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  • Erisipela: veja o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Erisipela: veja o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Vermelhidão intensa na pele, dor, inchaço e febre alta são apenas alguns dos sintomas da erisipela, uma infecção bacteriana da pele que afeta principalmente as pernas, mas que também pode surgir no rosto, nos braços ou em outras partes do corpo.

    A doença costuma aparecer de forma rápida e bem visível, por isso a procura por atendimento médico deve acontecer o quanto antes, para evitar que a infecção aumente ou se espalhe. Para entender como é causada, se é contagiosa e tratamento, conversamos com o cirurgião vascular Marcelo Dalio. Confira, a seguir.

    O que é erisipela?

    A erisipela é uma infecção bacteriana da pele que atinge as camadas mais superficiais, além dos vasos linfáticos. Ela é normalmente causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, que entra no organismo através de pequenas aberturas na pele, muitas vezes quase imperceptíveis, como:

    • Micoses entre os dedos (frieiras);
    • Cortes ou arranhões;
    • Picadas de insetos;
    • Úlceras nas pernas.

    A infecção pode surgir em qualquer parte do corpo, mas aparece com mais frequência nas pernas devido aos problemas de circulação, ao inchaço ou às pequenas lesões que costumam ocorrer nessa região. Em alguns casos, ela também pode afetar o rosto ou membros superiores, de acordo com Marcelo.

    Quem tem mais risco de ter erisipela?

    As causas da erisipela estão relacionadas principalmente à entrada de bactérias na pele, normalmente através de pequenas lesões que muitas vezes passam despercebidas. Além das lesões na pele e micoses (especialmente nos pés), os fatores que facilitam o surgimento da erisipela incluem:

    • Problemas de circulação, pois a má circulação sanguínea e o inchaço nas pernas aumentam o risco, uma vez que dificultam a defesa natural do organismo na região;
    • Diabetes, que pode prejudicar a cicatrização e a imunidade, favorecendo o desenvolvimento da infecção;
    • Sistema imunológico enfraquecido, seja por doenças crônicas, uso de alguns medicamentos ou situações que reduzem a imunidade;
    • Sobrepeso e obesidade, que podem favorecer o inchaço nas pernas e a dificuldade de circulação, aumentando o risco.

    Em pessoas com diabetes, imunidade baixa ou flora bacteriana alterada, Marcelo explica que os quadros tendem a ser mais graves.

    Quais os sintomas da erisipela?

    Os sintomas da erisipela costumam aparecer de forma rápida e podem causar bastante desconforto. Como se trata de uma infecção bacteriana da pele, os sinais geralmente são visíveis e acompanhados de sintomas gerais no corpo. No início, a pessoa pode apresentar:

    • Febre alta (acima de 38°C);
    • Calafrios e tremores;
    • Mal-estar intenso, náuseas ou vômitos;
    • Sudorese;
    • Aumento dos gânglios da virilha (as chamadas ínguas);
    • Dor de cabeça.

    Depois, conforme a infecção evolui, aparecem sintomas mais específicos no local afetado, como:

    • Vermelhidão na pele, que fica brilhante, quente ao toque e com bordas;
    • Dor e sensibilidade;
    • Inchaço na pele, causando sensação de peso ou pressão;
    • Sensação de calor na região;
    • Bolhas ou manchas escuras.

    Se houver suspeita de erisipela, a procura por atendimento médico deve ser rápida, pois o tratamento precoce com antibióticos ajuda a evitar a piora da infecção e possíveis complicações.

    Erisipela é contagiosa?

    A erisipela não costuma ser contagiosa. Apesar de ser causada por uma bactéria, a infecção normalmente surge quando o microrganismo entra na pele por meio de um corte, uma rachadura, uma frieira ou qualquer outra pequena lesão. Não é comum desenvolver erisipela apenas por estar próximo ou conviver com alguém que esteja com o problema.

    O que acontece, na maioria das vezes, é que a própria bactéria, que já pode estar presente na pele, aproveita uma porta de entrada para causar a infecção. Por isso, o foco maior deve ser o cuidado com a pele e com pequenas lesões, e não com o afastamento da pessoa com erisipela.

    Diagnóstico da erisipela

    O diagnóstico da erisipela é feito, na maioria das vezes, por meio da avaliação clínica. O médico observa os sinais na pele, como a vermelhidão intensa, o inchaço, o calor local e as bordas bem definidas da lesão, além de considerar sintomas como febre, calafrios e mal-estar.

    Durante a consulta, também são feitas perguntas sobre o início dos sintomas, a presença de feridas, micoses, cortes recentes ou doenças como diabetes e problemas de circulação, que podem aumentar o risco da infecção.

    Na maioria das vezes, não são necessários exames de sangue ou de imagem para diagnosticar a erisipela simples. No entanto, o médico pode solicitá-los quando o quadro está mais grave ou quando o paciente apresenta outras condições de saúde, como diabetes.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento da erisipela é feito principalmente com o uso de antibióticos por via oral e, na maioria dos casos, pode ser realizado em casa, com acompanhamento médico e atenção aos sintomas. Em situações mais graves, especialmente em idosos ou pacientes com doenças associadas, Marcelo explica que pode ser necessário antibiótico injetável.

