Quando o calor chega, é comum sentir sede o tempo todo. No inverno, porém, muitas pessoas passam horas sem beber água simplesmente porque não sentem vontade. Esse comportamento é tão frequente que faz da desidratação um problema comum durante os meses mais frios, mesmo sem suor intenso.
Embora a perda de líquidos realmente seja menor do que em dias muito quentes, o organismo continua eliminando água pela respiração, urina, pele e fezes. Além disso, o frio reduz naturalmente a sensação de sede, fazendo com que muitas pessoas ingiram menos líquidos do que o necessário.
O resultado pode ser um estado de desidratação leve, mas persistente, capaz de afetar a concentração, o desempenho físico, a função renal e aumentar o risco de algumas doenças.
Por que sentimos menos sede no inverno?
A sede é controlada por mecanismos complexos que envolvem o cérebro, os rins e diferentes hormônios. No frio, ocorre uma resposta conhecida como diurese induzida pelo frio.
Quando a temperatura ambiente diminui, os vasos sanguíneos da pele se contraem, processo chamado de vasoconstrição, para preservar o calor corporal. Com isso, uma quantidade maior de sangue permanece circulando na região central do corpo.
O organismo interpreta esse aumento do volume circulante como um excesso de líquido e responde reduzindo a liberação do hormônio antidiurético (ADH), aumentando a produção de urina.
Ao mesmo tempo, a sensação de sede também diminui. Ou seja, mesmo eliminando mais água pela urina, muitas pessoas acabam bebendo menos líquidos.
Também perdemos água pela respiração?
Sim. Esse é um detalhe pouco conhecido. Sempre que respiramos, o organismo aquece e umidifica o ar inspirado.
Nos dias frios, especialmente quando o ar está seco, é necessário utilizar mais água para umidificar esse ar antes que ele chegue aos pulmões. Consequentemente, aumenta a perda de água pela respiração.
Esse efeito costuma ser ainda mais intenso em pessoas que praticam exercícios ao ar livre durante o inverno.
Se quase não transpiro, ainda preciso beber água?
Sim. Embora o suor diminua em temperaturas mais baixas, ele não é a única forma de perda de líquidos.
Todos os dias perdemos água por meio de:
- Urina;
- Respiração;
- Fezes;
- Evaporação pela pele, mesmo sem suor visível.
Por isso, a necessidade de hidratação permanece durante o inverno.
Quais são os riscos da desidratação no inverno?
Mesmo uma desidratação leve pode provocar sintomas e prejudicar o funcionamento do organismo.
Diminuição da concentração
A redução do volume de água corporal pode afetar funções cognitivas, causando:
- Dificuldade de atenção;
- Lentidão de raciocínio;
- Queda no desempenho intelectual;
- Sensação de fadiga.
Dor de cabeça
A desidratação é uma causa frequente de dor de cabeça. Em muitas pessoas, aumentar a ingestão de líquidos ajuda a aliviar esse sintoma.
Prisão de ventre
Quando há pouca água disponível, o intestino absorve mais líquido das fezes. Como consequência, elas ficam mais endurecidas e difíceis de eliminar.
Maior risco de cálculos renais
A baixa ingestão de líquidos deixa a urina mais concentrada. Isso favorece a formação de cristais que podem evoluir para cálculos renais em pessoas predispostas.
Infecção urinária
Embora beber pouca água não seja a única causa, a baixa produção de urina reduz a frequência de esvaziamento da bexiga, favorecendo a permanência de bactérias no trato urinário, principalmente em mulheres.
Queda do desempenho físico
Mesmo perdas discretas de líquidos podem reduzir:
- Resistência física;
- Capacidade aeróbica;
- Recuperação muscular.
Esse efeito também ocorre durante atividades realizadas no inverno.
A pele fica mais ressecada por falta de água?
Nem sempre. O ressecamento da pele no inverno ocorre principalmente devido à combinação de:
- Baixa umidade do ar;
- Banhos muito quentes;
- Redução da produção de gordura natural da pele.
Embora uma boa hidratação seja importante para a saúde geral, beber grandes quantidades de água, isoladamente, não costuma resolver o ressecamento da pele. Nesses casos, também pode ser necessário o uso de cremes hidratantes.
Como saber se estou desidratado?
Os sinais podem variar conforme a intensidade da perda de líquidos. Os sintomas mais comuns são:
- Boca seca;
- Sede, que pode aparecer tardiamente;
- Urina escura;
- Redução do volume urinário;
- Dor de cabeça;
- Cansaço;
- Tontura ao levantar;
- Dificuldade de concentração.
