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  • Olhos amarelos: além de hepatite, o que pode ser?

    Olhos amarelos: além de hepatite, o que pode ser?

    Perceber que a parte branca dos olhos ficou amarelada costuma causar preocupação imediata. Para muitas pessoas, esse sinal é automaticamente associado à hepatite. Embora a hepatite realmente seja uma das causas de icterícia, ela está longe de ser a única.

    Os olhos amarelos podem surgir por alterações no fígado, na vesícula biliar, nos ductos biliares, no sangue e até por algumas condições hereditárias benignas. Por isso, a icterícia deve ser encarada como um sinal clínico, e não como um diagnóstico.

    Em alguns casos, representa uma condição leve e transitória. Em outros, pode indicar doenças que exigem avaliação e tratamento rápidos.

    O que é icterícia?

    A icterícia é a coloração amarelada da pele, das mucosas e, principalmente, da parte branca dos olhos, chamada esclera.

    Ela acontece quando existe aumento da bilirrubina no sangue.

    A esclera costuma ser um dos primeiros locais onde essa alteração é percebida, pois suas estruturas apresentam grande afinidade pela bilirrubina.

    Por isso, muitas vezes os olhos ficam amarelados antes mesmo de a pele mudar de cor.

    O que é a bilirrubina?

    A bilirrubina é um pigmento amarelo produzido durante a degradação natural das hemácias, os glóbulos vermelhos. Todos os dias, milhões dessas células envelhecem e são substituídas.

    Nesse processo:

    1. A hemoglobina é degradada;
    2. Forma-se a bilirrubina indireta, também chamada de não conjugada;
    3. Ela é transportada até o fígado;
    4. O fígado transforma essa bilirrubina em uma forma solúvel, chamada bilirrubina direta ou conjugada;
    5. A bile transporta a bilirrubina até o intestino, onde ela será eliminada.

    Qualquer alteração nesse caminho pode provocar acúmulo de bilirrubina no sangue e levar à icterícia.

    Quais são as principais causas de olhos amarelos?

    As causas de icterícia podem ser divididas em três grandes grupos, de acordo com o ponto em que ocorre a alteração no metabolismo da bilirrubina.

    Antes do fígado: causas pré-hepáticas

    Acontecem quando existe destruição acelerada das hemácias, processo chamado hemólise.

    Entre os exemplos estão:

    • Anemia hemolítica autoimune;
    • Anemia falciforme;
    • Talassemias;
    • Reações transfusionais;
    • Algumas infecções.

    Nessas situações, o organismo produz mais bilirrubina do que o fígado consegue processar.

    No fígado: causas hepáticas

    São doenças que comprometem a capacidade do fígado de metabolizar ou eliminar a bilirrubina.

    Entre elas:

    • Hepatites virais;
    • Hepatite alcoólica;
    • Esteatose hepática avançada;
    • Cirrose;
    • Lesão hepática causada por medicamentos;
    • Hepatite autoimune;
    • Doenças metabólicas do fígado.

    Nesses casos, o problema está diretamente relacionado ao funcionamento do próprio fígado.

    Após o fígado: causas pós-hepáticas

    Acontecem quando existe alguma obstrução à saída da bile.

    Entre as causas estão:

    • Pedras na vesícula que migram para o colédoco;
    • Tumores do pâncreas;
    • Câncer das vias biliares;
    • Estreitamentos dos ductos biliares;
    • Inflamações das vias biliares.

    Nesses casos, a bilirrubina conjugada não consegue chegar adequadamente ao intestino e acaba retornando para a corrente sanguínea.

    Síndrome de Gilbert: uma causa benigna de olhos amarelos

    Uma das causas mais frequentes de icterícia leve em adultos jovens é a síndrome de Gilbert. Trata-se de uma condição hereditária em que o fígado apresenta menor capacidade de processar a bilirrubina indireta.

    Ela pode provocar episódios de olhos discretamente amarelados durante situações como:

    • Jejum prolongado;
    • Estresse físico ou emocional;
    • Infecções;
    • Exercícios intensos;
    • Privação de sono.

    A síndrome de Gilbert não causa lesão no fígado, não evolui para cirrose e não necessita de tratamento.

    Reconhecer essa condição também pode evitar exames desnecessários e reduzir a preocupação do paciente.

    Quais sintomas podem acompanhar a icterícia?

    Os sintomas associados dependem da causa do aumento da bilirrubina.