    Para aliviar os sintomas, o médico também pode prescrever o uso de analgésicos e antitérmicos, para controlar a dor e a febre, e anti-inflamatórios, para reduzir o inchaço mais rápido, dependendo da avaliação médica.

    Importante: nunca interrompa o tratamento antes do prazo indicado, mesmo que a mancha desapareça, pois isso ajuda a evitar o retorno da infecção e o agravamento do quadro.

    Cuidados com o local da infecção

    Os cuidados com a região afetada pela erisipela ajudam a aliviar a dor, reduzir o inchaço e favorecer a recuperação. Além do uso do antibiótico indicado pelo médico, algumas medidas simples fazem bastante diferença no dia a dia, como:

    • Evitar esforços e caminhadas prolongadas, principalmente quando a infecção está nas pernas. O excesso de movimento pode aumentar o inchaço e a inflamação;
    • Manter a perna elevada, acima do nível do coração, sempre que possível. A posição ajuda o sistema linfático a drenar o excesso de líquido, diminuindo o inchaço e a dor latejante;
    • Lavar a área afetada com água e sabão neutro, sem esfregar ou fazer pressão;
    • Quando indicadas, as compressas frias com soro fisiológico podem aliviar a sensação de calor e o desconforto local.

    Também é necessário cuidar de frieiras, cortes, rachaduras ou feridas com pomadas adequadas, como antifúngicas ou cicatrizantes, para evitar que a bactéria volte a penetrar na pele.

    Quando é necessário cirurgia de erisipela?

    A maioria dos casos de erisipela pode ser tratada apenas com antibiótico e repouso, mas quando a infecção se espalha ou causa danos graves aos tecidos, pode ser necessária uma cirurgia para remover e drenar grandes áreas necróticas e com pus, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

    Se você ou alguém próximo estiver tratando uma erisipela, fique alerta aos sinais de alerta, como:

    • Aparecimento de bolhas com sangue ou de cor arroxeada;
    • Pele ficando preta ou acinzentada;
    • Dor que não melhora nem um pouco com analgésicos fortes;
    • Sensação de “estalo” ou crepitação ao apertar a pele (como se houvesse ar por baixo).

    É possível prevenir a erisipela?

    A prevenção da erisipela envolve principalmente cuidados com a pele, controle de doenças associadas e atenção a fatores que facilitam a entrada de bactérias. Algumas medidas importantes incluem:

    • Manter a pele limpa e bem cuidada;
    • Evitar feridas, cortes, traumas e picadas de insetos;
    • Tratar micoses e problemas de pele, como o pé de atleta;
    • Cuidar da circulação e reduzir o inchaço nas pernas;
    • Manter o diabetes bem controlado;
    • Seguir orientação médica para descolonização da pele, quando indicado;
    • Em casos de erisipela repetição, pode ser indicada penicilina benzatina intramuscular a cada 21 dias, conforme avaliação médica. Nunca tome remédios sem orientação de um profissional!

    Complicações da erisipela

    A falta de tratamento ou o atraso no diagnóstico pode levar a complicações sérias da erisipela, pois a infecção pode se espalhar rapidamente e atingir camadas mais profundas da pele.

    Quando não tratada de forma adequada, a condição pode evoluir com aumento da área de vermelhidão, dor mais intensa e inchaço acentuado. Em alguns casos, pode ocorrer a formação de bolhas ou abscessos, além do comprometimento dos vasos linfáticos, o que favorece o surgimento de inchaço crônico na região afetada.

    Em situações mais graves, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea, provocando um quadro de infecção generalizada, conhecida como sepse, que exige atendimento médico imediato.

    Por isso, o tratamento da erisipela deve começar o quanto antes para garantir que a bactéria seja eliminada antes de causar danos irreversíveis.

    Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?

    Perguntas frequentes

    1. Erisipela e celulite infecciosa são a mesma coisa?

    Não. A erisipela atinge as camadas mais superficiais da pele e tem bordas bem definidas, enquanto a celulite atinge a gordura profunda e é mais espalhada.

    2. Quanto tempo dura o tratamento?

    Normalmente entre 7 a 14 dias de antibiótico. A melhora dos sintomas costuma vir em 48h, mas o remédio deve ser tomado até o fim.

    3. O que acontece se eu não tratar?

    A infecção pode se espalhar para o sangue (septicemia), causar abscessos ou destruir os vasos linfáticos, deixando a perna permanentemente inchada (elefantíase).

    4. Existe algum alimento que ajuda ou piora a erisipela?

    Não há um alimento que cause a doença, mas recomenda-se uma dieta com pouco sal para não aumentar a retenção de líquidos e o inchaço.