Em idosos, a desidratação pode se manifestar principalmente por:
- Confusão mental;
- Sonolência;
- Fraqueza.
A cor da urina pode ajudar?
Sim. Embora não seja um método perfeito, observar a cor da urina é uma maneira prática de acompanhar a hidratação.
De forma geral:
- Amarelo bem claro: costuma indicar hidratação adequada;
- Amarelo escuro ou âmbar: pode indicar necessidade de aumentar a ingestão de líquidos.
Entretanto, alguns alimentos, vitaminas, como as do complexo B, e medicamentos também podem alterar a cor da urina.
Quem corre maior risco de desidratação?
Alguns grupos merecem atenção especial:
- Idosos;
- Crianças pequenas;
- Atletas;
- Pessoas com doença renal;
- Pessoas que utilizam diuréticos;
- Trabalhadores expostos ao frio;
- Pessoas com febre ou diarreia.
Nos idosos, o risco é maior porque a sensação de sede diminui naturalmente com o envelhecimento.
Chás contam como hidratação?
Sim. A água continua sendo a melhor opção, mas outras bebidas também contribuem para a ingestão diária de líquidos.
Entre elas:
- Chá sem açúcar;
- Café, com moderação;
- Leite;
- Sopas;
- Água de coco.
Frutas ricas em água, como melancia, melão, laranja e morango, também ajudam na hidratação.
Existe uma quantidade ideal de água?
Não existe um valor único para todas as pessoas. A necessidade diária depende de fatores como:
- Peso corporal;
- Idade;
- Atividade física;
- Temperatura ambiente;
- Estado de saúde.
Em vez de focar apenas em um número fixo de litros por dia, é mais útil observar:
- A cor da urina;
- A frequência urinária;
- A presença de sede;
- As recomendações do médico em caso de doenças específicas, como insuficiência cardíaca ou doença renal.
Como lembrar de beber água no inverno?
Algumas estratégias simples ajudam:
- Manter uma garrafa de água sempre à vista;
- Estabelecer horários para beber água;
- Tomar um copo de água ao acordar e outro em cada refeição;
- Incluir chás sem açúcar e sopas na rotina;
- Usar aplicativos ou alarmes para lembrar da hidratação;
- Não esperar sentir sede para beber água.
Quando procurar atendimento médico?
Procure avaliação médica se surgirem:
- Tontura intensa;
- Confusão mental;
- Sonolência excessiva;
- Desmaios;
- Incapacidade de ingerir líquidos;
- Redução importante da urina;
- Sinais de desidratação associados a vômitos ou diarreia persistentes.
Esses sintomas podem indicar uma desidratação moderada ou grave, que exige tratamento imediato.
Confira: 7 sintomas de desidratação e quanto de água você deve beber todos os dias
Perguntas frequentes sobre desidratação no inverno
1. É normal sentir menos sede no inverno?
Sim. O frio reduz naturalmente a sensação de sede e aumenta a produção de urina, fazendo com que muitas pessoas bebam menos água do que precisam.
2. Posso desidratar mesmo sem suar?
Sim. O organismo continua perdendo água pela respiração, urina, fezes e evaporação pela pele, mesmo quando o suor é pouco perceptível.
3. O frio aumenta a produção de urina?
Sim. A vasoconstrição provocada pelo frio aumenta temporariamente o volume de sangue na região central do corpo, favorecendo a chamada diurese induzida pelo frio.
4. Chá conta como hidratação?
Sim. Chás sem açúcar, leite, sopas e outras bebidas contribuem para a hidratação diária, embora a água continue sendo a principal recomendação.
5. Urina escura sempre significa desidratação?
Não. Ela pode ser influenciada por vitaminas, medicamentos e alguns alimentos. Ainda assim, urina persistentemente escura pode indicar baixa ingestão de líquidos.
6. Idosos precisam tomar mais cuidado?
Sim. Com o envelhecimento, a percepção da sede diminui, aumentando o risco de desidratação, principalmente durante o inverno.
7. Preciso beber a mesma quantidade de água no inverno que no verão?
A necessidade pode variar conforme o clima, a atividade física e as características individuais. No entanto, a hidratação continua sendo essencial durante o inverno, e não se deve esperar a sede aparecer para ingerir líquidos.
Veja também: O que acontece com o corpo ao segurar o xixi por muito tempo?