    Podem surgir:

    • Cansaço;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Coceira intensa;
    • Urina escura, descrita muitas vezes como “cor de Coca-Cola”;
    • Fezes muito claras ou esbranquiçadas;
    • Perda de apetite;
    • Perda de peso.

    Essas manifestações ajudam o médico a direcionar a investigação e a identificar a possível origem da icterícia.

    O que significa urina escura junto com olhos amarelos?

    Quando existe aumento da bilirrubina conjugada, parte dela pode ser eliminada pelos rins, deixando a urina mais escura.

    Isso pode acontecer em situações como:

    • Hepatites;
    • Obstruções biliares;
    • Algumas doenças hepáticas.

    Já na hemólise isolada, a urina pode permanecer com cor normal, porque a bilirrubina indireta não é filtrada pelos rins.

    A combinação entre olhos amarelos e urina escura, portanto, fornece uma pista importante durante a investigação da causa.

    Fezes claras indicam algum problema?

    Podem indicar.

    Fezes muito claras ou esbranquiçadas podem sugerir que pouca ou nenhuma bile está chegando ao intestino.

    Isso pode acontecer em casos de:

    • Obstrução dos ductos biliares;
    • Pedras na via biliar;
    • Tumores pancreáticos;
    • Algumas doenças hepáticas graves.

    Quando essa alteração é persistente, merece avaliação médica.

    Icterícia sempre significa doença grave?

    Não. A gravidade depende da causa.

    Entre as condições que podem provocar icterícia sem representar uma doença grave estão:

    • Síndrome de Gilbert;
    • Icterícia fisiológica do recém-nascido, em contexto específico e sob acompanhamento.

    Já algumas causas potencialmente graves incluem:

    • Hepatite aguda;
    • Cirrose descompensada;
    • Colangite;
    • Obstrução da via biliar;
    • Câncer de pâncreas;
    • Insuficiência hepática.

    Por isso, a presença de icterícia deve ser avaliada para que sua origem seja identificada.

    Como o médico descobre a causa?

    A investigação começa pela história clínica e pelo exame físico.

    O médico avalia fatores como o início dos sintomas, presença de dor ou febre, uso de medicamentos, consumo de álcool e outras alterações associadas.

    Depois, podem ser solicitados exames complementares.

    Exames de sangue

    Entre os exames que podem fazer parte da investigação estão:

    • Bilirrubina total e frações;
    • AST, também chamada TGO;
    • ALT, também chamada TGP;
    • Fosfatase alcalina;
    • Gama-GT;
    • Hemograma;
    • Marcadores de hemólise;
    • Sorologias para hepatites.

    A combinação desses resultados ajuda a diferenciar causas relacionadas ao sangue, ao fígado e às vias biliares.

    Exames de imagem

    Dependendo da suspeita clínica, podem ser solicitados:

    • Ultrassonografia abdominal;
    • Tomografia computadorizada;
    • Ressonância magnética das vias biliares, também chamada colangiorressonância;
    • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, a CPRE, em casos selecionados.

    A escolha do exame depende da provável origem da icterícia.

    Existe tratamento para a icterícia?

    O tratamento depende completamente da causa.

    Por exemplo:

    • Hepatites virais podem exigir acompanhamento específico ou antivirais, dependendo do tipo;
    • Pedras na via biliar podem necessitar de retirada por endoscopia ou cirurgia;
    • Anemias hemolíticas exigem tratamento direcionado à causa da hemólise;
    • Síndrome de Gilbert geralmente não requer tratamento.

    Portanto, o objetivo não é simplesmente fazer a coloração amarelada desaparecer, mas tratar a doença ou alteração responsável pelo aumento da bilirrubina.

    Quando a icterícia é uma emergência?

    Alguns sintomas associados à icterícia exigem avaliação imediata.

    Procure atendimento de urgência se os olhos amarelos surgirem acompanhados de:

    • Febre alta;
    • Dor intensa no lado direito do abdome;
    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Sangramentos;
    • Vômitos persistentes;
    • Queda importante da pressão;
    • Dificuldade para acordar.

    Esses sinais podem indicar infecções graves das vias biliares, insuficiência hepática aguda ou outras condições potencialmente graves.

    É possível prevenir a icterícia?

    Nem todas as causas de icterícia podem ser prevenidas. No entanto, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de doenças hepáticas que podem provocar aumento da bilirrubina.

    Entre elas:

    • Manter a vacinação contra hepatite A e B quando indicada;
    • Moderar ou evitar o consumo de álcool;
    • Manter um peso saudável;
    • Evitar automedicação, especialmente com medicamentos potencialmente tóxicos para o fígado;
    • Praticar sexo seguro;
    • Não compartilhar seringas ou objetos perfurocortantes;
    • Controlar doenças metabólicas, como diabetes e obesidade.

    Essas medidas não eliminam todas as possíveis causas de olhos amarelos, mas ajudam a proteger a saúde do fígado.

    Quando procurar um médico por olhos amarelos?

    O aparecimento de uma coloração amarelada na parte branca dos olhos merece avaliação médica, principalmente quando a causa ainda não é conhecida.

    A consulta se torna ainda mais importante quando a icterícia vem acompanhada de:

    • Urina muito escura;
    • Fezes claras;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Coceira intensa;
    • Perda de peso;
    • Náuseas ou vômitos;
    • Mal-estar importante.

    O objetivo é identificar a causa e avaliar se existe necessidade de tratamento específico.

    Confira: O que muda na alimentação depois da retirada da vesícula?

    Perguntas frequentes sobre olhos amarelos

    1. Olhos amarelos sempre significam hepatite?

    Não. As hepatites são apenas uma das possíveis causas. Alterações nas vias biliares, doenças do sangue, condições hereditárias e tumores também podem provocar icterícia.

    2. A síndrome de Gilbert é perigosa?

    Não. É uma condição hereditária benigna que provoca elevação leve da bilirrubina indireta, sem causar lesão hepática ou necessidade de tratamento específico.

    3. Qual é a diferença entre bilirrubina direta e indireta?

    A bilirrubina indireta ainda não foi processada pelo fígado. Já a direta foi conjugada pelo órgão e normalmente seria eliminada por meio da bile.

    Essa diferença ajuda o médico a investigar em qual etapa do metabolismo da bilirrubina pode estar o problema.

    4. Urina escura junto com olhos amarelos é preocupante?

    Essa combinação merece avaliação médica.

    Ela pode indicar aumento da bilirrubina conjugada e estar relacionada a doenças do fígado ou a obstruções das vias biliares.

    5. Fezes claras são normais?

    Fezes persistentemente muito claras ou esbranquiçadas podem indicar redução da chegada de bile ao intestino e precisam ser investigadas.

    6. Quem está com icterícia deve evitar álcool?

    Sim. Até que a causa da icterícia seja esclarecida, é recomendado evitar bebidas alcoólicas, pois elas podem agravar doenças do fígado.

    7. Quando devo procurar atendimento imediatamente?

    Se a icterícia vier acompanhada de febre alta, dor abdominal intensa, confusão mental, sonolência excessiva, sangramentos, vômitos persistentes ou outros sinais importantes de piora, procure atendimento de urgência.

    Veja também: Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença

  • Por que o bebê fica amarelinho? Entenda tudo sobre a icterícia neonatal 

    Por que o bebê fica amarelinho? Entenda tudo sobre a icterícia neonatal 

    Nos primeiros dias de vida, é comum que o bebê apresente uma coloração amarelada na pele e nos olhos. Na maioria das vezes, trata-se de um quadro passageiro e inofensivo de icterícia neonatal, causado pela imaturidade natural do fígado. Com o tempo e o acompanhamento adequado, a coloração costuma voltar ao normal sem deixar sequelas.

    Em alguns casos, porém, esse amarelado pode indicar problemas de saúde que exigem atenção médica — como doenças metabólicas, incompatibilidade sanguínea ou dificuldade na eliminação da bilirrubina. Por isso, é importante que os pais saibam identificar os sinais e mantenham o acompanhamento pediátrico após o nascimento.

    O que é a icterícia

    A icterícia acontece quando há acúmulo de bilirrubina no sangue. A bilirrubina é uma substância produzida naturalmente durante a renovação dos glóbulos vermelhos. O fígado transforma e elimina essa substância pelas fezes e pela urina.

    Nos primeiros dias de vida, o fígado do bebê ainda está amadurecendo, o que pode causar um leve aumento da bilirrubina e resultar na coloração amarelada da pele e dos olhos.

    Quando a icterícia pode ser preocupante

    Na maioria dos casos, a icterícia é fisiológica, ou seja, normal e temporária. No entanto, há situações em que ela pode indicar um problema de saúde, como:

    • Alterações metabólicas, como o hipotireoidismo;
    • Aumento da destruição dos glóbulos vermelhos, comum em casos de incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê ou deficiência de G6PD;
    • Dificuldade na eliminação da bilirrubina, causada por obstrução das vias biliares ou doenças hepáticas.

    Em qualquer uma dessas situações, a avaliação médica é indispensável para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.

    Risco para o cérebro

    Em casos raros, a bilirrubina pode atravessar a barreira natural do cérebro e causar neurotoxicidade. Nos estágios iniciais, o bebê pode apresentar:

    • Sonolência excessiva;
    • Moleza ou, ao contrário, rigidez muscular;
    • Irritação e choro agudo.

    Sem tratamento, o quadro pode evoluir para kernicterus — uma forma grave e crônica de icterícia que pode causar dificuldades motoras, perda auditiva e atraso no desenvolvimento. Embora seja raro, o kernicterus é uma complicação grave e irreversível, por isso a observação cuidadosa é fundamental.

    Fatores de risco para icterícia grave

    Alguns bebês exigem vigilância maior, como:

    • Prematuros;
    • Bebês com doença hemolítica do recém-nascido, que ocorre quando os anticorpos da mãe atacam os glóbulos vermelhos do bebê;
    • Histórico familiar de icterícia grave em irmãos;
    • Baixa ingestão de leite materno, que dificulta a eliminação da bilirrubina.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico começa com o exame visual, observando a pele, os olhos e as mucosas. Em bebês de pele mais escura, o amarelado costuma ser mais evidente na parte branca dos olhos e embaixo da língua.

    Mas apenas observar não é suficiente. Sempre que houver suspeita, o médico deve solicitar a dosagem da bilirrubina, que pode ser feita por:

    • Exame de sangue;
    • Teste transcutâneo, realizado com um aparelho que mede os níveis de bilirrubina pela pele.

    Em alguns casos, podem ser necessários exames complementares de sangue ou imagem para investigar a causa do aumento da bilirrubina.

    Prevenção e triagem

    • Todos os recém-nascidos devem ser avaliados entre 24 e 48 horas após o parto;
    • Durante a gestação, exames de sangue da mãe ajudam a identificar riscos, como incompatibilidade do fator Rh;
    • O início precoce da amamentação — ainda na sala de parto — auxilia o bebê a eliminar a bilirrubina pelas fezes;
    • O acompanhamento pediátrico deve continuar após a alta hospitalar, pois a icterícia pode piorar quando o bebê já está em casa.

    Leia mais: Teste da orelhinha: para que serve e como é feito

    Tratamento da icterícia em recém-nascidos

    Fototerapia

    É o tratamento mais comum e eficaz. O bebê fica exposto a uma luz especial (diferente da solar), que transforma a bilirrubina em uma forma mais fácil de eliminar. O tempo de tratamento varia conforme os níveis de bilirrubina e a resposta do bebê.

    Casos graves

    Em situações raras, pode ser necessária a exsanguineotransfusão — procedimento em que parte do sangue do bebê é trocada para remover rapidamente o excesso de bilirrubina.

    Perguntas frequentes sobre icterícia em recém-nascidos

    1. É normal o bebê ficar amarelinho depois que nasce?

    Sim. A maioria dos bebês tem icterícia leve nos primeiros dias de vida, que desaparece sozinha conforme o fígado amadurece.

    2. Quando a icterícia precisa de tratamento?

    Quando os níveis de bilirrubina estão altos ou o bebê apresenta sinais como sonolência excessiva, dificuldade para mamar ou fraqueza.

    3. A icterícia pode causar sequelas?

    Somente nos casos graves e sem tratamento. Quando acompanhada adequadamente, a icterícia não deixa sequelas.

    4. Posso colocar o bebê no sol para tratar a icterícia?

    Não. A fototerapia médica é feita com luz específica e segura. A exposição solar não substitui o tratamento.

    5. A amamentação influencia a icterícia?

    Sim. Amamentar com frequência ajuda o bebê a eliminar a bilirrubina mais rapidamente.

    6. Quando devo procurar o médico com urgência?

    Se o bebê estiver muito sonolento, com choro agudo, dificuldade para mamar ou se a cor amarelada piorar após a alta hospitalar, procure atendimento médico imediatamente.

    Leia também: 5 testes obrigatórios que devem ser feitos no recém-nascido