistema glinfático e prejudica a consolidação da memória, aumentando o risco de esquecimentos.

    4. Repetir algo muitas vezes ajuda a decorar?

    Sim. A repetição indica ao cérebro que a informação é importante, fortalecendo as conexões neurais responsáveis pela memória de longo prazo.

    5. É normal esquecer coisas simples no dia a dia?

    Sim, especialmente quando estamos cansados, estressados ou distraídos. Esquecer pequenas coisas faz parte do funcionamento normal da memória.

    6. Quando o esquecimento deixa de ser normal?

    Quando se torna frequente, interfere na rotina e vem acompanhado de confusão mental. Nesses casos, é importante buscar avaliação médica.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas 

    Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas 

    Você já viu por aí alguém falando de uma vitamina para a memória que é capaz de turbinar a cognição e quis logo experimentar? Você foi enganado.

    “Existe uma crença de que existe uma vitamina milagrosa que melhorar ou previne este problema, mas não existe nenhuma vitamina em específico que vá curar perda de memória de ninguém”, explica a neurologista Paula Dieckmann.

    Venha entender mais o problema de tomar vitaminas sem orientação médica ou nutricional para melhorar a memória e o que de fato ajuda a manter o cérebro saudável.

    Quando as vitaminas importam de verdade

    A falta de vitaminas é, de fato, prejudicial para a memória. “Mas isso não quer dizer que a reposição delas para pessoas saudáveis vá ter algum tipo de benefício”, diz o psiquiatra.

    “Na nossa investigação médica, descartamos sempre a hipovitaminose, que são deficiências de vitaminas específicas que podem estar ligadas a algum problema”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Em outras palavras, não existe “vitamina mágica”. Agora, se faltar alguma, sim, isso pode ter impacto no funcionamento do cérebro, inclusive na memória.

    Veja quais vitaminas, quando em falta, podem afetar a memória:

    • Vitamina B12: deficiência de B12 está associada em vários estudos com prejuízo da memória, confusão mental e até demência reversível em idosos;
    • Ácido fólico (vitamina B9): participa de processos que mantêm o cérebro saudável; aliado com B12, contribui para evitar acúmulo de homocisteína (uma substância que, em excesso, pode ser danosa);
    • Vitaminas C, D e antioxidantes em geral: embora não haja evidência de que façam “explodir” a memória, baixos níveis de vitamina C ou D e de antioxidantes estão associados a declínio cognitivo em pessoas mais velhas.

    Esses déficits são corrigíveis com avaliação médica, exames de sangue, dieta adequada ou suplementação quando necessário.

    Fique atento ao que não funciona para a memória

    • A reposição de vitaminas em pessoas sem deficiência não garante memória superior, melhoria milagrosa ou proteção absoluta contra doenças como Alzheimer;
    • Muitos suplementos são promovidos na internet com promessas exageradas, sem respaldo científico rigoroso ou aprovação técnica;
    • Suplementos vitamínicos têm variação de composição, dosagem e pureza. Interações com outros remédios ou efeitos adversos podem existir — é importante usar sempre com orientação médica ou nutricional.

    “Existem inúmeras coisas que vemos na internet prometendo milagres que não existem”, alerta o psiquiatra.

    Confira: Tem insônia? Veja o que fazer para voltar a dormir bem

    Práticas que realmente ajudam sua memória

    Mesmo não havendo uma vitamina mágica, há medidas comprovadas para cuidar bem da memória:

    • Alimentação balanceada, rica em proteínas, frutas, vegetais e gorduras boas (como ômega-3);
    • Exercícios físicos regulares, que melhoram o fluxo sanguíneo cerebral e promovem saúde dos neurônios;
    • Sono de qualidade, pois durante o sono o cérebro consolida memórias;
    • Aprender coisas novas (idiomas, instrumentos, hobbies) para estimular a plasticidade cerebral;
    • Vida social ativa, com convívio entre amigos, família e estímulos cognitivos.

    Assista ao vídeo dos especialistas a respeito de vitaminas e memória:

    Perguntas frequentes sobre vitaminas e memória

    1. Existe alguma vitamina milagrosa para turbinar a memória?

    Não. Especialistas são unânimes: não há vitamina que garanta aumento cognitivo acima do normal em pessoas saudáveis, ou seja, pessoas que já têm níveis adequados de vitaminas.

    2. Se eu tiver deficiência de vitaminas como B12, posso melhorar a memória ao repor?

    Sim. Em casos de deficiência, como baixa B12, a reposição pode reverter prejuízos cognitivos. É por isso que exames médicos são tão importantes.

    3. Posso tomar suplementos apenas supondo que estou com deficiência de vitaminas?

    Não. É importante fazer exames antes para evitar a hipervitaminose, que também pode fazer mal à saúde. Lembre-se: suplementos não são garantia de memória melhor se seus níveis vitamínicos já estiverem normais.

    4. Vitamina D ou C ajudam?

    Em parte, sim, mas apenas se a pessoa tiver deficiência delas. Elas colaboram para a saúde geral do cérebro e, em pessoas com deficiência, podem melhorar aspectos cognitivos. Mas não substituem boas práticas como sono, alimentação e exercício.

    5. Qual é o papel das vitaminas do complexo B (B1, B6, B9, B12)?

    Essas vitaminas participam da produção de energia no cérebro, da manutenção dos neurônios, da regulação da homocisteína, da síntese de DNA e da condução nervosa. Tudo isso pode impactar a memória se houver deficiência.

    6. Há risco em tomar vitaminas demais?

    Sim. O excesso pode causar efeitos adversos. Além disso, suplementos não seguem o mesmo rigor médico dos medicamentos — por isso, a orientação de um médico ou nutricionista é essencial.

    Leia também: Anemia carencial: o que acontece quando faltam nutrientes no sangue