    5. A erisipela deixa cicatrizes ou manchas?

    Em casos leves, a pele apenas descama e volta ao normal. Em casos com bolhas ou feridas, pode haver escurecimento da pele (hiperpigmentação) ou cicatrizes. Hidratar bem a pele após a cura ajuda a minimizar esses efeitos.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    Osteomielite tem cura? Saiba mais sobre a infecção que atinge os ossos 

    A osteomielite é uma infecção óssea que, apesar de menos comum do que outras infecções, pode causar complicações graves quando não diagnosticada e tratada corretamente. A condição pode afetar pessoas de diferentes idades e está frequentemente associada a doenças crônicas, cirurgias ortopédicas ou situações que comprometem a imunidade.

    Dependendo da forma como se manifesta, a osteomielite pode evoluir de maneira rápida, com sintomas intensos, ou de forma lenta e silenciosa, tornando o diagnóstico mais desafiador. Reconhecer os sinais precocemente é essencial para evitar a destruição do osso e a progressão da infecção.

    O que é a osteomielite?

    A osteomielite é uma infecção do osso causada por microrganismos, que podem incluir bactérias, fungos ou micobactérias. Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, diabetes, doenças vasculares e condições de imunossupressão, como câncer ou HIV/AIDS.

    Pessoas submetidas a cirurgias ortopédicas, colocação de próteses ou que sofreram traumas importantes, como acidentes automobilísticos, também apresentam maior risco.

    A osteomielite pode ocorrer de forma aguda, com instalação rápida dos sintomas, ou crônica, com evolução lenta ao longo de meses ou anos. Sem tratamento adequado, a infecção pode levar à necrose do osso, o que agrava o problema.

    Principais sintomas

    Osteomielite aguda

    A forma aguda costuma evoluir ao longo de dias a semanas e apresenta:

    • Dor local;
    • Inchaço;
    • Calor e vermelhidão na região afetada;
    • Febre e mal-estar.

    Quando a infecção atinge uma articulação próxima, pode ocorrer artrite séptica.

    Osteomielite crônica

    A forma crônica evolui de maneira mais lenta, com sintomas persistindo por mais de duas semanas.

    • Dor, inchaço e vermelhidão podem estar presentes;
    • Sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, costumam ser leves ou ausentes.

    Causas

    A osteomielite pode surgir por diferentes mecanismos de infecção do osso.

    Principais vias de infecção

    • Disseminação do microrganismo pela corrente sanguínea;
    • Propagação de infecções da pele ou dos músculos para o osso;
    • Contato direto do microrganismo após cirurgias ou acidentes.

    Microrganismos envolvidos

    • Bactérias: estafilococos, estreptococos e enterococos;
    • Fungos: principalmente Candida;
    • Micobactérias: a mais comum é a causadora da tuberculose, que geralmente acomete a coluna vertebral, levando ao chamado mal de Pott.

    Diagnóstico

    O diagnóstico da osteomielite é baseado na avaliação clínica, associada a exames laboratoriais e de imagem.

    Exames de sangue

    Podem indicar infecção e inflamação, além de culturas sanguíneas positivas nos casos de disseminação hematogênica.

    Exames de imagem

    São fundamentais para o diagnóstico e incluem radiografia e ressonância magnética.

    Esses exames permitem identificar edema dos tecidos ao redor do osso, perda de massa óssea e sinais de necrose em estágios mais avançados.

    Cultura do osso

    Quando há necessidade de cirurgia para remoção de tecido necrosado, a cultura dos fragmentos auxilia na identificação do microrganismo e na escolha do antibiótico mais adequado.

    Tratamento

    O tratamento da osteomielite baseia-se principalmente no uso de antibióticos.

    Abordagem inicial

    • Início com antibióticos de amplo espectro;
    • Ajuste do tratamento conforme o microrganismo identificado e sua sensibilidade.

    Cirurgia

    Em casos com grande quantidade de tecido necrosado, pode ser necessária intervenção cirúrgica para remover áreas infectadas e facilitar a ação dos antibióticos.

    O que esperar

    O prognóstico da osteomielite é geralmente favorável quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é instituído de forma adequada.

    No entanto, casos associados a próteses ortopédicas costumam ser mais complexos e podem exigir estratégias terapêuticas adicionais.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes sobre osteomielite

    1. O que é osteomielite?

    É uma infecção do osso causada por bactérias, fungos ou micobactérias.

    2. A osteomielite pode ser aguda ou crônica?

    Sim. A forma aguda tem início rápido, enquanto a crônica evolui lentamente ao longo de meses ou anos.

    3. Quais são os principais sintomas da osteomielite?

    Dor, inchaço, vermelhidão local, podendo haver febre e mal-estar, especialmente na forma aguda.

    4. A osteomielite sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos são tratados apenas com antibióticos, mas a cirurgia pode ser necessária quando há tecido ósseo necrosado.

    5. O tratamento precoce melhora o prognóstico?

    Sim. O diagnóstico e o tratamento precoces aumentam significativamente as chances de recuperação.

    Confira: Artrite reumatoide: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento