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  • Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, e uma parte delas está diretamente associada a problemas bucais.

    Quando existe infecções dentárias ou na gengiva, as bactérias podem entrar na corrente sanguínea e alcançar outros órgãos, inclusive o coração — facilitando o surgimento de inflamações no organismo.

    Para entender essa relação e quais sinais de alerta para ficar atento, conversamos com a cardiologista Juliana Soares e esclarecemos tudo, a seguir.

    Qual a relação entre os problemas bucais e doenças cardíacas?

    Existem dois principais mecanismos pelos quais a saúde bucal pode impactar a saúde cardiovascular. O primeiro acontece pela via das bactérias.

    De acordo com Juliana, a boca é uma região altamente vascularizada e abriga uma grande quantidade de microrganismos. Quando existe uma infecção ou inflamação, essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea e chegar ao coração. Lá, elas podem se fixar, principalmente nas válvulas cardíacas, causando uma infecção chamada endocardite.

    O segundo caminho é através da inflamação. As doenças gengivais crônicas mantêm o organismo em estado inflamatório contínuo, com liberação de substâncias que circulam pelo sangue e não ficam restritas à boca.

    Com o tempo, essa inflamação generalizada favorece a formação e a instabilidade de placas de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC.

    Quais os tipos de problemas bucais que estão ligados a doenças cardíacas?

    Uma vez que alguns problemas bucais favorecem a entrada de bactérias na corrente sanguínea e mantêm o organismo em estado inflamatório, elas estão mais associadas a doenças do coração.

    A principal é a periodontite, segundo Juliana, uma infecção que acomete as gengivas e, com a progressão, destrei o tecido mole e o osso responsáveis pela sustentação dos dentes.

    Nesse quadro, formam-se bolsas entre dentes e gengivas, com grande acúmulo de bactérias e inflamação crônica, facilitando a passagem de microrganismos para o sangue.

    Outra condição que pode ser destacada são as infecções na raiz do dente, como abscessos dentários não tratados, que funcionam como focos ativos de infecção.

    As bactérias presentes nas lesões podem alcançar a corrente sanguínea e atingir o coração, aumentando o risco de complicações cardíacas.

    Pessoas com doenças cardíacas precisam de cuidados especiais?

    Devido ao maior risco de complicações infecciosas, pessoas com próteses cardíacas ou doenças do coração, especialmente cardiopatias congênitas, precisam de atenção redobrada com a higiene bucal.

    Segundo a cardiologista, as bactérias presentes na boca podem entrar na corrente sanguínea e se fixar com mais facilidade em válvulas artificiais e próteses cardíacas, favorecendo o desenvolvimento de endocardite.

    Em casos de cardiopatias congênitas, alterações na estrutura do coração também podem facilitar essa fixação bacteriana.

    Entre alguns dos principais cuidados, é possível destacar:

    • Escovação adequada dos dentes, realizada pelo menos duas vezes ao dia, com atenção especial à linha da gengiva, para reduzir o acúmulo de bactérias e prevenir inflamações;
    • Uso diário de fio dental, fundamental para remover resíduos e placa bacteriana entre os dentes, regiões onde a escova não alcança;
    • Consultas regulares ao dentista, permitindo a identificação precoce de infecções, gengivite ou periodontite, antes que se tornem focos de inflamação sistêmica;
    • Tratamento imediato de infecções bucais, como abscessos, cáries profundas ou inflamações gengivais, evitando que bactérias atinjam a corrente sanguínea;
    • Uso preventivo de antibióticos antes de procedimentos dentários invasivos, quando indicado pelo médico ou dentista, principalmente em casos de manipulação gengival ou cirurgias odontológicas.

    Também é importante ir ao dentista com regularidade para fazer limpezas, tratar problemas na gengiva e identificar sinais que podem estar ligados a outras doenças do organismo.

    Quais os sinais de alerta para ficar de olho?

    Alguns sinais podem indicar uma inflamação na boca e higiene bucal inadequada, como:

    • Sangramento gengival frequente, principalmente durante a escovação ou o uso do fio dental;
    • Gengivas inchadas, muito avermelhadas ou retraídas;
    • Dentes amolecidos ou com sensação de mobilidade;
    • Mau hálito persistente, mesmo após a higiene bucal.

    Além dos sinais bucais, também é importante atenção a sintomas gerais, como dor na região da mandíbula e/ou que irradia para o peito, ombro ou braço.

    Em alguns casos, esse tipo de dor pode estar ligado a um problema no coração, como o infarto, sendo necessário procurar ajuda médica o quanto antes.

    Perguntas frequentes

    Sangramento na gengiva pode indicar infecção?

    Sim, um sangramento frequente costuma ser sinal de inflamação gengival e pode indicar gengivite ou periodontite.

    Infecção na boca pode se espalhar pelo corpo?

    Sim, bactérias da boca podem entrar na corrente sanguínea e atingir outros órgãos, como coração, pulmões e articulações.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Como prevenir infecções bucais?

    Algumas medidas ajudam na prevenção, como escovação correta, uso diário de fio dental, consultas regulares ao dentista e tratamento precoce de cáries.

    Fumar aumenta o risco de infecções bucais?

    Sim, o tabagismo reduz a defesa natural da gengiva, dificulta a cicatrização e favorece o acúmulo de bactérias na boca. Com isso, aumenta o risco de infecções, inflamações gengivais e problemas mais graves, como periodontite e perda dentária.

    Quantas vezes por dia é preciso escovar os dentes?

    O ideal é escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, principalmente após as refeições e antes de dormir.

    Trocar a escova de dentes com que frequência?

    A troca deve ser feita a cada três meses ou antes, caso as cerdas estejam desgastadas.

    Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver dor persistente, inchaço, sangramento frequente, pus, mau hálito constante ou febre associada a problemas na boca.

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